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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O “Cordeiro” foi morto desde a fundação do mundo?


 Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/biblia-ensina/o-resgate-jesus-sacrificio/

Uma leitora deste site escreveu:

“Irmão, gostaria de saber sobre o texto de Apocalipse 13:8. Que outros textos podemos usar como concordância com esse, e que outras traduções falam da mesma maneira que a Tradução do Novo Mundo, para que eu possa mostrar que esse texto na tradução de João Ferreira de Almeida não está escrito de maneira coerente? Porque na João Ferreira de Almeida fala que o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo, e na Tradução do Novo Mundo fala que são os nomes que não foram escritos desde a fundação do mundo. Gostaria que você me ajudasse nesse assunto. Obrigada.”

Resposta:

Primeiramente, vejamos o texto de Apocalipse 13:8 nas duas traduções mencionadas acima:

Tradução de João Ferreira de Almeida:

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” – Almeida Corrigida e Revisada Fiel.

Tradução do Novo Mundo:

Todos os que moram na terra a adorarão [a fera]. Desde a fundação do mundo, o nome de nem sequer um deles foi escrito no rolo da vida do Cordeiro que foi morto.”

Historicamente, a Bíblia mostra que o “Cordeiro”, Jesus Cristo (João 1:29) não foi morto desde a fundação do mundo, e sim no primeiro século de nossa Era Comum, há cerca de 2 mil anos. Isso é conceito pacificado em toda a cristandade.

Alguém poderia alegar o seguinte: ‘Mas o texto do Apocalipse não poderia ser interpretado no sentido de que a certeza e o anúncio de sua morte já existiam desde a fundação do mundo?

Para responder a essa pergunta, é necessário primeiro entender o que a Bíblia quer dizer com a expressão “fundação do mundo”.

À primeira vista, sob um olhar leigo, alguém poderia concluir tratar-se da criação da Terra. Porém, um exame da expressão na língua original em que ela foi escrita – o idioma grego coiné – mostra que esse não é o sentido.

Em grego, a expressão “fundação do mundo” é tradução da expressão katabolé toû kósmou. Ka·ta·bo·lé (“fundação”) significa literalmente “lançamento para baixo [de semente]”.[1] Em comprovação disso, lemos em Hebreus 11:11: “Também pela fé, Sara, embora já tivesse passado da idade, recebeu poder para conceber um descendente, visto que considerava fiel Aquele que havia feito a promessa.” Seu uso nessa passagem “se refere a Abraão ‘lançar para baixo’ sêmen humano para gerar um filho, e a Sara receber este sêmen para ficar grávida”[2]. Refere-se, portanto, à fecundação humana.

Em consonância com isso, o termo kósmos (“mundo”), no texto neotestamentário, significa, não a Terra, mas a humanidade[3]. 

Em termos simples, katabolé toû kósmou se refere “ao nascimento de filhos a Adão e Eva, produzindo-se assim um mundo de humanidade”[4].

Prova disso são as palavras de Jesus Cristo registradas em Lucas 11:49-51:

“É por isso que a sabedoria de Deus também disse: ‘Enviarei a eles profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão alguns deles, para que o sangue de todos os profetas, derramado desde a fundação do mundo, seja cobrado desta geração, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e a casa.’ Sim, eu lhes digo, será cobrado desta geração.”

Perceba que “fundação do mundo” ocorre em paralelo à expressão “desde o sangue de Abel”, o qual foi o primeiro filho fiel de Adão e Eva, e primeiro mártir pela causa divina, sendo assim o primeiro filho de Adão e Eva a ser redimido pelo resgate de Cristo, visto que Caim foi declarado pela Palavra de Deus como tendo ‘se originado do Maligno’. – 1 João 3:12.

Voltemos agora à questão proposta, de que o texto de Apocalipse 13:8 poderia ser interpretado no sentido de que a certeza e o anúncio da morte do Cordeiro já existiam desde a fundação do mundo. Tal interpretação não procede, pois a primeira profecia – Gênesis 3:15 – que anunciou, ou profetizou, a morte do Cordeiro foi proferida ANTES da fundação do mundo da humanidade, e não DESDE tal “fundação”. Foi proferida no Jardim do Éden, antes do nascimento de filhos a Adão e Eva.

