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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A “mulher apanhada em adultério” – essa história está mesmo na Bíblia?


Cena do filme "A Paixão de Cristo", de 2004.



“Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra.” Você talvez já tenha ouvido muitas vezes essa famosa frase, atribuída a Jesus Cristo. Alguns a citam para justificar alguma falha pessoal ou mesmo um pecado biblicamente grave. Muitos acreditam sinceramente que a passagem em que essa frase foi feita se encontra no texto sagrado. Mas, será que se encontra mesmo na Bíblia?


Ausência da história nos manuscritos mais antigos e mais reconhecidos

A famosa frase reputada a Cristo se encontra na passagem de João 7:53 a 8:11. A nota de rodapé da Tradução do Novo Mundo explica que esses doze versículos não se encontram no Manuscrito Sinaítico e no Manuscrito Vaticano 1209 (ambos do quarto século). São omitidos pela maioria das versões antigas.[1] A passagem é conhecida como Pericope Adulterae, expressão latina para “Perícope [seção ou passagem] da Adúltera”.[2] Trata-se, evidentemente, de uma interpolação, ou acréscimo – uma passagem espúria. A evidência sobrepujante disso se encontra nas contradições apresentadas na própria passagem em relação ao texto bíblico inspirado.


Desarmonia com o restante das Escrituras

Em primeiro lugar, tal passagem apresenta Jesus como estando ‘sentado’, até mesmo ‘se abaixando’, diante dos “anciãos” de Israel que se chegaram a ele com a mulher adúltera. (João 8:2, 6, 8, 9) Tal postura de Jesus se chocaria frontalmente com a Lei de Deus dada à nação de Israel. Um dos mandamentos dessa lei prescrevia: “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso, e tens de ter temor de teu Deus. Eu sou Jeová.” (Levítico 19:32) Visto que Jesus veio cumprir a Lei, permitindo assim que ela o identificasse como o prometido Messias, ele não poderia violá-la.  – Mateus 5:17; Gálatas 3:19, 22-25.

Ademais, a famosa frase – ‘que aquele de vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra’ – também mostraria desrespeito pela Lei e promoveria o seu desacato. Afinal, era a própria Lei que exigia tal punição tanto para o adúltero como para a adúltera. (Levítico 20:10; Deuteronômio 22:22) Em todas as suas declarações, Cristo mostrou elevado respeito pela Lei divina vigente naquela época, várias vezes citando partes dela e também condenando os que não a cumpriam.  – Mateus 4:4, 7, 10; 5:19; 15:3-9; 19:17.

 Nessa mesma linha de raciocínio, a frase que João 8:10 reputa como tendo sido dita por Jesus à mulher adúltera – “não te condenou ninguém?” – vai diametralmente contra o que o próprio Jesus Cristo disse em João 5:45: “Há um que vos acusa, Moisés.” Mostrando que endossava o que Moisés escreveu – que incluía a Lei – Jesus prosseguiu: “De fato, se acreditásseis em Moisés, teríeis acreditado em mim, porque este escreveu a meu respeito. Mas, se não acreditais nos escritos desse, como acreditareis nas minhas declarações?” (João 5:46, 47) Uma vez que Jesus reconhecia que a Lei dada por Jeová mediante Moisés condenava pecados graves como o adultério – e concordava com tal Lei –, como poderia ele ter dito à adúltera: “Não te condenou ninguém?”

 Outro equívoco cometido por certos religiosos é considerar a mulher adúltera desse relato como sendo Maria Madalena. Outros afirmam que a prostituta mencionada em Lucas 7:36-50 era Maria Madalena. Daí a expressão “Madalena arrependida”. No entanto, nada disso é verdade. O que a Bíblia relata a respeito da vida passada de Maria Madalena é que dela “saíram sete demônios”, evidentemente expulsos por Jesus Cristo.  – Lucas 8:2.

Devido à flagrante clareza da falsidade da passagem de João 7:53-8:11, tanto pela evidência documental externa como pela evidência interna – diversas traduções da Bíblia a colocam entre colchetes e explicam em notas remissivas que tal relato não faz parte da inspirada Palavra de Deus. (Veja Almeida da IBB, ALA, BLH, NTLH.) A “Perícope [passagem] da Adúltera” é, na realidade, uma passagem adulterada, não condizente com as Escrituras inspiradas, acrescentada séculos depois da escrita original do Evangelho de João, possivelmente para servir de desculpa para pecados deliberados.


