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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O espírito santo foi referido pelo pronome demonstrativo “ISTO”?




“Nessa passagem qual o termo grego que nossas traduções portuguesas vertem por ‘isto’?” – Pergunta de um leitor.

Resposta:

     A palavra “isto” é tradução de Τοτο (pronome demonstrativo do gênero neutro), que significa literalmente “isto” (esta coisa). Seguem abaixo alguns exemplos do uso desse pronome: 

     João 6:61: “Mas Jesus, sabendo em si mesmo que seus discípulos estavam resmungando sobre isso [τούτου; genitivo], disse-lhes: ‘Causa-vos isso [Τοτο, nominativo] tropeço?’”
   
    João 6:65: “Prosseguiu assim a dizer: ‘É por isso [Τοτο; acusativo] que eu vos tenho dito: Ninguém pode vir a mim, a menos que isso lhe seja concedido pelo Pai.’”
    
    Judas 10: “Contudo, estes homens estão falando de modo ultrajante de todas as coisas que realmente não conhecem; mas, em todas as coisas que eles entendem naturalmente, como os animais irracionais, nestas coisas [τούτοις; dativo, plural] prosseguem em corromper-se.”

     João 13:35: “Por meio disso [τούτ; dativo, singular] saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.”

    Mateus 8:9: “Pois eu também sou homem sujeito à autoridade, tendo soldados sob as minhas ordens, e digo a este: ‘Vai!’ e ele vai, e a outro: ‘Vem!’ e ele vem, e ao meu escravo: ‘Faze isto [Τοτο]!’ e ele o faz.”

     Mateus 26:26: “Ao continuarem a comer, Jesus tomou um pão, e, depois de proferir uma bênção, partiu-o, e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai, comei. Isto [τοτό] significa meu corpo.”

     Strong alista 321 usos de toûto. Desses, 3 são de textos espúrios, reduzindo o número a 318, que, na expressiva maioria, se aplica a coisas, e não a pessoas, como mostram os exemplos abaixo:


Mat. 1:22; 6:25; 9:28; 12:27, 31; 13:13, 28, 52; 14:2; 15:11; 16:22; 18:23; 19:26; 20:23; 21:4, 43; 23:34; 24:14, 44; 26:9, 12, 13, 28, 39, 42, 56; 28:14; Mar. 1:27, 38; 5:32, 43; 6:14; 9:21, 29; 11:3, 24; 12:24; 13:11; 14:5, 22, 24, 36; Luc. 1:18, 34, 43; 2:12, 15; 3:20; 4:43; 5:6; 6:3; 7:4, 8; 9:21, 45; 10:11, 28; 11:19, 49; 12:18, 22, 39; 13:8; 14:20; 16:2; 18:34, 36; 20:17; 22:15, 17, 19 (2x), 20, 23, 37; 23:46; 24:40; João 1:31; 2:12; 3:32; 4:15, 18, 54; 5:16, 18, 28; 6:6, 29, 39, 40, 61, 65; 7:22, 39; 8:40, 47; 9:23; 10:17; 11:7, 11, 26, 28, 51; 12:5, 6, 18 (2x), 27, 33, 39; 13:11, 28; 14:13; 15:19; 16:15, 17, 18; 18:34, 37(2x); 18:38; 19:11, 28; 20:20, 22; 21:14, 19 (2x); Atos 2:12, 14, 16, 26, 33; 3:6; 4:7, 22; 5:4, 24, 38; 7:60; 8:34; 9:21(2x); 10:16; 11:10; 16:18; 17:23; 19:10, 14, 17, 27; 21:23; 23:7; 24:14; 26:16, 26; 27:34; 28:28; Rom. 1:12, 26; 2:3; 4:16; 5:12; 6:6; 7:15 (2x), 16, 19, 20; 9:17; 11:7, 25; 12:20; 13:6 (2x), 11; 14:9, 13; 15:9, 28; 1 Cor. 1:12; 4:17; 5:2, 3; 6:6, 8; 7:6, 26, 29, 35, 37; 9:17; 10:28; 11:10, 17, 24 (2x), 25 (2x), 30; 12:15, 16; 15:50, 53 (2x), 54 (2x); 2 Cor. 1:17; 2:1, 3, 9; 4:1; 5:5, 14; 7:11, 13; 8:10, 20; 9:6; 10:7, 11; 12:14; 13:1, 9, 10; Gál. 2:10; 3:2; 3:17; 6:7; Efé. 1:15; 2:8; 4:17; 5:5, 17, 32; 6:1, 8, 13, 22; Fil. 1:6, 7, 9, 19, 22, 25, 28; 2:5; 3:15 (2x); Col. 1:9; 2:4; 3:20; 4:8; 1 Tes. 2:13; 3:3, 5, 3:7; 4:3, 15; 5:18 ; 2 Tes. 2:11; 3:10; 1 Tim. 1:9, 16; 2:3; 4:10, 16; 5:4; 2 Tim. 1:15; 2:10; 3:1; Flm 15, 18; Heb. 1:9; 2:1; 6:3; 7:27; 9:8, 15, 20, 27; 10:33 (2x) 13:17 (2x), 19; Tia. 4:15; 1 Ped. 1:25; 2:19.


