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domingo, 28 de setembro de 2014

Quando Cristo foi entronizado? Parte 01



Artigo contribuído, baseado no livro Preste Atenção à Profecia de Daniel! (2012, publicado pelas Testemunhas de Jeová), capítulo 9, que considera o livro bíblico de Daniel, capítulo 7. Todas as citações da Bíblia são da Nova Versão Internacional (NVI).

Opositores do único povo de Jeová Deus parecem não ter outra coisa para fazer na vida a não ser ficar escrevendo matérias contra as verdades bíblicas entendidas somente pelos verdadeiros seguidores de Cristo.
Para muitos desses opositores, a doutrina de 1914 é totalmente errada. O que não se falta na internet são sites apóstatas com artigos visando "refutar" esse ensino. As ideias são muitas, como, por exemplo: "Cristo começou a reinar em 33 EC, assim que subiu aos céus"; "607 AEC é uma data errada, a correta é 587AEC"; "a profecia dos sete tempos  de Nabucodonosor nada tem a ver com o governo de Cristo", e por aí vai.
Alguns textos também são usados para tentar "refutar" o ensino de 1914, como por exemplo:

"Que subiu ao céu e está à direita de Deus; a ele estão sujeitos anjos, autoridades e poderes." – 1 Pedro 3:22.
 "Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais,muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja" – Efésios 1:20-22.

Enfim, segundo a ideia dos opositores, foi sujeito ao Cristo no ano 33 EC todas as coisas debaixo dos seus pés. Assim, dizem eles, Jesus começou a reinar nos céus desde então.
O objetivo deste artigo tem uma proposta diferente: é analisar outra profecia bíblica, profecia essa que indica quando Cristo receberia o Reino: Trata-se da profecia dos quatro animais no livro de Daniel. E depois analisar alguns outros versos bíblicos para chegarmos ao entendimento correto.

              Assim o escritor começa: "No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, Daniel teve um sonho, e certas visões passaram por sua mente, estando ele deitado em sua cama. Ele escreveu o resumo do seu sonho.Quatro grandes animais, cada um diferente dos outros, subiram do mar. Os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra." – Daniel 7:1-3 e 17.

O primeiro animal

 "O primeiro parecia um leão, e tinha as asas de águia. Eu o observei até que as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão de modo que levantou-se sobre dois pés como um homem, e recebeu coração de homem." – Daniel 7:4.

            
Este leão com asas retratava a mesma potência representada pela cabeça de ouro da enorme estátua de Nabucodonosor, a Potência Mundial Babilônica (607-539 AEC). Este  leão alado avançava numa conquista rápida e agressiva. Depois de algum tempo, suas asas foram arrancadas. Recebendo “um coração de homem”, a potência ficou fraca. Sem “o coração de leão”, Babilônia não mais se comportava como rei “entre os animais da floresta”. (2 Samuel 17:10; Miquéias 5:8.) Outro animal gigantesco acabou com ela.

O segundo animal

"A seguir vi um segundo animal, que tinha a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. E lhe foi dito: ‘Levante-se e coma quanta carne puder! ’ – Daniel 7:5.
A potência representada pelo “urso” era a mesma simbolizada pelo peito e pelos braços de prata da enorme estátua na visão de Nabucodonosor, ou seja, a linhagem de governantes medo-persas (539-331 AEC), começando com Dario, o medo, e Ciro, o Grande, e terminando com Dario III.

