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domingo, 29 de junho de 2014

As traduções da cristandade – parte 9



Por: O Publicitário do Reino


“Tábuas” (Al, ALA) ou “Armações de Painel” (NM)? – Êxodo 26:29

Armações de painel. As paredes eram de acácia, recobertas de ouro, evidentemente em forma de armações de painel (similares a armações de janela), em vez de tábuas maciças. Al, ALA. (Êxodo 26:15-18) Este conceito parece lógico, por dois motivos:

(1) Tábuas maciças de acácia do tamanho descrito seriam desnecessariamente pesadas.

(2) Os querubins bordados na cortina suspensa sobre as tábuas ficariam ocultos, exceto os vistos no teto da estrutura, na parte interna. – Êxodo 26:1.

Assim, parece que cada armação de painel foi construída de tal modo que os sacerdotes, no tabernáculo, pudessem ver os querubins bordados na cobertura de linho.

Alguns peritos da atualidade também são da opinião de que se usou o estilo de armações de painel, em vez de o de tábuas maciças.

Assim, embora o termo hebraico qé·resh seja traduzido por “tábuas” em versões mais antigas, várias traduções modernas usam a palavra “armação” ou “armação de painel”. (Êx 26:15-29, AT, BLH, JB, Mo, NM, RS) – Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 3, p. 662, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

É evidente que NM é a mais coerente do que a Al e ALA ao traduzir por “armações de painel” em vez de tábuas em Êxodo 26:29. Confira:

“E recobrirás de ouro as armações de painel e farás de ouro as suas argolas como suportes para as trancas; e as trancas tens de recobrir de ouro.”


Até mesmo em pequenos detalhes a NM é a mais exata:

Observe o comentário do Dicionário Expositivo de Palavras do Antigo e do Novo Testamento, de Vine, sobre a palavra grega krísis, que aparece em Judas 9 na versão Al como “juízo de maldição” e na ALA como “juízo infamatório”.

O termo krisis, que em 2 Pedro 2:11 foi traduzido por ´”juízo (blasfemo)” e em Judas 9 por “juízo (de maldição)”, não pertence a esta categoria. Significa “julgamento”, decisão dada em relação a qualquer coisa.  – Dicionário de Vine, p.372.

Assim, na NM, Judas 9 é traduzido exatamente por “julgamento”. Observe:

Judas 9: “Mas, quando Miguel, o arcanjo, teve uma controvérsia com o Diabo e disputava acerca do corpo de Moisés, não se atreveu a lançar um julgamento contra ele em termos ultrajantes, mas disse: ‘Jeová te censure.’”


Outra evidência da coerência da NM está em Gênesis 4:15

Observe um comentário bastante interessante na Bíblia Explicada da CPAD.

E pôs o Senhor um sinal em Caim.” (4:15) A tradução de Almeida não é tão correta como a TB.: “Deu Jeová um sinal a Caim.” Não havemos de entender que ele fosse marcado, e sim que Deus, de algum modo, assinalou-lhe a proteção divina. – A Bíblia Explicada, p. 21.

Ao lado da TB, está a NM, que é mais correta do que a tradução de Almeida. Note:

“E Jeová estabeleceu assim um sinal para Caim.” – Gênesis 4:15.


“Boa vontade para com os homens” (Al), ou “homens de boa vontade” (NM)? – Lucas 2:14

Quando um anjo anunciou o nascimento de Jesus, ele apareceu, não perante os líderes religiosos judeus, mas perante humildes pastores. Depois de falar aos pastores sobre o nascimento do Messias, uma hoste angélica proclamou: “Glória a Deus nas maiores Alturas, e na terra paz entre homens de boa vontade.” – (Lu 2:14, NM) Os anjos não proclamavam a paz para os inimigos de Deus, que não estavam em paz com Ele. “‘Não há paz para os iníquos’, disse o meu Deus.” – Isaías 57:21.

A versão Almeida, revista e corrigida, verte assim Lucas 2:14: “Glória a Deus nas Alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens.” Mas, Deus não expressava ali boa vontade para com os homens em geral; nem queria dizer que sua paz havia sido estendida aos que se inclinavam para Ele simplesmente dum modo amigável e indulgente. Antes, Deus se referia aos que agradariam a ele por terem genuína fé nele, e que se tornariam seguidores de seu Filho.

