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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A abolição dos Dez Mandamentos justifica que os cristãos cometam pecados?




Apologista, me tira uma dúvida.   Em que sentido nós não estamos debaixo da Lei, ou seja, não seguimos a Lei mosaica, visto que os pecados contidos nela são proibidos totalmente hoje em dia  também? Coisas como furtar, cobiçar, adorar imagens etc.  Isso que não entendo. Não são os Dez Mandamentos válidos totalmente hoje? Então em que sentido não seguimos essas leis?   Obrigado.

Prezado leitor:

Essa argumentação, que é produto de sua dúvida, é usada pelos atuais sabatistas na afirmação de que o Decálogo (os Dez Mandamentos) permanece para os servos cristãos de Deus. É comum levantarem a seguinte questão: ‘Se os Dez Mandamentos não são mais válidos, então podemos pecar? Então podemos matar, adulterar, furtar, dar falso testemunho, cobiçar?’

O apóstolo Paulo, o maior expositor nas cartas do “Novo Testamento” de que a inteira Lei dada a Israel findou (incluindo os Dez Mandamentos), pelo visto tinha que lidar com tal argumentação em seus dias, pois ele disse:

Pois o pecado não deve dominar sobre vocês, visto que vocês não estão debaixo de lei, mas debaixo de bondade imerecida.” – Romanos 6:14.

Por que Paulo afirma que os cristãos não estão “debaixo DE lei”, e não “debaixo da lei” (ARC, IBB, NVI, SBB)? A palavra “lei” (nómos em grego) neste texto é um substantivo anartro (sem artigo) e, por isso, a NM traduz por “de lei”. Portanto, Paulo faz referência à lei num sentido genérico, mostrando que o cristianismo, ao contrário do judaísmo antigo, não possui um código de leis. Ao judaísmo pré-cristão, Deus forneceu, mediante Moisés, um código elaborado de leis – ao todo mais de seiscentas – incluindo o Decálogo. Embora não fosse um código segundo os moldes atuais, continha prescrições e proibições.

Por outro lado, o cristianismo não contém um conjunto codificado de leis. Não, o cristianismo é essencialmente principiológico: suas normas são expressas em forma de princípios. Portanto, a argumentação paulina é clara em mostrar que os cristãos não estão sujeitos à Lei dada a Israel, o que inclui não estarem sujeitos os Dez Mandamentos.

Todavia, assim como acontece hoje, a exposição dessa verdade gerava nos dias de Paulo uma contra-argumentação como expressa acima, no sentido de que, então, os cristãos poderiam pecar à vontade, visto inexistir para tais um conjunto de leis codificadas.

Lidando com tal contra-argumentaçao, Paulo replica, em Romanos 6:15:

“O que concluímos então? Cometeremos pecado, já que não estamos debaixo de lei, mas debaixo de bondade imerecida?”

A resposta do apóstolo? “Certamente que não!”

Ele continua sua argumentação:

“Não sabem que, se vocês se apresentam a alguém como escravos, para lhe obedecer, são escravos daquele a quem obedecem — quer do pecado, que leva à morte, quer da obediência, que leva à justiça?” – Romanos 6:16.

Mas, perguntamos: Visto que os cristãos não estão sujeitos a nenhum código de leis, eles devem obediência a quê?

Paulo não nos deixa sem informação. Ele explica:

“Mas graças sejam dadas a Deus, pois, embora no passado vocês tenham sido escravos do pecado, tornaram-se obedientes de coração [não à Lei dada a Israel, mas] ao padrão de ensinamento a que foram entregues.” – Romanos 6:17.

Visto que o cristianismo não possui nenhum código de leis, mas sim princípios, ele possui um “padrão de ensinamento” – normas em forma de princípios, conselhos, admoestações etc.

Por isso, Paulo podia afirmar que, mesmo os cristãos não estando debaixo de lei, não há justificativa para cometer pecados, pois possuem um padrão de ensinamento – um conjunto de crenças que condena ações pecaminosas. Embora a Lei dada a Israel não tenha permanecido no cristianismo, muitos de seus princípios (alguns dos quais anteriores à própria Lei) foram perpetuados no cristianismo.


Assim, é perfeitamente coerente os cristãos não estarem sujeitos à Lei dada a Israel e, ao mesmo tempo, não praticarem muitas coisas proibidas naquele código de leis, visto  que o cristianismo possui normas em forma de princípios que também albergam essas proibições.



Explicação das siglas usadas:

ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo.
NVI: Nova Versão Internacional.
SBB: Bíblia da Sociedade Bíblica Britânica.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org


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