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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Por que as Escrituras Cristãs registram pouco uso do nome de Deus por Jesus? – Parte 2


Após a consideração da primeira parte deste tema, o mesmo leitor escreveu:

Jesus geralmente nos Evangelhos chama a Deus de Pai mais do que de Jeová. Apologista, eu conheço o hebraico estudei ele por muito tempo, e sei que os sinais vocálicos do lado do tetragrama yhwh estão errados, são os sinais de vogal de adonai, as vogais que se usam em adonai são as vogais “a”, “o” e “i”. O nome de DEUS perdeu-se para sempre, mais os sinais vocálicos usados nas consoantes do nome Jesus estão certos. Lembrando que o hebraico não tem vogais, apenas sinais vocálicos chamados nukedot, que representam as vogais, e mesmo que os sinais vocálicos do nome de Jesus, estivessem errados, nós mencionaríamos ele de modo correto, pois temos o nome yesóus grego traduzido para o português Jesus. Isso não se dá com o tetragrama. Não temos o tetragrama para o grego. Se tivéssemos, saberíamos o nome verdadeiro de Deus. A questão não é a pronúncia em hebraico, e a pronúncia verdadeira do nome, pois os sinais de vogal do lado das letras yhwh estão errados. Por isso é muito errado dizer: ‘esse é o verdadeiro nome de Deus’. Nunca encontramos Jesus numa única oração sequer ele chamando Deus de Jeová; apenas quando ele menciona partes das Escrituras Hebraicas ele cita o nome Jeová.

Resposta:

Bem, você afirma conhecer o hebraico bíblico, mas há certos fatos que você demonstra desconhecer, os quais eu desejo amorosamente trazer ao seu conhecimento. Vejamos algumas de suas afirmações e os fatos a respeito:


Você afirmou: “Os sinais vocálicos do tetragrama estão errados; são os sinais de vogal de adonai.”

Não há evidência conclusiva de que os sinais vocálicos de Tetragrama sejam os de Adonai. Pelo contrário, há evidência de que a pronúncia “Jeová” pode não ser uma junção da palavra “Adonai” sobreposta ao Tetragrama.

O artigo “É o nome Jeová uma junção da palavra Adonai sobreposta ao Tetragrama?” (link http://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2012/01/01/e-o-nome-jeova-uma-juncao-da-palavra-adonai-sobreposta-ao-tetragrama/) cita diversas provas documentais e argumentos contra essa teoria. Veja alguns deles:


 “As vogais exatas que correspondem à palavra Adonai sequer são usadas. … O que fica evidente neste mapeamento da vocalização do Tetragrama é que o ‘e’ na palavra Yehwah é um sheva e não um hateph Patah, que ocorre na primeira sílaba da palavra ‘Adonai’. Em ‘Adonai’ temos um hateph patah, um holem e um qamets. Em ‘Yehwah’ temos um sheva na sílaba inicial.” 


Freedman e O’Conor apresentam a seguinte explicação para esta diferença:

“Os Massoretas, contudo, não supriram a pontuação vocálica exata para sua pronúncia, que teria resultado na forma Yahowa. Esta forma resultaria na violação do próprio tabu que eles procuravam observar se a primeira silaba contivesse a vogal a”.

Você afirmou: “Não temos o tetragrama para o grego.”

Isso não é verdade.

O artigo “É o nome Jeová uma ‘junção da palavra Adonai sobreposta ao tetragrama’?”, do Queruvim, cita fontes abalizadas que comprovam a existência do tetragrama no texto grego:



Você afirmou: “É muito errado dizer: ‘esse é o verdadeiro nome de Deus’.”

As Testemunhas de Jeová não defendem a tese de que esta pronúncia (Jeová) é a "verdadeira pronúncia original do Nome" e até então ninguém pode afirmar com certeza qual é. Portanto, ninguém pode dizer que "Jeová" é a pronúncia "verdadeira" ou a "falsa".

Outra afirmação sua: “O nome de DEUS perdeu-se para sempre.”