A correta tradução de Apocalipse 13:8

Portanto, nem num sentido profético o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo. Logo, a expressão “desde a fundação do mundo” se refere a outra coisa: aos nomes que estão sendo escritos no rolo da vida do Cordeiro. Tal registro ocorre “desde”, ou a partir, do nascimento de filhos ao primeiro casal humano. Incidentalmente, isso nos leva a inferir que o primeiro casal humano está além de redenção.

Assim, algumas traduções em língua portuguesa mostram o verdadeiro sentido do texto[5]:

A Nova Versão Internacional tem uma nota nesse versículo que diz:

“Escritos desde a criação do mundo no livro da vida do Cordeiro.”

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz:

Todos os que vivem na terra o adorarão, menos aqueles que, desde antes da criação do mundo, têm o nome escrito no Livro da Vida, o qual pertence ao Cordeiro, que foi morto.” (Veja também a Bíblia na Linguagem de Hoje.)

E a Tradução Brasileira reza:

 ”Todos os habitantes da terra a adorarão, aqueles cujos nomes desde o princípio do mundo não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto.”

Tudo o que foi exposto acima ressalta a importância de lermos a Palavra de Deus em uma tradução fidedigna, que transmite fielmente o sentido das línguas em que tal Palavra foi originalmente escrita. Nesse respeito, a Tradução do Novo Mundo sobressai-se ante ás demais.

Notas:
[1] Veja a obra Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 1, p. 13, verbete “Abel”.
[2] Ibd, vol, 3, p. 40, verbete “mundo”.
[3] Ibd, vol. 3, p. 38, verbete “mundo”.
[4]Ibd, vol. 1, p. 13.
[5] Essas três traduções – NVI, NTLH TB – são encontradas no seguinte link: http://www.sbb.org.br/conteudo-interativo/pesquisa-da-biblia/
  

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Echad e Yachid – o que realmente diz o hebraico em Deuteronômio 6:4 ? (Parte 2)


Fonte desta série de artigos: blog Tradução do Novo Mundo Defendida.



Isaías 45:18 diz: “Eu sou Jeová e NÃO HÁ OUTRO.” 1 Reis 8:60 diz que “Jeová é o verdadeiro Deus” e “NÃO HÁ OUTRO”. Em Isaías 46:9, Jeová, o Deus de Israel, diz sobre si que “nem há outro SEMELHANTE A MIM”. Tais textos descartam o fantasioso argumento dos que não conhecem nem hebraico nem as Escrituras.

Não se deve traduzir yachid como “um só”, mas, antes, como “único”; visto que, ao se dizer “Jeová nosso Deus”, já temos implícita a frase “um só”.

A palavra yachid é usada com referencia a Isaque, nas Escrituras. Contudo, mesmo sendo usado yachid no original hebraico, Isaque não era, absolutamente, o único. Abraão tinha outros filhos: Ismael, por exemplo. (Gênesis. 16:15) Ao avaliarmos o fato de Isaque ser chamado de ÚNICO, entendemos o porquê de a ideia de uma unidade absoluta não ser o conceito da palavra יָחִיד (yachid).

יָחִיד (yachid) contextualmente é usada nas Escrituras Sagradas como uma palavra que ressalta o indivíduo, não uma individualidade. Tanto que a Septuaginta, em Deuteronômio 6:4, traz a palavra εἷς (“um” masculino) como equivalente de “echad”.

Deuteronômio 17:6: “Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá”.

Pela boca de uma só testemunha ninguém deveria ser condenado. “Uma só” ali é אֶחָד (echad). Sem dúvida, essa única testemunha não é uma composição de várias testemunhas em uma só. Pelo contrário, a ideia do contraste numérico é evidente se lermos o texto com cuidado e sem ideias preconcebidas. No texto em questão, a palavra hebraica echad significa simplesmente “UM”. Vemos em Deuteronômio 6:4 um contraste entre a adoração verdadeira dos do antigo Israel e a quantidade de deuses que fazia parte do politeísmo pagão das nações circunvizinhas.  Claro que seria mesmo contrário ao bom senso informar que a pluralidade divina das nações pagãs era além de errada e um pecado e em seguida ensinar que aquele que inspirou isso é também um Deus pluralizado.