     Abaixo seguem as declinações e suas respectivas ocorrências:



Strong's Greek 

Ταῦτα — 240 Occ.
ταύταις — 11 Occ.
ταύτας — 9 Occ.
ταύτῃ — 33 Occ.
ταύτην — 53 Occ.
ταύτης — 33 Occ.
τοῦτ' — 17 Occ.
Τοῦτο — 321 Occ.
τούτῳ — 89 Occ.
τούτων — 72 Occ.
τούτοις — 19 Occ.
Τοῦ
τον — 61 Occ.
τούτου — 69 Occ.
τούτους — 28 Occ.



     Toûtos é aplicado a uma ovelha, visto que a palavra grega para “ovelha” (próbaton) é neutra. (Mat. 12:11). É também aplicado a uma “criança”, porque a palavra paidíon (“criança”, em grego) é neutra. (Mat. 18:4; Luc. 1:66; 9:48) Assim, estritamente falando, o pronome neutro toûtos é um recurso gramatical e não um endosso doutrinal. No entanto, o uso dele para uma pessoa é extremamente raro. Na sua aplicação ao espírito santo, além de concordar gramaticalmente, pelo fato de “espírito” ser uma palavra neutra, também concorda semanticamente, pelo fato de o espírito santo ser algo impessoal – a força ativa de Jeová Deus.

RESUMINDO:

1)  A expressiva maioria dos usos de toûto (isto) na Bíblia é para coisas impessoais.

2)  Embora seja um recurso gramatical, na aplicação ao espírito santo – que é impessoal – também concorda semanticamente, isto é, com o fato indisputável da impessoalidade do espírito santo.

     Em outras palavras, se a Bíblia apresentasse o espírito santo como sendo uma pessoa (ser) espiritual, o uso de toûto (pronome neutro) para tal espírito seria apenas gramatical, visto que pneúma (espírito) é palavra gramaticalmente neutra. No entanto, visto que a Bíblia apresenta o espírito santo como algo impessoal – a força ativa de Deus – o uso de “isto” não apenas concorda gramaticalmente, mas também semanticamente. 

     Note que, ao se referir a Jesus, o versículo anterior (Atos 2:32) usa o pronome “este”, que é tradução do pronome toûton, que é masculino, não neutro. Gramaticalmente, concorda com o substantivo masculino Iesoûn (Jesus). Mas, visto que Jesus Cristo é uma pessoa, tal pronome também concorda semanticamente com esse fato. 


     Na linguagem cotidiana, quando queremos apresentar alguém, dizemos: “ESTE é o Fulano.” Mas nunca dizemos: “ISTO é o fulano”, pois tal uso seria inadmissível para uma pessoa!

   Assim, não seria errado usar Atos 2:33 para afirmar a impessoalidade do espírito santo, visto que tal argumentação concorda com a gramática grega e com o inteiro contexto bíblico, o qual apresenta o espírito santo como algo impessoal.