Traduções modernas harmonizam-se com este conceito, esclarecendo o assunto.

A versão dos Missionários Capuchinhos reza: “Paz na terra aos homens do seu agrado.”

A Bíblia de Jerusalém traduz esta frase: “Paz na terra aos homens que ele ama.”

A Bíblia na Linguagem de Hoje a verte: “Paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!”

E a Bíblia Mensagem de Deus reza: “Paz na terra aos homens por ele amados.”

(Fonte: Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1, pp. 370-371, publicado pelas Testemunhas de Jeová.)

 Mais uma vez consideramos aqui algumas das maravilhas da Tradução do Novo Mundo.



Siglas das traduções usadas:

Al – Tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida.

ALA – Tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada no Brasil.

AT – The Complete Bible — An American Translation (1939; impressão de 1951), J. M. Powis Smith e Edgar J. Goodspeed.

BLH – A Bíblia na Linguagem de Hoje (1988), Sociedade Bíblica do Brasil.

JB – The Jerusalem Bible (1966), Alexander Jones, editor responsável.

Mo – A New Translation of the Bible (1935; impressão de 1954), James Moffatt.

NM – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

RS – Revised Standard Version (1952; impressão de 1971).

TB Tradução Brasileira.




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.





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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Jesus começou a reinar desde que subiu ao céu?



Há quem afirme que Jesus começou a reinar como Rei do Reino messiânico desde 33 EC. Os que sustentam essa crença apóiam-se nos seguintes textos:

“Ele nos livrou da autoridade da escuridão e nos transferiu para o reino do Filho do seu amor.” – Col. 1:13.

Como o texto menciona a palavra “reino” em conexão com Cristo, argui-se que Jesus passou a reinar no primeiro século EC.

A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’ Jeová enviará de Sião o bastão da tua força, dizendo [a Jesus]: ‘Subjuga no meio dos teus inimigos.’”

A Bíblia menciona que, ao ascender ao céu, Jesus Cristo “foi enaltecido à direita de Deus” e que “está sentado à direita de Deus”. (At 2:33; Ro 8:34; Col 3:1; He 10:12; 1Pe 3:22) Assim, à base desses textos, e do Salmo 110:1, alguns argumentam que ‘assentar-se à direita de Deus’ significou a coroação de Jesus, ter sido ele entronizado qual Rei.

O Salmo 110:2 é referido em Hebreus 10:12, 13:

Mas, este homem [Jesus] ofereceu um só sacrifício pelos pecados, perpetuamente, e se assentou à direita de Deus, daí em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés.”

Uma vez que interpretam que o assentar-se no trono representa a entronização de Jesus como Rei do Reino messiânico, argumentam que o ato de Cristo subjugar seus inimigos, após um período de espera, não significa começar a reinar; apenas significaria que o Rei, já exercendo seu reinado desde 33 EC, atuaria contra seus inimigos quando Jeová lhe desse tal ordem.

E, para completar a linha de argumentação, citam 1 Coríntios 15:25, onde Paulo declarou:

Pois ele tem de reinar até que Deus lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.”

Tendo em vista o texto acima, argumentam: ‘A Bíblia não diz que Jesus começaria seu Reino quando dominasse seus inimigos. Ao contrário, diz que seu Reino seria exercido ATÉ o domínio de seus inimigos.

Mas, o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto?

A proposição que afirma que Jesus começou a reinar como Rei do Reino messiânico desde 33 EC desconsidera aspectos fundamentais da Bíblia:

1)   O “reino” delegado a Cristo, mencionado em Colossenses 1:13 não é o Reino messiânico.

