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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tiago incentiva a guarda dos Dez Mandamentos?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/mensagem-da-biblia/conselhos-sobre-fe-conduta-amor/


Lemos em Tiago 2:10, 11: “Pois, quem observar toda a Lei, mas der um passo em falso num só ponto, tem-se tornado ofensor contra todos eles. Pois, aquele que disse: ‘Não deves cometer adultério’, disse também: ‘Não deves assassinar.’ Ora, se não cometeres adultério, mas assassinares, tens-te tornado transgressor da lei.” O que esse inspirado discípulo cristão queria dizer com tais palavras?

   O contexto mostra que o assunto em pauta era a condenação de favoritismo entre os primitivos cristãos. (Tiago 2:1-4) Sobre isso, Tiago declara: “Mas, se continuardes a mostrar favoritismo, estais praticando um pecado, porque sois repreendidos pela lei como transgressores.” Que lei específica da Lei mosaica condenava o favoritismo? A lei encontrada em Levítico 19:15, que reza: “Não deveis fazer injustiça no julgamento. Não deves tratar com parcialidade ao de condição humilde e não deves dar preferência à pessoa do grande. Com justiça deves julgar o teu colega.”

Essa lei específica não faz parte dos Dez Mandamentos. Embora Tiago cite partes do Decálogo, ele também cita diretamente outra lei que não faz parte dele. (Tiago 2:8; Levítico 19:18)  Portanto, Tiago está fazendo alusão a “TODA a Lei”. (Tiago 10) Quem, portanto, quiser usar tal passagem como argumento de que o Decálogo ainda vigora, além de estar indo contra o “resto das Escrituras”, também estará se colocando sob a obrigação de guardar as demais leis do pacto da Lei, que incluía ofertas e sacrifícios. Isso significaria negar o resgate provido por Cristo. – 2 Pedro 3:16.

   A afirmação de Tiago, de que quem ‘desse um passo em falso num só ponto da Lei teria se tornado ofensor contra todos eles’, encontra respaldo em Deuteronômio 27:26, onde lemos: “Maldito aquele que não puser em vigor as palavras desta lei por cumpri-las.” Todos os que estavam sujeitos à Lei, sendo imperfeitos, ficaram sob tal maldição. Sobre isso, o apóstolo Paulo explicou: “Pois todos os que dependem de obras da lei estão sob maldição; porque está escrito: ‘Maldito é todo aquele que não continuar em todas as coisas escritas no rolo da Lei, a fim de as fazer.’ Cristo nos livrou da maldição da Lei por meio duma compra, por se tornar maldição em nosso lugar, porque está escrito: ‘Maldito é todo aquele pendurado num madeiro.’” (Gálátas 3:10, 13) Assim, todos os que insistem na guarda do Decálogo – parte intrínseca da Lei mosaica – restituem para si mesmos tal maldição e desqualificam o sacrifício de Cristo no madeiro.

Ao invés de incentivar a guarda da Lei mosaica, Tiago afirma que os cristãos “hão de ser julgados pela lei dum povo livre”, ou “lei que pertence à liberdade”. (Tiago 2:12, nota.) Ele já havia feito alusão a essa lei em sua carta, no capítulo 1, versículo 25: “Mas aquele que olha de perto para a lei perfeita que pertence à liberdade e que persiste nisso, este, porque se tornou, não ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, será feliz em fazê-la.” A Lei mosaica, incluindo seus Dez Mandamentos principais, não pertence à “liberdade”, pois ela produzia “escravidão”.

Isso foi trazido à atenção por Paulo, no capítulo 4 de Gálatas. Ele declarou: “Dizei-me, vós os que quereis estar debaixo de lei: Não dais ouvidos à Lei?” (Gálatas 4:21) Sua declaração mostra que, mesmo após tal Lei ter sido abolida, alguns cristãos insistiam em querer se sujeitar a ela. Após isso, Paulo usa a história envolvendo Sara e Agar para ilustrar “dois pactos, um do monte Sinai, que dá à luz filhos para a escravidão.” Que pacto foi feito no monte Sinai? Foi naquele monte que Moisés recebeu o Decálogo e grande parte das demais leis, e foi ao sopé desse monte que foi inaugurado o pacto da Lei. (Êxodo 19:18-20, caps. 20-23) Como Paulo claramente mostrou, os “filhos” ou aderentes desse pacto estavam em “escravidão”. Então ele conclui: “Por conseguinte, irmãos, somos filhos, não duma serva, mas da livre. Para tal liberdade é que Cristo nos libertou. Portanto, ficai firmes e não vos deixeis restringir novamente num jugo de escravidão.”  - Gálatas 4:31-5:1.