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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Semelhança entre os 144.000 e a “grande multidão” os torna o mesmo grupo?



A seguinte pergunta foi endereçada a este site:

“Prezado apologista, parece haver certas semelhanças entre os dois grupos (144 mil e grande multidão) e muitos têm usado essas semelhanças para provar que são o "mesmo grupo". Exemplos: Em revelação 6:11, fala-se dos ungidos como recebendo uma comprida veste branca.Já em Revelação 7:10 a grande multidão também é descrita como tendo compridas vestes brancas. Também no cap.7, verso 14, a grande multidão é descrita como tendo lavado as vestes compridas, e o cap. 22, versículo 14 – que é uma referencia aos ungidos também – diz que eles lavam as suas vestes compridas.Como então conciliar isso?”

Resposta:

     O fato de expressões e símbolos semelhantes serem usados para pessoas ou grupos separados não indicam que os referidos por tais símbolos tenham a mesma identidade. Isso foi demonstrado no artigo “Duas regras – uma falsa e umaverdadeira”, neste site.

     O contexto é que determina o significado do uso do referido símbolo e a identidade da pessoa ou do grupo aludido por tal símbolo. Por exemplo, tanto Jeová como Cristo são mencionados como sendo ‘o Primeiro e o Último’. (Isa. 44:6; Rev. 1:17) Contudo, o contexto de Isaías diz respeito à Divindade de Jeová, pois o mesmo texto (Isa. 44:6) acrescenta: “Além de mim não há Deus.” Por outro lado, o contexto de Revelação diz respeito à ressurreição de Jesus. (Rev. 1:18) Jesus foi “o Primeiro” humano a ser ressuscitado para a vida espiritual, imortal. (Col. 1:18) Além disso, ele é “o Último” ressuscitado assim pelo próprio Jeová. Os demais serão ressuscitados por meio de Jesus, conforme ele mesmo explicou: “Tenho as chaves da morte e do Hades.” – Rev. 1:18b.

     No caso da veste comprida (grego: stolé), aplicada tanto aos ungidos como à grande multidão, vale ressaltar que até mesmo um anjo foi visto com tal vestimenta (Mar. 16:5), sendo que tal criatura celestial não pertence a nenhum dos dois grupos. Examinemos o contexto do uso a tais grupos distintos. No caso dos que têm esperança celestial, em Revelação 6:11 tal veste é dada a eles como evidência de sua aprovação e como indicação de sua ressurreição. É uma RECOMPENSA. Já no caso da grande multidão, eles JÁ POSSUEM tal veste, mas ela não estava branca. Para se habilitarem para a sobrevivência, precisam LAVAR tal veste já existente e a ENBRANQUECER no sangue do Cordeiro, evidentemente por exercerem fé em Cristo e viverem à altura de sua dedicação a Jeová Deus. (Rev. 7:14) E que dizer de Revelação 22:14, que menciona os com esperança celestial como também ‘lavando as suas vestes compridas’? Note que precisam fazer isso, não como requisito para sobreviver á grande tribulação, mas para que possam ‘ir às árvores da vida e para que obtenham entrada na cidade pelos portões’ da Nova Jerusalém. Em ambos os casos (Rev. 7:14; 22:14) o ato de lavar tais vestes indica tornar-se digno (aprovado) perante Deus. Mas, no caso da grande multidão, o resultado dessa aprovação é sobreviver – portanto, passar com vida – pela grande tribulação, permanecendo aqui na Terra. (Prov. 2:21) Por outro lado, no caso dos ungidos, o resultado é a ressurreição celestial, que os habilita a ‘entrar’ na Nova Jerusalém no sentido de comporem o que ela representa – a noiva de Cristo. –Rev. 21:9, 10.