Como exemplo disso, podemos citar o seguinte: Jeová sempre foi Rei sobre seus súditos. (Sal. 10:16; 1 Tim. 1:17) No entanto, fala-se de ele ‘começar a reinar’, em Revelação 11:17. A conclusão óbvia é a de que Revelação 11:17 se refere a uma nova expressão – ou ramificação – do Reino universal de Jeová, neste caso o Reino messiânico por meio de Cristo. (Revelação 11:15) Do mesmo modo, Jesus também poderia ter um “reino” sem ser o Reino messiânico pedido na oração modelo. (Mat. 6:9, 10) Como mostra o próprio texto de Colossenses 1:13, trata-se de um governo apenas sobre seus discípulos, ao passo que o Reino messiânico se estenderá a toda a Terra. – Veja Da 2:35, 44, 45.

 2)   ‘Sentar no trono’ não significa necessariamente ser entronizado.

O Dicionário Michaelis define “entronizar” por “elevar ao trono” e “pôr(-se) no trono”. A ideia é de receber o reino. Se fosse sinônimo de sentar no trono, cada vez que um rei se sentasse no seu trono teríamos de concluir que ele estaria sendo entronizado, o que seria um absurdo. Portanto, a aceitação do convite divino de ‘sentar-se à direita’ de Jeová’ (Sal. 110:1) não significa em si uma entronização.
Assim, o período de ‘espera’ (Heb.10:13) não seria forçosamente o exercício do Reino celestial.

 3)   O contexto de 1 Coríntios, capítulo 15 mostra que Cristo começa a reinar em sua parousia, no tempo do fim.

Paulo fala sobre a ressurreição celestial, e mostra que ela ocorrerá ‘durante a presença [parousia]’ de Cristo. (vers. 23). É dentro desse período que “ele [Cristo] tem de reinar”, (vers. 25) e não desde sua ascensão ao céu em 33 EC.

Ao citarem 1 Coríntios 15:25, os proponentes do Reino messiânico tendo começado em 33 EC desconsideram o uso da palavra “todos” nesse texto.  O texto declara:

Pois ele tem de reinar até que Deus lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.”

Os textos de Salmo 110:1, Hebreus 10:12, 13 e Atos 2:34, 35 não usam a palavra “todos”.

A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’”

“[Jesus] se assentou à direita de Deus, daí em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés.”

“Realmente, Davi não ascendeu aos céus, mas ele mesmo diz: ‘Jeová disse a meu Senhor: “Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.”’

Qual é a diferença? Quando Jeová ‘envia de Sião o bastão da sua força, dizendo: “Subjuga no meio dos teus inimigos’”, Jesus começa seu Reino dominando seus inimigos. Mas, como diz 1 Coríntios 15:25, “ele tem de reinar até que [Deus] lhe tenha posto TODOS os inimigos debaixo dos seus pés”. Ou seja, longe de provar que Cristo começou a reinar em 33 EC, o texto (cujo contexto faz referência à “presença” de Cristo) mostra que ele CONTINUA exercendo seu reinado subjugando seus inimigos até que TODOS  eles sejam eliminados, o que ocorrerá no fim do Reinado Milenar de Cristo.

4)   A descrição do nascimento do Reino em Revelação, capítulo 12, mostra que foi APÓS o lançamento de Satanás e de seus demônios à Terra que o Reino foi estabelecido.

O contexto mostra que tal evento ocorre no “dia do Senhor”. (Rev. 1:10) O que foi revelado a João não eram coisas já acontecidas, mas sim “as coisas que têm de ocorrer”. (Rev. 1:1) O livro de Revelação foi escrito por volta de 96 EC, bem depois de 33 EC.

Revelação 12:10 mostra que foi APÓS o lançamento de Satanás e de seus demônios à Terra que o Reino foi estabelecido, nestas palavras: “AGORA se realizou a salvação, e o poder, e O REINO DE NOSSO DEUS, E A AUTORIDADE DO SEU CRISTO, porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, o qual os acusa dia e noite perante o nosso Deus!” Como resultado dessa expulsão, a Bíblia declara: “Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo.” (Rev. 12:12) Após a ascensão de Cristo ao céu em 33 EC não houve nenhuma mudança significativa nas condições mundiais, e sim a partir de 1914. As drásticas mudanças no cenário mundial a partir de 1914 mostram que vivemos no “curto período de tempo” da atuação de Satanás.

