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quinta-feira, 30 de junho de 2016

A religião hebraica é uma cópia da religião cananeia? (Parte 2)

Fonte da foto: 
Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, pág. 288.


Os títulos usados para Jeová foram copiados da religião pagã?

O mesmo leitor do primeiro artigo deste tema também comentou:

“Também vi uma explicação que, em ugarítico, a palavra El-Shaddaí (‘Deus Todo-Poderoso’) quer dizer também ‘Deus da Montanha Sagrada’, dizendo que o deus EL habitava em montes e que, pra falar com o povo. El residia em uma tenda ou tabernáculo. E o Salmo 15:1 diz: ‘Ó Jeová, quem será hóspede na tua tenda? Quem residirá no teu santo monte?’”

Resposta:

O fato é que, em hebraico, Shadday (שַׁדָּי)  é um substantivo masculino que significa “Todo-Poderoso”. (Veja a Concordância Exaustiva de Strong; Brown-Driver-Briggs.) O correspondente substantivo grego é παντοκράτωρ (pantokrátor).

O Léxico Hebraico e Inglês, de Brown-Driver-Briggs[1] indica que há estudos linguísticos que alegam que os assírios usavam como correspondente de Shadday o substantivo assírio Sadu, o qual se tem como significando “alto”, ou “montanha”.

Contudo, a proposição de que os assírios davam um significado diferente à palavra correspondente deles para Shadday não suporta a afirmação de que os hebreus copiaram seus conceitos dos assírios.

Sabemos que, por semântica, uma palavra pode adquirir um significado diferente do original por um uso em determinado período histórico. Assim, os assírios podem ter usado a palavra assíria equivalente a Shadday para uma divindade das montanhas e, assim, Sadu teria adquirido o sentido de “montanha”, ou “montanha sagrada”.

Mas, o importante é que, na Bíblia, Shadday e seu correspondente substantivo grego παντοκράτωρ (pantokrátor) significam “Todo-Poderoso”. Outro fato relevante que impede qualquer possibilidade de o Deus Jeová ser identificado com qualquer ‘deus da montanha’ é o que está registrado em 1 Reis 20:23-28:

Os servos do rei da Síria disseram-lhe: O Deus deles [Jeová] é um Deus de montanhas. É por isso que eles nos venceram. Mas, se lutarmos contra eles na planície, nós os venceremos. Além disso, faça o seguinte: remova todos os reis das suas funções e ponha governadores no lugar deles. Depois reúna um exército igual ao que o senhor perdeu, com o mesmo número de cavalos e carros de guerra. Lutemos contra eles na planície e nós certamente os venceremos.’ Ele escutou o conselho deles e fez exatamente isso. No início do ano, Ben-Hadade reuniu os sírios e foi a Afeque para a batalha contra Israel. O povo de Israel também foi reunido e recebeu provisões, e saiu ao encontro deles. Quando o povo de Israel se acampou diante deles, pareciam dois pequenos rebanhos de cabras, ao passo que os sírios enchiam toda a região. Então o homem do verdadeiro Deus se aproximou do rei de Israel e disse: ‘Assim diz Jeová: “Visto que os sírios disseram: ‘Jeová é um Deus de montanhas, não um Deus de baixadas’, entregarei nas suas mãos toda esta multidão, e vocês certamente saberão que eu sou Jeová.”’”

O leitor declarou:

“E Gênesis 33:20 diz: ‘Erigiu ali um altar e o chamou de Deus, o Deus de Israel.’ Nessa passagem dizem que se verte EL, o Deus de Israel, mostrando assim que Jacó adorava EL. Ainda tem o argumento de que todos os títulos para Jeová na verdade são nomes de divindades pagãs ugaríticas, mostrando que Jeová é uma fusão de deuses.”

Resposta:

           É importante entender que El é um substantivo comum, e pode ser aplicado (como a Bíblia deveras aplicou) a qualquer ser que tenha a distinção de ser El (alguém poderoso e/ou uma divindade).

