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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

DIREITO OU “USURPAÇÃO”? (Filipenses 2:6)

 Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/wp20131201/sobre-volta-de-cristo/


ὃς ἐν μορφῇ θεοῦ ὑπάρχων οὐχ ἁρπαγμὸν ἡγήσατο τὸ εἶναι ἴσα θεῷ.
  Filipenses 2:6, WH; B.

“Quem em forma de Deus existindo, não um ato de arrebatar considerou o ser igual a Deus.” – WH.

“Quem em uma forma de Deus sendo [ou estando], não uma usurpação meditou o ser igual a Deus.” – ED.


As traduções acima do texto grego dão a entender que Cristo não considerou como sendo uma usurpação “ser igual a Deus”. Contudo, vale lembrar que o grego antigo era escrito sem pontuação, que os tradutores têm de suprir ao verter o texto para outras línguas. Foram catalogados 274 manuscritos com letras unciais, ou seja, escritos inteiramente em grandes letras maiúsculas, com quase nenhuma separação entre as palavras, sem pontuação, datando dos séculos 4.° ao 10 EC. E conforme a pontuação colocada, o texto muda radicalmente de sentido.

Assim, o texto de Filipenses 2:6 poderia ser vertido assim: “Quem em forma de Deus existindo, não uma usurpação considerou: o ser igual a Deus.” Ou ainda: “Quem em forma de Deus existindo, não uma usurpação considerou – o ser igual a Deus.” Basta colocar dois pontos ou um travessão para dar a entender que Cristo considerou ser uma usurpação “ser igual a Deus” e, por isso, não deu consideração, ou atenção, a essa usurpação.

A expressão “não uma usurpação considerou” pode ter tanto o sentido de ‘não considerou ser uma usurpação’ como ‘não deu consideração a uma usurpação’. Visto que o verbo “considerar”, entre outras coisas, é definido como “levar em conta”, “dar importância a”, esta última versão do texto significaria que Jesus não levou em conta ou não deu importância a uma usurpação – a de “ser igual a Deus”. A palavra grega para “considerar” no texto é  ἡγέομαι (hegéomai). Essa palavra também significa “pensar em” (G.D.), ‘julgar’, ‘ter por’, ‘prezar’ (Taylor). Observe a diferença entre verter a frase por “não uma usurpação julgou” e vertê-la por “não uma usurpação prezou”. Ainda poderíamos vertê-la por “não pensou em uma usurpação”, quer dizer, nem passou pela mente de Cristo a usurpação de “ser igual a Deus”.

Outro fator a se considerar é que, na expressão οὐχ ἁρπαγμὸν ἡγήσατο (oukh harpagmòn hegésato), literalmente “não uma usurpação considerou”, notamos a ausência do advérbio ώς (hos), que atua como uma partícula comparativa, significando “como”, “igual a”, e que seria determinativo no texto em questão. (Veja o uso desse advérbio em Filipenses 2:15 e em João 1:32) Teríamos então a frase “não como uma usurpação considerou o ser igual a Deus” (οὐχ ώς ἁρπαγμὸν ἡγήσατο τὸ εἶναι ἴσα θεῷ; oukh hos harpagmòn hegésato tò eînai ísa theõi) Contudo, a ausência do advérbio hos também deixa margem para as duas traduções.

Portanto, assim como em outros casos, a tradução correta tem de ser determinada pelo contexto da Bíblia como um todo. Então, que ideia concorda com o contexto? O contexto dos versículos circundantes (3-5, 7, 8) esclarece como o versículo 6 deve ser entendido.

O versículo 3 destaca a “humildade mental” e apresenta como prova de tal humildade duas coisas: ‘Considerar os outros superiores’ e ‘visar, em interesse pessoal, também os assuntos dos outros’.  A seguir, o versículo 5 introduz a pessoa de Cristo como sendo notável exemplo dessa atitude, dizendo: “Mantende em vós esta atitude mental que houve também em Cristo Jesus”. O texto aconselha os cristãos a imitar a Cristo no assunto considerado aqui.

