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sábado, 16 de março de 2013

É correta a expressão ‘fazer um pacto’ em Lucas 22:29?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws201410/um-reino-de-sacerdotes/



Encontramos as palavras de Jesus em Lucas 22:29 vertidas do seguinte modo, segundo a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (NM): “E eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino.”

A palavra grega para “pacto” é διαθήκη (diathéke). Essa palavra não ocorre nessa passagem de Lucas. Assim, alguns criticam a NM com relação a esse texto, afirmando que a comissão de tradução não foi fiel ao texto grego original. Mas, seria mesmo esse o caso?

Veja como ocorre o texto de Lucas 22:29 em grego:

κγ διατίθεμαι μν καθς διέθετό μοι  πατήρ μου βασιλείαν 

kagò    diatíthemai  hymin kathós diéthetó   moi ho patér   mou basileían

As palavras em destaque indicam os verbos gregos que a NM traduz por ‘fazer um pacto’. A primeira palavra sublinhada em Lucas 22:29 é o verbo διατίθεμαι  (diatíthemai), presente do indicativo médio de diatíthemi. Diatíthemai é formado de dois elementos de composição: diá (“através de”) e títhemai, voz média de títhēmi (“colocar”, “arranjar”). Literalmente, a ideia é de “colocar [algo] através de”.

Mas os dicionários do grego bíblico reconhecem que o uso dela no contexto bíblico também lhe confere o sentido de “pactuar”, “estabelecer um pacto” ou “celebrar” um pacto. Veja como as definições dadas pelos léxicos gregos apoiam a NM:

“1) arranjar, dispor de, pôr em ordem os próprios negócios  1a) de algo que pertence a alguém  1b) dispor por meio de um testamento, fazer um testamento 2) fazer uma aliança, fazer um pacto com alguém.” – Concordância de Strong.

“Organizar de acordo com a própria mente, fazer uma disposição, fazer um testamento, estabelecer os termos de um pacto, para ratificar.” – Analytical Greek Lexicon, de Bagster. (1870)

A segunda palavra sublinhada no texto de Lucas 22:29 é diétheto, que é o 2.º aoristo indicativo médio de diatíthemai (primeira palavra em destaque). Diétheto ocorre somente mais uma vez no “Novo Testamento”, e em conexão com a palavra “pacto”:

Atos 3:25: “Vós sois os filhos dos profetas e do pacto [διαθήκης; diathékes] que Deus celebrou [διέθετο; diétheto] com os vossos antepassados, dizendo a Abraão: ‘E em teu descendente serão abençoadas todas as famílias da terra.’”

O verbo diatíthemai no presente do indicativo só ocorre em Lucas 22:29. Contudo, ele ocorre declinado em outros textos (como o já citado Atos 3:25) e sempre ocorre junto e em conexão com a palavra “pacto”:

Hebreus 8:10: “‘Pois, este é o pacto [διαθήκη; diathéke] que celebrarei [διαθήσομαι; diathésomai, futuro indicativo médio de diatíthemai] com a casa de Israel depois daqueles dias’, diz Jeová.” (Veja também He 10:16.)

Em Hebreus 8:10 e 10:16 a Biblos Interlinear traduz diathésomai por “farei um pacto”.[1] Estas são as duas ocorrências de diathésomai no “Novo Testamento”.

Hebreus 9:16: “Pois, onde há um pacto [diathéke] precisa ser provida a morte do pactuante [διαθεμένου; diatheménou, particípio substantivado do 2.º aoristo médio de diatíthemai].”

Hebreus 9:17Porque um pacto [diathéke] é válido baseado em vítimas mortas, visto que nunca está em vigor enquanto o pactuante humano [diathémenos] está vivo.”

Diathémenos (nominativo) é particípio do aoristo médio e também atua na frase como particípio substantivado de diatíthemai.

Assim, embora não ocorra o substantivo diathéke (“pacto”), ocorre o verbo relacionado diatíthemai, que inclui em sua definição a expressão “concluir ou celebrar um pacto”.

As traduções produzidas e usadas pela cristandade em geral usam palavras tais como “confiar” (ALA), “destinar” (Al, ACRF), “conferir” (IBB, SBB), “dar o direito de” (NTLH), e “designar” (NVI). Ainda outras traduzem por “nomear”, “apontar”, “colocar”, “preparar” etc. Contudo, por traduzirem assim, elas deixam de trazer à tona o pleno sentido e uso do verbo grego diatíthemai. Por outro lado, a NM reconhece o uso contextual no texto grego de diatíthemai e a traduz eficazmente por ‘fazer um pacto’.