Os israelitas não usavam El como nome próprio e sim como título. Mas os cananeus pagãos poderiam ter usado esse substantivo comum como nome próprio de alguma divindade deles.

Isso pode ser ilustrado por outro substantivo comum: baal (hebraico: בעל.). Essa palavra também é um substantivo comum que significa “proprietário”, “marido”, “senhor”, “mestre”, aplicando-se também a “cidadãos”, “habitantes” e “governantes”, e senhores.

No caso do Deus Todo-Poderoso, Jeová, esse termo (baal) foi usado como um de seus títulos, mas os demonólatras cananeus o usaram como nome de uma de suas divindades. Assim, baal foi usado tanto como substantivo comum (termo descritivo), como também como nome próprio.

Contudo, isso não significa que os israelitas copiaram dos cananeus o termo baal para aplicá-lo como título de Jeová. Isto porque o termo baal é também usado num sentido civil (não religioso), referindo-se a um “marido” (Gênesis 20:3), a um “proprietários de terra” (Josué 24:11), a “governantes das nações” (Isaías 16:8, Bíblia King James Atualizada), a “confederados” (representantes de governos soberanos que, no interesse comum, põem-se sob a dependência de um governo central, conservando, porém, a sua autonomia em outros domínios; Gênesis 14:13); a donos de bens tangíveis (físicos, concretos) (Êxodo 21:28, 34; 22:8; 2 Reis 1:8, nota da NM com Referências) e de bens intangíveis, como um credor (‘dono de uma dívida’, NM com Referências) etc.

Portanto, a afirmação de que a religião hebraica é uma cópia da religião cananeia demonstra desconhecimento ou desconsideração da linguística e da História e, principalmente, da inatacável diferença entre o sistema religioso hebreu e o das nações pagãs contemporâneas.


Referências:
Estudo Perspicaz das Escrituras, publicado pelas Testemunhas de Jeová.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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terça-feira, 28 de junho de 2016

“Deus unigênito” em João 1:18 – um dilema para os trinitaristas! (Parte 8 e final)

Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/en/publications/magazines/ws20121215/temporary-residents-united-in-worship/



Após extensas provas de que genos carrega o significado de derivação e nascimento, Harris cita autores que associam a palavra μονογενής a μονος e γενω:[1]

·       Henry George Liddell, Robert Scott, e Henry Drisler, no seu léxico Grego-Inglês, com base no trabalho alemão de Francis Passow.

·       Greville Ewing, em sua Gramática Grega e Léxico Grego e Inglês das Escrituras.

·       J.H. Bass, em seu Léxico-manual Grego e Inglês para o Novo Testamento.

·       L. Edward Peithman, no final de sua Gramática Grega Teórica e Prática, liga μονογενής a μόνος e ao verbo γίνομαι, derivado de γενω.

·       John Groves, no seu Dicionário Grego e Inglês, também faz a ligação com esse verbo, mostrando μονογενής como sendo derivado de μόνος e γίνομαι, “nascer”.

·       Karl Gottlieb Bretschneider, em seu trabalho, Lexicon manuale greco-Latinum em Libros Novi Testamenti,  dá a derivação de μονογενής como segue- “ex μόνος et γίνομαι e. μόνος γεννώμενος unice genitus, unicus, sic a”, também mostrando sua ligação com o verbo.

·       E, finalmente, James Donnegan, em seu Novo Léxico Grego e Inglês; Principalmente sobre o Plano do Léxico Grego e Alemão de Schneider, relaciona com o verbo γενω, mas é interessante notar que ele também relaciona com γένος, (como alguns outros lexicógrafos de seus dias). Porém, também se deve notar que ele não acha que isso impedia o significado tradicional de unigênito. Ele, como muitos outros, ainda deu a nuance de unigênito. Ele a define como nascido ou produzido sozinho, com o tema como segue Th. μόνος, γένος, γενω”. – p. 215.

