Image Map











segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Conceito bíblico sobre a apostasia

Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws20140715/jeova-conhece-os-que-lhe-pertencem/


“Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois, quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iníquas.” – 2 João 10, 11.

     
Em seu ministério de evangelização, bem como no convívio social e profissional, as Testemunhas de Jeová entram em contato com muitas pessoas que não possuem o conhecimento exato da verdade bíblica e, portanto, não têm “este ensino” mencionado no texto acima. Naturalmente, as Testemunhas não se refreiam de conversar com tais pessoas, nem de recebê-las em seus lares. De fato, reconhecem que a comissão dada por Cristo em Mateus 28:19 e 20 exige o contato religioso com pessoas de toda sorte. Então, de que trata o texto de 2 João 10 e 11?

Observe que a passagem não está fazendo alusão a alguém que meramente tem ensinos falsos e os expressam, mas a alguém que ‘se chega’ aos verdadeiros cristãos evidentemente com a intenção de influenciar e/ou de contestar os ensinos bíblicos. Trata-se patentemente de um militante religioso que toma a iniciativa nesse sentido. O versículo 9 mostra que tal militante pode um apóstata, alguém que outrora esteve no “ensino de Cristo” mas que não ‘permaneceu’ em tal ensino. Tal ex-cristão promove ativamente falsos ensinos, canalizando-os para tentar corromper os genuínos cristãos.

A fraseologia do texto mostra que, nos tempos bíblicos, possivelmente alguns com conceito religioso falso iam até os verdadeiros cristãos – aos lares destes – tentando influenciá-los ou contestá-los. Após o advento da imprensa, militantes de ensinos falsos puderam valer-se com mais facilidade de matéria escrita para “se chegar”, por meio delas, aos verdadeiros defensores da fé cristã. Na era da informática, muitos se utilizam de matéria em formato eletrônico para atingir o mesmo objetivo iníquo. Qual deveria ser a postura do cristão verdadeiro ante esse ataque anticristão?

“Nunca o recebais nos vossos lares”, diz categoricamente a Palavra de Deus. Isto indica que devemos evitar decididamente a presença em pessoa de indivíduos ou qualquer matéria impressa ou eletrônica que vise influenciar ou contestar as Testemunhas cristãs de Jeová. Alguém talvez diga: ‘Mas eu não me deixo influenciar por tais matérias.’ No entanto, não é uma questão de ser forte o bastante para não ser influenciado, mas é uma questão de lealdade à clara diretriz da Bíblia. Reajustar qualquer conceito errado nesse assunto resulta na bênção e na aprovação de Jeová Deus. (Provérbios 10:22; 22:4) Inclusive, o autor deste artigo teve, no passado, de ajustar-se para poder se enquadrar na diretriz de 2 João 10 e 11.

A clara exortação de ‘cessar de tocar em coisa impura’ aplica-se também a evitar qualquer conteúdo proveniente de apóstatas ou de militantes da religião falsa que tenha por objetivo corromper os verdadeiros cristãos. Por mantermos essa postura determinada, vivenciaremos em nossa vida de forma mais abundantemente o cumprimento das calorosas palavras de nosso amoroso Pai celestial: “‘Eu vos acolherei. E eu serei pai para vós e vós sereis filhos e filhas para mim’, diz Jeová, o Todo-poderoso.” – 2 Coríntios 6:17, 18.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





sábado, 22 de outubro de 2011

Pentecostalismo ou espiritismo?

Torre de Babel
Fonte da ilustração: http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2013646

   

O século vinte testemunhou uma surpreendente explosão de igrejas pentecostais.[1] Diversas religiões evangélicas promovem o pentecostalismo. Após o segundo Concílio do Vaticano (1962-1965) o movimento pentecostal aflorou no catolicismo romano, ficando conhecido como movimento carismático. Entretanto, dúvidas sobre a validade ou genuinidade desse comportamento religioso pairam na mente de muitas pessoas sinceras, e isso por pelo menos três motivos.