Agora, poderiam os cristãos ser instados a não considerar o “ser igual a Deus” como “uma usurpação”, mas como um direito que lhes cabe? Não, isso seria exatamente o contrário do argumento que estava sendo apresentado! Mas os cristãos podem imitar aquele que “não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus”.  Aliás, quem disse que alguém poderia ser ‘igual a Deus’ foi Satanás. – Gênesis 3:5.

Além do mais, se Jesus não considerasse como uma usurpação ser igual a Deus, os dois versículos seguintes não fariam sentido. Estes dizem: “Não, mas ele se esvaziou e assumiu a forma de escravo, vindo a ser na semelhança dos homens. Mais do que isso, quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura.” (Filipenses 2:7, 8) Se Cristo não achasse errado ser igual a Deus, ele teria aceitado tal condição, ao invés de humilhar-se. Mas o que o texto está apresentando é uma antítese, um contraste: Jesus, devido à sua humildade mental, rejeitou qualquer aspiração a ser igual a Deus, considerando isso uma usurpação, mas, ao contrário, ‘humilhou-se até à morte’.

Em vista de tais argumentados biblicamente documentados, alguns tradutores, percebendo que a versão “achou não ser roubo ser igual a Deus” (católica Douay) e “não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (ALA) soam desconcertantes, por não se harmonizarem com o contexto, propuseram versões tais como “não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar” (IBB). Eles mudam o sentido da palavra, de ‘usurpar’ ou ‘arrebatar violentamente’, para “aferrar-se”. Com base em tais traduções, alguns afirmam que o texto bíblico significa que Jesus já tinha igualdade, mas não desejava retê-la, ou ‘aferrar-se’ a ela.

A palavra grega que tem sido alvo desse debate é a palavra harpagmós, que só ocorre em Filipenses 2:6, e que está relacionada ao verbo ‘arpazw (harpázo). Assim, para entendermos o pleno sentido desse aspecto do texto grego, precisamos examinar de perto o verbo ἁρπάζω (harpázo). Esse verbo significa “roubar, carregar, apanhar, arrebatar” (G.D.), e também ‘tomar à força’, ‘tirar’. (Taylor) Observe os exemplos abaixo do uso do verbo harpázo.

Mateus 13:19: “Vem o iníquo e arrebata.” (ἁρπάζει; harpázei).

João 10:12: “O lobo as [ovelhas] arrebata.” (ἁρπάζει; harpázei).

João 10:28: “Ninguém as arrebatará.” (ἁρπάσει; harpásei).

Atos 27:15: “O barco foi apanhado com violência.” συναρπασθέντος; synarpasthéntos). Essa é uma declinação de συναρπάζω (synarpázo), que significa “pegar violentamente, agarrar, arrebatar”. (G.D.) Ocorre também em Lucas 8:29; Atos 6:12; 19:29. Esses textos falam de um homem ser ‘mantido agarrado (συνηρπάκει; synerpákei) por um demônio, de um punhado de judeus ‘tomarem Estêvão à força’ (συνήρπασαν; synérpasan), e de os cristãos ‘Gaio e Aristarco, macedônios, companheiros de viagem de Paulo, ‘terem sido arrastados (συναρπάσαντες ; synarpásantes) pelo povo idólatra de Éfeso.

De modo similar, o substantivo relacionado  ἅrpax  (hárpax) tem o sentido de “ladrão, estelionatário” (G.D.) e “roubador” (Taylor). Seu plural (ἅρπαγες; hárpages) tem sido traduzido por “vorazes” e “extorsores”. (Mateus 7:15; Lucas 18:11; 1 Coríntios 5:10; 6:10) Mesmo os textos em que o ato de ‘arrebatar’ tem um aspecto positivo, ainda assim descrevem uma ação brusca, impetuosa, que envolve esforço vigoroso. – Mateus 12:29; Judas 23; Atos 8:39; 2 Coríntios 12:2, 4; Apocalipse 12:5; Mateus 11:12.