Assim, tendo esse sólido embasamento, Harris pontua:

Todos esses estudiosos em grego e lexicógrafos do século 18 e 19, sendo muito proficientes na língua grega (visto que foram criados em um sistema educacional que ensinou grego e latim desde tenra idade), acreditaram que –genes estava relacionado com o verbo gennáo e ginomai e, portanto, carregou o significado de gerado ou nascido. Mas hoje o seu testemunho é rejeitado como sendo distorcido, nem mesmo sendo reconhecido como uma possibilidade.


Após isso, Harris passa a considerar as mudanças históricas que levaram à alteração no sentido de monogenés para “único de uma espécie”:

No século 19, quem introduziu o significado de um de uma espécie para monogenés ainda podia admitir que unigênito também é uma legítima tradução. Na década de 1930 eles ainda mantinham alguma objetividade, ainda admitindo que tal significado era possível (como foi feito por Francis Warden, embora ele tentou arduamente refutá-lo). Mas, pela década de 1950, os homens começaram a perder a objetividade. Vemos isso com o exemplo de Dale Moody; ele negou definitivamente a possibilidade de unigênito, e rotulou a Igreja como estando enganada” por 1.500 anos por sempre ter acreditado em tal coisa!

E agora que chegamos ao século 21, o fruto de tal pensamento, infelizmente, está começando a ser visto. … Muitos continuam a passar informação falsa e enganosa sobre o significado de monogenés e da haste -genes sem um piscar de olhos. Quase todas as traduções da Bíblia moderna, desde a introdução da RSV [Revised Standard Version] em meados do século 20, agora coloca um significado diferente para monogenés.

[…]

Por exemplo, o Codex Monacensis traduz monogenés por unicus em João 1:14, mas, em seguida, quatro versículos depois, no versículo 18, ele usa Unigenitus para monogenés, que ele também faz nos versos restantes em João. Ou, inversamente, no Codex Palatinus, monogenés é traduzido por Unigenitus em João 1:14, mas quatro versos depois e nos versos restantes do John traduz monogenés por unicus!

[…]

Permanece o fato, quando consideramos todos os textos latinos antigos, que descobrimos que, enquanto alguns traduzem monogenés por unicus, a grande maioria dos tradutores do Latim Antigo traduzem monogenés como Unigenitus. Unicus foi a tradução minoritária, e não a tradução majoritária, como muitos afirmam hoje.

Além disso, lembre-se – o fato de que os latino-cristãos tenham compreendido monogenés como significando Unigenitus não é apenas dependente de Textos do Latim antigo do grego das Escrituras. Como foi mencionado antes, Monogenés nos escritos de Irineu foi traduzido por Unigenitus, e o cristão Latino Tertuliano, que escreveu 150-200 anos antes de Jerônimo (quando muitos dos textos latinos antigos estavam sendo escrito), certamente havia entendido monogenés como Unigenitus.


A CONCLUSÃO DO ASSUNTO

Em João 1:18, os mais antigos e reputados manuscritos colocam monogenés theós (“Deus unigênito”);

O sentido é de “unigênito” (único gerado ou nascido):
1.    Associado a nascimento, geração
a)              utilizado a partir de três perspectivas: de um pai (Jz  11:34), de uma mãe (Lu 7:12) e de um pai e mãe juntos (Hb 11:17);
b)             tradução único Deusexcluiria o Pai e o espírito santo de comporem Deus;
c)              Expressão “único Deus” se refere ao Pai (Jo 5:44; 17:3; 1Ti 1:17; Ju 25)

2.  Impossível ‘único de uma espécie’
a)              faria o Pai e o espírito santo serem de um tipo ou substância [homoiousios] diferente.

Monogenés não apóia a teoria da geração eterna
a)              Pr 8:22, 23.

Genes – derivado de genos ou de gennáo?

