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domingo, 27 de novembro de 2011

Qual é a pronúncia correta do nome de Deus?

Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/boas-noticias-deus-voce/quem-e-deus/


E naquele dia certamente direis: “Agradecei a Jeová! Invocai o seu nome. Tornai conhecidas entre os povos as suas ações. Fazei menção de que seu nome deve ser sublimado.” – Isaías 12:4.



Antes de abordarmos a resposta a essa pergunta, convém estabelecer alguns fatos a respeito de pronúncia de nomes de pessoas:

Nomes pessoais não são traduzidos. Eles são vertidos para outros idiomas, sendo adaptados ao alfabeto e aos fonemas desses idiomas. Assim, mesmo quando a escrita e a pronúncia originais de um nome são conhecidas, elas não são mantidas em outros idiomas. Isto se dá porque os fonemas - e às vezes as letras - não correspondem aos do nome original. Portanto, o nome é adaptado a uma forma mais aproximada possível à forma original.

Podemos ilustrar a situação com o nome do Filho de Deus. Qual é a pronúncia original do nome dele? Visto que seu nome se origina do hebraico, e esse idioma permaneceu como língua morta por séculos, sendo revivificado com o movimento sionista em fins do século 19 EC, ninguém pode afirmar qual era a pronúncia original do nome do Filho de Deus. Com certeza não era Jesus. (Vale ressaltar que mesmo nas línguas vivas uma pronúncia muda com o passar do tempo. E um agravante é que o hebraico era escrito sem vogais, as quais eram supridas na linguagem falada.)

O nome do Filho de Deus em hebraico, com pontos vocálicos, ocorre na forma Yehoshúa‘. A outra forma é Yeshúa‘ (“Jesua”), encontrada pela primeira vez no registro bíblico nos livros do período exílico e pós-exílico, quando o hebraico já havia sido influenciado pelo aramaico.  (Veja 1 Crônicas 24:11; 2 Crônicas 31:15; Esdras 2:2; 3:2; 8:33; Neemias 3:19; 11:26; 12:24.) Ye·shú·a'  (“Jesua”) é, portanto, uma forma aramaicizada de Yehoh·shú·a' (“Jeosué” ou “Josué”). (Compare Esdras 2:2 com Ageu 1:1 e Zacarias 3:1.) Quando o “Velho Testamento” foi traduzido para o grego, na Septuaginta ou Versão dos Setenta, a forma Ye·shú·a' foi vertida por ’Ιησουs (I·e·soús).

Note que a forma grega usou a letra sigma (que em português corresponde ao “s” e tem som sibilante) em lugar da 21.ª letra do alfabeto hebraico que, na forma CHIM, tem som chiado, de “ch”. Assim, a forma Iesoús não é uma versão exata do hebraico aramaicizado Yeshúa‘, muito menos da forma hebraica primitiva Yehoshúa‘. Mesmo assim, a forma grega do nome do Filho de Deus foi aceita pelos discípulos de Cristo e integrada no “Novo Testamento” grego. Da forma grega surgiu a versão latinizada “Jesus”. Hoje, dificilmente alguém questionaria a forma “Jesus”, embora ela não seja a pronúncia original do nome do Filho de Deus e nem se saiba qual é a pronúncia original. De fato, mesmo que soubéssemos a pronúncia original, dificilmente as pessoas a usariam, devido à dificuldade da fonética.

O precedente bíblico e histórico mostra que os nomes são adaptados aos idiomas nos quais são introduzidos, permitindo assim a fácil pronúncia pelos que falam tais idiomas. Assim, a questão da pronúncia correta tem de ser avaliada não apenas tendo em vista a proximidade com a pronúncia original, mesmo porque nem sempre se conhece a pronúncia original. Nem a forma grega Iesoús nem a portuguesa Jesus representam de forma exata a forma original hebraica, cuja pronúncia é ademais desconhecida. Por outro lado, tais formas estão em contato com o público há séculos e identificam satisfatoriamente a pessoa por trás do nome – o Filho unigênito de Deus.