Concluímos, portanto, que o argumento da “unidade composta” ou pluralidade em um Deus, à base de echad e yachid é um argumento enganoso e sem lógica. Devemos atentar para o que o texto quer dizer em seu contexto. E, no caso de Deuteronômio 6:4, se considerarmos a nação rodeada por nações politeístas, Deus não daria a Israel uma informação que causasse mais confusão que esclarecimento. Deus não ordenaria aos israelitas que não cressem nos deuses das nações para revelar a si mesmo como sendo mais de um. Não há lógica nisso. É nítida a ideia do contraste entre a quantidade de entes “divinos” das nações pagãs e o um e único Deus de Israel. O Salmo 83:18, escrito sob inspiração de Deus, reza:

“Para que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.”

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domingo, 25 de dezembro de 2016

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (parte 39)

Fonte da ilustração:
Livro O Maior Homem  Que Já Viveu, história 66.

Ministério Posterior na Judeia
festividade das Tendas
Jesus ensina no templo; debate com a multidão
(João 7:11-31)
11 Portanto, os judeus começaram a procurá-lo na festividade e a dizer: “Onde está esse [homem]?” 12 E havia muitos cochichos sobre ele entre as multidões. Alguns diziam: “Ele é um homem bom.” Outros diziam: “Não é, mas desencaminha a multidão.” 13 Ninguém, naturalmente, falava dele publicamente, por causa do temor dos judeus.
14 Estando a festividade então já pelo meio, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar. 15 Portanto, os judeus ficaram admirados, dizendo: “Como é que este homem tem conhecimento de letras, sendo que não estudou nas escolas?” 16 Jesus, por sua vez, respondeu-lhes e disse: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou. 17 Se alguém desejar fazer a Sua vontade, saberá a respeito do ensino se é de Deus ou se falo de minha própria iniciativa. 18 Quem fala de sua própria iniciativa está buscando a sua própria glória; mas, quem busca a glória daquele que o enviou, este é verdadeiro, e não há nele injustiça.
19 “Não vos deu Moisés a Lei? Mas, nem um só de vós obedece à Lei. Por que buscais matar-me?” 20 A multidão respondeu: “Tu tens demônio. Quem está buscando matar-te?” 21 Em resposta, Jesus disse-lhes: “Uma só ação realizei, e vós todos estais admirados. 22 Por esta razão, Moisés vos deu a circuncisão — não que ela seja de Moisés, mas ela é dos antepassados — e vós circuncidais um homem num sábado. 23 Se um homem recebe a circuncisão num sábado, a fim de que a lei de Moisés não seja violada, estais violentamente irados comigo por eu ter feito um homem completamente são num sábado? 24 Parai de julgar pela aparência externa, mas julgai com julgamento justo.”
25 Portanto, alguns dos habitantes de Jerusalém começaram a dizer: “Não é este o homem a quem buscam matar? 26 E, no entanto, eis que ele está falando em público, e não lhe dizem nada. Será que os governantes vieram a saber com certeza que este é o Cristo? 27 Ao contrário, nós sabemos donde é este homem; contudo, quando vier o Cristo, ninguém há de saber donde é.” 28 Portanto, Jesus clamou, ao estar ensinando no templo, e disse: “Tanto vós me conheceis como sabeis donde sou. Também, eu não vim de minha própria iniciativa, mas aquele que me enviou é real, e vós não o conheceis. 29 Eu o conheço, porque sou representante dele, e Este me enviou.” 30 Por isso começaram a buscar segurá-lo, mas ninguém deitou mão nele, porque a sua hora ainda não havia chegado. 31 Todavia, muitos da multidão depositavam fé nele; e principiavam a dizer: “Quando o Cristo chegar, será que ele realizará mais sinais do que este homem realizou?”
Fonte da ilustração:
Livro O Maior Homem  Que Já Viveu, história 67.
Os oficiais deixam de prender Jesus
(João 7:32-52)
32 Os fariseus ouviram a multidão resmungar estas coisas a respeito dele, e os principais sacerdotes e os fariseus mandaram oficiais para o segurarem. 33 Portanto, Jesus disse: “Eu continuo mais um pouco convosco, antes de ir para aquele que me enviou. 34 Vós me procurareis, mas não me achareis, e onde eu estou[1], vós não podeis ir.” 35 Os judeus disseram, portanto, entre si mesmos: “Para onde pretende ir este [homem], de modo que não o havemos de achar? Será que pretende ir para os [judeus] dispersos entre os gregos e ensinar os gregos? 36 Que significa esta palavra que ele disse: ‘Vós me procurareis, mas não me achareis, e onde eu estou, vós não podeis ir’?”
37 Ora, no último dia[2], o grande dia da festividade, Jesus estava em pé e clamava, dizendo: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba.[3] 38 Quem depositar fé em mim, assim como disse a Escritura: ‘Do seu mais íntimo manarão correntes de água viva.’”[4] 39 No entanto, ele disse isso com respeito ao espírito que os que depositavam sua fé nele estavam para receber; pois, por enquanto ainda não havia espírito, porque Jesus ainda não havia sido glorificado. 40 Portanto, alguns da multidão, que ouviram estas palavras, começaram a dizer: “Este é certamente O Profeta.” 41 Outros diziam: “Este é o Cristo.” Mas alguns estavam dizendo: “Será que o Cristo vem realmente da Galileia? 42 Não disse a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, a aldeia onde Davi costumava estar?” 43 Desenvolveu-se, portanto, uma divisão sobre ele entre a multidão. 44 Alguns deles, porém, queriam segurá-lo, mas ninguém deitou mãos nele.
45 Portanto, os oficiais voltaram aos principais sacerdotes e fariseus, e estes últimos lhes disseram: “Por que é que não o trouxestes para cá?” 46 Os oficiais responderam: “Nunca homem algum falou como este.” 47 Os fariseus responderam, por sua vez: “Será que também vós fostes desencaminhados? 48 Será que um só dos governantes ou dos fariseus depositou fé nele? 49 Mas esta multidão, que não sabe a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” 50 Nicodemos, que viera a ele anteriormente, e que era um deles, disse-lhes: 51 “Será que a nossa lei julga um homem sem que primeiro o tenha ouvido e venha a saber o que ele está fazendo?” 52 Em resposta, disseram-lhe: “Será que tu também és da Galileia? Pesquisa e vê que nenhum profeta há de ser levantado da Galileia.”