1.     O significado primário de genos, no N.T., não é tipo ou classe, mas sim descendente, Nação, ou descendência.
a)              Textos que contêm a palavra genos: Mt 13:47; Mr 7:26; 9:29; At 4: 6, 36; 7:13, 19; 13:26; 17:28, 29; 18: 2, 24; 1Co 12:10, 28; 14:10; 2Co 11:26; Gál 1:14; Fil 3: 5; 1Pe 2: 9; Ap 22:16.
b)             Sentido de descendência: At 17:28, 29; Ap 22:16. (Por que neotrinitários não traduzem monogenés como “unigênito”?)
c)              Ap 22:16: veja Ro 1: 3; 2Ti 2: 8.
d)             Jo 1:14: “Unigênito (monogenés) do Pai”.
e)              At 18:2, 24:nascido”. Jesus deve ser entendido como o único Filho nascido”.
f)                At 13:26; Fil 3: 5:  linhagem [geração]. Ideia de nascimento, geração ou derivação. At 13:26: A palavra fala da derivação de Abraão; similarmente, Jo 1:18 fala da derivação do Filho do seu Pai.
g)              Atos 4:6; 7:13, 19: parentela. Ela também carrega a ideia de geração, ou derivação.Não podem ser s parentes a menos que tenham procedido, tenham sido gerados, ou nascidos de um ancestral comum.
h)             Genes incorporado em outras palavras
1     - Hermógenes - ρμο-γένης (2Ti 1:15)
2   -  Allogenes - Άλλο-γενής (Êx 12:43; Lu 17:18)

2.   Genos como “classe” ou “tipo” – uso minoritário

a)              apenas dois versos: Mt 13:47; Mr 9:29.
b)             Em Mt 13:47 o sentido de derivação pode ser claramente visto.
c)              1Co 12:10, 28; 14:10. Sentido subjacente de derivação é encontrado: Ap 7:9; Gn 11:1-7, LXX.
d)             mais de 75% dos usos da palavra transportam o sentido de Prole ou derivação no N.T.
e)              Atos 13:26: “linhagem” (genos), prole, semente. Em monogenés se fala de derivação do Filho em relação ao seu Pai.
f)                monogenés ainda é entendida por um sentido de nascimento, derivação, ou linhagem, quer seja traduzida como Unigênitoquer como Único”.
“Deus unigênito” significa que ele é um Deus gerado no sentido de ter tido um começo, um princípio, mesmo sendo um ser divino. – Pr 8:22-24; Col 1:15-20; Ap 3:14.

Genes incorporado em outras palavras
a)              Revela que, como em monogenés, genes também carrega o sentido de “gerar” ou “nascer”.
b)             Hermógenes - ρμο-γένης (“nascido de Hermes”): 2Ti 1:15.
c)              Allogenes - Άλλο-γενής (“nascido de outro”): Êx 12:43; Lucas 17:18. Genes simplesmente não pode significar “tipo” em λλογενής porque todos os seres humanos são do mesmo tipo. “De outra raça” também é por nascimento.
d)             Suggenes - Συγ-γενής (nascido com): de origem comum, relacionada (pelo sangue); parentes (Mr 6:4; Jo 18:26; Le 18:14, LXX); da mesma raça, compatriotas, concidadão (Ro 9:3; 16:21);
1)                168 vezes; em 111 vezes ela é usada com o sentido de Derivação e apenas 17 vezes é usada com o sentido de classe ou tipo”; das restantes (40 vezes) a definição não está evidente. Conotação de nascimento ou de derivação em uma proporção de quase 6 por 1. C. 65% sentido de derivação e c. 11% de classe ou espécie;
e)              Oikogenes - Οκο-γενής (nascido na casa): não pode significar tipo como em tipo doméstico, mas deve significar nascido como em nascido na família, é demonstrado em Gênesis 17:6. Se οκογενής significasse simplesmente tipo doméstico, não haveria necessidade da última metade do verso: era necessário estipular que mesmo aqueles que são da família, mas que não foram necessariamente nascidos no agregado familiar, mas foram em vez disso comprados de algum outro lugar, ainda teriam de ser circuncidado.
f)                Eugenes - Ε-γενής (bem nascido; 1Co 1:26): não poderia significar bom tipo (Lu 18:19; Ro 3:10; Guerra dos Judeus 1: 522)
g)              Protogenés - Πρωτο-γενής (“primogênito”): Êx 13:2; Pr 31:2  LXX. Êx 13:2 usa Protogenés  em paralelo com Protótokos, o qual inlcui o verbo τίκτω (Dar à luz) Philo explica o significado do tronco de genes, por gennáo (“gerar”).
h)             Diversos eruditos relacionam genes com gennáo (“gerar”) e gínomai (“vir à existência”): Henry George Liddell, Robert Scott, e Henry Drisler; Greville Ewing, J.H. Bass, L. Edward Peithman, John Groves, Karl Gottlieb Bretschneider, James Donnegan.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.