Primeiro, as religiões que alegam possuir os dons do espírito têm doutrinas muito divergentes entre si. Uma vez que “Deus não é Deus de desordem [confusão, Al]”, como poderia um dom da parte dele se manifestar em religiões tão conflitantes entre si? (1 Coríntios 14:33) Segundo, o modo de vida levado pelos que professam ter tais dons põe em dúvida a genuinidade de sua afirmação. Uma enquete de 1980 da revista Christianity Today e do Instituto Gallup de Pesquisa, feita junto a cinco milhões de estadunidenses que alegavam falar em línguas, trouxe à tona resultados surpreendentes. Note abaixo o que os números indicaram[2]:

·       33 por cento não acreditavam que o Diabo seja uma pessoa real
·       19 por cento aprovavam o sexo antes do casamento
·    44 por cento não consideravam a Bíblia como a autoridade mais importante.
·       58 por cento não davam prioridade a ajudar a ganhar outros para Cristo
·       Todos se envolviam com a política


À base dos dados acima, é provável que muitos pentecostais se apressem a argumentar que nem todos os que professam ter e manifestar os dons do espírito realmente têm tais dons. Mesmo que essa afirmação fosse verdadeira, a pesquisa acima mostrou uma porcentagem muito alta dos que afirmavam ter dons carismáticos, mas não viviam segundo os preceitos cristãos. Assim, segundo tal argumentação, uma grande parte dos que alegam ter dons são impostores.

Uma terceira razão da reticência em relação a tais dons tem que ver com o comportamento manifestado durante o período em que tais pentecostais alegam estar recebendo o dom do espírito. Alguns rolam pelo chão, babam, contorcem-se, gritam desvairadamente e ficam com a face terrivelmente desfigurada. Como tudo isso é diferente do comportamento do cristão do primeiro século chamado Estêvão. Quando estava “cheio de espírito santo”, era nítido aos seus opositores que “o seu rosto era como o rosto dum anjo”. (Atos 6:15; 7:55) O espírito santo deu a Estevão sobriedade, paz e tranquilidade incomuns, algo bem diferente do que se observa nas exibições bizarras dos que professam receber os dons espirituais. 

Portanto, vamos analisar a partir de agora o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto. Neste artigo, responderemos a três perguntas essenciais: (1) Por que foram dados os dons no passado? (2) Como se manifestavam? (3) Até quando durariam?

Por que foram conferidos os dons do espírito aos cristãos do primeiro século?

Tais dons foram concedidos por duas razoes básicas: para a propagação do recém-formado cristianismo e para confirmar que esse era a partir de então o modo correto de Deus ser adorado. (Atos 1:8; Hebreus 2:2-4) Os primitivos cristãos, em geral, eram tidos pela sociedade da época como “indoutos e comuns”, sabendo falar, mormente, o seu próprio idioma. No entanto, tinham diante de si uma obra colossal de pregação “até a extremidade da terra”. (Atos 1:8, NM, n.) De modo que o dom de línguas, manifestado primeiramente no Pentecostes de 33 EC, impulsionou tal obra. (Atos 2:1-11, 41) Ademais, Jeová havia usado a nação de Israel sob o pacto da Lei mosaica como o arranjo aprovado de aproximação a Ele por quase 1.600 anos. Portanto, seria de esperar que ele confirmasse de forma visível a mudança para uma nova forma de adoração.[3]

Como eram os dons de Deus no passado?

Algumas características marcantes de tais dons podem ser alistadas abaixo:

As curas eram completas e instantâneas. – Atos 3:1-8; 5:15, 16.

Os milagres eram concedidos não apenas aos que tinham fé. A cura realizada por Pedro, registrada em Atos 3:1-8, mostra que a pessoa que fora curada não esperava tal cura. Além disso, as pessoas falecidas que foram ressuscitadas não poderiam ter exercido fé, uma vez que estavam mortas. (Atos 9:36-42; 20:9-12) De fato, quando os apóstolos não conseguiram realizar um milagre, Jesus indicou que faltou fé, não à pessoa que precisava do milagre, mas aos apóstolos. – Mateus 17:14-16, 19, 20.

O dom de línguas não era falatório que ninguém entendia. Por ocasião da primeira ocorrência do dom de línguas, as pessoas das nações presentes ao Pentecostes relataram: “Como é que ouvimos cada um de nós o seu próprio idioma em que nascemos? Nós os ouvimos falar em nossas línguas sobre as coisas magníficas de Deus.” (Atos 2:8, 11) Mesmo nas reuniões cristãs daquele tempo, o dom de línguas deveria ser manifestado de modo a produzir edificação nos cristãos. Note como o espírito santo orientou o apóstolo Paulo a dar as diretrizes que assegurariam tal edificação. Paulo escreveu:

“A menos que vós, por intermédio da língua, pronuncieis palavras facilmente entendidas, como se saberá o que se fala? Estareis, de fato, falando ao ar.” – 1 Coríntios 14:9.