Explicação das siglas usadas:

w: revista A Sentinela. Os números em sequência indicam, respectivamente, o ano, o dia e o mês da publicação.

Notas:
[1] Ou: “Onde eu vou”. No grego ático o verbo ei.mí (ser, ou estar) é usado como futuro de ér.kho.mai (vir), sendo traduzido, na primeira pessoa do singular, “eu irei”. (Veja o vers. 35; 8:21, 22; 13:33, 36.) – Léxico do Novo Testamento Grego-Português (Shorter Lexicon of The Greek New Testament, Second Edition, by F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker).
[2] 21 de etanim (tisri).
[3] Jesus fazia alusão a um costume acrescentado à Festividade das Barracas, de oito dias de duração. Toda manhã, durante sete dias, um sacerdote tirava água do reservatório de Siloé e despejava-a junto ao altar do templo. Dizia-se, entre outras coisas, que isso representava o derramamento do espírito. A partir de Pentecostes de 33 EC, o espírito de Deus impeliu os seguidores de Jesus a levar águas vitalizadoras às pessoas em toda a terra. Só se pode ganhar vida eterna da parte de Jeová, “a fonte de água viva”, mediante Cristo. (Jer. 2:13; Isa. 12:3; João 17:3) – w90 15/3, p. 25.
[4] Não se trata de uma citação direta de um texto, mas de uma condensação ou ideia básica expressa em alguns textos, tais como Prov. 18:4 e Sal. 78:2.