Significa isso que não estamos restritos a nenhuma lei, podendo fazer o que bem entendemos? Esse argumento por certo era usado no primeiro século pelos proponentes da continuidade da Lei mosaica, pois Paulo argumentou: “Que se segue daí? Cometeremos pecado porque não estamos debaixo de lei, mas debaixo de benignidade imerecida? Que isso nunca aconteça!” (Romanos 6:15) Paulo explica o porquê disso: “Vos tornastes obedientes de coração àquela forma de ensino a que fostes entregues.” (Romanos 6:17) Que “forma de ensino” era essa? Em Gálatas 6:2, ele a chamou de “a lei do Cristo”.   – Veja também 1 Coríntios 9:21.

Essa “lei” tem muita semelhança com a Lei mosaica, visto que ambas proveem de um só Autor, Jeová Deus. A “lei do Cristo” promove a adoração exclusiva a Jeová Deus, o Pai. (João 4:23), condena a idolatria (1 Coríntios 10:14), insta à santificação do nome de Deus (Mateus 6:9), promove o reservar tempo para assuntos espirituais (Efésios 5:16), a honrar os pais (Colossenses 3:20), condena o assassinato e o adultério (1 Pedro 4:15; Hebreus 13:4), e condena também o furto, a mentira e a ganância.  – Efésios 4:28; Apocalipse 21:8; Colossenses 3:5.

Portanto, os verdadeiros cristãos não guardam nenhum mandamento dos Dez Mandamentos, pois insistir na guarda deles seria negar que Cristo os cumpriu junto com o restante da Lei, completando o objetivo deles e permitindo assim ao Pai tirá-los do caminho. Negar isso implica em negar que Jesus é o Cristo, o que equivale também a negar o resgate que ele proveu. (Efésios 2:14, 15; Colossenses 2:14, 16; Gálatas 3:19, 24, 25) Mas, os genuínos cristãos estão sujeitos ao novo pacto com sua “lei do Cristo” – o conjunto de leis fornecido por Jeová mediante Cristo, visando nossa salvação eterna.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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Jesus tem a mesma glória que seu Pai?

Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/de/publikationen/zeitschriften/wp20131201/christi-wiederkunft/




               καὶ νῦν  δόξασόν με σύ,     πάτερ, παρὰ σεαυτῷ τῇ δόξῃ  
e         agora glorifica-me tu,  Pai,   ao lado de ti para a glória
ἧ               εἶχο                           πρὸ τοῦ τὸν κόσμον
           a qual eu estava tendo       antes de  o mundo  
            εἶναι παρὰ σοί. 
           ser  ao lado de ti.
– João 17:5, tradução literal.

     

Os termos bíblicos para “glória” são ka·vóhdh (em hebraico) e ·xa (em grego). Significam reputação ou “honra” (Lucas 14:10), esplendor (1 Coríntios 15:40), aquilo que torna algo ou alguém impressionante. (Estudo Perspicaz das Escrituras, p. 224Lemos em Isaías 42:8: “Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a MINHA PRÓPRIA GLÓRIA não darei a outrem.”

     Em João 17:5, Jesus pediu a seu Pai Jeová para ter a mesma glória que ele, Jesus, teve no céu ao lado de Jeová “antes de haver o mundo”.[1] Mas note que ele não pediu A MESMA GLÓRIA DE JEOVÁ, glória essa que Jeová não partilha com mais ninguém. Em resposta à oração do Filho de Deus, Jeová “glorificou o seu Servo, Jesus”, por ressuscitá-lo e levá-lo de volta ao céu. (Atos 3:13-15) Como sabemos que o Filho no céu não partilha da glória que só cabe a Jeová?

Primeiro, pelas palavras do próprio Jeová em Isaías 42:8, já citadas. Segundo, quando Moisés pediu a Jeová: “Faze-me ver a tua glória”, Deus lhe disse: “Não podes ver a minha face, porque homem algum pode ver-me e continuar vivo.” (Êxodo 33:18-20) No entanto, na transfiguração de Jesus, os apóstolos presentes “viram a glória dele”, isto é, a glória de Jesus em sua condição de pessoa espiritual. (Lucas 9:29-32) É, pois, evidente que a glória que o Filho de Deus tem não é a mesma que Jeová Deus tem.

Jeová confere certa medida de glória a anjos (Daniel 10:13; Salmo 103:20) e até a humanos. 2 Coríntios 3:7-9 menciona a ‘glória do rosto’ de Moisés, que resplandecia de modo a ele ter de usar um véu para falar com os israelitas. (Êxodo 34:29-35) A fim de restaurar a raça humana à perfeição, Deus tomou o propósito de abençoar certos dentre a humanidade com glória celestial. (Romanos 8:18, 19) Contudo, a glória de nenhum desses se equipara com a glória que pertence exclusivamente a Jeová. O que está envolvido na glória que Jeová chama de “minha própria” em Isaías 42:8?