              O urso simbólico estava “erguido por um lado”, talvez pronto para atacar e subjugar nações, mantendo assim o poder mundial. Outra possível explicação era que isso quisesse mostrar que a linhagem de governantes persas obteria ascendência sobre o único rei medo, Dario. 
As três costelas entre os dentes do urso podem indicar as três direções em que fez as suas conquistas: Primeiro, foi  para o norte para se apoderar de Babilônia em 539 AEC. Segundo, foi para o oeste através da Ásia Menor e para a Trácia. Por último, foi para o sul, para conquistar o Egito. Visto que o número três às vezes simboliza intensidade, as três costelas podem também enfatizar a avidez de conquista do urso simbólico.
O “urso” assim respondeu às palavras: “Levante-se e coma quanta carne puder!" Com o tempo, a Medo-Pérsia passou a governar 127 distritos jurisdicionais, e o marido da Rainha Ester, Assuero (Xerxes I), “reinava desde a Índia até a Etiópia”. (Ester 1:1) Mas essa potência seria substituída por outro animal.

O terceiro animal


"Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo. E nas costas tinha quatro asas, como asas de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar.” – Daniel 7:6.
Este leopardo de quatro asas e quatro cabeças simbolizava a linhagem macedônia, ou  grega, de governantes, começando com Alexandre, o Grande. Alexandre, como que um leopardo ágil e veloz, atravessou a Ásia Menor, depois foi para o sul ao Egito, e seguiu até a fronteira ocidental da Índia. Seu domínio incluía a Macedônia, a Grécia e o Império Persa, podendo-se assim dizer que era maior do que o “urso” (Medo-Pérsia).
O “leopardo” ficou com quatro cabeças depois da morte de Alexandre em 323 AEC. Essas cabeças eram quatro generais de Alexandre, que em partes diferentes do território sucederam Alexandre após sua morte: Lisímaco governou a Ásia Menor e a Trácia, e Cassandro ficou com a Macedônia e a Grécia. Seleuco obteve a Mesopotâmia e a Síria. Por fim, Ptolomeu controlou o Egito e a Palestina.

O quarto e último animal

"Na minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro, com as quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores, e tinha dez chifres". – Daniel 7:7.
 Este animal aterrorizante começou como a potência política e militar de Roma. Com o tempo, apossou-se das quatro divisões helenísticas do Império Grego. E, no ano 30 AEC, Roma já havia emergido como a próxima potência mundial da profecia bíblica. 
Roma, subjugando tudo na sua frente, cobriu uma área que se estendia desde as Ilhas Britânicas para baixo, através de boa parte da Europa, em torno do Mediterrâneo e além de Babilônia até o golfo Pérsico.
Mas essa potência tinha dez cifres. O que significavam isso? A Bíblia responde: "Os dez chifres são dez reis que sairão desse reino. Depois deles um outro rei se levantará, e será diferente dos primeiros reis." – Daniel 7: 24.
Por causa do modo de vida licencioso da sua classe governante, Roma começou a cair e a diminuir como potência militar. Com o tempo, esse declínio de Roma tornou-se bem evidente. Esse império se desfez em muitos reinos. Visto que a Bíblia muitas vezes usa o número dez para indicar inteireza, os “dez chifres” do quarto animal representam todos os reinos resultantes da dissolução de Roma.
Mesmo assim, Roma não acabou com a remoção do seu último imperador, em 476 EC. Por muitos séculos, a Roma papal continuou a exercer domínio político-religioso sobre a Europa. Através do sistema feudal, em que a maioria dos habitantes da Europa estava sujeito a um senhor, e consequentemente a um rei, Roma exercia domínio. E todos esses reis reconheciam a autoridade do papa. De modo que o Santo Império Romano, tendo a Roma papal como ponto principal, dominou os assuntos do mundo durante aquele longo período da história chamado Era do Obscurantismo.

O chifre pequeno

"Enquanto eu estava refletindo nos chifres, vi um outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância". – Daniel 7:8.
 Falando ainda mais sobre este chifre pequeno, o anjo disse a Daniel:  "Quanto aos dez chifres, deste reino se levantarão dez reis; depois deles se levantará outro; ele será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis". – Daniel 7:24.
Em 55 AEC, o general romano Júlio César invadiu a Bretanha, mas não estabeleceu ali permanentemente um povoado. Em 43 EC, Cláudio iniciou uma conquista mais permanente no sul da Bretanha. Em 122 EC, o Imperador Adriano começou a construir uma muralha desde o rio Tyne até o golfo de Solway, demarcando o limite setentrional do Império Romano.
No começo do quinto século, as legiões romanas deixaram a ilha. “No século 16”, explicou um historiador, “a Inglaterra tinha sido uma potência de segunda classe. A sua riqueza era pouca em comparação com a dos Países-Baixos. A sua população era bem menor do que a da França. Suas forças armadas (incluindo a marinha) eram inferiores às da Espanha”.