“Se ofereceres louvor com um dom do espírito, como é que o homem ocupando o assento da pessoa comum dirá ‘amém’ aos teus agradecimentos, visto que não sabe o que estás dizendo?” – 1 Coríntios 14:16.

“Portanto, se a congregação inteira se reunir num só lugar e todos falarem em línguas, mas entrarem pessoas comuns ou incrédulos, não dirão que estais loucos?” – 1 Coríntios 14:23.

Os três versículos acima mostravam a necessidade de as línguas faladas milagrosamente serem entendidas. Para assegurar que isso acontecesse, Paulo deu a seguinte diretriz:

“E, se alguém falar numa língua, seja isso limitado a dois ou no máximo três, e por turnos; e traduza alguém. Mas, se não houver tradutor, então fique calado na congregação e fale consigo mesmo e com Deus.” – 1 Coríntios 14:27, 28.

A instrução era óbvia: em cada reunião cristã, deveria haver no máximo três ocorrências de dom de línguas; cada um dos três cristãos com o dom deveria falar por “turnos”, isto é, cada um na sua vez, após o que deveria haver alguém com dom de tradução, para o benefício de todos os presentes a tal reunião.  Certa testemunha de Jeová, que em seu ministério de evangelização entrevistou representantes de muitas dezenas de igrejas pentecostais durante um período de trinta anos, disse NUNCA ter encontrado uma religião pentecostal que seguisse a diretriz apostólica de 1 Coríntios 14:27, 28. Em todas as religiões pentecostais analisadas, sem exceção, várias pessoas – muitas vezes quase a inteira congregação – falavam em línguas no mesmo culto, e ao mesmo tempo!

Isso levanta sérias indagações: Se tais dons são realmente manifestações do espírito santo, como é possível que o espírito santo tenha ordenado uma diretriz na Bíblia, no primeiro século, e agora siga outra diretriz? Lembre-se de que tal diretriz foi ordenada para manter a ordem e para produzir edificação. O que é testemunhado nas igrejas pentecostais em nossa época evidencia justamente o contrário!

Portanto, uma comparação sóbria entre os dons dos tempos apostólicos e os atuais torna patente uma astronômica diferença entre os dois. Resta agora analisarmos a terceira pergunta essencial proposta:


Até quando os dons miraculosos durariam?

Para obtermos a resposta a essa pergunta, precisamos entender primeiro como tais dons eram transmitidos. Encontramos a resposta em Atos, capítulo 8. Os versículos 5-8 descrevem o trabalho de evangelização feito pelo discípulo Filipe em Samaria. Visto que Filipe possuía os dons do espírito, ele realizou muitos “sinais”, entre os quais estavam as curas físicas. Mas, como poderiam os novos conversos também receber tais dons? O relato prossegue: “Quando os apóstolos em Jerusalém ouviram que Samaria havia aceitado a palavra de Deus, mandaram-lhes Pedro e João [que eram apóstolos]; e estes desceram e oraram para que recebessem espírito santo. Porque não tinha ainda caído sobre nenhum deles, mas eles tinham sido batizados apenas no nome do Senhor Jesus. Impuseram-lhes então as suas mãos e eles começaram a receber espírito santo.” – Atos 8:14-17.

É, pois, manifesto que os dons eram transmitidos através dos apóstolos. Inclusive, um recém-convertido de nome Simão reconheceu isso. (Atos 8:18) Portanto, uma vez que os apóstolos tivessem morrido, aqueles que haviam recebido os dons poderiam usar tais dons, mas não haveria a transmissão deles a outros discípulos. E, uma vez que tivessem morrido os que ainda detinham os dons, estes cessariam. É o que a Bíblia nos informa em 1 Coríntios 13:8-13:

“O amor nunca falha. Mas, quer haja dons de profetizar, serão eliminados; quer haja línguas, cessarão; quer haja conhecimento, será eliminado. Pois temos conhecimento parcial e profetizamos parcialmente; mas, quando chegar o que é completo, será eliminado o que é parcial. Quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino; mas agora que me tornei homem, eliminei as características de pequenino. Pois, atualmente vemos em contorno indefinido por meio dum espelho de metal, mas então será face a face. Atualmente eu sei em parte, mas então saberei exatamente, assim como também sou conhecido exatamente. Agora, porém, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.”