Em vista do claro sentido de harpázo, Ralph Martin, em The Epistle of Paul to the Philippians  (A Epístola de Paulo aos Filipenses), diz a respeito do grego original: “É questionável, porém, se o sentido do verbo [harpázo] pode desviar de seu sentido real de ‘usurpar’, ‘arrebatar violentamente’, para o de ‘reter com firmeza’.” The Expositor’s Greek Testament (Testamento Grego do Expositor) diz também: “Não encontramos passagem alguma em que αρπάζω [har--zo] ou qualquer palavra derivada dela [incluindo har·pag·món], tenha o sentido de ‘ter posse’, ‘reter’. Parece invariavelmente significar ‘usurpar’, ‘arrebatar violentamente’. Assim, não é permissível desviar o verdadeiro sentido de ‘apossar-se de’ para o sentido totalmente diferente de ‘reter’ [ou ‘apegar-se’].” — (Grand Rapids, Mich., EUA; 1967), editado por W. Robertson Nicoll, Vol. III, pp. 436, 437.[1]

Do acima fica evidente que os tradutores de algumas versões violam as regras para apoiar objetivos trinitaristas.

Ademais, a tradução trinitarista que defende que Cristo não considerou ser uma usurpação “ser igual a Deus” choca-se frontalmente com Filipenses 2:9. Pois, se Cristo é igual a Deus, como então Deus poderia enaltecer Jesus a uma posição superior, sendo que não há posição superior a de Deus? Ele só poderia ter recebido uma “posição superior” a que ele tinha na sua existência pré-humana se ele não fosse “igual a Deus”.

Também, o texto não diz respeito a uma posição superior em relação à sua situação terrestre, pois não seria nenhum prêmio ele voltar a ter a mesma posição que detinha no céu antes de vir à Terra e sacrificar-se. O argumento apresentado por Paulo é o de que a humildade resulta em glória, em bênçãos, evidentemente superiores à que a pessoa já tinha, senão não seria nenhum prêmio. (Veja Provérbios 15:33; 22:4) Ademais, o Deus Todo-Poderoso, Jeová, sempre teve poder supremo. Sua posição nunca mudou. Isso é mais uma confirmação de que Cristo não é “igual a Deus”.

Seguem abaixo traduções que se esforçam em conservar o verdadeiro sentido do texto grego, de que Jesus não deu lugar à usurpação de ser igual a Deus. [2]

1869: “o qual, sendo em forma de Deus, não achou que ter igualdade com Deus fosse algo de que devesse apossar-se.” – The New Testament, de G. R. Noyes.

1965: “Ele — realmente de natureza divina! — nunca se fez, com auto-confiança, igual a Deus.” Das Neue Testament, edição revisada, de Friedrich Pfäfflin.

1968: “o qual, embora sendo em forma de Deus, não achou que ser igual a Deus fosse algo do que gananciosamente se apoderar.” La Bibbia Concordata.

1970: “Ele não julgou que a igualdade com Deus fosse algo de que se devia apoderar.” Nova Bíblia Americana, edição católica inglesa.

1973: “Ele sempre teve a mesma natureza de Deus, mas não tentou ser, pela força, igual a Deus.” A Bíblia na Linguagem de Hoje.

1985: “O qual, sendo em forma de Deus, não achou que a igualdade com Deus fosse algo do que se apossar.” The New Jerusalem Bible.

1986: “o qual, embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus.” Tradução do Novo Mundo.

Também transmitem a mesma ideia The New English Bible, de1970 (NEB), a Revised Standard Version (RSV), segunda edição, de1971, e Good News Bible  Today’s English Version, de 1976 (TEV).


Referências:

ALA – Tradução Almeida Revista e Atualizada no Brasil.

B – Ms. Vaticano 1209, gr., quarto séc. EC, Cidade do Vaticano, Roma, E.H., E.G.