O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A banalização dos argumentos trinitários (Parte 2)



Um leitor escreveu:

Querido irmão apologista:
Assim que possível, gostaria de saber como refutar melhor uma alegação feita por um físico trinitarista, que disse o seguinte:
“Na criação dá para ver a Divindade de Deus sendo 3 em 1. Por exemplo: O tempo é passado, presente e futuro: 3 em 1. Para calcular o espaço, temos altura, comprimento e largura: 3 em 1.”
Concernente ao espirito, alma e corpo, é excelente essa explicação que você deu. Mas, no caso dos outros, não consigo replicar. Já pensei no seguinte sobre o tempo: O tempo é dividido em 3 apenas como referência em relação à nossa posição. Por exemplo: o FUTURO dos meus bisavós que faleceram antes de eu nascer foi o meu PASSADO desde quando nasci. Portanto, a forma que usamos as expressões “Passado, Presente e Futuro” tem mais haver com a minha localização no tempo do que com o Tempo propriamente dito. Ou, poderia comparar ao caso de quando estamos dentro do ônibus. Alguém que está no ponto e vê esse ônibus em movimento (mas não pega ele), na sua visão esse ônibus esteve por alguns instantes PRESENTE; antes de o ônibus virar a esquina, FUTURO; e agora se tornou PASSADO. Mas, para nós que estamos dentro do ônibus o nosso PRESENTE em relação ao ônibus é constante. Portanto, usamos esse termo como parâmetro do nosso campo de espectador em relação ao tempo, não sendo ele necessariamente divido em 3 mais sendo 1 constante.
No caso do espaço, a altura, comprimento e largura são completamente diferentes e independentes, embora possam juntos se tornar um todo. Mas, por exemplo, ao calcular uma área como um campo de futebol, apenas o comprimento e a largura seriam necessários para calcular um espaço.
Sendo somente esses pontos que consegui raciocinar, gostaria muito de sua ajuda para raciocinar melhor sobre esses pontos e achar uma explicação que seja tanto coerente como também fácil de qualquer pessoa entender. Me ajude, por favor.
E gostaria de aproveitar para elogiar pelo excelente trabalho que você tem feito, meu amado irmão. Que Jeová continue te abençoando.
Leandro.

Resposta:

Prezado Leandro:

Usar essas comparações que esse e outros trinitaristas usam para tentar provar a Trindade é inútil como argumento e mostra o desconhecimento (ou desconsideração) dos próprios trinitários em relação à doutrina que eles querem defender. Isto porque tal doutrina não é apenas a proposição de três Pessoas divinas em um só Deus, mas a proposição de que cada uma das três Pessoas é coigual em relação às outras duas.

Assim, para tais comparações serem verossímeis, o espaço só admitiria a existência do cubo, única representação em que comprimento, largura e altura são coiguais entre si. Com relação ao tempo: passado, presente e futuro teriam de ter a mesma duração. E é obvio que o presente existe apenas no momento, sendo imediatamente substituído pelo passado, ao passo que o futuro nunca chega (trata-se apenas de uma perspectiva), pois, quando chega, torna-se presente.

Tudo isso mostra a que ponto chegam aqueles que querem defender o indefensável!

Assim, uma doutrina antibíblica como a Trindade não poderia ser defendida por argumentos menos descabidos do que os apresentados nesses dois artigos e em outros deste site.

Agradeço seu apreço em relação às matérias deste site e aproveito a oportunidade para lhe transmitir, bem como aos demais leitores, votos de paz e prosperidade espiritual.


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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Echad e Yachid – o que realmente diz o hebraico em Deuteronômio 6:4 ? (Parte 1)



Fonte desta série de artigos: blog Tradução do Novo Mundo Defendida.


Alguns trinitários têm argumentado que echad (usado por Deus em Deuteronômio 6:4) indica uma unidade composta. Em seguida, afirmam que Deus não usou a expressão yachid, que, segundo alguns, refere-se a uma “unidade absoluta”.

Tem base tal afirmação? É a palavra hebraica echad (ou ehhad) usada com referência a uma “unidade pluralizada”? 

Em Deuteronômio 17: 6 lemos assim :

“Pela boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, aquele que merece a morte deve ser posto à morte; mas pela boca de uma [echad] testemunha, ele não deve ser posto à morte.”

