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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Você é a favor de Jesus Cristo ou dos inimigos dele?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/jesus/ministerio-na-judeia/condena-fariseus-hipocritas/


Nos países nominalmente cristãos, como é o caso do Brasil, tanto a pergunta soaria estranha como também a resposta seria óbvia. Mesmo em grupos religiosos não cristãos, tais como o Budismo, o Judaísmo e o Islamismo, por exemplo, existe um respeito geral pela pessoa de Jesus Cristo.[1] Assim, possivelmente com raríssimas exceções, ninguém advogaria estar a favor dos inimigos de Cristo – dos que o negam ou falam mal dele.

No entanto, embora a resposta ao título deste artigo seja aparentemente previsível, e a pergunta seja aparentemente obsoleta e injustificável, lamentavelmente não é o que acontece de fato, quando se trata de analisar os inimigos CONTEMPORÂNEOS de Cristo. Infelizmente, os conceitos DESSES inimigos ainda se perpetuam em nossos dias – e o pior de tudo – em religiões professamente cristãs! Como assim?!

Observe abaixo dois exemplos de passagens bíblicas, que ocorrem no contexto de debates entre Jesus Cristo e seus opositores. Ao fazer tal análise, verifique qual das duas posições o seu seguimento – ou líder – religioso defende atualmente.

1.º texto:

“Deveras, por esta razão, os judeus começaram ainda mais a procurar matá-lo [a Jesus], porque não somente violava o sábado, mas também chamava a Deus de seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” – João 5:18, NM (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, 1986, Cesário Lange, SP, Brasil.)

Muitos líderes religiosos afirmam, à base do texto acima, que Jesus Cristo e “seu próprio Pai” possuem igualdade “em qualidade e quantidade”. A palavra grega para "igual", nesse texto, é "ison", acusativo de "ísos"[2]. Com base nesse termo grego, tais líderes afirmam que o Pai e o Filho são coiguais em poder e autoridade.

Note agora outra passagem bíblica em que ocorre o termo grego ísos:

“O qual [Jesus], embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual [forma de ísos] a Deus.” – Filipenses 2:6. – NM.

O texto acima é claro em mostrar que o Senhor Jesus “tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus.” (NTLH) Ao contrário, Jesus considerava uma “usurpação” a mera ideia de ser igual a Deus![3]

No entanto, apesar de essas considerações linguísticas mostrarem claramente que o Senhor Jesus Cristo não é “igual a Deus”, o Pai, este não é o ponto em questão quando se examina a passagem de João 5:18, transcrita acima. O ponto em questão é que tal passagem descreve a opinião dos inimigos de Jesus! Foram ELES que concluíram ERRONEAMENTE que Jesus se fazia “igual a Deus”, do mesmo modo como concluíram ERRONEAMENTE que Jesus “violava o sábado”. Enquanto a Lei mosaica vigorava, Jesus a cumpriu perfeitamente, o que incluía guardar o sábado semanal.[4]

Assim, os que usam o texto de João 5:18 para construir suas proposições estão claramente do lado dos opositores de Jesus – estão A FAVOR DOS INIMIGOS DELE! A resposta de Jesus no versículo seguinte decide terminantemente o assunto:

"O Filho não pode fazer nem uma única coisa de sua própria iniciativa, mas somente o que ele observa o Pai fazer. Porque as coisas que Este faz, estas o Filho faz também da mesma maneira." – João 5:19, NM.

Portanto, Jesus deixou claro que não era “igual a Deus” – como foi equivocadamente entendido pelos seus opositores –, mas que em tudo dependia de seu Deus e Pai, não tendo de forma alguma o mesmo poder e autoridade do Pai.

Vejamos agora o 2.º texto:

“Os judeus responderam-lhe: ‘Nós te apedrejamos, não por uma obra excelente, mas por blasfêmia, sim, porque tu, embora sejas um homem, te fazes um deus.’” – João 10:33, NM.

As traduções em geral vertem a parte final do texto acima por: “Te fazes Deus a ti mesmo". – ACRF, Al, ALA.

Muitos líderes religiosos nominalmente cristãos criticam a NM por usar a expressão “um deus”. Atentam para o fato de que, no texto grego, “não tem nenhum ‘um’ na frente de Deus”, que o grego usado na Bíblia ‘não tem artigo indefinido’; mas se esquecem de que, nas próprias traduções que eles usam, ocorre a expressão “um deus” quando o tradutor julga necessário verter assim a passagem para dar o sentido correto do texto original. (Veja Atos 28:6 nas versões Al, ALA, ACRF e IBB.) Embora o grego koiné não possua artigo indefinido, os substantivos gregos anartros (sem artigo) podem ter um sentido indefinido, como mostra, por exemplo, a passagem de Atos 28:6.