Brochura Deve-se Crer na Trindade? (1989, p. 25), publicada pelas Testemunhas de Jeová.

ED – The Emphatic Diaglott (interlinear grego-inglês), de Benjamin Wilson, Nova Iorque, 1864, reimpressão pela Watch Tower Bible and Tract Society, Brooklyn, 1942.

G.D. – Léxico do Novo Testamento Grego/Português, de Gingrich e Danker, Edições Vida Nova, 1993.

IBB – Tradução Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.

Taylor – Dicionário do Novo Testamento Grego, de William Carey Taylor, 9.ª ed., Rio de Janeiro, JUERP, 1991.

WH –The New Testament in the Original Greek, de Westcott e Hort, ed. de 1948 (reimpresso em The Kingdom Interlinear Translation of the Greek Scriptures (A Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregas, 1969, publicada pelas Testemunhas de Jeová). 


Notas:

[1] Apud brochura Deve-se Crer na Trindade? (1989, p. 25),  publicada pelas Testemunhas de Jeová.
[2] Apud id.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Seria mesmo “impossível” que Jesus tenha sido executado em uma estaca reta sem vigas transversais?

 Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/biblia-ensina/o-resgate-jesus-sacrificio/


Matéria extraída do blog “Tradução do Novo Mundo Defendida!”, postada por Queruvim.


Alguns têm argumentado que Jesus não poderia ter sido executado em uma estaca reta sem vigas transversais.
     
A contestação de alguns se baseia num artigo da REVISÃO BÍBLICA de Abril de 1989, debaixo de dois subtítulos: a Vítima “Morre por Sufocamento”, e Cravos nas Mãos “Segurariam o Peso do Corpo?”.

Comentando essa pesquisa, certos críticos concluem:

O autor desacredita a teoria prévia da crucificação como formulada por A. A. LeBec em 1925 e cuja publicidade foi difundida pelo Dr. Pierre Barbet em 1953, que (1) Jesus morreu por sufocamento devido a ser incapaz de se levantar para respirar, e (2) os cravos em suas mãos estavam de fato nos pulsos (assumindo que as palmas das mãos não poderiam segurar o peso do corpo). Agora parece que a evidência não apoia a teoria de Barbet.
     
Os críticos prosseguem:

(1) Jesus não morreu por sufocamento, mas por choque e trauma. Adicionalmente, um homem empalado com braços estirados diretamente em cima de sua cabeça (como a Torre de Vigia descreve) sufocaria em minutos, considerando que um homem com mãos estendidas de lado a um ângulo de 60-70 graus (como em uma cruz) poderia viver por horas sem sufocar.

(2) Há dois locais na PALMA de cada MÃO que permitem que um prego penetre e segure o peso do corpo inteiro até cem libras, tornando a “teoria do pulso” desnecessária para explicar como os braços de Cristo foram presos à cruz. Anos atrás, LeBec e Barbet tinham concluído que uma pessoa pendurada com os braços para cima sufocaria em questão de minutos, devido à inabilidade dos pulmões de se expandir e contrair em tal posição. Adicionalmente, o radiologista austríaco, Hermann Moedder, fez experiências com estudantes médicos nos anos 40, pendurado-os pelos pulsos com as mãos diretamente sobre suas cabeças (parecido com os quadros da Torre de Vigia com Jesus em uma estaca). Em alguns minutos, os estudantes ficaram pálidos, a capacidade pulmonar deles caiu de 5.2 a 1.5 litros, a pressão sanguínea diminuiu e a taxa de pulso aumentou. Moedder concluiu que a inabilidade para respirar aconteceria em aproximadamente seis minutos se não lhes permitissem ficar de pé e descansar.

O mesmo se aplicaria a Cristo: se ele estivesse suspenso em uma estaca como a Torre de Vigia descreve, pendurado com as mãos suspensas diretamente para cima, teria sufocado em questão de minutos.