Eclesiastes 4: 8 : “Há apenas um [echad], sem uma companhia; sim, ele nem tem filho…”.

Nos dois versículos acima, a mesma palavra hebraica “echad” é usada, e esta palavra está claramente referindo-se a apenas uma unidade simples, não a uma unidade composta.

A palavra “echad” em hebraico significa apenas “um”, tal qual no português. Quando contamos de um a dez no hebraico, de forma masculina, dizemos:

“echad, shtayim, shalosh, arba’a, chamish, shesh, shev’a, shmone, tesh’a, eser.”

Leciono hebraico e grego e sei muito bem que este argumento que muitos estão repetindo baseia-se numa invenção forçada de trinitários. “Echad” e “yachid” são palavras que não se encaixam na fantasiosa invenção destes trinitários, de “unidade composta” e “unidade absoluta”.

Antes, tais palavras funcionam da mesma forma que no português, nas palavras “um” e “único”; enquanto o primeiro é número, o segundo é adjetivo.

Este argumento enlaça os que não conhecem hebraico. Se Moisés tivesse usado a palavra yahhid, o texto não significaria “Jeová é UM”; mas, sim, “Jeová é ÚNICO”. Moisés apenas disse que “Jeová é Nosso Deus”.  Portanto, que necessidade haveria de dizer que Jeová é Único?

Quando ele afirma que “Jeová é nosso Deus” isso IMPLICA que “não há outro além dele”.




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domingo, 18 de dezembro de 2016

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (parte 38)

Fonte da ilustração: Livro O Maior Homem Que Já Viveu, história 65.

 Viagem secreta para a Festividade das Tendas (outono de 32 EC)
(Unificação de Mat. 8:19-22; Luc. 9:51-62; João 7:2-10)
(João 7:2-9)
2 No entanto, estava próxima a festividade dos judeus, a festividade das tendas[1]. 3 Portanto, seus irmãos disseram-lhe: “Passa daqui para lá e entra na Judeia, a fim de que também os teus discípulos possam observar as obras que fazes. 4 Pois, ninguém faz nada em secreto enquanto ele mesmo busca ser conhecido publicamente. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.” 5 Seus irmãos, de fato, não estavam exercendo fé nele. 6 Portanto, Jesus disse-lhes: “Meu tempo devido ainda não está presente, mas o vosso tempo devido já está aqui. 7 O mundo não tem razão para vos odiar, mas odeia a mim, porque dou testemunho dele de que as suas obras são iníquas. 8 Subi para a festividade; eu ainda não vou a esta festividade, porque o meu tempo devido ainda não veio plenamente.” 9 Assim, depois de dizer-lhes estas coisas, permaneceu na Galileia.
Mas, quando os seus irmãos tinham subido para a festividade, chegando então a completar-se para ele os dias de ser tomado para cima, endureceu o rosto na determinação de ir a Jerusalém. Então ele mesmo subiu também, não abertamente, mas em secreto.
(Luc. 9:52-56)
52 De modo que enviou mensageiros na sua frente. E eles foram e entraram numa aldeia de samaritanos, a fim de fazerem os preparativos para ele; 53 mas não o receberam, porque o seu rosto estava endurecido [na determinação] de ir a Jerusalém. 54 Vendo isso os discípulos Tiago e João, disseram: “Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os aniquile?” 55 Mas ele se voltou e os censurou. 56 Foram assim a uma aldeia diferente.
Enquanto caminhavam assim pela estrada, certo escriba aproximou-se e disse-lhe: “Instrutor, eu te seguirei para onde quer que fores.” Mas Jesus disse-lhe: “As raposas têm covis e as aves do céu têm poleiros, mas o Filho do homem não tem onde deitar a cabeça.” Outro dos discípulos[2] disse-lhe então: “Senhor, permite-me primeiro ir e enterrar meu pai.” Jesus disse-lhe: “Persiste em seguir-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos.” Disse então a outro: “Sê meu seguidor.” O homem disse: “Permite-me primeiro ir e enterrar meu pai.”[3] Mas ele lhe disse: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos, mas tu, vai e divulga o reino de Deus.”[4] E ainda outro disse: “Eu te seguirei, Senhor; mas permite-me primeiro que eu me despeça[5] dos da minha família.” Jesus disse-lhe: “Ninguém que tiver posto a mão num arado e olhar para as coisas atrás é bem apto para o reino de Deus.”