Nota:



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org







domingo, 3 de março de 2013

Os “Dez Mandamentos” com seu sábado semanal devem ser guardados pelos cristãos? – Parte 5

Fonte da figura: 
http://www.imgrum.net/user/jovenstjs/2180465406 


Evidências de que a guarda do sábado semanal começou após a saída de Israel do Egito

 Êxodo 16:22, 23, ALA: Ao sexto dia, colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; e os principais da congregação vieram e contaram-no a Moisés. Respondeu-lhes ele: Isto é o que disse o SENHOR: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobrar separai, guardando para a manhã seguinte.”

    Acha que seria necessária essa explicação se a guarda do sábado semanal tivesse sido instituída milênios antes, desde a criação de Adão? É evidente que, se a lei da guarda do sábado já existisse, não haveria necessidade de avisar: “Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR.” Além disso, os “principais da congregação” não iriam buscar explicações com Moisés sobre o motivo de terem colhido maná em dobro, pois saberiam que isso se devia a que no dia seguinte não haveria maná por ser um dia de descanso sabático. Mas, como não havia nenhuma lei sobre a guarda do sábado antes dessa época, foram necessárias tais explicações.

Êxodo 16:25-27, ALA:  “Então, disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto o sábado é do SENHOR; hoje, não o achareis no campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele, não haverá. Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam.”

Novamente, a explicação de Moisés e a reação do povo mostram que a lei da guarda do sábado era inteiramente nova para eles.

Êxodo 16:28-30, ALA: “Então, disse o SENHOR a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? Considerai que o SENHOR vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim, descansou o povo no sétimo dia.”

Alguns buscam nessas palavras argumentos para tentar provar que a guarda do sábado já havia sido dada antes. No entanto, esse não é o caso. Antes desse evento, Jeová já lhes havia dado “mandamentos” e “leis”, como mostrado nos artigos anteriores desta série.[1] Quanto à declaração “o SENHOR vos deu o sábado”, isso não indica que tal lei havia sido dada milênios antes, mas sim, como mostra o contexto, havia sido dada no dia anterior. Observe que houve necessidade de muita explicação para o povo entender essa nova lei. Somente após tudo isso é que “descansou o povo no sétimo dia”.

Números 15:32-36, ACRF: “Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação. E o puseram em guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer.

Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial. Então toda a congregação o tirou para fora do arraial, e o apedrejaram, e morreu, como o SENHOR ordenara a Moisés.”

Essa é mais uma passagem que prova que a lei do sábado era algo recente naquele tempo. Havia instrução quanto ao que fazer com o assassino e com o violador da circuncisão, visto serem leis bem antigas já naquela época, mas não havia instrução quanto ao que fazer com o violador do sábado, devido a essa lei ser inteiramente nova naquele tempo. – Gênesis 9:6; 17:14.

Deuteronômio 5:1-3, IBB: “Chamou, pois, Moisés a todo o Israel, e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e preceitos que hoje vos falo aos ouvidos, para que os aprendais e cuideis em os cumprir. O Senhor nosso Deus fez um pacto conosco em Horebe [outro nome do monte Sinai]. Não com nossos pais fez o Senhor esse pacto, mas conosco, sim, com todos nós que hoje estamos aqui vivos.”

De que pacto, ou “concerto” (Al), o texto está falando? Os versículos 5 e 6 mostram que a referência é ao pacto, ou acordo, feito com os israelitas no monte Sinai, e os versículos 7 a 22 mostram que a alusão é ao Decálogo (os chamados “Dez Mandamentos”).  E Deuteronômio 4:13 mostra que a palavra “pacto” nesse contexto siGênesis ifica primária e principalmente o Decálogo, quando afirma: “Então ele vos anunciou o seu pacto, o qual vos ordenou que observásseis, isto é, os dez mandamentos; e os escreveu em duas tábuas de pedra.” – IBB.

Isso prova que os antepassados dos israelitas nunca receberam nenhuma lei para guardar o sábado.

Deuteronômio 5:15: “E tens de lembrar-te de que te tornaste escravo na terra do Egito e que Jeová, teu Deus, passou a fazer-te sair de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que Jeová, teu Deus, te mandou observar o dia de sábado.” Visto que a lei da guarda do sábado foi dada como lembrete comemorativo da saída dos israelitas do Egito, não poderia ter sido dada antes desse evento.

Romanos 5:13, 14a: “Pois, até à Lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é imputado a ninguém quando não há lei. Não obstante, a morte reinou desde Adão até Moisés.”