     Assim, análise sóbria do contexto e da inteira fraseologia que permeia os textos em questão mostra que tais expressões ou símbolos não indicam que os aludidos por eles sejam necessariamente a mesma classe. E outros textos tornam claro que os 144.000 e a grande multidão são classes distintas, conforme a série de artigos, neste site, intitulada “A ‘grande multidão’ – qual é a sua identidade?”, partes 1 a 4. (Veja também a obra “Estudo Perspicaz das Escrituras”, vol. 3, p. 777, sob o verbete “vestimenta”, e o livro “Revelação – Seu Grandioso Clímax Está Próximo”, pp. 102-103, § 11, ambos publicados pelas Testemunhas de Jeová.)


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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Isaías capítulo 14 indica que os mortos estão conscientes?





Um leitor indagou o seguinte:

“As Testemunhas de Jeová afirmam que o relato do Rico e do Lázaro é simbólico, sendo que um argumento usado é o de que o Rico, estando no Hades (sepultura comum da humanidade) não poderia estar consciente e conversando com o Lázaro. No entanto, Isaías 14:3-23 apresenta uma conversa entre os reis mortos e o rei de Babilônia quando este cai no Seol (Hades). (Ler os versículos 9 e 10; 15-18). Seria também uma figura de linguagem?”

Resposta:

     O fato é que existem diversas figuras e recursos de linguagem, como símile, metáfora, hipérbole, prosopopeia, pleonasmo, antítese, metonímia etc. O ponto alto é identificar as figuras usadas nas passagens bíblicas. No caso da parábola do rico e Lázaro, existem algumas considerações nesse respeito.

    Conforme sabemos, o Seol-Hades (a sepultura comum da humanidade) é o lugar que se encontra no solo da terra, abaixo da superfície. (Núm 16:31-33; veja também o Apêndice da Tradução do Novo Mundo, p. 1514.) Assim, por semântica (estudo da evolução do sentido das palavras através do tempo e do espaço) Seol (Hades) passou a representar figuradamente uma condição de rebaixamento profundo. (Mt 11:23; Jó 11:7, 8; Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 2, p. 278) Esse evidentemente é o sentido usado na parábola do rico e Lázaro. Estudo Perspicaz (volume 2, p. 278) declara: “O ‘rico’ da parábola é mencionado como ‘enterrado’ no Hades, o que fornece evidência adicional de que o Hades se refere à sepultura comum da humanidade.”

     Mas, nessa parábola, o Hades é usado em sentido figurado – de condição de rebaixamento. Ou seja, há uma realidade – a sepultura comum da humanidade – usada em sentido figurado, como ocorre em Romanos 6:7, 23. O “rico” (pessoa de posição social plutocrática) é uma realidade neste sistema de coisas, usada para representar a opulenta e dominadora classe clerical dos judeus. (Lu 16:14, 15) “Lázaro” é um nome próprio real usados para humanos, que provavelmente é a forma grega do nome hebraico “Eleazar”, que significa “Deus Ajudou”. (Estudo Perspicaz, vol. 2, p. 666) Assim, a escolha, por parte de Jesus, desse nome para representar o povo comum oprimido e espiritualmente faminto pelo visto se deve a seu significado etimológico, para representar a ajuda dada por Deus mediante Cristo a esse povo. (Mt 9:36) A morte – um evento real – também foi usada em sentido ilustrativo, de mudança de condição. (Ef 2:1, 5) Portanto, a conversa envolvida na parábola, da parte do “rico”, é um claro exemplo de prosopopeia. Segundo o Dicionário Michaelis, prosopopeia é definida como “figura pela qual se atribui qualidade ou sensibilidade humana a um ser inanimado e se fazem falar as pessoas ausentes e até os mortos.” (Negrito acrescentado.) A mesma figura da prosopopeia se aplica à passagem de Isaías 14:3-23.




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domingo, 28 de dezembro de 2014

Daniel 12:2 prova que haverá “tormento eterno”?