 Explicação das siglas usadas:

it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras. O número em sequência indica o volume.
w: revista A Sentinela. Os números em sequência indicam, respectivamente, o ano, o dia e o mês da publicação.

Notas:
[1] Também chamada de Festividade das Barracas (Tabernáculos), ou do Recolhimento. Abrangia os dias 15-21 de etanim, (tisri; setembro-outubro) com uma assembleia solene no dia 22. Celebrava o recolhimento dos frutos do solo, os quais incluíam cereais, azeite e vinho. Marcava para Israel o fim da parte principal do ano agrícola. Portanto, era uma ocasião de regozijo e de agradecimento por todas as bênçãos que Jeová lhes tinha dado. (Lev. 23:34-43, Núm. 29:12-38; Deut. 16:13-15) – It-2, pp. 122-125.
[2] Isto parece indicar que o escriba também era discípulo de Cristo, porém, pelo que parece, não estava preparado para levar uma vida abnegada.
[3] Provavelmente ele preferia ficar em casa e esperar a morte do pai a seguir Jesus e cuidar dessa responsabilidade familiar quando chegasse a hora. – w06 1/4, p. 28 par. 13.
[4] Mateus 8:21 relata que a objeção é apresentada por um discípulo de Cristo, ao passo que Lucas 9:59 menciona a mesma objeção sendo apresentada por alguém a quem Jesus convida para ser seu seguidor. É digno de nota que, ao que já era discípulo, Jesus disse: “Persiste em seguir-me”, ao passo que, ao homem convidado a se tornar discípulo, Jesus declarou: “Vai e divulga o reino de Deus.” Outra possibilidade é que Jesus tenha primeiro feito o convite ao homem para tornar-se seu seguidor; e, ao ouvir tal homem apresentar essa objeção, o discípulo em questão também a tenha apresentado. Nesse caso, a resposta de Jesus, dada uma só vez com suas respectivas variações, serviu de correção para os dois.
[5] Pelo visto, tal pessoa permitia que os laços familiares o impedissem de se tornar discípulo de Cristo. Em outra ocasião, Jesus disse que era necessário ‘se despedir de todos os bens’ para alguém ser seu discípulo. (Luc. 14:33) Isso não significava necessariamente alguém privar-se de tudo o que tivesse, mas sim estar disposto a renunciar a todos os seus bens para seguir a Cristo, se fosse necessário. Significava amar mais a Cristo, colocando-o acima das outras coisas. Assim, não era o caso de tal pessoa deixar de amar seus familiares ou de recusar-se a cuidar deles, se fosse necessário. O problema é que ele ainda não tinha decidido no coração renunciar a seus interesses familiares para seguir a Jesus, para colocar Cristo acima de sua família. 

O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A banalização dos argumentos trinitários (Parte 1)



Devido à ausência de respaldo bíblico para a doutrina da Trindade, tem ocorrido uma banalização, por parte dos trinitaristas, em matéria de argumentação, que beira a uma infantilidade teológica e somente presta um desserviço aos que querem realmente comprovar os fatos.

Por exemplo, certo trinitarista afirmou que o termo “santo” indica que o espírito santo tem que ser uma pessoa, pois, segundo esse trinitário, tal termo é usado para pessoas.

Porém, tal defensor da falida doutrina da Trindade desconsidera que o termo “hágios” (“santo”), que faz parte da composição da expressão pneúma hágios (espírito santo), também é usado no “Novo Testamento” para coisas impessoais. Por exemplo, Jesus disse: “Não deis aos cães o que é santo”, evidentemente se referindo a dar algo impessoal. (Mateus 7:6) Nesta mesma linha de evidência, encontramos hágios no plural em Hebreus 9:25, com referência ao compartimento do templo em que o sumo sacerdote israelita entrava no dia da expiação. Ademais, o sábado é chamado de "dia santo" e nem por isso é uma pessoa (te hemera te hagia, na LXX, em Isaías 58:13).