A expressão “até à Lei” siGênesis ifica “até a chegada da Lei”, mostrando que tal Lei, que incluía o Decálogo, não existiu desde o começo da humanidade, e sim que ela ‘chegou’ num dado momento da história humana. Por quanto tempo ficou sem haver o minucioso código da Lei, que inclui o Decálogo? Paulo explicou: “Desde Adão até Moisés.” Ou seja, por um período de cerca de 2.500 anos, não havia nenhum Decálogo, nenhuma lei para guardar um sábado semanal.

Mesmo assim, “havia pecado no mundo”. Mas como o pecado podia ser determinado, uma vez que não havia ainda o código da Lei dada a Israel? Afinal, 1 João 3:4 declara que “o pecado é aquilo que é contra a lei”. Como mostrado neste estudo, em artigos anteriores desta série, o fato é que, embora não houvesse o conjunto de leis promulgadas a Israel, havia leis para a humanidade desde o princípio dela: leis contra apropriar-se indevidamente de algo que não pertence à pessoa (Gênesis 2:17), da união vitalícia no casamento (Gênesis  2:24), da chefia na família (Gênesis  18:12), da circuncisão (Gênesis 17:11, 12), da responsabilidade familiar (Gênesis 31:30-32), da propriedade comunal (Gênesis  31:14-16), da custódia (Gênesis  37:21, 22, 29, 30), e contra imoralidade sexual, para se mencionar apenas algumas delas. – Gênesis 38:24-26; 34:7.

  Falando de si mesmo como representando a inteira nação israelita, Paulo afirmou: “De fato, eu estava uma vez vivo à parte da lei; mas, ao chegar o mandamento, o pecado passou a viver novamente, mas eu morri.” (Romanos 7:9) Paulo estava se referindo ao décimo mandamento do Decálogo: “Não deves cobiçar.” (Romanos 7:7) Visto que essa norma foi dada no Decálogo junto com as demais nove normas, ele estava falando em especial do Decálogo. Ele mostrou que o povo de Deus “estava uma vez vivo à parte da lei”, quando tal lei ainda não existia. Após isso, ele disse que o mandamento ‘chegou’, isto é, passou a existir. Torna-se, pois, claro que a inteira Lei mosaica, incluindo o Decálogo, não foi dada desde a criação do homem; ela foi dada após a saída de Israel do Egito.

O Decálogo foi dado somente à nação de Israel

Salmo 147:19, 20: “Conta a sua palavra a Jacó, seus regulamentos e suas decisões judiciais a Israel. Ele não fez assim com nenhuma outra nação; e quanto às suas decisões judiciais, não as conheceram. Louvai a Jah!”

Amós 3:1, 2: “Ouvi esta palavra que Jeová falou a vosso respeito, ó filhos de Israel, concernente à família inteira que fiz subir da terra do Egito, dizendo: ‘Somente a vós vos conheci dentre todas as famílias do solo. Por isso ajustarei contas convosco por todos os vossos erros.’”

Assim como Deuteronômio 5:1-3 torna claro que o pacto da Lei, que incluía o Decálogo, não fora feito com os antepassados dos israelitas, os textos acima mostram que a inteira Lei foi dada apenas à nação de Israel.

Mas alguns provavelmente citarão para se opor a esse fato bíblico o texto de Isaías 58:6 e 7, que declara: “E os estrangeiros que se juntaram a Jeová para ministrar-lhe e para amar o nome de Jeová, a fim de se tornarem servos seus, todos os que guardam o sábado para não o profanarem e que se agarram ao meu pacto, eu também vou trazer ao meu santo monte e fazê-los alegrar-se dentro da minha casa de oração. Seus holocaustos e seus sacrifícios serão para aceitação sobre o meu altar. Pois a minha própria casa será chamada mesmo de casa de oração para todos os povos.”

Contudo, essa passagem do livro de Isaías não prova que a Lei havia sido dada a outras nações, o que seria uma contradição ao que diz o Salmo 147:19 e 20. Antes, o texto de Isaías 58:6 e 7 mostra que “estrangeiros” (não israelitas) podiam se converter à adoração de Jeová, tornando-se prosélitos (convertidos à fé judaica). Como exemplos disso, podemos citar Raabe, cananeia de Jericó (Hebreus 11:31; Mateus 1:5a; Tiago 1:25); Rute, a moabita (Rute 1:16; Mateus 1:5b); e Naamã, o sírio. – 2 Reis 5:17.

O próximo artigo continuará dando atenção aos vários subtemas ou ramificações de conceitos envolvidos na pergunta que tematiza essa série de artigos.


Abreviações das traduções usadas:

ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
Al: Versão de João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida.
ALA: Almeida Atualizada no Brasil.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica do Brasil.


Nota:
[1] A palavra “mandamentos” não se aplica somente ao Decálogo, conforme foi mostrado no primeiro artigo desta série de artigos.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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