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[1] 265 Liddell e Scott e Drisler afirmam que γενω é obsoleto. “A raiz comum de γείνομαι e γίγνομαι”, com γείνομαι sendo “pass[ivo], do obsol[eto] at[ivo] γείνω, para o qual γεννάω está em uso, ser engendrado, nascer, γεινόμενος, aquele que é nascido.” Veja seu Léxico: Liddell, Henry George, Scott, Robert, Drisler, Henry, Léxico Grego-Inglês, Vol. 2 (harpista & irmãos, New York, 1852) pg. 287, 289 266 Liddell, Henry George, Scott, Robert, Drisler, Henry, Léxico Grego-Inglês, com base no trabalho alemão de Francis Passow, Vol. 2 (harpista & irmãos, New York, 1852) pg. 945 267 Greville Ewing, Gramática Grega e Léxico grego e Inglês das Escritura  (James Hedderwick & Co., Glasgow, 1812) pg. 264 268 JH Bass, Léxico-Manual Grego e Inglês para o Novo Testamento (Baldwin e Cradock, Londres, 1829) pág. 144 269 L. Edward Peithman, Gramática Grega Teórica e Prática (Longman, Rees, Orme, Brown & Green, Londres, 1830) pg. 348 270 John Groves, Dicionário Grego e Inglês (Hilliard, Gray & Co., Boston, 1839) pg. 398 271 Karl Gottlieb Bretschneider, Lexicon Manuale greco-Latinum em Libros Novi Testamenti (Barth, Lipsiae, 1840) pg. 269 272 Tema é uma palavra antiga (do grego θεμα ), o que significa - palavras das quais outras são derivadas. 273 James Donnegan, Novo Léxico Grego e Inglês; Principalmente sobre o Plano do Lexicon Grego e Alemão de Schneider((Hilliard, Gray & Co., Boston, 1839) pág. 856

domingo, 26 de junho de 2016

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 13)

Os discípulos de Jesus colhem e comem cereais no sábado
Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/jesus/ministerio-na-galileia/colhem-cereais-no-sabado/
Os discípulos arrancam espigas de cereais no sábado
(Mat. 12:1-8; Mar. 2:23-28; Luc. 6:1-5)
Aconteceu então que Jesus estava passando pelas searas,[1] num sábado. Seus discípulos ficaram com fome e principiaram a arrancar espigas e a comer, esfregando-as nas mãos. Vendo isso, alguns fariseus disseram: “Olha! Eis que teus discípulos estão fazendo o que não é lícito fazer no sábado. Por que fazem eles no sábado o que não é lícito?” Mas Jesus disse-lhes, em resposta: “Nunca lestes nenhuma vez o que Davi fez quando ele e seus homens ficaram com fome? Como entrou na casa de Deus, no relato sobre Abiatar[2], o principal sacerdote, e recebeu os pães da apresentação, e que comeu e deu também aos homens que estavam com ele, algo que não lhe era lícito comer, nem aos que estavam com ele, mas apenas aos sacerdotes? Ou, não lestes na Lei que os sacerdotes no templo, nos sábados, não tratam o sábado como sagrado e permanecem sem culpa?[3] Mas eu vos digo que algo maior do que o templo está aqui. No entanto, se tivésseis entendido o que significa: ‘Misericórdia quero, e não sacrifício’[4], não teríeis condenado os inocentes.” Prosseguiu assim a dizer-lhes: “O sábado veio à existência por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; portanto, o Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado.”