Ele afirmou que a palavra “santo”, quando é substantivo, refere-se quase 95 por cento a pessoas; que, quando é adjetivo, quase 100 por cento se refere a pessoas. Acrescenta que a palavra “espírito” é usada quase 100 por cento para se referir a seres pessoais.

Bem, em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a afirmação quanto à porcentagem acima NÃO É VERDADEIRA.

A palavra “hágios” (“santo”), (excetuando o espírito santo, que é o foco da questão), é usada cerca de 100 vezes para pessoas e cerca de 40 vezes para coisas impessoais. Portanto, 40 por cento das ocorrências – quase a metade – refere-se a algo impessoal.

Em hebraico, a palavra qodesh (“santo”), que é usada em relação ao espírito santo, excetuando as três referências ao espírito santo, aplica-se mais de 430 vezes a coisas impessoais e menos de 20 vezes – menos de 5 por cento – a pessoas. 

A palavra “espírito”, na Bíblia inteira, ocorre cerca de 800 vezes. Excetuando as referências (diretas e indiretas) ao espírito santo (cerca de 330), tal palavra é aplicada quase 400 vezes a coisas impessoais e menos de 90 vezes (cerca de 20%) a pessoas.

Assim, tal trinitarista desinformado precisa fazer um estudo sobre pneumatologia. É muito perigoso ficar citando porcentagens a esmo, que não correspondam à realidade. Isso pode iludir os leigos, o que é algo sério.

Mas, mesmo que a porcentagem citada pela referida pessoa fosse verdadeira, isso não seria um argumento conclusivo. Afinal, o uso mais frequente de um termo não é determinativo para assegurar o sentido do mesmo termo num caso específico. Se fosse determinativo, então teríamos de concluir que “pacto” e “lei” são pessoas, pois essas coisas foram qualificadas como sendo “hágios” (“santo”):

Lucas 1:72: “Para mostrar misericórdia com relação aos nossos antepassados e para lembrar o Seu santo pacto.”

Romanos 7:12: “Assim, a Lei em si mesma é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.”

Segundo certa estimativa, a palavra “Deus” aparece na Bíblia, na Edição Pastoral, num total de 4.799 vezes; e, na versão Almeida Revista e Atualizada, 4.353 vezes. Dessas ocorrências, cerca de 4.000 vezes se refere a uma Pessoa, o Deus verdadeiro, Jeová. Isso representa um percentual de 83 a 91 por cento. Mas isso não significa que TODOS os demais usos se refiram a pessoas. A palavra também foi aplicada a um pedaço de madeira e ao ventre:

Isaías 44:15-17: Então alguém usa a madeira como combustível para fazer fogo. Ele pega parte dela para se aquecer; ele acende um fogo e assa pão. Mas também faz um deus e o adora. Ele a transforma numa imagem esculpida e se curva diante dela. Metade ele queima no fogo; Com essa metade ele assa a carne, come e fica satisfeito. Também se aquece e diz: ‘Ah! Estou me aquecendo enquanto olho para o fogo.’ Mas o resto ele transforma num deus, numa imagem esculpida. Curva-se diante dele e o adora. Ora a ele e diz: ‘Salva-me, pois tu és o meu deus.’”

Filipenses 3:19: “O fim deles é a destruição, o seu deus é o ventre, eles se orgulham do que deveriam se envergonhar e fixam a mente em coisas terrenas.”

É lamentável que certas pessoas, independente de sua motivação, usem argumentos fictícios, sem base lógica nem bíblica, fundada numa pseudociência bíblica, e espalhem essas afirmações na internet, prestando um desserviço a todos os que sinceramente buscam saber a verdade.

Devemos usar nosso precioso tempo para fazer pesquisas sérias, bem motivadas e contextualizadas com a inteira Palavra de Deus, visando ajudar as pessoas sinceras e que amam a verdade.

O segundo e último artigo deste tema irá considerar outros argumentos infundados e banalizadores da doutrina da Trindade.


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