             Assim, a Bretanha era então um reino insignificante, sendo o simbólico chifre pequeno do quarto animal.

A mudança

Filipe II, da Espanha, lançou em 1588 a Armada Espanhola contra a Bretanha. A frota com 130 navios, e mais de 24.000 homens, navegou pelo canal da Mancha, apenas para ser derrotada pela marinha britânica. Ainda foi vítima de ventos contrários e de ferozes tempestades atlânticas. Este acontecimento “marcou a decisiva passagem da supremacia naval da Espanha para a Inglaterra”, disse certo historiador.
No século 17, os holandeses desenvolveram a maior marinha mercante do mundo. Contudo, com o aumento das suas colônias de além-mar, a Bretanha prevaleceu sobre a Holanda.
Durante o século 18, os britânicos e os franceses guerreavam entre si na América do Norte e na Índia, o que levou ao Tratado de Paris, em 1763. O autor William B. Willcox, diz que esse tratado “reconheceu a nova posição da Grã-Bretanha como potência européia dominante no mundo fora da Europa”.
A supremacia da Grã-Bretanha foi confirmada pela esmagadora vitória sobre Napoleão, da França, em 1815 EC. Os “três reis” que a Grã-Bretanha assim "abateu" foram a Espanha, os Países-Baixos e a França.

Devoraria toda a terra

“Ele disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos, e devorará toda a terra, e a pisará aos pés e a fará em pedaços". – Daniel 7:23.
Em meados do século 18, a Grã-Bretanha estava a caminho de se tornar a potência dominante no cenário mundial. Embora a Grã-Bretanha ganhasse predomínio, colônias na América do Norte se separaram dela. Mesmo assim, os Estados Unidos se tornaram poderosos, protegidos pela força naval britânica. Em 1914, os Estados Unidos haviam se tornado a maior potência industrial da Terra e a Grã-Bretanha havia erigido o maior império na História. Durante a Primeira Guerra Mundial, eles formaram uma parceria especial. Surgia assim a Potência Mundial Anglo-Americana.
Essa potência mundial dupla anglo-americana representa o “chifre que tinha olhos”. Esta é a potência que dita a política para grande parte do mundo atual e atua como seu porta-voz, ou “falso profeta”. — Daniel 7:8, 11, 20; Revelação 16:13; 19:20.
Na segunda parte deste artigo, iremos analisar a destruição final destes animais e o estabelecimento do Reino de Cristo; e, por fim, analisar textos bíblicos pertinentes.


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domingo, 21 de setembro de 2014

Como lidar com dúvidas e desapontamentos

Fonte da foto: 
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1102008075


“Nós esperávamos que este homem [Jesus] fosse o destinado a livrar Israel.” – Lucas 24:21.

As palavras do texto acima foram ditas por dois discípulos de Cristo três dias após a morte dele. A expectativa desses discípulos era de que, em vez de ser morto, Jesus livrasse o povo de Israel da colonização romana. Esse era o conceito que aqueles discípulos tinham da obra do prometido Messias, ou Cristo.
Mas, será que esse era um conceito restrito àqueles dois, ou a poucos discípulos de Jesus? A Bíblia mostra que não. Por ocasião da ascensão de Jesus ao céu, 40 dias após sua ressurreição, o relato de Atos nos informa:
“Tendo-se eles [os apóstolos, versículo 2] então reunido, perguntavam-lhe: ‘Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?’” – Atos 1:6.
Esse texto mostra que tal conceito era generalizado, sendo aderido inclusive pelos apóstolos (talvez tendo até procedido deles), que se tornariam a administração central do cristianismo daquela época. Embora Jesus tenha corrigido seu modo de pensar naquela ocasião, por serem imperfeitos continuaram a tirar conclusões erradas em relação a doutrinas bíblicas.