Assim, em harmonia com o inteiro contexto bíblico, Jesus começa a reinar assim que passa a ‘subjugar seus inimigos’. (Sal. 110:2) Contudo, ele CONTINUA a “reinar até que [Deus] lhe tenha posto TODOS os inimigos debaixo dos seus pés”. – 1 Cor. 15:25.


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sábado, 14 de junho de 2014

O Rico e Lázaro – história real ou parábola?


Fonte dos dois desenhos: O Maior Homem Que Já Viveu, pp. 287-288.


A história de um rico e de um mendigo de nome Lázaro, contada por Jesus Cristo e registrada por Lucas, em seu Evangelho (16:19-31), tem sido largamente usada por teólogos e membros de religiões professamente cristãs para tentar provar a doutrina antibíblica do inferno de fogo, ou tormento eterno.

Diversos artigos apologéticos já foram redigidos sobre esse tema para mostrar que tal relato não é literal e nem trata da condição dos mortos. De modo que o objetivo deste artigo é ser o mais sucinto possível, mas ao mesmo tempo satisfatoriamente abrangente, em mostrar o significado do relato.

O contexto e a fraseologia provam que se trata de uma ilustração e não de uma história real

1. O Hades não é um lugar de tormento.
 “Também o rico morreu e foi enterrado. E no Hades, ele ergueu os olhos, estando em tormentos.” – Lucas 16:22, 23.

Hades é tradução do hebraico Seol. (Compare Atos 2:31 com Salmo 16:10.) E Seol é uma palavra hebraica usada para indicar inatividade e inconsciência.

“Os mortos …não estão cônscios de absolutamente nada. …. Também seu amor, e seu ódio, e seu ciúme já pereceram. … Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais.” – Eclesiastes 9:5, 6, 10.
  
2. Não há comunicação entre os mortos.

“Por isso [o rico] chamou e disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro mergulhe a ponta do seu dedo em água e refresque a minha língua, porque eu estou em angústia neste fogo intenso.’” – vers. 24.

“Os próprios mortos não louvam a Jah, nem quaisquer dos que descem ao silêncio. – Salmo 115:17.

3. A água se evaporaria com o fogo.

4. Uma única gota não poderia dar alívio ao sofredor.

5. Espírito não bebe água, nem tem língua e nem dedo.

6.O mendigo é que deveria ter ido para o suposto “inferno”.
        
“Ora, no decorrer do tempo, morreu o mendigo e foi carregado pelos anjos para a posição junto ao seio de Abraão.” – Lucas 16:22.
  
“Fui moço e agora sou velho, mas nunca vi um homem bom abandonado por Deus e nunca vi os seus filhos mendigando comida.” – Salmo 37:25, Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

 Assim, a mendicância não é evidência do favor de Deus, mas do oposto.

7. Abraão não estava no céu, nem consciente em algum lugar

Ademais, nenhum homem ascendeu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem.” – João 3:13.

“Abraão expirou então e morreu numa boa velhice, idoso e satisfeito, e foi ajuntado ao seu povo.” – Gênesis 25:8.

8. O rico com o tempo sairia do Hades.

“E o mar entregou os mortos nele, e a morte e o Hades entregaram os mortos neles, e foram julgados individualmente segundo as suas ações.” – Apocalipse 20:13.

Portanto, mesmo que tal “tormento” fosse literal num suposto “inferno de fogo”, não seria eterno. Isso prova adicionalmente que o Hades não é o mítico inferno de fogo da cristandade.

9. Lázaro foi para o céu sem ter sido ressuscitado.

“Ele [o rico] disse então: ‘Neste caso, peço-te, pai [Abraão], que o envies à casa de meu pai, pois eu tenho cinco irmãos, a fim de que lhes dê um testemunho cabal, para que não cheguem a entrar neste lugar de tormento.’ Mas Abraão disse: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que escutem a estes.’ Ele disse então: ‘Não assim, pai Abraão, mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.’ Mas ele lhe disse: ‘Se não escutam Moisés e os Profetas, tampouco serão persuadidos se alguém se levantar dentre os mortos [ainda que ressuscite alguém dentre os mortos, Al].’” – Lucas 16:27-31.

