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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O espírito santo foi referido pelo pronome demonstrativo “ISTO”?




“Nessa passagem qual o termo grego que nossas traduções portuguesas vertem por ‘isto’?” – Pergunta de um leitor.

Resposta:

     A palavra “isto” é tradução de Τοτο (pronome demonstrativo do gênero neutro), que significa literalmente “isto” (esta coisa). Seguem abaixo alguns exemplos do uso desse pronome: 

     João 6:61: “Mas Jesus, sabendo em si mesmo que seus discípulos estavam resmungando sobre isso [τούτου; genitivo], disse-lhes: ‘Causa-vos isso [Τοτο, nominativo] tropeço?’”
   
    João 6:65: “Prosseguiu assim a dizer: ‘É por isso [Τοτο; acusativo] que eu vos tenho dito: Ninguém pode vir a mim, a menos que isso lhe seja concedido pelo Pai.’”
    
    Judas 10: “Contudo, estes homens estão falando de modo ultrajante de todas as coisas que realmente não conhecem; mas, em todas as coisas que eles entendem naturalmente, como os animais irracionais, nestas coisas [τούτοις; dativo, plural] prosseguem em corromper-se.”

     João 13:35: “Por meio disso [τούτ; dativo, singular] saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.”

    Mateus 8:9: “Pois eu também sou homem sujeito à autoridade, tendo soldados sob as minhas ordens, e digo a este: ‘Vai!’ e ele vai, e a outro: ‘Vem!’ e ele vem, e ao meu escravo: ‘Faze isto [Τοτο]!’ e ele o faz.”

     Mateus 26:26: “Ao continuarem a comer, Jesus tomou um pão, e, depois de proferir uma bênção, partiu-o, e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai, comei. Isto [τοτό] significa meu corpo.”

     Strong alista 321 usos de toûto. Desses, 3 são de textos espúrios, reduzindo o número a 318, que, na expressiva maioria, se aplica a coisas, e não a pessoas, como mostram os exemplos abaixo:


Mat. 1:22; 6:25; 9:28; 12:27, 31; 13:13, 28, 52; 14:2; 15:11; 16:22; 18:23; 19:26; 20:23; 21:4, 43; 23:34; 24:14, 44; 26:9, 12, 13, 28, 39, 42, 56; 28:14; Mar. 1:27, 38; 5:32, 43; 6:14; 9:21, 29; 11:3, 24; 12:24; 13:11; 14:5, 22, 24, 36; Luc. 1:18, 34, 43; 2:12, 15; 3:20; 4:43; 5:6; 6:3; 7:4, 8; 9:21, 45; 10:11, 28; 11:19, 49; 12:18, 22, 39; 13:8; 14:20; 16:2; 18:34, 36; 20:17; 22:15, 17, 19 (2x), 20, 23, 37; 23:46; 24:40; João 1:31; 2:12; 3:32; 4:15, 18, 54; 5:16, 18, 28; 6:6, 29, 39, 40, 61, 65; 7:22, 39; 8:40, 47; 9:23; 10:17; 11:7, 11, 26, 28, 51; 12:5, 6, 18 (2x), 27, 33, 39; 13:11, 28; 14:13; 15:19; 16:15, 17, 18; 18:34, 37(2x); 18:38; 19:11, 28; 20:20, 22; 21:14, 19 (2x); Atos 2:12, 14, 16, 26, 33; 3:6; 4:7, 22; 5:4, 24, 38; 7:60; 8:34; 9:21(2x); 10:16; 11:10; 16:18; 17:23; 19:10, 14, 17, 27; 21:23; 23:7; 24:14; 26:16, 26; 27:34; 28:28; Rom. 1:12, 26; 2:3; 4:16; 5:12; 6:6; 7:15 (2x), 16, 19, 20; 9:17; 11:7, 25; 12:20; 13:6 (2x), 11; 14:9, 13; 15:9, 28; 1 Cor. 1:12; 4:17; 5:2, 3; 6:6, 8; 7:6, 26, 29, 35, 37; 9:17; 10:28; 11:10, 17, 24 (2x), 25 (2x), 30; 12:15, 16; 15:50, 53 (2x), 54 (2x); 2 Cor. 1:17; 2:1, 3, 9; 4:1; 5:5, 14; 7:11, 13; 8:10, 20; 9:6; 10:7, 11; 12:14; 13:1, 9, 10; Gál. 2:10; 3:2; 3:17; 6:7; Efé. 1:15; 2:8; 4:17; 5:5, 17, 32; 6:1, 8, 13, 22; Fil. 1:6, 7, 9, 19, 22, 25, 28; 2:5; 3:15 (2x); Col. 1:9; 2:4; 3:20; 4:8; 1 Tes. 2:13; 3:3, 5, 3:7; 4:3, 15; 5:18 ; 2 Tes. 2:11; 3:10; 1 Tim. 1:9, 16; 2:3; 4:10, 16; 5:4; 2 Tim. 1:15; 2:10; 3:1; Flm 15, 18; Heb. 1:9; 2:1; 6:3; 7:27; 9:8, 15, 20, 27; 10:33 (2x) 13:17 (2x), 19; Tia. 4:15; 1 Ped. 1:25; 2:19.


     Abaixo seguem as declinações e suas respectivas ocorrências:



Strong's Greek 

Ταῦτα — 240 Occ.
ταύταις — 11 Occ.
ταύτας — 9 Occ.
ταύτῃ — 33 Occ.
ταύτην — 53 Occ.
ταύτης — 33 Occ.
τοῦτ' — 17 Occ.
Τοῦτο — 321 Occ.
τούτῳ — 89 Occ.
τούτων — 72 Occ.
τούτοις — 19 Occ.
Τοῦ
τον — 61 Occ.
τούτου — 69 Occ.
τούτους — 28 Occ.



