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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os “Dez Mandamentos” com seu sábado semanal devem ser guardados pelos cristãos? – Parte 6


Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws201410/um-reino-de-sacerdotes/


Os cristãos não estão sujeitos ao Decálogo

     Jesus guardou o Decálogo e incentivou sua guarda enquanto ela vigorava, do mesmo modo que incentivou a cumprir outras particularidades da Lei, como ofertas e sacrifícios. (Lucas 4:16; Mateus 5;23, 24; Lucas 5:14; 17:14; compare com Levítico 14:2.) Mas, com a morte de Cristo, a inteira Lei dada a Israel teve fim.  

Romanos 7:6: “Mas agora fomos exonerados [“libertos”, IBB] da Lei, porque morremos para com aquilo que nos segurava, para que fôssemos escravos num novo sentido, pelo espírito, e não no velho sentido, pelo código escrito.”

Será que é apenas da chamada “lei cerimonial” que os servos de Deus foram libertados? Paulo explica no versículo seguinte de que lei ele estava falando:

Romanos 7:7b: “Eu não teria chegado a conhecer o pecado, se não fosse a Lei; e, por exemplo, eu não teria conhecido a cobiça, se a Lei não dissesse: ‘Não deves cobiçar.’” 

Paulo citou o décimo dos “Dez Mandamentos” como exemplo da Lei de que ele estava falando, da Lei da qual ele disse: “Agora temos sido libertados da lei.” (Al) Assim, os servos de Deus convertidos ao cristianismo não estão sujeitos à inteira Lei dada por Jeová mediante Moisés à nação de Israel, inclusive ao Decálogo. Portanto, no arranjo do cristianismo não há provisão para se guardar um sábado semanal.

Razões pelas quais a Lei como um todo teve de findar

Para que os servos cristãos de Deus pudessem ser justificados

Romanos 10:4: “Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa ter justiça.”

Alguns proponentes do Decálogo argumentam que aqui a palavra “fim” (télos, em grego) tem o sentido de finalidade, alvo ou objetivo. Assim, arguem que o texto está dizendo que a Lei tinha por objetivo conduzir a Cristo. No entanto, a continuação do versículo mostra claramente que a referência é ao término, ou cessação, da Lei como um todo, incluindo o Decálogo. Diz: “Para que todo aquele que exercer fé POSSA TER JUSTIÇA [“para justificar a todo aquele que crê”, IBB.”

Assim, a justificação dos servos de Deus estava subordinada ao término da Lei. A Lei constituía um impedimento à justificação dos fiéis. Como assim? Acontece que o pacto da Lei trazia um requisito: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.”  (Gálatas 3:10b, ACRF) Como afirmou o discípulo Tiago: “Pois, quem observar toda a Lei, mas der um passo em falso num só ponto, tem-se tornado ofensor contra todos eles.” (Tiago 2:10)[1] Assim, o povo judeu, que havia recebido a Lei, por constituir parte da humanidade imperfeita, recebeu a maldição imposta como penalidade pelo pacto da Lei. Como explicou Paulo: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição.” (Gálatas 3:10a, ACRF) Mas, por que Deus daria um conjunto de leis seguido desse requisito de cumprir “todas as coisas” dessa lei, sob a pena de maldição?

Esse requisito cumpriria pelo menos três objetivos. Primeiro, mostraria aos servos de Deus pré-cristãos a plena pecaminosidade deles, conscientizando-os da necessidade de um Redentor. Como Paulo explicou: “Por que, então, a Lei? Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões.” (Gálatas 3:19a) Mas, até quando tal “Lei” permaneceria? O mesmo versículo responde: “ATÉ QUE CHEGASSE O DESCENDENTE a quem se fizera a promessa.” (Gálatas 3:19b) Quem é esse “descendente”? Paulo responde: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. Não diz: ‘E a descendentes’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: E a teu descendente’, QUE É CRISTO.” – Gálatas 3:16.

Isso se daria desse modo devido ao segundo objetivo da Lei: identificar o Messias, Jesus Cristo. Paulo afirmou: “A Lei, por conseguinte, tornou-se o nosso tutor, conduzindo a Cristo, para que fôssemos declarados justos devido à fé.” (Gálatas 3:24) Por ter nascido como humano perfeito, Jesus cumpriu perfeitamente todos os requisitos da Lei, podendo assim ter sido identificado pelos sinceros observadores como sendo realmente o prometido Messias.

Terceiro: a Lei também proveu “sombras”, ou modelos ilustrativos, de realidades celestiais. (Hebreus 10:1) Tendo cumprido tais objetivos, não havia mais necessidade de tal Lei. Como disse Paulo: “Mas AGORA QUE CHEGOU A FÉ [representando Cristo], NÃO ESTAMOS MAIS DEBAIXO DUM TUTOR [a Lei].” (Gálatas 3:25) A comparação da Lei como sendo um “tutor” também aponta para o término dela, pois um tutor não mantém a tutela de uma criança para sempre.