Certo leitor solicitou o seguinte esclarecimento:

"Eu entendo perfeitamente que a alma morre e que os mortos estão inconscientes. Lendo o cap. 12 de Daniel isso fica mais claro ainda, principalmente no vers.13, que declara que Daniel descansaria e apenas após a ressurreição receberia sua recompensa, o que significa que ele está inconsciente e ainda não recebeu recompensa nenhuma, certo? A minha dúvida está no vers. 2 do mesmo cap. 12, que diz que muitos ressucitados terão vida de duração indefinida e outros terão vitupérios de duração indefinida. Esse texto não dá a entender que alguns ressucitados passariam a viver, já que estavam mortos, e outros seriam punidos com tormentos eternos? Isso seria possível se entendermos 1Co 15:44 como mostrando que a ressurreição de todos será em um corpo espiritual? Por favor, me ajude a esclarecer isso."

Resposta:

     A doutrina do tormento eterno é um subproduto da doutrina da imortalidade da alma, e depende dessa doutrina. Contudo, as Escrituras são claras em mostrar que a alma é física, tangível e mortal. (Gn 1:20; 2:7; Ez 18:4) Ademais, o espírito que existe nas criaturas físicas (animais e humanos) é uma força impessoal sem individualidade. (Ec 3:19, 20; Sal 146:4)[1] Assim, o espírito, ou força de vida, também não pode sofrer tormento. Isso por si só prova que nenhum ressuscitado para a vida terrestre estará sujeito a um tormento eterno.


     Com respeito à ressurreição física, como ser humano, temos o fato de que, das nove ressurreições relatadas na Bíblia, oito foram físicas. (1 Rs 17:17-24; 2 Rs 4:32-37; 13:20, 21; Mt 28:5-7; Lu 7:11-17; 8:40-56; At 9:36-42 e 20:7-12) Apenas a ressurreição de Jesus Cristo foi como ser espiritual, tendo em vista que ele já havia sido um ser espiritual no céu antes de ter vindo à Terra. (1Pe 3:18; Jo 3:13) Assim, a ressurreição é predominantemente terrestre. Apenas os chamados para governar com Cristo terão uma ressurreição celestial, espiritual. (2Ti 2:12; Re 20:4) A respeito dos ressuscitados para a vida espiritual, a Bíblia diz: “Sobre estes a segunda morte não tem autoridade.” (Re 20:6) Isso indica que não haverá punição para os que recebem tal ressurreição. Não serão submetidos à “segunda morte” (a destruição eterna), muito menos a um tormento eterno. Em outras palavras, não haverá injustos na ressurreição espiritual.



    Também, para haver um tormento eterno, TODOS os que já morreram teriam de ser ressuscitados – uns para a salvação e outros para o tormento eterno. Mas não é isso o que a Bíblia ensina. A Palavra de Deus diz o seguinte a respeito daqueles que são ímpios incorrigíveis: “Morrendo eles, NÃO TORNARÃO A VIVER; falecendo, NÃO RESSUSCITARÃO; por isso os visitaste e destruíste, e apagaste toda a sua memória.” (Is 26:14, Almeida Corrigida e Revisada Fiel) Por isso é que Jesus falou dos “CONTADOS DIGNOS DE GANHAR aquele sistema de coisas e A RESSURREIÇÃO dentre os mortos”. (Lu 20:35) Não seria assim se todos os que morrem fossem ressuscitados. 


     Mas que dizer de Daniel 12:2? Prova esse texto que TODOS serão ressuscitados? Não! Note a fraseologia usada no texto: “E MUITOS [não diz “todos”] dos adormecidos no solo de pó acordarão, estes para a vida de duração indefinida e aqueles para vitupérios e para abominação de duração indefinida.”


     Uma vez que a ressurreição é para os que têm oportunidade de se corrigir (Is 26:14; Lu 20:35), e uma vez que a vida eterna dos ressuscitados dependerá do que FIZEREM após sua ressurreição (Ro 6:7, 23; Re 20:12), esses “MUITOS” só podem ser pessoas com potencial de herdar a vida eterna na Terra. Então por que é que se diz que alguns “acordarão … para vitupérios e para abominação de duração indefinida”? 

    Uma pergunta que faz refletir ...
     