     Toûtos é aplicado a uma ovelha, visto que a palavra grega para “ovelha” (próbaton) é neutra. (Mat. 12:11). É também aplicado a uma “criança”, porque a palavra paidíon (“criança”, em grego) é neutra. (Mat. 18:4; Luc. 1:66; 9:48) Assim, estritamente falando, o pronome neutro toûtos é um recurso gramatical e não um endosso doutrinal. No entanto, o uso dele para uma pessoa é extremamente raro. Na sua aplicação ao espírito santo, além de concordar gramaticalmente, pelo fato de “espírito” ser uma palavra neutra, também concorda semanticamente, pelo fato de o espírito santo ser algo impessoal – a força ativa de Jeová Deus.

RESUMINDO:

1)  A expressiva maioria dos usos de toûto (isto) na Bíblia é para coisas impessoais.

2)  Embora seja um recurso gramatical, na aplicação ao espírito santo – que é impessoal – também concorda semanticamente, isto é, com o fato indisputável da impessoalidade do espírito santo.

     Em outras palavras, se a Bíblia apresentasse o espírito santo como sendo uma pessoa (ser) espiritual, o uso de toûto (pronome neutro) para tal espírito seria apenas gramatical, visto que pneúma (espírito) é palavra gramaticalmente neutra. No entanto, visto que a Bíblia apresenta o espírito santo como algo impessoal – a força ativa de Deus – o uso de “isto” não apenas concorda gramaticalmente, mas também semanticamente. 

     Note que, ao se referir a Jesus, o versículo anterior (Atos 2:32) usa o pronome “este”, que é tradução do pronome toûton, que é masculino, não neutro. Gramaticalmente, concorda com o substantivo masculino Iesoûn (Jesus). Mas, visto que Jesus Cristo é uma pessoa, tal pronome também concorda semanticamente com esse fato. 


     Na linguagem cotidiana, quando queremos apresentar alguém, dizemos: “ESTE é o Fulano.” Mas nunca dizemos: “ISTO é o fulano”, pois tal uso seria inadmissível para uma pessoa!

   Assim, não seria errado usar Atos 2:33 para afirmar a impessoalidade do espírito santo, visto que tal argumentação concorda com a gramática grega e com o inteiro contexto bíblico, o qual apresenta o espírito santo como algo impessoal.




Os artigos deste blog podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o blog oapologistadaverdade.blogspot.com





Um comentário:

  1. Apologista, creio eu, que se o espírito santo fosse um Deus Pessoal, se convinha que "Ele" fosse quase que referido por pronomes pessoais independente desse fato da palavra pneuma ser neutra.

    O que quero dizer, pensemos em Jeová Deus, Jesus Cristo ou no anjo Gabriel, eles são espíritos e a palavra grega para espírito é neutra, imaginemos eles sendo referidos como espíritos numa versículo hipotético e na continuação da leitura serem referidos com pronomes pessoais, imaginaram isso? Pois bem, isso aconteceria pois embora o autor tenha usado um termo neutro para o ser espíritual citado, na sua cabeça ele é um ser pessoal masculino e é assim que é referido, não falaria dele enquanto espírito neutro e sim enquanto alguém com um nome próprio pessoal. Então usaria "este", "ele" e etc pensando naquele que se chama RAFAEL e não num anônimo e indefinido "espírito". (Aí penso que entra o fato de que não existe uma pessoa chamada "Espírito Santo" e sim um espírito que provém de Deus e que é santo)

    Se os escritores bíblicos eram trinitários deveria incomoda-los serem irreverentes ao "Terceiro Ser de Deus" por escolher quase que totalmente apenas termos impessoalizantes, poderiam tentar remendar a situação lhe outorgando outros títulos mais pessoais,por exemplo, podiam chama-lo frequentemente de "Senhor", de "Deus", de "O Santo" e mesmo do pouco usado "Parakletos", que são todos termos masculinos, não são? "O Santificador"? Que tal "O Deus Espírito", "Senhor Espiritual", "O Deus Espírito Santo", a "Terceira Pessoa Divina" (Os termos "Pai", "Cristo" e "Filho" são masculinos certo?).

    Eu vejo uma ampla gama de opções para que a pessoalidade do espírito santo ficasse evidente a todos tanto na nomeação quanto na descrição e no tratamento dado ao mesmo: preferência por substantivos e pronomes masculinos; uso de nome próprio; não inserir o mesmo entre qualidades, objetos e afins e sim entre pessoas; representa-lo usando sinais ilustrantes de personalidade como se fosse um homem humano e não como fogo, vento, liquido; evitar de coloca-lo em antítese com coisas impessoais e óbvio, lhe conceder os mesmo títulos que recebem o Pai ou mesmo o Filho e nem excluí-lo de contextos onde a dupla Jeová-Cristo é destacada vez após vez. Conclusão: Não foi feito um esforço por parte dos cristãos do primeiro século em clarificar a pessoalidade da suposta Terceira Pessoa da Divindade Triuna, se não fossem algumas prosopopeias, pela citação do mesmo junto as pessoas Deus Pai e seu Filho em alguns versos (Ex: Mt 28:19 e na espúria Comma Joanina) e pelo uso em João do termo "Paracletos" já no finzinho de seu evangelho, o mesmo estaria 100% do tempo falado como se fosse algo e não alguém.

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