Assim, os dons espirituais – que incluíam o ‘dom de profetizar’, o dom de falar em “línguas” e o conhecimento revelado – ‘cessariam’ de forma natural, e não por uma interrupção súbita. Paulo explicou o motivo disso: os dons estavam associados à infância do cristianismo; eram “características de pequenino”. Quando a Bíblia estivesse completa, no fim do primeiro século, não haveria mais necessidade de tais dons. A partir de então, “toda a Escritura” seria suficiente para tornar “o homem de Deus ... plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. (2 Timóteo 3:16, 17) Mas, o que se quer dizer com a expressão “quando chegar o que é completo, será eliminado o que é parcial”? O que se quer dizer com “o que é completo”?

Essa é a tradução do termo grego tò téleion, literalmente “a coisa perfeita”. (Interlinear do Reino) Quando aplicado a pessoas, téleios se refere a alguém plenamente maduro, principalmente em sentido espiritual. (1 Coríntios 14:20; Efésios 4:13; Hebreus 5:14) Usando a ilustração de Paulo, que compara o recém-formado cristianismo como um “pequenino”, fica claro que “o que é completo” é uma alusão ao tempo em que o cristianismo verdadeiro atingisse a plena madureza espiritual, algo que ainda ocorrerá no futuro. Significa isso que os dons continuariam em nossos dias, contradizendo o que já ficou patente por intermédio de outros textos bíblicos?

Não, não significa. A Bíblia é completamente harmoniosa. Note que a Bíblia não vincula o fim dos dons com a chegada ‘do que é completo’. Falando sobre a mudança que ocorreria quando chegasse “o que é completo”, Paulo declarou: “Atualmente vemos em contorno indefinido por meio dum espelho de metal, mas então será face a face. Atualmente eu sei em parte, mas então saberei exatamente, assim como também sou conhecido exatamente.” (1 Coríntios 13:12) Note que Paulo não disse: ‘Quando chegar o que é completo, acabarão os dons.’ Ele disse: “Então saberei exatamente.” Por conseguinte, o “que é completo” tem que ver como o pleno entendimento da Palavra de Deus. Assim, o que era “parcial” eram o conhecimento e o entendimento das profecias e do propósito de Deus. Isso é tornado claro pelas palavras de Paulo: “Atualmente eu sei em parte.” O conhecimento e o entendimento parciais é que acabariam quando chegasse "o que é completo".

Embora os dons pertençam ao período apostólico e tenham acabado há muito tempo, junto com tal período, o conhecimento e o entendimento parciais que temos hoje só serão preenchidos quando todas as profecias bíblicas se cumprirem, fornecendo-nos então o pleno entendimento de seu significado, bem como quando Jeová prover ao Seu povo o pleno entendimento de todas as verdades preciosas contidas em Sua Palavra.[4]

Assim, obtivemos a resposta a três perguntas essenciais, ligadas a esse tema: (1) Por que foram conferidos os dons do espírito? (2) Como eram transmitidos? e (3) Até quando durariam? As respostas bíblicas a tais questões suscitam outra importante pergunta:


Que dizer dos alegados dons atuais?

Uma vez que os verdadeiros dons do espírito cessaram há muito tempo, o que explica essa clara distorção de tais dons nas igrejas pentecostais? Charlatanismo? Embora essa premissa não possa ser desconsiderada, os fatos mostram que há algo mais envolvido.

Há algumas décadas, alguns pesquisadores nos Estados Unidos decidiram estudar o estranho fenômeno das manifestações dos alegados dons espirituais nas igrejas pentecostais da cristandade. Eles se ativeram particularmente na glossolalia, que é o nome dado ao comportamento de falar em línguas. Para ajudá-los, eles convidaram um poliglota chinês, solicitando que ele visitasse diversas igrejas pentecostais para analisar o fenômeno. E isso foi feito. Após isso, foi pedido ao poliglota que ele relatasse suas conclusões. O chinês disse que grande parte do que ele ouviu em tais igrejas era um falatório ininteligível. Mas acrescentou que alguma coisa falada consistia realmente de idiomas conhecidos por ele. Do que ele pôde entender, afirmou o poliglota, algumas frases estavam em dialetos africanos e outras, em dialetos chineses. Quando foi solicitado que ele traduzisse o que havia entendido, ele se recusou a fazê-lo. Por quê? Porque, conforme ele declarou, tratava-se de palavras de baixo calão!