A condição gloriosa de Jeová inclui ser ele o único Ser que não teve princípio. (Salmo 90:2) Ademais, ele é o único descrito na Bíblia como o “Altíssimo” (Salmo 7:17; 83:18), o “Todo-poderoso” (Gênesis 17:1; 2 Coríntios 6:18)[2] e o “Criador”. (Isaías 42:5; 45:18; 1 Pedro 4:19) Ele é o único Ser que não pode pecar, pois “Deus não pode ser tentado pelo mal”, ao passo que Jesus o foi. (Tiago 1:13, ACRF; Mateus 4:1) Esses são apenas alguns aspectos da glória que só pertence a Jeová Deus.

 Toda a criação inteligente deve reconhecer e valorizar a glória de Jeová Deus. A Palavra de Deus insta: “Fazei todas as coisas para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31) Devemos seguir o magistral exemplo do Filho, que tudo faz para a glória de seu Deus e Pai, Jeová. Vemos isso em sua oração a Deus: “Pai, veio a hora; glorifica o teu filho, para que o teu filho te glorifique.” (João 17:1) Sim, que “toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor, PARA A GLÓRIA DE DEUS, O PAI”! – Filipenses 2:11.

Notas de rodapé:
[1] A expressão “junto de ti” (em grego παρὰ σεαυτῷ), com a preposição pará com o dativo, significa literalmente “ao lado de ti”.
[2]  Apocalipse 21:22 distingue “o Todo-poderoso” de Jesus, mencionado no texto como “o Cordeiro”. O termo “Cordeiro” não se refere apenas à condição humana de Jesus, mas é um título que ele detém no céu. Apocalipse 17:14 declara que ‘o Cordeiro vencerá’ os reis terrestres. Se a palavra “Cordeiro” fosse uma referência apenas a Jesus como homem, ela não ficaria apropriada nesse texto. Pois um cordeiro, sendo um animal dócil, não é uma figura ou símbolo de um guerreiro. Assim, o termo “Cordeiro”, quando aplicado ao celestial Senhor Jesus Cristo, descreve a inteira pessoa dele, desde sua condição humana incluindo sua atual condição espiritual. 


Sigla usada:
ACRF: Versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel. 



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A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Comentários e perguntas dos leitores


Prezados leitores e seguidores deste blog:

Em primeiro lugar, vocês merecem elogios por seu profundo interesse em assuntos espirituais. (Mat. 5:3) Ademais, seu desejo de aprofundar o conhecimento bíblico está em harmonia com a oração do apóstolo cristão Paulo, que declarou: “Isto é o que continuo a orar: que o vosso amor abunde ainda mais e mais com conhecimento exato e pleno discernimento; que vos certifiqueis das coisas mais importantes, para que sejais sem defeito e não façais outros tropeçar, até o dia de Cristo, e estejais cheios de fruto justo, que é por intermédio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.” – Fil. 1:9-11.
A iniciativa de produzir e manter esse blog, semelhante a de outros colaboradores, tem por objetivo promover a verdade bíblica a todos os que o acessarem, bem como partilhar com os evangelizadores argumentos úteis para o ministério de campo. (2 Tim. 4:5; 1 Ped. 3:15) Isso, naturalmente, gera comentários e perguntas sinceras por parte dos leitores, muitos dos quais são ávidos pesquisadores das Escrituras com o objetivo de melhor entendê-la.
Assim sendo, a partir de agora, este blog reserva esta página para a postagem de perguntas diversas, as quais serão avaliadas com ponderação e posteriormente respondidas, o mais breve possível. Portanto, que os leitores sintam-se à vontade para postar nesta página suas indagações bem como comentários que não estão diretamente relacionados com as matérias já postadas. (Os comentários relacionados com matérias já publicadas poderão ser postados nas páginas da respectiva matéria.)

“A benignidade imerecida do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito que vós mostrais.” – Fil. 4:23.


domingo, 25 de dezembro de 2011

O conceito bíblico sobre o sexo antes do casamento

Fonte da ilustração: 
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102013323


Vivemos numa sociedade permissiva e hedonista, que considera as relações sexuais fora do casamento como algo aceitável. Inclusive, líderes religiosos e organizações religiosas como um todo muitas vezes têm defendido tal posição. Mas, o que a Bíblia tem a nos dizer sobre isso? Os que desejam viver de acordo com os padrões de moral de Deus devem estar vivamente interessados no conceito da Palavra de Deus. Os subtítulos abaixo expressam o conceito de Jeová Deus sobre o tema em pauta, e os argumentos abaixo de tais subtópicos fornecem a base para tais afirmações.


O estado de solteiro envolve não ter nenhuma atividade sexual

     O apóstolo Paulo escreveu: “é bom que o homem não toque em mulher.” (1 Coríntios 7:1) “Tocar” é um eufemismo de ter “relações” sexuais, ou de ter qualquer atividade de cunho sexual. (Provérbios 6:29) Paulo não estava falando da fornicação, assunto sobre o qual ele já havia discorrido no capitulo anterior. (1 Coríntios 6:9, 10, 18) Ademais, ele diferenciou ‘tocar em mulher’ de “fornicação” em 1 Coríntios 7:2. Na realidade, ele estava incentivando o estado de solteiro, conforme mostra claramente o contexto. (1 Coríntios 7:6-8, 26, 32-34) Isto torna claro que o estado de solteiro significa ‘não tocar em  mulher’, ou seja, não ter nenhuma atividade sexual.