Origem e legitimidade da pronúncia “Jeová”

No Códice de Alepo, de 930 EC, o Tetragrama contém os sinais vocálicos, colocados pelos judeus massoretas, para sonorizar Yehowáh. “Jeová” é a forma latinizada dessa pronúncia hebraica que já existe na forma escrita desde o 10.º século EC. Devido à origem multicentenária da pronúncia “Jeová”, ela se firmou como a forma convencional e internacionalmente aceita do nome de Deus, do mesmo modo como a pronúncia “Jesus” é a forma convencional e internacionalmente aceita do nome do Filho de Deus.

No entanto, alguns eruditos apontam para “Yahweh” (ou Javé) como a pronúncia mais provável. Seguem abaixo seus argumentos e a respectiva refutação.

ARGUMENTO 1: A forma abreviada do nome é Yah (Jah, na forma latinizada).

REFUTAÇÃO: Essa vocalização da forma abreviada do nome ocorre no final dos nomes hebraicos. Como exemplos, temos Yesha‘yáhu (Isaías, “Salvação de Jeová”), ’Ahhazyáhu (Acazias, “Jeová se Apoderou”), ’Eliyáhu (Elias, “Meu Deus é Jeová”), Amatsyáhhu (Amazias, “Jeová É Poderoso”), Hhizqyáhu (Ezequias, “Jeová Fortalece”), e Yekhonyáhu (Jeconias, “Jeová Estabelece Firmemente”). 

No entanto, as letras iniciais do nome divino – Iode e Hê (transliteradas JH), quando incorporam a primeira parte dos nomes bíblicos, são vocalizadas Yehóh e Yoh, encontradas na grafia hebraica de nomes tais como Jeorão (ou Jorão), Jeosafá (Josafá) etc. Tais prefixos não coincidem de modo algum com as formas “Iahweh” ou “Javé”, e sim com Jeová. Portanto, a forma abreviada do nome divino não serve de base para indicar a pronúncia da primeira parte de nome divino.

ARGUMENTO 2: A transliteração do Nome em escritos gregos de professos cristãos ocorre nas formas Iaoué (Clemente de Alexandria, c. 150 a 215 EC) e Iabé.

REFUTAÇÃO: Como já visto no caso do nome do Filho de Deus, a transliteração não preserva a pronúncia original. Citando outro exemplo nesse sentido, temos o hebraico Elishéva, que se tornou Eleisábet em grego e Elisabete em português.

Note, além disso, que tais pronúncias do nome divino coincidem com o período da apostasia cristã, estando, por conseguinte, historicamente posicionadas em terreno duvidoso.

         Ademais, somente a forma “Jeová” possui a vogal do meio – a letra “o”. Será que isso é relevante? Com toda a certeza, segundo George Buchanan, professor emérito no Seminário Teológico de Wesley, Washington, DC, EUA. Ele explica: “Na antiguidade, os pais muitas vezes davam aos filhos o nome de suas deidades. Isto significa que pronunciavam os nomes dos filhos assim como se pronunciava o nome da deidade. O Tetragrama foi incluído em nomes de pessoas, e eles sempre usavam a vogal do meio.” 
– Biblical Archaeology Review [Revista da Arqueologia Bíblica]; veja a revista A Sentinela de 1.º de fevereiro de 1999, pp. 30-31, periódico publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Em outras palavras, tais nomes próprios começam com “Jeo” ou “Jo”, sempre incluindo a vogal “o”. Citando apenas alguns exemplos, temos:

Jeoiaquim ou Joaquim (Jeová Levanta)
Jeonadabe ou Jonadabe  (Jeová É Nobre)
Jeonatã ou Jonatã (Jeová Deu)
Jeosafá ou Josafá (Jeová É Juiz)

Quando o Tetragrama era pronunciado com uma só sílaba, era ‘Yah’ (no final do nome) ou ‘Yo’ (no início do nome). Quando abreviado a duas sílabas, tem a forma יהו [Ye-ho]. Com base em tais pronúncias abreviadas, é coerente o uso da pronúncia יהוה [Ye-ho-wah]. Em harmonia com isso, o hebraísta Gesenius, no seu Dicionário Hebraico e Caldaico das Escrituras do Velho Testamento (em alemão), disse que a forma יהוה [Ye-ho-wah] ‘pode explicar mais satisfatoriamente as sílabas abreviadas יהו [Ye-ho] e יו [Yo], com que começam muitos nomes próprios’.