Note que o texto não diz: ‘Se alguém que foi ressuscitado for ter com eles.’ Mas diz: “Se alguém se levantar dentre os mortos.” Assim, a fraseologia, se tomada literalmente, dá a entender que Lázaro não havia ainda sido ressuscitado.

10. O céu não é um hospício.

“E, além de todas essas coisas, estabeleceu-se um grande precipício entre nós e vós, de modo que os que querem passar daqui para vós não o podem, nem podem pessoas passar de lá para nós.” – Vers. 26.

Pense com sinceridade: alguém no céu haveria de QUERER passar para o suposto “inferno”??? Tal pessoa só poderia estar totalmente fora do seu juízo. Mas o céu não é um hospício, de modo a abrigar seres desvairados!

A CONCLUSÃO …

Observou quantas contradições e incoerências haveria se o relato fosse tomado literalmente? É extremamente óbvio que se trata de uma alegoria. Isso é adicionalmente comprovado pelo que sabemos do método usado por Jesus ao ensinar:

“Todas estas coisas falou Jesus às multidões por meio de ilustrações. Deveras, nada lhes falava sem ilustração.” – Mateus 13:34.

O SIGNIFICADO DA ILUSTRAÇÃO

O contexto: a respeito de quem Jesus estava falando?

“Ora, os fariseus, que eram amantes do dinheiro, estavam escutando todas estas coisas, e começaram a escarnecer dele. Consequentemente, ele [Jesus] lhes disse: ‘Vós sois os que vos declarais justos perante os homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque aquilo que é altivo entre os homens é uma coisa repugnante à vista de Deus.’” – Lucas 16:14, 15.

Observe que a ilustração foi contada tendo em vista os fariseus. (Apenas em Lucas 17:1 Jesus se dirige aos seus discípulos.) Observe também que Lucas acrescenta o pormenor de que eles eram “amantes do dinheiro”. Isso explica por que Jesus falou de um rico em sua ilustração. Portanto, o “rico” representa os fariseus, os quais, como líderes religiosos judaicos, transmitiam apenas ‘migalhas’ em sentido espiritual em seus ensinos.

E quem é representado pelo “Lázaro”?

Note que em várias ilustrações Jesus descreveu sempre duas classes de pessoas – os líderes religiosos judaicos e o povo comum que era oprimido por eles:

O fariseu e o cobrador de impostos (publicano). – Lucas 18:11, 12.
 O filho obediente e o filho desobediente. – Mateus 21:28-32, 45.
O filho pródigo e seu irmão insensível. – Lucas 15:11-32.

É, pois, evidente que “Lázaro” representa o povo comum, que vivia como ovelhas sem pastor. (Mateus 9:36) Tais pessoas estavam espiritualmente pobres, mendigando por alimento espiritual. E, devido a tal condição espiritualmente deplorável, estavam espiritualmente doentes, espiritualmente ‘cheios de úlceras’. – Lucas 16:20.

A “morte” do rico e de Lázaro

Na Bíblia, “morte” em sentido figurado pode significar uma mudança de condição.

“Outrossim, é a vós que Deus vivificou, embora estivésseis mortos nas vossas falhas e pecados.” – Efésios 2:1.

“Pois morrestes, e a vossa vida tem sido escondida com o Cristo em união com Deus.” – Colossenses 3:3.

“Pois fostes enterrados com ele [Cristo] no seu batismo, e, pela relação com ele, fostes também levantados junto por intermédio da vossa fé na operação de Deus, o qual o levantou dentre os mortos.” – Colossenses 2:12.

Assim, perguntamos: Qual foi a mudança de condição que ocorreu tanto com os da classe de “Lázaro” quanto com os da classe do “rico”?

O que significou a morte de “Lázaro”

Quando Jesus alimentou espiritualmente as multidões com seu ensino, os do povo comum que aceitaram seus ensinamentos morreram para com a condição anterior – de espiritualmente “esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36) Abandonaram suas práticas pecaminosas e passaram a ficar numa condição aprovada perante Deus.

O nome “Lázaro” se ajusta bem ao favorecimento dos arrependidos entre o povo comum. “Lázaro” provavelmente é a forma grega do nome hebraico Eleazar, que significa “Deus Ajudou”. Realmente, Deus ajudou, por meio de Cristo, os sinceros que aceitaram a pregação realizada por Jesus.