Notas de rodapé:

[1] Veja a obra Estudo Perspicaz das Escrituras, (publicada pelas Testemunhas de Jeová),
volume 2, pág. 576..
[2] Veja o artigo “Ausência do PA confirma a superioridade erudita da Tradução do Novo Mundo”, no blog traducaodonovomundodefendida.blogspot.com, acessando o link: 


Siglas das traduções usadas:

ALA: Almeida Revista e Atualizada.
BLH: Bíblia na Linguagem de Hoje.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os preditos “setenta anos” – período da supremacia babilônica ou do cativeiro judaico?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/mensagem-da-biblia/deus-fala-por-meio-de-seus-profetas/


“Pois assim disse Jeová: ‘De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar.’” – Jeremias 29:10, Tradução do Novo Mundo.

“Assim diz o SENHOR: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar.” – Jeremias 29:10, Almeida Revista e Atualizada.

Como se pode observar pelo exemplo das traduções acima, há divergência no círculo religioso sobre a aplicação do período dos “setenta anos” profetizados no “Velho Testamento”. Os teólogos que verteram de acordo com a NM entendem que tal período se aplica ao cativeiro dos judeus, ao passo que os teólogos representados pela segunda tradução defendem que os “setenta anos” se referem ao período da supremacia babilônica.

Qual das duas traduções está correta? O que a Bíblia como um todo tem a dizer a respeito? O que segue abaixo é a matéria de um de nossos colaboradores, que se identifica por queruvim, administrador do blog traducaodonovomundodefendida.blogspot.com/


Como Jeremias 29:10 deve ser traduzido?

1)   A gramática

A preposição hebraica prefixada inseparável  , composta de um lamed e de uma meia vogal chamada sheva, pode ser apropriadamente vertida tanto por "em Babilônia" ou "na Babilônia" (que transmite a mesma ideia) e é frequentemente vertida por "para Babilônia". Algumas referências apontam como tradução alternativa desta preposição, "de" ou "contra". Obviamente, depende do contexto. Essa é a explicação dada pela obra The Essentials of Biblical Hebrew (por Kyle M. Yates, Ph.D.; revisado por  John Joseph Owens, Professor Associado de Interpretação do Velho Testamento), p. 173.

“Pois assim disse Jeová: ‘De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar.’

2)   O contexto

Jeremias 29:4-10 traz à tona o cenário do cumprimento da profecia acerca dos “setenta anos”:

“Assim disse Jeová dos exércitos, o Deus de Israel, a todo o povo exilado que fiz ir ao exílio, de Jerusalém a Babilônia: 5 ‘Construí casas e habitai nelas, e plantai jardins e comei dos seus frutos. 6 Tomai esposas e tornai-vos pais de filhos e de filhas; e tomai esposas para os vossos próprios filhos e dai as vossas próprias filhas a maridos, para que deem à luz filhos e filhas; e tornai-vos ali muitos e não vos torneis poucos.  7Também, buscai a paz da cidade à qual vos exilei e orai por ela a Jeová, porque na sua paz se mostrará haver paz para vós mesmos. 8 Pois assim disse Jeová dos exércitos, o Deus de Israel: “Não vos enganem os vossos profetas que estão no vosso meio, nem os vossos adivinhos, e não escuteis os seus sonhos que estão sonhando. 9 Pois ‘é em falsidade que vos profetizam em meu nome. Não os enviei’, é a pronunciação de Jeová. 10 Pois assim disse Jeová: ‘De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar.’”
      
Em todo contexto circundante observamos o escritor narrando acerca do local chamado Babilônia, onde a nação de Judá  " foi exilada do seu solo". – 2 Reis 25:21.


Muitos eruditos concordam com a aplicação ao cativeiro judaico
      
É de interesse observar como esta porção das Escrituras foi vertida por outras escolas de erudição bíblica.

“quia haec dicit Dominus cum coeperint impleri in Babylone septuaginta anni visitabo vos et suscitabo super vos verbum meum bonum ut reducam vos ad locum istum.”  Latin Vulgate [Vulgata Latina], de c. 405 EC.

"Mas assim disse o Senhor, que depois de se cumprirem setenta anos em Babél, Eu vos visitarei ....” —The Geneva Bible (A Bíblia de Genebra,1560).

“Em Babilônia.” – Douay Version (1609); American King James Version; Douay-Rheims Bible; Webster's Bible Translation

“Estarás em Babilônia.” – New Living Translation (©2007).

“Depois de se completarem setenta anos em Babilônia.” – King James Bible (Edição de Cambridge).

“Quando se completarem setenta anos em Babilônia.” – King James 2000 Bible (©2003).

“Depois de se completarem setenta anos em Babilônia.” – New King James Version (1984; baseada na Stuttgart edition of Biblia Hebraica, 1967/1977).

Foi somente em anos recentes que algumas traduções da Bíblia (RSVNRSVNIV etc.) decidiram verter Le Babel por “para Babilônia”.