Porém, Zugibe descobriu que, se os estudantes fossem pendurados através das mãos estendidas para o lado a 60-70 graus, eles não teriam nenhuma dificuldade de respiração por horas a fio. Uma vez que Lucas 23:44 e Mateus 27:45, 46 mostram que Cristo esteve na cruz durante aproximadamente três horas, a evidência aponta novamente para morte em uma cruz tradicional.

Nesta consideração, observaremos que a declaração  “um homem empalado com braços estirados diretamente em cima de sua cabeça (como a Torre de Vigia descreve) sufocaria em minutos” é enganosa!

A pesquisa não focava na maneira em que a “Torre de Vigia descreve”, visto que, como poderá ver nesta matéria logo abaixo, uma representação semelhante às produzidas pelas Testemunhas de Jeová inclui um apoio para os pés de Cristo, algo que está ausente na teoria proposta e defendida por Zugibe. Antes de chegarmos nesse ponto, vamos fazer algumas considerações adicionais.

Gunnar Samuellson, pastor evangélico, teólogo e erudito da Universidade de Gothenburg, escreveu uma tese de 400 páginas depois de nove anos de pesquisa, sendo que três anos e meio de sua pesquisa na Universidade foram voltados especificamente para o assunto do instrumento da execução de Cristo, na qual verificou (lendo 12 horas por dia, seis dias por semana e usando metodologia acadêmica) que a literatura em grego antigo – o grego koiné –, bem como a literatura hebraica e em latim, não apresentam a cruz moderna como símbolo comum de suplício, nem mesmo nos dias da Roma antiga. (Para uma consideração a respeito desse erudito, clique aqui.)

Quando perguntado sobre o resultado de sua pesquisa, esse erudito ponderou:

Devemos  ler  o  texto  como  ele  é,  não  como  nós pensamos que é.  Devemos  ler  nas  linhas,  e  não entre  as  linhas.  O  texto   da   Bíblia   é  suficiente. Não  precisamos    acrescentar  nada.

Será que o teólogo e erudito Gunnar Sammuelsson é Testemunha de Jeová?

“Se você busca por textos antigos que mencionam especificamente o ato da crucificação [tal como a entendemos hoje]”, diz Gunnar Samuellson, “você vai acabar com exemplos de apenas dois ou três”. Segundo Gunnar Samuellson, a palavra staurós é usada na literatura antiga ao mencionar o que humanos faziam ao colocar frutas ou carcaças de animais pendurados em uma “staurós” para secarem. Seria tolice imaginarmos que eram “cruzes”. Antes, eram obviamente “estacas”.

Fica claro que uma pesquisa objetiva baseada na Palavra de Deus e na literatura greco-romana focada quanto ao uso das palavras nos idiomas originais da Bíblia não revela a cruz moderna como sendo o instrumento de execução no qual nosso Salvador foi pendurado. Os pesquisadores que se debruçaram no assunto durante anos e são comumente citados pelas Testemunhas de Jeová usaram método científico e pesquisa responsável e não emoção ou tradição para afirmarem isso. Nem mesmo basearam suas pesquisas em conjecturas formuladas milênios depois da morte de Cristo. As declarações acima, que expressam uma crítica infundada da visão de eruditos dedicados e das Testemunhas de Jeová, ancoram-se em meras conjecturas que questionam evidências baseadas em pesquisa objetiva e em método acadêmico.

Em 1 Coríntios 4:6, Paulo, sob inspiração, nos alerta sobre o perigo de ir ‘além daquilo que está escrito’. As Testemunhas de Jeová evitam afirmar que Cristo foi pendurado em uma cruz de duas vigas, uma vez que não há evidência alguma disso nas Escrituras Sagradas. O ônus da prova de que o “staurós” usado era um instrumento cruciforme recai sobre os críticos das Testemunhas de Jeová, como se dá no caso do autor do artigo “Com quantos paus se faz um stauros”. (Veja uma resposta ao artigo crítico do entendimento das Testemunhas de Jeová a respeito da cruz.)

O médico legista americano Frederick Zugibe, um dos mais conceituados peritos criminais em todo o mundo e professor da Universidade de Colúmbia, dissecou a morte de Jesus com a objetividade científica da medicina. Zugibe, 76 anos, juntou ciência e fé e atravessou meio século de sua vida debruçado sobre a questão da verdadeira causa mortis de Jesus. Segundo ele, Jesus morreu de parada cardiorrespiratória decorrente de hemorragia e perda de fluidos corpóreos (choque hipovolêmico), combinado com choque traumático decorrente dos castigos físicos a ele infligidos.

O começo da pesquisa de Zugibe é o Jardim das Oliveiras, quando Jesus se dá conta do sofrimento que se avizinha: condenação, açoitamento e, por fim, quando foi então pendurado no “staurós”. Relatos bíblicos revelam que, nesse momento, “o seu suor se transformou em gotas de sangue que caíram ao chão”. (Lucas 22:44) A descrição (feita pelo apóstolo Lucas, que era médico) está em harmonia, segundo Zugibe, com o fenômeno da hematidrose, raro na literatura médica, mas que pode ocorrer em indivíduos que estão sob forte estresse mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se ao suor, que é então expelido pelo corpo.

Após a condenação, Jesus é violentamente açoitado por soldados romanos por ordem de Pôncio Pilatos, o Governador da Judeia. Para descrever com precisão os ferimentos causados pelo açoite, Zugibe pesquisou os tipos de chicotes que eram usados no flagelo dos condenados. O instrumento mais terrível para o açoitamento era conhecido como o flagellum. Consistia num cabo em que se fixavam diversas cordas ou tiras de couro. Essas tiras tinham presas nelas pedaços dentados de osso ou de metal, para tornar os golpes mais dolorosos e eficazes. A conclusão, segundo alguns, é que Jesus Cristo recebeu 39 chibatadas (o previsto na chamada “Lei Mosaica”), o que equivale na prática a 117 golpes. As consequências médicas de uma surra tão violenta são hemorragias, acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões e possível laceração no baço e no fígado. A vítima também sofre tremores e desmaios. “A vítima era reduzida a uma massa de carne, exaurida e destroçada, ansiando por água”, diz o legista.

Teorias médicas a respeito da causa da morte de Cristo

Causa da morte
Especialização do Autor
Referência
Ruptura Cardíaca
Médico
Stroud 1847 (Ref. 2)
Falha Cardíaca
Médico
Davis 1965 (Ref. 15)
Choque Hipovolêmico
Patologista forense
Zugibe 2005 (Ref. 12)
Síncope[1]
Cirurgião
LeBec 1925 (Ref. 16)
Acidose[2]
Medico
Wijffels 2000 (Ref. 17)
Asfixia
Cirurgião
Barbet 1963 (Ref 18)
Arritmia e asfixia
Patologista
Edwards 1986 (Ref 19)
Embolismo[3]pulmonar
Hematologista
Brenner 2005 (Ref 20)
Desistência voluntária de viver
Médico
Wilkinson 1972 (Ref 21)
Não morreu realmente
Médico
Lloyd-Davies 1991 (Ref 22)

Poderá encontrar outras teorias propostas recentemente por Truman Davis, pelo cirurgião ortopédico Keith Maxwell ou ainda pelo fisiologista Brian Church, entre outros. Quando um grande número de teorias são propostas para dar explicações em qualquer disciplina científica, isso frequentemente demonstra que não há evidência clara que possa indicar a resposta. Tanto historiadores arqueólogos e médicos participaram nas principais pesquisas, cujo objetivo era obter respostas a respeito da causa mortis de Cristo.