Quando pessoas comuns, que sabem quando muito o seu próprio idioma, falam palavras de baixo calão numa língua estrangeira que nunca estudaram nem sequer ouviram, a que conclusão o leitor sincero chegaria? O atual pentecostalismo seria apenas charlatanismo, ou está envolvido algo mais profundo e aterrador – a influência de forças espirituais iníquas tentando enlaçar pessoas por se manifestarem sob o ardil duma roupagem falsamente cristã?[5]


Notas de rodapé:

[1] “Pentecostal”, na acepção usada neste artigo, refere-se ao movimento religioso que alega que os dons do espírito, que passaram a ocorrer com o derramamento do espírito santo na festividade judaica de Pentecostes, ainda existem e se manifestam atualmente nos cristãos.
[2] Veja a revista A Sentinela de 15 de fevereiro de 1982, p. 7,  publicação periódica das Testemunhas de Jeová.
[3] Note que Jesus nunca falou em línguas, uma vez que ele havia sido enviado “às ovelhas perdidas da casa de Israel” e a congregação cristã ainda não havia sido formada durante seu ministério terrestre. – Mateus 15:24; 21:43.
[4] Veja a revista A Sentinela de 15 de maio de 1975, pp. 319-320.
[5] Este artigo é baseado num esboço de discursos, da série antiga, das Reuniões Públicas das Testemunhas de Jeová, intitulado “Os Dons Miraculosos Que Não Mais Existem”.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“O verdadeiro Deus e a vida eterna” – quem é ele?



Fonte da ilustração: 
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2015841



“Mas, sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu capacidade intelectual para podermos obter conhecimento do verdadeiro. E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” – 1 João 5:20, NM.


As traduções da cristandade, como um todo, vertem 1 João 5:20 de modo a identificar o Senhor Jesus Cristo como “o verdadeiro Deus e a vida eterna”. No entanto, essa interpretação entra em conflito com o próprio conteúdo do mesmo versículo bem como com o restante das Escrituras. (Veja o artigo “A Trindade é ensinada no ‘Novo Testamento’?”, neste site.) O referido texto menciona o “Filho de Deus”, o “verdadeiro” e “o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Dessas três expressões, a única identidade óbvia é a do Filho de Deus, Jesus Cristo. Mas, a que se refere a expressão “o verdadeiro”? E quem é “o verdadeiro Deus e a vida eterna”?


Identificação do “verdadeiro”

Diversas traduções vertem 1 João 5:20 de modo a dar a entender que o termo “verdadeiro” é uma mera qualidade, que se refere a algo, não a alguém. Por exemplo, a versão Almeida Revista e Corrigida fala de “conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos”. (Grifo acrescentado.) Contudo, o mesmo versículo torna claro que Jesus é “Filho” do “verdadeiro”, na expressão “no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo”. (Al; grifo acrescentado.) Por isso, diversas traduções vertem de modo a identificar o “verdadeiro” como sendo uma Pessoa – evidentemente, o Pai.

Assim, a IBB reza: “aquele que é verdadeiro”. Outras vertem de modo similar: “aquele que é o Verdadeiro” (NVI,) “o Verdadeiro” (Bíblia Ave Maria), “aquele que é o Verdadeiro” (Bíblia da CNBB), “Aquele que é verdadeiro” (JB). Versões livres, ou paráfrases, traduzem por “o Deus verdadeiro”[1], para tornar claro que se trata de Jeová Deus, “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. – Romanos 15:6.


Traduções obscuras dificultam o entendimento

As traduções da cristandade, como um todo, não conseguem expressar, de modo satisfatório, a relação entre “Aquele que é verdadeiro” e o “Filho Jesus Cristo”. A versão Almeida Revista e Corrigida acrescenta a expressão “isto é”, fazendo parte do texto rezar: “No que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo.” (O grifo é dela[2]; veja também IBB.) Outras versões traduzem por: “Nós estamos no Verdadeiro, quando estamos em seu Filho Jesus Cristo” (CNBB); “graças a seu Filho Jesus Cristo” (Bíblia Pastoral).