“Fornicação” envolve sexo fora do casamento

A Bíblia mostra que a solução para quem não tem autodomínio não é extravasar seus anseios sexuais por praticar o sexo fora do matrimonio, mas sim por devidamente “casar-se”. (1 Coríntios 7:2, 9) Paulo mencionou que, para quem não tem autocontrole, o estado de solteiro seria “um laço”, pois poderia colocar a pessoa sob a tentação de cometer fornicação. (1 Coríntios 7:35) E o que a fornicação inclui?

Inclui a prática da homossexualidade. A Bíblia relata que os “homens de Sodoma” queriam ter “relações” com os dois hóspedes de Ló. (Gênesis 19:4, 5) Tais práticas foram mencionadas posteriormente como sendo “fornicação”. – Judas 7.

 A Bíblia condena o sexo antes do casamento. Ela fala figuradamente de a congregação cristã ser uma “virgem casta [pura]” prometida “em casamento” a Cristo. (2 Coríntios 11:2) Uma qualidade destacada pela Bíblia sobre Rebeca é que ela “era virgem, e nenhum homem tivera relações sexuais com ela”. (Gênesis 24:16) A Bíblia apresenta as relações sexuais como um presente de Deus, e que devem ser corretamente expressas ou usufruídas dentro do matrimônio. – 1 Coríntios 7:3-5, 28, 36-38; Provérbios 5:18, 19.

Tal assunto é extremamente sério, porque a vida está em jogo. Em primeiro lugar, a vida presente, visto que a fornicação pode resultar em doenças que encurtam a vida. (Provérbios 7:22, 23) Em segundo lugar, tal ato desagrada profundamente a Deus, e quem se entrega a tal prática pode comprometer a própria esperança de vida eterna. – Gálatas 6:7, 8; 1 Coríntios 6:18, 9, 10; Hebreus 13:4; Salmo 78:41.

Há diferença entre estar casado e apenas ‘viver junto’?

Sim. Jesus mostrou isso em sua conversa com a mulher samaritana. João 4:16-18 nos relata: “Disse-lhe ele: ‘Vai, chama teu marido e vem para este lugar.’ Em resposta, a mulher disse: ‘Não tenho marido.’ Jesus disse-lhe: ‘Disseste bem: “Não tenho marido.” Pois, tiveste cinco maridos, e o homem que agora tens não é teu marido. Isso disseste verazmente.’” Note que a samaritana vivia junto com um homem, mas tanto ela quanto o Filho de Deus reconheceram que tal homem não era “marido” dela. Portanto, biblicamente há uma grande diferença entre estar devidamente casado e apenas ‘viver junto’. O último caso implica em estar praticando fornicação.


Mas ‘pedaço de papel’ tem valor?

Com certeza! Ao iniciar uma sociedade comercial, uma compra de terreno ou um empréstimo, esse é um requisito indispensável. Por que seria diferente no caso de um relacionamento entre um homem e uma mulher, que é algo muito mais importante? O casamento devidamente legalizado granjeia o respeito da comunidade. Em caso de morte de um dos cônjuges, torna-se um dispositivo legal a favor dos membros vivos da família. E, acima de tudo, agrada a Deus, que exige que seus servos e servas ‘paguem de volta a César [ao Estado] as coisas de César’ por cumprir as exigências legais de registro do matrimônio. – Mateus 22:21.


O modo de Jeová é o melhor para nós

A Bíblia diz incisivamente: “O próprio Jeová não reterá nada de bom dos que andam sem defeito.” (Salmo 84:11) Portanto, se Deus ‘retêm’, ou proíbe, o sexo fora do casamento, é porque isso definitivamente não é “bom” para o ser humano. Além disso, lemos no Salmo 16:11: “Tu [Jeová] me farás saber a vereda da vida. Alegria até a fartura está com a tua face; Na tua direita há o agradável, para sempre.” Isto indica claramente que o modo de Deus nos mantém na estrada da vida – de uma vida presente satisfatória e da vida futura no paraíso terrestre. Viver segundo os requisitos divinos resulta numa vida “agradável, para sempre”. Por isso, nosso amoroso Criador e Pai insta-nos: “Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar. Oh! se tão-somente prestasses realmente atenção aos meus mandamentos! A tua paz se tornaria então como um rio e a tua justiça como as ondas do mar.” (Isaías 48:17, 18) Está disposto – enfim, determinado – a acatar essa sábia admoestação da parte de Jeová?