Felizmente, isso também não procede. Zacarias 14:9 declara: “E Jeová terá de tornar-se rei sobre toda a terra. Naquele dia Jeová mostrará ser um só e seu nome um só.” O livro “Segurança Mundial sob o ‘Príncipe da Paz’”, publicado pelas Testemunhas de Jeová, comenta o seguinte sobre esse texto:

“Somente Jeová será adorado como o único Deus verdadeiro. ‘Naquele dia’ do Reino de Jeová pelo ‘Príncipe da Paz’, Deus revelará a pronúncia exata do seu nome. Haverá então apenas uma pronúncia deste nome sagrado por parte de todos na terra. Seu nome será um só.” (P. 176 § 12)

Você afirmou: “Os sinais vocálicos usados nas consoantes do nome Jesus estão certos e não errados.” “Mesmo que os sinais vocálicos do nome de jesus, estivessem errados, nós mencionaríamos ele de modo correto, pois temos o nome yesóus grego traduzido para o português Jesus.”

Isso também não procede. Os dados históricos mostram a deformação do nome hebraico que corresponde ao nome do Filho de Deus. A forma grega I•e•soús não corresponde exatamente à forma hebraica Yeshúa‘, por não possuir som semelhante ao CHIM hebraico.

Ademais, a pronúncia Yeshúa‘ só passou a ser usada no período exílico (7.º séc. AEC), influenciada pelo aramaico, sendo, portanto, uma forma aramaicizada de Yehoh•shú•a'.

Assim, a distância fonética e morfológica entre I•e•soús e Yehoh•shú•a' é simplesmente intransponível.

Portanto, o nome grego I•e•soús não corresponde de modo algum à forma hebraica vocalizada do nome do Filho de Deus. Logo, a forma latina, que deriva da forma grega, também não corresponde.

Assim, mesmo que os sinais vocálicos do nome hebraico do Filho estejam certos e correspondam à pronúncia primitiva, nós mencionaríamos o nome do Filho de modo errado (diferente da pronúncia original), pois o nome grego I•e•soús (que originou “Jesus”) não corresponde à pronúncia hebraica disponível.

(Para mais informações sobre isso, veja o artigo “Qual é a pronúncia correta do nome de Deus?”, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/2011/11/qual-e-pronuncia-correta-do-nome-de.html)



Segue aqui também um comentário feito por nosso irmão Queruvim, Professor de Hebraico e Grego:


Em outras palavras, a transliteração em geral não é um guia seguro, porque os idiomas não possuem sons correspondentes, mas apenas aproximados.

E que as pronúncias hebraicas disponíveis das duas formas do nome do Filho de Deus correspondam às pronúncias dos tempos bíblicos também não há certeza, conforme mostra o comentário do livro “O que a Bíblia realmente ensina” (publicado pelas Testemunhas de Jeová):

“Nos tempos bíblicos, o nome Jesus talvez fosse pronunciado Yeshua, ou possivelmente Yehoshua — ninguém sabe ao certo.” (P. 196)

Portanto, minha afirmação de que “afirmar que o nome de Deus não é Jeová e que esse nome vem sendo usado em substituição ao nome original é o mesmo que afirmar que o nome do Filho de Deus não é Jesus e que este nome vem sendo usado em substituição ao nome original, cuja pronúncia no hebraico antigo é igualmente desconhecida” tem base sólida. 

Quanto à sua pergunta – ‘por que Jesus não usava muito o nome de Deus?’, ela pode ser melhor vertida por: ‘Por que as Escrituras Cristãs registram pouco uso do nome de Deus por Jesus?’

Pois, não podemos afirmar, COM BASE NAS ESCRITURAS CRISTÃS, que Jesus usou POUCO o nome de Deus. Afinal, ele mesmo afirmou:

“Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo. … Eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer.” – Jo 17:6, 26.

Pelo que essas passagens indicam, ele fez profuso uso do nome divino ao ensinar.

Na ceia ao cantar os Salmos de hilell usou o Nome talvez dezenas de vezes. Isso se dá visto que somente no Salmo 113 lemos o Nome muitas vezes! O Salmo 118 também foi cantado por Cristo na noite anterior a sua morte:


No entanto, no registro inspirado, notamos que, na relação com Deus, Jesus usa o termo “Pai” de modo proeminente. Por que se dá isso?