Observe abaixo a parte do texto, com tradução literal, que as traduções da cristandade deixam obscura, ou não vertem com o sentido exato:
   
καὶ  ἐσμὲν  ἐν  τῷ  ἀληθινῷ,   ἐν τῷ   υἱῷ  
αὐτοῦ  Ἰησοῦ  Χριστῷ

kaì  esmèn   en   tõi  alethinõi,     en  tõi   hyiõi 
autou     Iesou  Khristõi 

e    estamos   em  o   verdadeiro,  em  o    Filho 
dele     Jesus     Cristo

Note que a expressão grega ἐν  τῷ (en tõi) ocorre duas vezes: antes de “verdadeiro”, e antes de “Filho”. A preposição en, que ocorre com a artigo definido ho no caso dativo, é usada para indicar lugar, tempo, causa, e várias outras coisas, entre as quais abrange o “sentido de inter-relacionamento, envolvendo especialmente Jesus, ou Deus, ou ambos”. (Léxico do N. T. Grego/Português, de Gingrich e Danker) Encontramos exemplos deste último caso em João 14:10, 11, 20. Compare abaixo a clareza da NM em relação ao modo geral em que a expressão é vertida nas traduções da cristandade:

“Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.” – João 14:10a, 20, Almeida Corrigida e Revisada Fiel [ACRF].

“Não acreditas que eu esteja em união com o Pai e que o Pai esteja em união comigo? Naquele dia sabereis que estou em união com o meu Pai, e vós estais em união comigo, e eu estou em união convosco.” – João 14:10a, 20, NM.

Que a expressão (en tõi) na passagem acima significa “em união com” torna-se evidente das palavras de Jesus em João 17:22 e 23: “Também, eu lhes tenho dado a glória que tu me tens dado, a fim de que sejam um, assim como nós somos um. Eu em união com eles e tu em união comigo, a fim de que sejam aperfeiçoados em um [sejam perfeitos em unidade, IBB].” (Veja também João 10:38; 1 João 2:24, 27, 28; 4:15, 16.) Em 1 João 2:28, a ALA contrasta a expressão “permanecei nele” com “nos afastemos envergonhados”, tornando claro que ‘permanecer nele’ significa ‘permanecer em união com ele’. (Grifo acrescentado.) Portanto, a parte de 1 João 5:20 em que ocorre o primeiro uso de en tõi é vertida clara e corretamente pela NM: “E nós estamos em união com o verdadeiro.”

Mas que dizer do segundo uso de en tõi, na expressão em tõi hyiõi autou (“em o Filho dele”)? Neste caso, a expressão evidentemente encontra-se no sentido causal, expressando meio ou instrumento. Encontramos um uso deste sentido em Romanos 12:21, que está transcrito abaixo do texto grego coiné (WH)[3]:
     
νίκα                 ἐν τῷ  ἀγαθῷ τὸ κακόν
níka                   en  tõi agathõi  tò kakón
esteja vencendo  em o     bem      o  mal 

NM verte assim tal passagem: “Persiste em vencer o mal com o bem.” Ou seja, o bem é o meio ou instrumento para o cristão vencer o mal. À base do exemplo acima, a NM traduz com coerência, consistência e exatidão a parte de 1 João 5:20 em que ocorre o segundo uso de en  tõi, nestas palavras: “Por meio do seu Filho Jesus Cristo.” No segundo caso, essa expressão não é precedida por verbo de ligação, mas é uma explicação da primeira frase, de como "nós estamos em união com o verdadeiro". Jesus é o instrumento, ou meio, para nos aproximar de Deus. (João 14:6.) Desse modo, a NM ressalta brilhantemente a força exata e o sentido preciso da passagem, ao rezar: “E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo.”

Mas, que dizer da parte final de 1 João 5:20? Como deve ser traduzida? O pronome usado influencia realmente o entendimento do texto?

“Este” ou “Esse”?

O pronome demonstrativo  οὗτος (hoútos) pode ser traduzido como “este” (indicando quem ou o que foi mencionado por último) e “esse” (referindo-se a quem ou o que foi mencionado antes do último). Os exemplos abaixo ilustram esses dois usos do pronome:

“E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este [hoútos] homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este [toútou][4] santo lugar e a lei; porque nós lhe ouvimos dizer que esse [hoútos] Jesus Nazareno há de destruir este [tοῦtοn][5] lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu.” – Atos 6:13, 14ACRF, grifo acrescentadoveja também IBB, NVI, CNBB.

“Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse [toútoi][6] é que este [hoútos] está são diante de vós.” – Atos 4:10, ACRF, grifo acrescentadoveja também IBB.