Enquetes mostram a sabedoria do proceder bíblico

·       Mais da metade dos que se casam nos Estados Unidos já moravam juntos. Esses casais têm duas vezes mais probabilidade de se divorciar do que os que se casam antes de morar juntos.  (PSYCHOLOGY TODAY, EUA) – Citado da revista Despertai! de junho de 2006, p. 30, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

·       Mais de 40% dos casais que vivem juntos antes de se casar divorciam-se antes do décimo aniversário de casamento, noticiou o jornal Daily News de Nova York. Dados colhidos pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde indicam também que casais que vivem juntos antes de se casar e que ficam casados por mais de dez anos têm duas vezes mais probabilidade de acabar se divorciando. “O casal que estiver pensando em viver junto [e] que não acha certo fazer isso sem se casar”, disse Matthew Bramlett, principal autor da reportagem, “é o tipo de casal que dificilmente se divorciará”. Além disso, pessoas que vivem juntas antes de se casar “parecem estar muito menos dispostas a enfrentar as dificuldades que surgem no relacionamento a dois”, disse a conselheira matrimonial Alice Stephens. – Citado de Despertai! de 8 de abril de 2003, p. 29.

·       “Os pais que viveram juntos antes de se casar têm duas vezes mais probabilidade de se separar”, diz o jornal National Post, do Canadá. Heather Juby, coautora de um estudo realizado por Statistics Canada, disse que os pesquisadores esperavam descobrir que o fato de um casal ter um filho seria sinal de compromisso entre eles. “Mas”, ela disse, “os casais que estão mais abertos à idéia de coabitar também estão mais abertos à de se separar”. A pesquisa revelou que 25,4% dos que viviam juntos, antes de se casar, se separaram, comparados com os 13,6% dos pais que não viviam juntos antes do casamento. “Essas pessoas que vivem junto têm menos estabilidade no relacionamento”, disse Juby, “visto que pessoas dispostas a [coabitar] são as que talvez não deem tanto valor ao compromisso do casamento”. - Citado de Despertai! de 8 de março de 2002, p. 29.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os Dez Mandamentos foram abolidos? – Um exame de 2 Coríntios 3:6-14

 Fonte da ilustração: http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1102009457



Até hoje existem controvérsias em torno dos Dez Mandamentos, o chamado Decálogo. Existem grupos religiosos que defendem a sua continuidade. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre isso? Nosso exame honesto de 2 Coríntios, capítulo 3, feito predominantemente na versão de João Ferreira de Almeida, edição Revista e Corrigida, dará uma resposta clara a todos os que respeitam a Palavra de Deus e a estudam com olhos despidos de preconceitos.

O versículo 6 diz que Deus “nos fez também capazes de ser ministros dum novo pacto, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO, porque a letra mata, e o espírito vivifica.”[1]

Portanto, Paulo fala de dois ministérios, o da LETRA e o do ESPÍRITO. Paulo afirma que os cristãos são “ministros dum novo pacto, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO”. Daí ele explica que a letra MATA. O que é a letra que mata? E o que é o espírito que vivifica? Ele explicou isso nos versículos seguintes, os versículos 7 e 8, que dizem:

“E, se o MINISTÉRIO DA MORTE, GRAVADO COM LETRAS EM PEDRAS, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO?”

Note que, nos versículos acima (7 e 8), Paulo chama a LETRA que mata de MINISTÉRIO DA MORTE, e o ESPÍRITO que vivifica de MINISTÉRIO DO ESPÍRITO. Ele explica que “o MINISTÉRIO DA MORTE, GRAVADO COM LETRAS EM PEDRAS, veio em glória”. Pergunte-se: o que foi gravado com letras em pedras? Evidentemente, os Dez Mandamentos! Tanto é verdade que Paulo cita Moisés. Êxodo 34:29 diz que  “quando Moisés desceu do monte Sinai, sucedeu que as duas tábuas do Testemunho estavam na mão de Moisés quando desceu do monte, e Moisés não sabia que a pele da sua face emitia raios por ter falado com [Deus]”. – Tradução do Novo Mundo.

Os Dez Mandamentos foram chamados de MINISTÉRIO DA MORTE porque condenavam à morte os que estavam sujeitos a eles, por expor a pecaminosidade das pessoas. Sobre isso, Paulo disse: “Não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás.” (Rom. 7:7, Almeida Atualizada) E lembre-se de que, no versículo 6, Paulo falou que os cristãos são ministros dum novo pacto, NÃO DA LETRA, ou seja, não dos Dez Mandamentos, MAS DO ESPÍRITO. A desvanecente glória do rosto de Moisés quando ele desceu do monte Sinai com as duas tábuas de pedra dos Dez Mandamentos mostra que “o MINISTÉRIO DA MORTE, GRAVADO COM LETRAS EM PEDRAS, veio em glória”. No entanto, o versículo 8, já citado, diz que o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO tem MAIOR GLÓRIA.