A fim de defender a expressão “te fazes Deus” como sendo a tradução correta, um cristão nominal afirmou que “os judeus esperavam que o Messias fosse o Filho de Deus (não um Filho de Deus) e sabiam que Ele teria a divindade”. Bem, se os judeus realmente sabiam que o Messias teria divindade no sentido de ser o próprio Deus, eles não teriam tentado apedrejar Jesus quando supostamente entenderam – segundo os trinitaristas – que o Filho ‘se fazia Deus’. Pelo contrário, teriam aceitado Jesus como o Messias!

Mas o ponto crucial é que, novamente, os cristãos nominais que usam João 10:33 para alicerçar suas crenças estão, na verdade, TOMANDO O LADO DOS INIMIGOS DE JESUS! Estão compactuando com a opinião DELES – com as conclusões a que ELES chegaram!

Certo cristão nominal afirmou sobre o texto: “Nas versões respeitáveis fica claro que Jesus estava afirmando ser Deus, não um deus qualquer.” Lamentavelmente, na ânsia de tentar endossar suas próprias crenças, tal religioso colocou irrefletidamente que o texto de João 10:33 era uma afirmação de Jesus Cristo, quando na realidade ERA UMA AFIRMAÇÃO DOS INIMIGOS DE CRISTO!

O próprio Jesus Cristo replicou o entendimento equivocado dos seus opositores com a cristalina explicação que fez sobre a sua própria identidade:

“Jesus respondeu-lhes: ‘Não está escrito na vossa Lei: “Eu disse: ‘Vós sois deuses’?” Se ele chamou “deuses” aos contra quem se dirigia a palavra de Deus, e, contudo, a Escritura não pode ser anulada, dizeis a mim, a quem o Pai santificou e mandou ao mundo: “Blasfemas”, porque eu disse: Sou Filho de Deus?’” – João 10:34-36, NM.

É lamentável que tais preconceituosos sigam este caminho: focam a conclusão errada dos judeus (em João 10:33) e não a explicação cristalina de Cristo (nos versículos 34-36), onde ele afirma claramente ser, não Deus, mas sim “Filho de Deus”. Os trinitaristas, não tendo mesmo em que se ancorar, precisam colocar-se ao lado dos judeus OPOSITORES de Cristo, aceitando a opinião equivocada deles como se fossem pontos de fé!

É muito triste que tais cristãos professos prefiram dar valor à opinião totalmente equivocada dos judeus acusadores de Jesus e não à clara e abalizada explicação de Cristo. Por outro lado, merecem elogios os que, ao contrário, ficam do lado de Cristo e das explicações dele, e que as tomam como pontos de fé, pois são fiéis e verdadeiras.

Portanto, fica aqui a pergunta ao leitor: Você é a favor de Jesus Cristo ou dos inimigos dele?


Sigla das traduções usadas neste artigo:

ACRF – Almeida Corrigida e Revista Fiel
Al – Almeida Corrigida
ALA – Almeida Revista e Atualizada
IBB – Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

  
Notas:

[1] O livro Nunca Desista de Seus Sonhos (2004; em Portugal intitulado: Nunca Desista dos Seus Sonhos), do escritor brasileiro Augusto Cury, contém a seguinte declaração: “Maomé chamou Jesus de Sua Dignidade no Alcorão, exaltando-o mais do que a si mesmo. O budismo, embora seja anterior a Cristo, incorporou seus principais ensinamentos. Sri Ramakrishna, um dos maiores líderes espirituais da Índia, confessou que a partir de 1874 foi profundamente influenciado pelos ensinamentos de Jesus Cristo. O território consciente e inconsciente de Gandhi também foi trabalhado por seus pensamentos.”

[2] De acordo com o Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong, ισος (ísos) tem o sentido de “igual, em quantidade e qualidade”. (2002, Sociedade Bíblica do Brasil). O Léxico Analítico Grego, de Bagster (Nova Iorque, 1870), define ísos como “igual”, “em pé de igualdade”.

[3] Veja o artigo, neste site, intitulado “DIREITO OU ‘USURPAÇÃO’? (Filipenses 2:6)”

[4] Gálatas 4:4 declara: “Quando chegou o pleno limite do tempo, Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher e que veio a estar debaixo de lei.” (NM) Visto que Jesus estava “debaixo de [sujeito à] lei", ele não violou nenhuma das normas dessa "lei" (a Lei mosaica), que incluía a guarda do sábado.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






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