Porém, O  Dicionário de Hebraico Clássico (The Dictionary of Classical Hebrew) lista cerca de 30 exemplos onde a preposição hebraica inseparável   é vertida de forma locativa. Um exemplo é o de Números 11:10 onde lemos:

וַיִּשְׁמַע מֹשֶׁה אֶת-הָעָם, בֹּכֶה לְמִשְׁפְּחֹתָיו–אִישׁ, לְפֶתַח
אָהֳלוֹ; וַיִּחַר-אַף יְהוָה מְאֹד.

“E Moisés chegou a ouvir o povo chorando nas suas famílias, cada homem à entrada da sua tenda [literalmente “em” ou “na”  entrada: hebraico ]. E começou a acender-se grandemente a ira de Jeová.”

Em Jeremias 51:2 a frase LeBabel foi vertida “a Babilônia”, ou seja, com o sentido de “para Babilônia” na própria NM, devido ao verbo “enviar” usado anteriormente. Em Jeremias 3:17 encontramos uma cláusula diferente e, devido a isso, a NM verteu LiIrushalaim por “em Jerusalém”, conforme lemos:

“Naquele tempo chamarão Jerusalém de trono de Jeová; e a ela terão de ser ajuntadas todas as nações, ao nome de Jeová em [hebr.: Li] Jerusalém, e não mais andarão seguindo a obstinação do seu mau coração.”

O mesmo ocorre em Jeremias 40:11, onde lemos:

“Do mesmo modo todos os judeus que estavam em Moabe, e entre os filhos de Amom, e em Edom, e os que havia em todas aquelas terras, ouviram que o rei de babilônia havia deixado alguns em Judá, [hebr.: LiIehudah]  e que havia posto sobre eles a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã.”

O Dictionary of Classical Hebrew define a preposição Le da seguinte maneira: 

“Direção, para.” (Segundo significado)
“E lugar, em, próximo.” (Como quarto significado da palavra)

Ao observarmos o uso da mesma preposição no Targum Johathan e na Peshita, veremos o mesmo significado hebraico atribuído aqui nesta página à preposição “Le”.

Devido à ampla gama de tradução dessa palavra dentro da gama de aplicação preposicional deve-se levar em conta o contexto. Justamente foi o que fez a Tradução do Novo Mundo. E todo o peso da evidência mostra que Jeremias 29:10 deve ser traduzido por “em Babilônia”.

Matéria extraída de:


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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sábado, 14 de janeiro de 2012

João 8:58 identifica Jesus com Jeová?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/jesus/ministerio-na-judeia/pai-abraao-ou-diabo/



“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.” – João 8:58, 59, Almeida Revista e Atualizada (ALA). 

O modo em que as traduções da cristandade vertem as palavras de Jesus em João 8:58 faculta aos trinitaristas associarem tal passagem ao texto de Êxodo 3:14. Segundo a mesma versão supracitada, esse texto reza: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (ALA) Dessa forma, alguns religiosos da cristandade afirmam que Jesus, ao usar a expressão “EU SOU”, estava identificando a si mesmo com Jeová. Mas, seria essa a correta interpretação dessas passagens?


“Eu sou” no Novo Testamento não figura como título

Essa expressão – em grego “egó eimí” –, que utiliza o pronome pessoal acompanhado do verbo “ser”, NÃO É UM TÍTULO. Ela ocorre em diversos textos nas declarações de Jesus no Novo Testamento grego, e em nenhum caso é usada qual título. Os próprios tradutores das versões da cristandade reconhecem isso, pois não a traduzem sempre da mesma forma. Veja os exemplos abaixo:

“Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu; não temais.” – Mateus 14:27, Al; veja também Marcos 6:20, Al, ARCF, ALA, IBB.

  “Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou eu. Ora, Judas, o traidor, estava também com eles. Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra. Jesus, de novo, lhes perguntou: A quem buscais? Responderam: A Jesus, o Nazareno. Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim, pois, que buscais, deixai ir estes.” – João 18:5-8, ALA.

“Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.” – João 9:8, 9, ACRF.

“Respondeu então ele: Acautelai-vos; não sejais enganados; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu; e: O tempo é chegado; não vades após eles.”  Lucas 21:8, IBB.

“Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.” – João 4:26, Al; também ALA, ARCF, IBB.

Por que as versões da cristandade não traduzem “egó eimí” por “eu sou” nas passagens acima? Evidentemente, porque compreendem que tal expressão não é um título no Novo Testamento grego. Assim, tais tradutores adequam a tradução dessa expressão conforme o contexto. O mesmo o fez a comissão da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs nessas passagens e também em João 8:58. Neste último texto, a Tradução do Novo Mundo verte “egó eimí” por “eu tenho sido”. Qual é a base para tal tradução?