     Evidentemente porque não aproveitarão a oportunidade que lhes será concedida. Mesmo nas melhores das condições, decidirão se rebelar contra a Soberania de Jeová. Como diz Isaías 26:10: “Ainda que se mostre favor ao iníquo, ele simplesmente não aprenderá a justiça. Na terra da direiteza ele agirá injustamente e não verá a alteza de Jeová.” Assim, a ressurreição de tais mostrará ter sido “para vitupérios e para abominação de duração indefinida”, uma vez que serão submetidos à “segunda morte” – a morte eterna. – Re 20:14, 15.



[1] ; veja o artigo, neste blog, intitulado “Estudo sobre Pneumatologia – Parte 1”, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/2012/08/estudo-sobre-pneumatologia-parte-1.html



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sábado, 27 de dezembro de 2014

Romanos 8:27 prova a personalidade do espírito santo?


Um leitor fez a seguinte colocação:

Apologista, em Romanos 8:5,6 e 27, a expressão "intenção do espírito" do verso 27 é a mesma em grego usada no verso 6 para a "mentalidade segundo a carne" e a "mentalidade segundo o espírito"? Qual a diferença entre o "phronema" de espírito e o "phronema" de carne? Digo isso porque poderíamos dizer que, assim como o espírito tem "intenção" (Rom 8:27, Almeida), do mesmo modo também a carne tem intenção, vontade ou algo assim? A carne estaria sendo personificada assim como o espírito no contexto de Romanos 8?

     O versículo 5 usa o verbo fronéo, que é definido conforme abaixo:

     φρονέω:
       1) ter compreensão, ser sábio;

       2) sentir, pensar;
     2a) ter uma opinião de si mesmo, pensar em si mesmo, ser modesto, não deixar uma opinião (embora apenas) de si mesmo exceder os limites de;
        2b) modéstia; pensar ou julgar o que uma opinião é;
      2c) ser do da mesma mente; concordarem juntos; acalentar os mesmos pontos de vista;
     3) ser harmonioso para direcionar a mente para uma coisa, para procurar, lutar pela;
   
     Em harmonia com as várias definições acima, a NM traduz por ‘fixar a mente’.

     Já o versículo 6 usa o substantivo frónema, que tem sido definido como “o que se tem em mente, os pensamentos e propósitos”. Assim, a NM traduz por “mentalidade”. O mesmo substantivo é usado no versículo 27, sendo na NM traduzido por “sentido”, ao passo que a nota remissiva diz sobre frónema: “Ou ‘a ideia; o pensamento’.”

     De fato, como você trouxe à atenção em seu comentário, tanto o espírito quanto a carne são personificados. Portanto, tentarem os trinitaristas provar a suposta personalidade do espírito santo usando essa passagem implica em também ter que aceitar a suposta personalidade da carne!

     A respeito dessa passagem, o artigo “Estudo sobre Pneumatologia – Parte 5” (neste blog, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/2012/09/estudo-sobre-pneumatologia-parte-5-o.html) fez o seguinte comentário:

    “No que diz respeito a contrastes, ou antíteses, o espírito santo é contrastado com ‘código escrito’ (‘letra’, Al; Rom. 2:29; 7:6; 2 Cor. 3:6), e com ‘tinta’ (2 Cor. 3:3); com o pecado e a morte (Rom. 8:2), e com a ‘carne’. (Rom. 8:4-6; Gál. 5:16-18; 6:8) Nenhuma dessas coisas é uma pessoa, do mesmo modo como o espírito santo não é. Nesse respeito, a Bíblia personifica tanto o espírito quanto a ‘carne’ como tendo ‘desejo’. (Gál. 5:17). Há um contraste entre ‘ficar embriagado [cheio] de vinho’ com ‘ficar cheio de espírito’. – Efé. 5:18.”


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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Cuidado com as falácias sobre o espírito santo!


     
     Certo defensor da Trindade afirmou que a palavra “santo”, quando é substantivo, quase 95 por cento está se referindo a pessoas; e que, quando é adjetivo, também quase 100 por cento se refere a pessoas; que as duas juntas ou separadas na Bíblia são usadas quase sempre para se referir a seres pessoais; e que a palavra “espírito” é também quase 100 por cento usada para se referir a seres pessoais.