Como a Bíblia indica como um todo, Jesus tem uma relação exclusiva e ternamente achegada com Jeová. Ele é o Filho unigênito e primogênito de Deus. De modo que os termos “Pai” e “Filho” são os mais apropriados para descrever a relação ímpar entre Jeová e Jesus Cristo. Assim, seria natural que o Filho, Jesus Cristo, se dirigisse a Jeová Deus como seu “Pai”. Isso pode explicar o acentuado uso do termo “Pai” por parte de Jesus

No entanto, isso não justifica que os discípulos de Cristo não usem o nome divino (pois o próprio Jesus o usou), nem que façam pouco uso dele (pois há evidência bíblica de que Jesus usou profusamente o Nome, conforme João 17:6, 26). Afinal, o ‘povo para o nome de Deus’, como a própria expressão se autoexplica e exige, precisa se destacar pelo uso do nome divino. – Atos 15:14.

Por fim, exorto-o amorosamente a não dar atenção aos argumentos dos apóstatas, mas sim estudar bastante as Escrituras com a ajuda das publicações cristãs. Isso, por certo, irá ajudá-lo a ‘prosseguir andando em união com Cristo, arraigado, e sendo edificado nele e estabilizado na fé, assim como você foi ensinado, transbordando em agradecimentos com fé’. – Col 2:6, 7. 


Os artigos deste blog podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o blog oapologistadaverdade.blogspot.com




2 comentários:

  1. "Jesus tem uma relação exclusiva e ternamente achegada com Jeová. Ele é o Filho unigênito e primogênito de Deus. De modo que os termos “Pai” e “Filho” são os mais apropriados para descrever a relação ímpar entre Jeová e Jesus Cristo. Assim, seria natural que o Filho, Jesus Cristo, se dirigisse a Jeová Deus como seu “Pai”"

    Obviamente, o próprio Apologista da Verdade certamente nunca escondeu ou se recusou a usar o nome de seu genitor paterno, mas se observarmos na intimidade ouviremos ele falando com seu genitor o chamando de pai, ou não?

    Garanto que o Apologista também usa mais o EU ao se referir a si próprio do que seu nome pessoa, embora também nada tenha contra se chamar pelo seu próprio nome.

    Provavelmente o costume era de chamar a Deus de "Abba".

    Os cristãos da época (os irmãos de Cristo) tinham por costume citar um par divino formado por "Pai e Filho", sempre ressaltando essa intimidade familiar que existia entre Jeová Deus e Jesus Cristo.

    De todos ângulos vemos que não existe nada que justifique o abandono do nome pessoal do Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Mesmo com o uso numeroso do vocábulo Pai no "Novo Testamento" ainda é digno de nota que pais existem muitos, de forma que este termo não pode ser nossa única forma de se referir a nosso Criador, existem vários deuses e senhores antigos e atuais que são nomeados como "pais" também.

    As pessoas as vezes citam o Pai Celestial, o Criador, o Grande Pai, o Pai Divino e termos similares e não tem em mente a Jeová e sim outros deuses e entidades religiosas diversas, apenas ao ecumenismo que serve um uso de um termo vago que serve a qualquer entidade professamente divina a que se atribui o dom da paternidade, e quanto a Brahma, Amon Rá, Olorum, G.a.d.u, Tien, Aura Mahzda, Júpiter não seriam conhecidos como "deuses pais" ? Inclusive a rejeição ao nome pessoal Jeová em favor de um termo vago como PAI abre caminho para o gnosticismo! Aquela ideia que separa o Deus dos Hebreus do Deus dos Cristãos ou o Deus do "Antigo Testamento" do Deus do "Novo Testamento", o uso do nome de Jeová porr parte dos verdadeiros cristãos é uma resposta poderosa contra tais ideias!!!

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  2. Achei bem oportuno estes comentários lá na página do Queruvim que encaixa perfeitamente com esta matéria.

    nilson On 14 de janeiro de 2015 at 19:28

    eu queria que voce me ajudace a entender a seguinte coisa os judeus chamam deus de adonai so que todas as pesquisas que fiz dizem que a palavra adonai originace de adon e de adonis o deus grego romano e significa senhor como podem os judeus chamarem deus de adonai quando essa palavra e comprovadamente o nome de um idolo pagao

    Queruvim On 14 de janeiro de 2015 at 23:52

    O hebraico existia MUITO antes dos povos helênicos. Caso fechado.

    https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2015/01/12/promove-jesus-a-violencia-em-lucas-1927-28/

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