Com base nisso, as pronúncias “Javé” ou “Yahweh” ficam descartadas, por não possuírem a vogal do meio – a letra “o”.

Portanto, tendo em vista o aspecto linguístico – especificamente morfológico – do uso do Nome como prefixo de nomes hebraicos, bem como o uso vernacular do nome divino, ao longo dos séculos, a forma “Jeová” se firmou como a pronúncia que identifica satisfatória e coerentemente a Pessoa representada por esse nome, o Deus majestoso e Todo-Poderoso, “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. – Romanos 15:6.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O nome “Jeová” deve constar no “Novo Testamento”?

Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/wp20080801/nome-no-novo-testamento/



“O Espírito do Senhor JEOVÁ está sobre mim.” – Isaías 61:1, Almeida Revista e Corrigida.

“O Espírito do Senhor é sobre mim.” – Lucas 4:18, Almeida Revista e Corrigida.



Muitos líderes religiosos e eruditos bíblicos afirmam que o nome de Deus, “Jeová”, não deve constar no chamado “Novo Testamento”, devido à ausência do nome divino nos manuscritos disponíveis dessa parte da Bíblia. Neste artigo, veremos como a Bíblia e a História se unem em fornecer uma explicação plausível para a omissão do Nome nas cópias disponíveis da segunda parte da Bíblia, bem como a razão primária de por que o nome divino DEVE constar no “Novo Testamento”.


A predita apostasia se consuma

Tanto Jesus Cristo como seus discípulos falaram sobre a emersão de uma apostasia, de um desvio da sã doutrina cristã para conceitos filosóficos e satânicos. (Mateus 13:24-30; Atos 20:29, 30; 2 Pedro 2:1-3; 1 Timóteo 4:1-3) Tal apostasia se firmou no começo do 2.º século  EC. Como as cópias mais antigas de que dispomos ascendem àquele período, isso explica por que não encontramos nelas o nome divino. Mas, como podemos saber que tal apostasia lançou um ataque contra o nome divino? Novamente, a História nos elucida a questão. Ela mostra que, por volta do terceiro século AEC, surgiu uma superstição judaica contra o uso do nome divino na linguagem falada. Por conseguinte, seria de esperar que o Diabo usasse a emergente apostasia para promover um novo atentado contra o nome de Deus.

No entanto, a superstição judaica pré-cristã não conseguiu fazer com que os judeus retirassem o Nome das Escrituras Hebraicas (“Velho Testamento”) nem da Septuaginta grega, conforme evidências disponíveis.  No entanto, a apostasia da Era Comum conseguiu a retirada do nome de Jeová das cópias das Escrituras Gregas Cristãs (o “Novo Testamento”), possivelmente porque tais cópias eram recentes, e não milenares ou centenárias, como as cópias das Escrituras Hebraicas. O próprio cristianismo era bem recente, em comparação com a forma de adoração judaica, estabelecida por Jeová mediante Moisés em 1513 AEC. Mas, por que podemos dizer que o Nome foi de fato retirado das cópias do “Novo Testamento”?

Por que o nome de Jeová deve constar no “Novo Testamento”

Uma prova fundamental de que o nome divino deve constar no texto neotestamentário é a citação, por parte dos escritores cristãos inspirados, de passagens do “Velho Testamento” em que consta o Nome. O texto de Isaías 61:1, mostrado em parte no início deste artigo, foi citado e lido por Jesus Cristo numa sinagoga em Nazaré, sendo o relato desse acontecimento posteriormente registrado pelo discípulo cristão Lucas, em Lucas 4:16-21. Como sabemos, Jesus não era influenciado por superstições. Na realidade, ele condenou os mandamentos de homens que violavam os mandamentos de Deus. (Marcos 7:7) Ademais, ele mostrou grande respeito pelo nome de Deus, ensinando que o Nome deveria ser santificado e declarando-o às pessoas. – Mateus 6:9; João 17:6, 26.