     O objetivo da citação dessas cifras foi tentar provar a suposta personalidade do espírito santo, da qual depende a doutrina da Trindade.

     Bem, é necessário ressaltar que:

1)  O uso mais frequente de um termo não é determinativo para assegurar o sentido do mesmo num caso específico.

     Segundo certa estimativa, a palavra “Deus” aparece na Bíblia, na Edição Pastoral, num total de 4.799 vezes; e, na versão Almeida Revista e Atualizada, 4.353 vezes. Dessas ocorrências, cerca de 4.000 vezes se refere a uma Pessoa, o Deus verdadeiro, Jeová. Isso representa um percentual de 83 a 91 por cento. Mas isso não significa que TODOS os demais usos se refiram a pessoas. A palavra também foi aplicada a um pedaço de madeira e ao ventre. – Isa. 44:14-19; Fil. 3:19.

2)  A afirmação quanto à porcentagem acima, sobre as palavras “espírito” e “santo”, NÃO É VERDADEIRA.

     Excetuando as referências (diretas e indiretas) ao espírito santo (cerca de 330), tal palavra é aplicada mais de 200 vezes a coisas impessoais e apenas umas 70 vezes a pessoas. Assim, ao invés dos alegados  “quase 100 por cento usada para se referir a seres pessoais”, conforme pomposamente afirmado pelo referido trinitarista, apenas cerca de 35 por cento do uso da palavra “espírito” se refere a seres espirituais.

     Em hebraico, a palavra qodesh (“santo”), com seus derivados e cognatos, que é usada em relação ao espírito santo, excetuando as três referências ao espírito santo, aplica-se mais de 430 vezes a coisas impessoais e menos de 20 vezes – menos de 5 % – a  pessoas.

    Em grego, a palavra “hágios” (“santo”), (excetuando o espírito santo, que é o foco da questão, em que a palavra ocorre c. 93 vezes), é usada cerca de 100 vezes para pessoas e cerca de 40 vezes para coisas impessoais. Portanto, 40 por cento das ocorrências – quase a metade – refere-se a algo impessoal.

Os diversos usos da palavra “espírito” na Bíblia[1]
espírito santo
força de vida
pessoa espiritual
vento
“declaração inspirada”
Outros usos
328 vezes
42 vezes
72 vezes
123 vezes
26 vezes
12 vezes

“Espírito” com referência ao espírito santo

Escrituras Hebraicas:  85 vezes.
Escrituras Gregas Cristãs: 243 vezes.
TOTAL GERAL: 328 vezes.

Espírito como força de vida (associada com fôlego, respiração):
Escrituras Hebraicas: 34 vezes.
Escrituras Gregas Cristãs: 8 vezes.
TOTAL GERAL: 42 vezes.

Espírito na acepção de pessoa (ser) espiritual
Escrituras Hebraicas:18 vezes.
Escrituras Gregas Cristãs: 54 vezes.
TOTAL GERAL: 72 vezes.

Rúahh pneúma como vento, ar em movimento
Escrituras Hebraicas: 121 vezes.
Escrituras Gregas Cristãs: 2 vezes.
TOTAL GERAL: 123 vezes.

“Espírito” no sentido de “declaração inspirada”
Escrituras Hebraicas: 6 vezes.
Escrituras Gregas Cristãs:20 vezes.

Outros usos de “espírito” nas Escrituras
“espírito dos deuses santos” (Dan. 4:8, 9, 18; 5:11): 4 vezes.
Expressão “no espírito”, como arrebatamento mental em visão ou numa inspiração: 5 vezes.
Condição espiritual, ou espiritualidade, dos humanos: 3 vezes. (Heb. 12:9, 23; Jud. 19)

      A pessoa citada precisa fazer um estudo sobre pneumatologia. É muito perigoso ficar citando porcentagens a esmo. Isso pode iludir os leigos, o que é algo sério.