Novamente, no versículo 9, Paulo usa o mesmo raciocínio dos dois ministérios. Nesse versículo, ele chama o MINISTÉRIO DA MORTE de “ministério da condenação” e o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO, de “ministério da justiça”. Ele também mantém o mesmo argumento, de que o MINISTÉRIO DA MORTE “foi para a glória”, ao passo que o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO “muito mais é em glória”. Então, no versículo 10 ele arremata: “Porque também o que foi glorificado, nesta parte, [o Decálogo] não foi glorificado, por causa desta excelente glória [do novo pacto].” Quer dizer, a glória superior do novo pacto (o “ministério do espírito”) ofuscou a glória do Decálogo (o “ministério da morte”).

É importante gravarmos este ponto: o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO TEM MAIS GLÓRIA QUE OS DEZ MANDAMENTOS. Por quê? Porque o versículo 11 diz:

“Porque, se O QUE ERA TRANSITÓRIO [passageiro] foi para a glória, muito mais é em glória O QUE PERMANECE.”

Aqui no versículo 11 Paulo mostra que o MINISTÉRIO que veio em glória, isto é, o MINISTÉRIO DA MORTE, ERA TRANSITÓRIO, isto é, passageiro, algo que acabaria. Ele mostra que o MINISTÉRIO que tem mais glória, isto é, O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO, é “O QUE PERMANECE”. Ele torna claro que os Dez Mandamentos, ou seja, o Decálogo que foi “GRAVADO COM LETRAS EM PEDRAS”, era algo passageiro, “TRANSITÓRIO”. O que permanece é o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO – o “novo pacto”. É por isso que Paulo começou dizendo que os cristãos “ministros dum novo pacto”.

Alguns dizem que o que era transitório era a glória do rosto de Moisés. Mas essa afirmação foge totalmente do assunto explicado pelo apóstolo Paulo. Ele não estava fazendo comparação entre a glória do rosto de Moisés e o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO. A comparação era entre o MINISTÉRIO DA MORTE, GRAVADO COM LETRAS EM PEDRAS (os Dez Mandamentos), e o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO. Portanto, a Bíblia nesta passagem torna claro que os Dez Mandamentos deixaram de vigorar – eles eram transitórios, passageiros, ao passo que o novo pacto – o ministério do espírito – é o que permanece.

O versículo 14 diz: “Mas os seus sentidos [dos judeus contemporâneos de Paulo] foram endurecidos: porque até agora o mesmo véu está por levantar na lição do velho pacto, O QUAL FOI POR CRISTO ABOLIDO.” (IBB) Pergunte-se: o que foi ABOLIDO por Cristo? Não foi o véu. Pois o versículo 16 diz que “quando se converterem ao Senhor, então o véu SE TIRARÁ”. Portanto, o véu (símbolo de falta de entendimento) não é abolido, mas é TIRADO. De fato, a palavra “abolir” se usa para leis, e não para um véu.[2] O que foi abolido é o “VELHO PACTO”. E o que é o velho pacto? Lembra-se do versículo 6?  Ali Paulo fala que os cristãos são “ministros dum novo pacto, NÃO DA LETRA”. Portanto, o VELHO PACTO é o da LETRA, o chamado MINISTÉRIO DA MORTE, GRAVADO COM LETRAS EM PEDRAS (os Dez Mandamentos). De forma clara, Paulo mostra que os Dez Mandamentos foram abolidos.

DEZ MANDAMENTOS
NOVO PACTO

Gravado com letras em pedras. – 2 Coríntios 3:7.

Veio com glória.
– 2 Coríntios 3:7, 9.

Era passageiro. “Foi por Cristo abolido”. – 2 Coríntios 3:11, 14.

Gravado nas tábuas de carne do coração. – 2 Coríntios 3:3.

Veio com maior glória.
– 2 Coríntios 3:8, 9.

Permanece.
– 2 Coríntios 3:11.




Notas de rodapé:

[1] As letras em maiúsculo não fazem parte da tradução citada. Foram colocadas para enfatizar palavras específicas.
[2] A palavra grega para “abolir” é katargéo, ao passo que o termo grego para “tirar” é periairéo.




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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

“Sinal dos pregos” no corpo de Jesus – o que indica?

Fonte da ilustração: http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2014324
  
Ἐὰν μὴ ἴδω ἐν ταῖς χερσὶν αὐτοῦ τὸν τύπον τῶν ἥλων
καὶ βάλω τὸν δάκτυλόν μου εἰς τὸν τύπον τῶν ἥλων 
καὶ βάλω μου τὴν χεῖρα εἰς τὴν πλευρὰν αὐτοῦ, 
οὐ μὴ πιστεύσω. 

“A menos que eu veja nas suas mãos o sinal dos pregos
e ponha o meu dedo no sinal dos pregos,
e ponha a minha mão no seu lado,
certamente não acreditarei.”
 – João 20:25.