Assim, em conformidade com o inteiro quadro bíblico da personalidade de Jesus Cristo, é óbvio que ele leu aquela passagem de Isaías sem omitir o nome divino. Além disso, o discípulo Lucas, sendo fiel seguidor de Cristo e tendo sido inspirado por Jeová Deus, também citou o texto de Isaías sem omitir o nome de Jeová. Negar que ele colocou o nome divino em sua citação de Isaías 61:1 implicaria em deixar de reconhecer pelo menos três verdades fundamentais:

1)    O conceito de Jesus Cristo sobre o nome de Jeová. – Mateus 6:9; João 12:28; 17:6.
2)    O conceito do próprio Jeová sobre a importância de Seu nome. – Êxodo 9:16; Malaquias 3:16; Atos 15:14, 17.
3)    Que os escritores do “Novo Testamento” foram inspirados por Jeová. – 2 Pedro 1:20, 21.

Portanto, não precisamos provar que o nome divino foi incluído pelos escritores cristãos inspirados no “Novo Testamento”. De fato, preservar o Nome nas citações de passagens em que ele ocorre no “Velho Testamento” é o trabalho de qualquer copista honesto. Os que negam que o nome foi preservado em tais citações é que precisam apresentar provas para tal drástica alteração do texto sagrado. Tal alteração estaria contra os três pontos fundamentais apresentados acima.

Por conseguinte, temos a nosso favor algo muito mais importante do que evidência documental. A EVIDÊNCIA INTERNA da própria Bíblia atesta que o nome divino foi de fato preservado nas citações que os inspirados escritores cristãos fizeram de passagens das Escrituras Hebraicas em que o Nome consta. Adicionalmente, a lógica mostra que esse procedimento seria o naturalmente esperado, o que seria feito por qualquer copista honesto, muito mais ainda um copista honesto e inspirado por Deus!

Como verdadeiros seguidores de Cristo, “estamos andando pela fé, não pela vista”. (2 Coríntios 5:7) Não precisamos de material perecível para corroborar algo que já é atestado pela evidência interna da própria Palavra de Deus. Portanto, continuemos divulgando que o Deus Todo-Poderoso tem NOME, que em nossa língua vernácula esse nome é JEOVÁ, pronúncia conhecida há séculos e que, assim, cumpre adequadamente a vontade de Deus, de que seu “nome seja declarado em toda a terra”. – Êxodo 9:16; Salmo 83:18.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

As traduções da cristandade – parte 5




Casar-se com a própria filha?

“Entretanto, se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que se casem.” – 1 Coríntios 7:36, ALA.

O texto isolado, nessa tradução, menciona duas pessoas – o pai e sua filha –, e no final recomenda: “Que se casem.” Isoladamente, tal tradução está recomendando o incesto!

A continuação do texto nessa versão segue outro caminho  igualmente absurdo. Observe:

Todavia, o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas domínio sobre o seu próprio arbítrio, e isto bem firmado no seu ânimo, para conservar virgem a sua filha, bem fará. E, assim, quem casa a sua filha virgem faz bem; quem não a casa faz melhor.” – 1 Coríntios 7:37, 38, ALA; veja também Al, ACRF, IBB, NVI, Ave Maria, BLH nota.

Tal maneira de traduzir adota uma posição altamente machista e insensata: propõe que um homem sem necessidade de ter uma esposa deve também manter a sua filha sem se casar! E ainda acrescenta que tal decisão é a “melhor”.

Vendo que tal modo de verter o texto é simplesmente inadmissível, algumas traduções traçam outro enfoque. Veja abaixo:

“Aos que ficaram noivos, mas resolveram não casar mais, eu digo o seguinte: se o rapaz sente que assim não está agindo certo com a sua noiva e acha que a sua paixão por ela ainda é muito forte e que devem casar, então que casem. Não existe pecado nisso. Mas se, pelo contrário, o rapaz não se sente na obrigação de casar, se está mesmo resolvido a ficar solteiro e se é capaz de dominar a sua vontade e já resolveu o que deve fazer, então faz bem em não casar com a moça. Assim quem casa faz bem, mas quem não casa faz melhor ainda.” – 1 Coríntios 7:36-38, NTLH; veja também CNBB; BJ, BLH, CBC.

Estaria o apóstolo Paulo incentivando o rompimento do noivado, algo tão sério mesmo no pacto da Lei mosaica? É o que tais traduções estão afirmando. (Gênesis 19:14; Mat. 1:19) Pior ainda: segundo tais traduções, Paulo estaria dando apenas ao noivo o direito de cancelar o compromisso, e ainda por motivos absurdos!