Jesus está para curar um homem com a mão atrofiada
Fonte da ilustração
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/jesus/ministerio-na-galileia/o-que-permitido-fazer-no-sabado/
A cura do homem com mão ressequida
(Mat. 12:9-14; Mar. 3:1-6; Luc. 6:6-11)
Tendo partido dali, no decorrer de outro sábado, entrou na sinagoga deles e começou a ensinar, e eis que havia ali um homem cuja mão direita estava ressequida!  Os escribas e fariseus vigiaram-no então de perto para ver se curaria o homem no sábado. Ele sabia, porém, dos seus raciocínios. De modo que lhe perguntaram: “É lícito curar no sábado?”[5] para que pudessem conseguir uma acusação contra ele. E ele disse ao homem com a mão ressequida: “Levanta-te e vem para o centro.” E ele se levantou e ficou em pé.
Jesus disse-lhes então: “Eu vos pergunto: É lícito, no sábado, fazer o bem ou causar dano, salvar ou destruir uma alma?” Mas eles ficaram calados. Ele lhes disse: “Quem é o homem entre vós que, tendo uma só ovelha, e, caindo esta numa cova, no sábado, não a agarra e levanta para fora?[6] Afinal de contas, quanto mais vale um homem que uma ovelha! Por isso é lícito fazer uma coisa excelente no sábado.” E, depois de olhar em volta para todos eles, com indignação, estando profundamente contristado com a insensibilidade dos seus corações, disse ao homem: “Estende a tua mão.” E ele a estendeu, e ela foi restabelecida sã como a outra mão. Mas os fariseus saíram e se encheram de insensatez e começaram imediatamente a entrar em conselho contra ele com os partidários de Herodes,[7] sobre o que poderiam fazer a Jesus a fim de o destruírem.  
De um pequeno barco, Jesus ensina à multidão que está na margem
Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/jesus/ministerio-na-galileia/cumpre-profecia-de-isaias/
Cumpre-se a profecia de Isaías 42:1-4
(Mat. 12:15-21; Mar. 3:7-12)
Jesus, vindo a saber disso, retirou-se dali com os seus discípulos para o mar. E seguia-o uma grande multidão da Galileia e da Judeia. Até mesmo de Jerusalém, e da Idumeia,[8] e de além do Jordão, e dos arredores de Tiro[9] e de Sídon,[10] veio ter com ele uma grande multidão, ao ouvir falar de quantas coisas fazia.[11] E ele disse aos seus discípulos que mantivessem continuamente à sua disposição um pequeno barco, para que a multidão não o apertasse. Porque curava a muitos, com o resultado de que todos os que tinham moléstias penosas lançavam-se sobre ele para tocá-lo. Mas advertiu-os estritamente que não o tornassem manifesto. Até mesmo os espíritos impuros, sempre que o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: “Tu és o Filho de Deus.” Muitas vezes, porém, os advertia rigorosamente que não o dessem a conhecer.
(Mat. 12:17-21)
Para que se cumprisse o que fora dito por intermédio de Isaías, o profeta, que disse: 18 “Eis o meu servo a quem tenho escolhido, meu amado, a quem a minha alma tem aprovado! Porei sobre ele o meu espírito e ele esclarecerá às nações o que é justiça. 19 Não altercará, nem gritará, nem ouvirá alguém a sua voz nas ruas largas. 20 Não esmagará nenhuma cana machucada, tampouco extinguirá qualquer mecha fumegante, até enviar a justiça com bom êxito. 21 Deveras, em seu nome esperarão as nações.”  


