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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Isaías capítulo 14 indica que os mortos estão conscientes?





Um leitor indagou o seguinte:

“As Testemunhas de Jeová afirmam que o relato do Rico e do Lázaro é simbólico, sendo que um argumento usado é o de que o Rico, estando no Hades (sepultura comum da humanidade) não poderia estar consciente e conversando com o Lázaro. No entanto, Isaías 14:3-23 apresenta uma conversa entre os reis mortos e o rei de Babilônia quando este cai no Seol (Hades). (Ler os versículos 9 e 10; 15-18). Seria também uma figura de linguagem?”

Resposta:

     O fato é que existem diversas figuras e recursos de linguagem, como símile, metáfora, hipérbole, prosopopeia, pleonasmo, antítese, metonímia etc. O ponto alto é identificar as figuras usadas nas passagens bíblicas. No caso da parábola do rico e Lázaro, existem algumas considerações nesse respeito.

    Conforme sabemos, o Seol-Hades (a sepultura comum da humanidade) é o lugar que se encontra no solo da terra, abaixo da superfície. (Núm 16:31-33; veja também o Apêndice da Tradução do Novo Mundo, p. 1514.) Assim, por semântica (estudo da evolução do sentido das palavras através do tempo e do espaço) Seol (Hades) passou a representar figuradamente uma condição de rebaixamento profundo. (Mt 11:23; Jó 11:7, 8; Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 2, p. 278) Esse evidentemente é o sentido usado na parábola do rico e Lázaro. Estudo Perspicaz (volume 2, p. 278) declara: “O ‘rico’ da parábola é mencionado como ‘enterrado’ no Hades, o que fornece evidência adicional de que o Hades se refere à sepultura comum da humanidade.”

     Mas, nessa parábola, o Hades é usado em sentido figurado – de condição de rebaixamento. Ou seja, há uma realidade – a sepultura comum da humanidade – usada em sentido figurado, como ocorre em Romanos 6:7, 23. O “rico” (pessoa de posição social plutocrática) é uma realidade neste sistema de coisas, usada para representar a opulenta e dominadora classe clerical dos judeus. (Lu 16:14, 15) “Lázaro” é um nome próprio real usados para humanos, que provavelmente é a forma grega do nome hebraico “Eleazar”, que significa “Deus Ajudou”. (Estudo Perspicaz, vol. 2, p. 666) Assim, a escolha, por parte de Jesus, desse nome para representar o povo comum oprimido e espiritualmente faminto pelo visto se deve a seu significado etimológico, para representar a ajuda dada por Deus mediante Cristo a esse povo. (Mt 9:36) A morte – um evento real – também foi usada em sentido ilustrativo, de mudança de condição. (Ef 2:1, 5) Portanto, a conversa envolvida na parábola, da parte do “rico”, é um claro exemplo de prosopopeia. Segundo o Dicionário Michaelis, prosopopeia é definida como “figura pela qual se atribui qualidade ou sensibilidade humana a um ser inanimado e se fazem falar as pessoas ausentes e até os mortos.” (Negrito acrescentado.) A mesma figura da prosopopeia se aplica à passagem de Isaías 14:3-23.




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