Abraão, na parábola, representa Jeová Deus. Vemos isso na alegoria contada por Paulo em Gálatas 4:21-31:

Dizei-me, vós os que quereis estar debaixo de lei: Não dais ouvidos à Lei? Por exemplo, está escrito que Abraão adquiriu dois filhos, um por meio da serva e outro por meio da livre. … Estas coisas são como que um drama simbólico; pois estas mulheres significam dois pactos, um do monte Sinai [Pacto da Lei mosaica], que dá à luz filhos para a escravidão [os aderentes a tal pacto], e que é Agar [a escrava]. Ora, esta Agar significa Sinai, um monte na Arábia, e ela corresponde à Jerusalém atual, pois está em escravidão com os seus filhos. Mas a Jerusalém de cima [representada por Sara] é livre, e ela é a nossa mãe.” – Vers. 21, 22, 24-26.

Uma vez que Sara, esposa de Abraão, representa a “Jerusalém de cima” – a organização celestial de Jeová, composta de seus santos anjos, Abraão representa o próprio Jeová. Assim como Abraão se dispôs a sacrificar seu filho Isaque, Jeová se dispôs a dar e deveras deu seu Filho, Jesus Cristo, em sacrifício pela humanidade pecadora. – Gênesis 22:1, 2, 10-12; João 3:16; 1 João 4:9, 10.

A “posição junto ao seio” do Abraão Maior, Jeová Deus, representa uma condição de intimidade com Deus. (Lucas 16:22) Que essa expressão indica uma condição de intimidade podemos ver nos seguintes textos:

“Nenhum homem jamais viu a Deus; o deus unigênito [Jesus Cristo], que está na posição junto ao seio do Pai, é quem o tem explicado.” – João 1:18.

“Recostava-se na frente do seio de Jesus um dos seus discípulos [João], e Jesus o amava. Portanto, Simão Pedro acenou com a cabeça para este e disse-lhe: ‘Dize a respeito de quem ele está dizendo [isso].’ De modo que este último se encostou no peito de Jesus e lhe disse: ‘Senhor, quem é?’” – João 13:23-25.

Terem sido os da classe de Lázaro ‘carregados pelos anjos para a posição junto ao seio’ de Jeová Deus significa que foram enaltecidos a uma gloriosa situação de aprovação divina:

“E ele nos levantou junto e nos assentou junto nos lugares celestiais, em união com Cristo Jesus.” (Efésio 2:6) Quando Paulo escreveu tais palavras, ele e os de quem ele falava estavam na Terra, não no céu. Portanto, não haviam sido transferidos literalmente para o céu. Foram ‘levantados’ e ‘assentados nos lugares celestiais’ no sentido de terem obtido uma posição favorecida e enaltecida perante Deus.

As implicações da morte do “rico”

Já os líderes religiosos arrogantes, que rejeitaram os ensinos de Cristo, morreram quanto a ter o favor de Deus. “Hades” se refere à sepultura comum da humanidade, lugar onde os mortos e enterrados não são vistos. No caso deles, o Hades simbolizava uma condição de rebaixamento, pois morreram para Deus e foram figuradamente ‘enterrados’ por sofrerem rebaixamento (humilhação e queda espiritual):

“E tu, Cafarnaum, serás por acaso enaltecida ao céu? Até o Hades descerás.” – Mateus 11:23.

O tormento que sofreram foi devido à pregação efetuada pelos discípulos de Cristo, da classe de Lázaro, que eram considerados pelos líderes religiosos como “pessoas amaldiçoadas”. (João 7:47-49) Observe nos textos abaixo o resultado da pregação sobre os desaprovados líderes judaicos:

“Quando ouviram isso, sentiram-se profundamente feridos e queriam eliminá-los.” – Atos 5:33.

“Pois bem, quando ouviram estas coisas, sentiram-se feridos nos corações e começaram a ranger os dentes contra ele.” – Atos 7:54.

A mensagem da pregação ardia como um fogo no íntimo deles!