Como os cristãos do primeiro século lidaram com dúvidas e desapontamentos
Tomemos como exemplo o apóstolo Paulo, membro da comunidade cristã do primeiro século. No ano 56 EC, ele já havia escrito Primeira e Segunda Tessalonicenses, Gálatas, Primeira e Segunda Coríntios e Romanos. Em pelo menos quatro dessas cartas inspiradas, Paulo havia considerado abertamente o fim da Lei mosaica. (Gálatas 2:16, 18, 19, 21; 3:10-14, 19, 23-25; 4:1-7, 21-31; 5:18; 6:2; 1 Coríntios 9:20, 21; 2 Coríntios 3:2-16; Romanos 3:20, 23, 28;4:13-15; 7:6) No entanto, quando retornou a Jerusalém, Paulo ouviu de seus irmãos cristãos o seguinte comentário:
“Observas, irmão, quantos milhares de crentes há entre os judeus; e todos eles são zelosos da Lei. Mas eles ouviram rumores a respeito de ti, de que tens ensinado a todos os judeus entre as nações uma apostasia contra Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem os seus filhos nem andem nos costumes solenes. O que se há de fazer, então, a respeito disso? Em qualquer caso, eles vão ouvir que chegaste. Faze, portanto, o que te vamos dizer: Há conosco quatro homens que têm um voto sobre si. Toma contigo estes homens e purifica-te cerimonialmente junto com eles, e toma conta das despesas deles, para que se lhes rape a cabeça. E todos saberão assim que não há nada nos rumores que se contavam acerca de ti, mas que estás andando ordeiramente, guardando também tu mesmo a Lei.” – Atos 21:20-24.
E o agravante é que os irmãos que falaram isso eram da direção mundial da comunidade cristã da época. O versículo 18 esclarece que se tratava de “Tiago; e todos os [demais] anciãos”. Esses mesmos homens concluíram sua exortação a Paulo com as palavras: “Quanto aos crentes dentre as nações, já avisamos, dando a nossa decisão, de que se guardem do que é sacrificado a ídolos, bem como do sangue e do estrangulado, e da fornicação.” (Atos 21:25) Eram, portanto, os mesmos que dirigiram o primeiro concílio apostólico em Jerusalém no ano 49 EC. – Atos 15:2, 6, 13-29; 16:4, 5.
Qual seria a reação de Paulo diante do que ouviu? Será que ficaria extremamente desapontado, a ponto de decidir abandonar o cristianismo, visto que os dirigentes do movimento cristão estavam defendendo uma posição não bíblica? Pensaria em arrebanhar discípulos cristãos para montar uma forma de cristianismo renovado, ou restaurado? Ou procuraria discutir com os apóstolos e anciãos de Jerusalém, tentando provar-lhes que a Lei já deixara de vigorar?
Paulo não fez nenhuma dessas coisas. Ao contrário, seguiu o conselho deles! Após isso, Paulo foi preso, conforme já havia sido providencialmente informado. (Atos 20:23; 21:10, 11) Depois de ficar preso em Cesareia (c. 56-58 EC), Paulo foi preso em Roma (c. 59-61). De lá, Paulo foi inspirado a escrever a carta aos Hebreus, na qual ele esclarece de vez a doutrina do fim da Lei mosaica. – Hebreus 3:16-4:11; 7:12; 8:7-13.
Vemos que Paulo esperou o tempo de Deus, mediante Cristo, ajudar aos da dianteira da obra mundial da época a entender a doutrina do fim da Lei mosaica. E o próprio apóstolo é que foi usado para esse fim, talvez devido à sua humildade por esperar em Jeová. (Veja o Salmo 27:14.) O que podemos aprender do exemplo de Paulo?