     É lamentável que certas pessoas, independente de sua motivação, usem argumentos fictícios, sem base lógica nem bíblica, fundada numa pseudociência bíblica, e espalhem essas afirmações na internet, prestando um desserviço a todos os que sinceramente buscam saber a verdade.  

     Mas, mesmo que a porcentagem citada pela referida pessoa fosse verdadeira, isso não seria um argumento conclusivo. Pois o uso mais frequente de um termo não é determinativo para assegurar o sentido do mesmo num caso específico.

Conforme indicado pelo Strong's Hebrew Lexicon Number, os usos da palavra hebraica para “espírito” (rú·ahh) se referem na maior parte a algo impessoal:

H7307 רוּח (rúach)

wind, breath, mind, spirit
a) breath
b) wind
vento, respiração, mente, espírito
a) um sopro
b) vento
breath of air

rajada de ar
air, gas
ar, gás
vain, empty thing
coisa vã, vazia
spirit (as that which breathes quickly in animation or agitation)
espírito (como aquilo que respira rapidamente em animação ou agitação)
spirit, animation, vivacity, vigour
espírito, animação, vivacidade, vigor
courage
coragem
  temper, anger
temperamento, raiva
impatience, patience
impaciência, paciência
spirit, disposition (as troubled, bitter, discontented)
espírito, disposição (como problemático, amargo, descontente)
disposition (of various kinds), unaccountable or uncontrollable impulse
disposição (de vários tipos), impulso incontrolável ou inexplicável
prophetic spirit
espírito profético
spirit (of the living, breathing being in man and animals)
espírito (dos viventes, estando respirando no homem e animais)
as gift, preserved by God, God's spirit, departing at death
como dádiva, preservada por Deus, o espírito de Deus, partindo na morte
spirit (as seat of emotion)
espírito (como sede da emoção)
desire
desejo
sorrow, trouble
tristeza, problemas
as seat or organ of mental acts
como sede ou órgão de atos mentais
as seat especially of moral character
como sede especialmente de caráter moral
as inspiring ecstatic state of prophecy
como estado de êxtase inspirador da profecia
as impelling prophet to utter instruction or warning

como impulsionando profeta a total instrução ou aviso
imparting warlike energy and executive and administrative power
energia guerreira proporcionadora e poder executivo e administrativo
as endowing men with various gifts
como dotando os homens com vários dons
as energy of life
como energia da vida

Assim, diante do uso preponderante de “espírito” para seres impessoais, o espírito santo teria de ter uma identidade pessoal, assim como o Pai e o Filho têm. Mas isso não ocorre com o espírito santo. Essa esmagadora evidência revela que ele não é uma pessoa, e sim a energia, ou força, procedente de Deus.

Jesus disse: “Eu vim dar início a um fogo na terra.” (Luc. 12:49) Como comentou a obra “Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus” (p. 212, § 8, publicada pelas Testemunhas de Jeová), “ele [Jesus] certamente ‘pôs fogo à terra’ (New English Bible), levantando uma questão que causou controvérsia acesa e resultou em serem consumidos muitos falsos ensinos, afirmações e pretensões de homens e instituições.” Nós, como discípulos de Cristo, seguimos o exemplo deixado pelo Mestre, trazendo à tona as verdades bíblicas, as quais consomem os falsos ensinos.

REFERÊNCIAS:


Estudo sobre Pneumatologia – Parte 1


Estudo sobre Pneumatologia – Parte 2


Estudo sobre Pneumatologia – Parte 3


Estudo sobre Pneumatologia – Parte 4


 Estudo sobre Pneumatologia – Parte 5



[1] A quantidade de vezes em que ocorrem a palavra “espírito”, tanto no hebraico como no grego, varia conforme a fonte consultada, dada a variedade de manuscritos e textos antigos nos quais tais fontes se baseiam. Não obstante, mesmo assim, é possível estimar que o uso da palavra “espírito”, em sua grande maioria, se refere a algo impessoal.


Os artigos deste blog podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o blog oapologistadaverdade.blogspot.com



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