Portanto, para que os servos de Deus pudessem ser justificados, ou declarados justos, a Lei precisava findar.

Para que os servos cristãos de Deus pudessem ser adotados como “filhos de Deus” e pudessem ser herdeiros da promessa abraâmica

Outra razão de a Lei ter de findar era para que os servos de Deus que abraçaram o cristianismo pudessem ser adotados como “filhos de Deus”. Notamos isso na consideração de Gálatas 4:1-7:

Ora, digo que, enquanto o herdeiro é pequenino, não difere em nada dum escravo, embora seja senhor de todas as coisas, mas está debaixo de encarregados e mordomos, até o dia designado de antemão pelo seu pai. Igualmente também nós [israelitas e prosélitos], quando éramos pequeninos, continuávamos escravizados pelas coisas elementares, pertencentes ao mundo. Mas, quando chegou o pleno limite do tempo, DEUS ENVIOU O SEU FILHO, que veio a proceder duma mulher e que veio a estar debaixo de lei, PARA LIVRAR POR MEIO DUMA COMPRA OS DEBAIXO DE LEI, PARA QUE NÓS, DA NOSSA PARTE, RECEBÊSSEMOS A ADOÇÃO COMO FILHOS. Ora, visto que sois filhos, Deus enviou o espírito do seu Filho aos nossos corações, e ele clama: ‘Aba, Pai!’ De modo que não és mais escravo, mas filho; e, se filho, também herdeiro por intermédio de Deus.”

Assim, os israelitas e prosélitos judaicos que aceitaram o Messias foram ‘livrados’ daquele conjunto de leis para poderem ser adotados como “filhos” de Deus e ‘herdeiros’.

Paulo ilustrou essa verdade de outro modo no mesmo capítulo 4 de Gálatas:

“Dizei-me, VÓS OS QUE QUEREIS ESTAR DEBAIXO DE LEI: Não dais ouvidos à Lei? Por exemplo, está escrito que Abraão adquiriu dois filhos, um por meio da serva e outro por meio da livre; mas aquele por meio da serva nasceu realmente na maneira da carne, o outro, por meio da livre, por intermédio duma promessa. Estas coisas são como que um drama simbólico; pois estas mulheres significam dois pactos, um do monte Sinai, que dá à luz filhos para a escravidão, e que é Agar. Ora, esta Agar significa Sinai, um monte na Arábia, e ela corresponde à Jerusalém atual, pois está em escravidão com os seus filhos. Mas a Jerusalém de cima é livre, e ela é a nossa mãe. Não obstante, o que diz a Escritura? ‘Expulsa a serva e o filho dela, pois de modo algum será o filho da serva herdeiro junto com o filho da livre.’ Por conseguinte, irmãos, somos filhos, não duma serva, mas da livre.” – Gálatas 4:21-26, 30, 31.

Observe que Paulo inicia repreendendo os que insistiam na guarda da Lei. Usando as mesmas Escrituras nas quais os proponentes da continuidade da Lei afirmavam se basear, Paulo mostra que personagens bíblicos representaram realidades espirituais. Abraão representou Jeová. A esposa de Abraão, Sara, representa a “Jerusalém de cima” – a organização celestial de Jeová semelhante a uma fiel esposa. Agar, a escrava egípcia de Abraão, representa a Jerusalém terrestre, capital do reino de Israel, cuja nação estivera numa relação com Jeová mediante o pacto da Lei, feito no monte “Sinai”. (Gálatas 4:24) Paulo mostra que os que insistiam na guarda da Lei eram como Ismael, o filho de Agar, a escrava. Estavam igualmente em escravidão, e na maldição imputada pelo pacto da Lei. O resultado para tais obstinados seria o cumprimento das palavras de Sara em Gênesis 21:10: “Expulsa essa escrava e o filho dela, pois o filho desta escrava não vai ser herdeiro com o meu filho, com Isaque!” A insistência na aderência à Lei levaria tais obstinados a não receberem a herança pertencente aos filhos legítimos – os semelhantes a Isaque. Como disse Paulo, os cristãos são ‘filhos da livre’. Então Paulo dá a seguinte admoestação:

“Para tal liberdade é que Cristo nos libertou. Portanto, ficai firmes e não vos deixeis restringir novamente num jugo de escravidão.” – Gálatas 5:1.

Assim, pelas razões acima, biblicamente pautadas, os cristãos não estão sujeitos à inteira Lei dada a Israel, a qual incluía os Dez Mandamentos com o seu sábado semanal.

A continuação desta série considerará mais questões envolvendo este tema.


Sigla das traduções usadas:

Al: Almeida Revista e Corrigida
ACRF: Almeida Corrigida e Revista Fiel.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.


Notas:
[1] Para uma consideração mais detalhada de Tiago 2:10, leia o artigo, neste site, intitulado “Tiagoincentiva a guarda dos Dez Mandamentos?”.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






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