Como lidar com questionamentos hoje
A organização das Testemunhas de Jeová, devido à sua incessante e sincera pesquisa das Escrituras, com oração, chegou a um entendimento amplo e profundo de maravilhosas verdades bíblicas. Isso tem sido reconhecido até por teólogos da cristandade. Por exemplo, o periódico sueco “Sökaren” (“O Pesquisador”) publicou na década de 70 uma entrevista com Bertil Persson, clérigo, autor, redator e professor de religião. Ele declarou: “Por detrás da fé que está sendo pregada pelas Testemunhas de Jeová, há uma espantosa ciência bíblica de alta classe e de orientação internacional.”[1]
Como resultado da pesquisa bíblica e ajuda divina, as Testemunhas de Jeová restauraram as doutrinas fundamentais da Bíblia, tais como:
1.   Jeová é o Soberano Universal e o Deus Todo-Poderoso. – Apocalipse 4:11.
2.   Jesus Cristo é o Filho de Deus, e não Deus-Filho. – Mateus 16:16.
3.   O espírito santo é a força ativa de Deus. – Atos 4:31.
4.   A Terra se tornará um Paraíso para os justos. – Salmo 37:29.
5.   A alma é a própria pessoa, e é mortal. – Gênesis 2:7; Ezequiel 18:4.
6.   Os mortos estão inconscientes. – Eclesiastes 9:5, 6, 10.
7.   Não existe tormento eterno, e sim destruição eterna. – 2 Tessalonicenses 1:9.

Essas preciosas verdades livraram muitos milhões de pessoas dos falsos ensinos promovidos pelas religiões da cristandade. Além disso, são ensinos que defendem uma das doutrinas fundamentais da Bíblia – a doutrina do Resgate, ou da Redenção[2].
Porém, assim como os cristãos do primeiro século tiveram conceitos equivocados, o mesmo seria de se esperar hoje. Mas isso não tira o mérito pelo maravilho acervo de conhecimento bíblico “de alta classe e de orientação internacional” que resultou da bênção divina sobre a árdua e perseverante pesquisa da Palavra de Deus.
Há os que criticam as Testemunhas de Jeová pela mudança de conceitos ao longo dos tempos, afirmando que já fizeram mais de 300 mudanças. Porém, ao invés de merecer críticas, tais mudanças são dignas de elogios! Afinal, além de serem demonstração de humildade, tais mudanças são necessárias para se chegar cada vez mais a um conhecimento acurado da Bíblia. As críticas devem ser dirigidas às religiões que estabelecem dogmas irremovíveis, que impedem o progresso do conhecimento, e mantém os adeptos presos a crenças antibíblicas.  
Se houvesse algum motivo para críticas, seria o fato de não se ter feito mais mudanças ainda. Mas, se não foram feitas, não foi falha da direção celestial, e sim dos próprios humanos, pois Cristo leva em consideração a limitação humana de seus discípulos. Ele disse: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las.” – João 16:12.
Assim, seria extremamente insensato alguém abandonar a organização de Jeová em função da discordância de algum ensino, visto que tal ensino com certeza não conflita com as doutrinas fundamentais da Bíblia, doutrinas essas que levaram tal pessoa a tornar-se Testemunha de Jeová.

Notas:
[1] Citado na revista “A Sentinela” de 15 de outubro de 1977 (p. 632), publicada pelas Testemunhas de Jeová.
[2] Veja o artigo “ACristandade e a Doutrina da Redenção”, neste site.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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domingo, 14 de setembro de 2014

Quando Cristo começa a reinar?


“Ele disse, portanto: ‘Certo homem de nobre estirpe viajou para um país distante, para assegurar-se poder régio e voltar.’” – Lucas 19:12.