E os absurdos não param por aí. A BJ fala de o noivo, ao invés de casar-se com a noiva, decidir ‘deixá-la permanecer como sua noiva’! Em outras palavras, ele nem se casa nem cancela o noivado. É um noivado vitalício! E a Bíblia Pastoral traduz de modo a afirmar que o noivo deixar de casar-se equivale a “respeitar a noiva”. Parece não haver palavras para descrever tantos disparates!

Toda essa confusão poderia ter sido evitada se os tradutores atentassem para o fato de que a palavra grega par·thé·nos, além de “virgem”, significa também o estado de virgindade.[1] Assim, a NM verte com exímia precisão:

“Mas, se alguém pensa que se está comportando de modo impróprio para com a sua virgindade, se esta estiver além da flor da juventude, e este é o modo em que deve ocorrer, faça ele o que quiser; ele não peca. Casem-se. Mas, se alguém estiver resolvido no seu coração, não tendo necessidade, mas tiver autoridade sobre a sua própria vontade e tiver feito esta decisão no seu próprio coração, de manter a sua própria virgindade, ele fará bem. Consequentemente, também faz bem aquele que der a sua virgindade em casamento, mas, aquele que não a der em casamento fará melhor.” – 1 Coríntios 7:36-38.

Paulo, sob inspiração, estava simplesmente incentivando o estado de solteiro para a melhor promoção dos interesses espirituais.


Deus enviaria “vespas”?


Também enviarei vespões adiante de ti, que lancem fora os heveus, os cananeus, e os heteus de diante de ti.” – Êxodo 23:28, ACRF; veja também Al, ALA, IBB, CBC, PIB, So, Trinitária, Ave Maria, CNBB, BJ, BP.

Se essa tradução do texto estivesse correta, haveria naturalmente a confirmação desse notável acontecimento em outra passagem bíblica, mas isso não ocorre. Qual é então a tradução correta do texto?

NM verte assim:

E vou enviar na tua frente o sentimento de desânimo, e este simplesmente expulsará de diante de ti os heveus, os cananeus e os hititas.” E, como explicação, ela coloca na nota de rodapé que “a palavra hebr. hats·tsir·‛áh corresponde à palavra árabe que significa ‘desânimo; desalento; rebaixamento’”.

Temos a confirmação do cumprimento dessa profecia pelas palavras de Raabe aos espias israelitas:

Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor de vós caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra se derretem diante de vós. Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do Mar Vermelho diante de vós, quando saístes do Egito, e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Siom e Ogue, que estavam além de Jordão, os quais destruístes totalmente. Quando ouvimos isso, derreteram-se os nossos corações, e em ninguém mais há ânimo algum.” – Josué 2:9-11, ACRF. (As traduções em geral vertem assim.)


Davi serrou pessoas?

“Trazendo os seus moradores os mandou serrar, e que passassem por cima deles carroças ferradas: e que os fizessem em pedaços com cutelos, e os botassem em fornos de cozer tijolo. Assim o fez com todas as cidades dos amonitas.” – 2 Samuel 12:31, Figueiredo.

A versão Almeida (Al, ACRF, ALA) verte de um modo obscuro que também pode levar ao mesmo entendimento nefasto:

E, trazendo o povo que havia nela, o pôs às serras, e às talhadeiras de ferro, e aos machados de ferro, e os fez passar por forno de tijolos; e assim fez a todas as cidades dos filhos de Amom; e voltou Davi e todo o povo para Jerusalém.” – 2 Samuel 12:31, ACRF.

A revista A Sentinela, de 15 de fevereiro de 2005 (p. 27), ao considerar essa passagem, tece o seguinte comentário: “Por uma diferença de uma só letra, o texto hebraico pode dizer que ‘ele os pôs na serra’, ou ‘ele os cortou (serrou) em pedaços’. Além disso, a palavra para ‘forno de tijolos’ também pode significar ‘molde de tijolos’. Esse molde seria estreito demais para alguém caber nele.” Assim, a NM faz a tradução coerente tanto com o caráter piedoso de Davi como com o texto hebraico:

“E tirou o povo que havia nela para fazê-los serrar pedras e [trabalhar] com ferramentas afiadas e com machados de ferro, e fez que servissem na fabricação de tijolos. E assim passou a fazer com todas as cidades dos filhos de Amom. Por fim voltou Davi e todo o povo a Jerusalém.” (Os colchetes são da NM, para esclarecer o sentido em português.)