Explicação das siglas usadas:
 AEC: Antes de nossa Era Comum.
BJ: Bíblia de Jerusalém.
EC: Era Comum.
gt: Livro O Maior Homem Que Já Viveu, publicado pelas Testemunhas de Jeová
it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.
  
Notas:
[1] Campo de cereais. – Aurélio.
[2] 1 Sam. 21:1-6; 22:20-23; 23:6.
[3] Mesmo nos sábados, os sacerdotes realizavam abates e outros serviços no templo na preparação de sacrifícios animais. (Lev. 24:5-9; Núm. 28:9) – gt cap. 31.
[4] Os. 6:6.
[5] Os líderes religiosos judaicos criam ser lícito curar no sábado apenas se a vida corresse perigo. Assim, julgavam que era ilícito, no sábado, colocar um osso no lugar ou enfaixar uma entorse. (gt cap. 32) Entorse: Lesão traumática articular e que causa, apenas, dano ligamentar. – Aurélio.
[6] Visto que uma ovelha representava um investimento financeiro, eles não a deixariam na cova até o dia seguinte, pois poderia adoecer e dar-lhes prejuízo. Ademais, as Escrituras dizem: “O justo importa-se com a alma do seu animal doméstico.” (Prov. 12:10) – gt cap.32.
[7] Adeptos ou partidários judeus da dinastia herodiana encabeçada por Herodes Ântipas durante o ministério terrestre de Jesus Cristo. Politicamente, os herodianos adotavam uma posição centrista, por um lado sofrendo oposição dos fariseus e dos zelotes judeus, que advogavam um reino judaico totalmente independente do controle romano, e por outro lado, dos que advogavam a anexação completa da Judeia pelo Império Romano. Alguns dos saduceus, classificados como livres-pensadores e moderados no judaísmo, provavelmente seguiam a mentalidade herodiana. (Mat. 16:6; Mar. 8:15) – It-2, p. 326.
[8] [Do grego, significando “[Terra] dos edomitas”]. Conforme indicado pelo livro apócrifo de Primeiro Macabeus (4:29, 61; 5:65, BJ), incluía a região em torno de Hébron, chegando bem ao N, até Betsur (Bete-Zur, NM), uns 26 km a SSO de Jerusalém. Relata-se que os idumeus sofreram fragorosa derrota diante de Judas Macabeu. (1 Mac. 5:3) Mais tarde, segundo Josefo, João Hircano I subjugou todos os idumeus, permitindo-lhes que permanecessem na terra, sob a condição de se submeterem à circuncisão e aderirem à lei judaica. Em vez de deixarem o país, os idumeus concordaram com tais condições. – It-2, p. 369.
[9] [Rocha]. Cidade fundada por colonos de Sídon. O principal porto marítimo fenício, identificado com o atual es-Sur, situado cerca de 50 km ao N do monte Carmelo, e 35 km ao SSO de Sídon. Embora destruída por Alexandre, o Grande, em 332 AEC, foi reconstruída durante o período dos selêucidas, e, no primeiro século EC, era um importante porto de escala no Mediterrâneo. – It-2, p. 114; It-3, p. 719.
[10] Cidade portuária que recebeu o nome de seu antepassado, primogênito de Canaã. (Gên. 10:15) Os gregos chamavam os sidônios de fenícios. (Fenícia vem duma raiz que significa “palmeira”.) As ‘multidões’ que Jesus curara, entre os quais havia alguns procedentes das redondezas de Tiro e de Sídon, sem dúvida eram na maioria judeus ou prosélitos. – It-2, p. 114; It-3, p. 589.
[11] Primavera setentrional de 31 EC. – It-2, p. 115. 


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

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