A passagem acima é apenas uma das muitas ilustrações em que Jesus falou sobre seu Reino. Jesus, representado pelo “de nobre estirpe”, retornou ao céu (o “país distante”) em 33 EC, a fim de receber o Reino (“assegurar-se poder régio”), para depois retornar, não como humano, mas como poderoso ser espiritual, executando o julgamento divino sobre os maus e salvando os fiéis a Deus, seu Pai. – Veja 2 Tessalonicenses 1:6-9.
Em função disso, as religiões nominalmente cristãs aguardam a volta de Cristo. Mas, antes de sua volta, ele adquire “poder régio”. Quando isso ocorre?[1]

Revelação (Apocalipse) 11:15 e 17 relaciona o início do Reino com a revolta das nações mundiais

“E o sétimo anjo tocou a sua trombeta. E houve vozes altas no céu, dizendo: “O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor [Jeová] e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.” – Re 11:15

“Agradecemos-te, Jeová Deus, o Todo-poderoso, Aquele que é e que era, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. Mas as nações ficaram furiosas.” – Re 11:17, 18a.

Quando a História registrou ocorrências turbulentas entre as nações a nível mundial? No ano 33 EC, quando Jesus subiu ao céu? Não. O grande evento que marcou a fúria das nações foi a Primeira Guerra Mundial. Note o que os historiadores dizem sobre isso[2]:

“Desde 1914, todos os que estão cônscios das tendências do mundo estão profundamente preocupados com o que está parecendo uma marcha fadada e predeterminada em direção a uma calamidade cada vez maior. Muitas pessoas ponderadas passaram a achar que nada pode ser feito para impedir o mergulho em direção à ruína.” — Bertrand Russell, The New York Times Magazine, 27 de setembro de 1953.
 “A era moderna . . . começou em 1914, e ninguém sabe quando ou como terminará. . . . Poderia terminar em aniquilamento em massa.” — The Seattle Times, 1.° de janeiro de 1959.
“O mundo inteiro realmente explodiu por volta da Primeira Guerra Mundial, e nós ainda não sabemos por quê. . . . A utopia estava à vista. Havia paz e prosperidade. Daí, tudo foi pelos ares. Desde então estamos num estado de animação suspensa.” — Dr. Walker Percy, American Medical News, 21 de novembro de 1977.
“Em 1914, o mundo perdeu a coerência que nunca mais conseguiu recuperar desde então. . . . Este tem sido um tempo de extraordinária desordem e violência, tanto fora das fronteiras nacionais como dentro delas.” — The Economist, Londres, 4 de agosto de 1979.
“Tudo ficaria cada vez melhor. Este era o mundo em que eu nasci. . . . De repente, inesperadamente, certa manhã de 1914, o negócio inteiro acabou.” — Harold Macmillan, estadista inglês, The New York Times, 23 de novembro de 1980.

Revelação capítulo 12 associa o início do Reino com a expulsão de Satanás e de seus demônios do céu

“E viu-se um grande sinal no céu, uma mulher vestida do sol e tendo a lua debaixo dos seus pés, e na sua cabeça havia uma coroa de doze estrelas, e ela estava grávida. E ela clama nas suas dores e na sua agonia de dar à luz.
“E viu-se outro sinal no céu, e eis um grande dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres, e nas suas cabeças sete diademas; e a sua cauda arrasta um terço das estrelas do céu, e as lançou para baixo à terra. E o dragão ficou parado diante da mulher, que estava para dar à luz, para que, quando desse à luz, pudesse devorar-lhe o filho.
E ela deu à luz um filho, um varão, que há de pastorear todas as nações com vara de ferro. E o filho dela foi arrebatado para Deus e para o seu trono.”
O que significam tais simbolismos?
O “grande dragão” é Satanás, o Diabo. – Re 12:9.
Mas quem ou o que é o ‘filho varão’? Jesus? Não. Pois, assim que nasceu, tal “filho” “foi arrebatado para Deus e para o seu trono”. Todavia, Jesus não foi para o céu e nem começou a reinar assim que nasceu. Jesus somente foi arrebatado para o céu após 33 anos e meio de vida aqui na Terra. – Atos 1:9-11.
Uma vez que o filho foi arrebatado para Deus, isso significa que é filho Dele. Assim, a mulher representa Sua simbólica esposa. (Gál 4:31; Is 54:1) O filho é o Reino. Como sabemos disso?
Por ocasião do “nascimento” desse “filho” houve guerra no céu: o arcanjo Miguel e seus anjos batalharam contra Satanás e os anjos deste. Satanás e seus demônios perderam a guerra e foram expulsos do céu.  – Re 12:7-9.
Após isso, proclamou-se no céu:
Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, o qual os acusa dia e noite perante o nosso Deus! E eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho, e não amaram as suas almas, nem mesmo ao encararem a morte.” – Re 12:10, 11.
O verbo grego traduzido por “se realizou” é gínomai.