Os habitantes de Jericó estavam todos “desmaiados”?

“E disseram a Josué: Certamente, o SENHOR nos deu toda esta terra nas nossas mãos, e todos os seus moradores estão desmaiados diante de nós.” – Josué 2:24, ALA; também Al.

O significado em uso corrente de desmaio é o de “perda temporária dos sentidos; desfalecimento, síncope. A pessoa empalidece, começa a suar e, a seguir, perde os sentidos e cai”. (Dicionário on line de português) Desmaiar no sentido de “desanimar”, “esmorecer” é um arcaísmo, de uso distante do português coloquial. Assim, a NM verte o texto com linguagem moderna:

E prosseguiram, dizendo a Josué: ‘Jeová deu todo o país na nossa mão. Por conseguinte, todos os habitantes do país ficaram também esmorecidos por nossa causa.’”
   
Tocar ou não tocar?

 “Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” (João 20:17, IBB) A Figueiredo reza: “Não me toques, porque ainda não subi a meu Pai.”

“E Jesus disse a Tomé: ‘Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia.’” – João 20:27, NVI.

O verbo grego hápto, usado em João 20:17, não significa apenas “tocar”, mas também “agarrar, segurar, reter”.[2] Em harmonia com isso, a NM verte as palavras de Jesus por “para de agarrar-te a mim”. Isso elimina qualquer aparente contradição.
                         

As pragas sobre o Egito destruíram tudo mesmo?

Todo o gado dos egípcios morreu.” Êxodo 9:6, ACRF; também Al, ALA, IBB, Ave Maria, CNBB, BJ.

Aviso a Faraó: “Agora, pois, envia, recolhe o teu gado, e tudo o que tens no campo; todo o homem e animal, que for achado no campo, e não for recolhido à casa, a saraiva cairá sobre eles, e morrerão.” – Êxodo 9:19, ACRF;  veja também as demais citadas acima.

Em todo o Egito o granizo atingiu tudo o que havia nos campos, tanto homens como animais; destruiu toda a vegetação, além de quebrar todas as árvores.” – Êxodo 9:25, NVI; note também as demais acima.

“Mas não foram danificados o trigo e o centeio, porque não estavam crescidos.” – Êxodo 9:32, IBB; e demais acima.

NM impede qualquer contradição por verter parte de Êxodo 9:6 assim: “Toda sorte de gado do Egito começou a morrer.” E o versículo 25b reza nessa tradução: “A saraiva golpeou tudo o que havia no campo, desde o homem até o animal, e toda sorte de vegetação do campo; e destroçou toda sorte de árvore do campo.”

Na Bíblia, as palavras “todo” e “tudo” não significam sempre cada exemplar de uma espécie, mas sim todas as espécies, ou classes. Dizer que toda espécie de gado morreu não implica em afirmar que cada ser particular morreu, e sim que morreram alguns (ou muitos) exemplares de toda espécie, ou de toda sorte (tipo). Também neste aspecto a NM se mostra ímpar.


Os leitores desta série estão sendo convidados a contribuir com textos mal traduzidos nas traduções da cristandade. Podem enviar o material para: oapologistadaverdade@gmail.com



Referências:

[1] Veja a revista A Sentinela de 15 de outubro de 1980, pp. 30-31.
[2] Veja A Sentinela de 1.º de dezembro de 2004, p. 31.


Explicação das siglas usadas:

ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
AL: Almeida Revista e Corrigida.
ALA: Almeida Revista e Atualizada.
Ave Maria: tradução católica.
BJ: Bíblia de Jerusalém.
BLH: Bíblia na Linguagem de Hoje.
BP: Bíblia Pastoral.
CBC: Centro Bíblico Católico.
CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Figueiredo: Bíblia Sagrada (1968), Antônio Pereira de Figueiredo (os Salmos são tradução de Leonel Franca). Edição Barsa.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
NVI: Nova Versão Internacional.
PIB: Bíblia Sagrada (1967), Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Edições Paulinas.
So: Bíblia Católica de Matos Soares.
Trinitária: versão trinitarista da Bíblia.