“Eu tenho sido” – uma tradução coerente

Primeiro, a gramática grega apoia tal versão. Como mostra o Apêndice da Tradução do Novo Mundo com Referências, página 1522, o verbo eimí (“sou”) expressa uma ação que começou “‘antes de Abraão vir à existência’ e ainda está em progresso”. Portanto, trata-se, neste caso, do presente incluindo também o pretérito, ou passado, sendo corretamente traduzido por “eu tenho sido”. 

Segundo, o contexto aponta para essa versão. A pergunta dos judeus e a resposta de Jesus tinham que ver com a IDADE de Jesus, e não com sua identidade. Em outras palavras, Jesus estava dizendo a seus contemporâneos: ‘Antes de Abraão vir à existência, EU EXISTO’, ou ‘eu tenho existido’.

O fato de os judeus quererem apedrejar Jesus não indica que ele tenha se identificado com Jeová. Os judeus tinham um conceito distorcido das declarações de Jesus e, portanto, não são um bom parâmetro para se estabelecer conceitos bíblicos. Lemos em João 5:17, 18: “Mas ele [Jesus] lhes respondeu: ‘Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando.’ Deveras, por esta razão, os judeus começaram ainda mais a procurar matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também chamava a Deus de seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” Obviamente, Jesus não violava o sábado, nem se fazia igual a Deus apenas por chamar Deus de seu Pai. (Mateus 5:17; João 14:28) Os judeus estavam errados em ambas as conclusões. Assim, as conclusões que os judeus tiravam das afirmações de Cristo não servem para estabelecer o que ele realmente queria dizer.

Em outras passagens, quando Cristo usou a expressão “eu sou” sem um complemento, sua declaração dizia respeito à sua identidade qual Messias. Quando Caifás lhe perguntou: “És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?”, Jesus respondeu: “Eu Sou” [“Eu o sou”, Al] (“egó eimí”). (Marcos 14:61, 62, ALA) Ademais, o cumprimento de profecias apontava para o seu messiado. (João 13:18, 19) De modo similar, a declaração de Jesus, em João 8:58, a respeito de sua existência pré-humana, era evidência de que ele era o Enviado de Deus, o prometido Messias.

A expressão que mais se aproxima de Êxodo 3:14, (conforme essa passagem é vertida nas traduções da cristandade,) é a declaração de Paulo em 1 Coríntios 15:10, onde ele afirmou: “Pela graça de Deus, sou o que sou.” Obviamente, Paulo não estava se identificando com o Deus Todo-Poderoso. Essa expressão não figura como sendo um título.


“Eu sou” em Êxodo 3:14 não é um título

Nas traduções da cristandade, esse texto costuma ser vertido assim: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (ALA) No entanto, no texto grego da Septuaginta, versão grega que era usada nos dias de Jesus, o texto reza literalmente assim:

και ειπεν ο θεος προς μωυσην
εγω ειμι ο ων

E disse o Deus a Moisés:
Eu  sou o Ser

και ειπεν ουτως ερεις τοις υιοις ισραηλ
E   disse:  assim  dirás aos filhos de Israel:

ο ων απεσταλκεν με προς υμας
O Ser   enviou-me     a     vós


Como se pode ver claramente pelo texto acima, a expressão “eu sou” (“egó eimí”) em Êxodo 3:14 não constitui um título. O título usado por Deus nesse texto é “Ho On” (“O Ser”, ou “Aquele que é”). Lamentavelmente, as versões da cristandade não traduzem corretamente a passagem, obscurecendo o sentido do texto e dando margem para uma interpretação equivocada, fornecendo um falso respaldo para uma doutrina antibíblica.

O texto de Êxodo 3:14 em hebraico distancia ainda mais de João 8:58. A expressão hebraica ’Eh·yéh ’Ashér ’Eh·yéh significa literalmente “MOSTRAREI SER O QUE EU MOSTRAR SER”, como traduz fielmente a NM. ’Eh·yéh deriva do verbo hebraico ha·yáh, que tem o sentido de “vir a ser; tornar-se; mostrar ser”, estando no imperfeito, na primeira pessoa do singular, significando “virei a ser; tornar-me-ei”; ou “mostrarei ser”. A referência não é à autoexistência de Deus, como ele sendo o Eterno, mas ao que pretende tornar-se para com outros. – Veja nota na NM sobre Êxodo 3:14.
  
Fica, portanto, claro que nem linguística nem doutrinalmente há qualquer relação de identidade pessoal entre João 8:58 e Êxodo 3:14. O primeiro texto diz respeito à existência pré-humana de Jesus Cristo, quando ele atuou ao lado de seu Pai como o Logos, ou o Porta-voz, de Deus, ao passo que a última passagem traz à tona o significado do nome divino, Jeová    nome que identifica “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. – 2 Coríntios 1:3.



Siglas das traduções usadas:

Al: Almeida Revista e Corrigida.
ARCF: Almeida Revista e Corrigida Fiel.
ALA: Almeida Atualizada.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






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