γίνομαι [gínomai] = 1) vir à existência, começam a ser; 2) tornar-se, acontecer(referente a eventos) 3) surgir, aparecer na história; 4) ser feito.
 “Vir à existência”. (Primeira definição).
The New Annalytical Greek Lexicon, de Wesley J. Perschbacher, 1990, Massachussetts;
    The Annalytical Greek Lexicon, de Samuel Bagster e filhos, Nova Iorque, 1870.

Mas, quando a Bíblia declara “agora se realizou … o reino”, significa que foi imediatamente após a expulsão de Satanás e de seus demônios do céu? O reino não havia “nascido”, ou vindo a existir, antes dessa expulsão? Sim, e isso se torna claro com o entendimento correto da palavra grega arti (agora):
Ἄρτι = no momento atual, perto dele ou depois; agora, na presente conjuntura; imediatamente, atualmente; só agora, recentemente. The New Annalytical Greek Lexicon, de Wesley J. Perschbacher, 1990, Massachussetts; The Annalytical Greek Lexicon, de Samuel Bagster e filhos, Nova Iorque, 1870.
As palavras em negrito mostram que arti inclui a ideia de algo próximo no tempo passado, de algo recente. A palavra inglesa juncture, usada nos dicionários gregos citados acima, e traduzida “conjuntura”, significa “encontro de acontecimentos”. (Michaelis) Portanto, para se harmonizar com o contexto de Revelação, capítulo 12, arti tem evidentemente esse sentido. Ou seja, por ocasião do ‘nascimento’ (produção) do Reino e do subseqüente lançamento de Satanás e de seus anjos para fora do céu, “se realizou .. o reino”.
O que aconteceu em seguida?
“Por esta razão, regozijai-vos, ó céus, e vós os que neles residis! Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo.” – Re 12:12.
Tal expulsão não ocorreu antes dos dias de Noé, uma vez que os anjos se rebelaram naquele tempo, e não antes disso. (Gn 6:1-5; Ju 6, 7) Também não ocorreu antes dos dias de Jó, visto que naquela época Satanás tinha acesso ao céu. (Jó 1:6-12; 2:1-7) Será que ocorreu no primeiro século, após Jesus ter subido ao céu? Não.
A respeito de Satanás, a voz do céu o chama de “o acusador dos nossos irmãos” e diz a respeito desses: “Eles o venceram [isto é, a Satanás] por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho, e não amaram as suas almas, nem mesmo ao encararem a morte.” – Re 12:10, 11.
Essa descrição dos seguidores de Jesus não se ajusta ao ano 33 EC, quando Jesus subiu ao céu. Muito pelo contrário: seus seguidores mais próximos ficaram com medo e o abandonaram. (Mt 26:55, 56) É óbvio que o texto se refere a um período de tempo posterior, quando muitos discípulos de Cristo teriam a oportunidade de demonstrar fé mesmo em face da morte.
Outra coisa: a expressão “ai da terra e do mar” evidentemente teria de marcar uma drástica mudança na Terra. O próprio livro de Revelação menciona os cavaleiros do Apocalipse, que causam profundas mudanças na Terra. Note a sequência dos acontecimentos:

1.º cavaleiro: “Saiu vencendo e para completar a sua vitória.” – Re 6:1.
2.º cavaleiro: “Foi [-lhe] concedido tirar da terra a paz.” – Re 6:4.
3.º cavaleiro: “Tinha uma balança na mão.” – Re 6:5.
4.º cavaleiro: “Tinha o nome de Morte. E o Hades [sepultura comum da humanidade] seguia-o de perto.” – Re 6:8.

Vemos uma sequência de guerra MUNDIAL (a paz foi tirada “da terra”), fome, e mortes decorrentes delas, incluindo “praga mortífera”. (Re 6:8) Foi exatamente isso o que a História registrou nos primórdios do século vinte! A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) envolveu 93 por cento da população mundial e causou enorme destruição de mantimentos, o que resultou em muita escassez de alimentos. Com a desnutrição e abalo causado pela guerra, vieram as doenças, a mais notável da época sendo a gripe espanhola, que ceifou mais de 20 milhões de pessoas em apenas poucos meses de 1918-19.
Tudo isso se harmoniza com o texto de Revelação 11:15 e 17, e 12:12, já considerados.

E o argumento de ‘sentar-se no trono’?

O entendimento equivocado de alguns, de que Jesus começou a reinar assim que subiu ao céu, deriva-se da conclusão, igualmente equivocada, de que assentar-se ele ao lado de Deus assim que subiu ao céu significaria começar a reinar.
Baseiam-se no texto abaixo:
E Salomão começou a sentar-se no trono de Jeová como rei em lugar de Davi, seu pai.” (1 Crônicas 29:23)
Visto que a expressão ‘sentar-se no trono’ nesse texto se refere ao início do reinado de Salomão, eles entendem que, quando Jesus se sentou à direita de Deus no céu, ele (Cristo) começou a reinar. No entanto, tal conclusão não se baseia no contexto bíblico como um todo, como vimos, tendo em vista as provas demonstradas acima de que Cristo não começou a reinar em 33 EC. Também não se baseia no que a Bíblia diz acerca da expressão ‘sentar-se no trono’.

Vejamos apenas dois exemplos:

 “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.” – Mt 25:31, 32.

Se assentar-se no trono significa unicamente começar a reinar e se Jesus começou a reinar em 33 EC, então tal separação de ovelhas e cabritos e tal julgamento já teriam acontecido naquele tempo. Mas isso não tem lógica nem é bíblico. Não tem lógica porque muitas pessoas nasceram após o ano 33 EC. Essas não serão julgadas? E não é bíblico porque tal julgamento está no final da grande profecia de Jesus sobre a “terminação do sistema de coisas”, isto é, sobre o tempo do fim. – Mt capítulos 24 e 25.

“Na recriação, quando o Filho do homem se assentar no seu glorioso trono, vós, os que me seguistes, também estareis sentados em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.” – Mt 19:28.

Tal “recriação” será após o fim deste sistema de coisas. Significa então que Cristo só começará a reinar depois do fim do sistema? Tal conclusão conflitaria com os textos de Revelação que indicam que Cristo começa a reinar ainda neste sistema.
Fica claro que não podemos entender entronização, ou tornar-se rei, toda vez que lemos a expressão ‘sentar no trono’. Depende do contexto. E o contexto bíblico somado à História evidencia que Cristo começou a reinar no Reino messiânico no século 20, por volta do período da Primeira Guerra Mundial[3].





[1] Um artigo anterior, sob o título “Jesus começou a reinar desde que subiu ao céu”, considerou matéria pertinente.
[2] As cinco citações de historiadores foi extraída da revista Despertai!, de 22 de março de 1993 (p. 11), períódico publicado pelas Testemunhas de Jeová.



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