  

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

As traduções da cristandade – parte 4



 Deus dá leis que não são boas?


“Por isso também lhes dei estatutos que não eram bonsjuízos pelos quais não haviam de viver; e os contaminei em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo tudo o que abre a madre; para assolá-los para que soubessem que eu sou o SENHOR.” – Ezequiel 20:25, 26, ACRF, IBB, Al, ALA, Ave Maria, CNBB.

Como isso poderia acontecer, uma vez que Tiago 1:17 declara que de Deus vem “toda boa dádiva e todo presente perfeito”? Como poderiam proceder dele leis que não são boas?

Bíblia Pastoral, para evitar o absurdo das traduções acima, coloca o texto em forma de pergunta:

“Por acaso dei a eles estatutos que não eram bons e normas que não lhes dariam vida? Por acaso os contaminei com as ofertas que faziam, quando imolavam seus filhos mais velhos? Por acaso, eu os amedrontei, para que reconhecessem que eu sou Javé?”

No entanto, essa paráfrase tira a passagem do contexto. O que é dito nos versículos 25 e 26 é uma consequência da desobediência dos israelitas, descrita nos versículos 21 a 24, e não uma expressão isolada, como coloca a BP.

O problema reside no fato de que os tradutores da cristandade não sabem, ou não levam em conta, que em hebraico a PERMISSÃO de um evento é muitas vezes apresentada como a CAUSA do evento, e que até mesmo ordens positivas devem ocasionalmente ser entendidas como uma PERMISSÃO[1]. 

Assim, a NM verte com exatidão o texto:

E eu mesmo também os deixei ter regulamentos que não eram bons e decisões judiciais pelas quais não podiam manter-se vivos. E fui deixá-los ficar aviltados pelas suas dádivas, quando fizeram cada criança que abria a madre passar pelo fogo, a fim de fazê-los desolados, para que soubessem que eu sou Jeová.”


Havia vendedores de jornal nos tempos bíblicos?[2]

“Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã.”  – Levítico 19:13,  Al, ALA, IBB.

“Porventura não tem o homem duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro?   Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga.” – Jó 7:1, 2, IBB; também Al, ALA, ACRF.

A palavra “jornaleiro” deriva-se de “jornal”, que por sua vez origina-se do latim diurnale (diário), significando a “paga de um dia de trabalho”, ou seja, o pagamento de um diarista. Contudo, “jornal” passou a aplicar-se, por extensão, a uma folha diária, a qualquer periódico, sendo este o sentido usado atualmente. De modo que “jornaleiro” passou a significar “entregador ou vendedor de jornais”.

NM elimina qualquer equívoco por traduzir nessas e em outras passagens similares usando a expressão “trabalhador contratado”.


Deus se arrepende?

Em Êxodo 32:12b e 14 encontramos, em certas traduções da cristandade, Moisés dizendo intrigantes palavras a Deus:

Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo. Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.” – ACRF; também Al, ALA, IBB, NVI, Ave Maria, BP, BJ.

A primeira acepção de “arrepender-se” no Michaelis é “ter mágoa ou pesar dos erros ou faltas cometidas”.  Segundo a Ética, o arrependimento significa “a insatisfação causada pela violação da lei ou moral, e que resulta na livre aceitação do castigo, e na disposição de evitar futuras violações”. (Aurélio) Acha que tais definições poderiam aplicar-se ao Soberano do universo, que é perfeito no mais pleno sentido? Definitivamente não!

A palavra hebraica nahhan significa sentir lástima, lamentar, mudar de ideia. (Êxodo 13:17)  Podemos ilustrar a situação com um pai que permite ao filho habilitado usar o seu carro. Digamos que o filho use mal o veículo. O pai deplora, ou lamenta, ter dado o carro para o filho dirigir, mas não por alguma falha do pai e sim, do filho. A expressão “deixa-me”, no versículo 10, mostra que não se tratava de um julgamento final. Deus proveu a Moisés a oportunidade de apelar pelo povo, provendo assim um tipo profético de Jesus Cristo, que iria interceder a favor da humanidade. O conceito de Deus permaneceu o mesmo, visto que afligiu o povo. – Versículo 35. 

Embora a palavra portuguesa “arrepender-se” também signifique uma mudança de opinião ou proposito, ela não soa bem se for usada para com Deus, pois tem um uso primária e predominantemente negativo. Novamente, podemos ver a nobreza da NM ao traduzir nahhan ‘deplorar’ ou ‘ter lástima’ nessa e em outras passagens similares, quando a referência é a Jeová.


Deus já foi visto?

“Deus, porém, não estendeu a sua mão contra os nobres dos filhos de Israel; eles viram a Deus, e comeram e beberam.” – Êxodo 24:11IBB; também Al, ALA, ACRF,NVI, Ave Maria.
   
No entanto, o próprio Jeová Deus disse: “Homem algum pode ver-me e continuar vivo.” (Êxo. 33:20) E João 1:18 reza: “Nenhum homem jamais viu a Deus.”

Portanto, em plena harmonia com esta verdade, a NM verte Êxodo 24:11 deste modo:

“E ele não estendeu sua mão contra os homens distintos dos filhos de Israel, mas tiveram uma visão do verdadeiro Deus, e comeram e beberam.”[3]


Uma mulher imoral ungiu Jesus?

“E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.” – Lucas 7:37, 38, ALA; também Al, IBB, ACRF, NVI, Ave Maria, CNBB, BP.

A palavra grega usada nesse texto é aleífo, e significa “untar”, ou aplicar óleo depois do banho, em casos de doença ou de morte. É diferente de khrío (“ungir”), termo usado apenas em sentido espiritual, sagrado, figurativo ou simbólico. (Veja Lucas 4:18.) A NM faz corretamente essa diferenciação.
     

Nada acontece sem ser a vontade de Deus?

“Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai.” – Mat. 10:29, ACRF; também Al, IBB, Ave Maria.

Observe como a expressão em pauta aparece no texto grego antigo:

          ἄνευ τοῦ πατρὸς ὑμῶν
          sem    do   Pai         de vós

Portanto, o texto original diz que nenhum pássaro cai ao chão “sem . . . de vosso Pai”. Como você pode ver, parte da frase tem de ser suprida pelo tradutor para dar o sentido. A versão Almeida Revista e Corrigida acrescenta a expressão “a vontade” em grifo, indicando que tais palavras são um acréscimo, embora não explique isso. No entanto, tal expressão colocaria sobre Deus a responsabilidade por tudo o que acontece inclusive pelas tragédias. Isto, naturalmente, não é verdade. (Veja Jó 34:12.) Algumas traduções usam a palavra “consentimento”. (NVI, CNBB, ALA) Entretanto, “consentir”, embora tenha o sentido de “permitir”, significa primariamente “dar consenso ou aprovação”, “anuir”, “concordar”. (Michaelis) 

Evidentemente, nem tudo o que acontece ocorre sob a aprovação de Deus.  De fato, pode-se dizer que a expressiva maioria dos acontecimentos neste mundo satânico não tem a aprovação de Deus.

Destarte, a NM verte de modo coerente, ao traduzir assim:

“Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá ao chão sem o conhecimento de vosso Pai.”


Os leitores desta série estão sendo convidados a contribuir com textos mal traduzidos nas traduções da cristandade. Sua contribuição será creditada ao seu nickname. Podem enviar o material para: oapologistadaverdade@gmail.com

       
Referências:

[1] Apêndice da tradução de Rotherham, citado na obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de Jeová.  
[2] Contribuição de Lord Saga.
[3] Embora a NM traduza Êxodo 24:10 por “chegaram a ver o Deus de Israel”, a continuação do texto mostra que se tratava de uma visão, pois fala de Deus como tendo “pés” postados sobre “o que se parecia a um trabalho de lajes de safira”. Tudo isso se harmoniza com o modo em que a NM traduz o versículo 11, que explica o uso do verbo “ver” no versículo anterior.


Explicação das siglas usadas:

ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
Al: Almeida Revista e Corrigida.
ALA: Almeida Revista e Atualizada.
Ave Maria: tradução católica.
BJ: Bíblia de Jerusalém.
BP: Bíblia Pastoral.
CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.
NVI: Nova Versão Internacional.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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