Membros da cristandade, por vezes, têm usado o texto de João 20:25 para tentar justificar a crença deles de que Jesus morreu numa cruz de duas vigas transversais. Contudo, o texto não muda o fato de que as palavras gregas usadas para o instrumento de execução de Cristo – stau·rós xý·lon – significam um poste reto; nem muda o fato de a cruz ser pagã. Em segundo lugar, podemos afirmar que a passagem de João 20:25 prova justamente o contrário do pretendido pelos membros da cristandade.

Observamos que a expressão “sinal [no singular] dos pregos” (em grego: τύπον τῶν ἥλωνtýpon tôn hélon), que ocorre duas vezes, exige que as mãos de Cristo tenham sido pregadas uma sobre a outra. Se Cristo tivesse sido pregado com os braços abertos numa cruz, haveria sinais dos pregos, cada prego deixando um sinal em cada mão. No entanto, o texto fala de “sinal” no singular. Portanto, ter Jesus morrido numa cruz com braços abertos está fora de cogitação. Para que houvesse apenas um sinal (no singular) nas “mãos” (plural) de Jesus, suas mãos teriam de ser pregadas juntas, uma sobre a outra.

Podemos ilustrar isso com a seguinte situação: digamos que você fosse incumbido de fazer um único furo em duas peças de madeira. A única maneira de fazer isso seria colocar uma sobre a outra. Embora cada madeira apresentasse depois disso dois orifícios, ou buracos, o furo (sinal) feito foi um só.

Mas, talvez alguém diga: ‘Não poderiam os dois furos – cada um produzido por um prego nos braços estendidos numa cruz – constituir um sinal composto? Vocês não afirmam que os diversos acontecimentos mencionados por Jesus, tais como guerras, fome, doenças, constituem um sinal composto de sua presença?’


“Sinal” no texto grego

Bem, neste caso, tal pessoa estaria confundindo “sinal” (do grego τύπος; týpos) com “sinal” (do grego σημεῖον ; semeíon). A palavra usada em João 20:25 é τύπος (týpos), que significa “sinal” no sentido literal – significa um sinal concreto, físico, material: uma marca, um traço, entalhe, furo, ou corte. Por exemplo, Atos 7:43 fala das  “figuras” (týpous, plural) de deuses pagãos, significando os desenhos (traços) ou as esculturas (entalhes, cortes). Em harmonia com isso, hoje usamos a palavra “tipografia” para descrever o sistema de imprimir com fôrmas em relevo. Portanto, týpos descreve um sinal físico.

Por outro lado, σημεῖον  (semeíon) significa um “sinal” abstrato, simbólico, no sentido de “indicação”, algo distinto pelo qual alguma coisa é conhecida. Trata-se de uma indicação de acontecimento(s), ações, ou fatos. (Mateus 24:3; Lucas 2:11, 12, 34; 11:29; 1 Coríntios 14:22; Mateus  26:48) Ocorre na sua totalidade 38 vezes no singular e 38 vezes no plural, perfazendo 76 vezes ao todo. Em todas as ocorrências parece ter sentido simbólico. [1]
     
O uso figurado de semeíon pode ser visto pelo seu emprego em Apocalipse 13:13, 14; 16:14; 19:20, que fala dos “sinais” (semeia; semeîa) realizados pela “fera”, por demônios e pelo “falso profeta”, no sentido de “obras poderosas”. Em consonância com o sentido simbólico de semeíon, temos hoje a palavra “semiologia”, que é usada para denominar a ciência que estuda os sinais (imagens, gestos, vestuários, ritos, etc.) que caracterizam a cultura humana. Em adição, o verbo relacionado semeióo significa “sinalizar”, “pôr sinal” em alguém, no sentido de indicá-lo como alguém diferenciado, de prestar atenção especial a ele. Em 2 Tessalonicenses 3:14, a expressão “tomai nota de tal” literalmente é  “ponde sinal neste”. – NM n.
   
Por outro lado, em João 20:25 “sinal” tem o sentido literal de “furo”, “buraco”, “chaga” ou ferida aberta, “úlcera”, ou a marca deixada por essa ferida. Týpos no singular exige a existência de uma só marca nas duas mãos. É como se Tomé dissesse: ‘A menos que eu veja o furo (no singular) nas suas mãos.’ Um único furo nas duas mãos de Jesus exigiria que tivessem sido pregadas uma sobre a outra, como ilustrado acima no caso de se fazer um único furo em duas peças de madeira. Ambas teriam de ser colocadas uma sobre a outra.