“Portanto, assim disse Jeová, o Deus dos exércitos: ‘Visto que dizeis tal coisa, eis que faço das minhas palavras um fogo na tua boca, e este povo será pedaços de lenha, e certamente os devorará.’” – Jeremias 5:14.

“‘Não é a minha palavra correspondentemente como um fogo’, é a pronunciação de Jeová, ‘e como o malho que despedaça o rochedo?’” – Jeremias 23:29.

O “grande precipício” (Lucas 16:26) que separava ambas as classes era o julgamento imutável de Deus:

Os teus juízos são um grande abismo.” – Salmo 36:6, Almeida Revista e Corrigida.

O “pai” do “rico” é o Diabo. (Lucas 16:27) Jesus disse: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai.” – João 8:44.

Os “cinco irmãos” do “rico” representam seus associados religiosos. Às vezes, os fariseus se juntavam a outras seitas judaicas, como a dos saduceus e a dos herodianos, para se oporem a Jesus. (Mateus 16:1; 22:15, 16; Marcos 3:6; 12:13) O “rico” e seus cinco irmãos somam seis, número que na Bíblia é símbolo de imperfeição. – Apocalipse 13:18; 2 Samuel 21:20; Daniel 3:1.

“Moisés e os Profetas” representam as inteiras Escrituras Hebraicas (“Velho Testamento”), e ‘escutar’ tais escritos sagrados significava dar atenção ao seu conteúdo, em especial às profecias que indicavam Jesus como o Messias e às normas morais de Deus.

A argumentação do Abraão Maior, de que “se não escutam Moisés e os Profetas, tampouco serão persuadidos se alguém se levantar dentre os mortos” se cumpriu quando o homem real Lázaro, amigo de Jesus, foi ressuscitado e, mesmo assim, os líderes religiosos se mantiveram insensíveis!

Portanto, uma grande multidão dos judeus ficou sabendo que ele estava ali, e eles vieram, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem levantara dentre os mortos. Os principais sacerdotes deliberaram matar também Lázaro, visto que por causa dele muitos dos judeus iam para lá e depositavam fé em Jesus.” – João 12:9-11.

As lições vitais da parábola

O que aprendemos dessa parábola contada por Jesus? Pelo menos três lições:

1.  Que não basta estudar as Escrituras, ter um bom conhecimento delas, ou ter cargos religiosos. É necessário viver à altura da Palavra de Deus.

“Se sabeis estas coisas, felizes sois se as fizerdes.” – João 13:17.

2.    Também, que mesmo as pessoas mais simples e vulneráveis podem abraçar de coração a mensagem da Bíblia.

“Muitos da multidão depositavam fé nele [em Jesus]. – João 7:31.

3.    Que Jeová exigirá uma prestação de contas dos que retêm o conhecimento, fornecendo apenas ‘migalhas’ em sentido espiritual aos demais, visando mantê-los sob o seu controle.

“‘Ai dos pastores que destroem e espalham as ovelhas do meu pasto!’ é a pronunciação de Jeová” – Jeremias 23:1.

“Ai de vós, versados na Lei, porque tirastes a chave do conhecimento; vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando!” – Lucas 11:52.

O Rico e Lázaro – significado da parábola

“rico”
Os líderes religiosos
“Lázaro”
O povo comum
“úlceras” lambidas por cães
Doença espiritual resultante de impureza
‘desejo de saciar-se’
Fome espiritual
“coisas que caíam da mesa do rico”
‘migalhas’ de conhecimento espiritual
Morte de Lázaro
Favorecimento espiritual
Ter sido carregado para a posição junto ao seio
Enaltecimento e intimidade com Deus
Abraão
Jeová
Morte do “rico”
Reprovação divina
Ter sido enterrado no Hades
Rebaixamento, humilhação
Tormento
A pregação feita por Lázaro
Pedido para refrescar língua
Desejo de que a pregação fosse amenizada
Fogo intenso
A mensagem da pregação
“grande precipício”
Julgamento imutável de Deus
“pai” do “rico”
Satanás, o Diabo
“cinco irmãos” do “rico”
Seus associados religiosos
“Moisés e os Profetas”
As Escrituras Hebraicas



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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