Contudo, em português, o pronome “este” também pode ser usado para se referir ao elemento anterior ao último, quando tal elemento faz parte do tema central sobre o qual se está discorrendo. Este é um uso estilístico, para reforçar o sentido. Em razão disso,  certas traduções usam o pronome “este” nos textos abaixo, significando, na realidade, “esse”:

“Pois, muitos enganadores saíram pelo mundo afora, pessoas que não confessam Jesus Cristo vindo na carne. Este [hoútos] é o enganador e o anticristo.” – 2 João 7, NM, grifo acrescentado; também Al.  

“Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. Este [hoútosachou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo).” – João 1:40, 41, Al, grifo acrescentado; também NM.

“Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: se este homem está curado diante de vós, é por meio do nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos. Este [hoútos] é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que se tornou a pedra angular.” – Atos 4:10, 11, CNBB, grifo acrescentadotambém NM.

Em todos os três casos acima, a tradução de hoútos como “este” indica, não a pessoa mencionada por último, mas a pessoa que está sendo a temática, ou o tema central, de que o narrador está falando. Isso explica por que algumas traduções diferem no uso do pronome demonstrativo no mesmo texto. Observe os exemplos abaixo:

Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este [hoútos] será bem-aventurado no que fizer.” – Tiago 1:25, IBB, grifo acrescentado.

“Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse [hoútos] será bem-aventurado no que realizar.” – Tiago 1:25, ALA grifo acrescentado.

Estas coisas são alegóricas; porque estas [hoútos] mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar. – Gálatas 4:24, ALA, grifo acrescentado; veja também ARCF, Al.

O que se entende por alegoria: pois essas [hoútos] mulheres são dois pactos; um do monte Sinai, que dá à luz filhos para a servidão, e que é Agar. – Gálatas 4:24, IBBgrifo acrescentado; veja também CNBB.

Portanto, tendo em vista o aspecto estilístico, previamente explicado, que usa o pronome “este” para se referir à pessoa que é o tema central de que o autor está tratando (mesmo tal pessoa não sendo a última citada), o uso de tal pronome em 1 João 5:20 identifica, não a pessoa de Cristo, mas a Jeová, o Pai, como sendo “o verdadeiro Deus e a vida eterna”. O conteúdo do versículo em pauta gira em torno do “verdadeiro” (o Pai), a respeito de quem obtemos “conhecimento”, com quem “estamos em união”, e de quem Jesus é “Filho”. Portanto, “este”  o “verdadeiro”, o Pai  é “o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

Por outro lado, a NM verte hoútos por “esse” porque, no sentido puramente gramatical, tal pronome grego se refere não à última pessoa mencionada (o Filho), mas ao “verdadeiro” (o Pai). No subtópico “Identificação do ‘verdadeiro’”, neste artigo, foi apresentada evidência de que o “verdadeiro” é uma Pessoa  o Pai, sendo Jesus “seu Filho”. O termo “verdadeiro” ocorre duas vezes com referência ao Pai. Por isso, seria desconexo a sentença seguinte dizer que o Filho é o “verdadeiro Deus”.

Assim, tradução de hoútos por “este” precisa ser entendida no sentido estilístico, como uma alusão ao Pai, para não desvirtuar do assunto em pauta. Traduzir por “esse” elimina qualquer dúvida a respeito de quem o autor está falando, e está gramática e contextualmente correto. Portanto, traduzir hoútos quer por “este” quer por “esse” não muda o conteúdo textual, que apresenta o Pai como sendo “o verdadeiro Deus e a vida eterna”.



Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.”– João 17:3.

  
Notas de rodapé:

[1] Veja a Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH), a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) e a Bíblia Pastoral (BP).
[2] Essa versão costuma colocar com grifo as palavras acrescentadas, embora não explique isso.
[3] Texto grego revisado por Westcott e Hort (reimpressão de 1948).
[4] Aqui, o pronome hoútos está no caso genitivo.
[5] Aqui, hoútos está no caso acusativo.
[6] Neste uso, o pronome hoútos está no caso dativo.


Explicação das siglas usadas:

ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
Al: Almeida Revista e Corrigida.
ALA: Almeida Revista e Atualizada.
BLH: Bíblia na Linguagem de Hoje.
BP: Bíblia Pastoral.
CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.
NVI: Nova Versão Internacional.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *