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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nota aos leitores deste blog


Prezados leitores e leitoras deste blog:

     É uma imensa satisfação poder compartilhar com vocês artigos bíblicos, resultado de acurada e ponderada pesquisa, e de saber que tais matérias estão sendo muito úteis para o seu estudo pessoal bem como para ministrar a outros.

     Tenho recebido muitas perguntas e comentários sobre os diversos temas abordados neste blog, e é um prazer poder tecer comentários elucidativos a respeito.

      Contudo, algumas perguntas dizem respeito a pessoas ou a sites ou a blogs específicos. Quando for esse o caso, solicito que enviem as perguntas para o meu e-mail, e não como postagem para o blog. Dessa forma, o nome de pessoas ou o endereço de determinados sites ou blogs não serão divulgados. Não é de meu interesse fazer publicidade de fontes antibíblicas ou dos nomes de declarados opositores da fé cristã.

     Certo de sua compreensão, envio-lhes as mais cordiais saudações cristãs.

O apologista da verdade.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Os “Dez Mandamentos” com seu sábado semanal devem ser guardados pelos cristãos? – Parte 2

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/ensinos-biblicos/perguntas/escritos-de-moises/


Lei “moral” e lei “cerimonial”?

Os que propõem a obrigatoriedade do Decálogo para os cristãos separam a Lei dada a Israel em duas partes: “Lei moral” (que qualificam como sendo os chamados “Dez mandamentos”) e “Lei cerimonial” (que para eles são as demais leis). Segundo eles, estas últimas é que tiveram fim, ao passo que o Decálogo, segundo eles, continua obrigatório para os servos de Deus no arranjo cristão.

De fato, se fôssemos fracionar a Lei em tomos à base dos tópicos abrangidos por ela, poderíamos dividi-la em parte administrativa (que dizia respeito ao governo teocrático), em parte religiosa (quanto às obrigações do adorador), em parte sacerdotal (que define os deveres dos sacerdotes), em parte civil (que determina os tratos dos cidadãos israelitas e prosélitos gentios entre si), em parte judicial (que descreve o sistema jurídico e a atuação dos juízes), em parte social (que diz respeito a casamento, relações familiares e comerciais), em parte militar, e em parte dietética e sanitária.[1]

Contudo, essa politomia não permitiria afirmar biblicamente que uma ou mais dessas partes permanece para os cristãos ao passo as demais foram abolidas. O Fundador do cristianismo, o Senhor Jesus Cristo, mostrou que a Lei era um conjunto coeso, indissolúvel e unificado (conforme deduzido à base de Marcos 10:19, comentado no primeiro artigo desta série). Ademais, em seu famoso Sermão do Monte, ele citou leis do Decálogo e das demais leis sem fazer qualquer separação entre elas. Observe isso nos versículos abaixo:

Mateus 5:21: “Ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves assassinar; mas quem cometer um assassínio terá de prestar contas ao tribunal de justiça.’”

Nesse versículo Jesus citou juntos o 5.º mandamento do Decálogo e aspectos da lei judicial. – Levítico 24:17; Deuteronômio 17:9.

Mateus 5:23, 24: “Se tu, pois, trouxeres a tua dádiva ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua dádiva ali na frente do altar e vai; faze primeiro as pazes com o teu irmão, e então, tendo voltado, oferece a tua dádiva.”

Aqui ele citou da lei religiosa (relativa à oferta de sacrifícios) e da lei civil. – Deuteronômio 16:16; Levítico 19:17.

 Mateus 5:27, 31: “Ouvistes que se disse: ‘Não deves cometer adultério.’ Outrossim, foi dito: ‘Quem se divorciar de sua esposa, dê-lhe certificado de divórcio.’”

 Note que Jesus prosseguiu citando tanto do Decálogo como de outras leis, como essa que regia os tratos conjugais. – Êxodo 20:14; Deuteronômio 24:1.

Mateus 5:33: “Novamente, ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves jurar sem cumprir, mas tens de pagar os teus votos a Jeová.’”

Nesse versículo, o Filho de Deus citou das leis religiosas, que diziam respeito à obrigação dos membros da nação de Israel para com o seu Deus, Jeová. – Levítico 19:12; Números 30:2; Deuteronômio 23:21.

Mateus 5:38, 43a: “Ouvistes que se disse: ‘Olho por olho e dente por dente.’ Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo.’”

Os versos acima citam das leis judiciais e das leis que regiam os tratos entre si dos membros da nação. Êxodo 21:24; Levítico 24:20; Deuteronômio 19:21; Levítico 19:18.

Observe que em parte alguma Jesus declarou ou mesmo deixou transparecer que a Lei de Deus dada por meio de Moisés à nação de Israel fosse dividida em parte “moral” e parte “cerimonial”, muito menos que a chamada “lei cerimonial” iria findar ao passo que a chamada “lei moral” não. A soma de todas elas constituía um conjunto indiviso da legislação que o Criador deu à nação de Israel. Em razão disso, lemos no Salmo 78:5: “E ele passou a suscitar uma advertência em Jacó e pôs UMA LEI em Israel.” Sabemos que o código da Lei era constituído por mais de 600 leis individuais. No entanto, como se tratava de um conjunto unificado de leis quanto à origem divina e, consequentemente, quanto à importância, o salmo adrede citado menciona esse código legislativo, ou constituição nacional, como sendo “UMA lei”.

Assim, a divisão da Lei em duas, visando favorecer a continuidade de uma dessas partes, não tem base bíblica.

Separação entre “Lei de Deus” e “Lei de Moisés”?

Os defensores da guarda do Decálogo pelos cristãos propõem essa separação, afirmando que somente o Decálogo é “lei do Senhor”, ao passo que a chamada “lei cerimonial” contendo “ordenanças”, “estatutos” e “juízos” são a “lei de Moisés”. Mas, será que as Escrituras sustentam tal separação entre o conjunto de leis dado a Israel?

Esdras 7:10, ACRF: “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do SENHOR e para cumpri-la e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.”

Observe que a “lei do SENHOR [Jeová]” não incluía apenas o Decálogo, mas também “estatutos” e “juízos” – ou seja, todo o conjunto de leis dado a Israel era, de fato, “a lei do SENHOR”.

Salmos 119:1-8, IBB: “Bem-aventurados os que trilham com integridade o seu caminho, os que andam na lei do Senhor! Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos, que o buscam de todo o coração, que não praticam iniquidade, mas andam nos caminhos dele! Tu ordenaste os teus preceitos [“mandamentos”, Al], para que fossem diligentemente observados. Oxalá sejam os meus caminhos dirigidos de maneira que eu observe os teus estatutos! Então não ficarei confundido, atentando para todos os teus mandamentos. Louvar-te-ei com retidão de coração, quando tiver aprendido as tuas retas ordenanças. Observarei os teus estatutos; não me desampares totalmente!”

Como torna clara a parte transcrita do salmo bíblico acima, a “lei do Senhor” continha “testemunhos”, “estatutos”, “mandamentos” e “ordenanças” – enfim, consistia na INTEIRA Lei dada a Israel.

1 Crônicas 16:40, ACRF: “Para oferecerem holocaustos [sacrifícios] ao SENHOR continuamente, pela manhã e à tarde, sobre o altar dos holocaustos; e isto segundo tudo o que está escrito na lei do SENHOR que tinha prescrito a Israel.”

2 Crônicas 31:3, ALA: “A contribuição que fazia o rei da sua própria fazenda [“propriedades”, CNBB] era destinada para os holocaustos, para os da manhã e os da tarde e para os holocaustos dos sábados, das Festas da Lua Nova e das festas fixas, como está escrito na Lei do SENHOR.”

Assim, a chamada “lei cerimonial”, que continha os sacrifícios, era também “Lei do SENHOR”.

Neemias 10:29, ACRF: “Firmemente aderiram a seus irmãos os mais nobres dentre eles, e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do SENHOR nosso Senhor, e os seus juízos e os seus estatutos.”

Note que a “lei de Deus” incluía “mandamentos”, “juízos” e “estatutos”, não apenas o Decálogo. Assim, a inteira Lei dada a Israel é, de fato, “lei de Deus”. Ela foi também chamada de “lei de Moisés” por ter sido dada mediante Moisés, como explica o texto acima.

Mateus 15:4a: “Deus disse: Honra teu pai e tua mãe.” (Quinto mandamento.) – Bíblia Ave Maria; veja também BJ, CNBB, BP.

Marcos 7:10a: “Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe.” – ALA.

Não vamos entender dos dois versículos acima que o Decálogo seja tanto de Deus quanto de Moisés, muito menos que os dois (Deus e Moisés) sejam a mesma pessoa, ou o mesmo ser, conforme daria a entender o raciocínio trinitarista, pela conclusão a que costumam chegar quando um termo é usado para dois seres distintos. Na realidade, o que ocorreu é que a inteira Lei dada a Israel, a qual incluía o Decálogo, foi dada por Deus mediante Moisés. João 1:17a confirma essa conclusão: “Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés.”

Lucas 2:22-24, Al: “E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés [Levítico 12:2], o levaram [i.e. Jesus] a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor (segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo macho primogênito será consagrado ao Senhor [Êxodo 13:2]) e para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos [Levítico 12:8].”

Observe que as leis referentes à purificação e à oferta ligada a ela foram mencionadas tanto como “lei de Moisés” como também “lei do Senhor”. Foram chamadas de “lei do Senhor” devido à sua origem, ou procedência, e de “lei de Moisés”, tendo em vista quem as transmitiu à nação de Israel.

Assim, o exame honesto das Escrituras mostra claramente que a separação entre “lei de Deus” e “lei de Moisés” não tem respaldo bíblico. A inteira Lei dada a Israel era de Jeová Deus, dada através de Moisés.

A Lei de Deus dada a Israel era “perpétua”?

Êxodo 31:16, 17a, IBB: “Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações como pacto perpétuo. Entre mim e os filhos de Israel será ele um sinal para sempre.” 

O texto acima é frequentemente usado pelos proponentes da continuidade do Decálogo. Mas, analisando tal texto serenamente, sem ideias preconcebidas, o máximo que tal passagem aparentemente provaria é que o Decálogo permaneceria “para sempre” para os israelitas naturais. Além disso, o fato de a guarda do sábado ter sido mencionada como “sinal” entre Jeová e o Israel natural prova que tal prescrição não foi dada a outros povos. Caso contrário, não seria um “sinal” entre Jeová e os israelitas naturais. – Veja o Salmo 147:19, 20; Amós 3:1, 2.

Mas o ponto em questão, que estabelece a verdade sobre a questão da continuidade do Decálogo com seu sábado semanal, reside na correta tradução do termo hebraico que foi erroneamente vertido por ‘perpétuo’ e “para sempre” nessa passagem. A palavra hebraica em questão é ‛oh·lám, que significa literalmente ‘um período indefinido’, razão pela qual é traduzida na NM por “tempo indefinido”.

A mesma palavra hebraica é usada para coisas que não tiveram continuidade. Veja os exemplos abaixo:

Circuncisão
    
“Estabelecerei o meu pacto contigo [Abraão] e com a tua descendência depois de ti em suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti.  Este é o meu pacto, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: todo varão dentre vós será circuncidado. Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto entre mim e vós. … Assim estará o meu pacto na vossa carne como pacto perpétuo – Gênesis 17:7, 10, 11, 13b, IBB.

Páscoa judaica

“Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. Naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão. Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do SENHOR. Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. Guardai, pois, isto por estatuto para vós outros e para vossos filhos, para sempre.” – Êxodo 12:3, 6, 8, 11, 14, 24, ALA.

Festividade dos pães não fermentados
     
“Guardai pois a festa dos pães ázimos, porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da terra do Egito; pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo.”Êxodo 12:17, ACRF.

Sacerdócio arônico

“E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio. Também farás chegar seus filhos, e lhes vestirás as túnicas, e os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio; e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.” – Êxodo 40:13-15, Al; veja também Êxodo 29:9.

Festividade de Pentecostes

“Contareis para vós, desde o dia depois do sábado, isto é, desde o dia em que houverdes trazido o molho da oferta de movimento, sete semanas inteiras; até o dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de cereais ao Senhor. E fareis proclamação nesse mesmo dia, pois tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas habitações pelas vossas gerações.” – Levítico 23:15, 16, 21, IBB.

Dia da Expiação

“Disse mais o SENHOR a Moisés: Mas, aos dez deste mês sétimo, será o Dia da Expiação; tereis santa convocação e afligireis a vossa alma; trareis oferta queimada ao SENHOR. Nesse mesmo dia, nenhuma obra fareis, porque é o Dia da Expiação, para fazer expiação por vós perante o SENHOR, vosso Deus. Porque toda alma que, nesse dia, se não afligir será eliminada do seu povo. Quem, nesse dia, fizer alguma obra, a esse eu destruirei do meio do seu povo. Nenhuma obra fareis; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações, em todas as vossas moradas. Sábado de descanso solene vos será; então, afligireis a vossa alma; aos nove do mês, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado.” – Levítico 23:26-32, ALA.

 Ordenanças

 “A soma da tua palavra é a verdade, e cada uma das tuas justas ordenanças dura para sempre.” – Sal 119:160, IBB.

 Em harmonia com o inteiro contexto bíblico, ao invés de usar palavras como “perpétuo” e “para sempre” nas passagens acima (como o fazem incorretamente várias traduções), a NM verte o termo hebraico ‛oh·lám corretamente por “tempo indefinido”. Do mesmo modo – e de forma coerente –, a NM verte ‛oh·lám em Êxodo 31:16, 17 também por “tempo indefinido”. Assim, essa passagem reza corretamente:

 “E os filhos de Israel têm de guardar o sábado, a fim de celebrar o sábado nas suas gerações. É um pacto por tempo indefinido. É um sinal entre mim e os filhos de Israel por tempo indefinido, porque em seis dias Jeová fez os céus e a terra, e no sétimo dia repousou e passou a tomar fôlego.”[2]

 Os artigos seguintes desta série continuarão a examinar o que a Bíblia tem a dizer sobre a lei do Decálogo com seu sábado semanal.



Siglas das traduções usadas:

ACRF: Tradução de João Ferreira de Almeida Corrigida e Revista Fiel.
Al: Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida.
ALA: Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada no Brasil.
BJ: Bíblia de Jerusalém.
BP: Bíblia Pastoral.
CNBB: Bíblia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
IBB: Tradução de João Ferreira de Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

Notas:
[1] Veja a obra Estudo Perspicaz das Escrituras (vol. 2, tabela nas pp. 678-684), publicada pelas Testemunhas de Jeová.
[2] A palavra ‛oh·lám também pode se referir a algo eterno, se o contexto assim determinar. Mas, no caso do Decálogo, o contexto bíblico é claro em mostrar que não vigora para os cristãos.




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Os “Dez Mandamentos” com seu sábado semanal devem ser guardados pelos cristãos? – Parte 1

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/vida-feliz/por-que-deus-deu-tora/



Ainda subsistem grupos religiosos da cristandade que advogam a guarda dos chamados “Dez Mandamentos”, os quais incluem o sábado semanal. Eles arguem que esse conjunto de leis – também chamado de Decálogo – existe desde a criação do homem. E para tentar consolidar a continuidade dos mesmos dentro do cristianismo, estabeleceram uma série de fórmulas, ou conceitos, separando a Lei dada a Israel em “lei moral” (segundo eles, o Decálogo) e “lei cerimonial” (as demais leis dadas, segundo eles, por Moisés). Veja abaixo alguns aspectos dessa fórmula:

Decálogo
As demais leis
Mandamentos
Ordenanças
Lei moral
Lei cerimonial
Lei de Deus
Lei de Moisés
Perpétuo
Tiveram fim
Escrito pelo “dedo de Deus”
Escritas por Moisés
Escrito em pedras
Escritas num livro
Colocado na arca do pacto
Colocadas fora da Arca
   
Diante disso, pessoas sinceras, tementes a Deus, mas que desconhecem as Escrituras, se perguntam: “Preciso mesmo guardar os ‘Dez Mandamentos’? É um requisito divino para os cristãos?” Assim, em benefício de tais pessoas, bem como de todos os estudantes das Escrituras, esta série de artigos apresenta um estudo que analisa o que a Palavra de Deus realmente diz sobre o assunto em pauta. Ao mesmo tempo, analisará os principais argumentos dos proponentes da guarda do Decálogo com seu sábado semanal à luz das Escrituras. 

 Os defensores da obrigatoriedade do Decálogo para os cristãos costumam associar quase toda menção de “mandamentos” na Bíblia ao Decálogo. Assim, quando leem expressões tais como “os mandamentos de Deus” (Apocalipse 14:12), eles propõem que a referência é ao Decálogo. No entanto, a Bíblia usa a palavra “mandamentos” apenas para as leis do Decálogo?

A expressão “Dez Mandamentos” não ocorre na língua original do “Velho Testamento”

Para muitos, isso é uma grande surpresa, uma vez que ficaram acostumados com essa expressão, que foi, inclusive, popularizada em filmes. A expressão que ocorre no texto hebraico é ‛asé·reth had·deva·rím, que significa literalmente “Dez Palavras”. (Êxodo 34:28, NM) A Septuaginta grega (LXX), nessa passagem, verte por “δεκα λογους” (dé·ka ló·gous), expressão que significa “dez palavras”, combinação que originou a palavra “Decálogo” (Dez Palavras). Essa expressão ocorre apenas no Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). Na exposição do Decálogo, em Êxodo, capítulo 20, e na repetição do mesmo, em Deuteronômio, capitulo 5, ele é chamado apenas de “Palavras” (LXX). (Êxodo 20:1, τοúς λογους, toús logous, LXX; Deuteronômio 5:22, τα ρηματα, tá rémata, LXX) A palavra hebraica para “mandamento” é mits·wáh, e ela não ocorre em nenhuma combinação que forme a expressão “dez mandamentos”. O entendimento desse fato derruba o sofisma colocado por alguns, de que a palavra “mandamento” ou “mandamentos” se refere sempre ao Decálogo, o que não é verdade.[1]

Uso da palavra “mandamentos” na Bíblia

      Leis das ofertas eram mandamentos:

Números 15:17-22IBB: “Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Depois de terdes entrado na terra em que vos hei de introduzir, será que, ao comerdes do pão da terra, oferecereis ao Senhor uma OFERTA alçada. Das primícias da vossa massa oferecereis um bolo em oferta alçada; como a oferta alçada da eira, assim o oferecereis. Das primícias das vossas massas dareis ao Senhor OFERTA alçada durante as vossas gerações. Igualmente, quando vierdes a errar, e não observardes TODOS ESSES MANDAMENTOS, que o Senhor tem falado a Moisés.”

Leis da herança eram mandamentos:

Números 36:7, 9, 13Al: “Assim, HERANÇA dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo; pois os filhos de Israel se chegarão cada um à herança da tribo de seus pais. Assim, a herança não passará de uma tribo a outra; pois as tribos dos filhos de Israel se chegarão cada uma à sua herança. Estes são os MANDAMENTOS e os juízos que mandou o SENHOR pela mão de Moisés aos filhos de Israel nas campinas dos moabitas, junto ao Jordão, de Jericó.”

Lei do divórcio era mandamento:

Marcos 10:1-5ACRF: “E, levantando-se dali, [Jesus] foi para os termos da Judeia, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno dele; e tornou a ensiná-los, como tinha por costume. E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: É lícito ao homem repudiar sua mulher? Mas ele, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moisés? E eles disseram: Moisés permitiu escrever carta de DIVÓRCIO e repudiar. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos deixou ele escrito esse MANDAMENTO.”

A lei do voto e a lei do dízimo eram mandamentos:

Levítico 27:2, 14, 26, 30, 34NVI: "Diga o seguinte aos israelitas: Se alguém fizer um VOTO especial, dedicando pessoas ao Senhor, faça-o conforme o devido valor. Se um homem consagrar a sua casa ao Senhor, o sacerdote avaliará a casa por suas qualidades. A avaliação do sacerdote determinará o valor da casa. Ninguém poderá consagrar a primeira cria de um animal, pois já pertence ao Senhor; seja cria de vaca, seja de cabra, seja de ovelha, pertence ao Senhor. Todos os DÍZIMOS da terra, seja dos cereais, seja das frutas das árvores, pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor. São esses os MANDAMENTOS que o Senhor ordenou a Moisés no monte Sinai para os israelitas.”

Deuteronômio 26:12, 13ALA: “Quando acabares de separar todos os DÍZIMOS da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem. Dirás perante o SENHOR, teu Deus: Tirei de minha casa o que é consagrado e dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão, e à viúva, segundo todos os teus MANDAMENTOS que me tens ordenado; nada transgredi dos teus mandamentos, nem deles me esqueci.”

Outros mandamentos da chamada “Lei cerimonial”:

Marcos 10:19IBB: “Sabes os MANDAMENTOS: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; A NINGUÉM DEFRAUDARÁS; honra a teu pai e a tua mãe.”

A lei contra defraudar encontra-se em Levítico 19:13, mas também foi chamada de ‘mandamento’ por Jesus Cristo e colocada junto com outros mandamentos do Decálogo. Isso mostra também que Jesus considerava o Decálogo e os demais mandamentos da Lei dada a Israel como sendo um único conjunto de leis, que findaram como um todo, conforme será mostrado nesta série de artigos.

Esdras 9:10-14Al: “Agora, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Pois deixamos os teus MANDAMENTOS, que ordenaste por intermédio dos teus servos, os profetas, dizendo: A terra em que entrais para a possuir é terra imunda pela imundícia dos seus povos, pelas abominações com que, na sua corrupção, a encheram de uma extremidade à outra. Por isso, não dareis as vossas filhas a seus filhos, e suas filhas não tomareis para os vossos filhos, e jamais procurareis a paz e o bem desses povos; para que sejais fortes, e comais o melhor da terra, e a deixeis por herança a vossos filhos, para sempre. Depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras e da nossa grande culpa, e vendo ainda que tu, ó nosso Deus, nos tens castigado menos do que merecem as nossas iniquidades e ainda nos deste este restante que escapou,tornaremos a violar os teus MANDAMENTOS e a aparentar-nos com os povos destas abominações? Não te indignarias tu, assim, contra nós, até de todo nos consumires, até não haver restante nem alguém que escapasse?” Portanto, casar-se com pagãos e buscar ter tratos com eles foram classificados como “mandamentos” de Deus.

Normas cristãs também são chamadas de “mandamentos”

Tito 1:3ACRF: “Mas, a seu tempo, manifestou a sua palavra pela PREGAÇÃO que me foi confiada segundo o MANDAMENTO de Deus, nosso Salvador.”

Assim, a pregação das boas novas constitui um mandamento de Deus, dado por meio de Jesus Cristo. (Mateus 28:19, 20) Observe outros mandamentos cristãos:

 1 João 3:23: “Deveras, este é o seu MANDAMENTOque tenhamos fé no nome do seu Filho Jesus Cristo e que estejamos amando uns aos outros, assim como ele nos deu mandamento.”

 1 João 4:21: “E temos dele este MANDAMENTOque aquele que ama a Deus esteja também amando o seu irmão.”

 1 Coríntios 14:37, IBB: Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.” 

 Na carta de 1 Coríntios, Paulo escreveu sobre manter a união de crenças (1:10), sobre excomungar pecadores impenitentes (5:9-13), sobre casar-se apenas com cristãos fiéis (7:39), contra a fornicação e a idolatria (6:18; 10:14), sobre o respeito ao arranjo da chefia no cristianismo (11:5, 6, 10, 16), e sobre a necessidade de organização nas reuniões cristãs. (14:26, 27, 33, 34) Portanto, ele chamou todas essas diretrizes cristãs de “mandamentos do Senhor”.

Mandamentos também são ordenanças

Marcos 7:7ACRF: “Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são MANDAMENTOS de homens.” 

Mateus 15:9ACRF: “Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são PRECEITOS dos homens.” 

Pela comparação das passagens acima, torna-se claro que “mandamentos” também são “preceitos”. E o que são preceitos?

Colossenses 2:20-22ACRF: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ORDENANÇAS, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens.”

Note que as “ordenanças” foram comparadas a “preceitos”, os quais são também “mandamentos”. Assim, ordenanças e mandamentos são a mesma coisa. De modo que essa fórmula de diferenciação entre “mandamentos” e “ordenanças”, bem como a suposição de que “mandamentos” se referem sempre ao Decálogo, não subsistem a um escrutínio bíblico. Esses conceitos não têm base bíblica.

O próximo artigo dará continuidade ao exame dos conceitos que separam a Lei dada a Israel em duas partes.


Traduções usadas neste artigo:
Al: Versão de João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida.
ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
ALA: Almeida Atualizada no Brasil.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica do Brasil.
NVI: Nova Versão Internacional.


Nota:
[1] Não seria errado as traduções usarem a expressão “Dez Mandamentos”, visto que essa expressão ficou popularizada e identifica o Decálogo. Apenas a expressão não poderia ser usada doutrinalmente para identificar cada uso de “mandamento(s)” como sendo do Decálogo.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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