Bases equivocadas sobre as quais Zugibe edificou sua pesquisa

As pesquisas do médico legista Frederick Zugibe levaram a conclusões que não foram baseadas em quaisquer evidências positivas para a teoria do choque hipovolêmico (que não foi testada), mas antes na evidência negativa para a teoria da asfixia. Sem falar que parte da conclusão desse legista baseou-se numa análise que levou em conta o Sudário de Turim, considerado fraude por muitos. A datação por radiocarbono feita por três diferentes laboratórios revelam que esse sudário é na realidade uma fraude da Idade Média, datado como sendo de 1260 a 1390 E.C.

Temos que considerar também que as contestações de Zugibe contra a teoria proposta pelo cirurgião francês Pierre Barbet basearam-se em enforcamentos feitos pelo exército austro-germânico e pelos nazistas no campo de extermínio de Dachau. Nesses casos os prisioneiros eram suspensos com os braços diretamente acima da cabeça e as pernas ficavam soltas no ar. Zugibe contrasta estas suspensões com as que ele defende, onde o indivíduo pendurado tem os pés presos à cruz. Zugibe não faz uma avaliação que leva em consideração um individuo pendurado com seus braços acima de sua cabeça e com uma sustentação abaixo de seus pés.

O radiologista austríaco Ulrich Moedder também contesta o raciocínio de Barbet afirmando que esses voluntários não suportariam mais de seis minutos naquela posição sem descansar. Mas este é o ponto: Sem descansar! Alguém por acaso apresentou alguma evidência de que abaixo dos pés de Cristo não havia nenhuma sustentação? As Testemunhas de Jeová jamais propuseram isso, mas o contrário, como pode ver na figura abaixo.


FONTE: Livro "Aprenda do Grande Instrutor" (ed. 2010, p.188), publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Temos que ressaltar que a pesquisa de Zugibe não foi uma refutação à “Torre de Vigia”, e evidentemente descartou a possibilidade mais evidente, conforme apresentada nas Escrituras Sagradas, a saber, que Jesus foi pendurado em um madeiro ou poste, e não em um objeto cruciforme. Baseou sua pesquisa a partir de tal pressuposto, não em sintonia, mas em discordância com o que a Bíblia realmente diz.

Das mais de 10 teorias proposta para a causa da morte de Jesus Cristo, realizadas por pessoas muito experientes em campos tais como patologia forense, medicina ou cirurgia, embora aparentemente plausíveis, revelam, porém, depois de um exame mais detalhado, que estas não podem ser sustentadas devido à ausência de informação nos poucos dados disponíveis.

E mesmo depois de consultas referentes ao período romano feitas na British Library, juntamente com a única descoberta arqueológica com um suposto modelo de crucificação (Giv’at ha-Mivtar), estudados durante uma visita a Jerusalém, temos um meandro de conjecturas que dispensam qualquer afirmação dogmática a respeito da real causa mortis. Em Israel, até mesmo um osteoarqueólogo foi consultado no caso dos restos mortais achados em 1968 do calcanhar de Yehohanan ben Hagakol.

As propostas de uma resposta a respeito da causa mortis de Jesus a partir de uma visão arqueológica são limitadas demais para se chegar a uma opinião inquestionável – o que desbanca o dogmatismo de muitos críticos contra as Testemunhas de Jeová. Preferimos ficar com a afirmação simples de que Cristo morreu em uma estaca, pois é isso o que a Bíblia diz de modo inquestionável em sua simplicidade. Até porque vários fatores envolvidos na causa de sua morte não são claramente detalhados nem pela Bíblia, nem pela história ou sequer pela arqueologia.


Notas:
[1] Medicina: Perda repentina da consciência com suspensão aparente das funções vitais de respiração e circulação. – Michaelis.
[2] Med Estado de alcalinidade diminuída do sangue e dos tecidos, caracterizado por hálito doce e doentio, dor de cabeça, náusea, vômitos e distúrbios visuais; geralmente causado por excesso de produção de ácidos. – Michaelis.
[3] Med Formação de embolias [Obliteração repentina de uma artéria ou veia por um êmbolo (partícula estranha)]; estado das artérias em consequência dessa formação. – Michaelis. 



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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