Em sentido figurado, týpos significa “forma, figura, padrão, molde”: “forma de ensino” (Romanos 6:17); na vida moral, significa “exemplo”, “padrão”, “modelo”. (1 Timóteo 4:12) Também se refere aos tipos (modelos, moldes, padrões) dados por Deus de realidades espirituais ou futuras. Mas, neste caso, o que é simbolizado pelo “tipo” tem similaridade com tal “tipo” ou modelo, o que não acontece necessariamente com semeíon. Por exemplo, Romanos 5:14 fala de Adão como sendo “tipo” de Jesus Cristo, por ter tido “similaridade” com ele. 1 Coríntios 10:6, 11 descreve os pecados dos israelitas no ermo e as consequências desastrosas como sendo “exemplos” (“em figura”, Mateus Hoepers) ou, “tipos” (τυπικῶς; tipicamente), para os cristãos de que similarmente teriam consequências desastrosas  caso desobedecessem a Deus. Hebreus 8:5 menciona o tabernáculo de Israel como “modelo” ou tipo de realidades celestiais. Assim, o “tipo” sempre correspondente de alguma forma ao que é retratado por ele.
 
Inversamente, esta não é a regra no caso de semeíon. Exemplificando, Jesus mencionou que o “sinal” (semeíon) de sua Parusia, do exercício do seu governo celestial, seriam guerras, fome, pestilências, terremotos, e assim por diante. Jamais poderíamos presumir que tais tragédias seriam um “tipo” ou modelo do governo de Jesus. Muito pelo contrário! Seu governo pacífico e revigorante foi tipificado pelo governo pacífico de Salomão. (Salmo 72) Por conseguinte, semeíon indica coisas com as quais não tem necessariamente nenhuma similaridade.


Pregos

Mas que dizer de “pregos” (no plural) produzindo um “sinal” (no singular)? Como seria isso possível? Uma possibilidade é que mais de um prego tivesse sido afixado nas mãos de Jesus, pregadas uma sobre a outra. Embora nossas publicações mostrem um único prego atravessando ambas as mãos de Cristo, vale ressaltar que tais representações da morte de Jesus são meramente concepções artísticas do cenário, não afirmações anatômicas absolutas.

Mas outro ponto a considerar é que a fraseologia usada por Tomé não associa “pregos” com as “mãos” de Cristo. O termo “pregos” está associado a “sinal”. Em termos simples, a Bíblia não fala de ‘pregos [no plural] nas mãos’ de Cristo, mas sim do sinal dos pregos” em suas mãos. Para ilustrar isso: a Bíblia não diz em 1 Timóteo 6:10 que ‘o dinheiro é a raiz de toda sorte de coisas prejudiciais’, mas sim que o “amor ao dinheiro” o é. Do mesmo modo, não são os pregos, mas sim o sinal deles, que Tomé associa com as “mãos” de Cristo. Portanto, uma possibilidade razoável é que o termo “pregos” (no plural) inclua também os pés de Cristo, pois seus pés também foram pregados. (Lucas 24:39) Isso explicaria a expressão “pregos” no plural, indicando que um havia sido afixado nas “mãos” de Jesus, deixando um “sinal” (no singular), e o outro nos seus “pés”. Em outras palavras, dos “pregos” (plural) que foram usados para afixar Jesus no madeiro, Tomé queria ver o “sinal”, ou furo, deixado nas mãos de Cristo pelo prego específico que foi usado naquela parte de seu corpo.

 Segue abaixo um diagrama da distinção entre τύπος  (týpos) e shmeion (semeíon).

τύπος  (týpos)
semeion (semeíon)
Concreto
Abstrato
Significa marca, traço, risco de um objeto.
Exemplo: sinal de caneta
(um risco)
Significa indicação de acontecimento, ação, fato, ou operação

Exemplo: sinal de “mais” ou de “xis” (dois riscos)
Cada týpos é singular
Um semeíon pode ser composto
É visto
É discernido
Evidencia objeto que o produziu: prego, caneta, lápis, etc.
Evidencia acontecimento, ação, ou operação.
Exemplo: sinal de acidente (corpos estirados, carros batidos, policiais)


Nota de rodapé: 

[1] No singular: Mateus 12:38, 39; 16:1, 4; 24:3, 30; 26:48; Marcos 8:11, 12; 13:4; Lucas 2:12, 34; 11:16, 29, 30; 21:7; 23:8; João 2:18; 4:54; 6:30; 10:41; 12:18; Atos 4:16, 22; Romanos 4:11; 1 Coríntios 14:22; 2 Tessalonicenses 3:14, 17; Apocalipse 12:1, 3; 15:1. No plural (semeia; semeia): Mateus 16:3; 24:24; Marcos 13:22; Lucas 21:11, 25; João 2:11, 23; 3:2; 4:48; 6:2, 14, 26; 7:31;  9:16; 11:47; 12:37; 20:30; Atos 2:19, 22, 43; 4:30; 5:12; 6:8; 7:36; 8:6, 13; 14:3; 15:12; Romanos 15:19; 1 Coríntios 1:22; 2 Coríntios 12:12; 2 Tessalonicenses 2:9; Hebreus 2:4; Apocalipse 13:13, 14; 16:14; 19:20.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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