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terça-feira, 25 de abril de 2017

João 1:1 e a Septuaginta






Certo leitor escreveu:

Olá, apologista, como vai? Você fez um vídeo mostrando que a tradução “era um deus”, em João 1:1, é gramaticalmente correta. E no vídeo você faz paralelos com textos que possuem a mesma cláusula de João 1:1.  E isso é importante, pois mostra que a regra é válida. Por isso, seria bom você fazer uma análise de Salmo 82:6 na Septuaginta. 

Na Septuaginta, ΨΑΛΜΟΙ 81:6 (Salmo 81:6; que corresponde a Salmo 82:6), na parte “a” do versículo, está assim: γ επα Θεο στε [egò eîpa theoí este]; “Eu disse: Vocês são deuses’”; NM [2015] revisada.) Nesse caso, temos  Θεο (plural de theós) sem artigo e precedendo o verbo στε (segunda pessoa do plural do verbo eimí, “sois”). Seria o paralelo perfeito, pois se trata do mesmo verbo e do mesmo substantivo, só que no plural. Ninguém diria que os juízes eram Deuses como Jeová. Essa comparação iria ajudar muito. Sem contar que o grego da Septuaginta é o mesmo do “Novo Testamento”, o coiné.

Resposta:

De fato, o leitor está correto. O Salmo 82:6 (Salmo 81:6, na LXX [Septuaginta]) apresenta a mesma estrutura gramatical e os mesmos elementos que configuram a aplicação da regra de Cowell. Temos um substantivo anartro (sem artigo), no caso nominativo, na função predicativa, que precede o verbo, assim como a palavra theós (“DEUS”) na cláusula joanina em João 1:1, parte c, que reza literalmente: “deus era a palavra”, ou “deus era o verbo”.

Vejam os leitores a mesma estrutura gramatical nos dois textos:

João 1:1c:
καὶ  θεὸς  ἦν     λόγος
kaì theòs en ho lógos
                
Theós (“deus”) em João 1:1c: substantivo anartro (sem artigo), no caso nominativo, sendo um predicativo (não o sujeito da frase), e precedendo o verbo  en (“era”). Trata-se de um predicativo nominativo anartro pré-verbal (PNAPV).  Assim, temos:

Theós
 En
ho Lógos
Deus
Era
a Palavra
Substantivo
Anartro
Predicativo Nominativo
Verbo
Sujeito


Salmo 82:6 na Septuaginta:

             ἐγὼ εἶπα Θεοί ἐστε
καὶ υἱοὶ ὑψίστου πάντες·
egò eîpa theoì este kaì huioì hypsístou pántes.

Theoí (“deuses”): substantivo anartro (sem artigo), no caso nominativo, sendo um predicativo (não o sujeito da frase), e precedendo o verbo  στε (este, “sois”). Nesta frase, o sujeito existe, mas está oculto: ὑμεῖς (hymeîs, “vós”, ou “vocês”).

Assim, temos:

Theoí
Este
[hymeîs]
Deuses
Sois
[vós]
Substantivo
Anartro
Predicativo
Nominativo
Verbo
Sujeito oculto

No Salmo 82:6 (81:6, LXX) ninguém discute que a palavra “deuses” é um substantivo não definido (indefinido ou qualitativo), representando uma declaração jocosa contra os autodeificados juízes humanos, como que dizendo ironicamente a eles: ‘Vocês se acham deuses’, ou ‘vocês se acham divinos’, e NÃO ‘vocês são OS deuses’. Em outras palavras, tais juízes, que se achavam “deuses”, não eram diferentes de outros “deuses” (pessoas poderosas e influentes) inúteis honrados e adorados pelos homens, como o versículo seguinte passa a mostrar:

Mas vocês morrerão como os homens; cairão como qualquer outro príncipe!” – Salmo 82:7.

Em João 1:1c, a palavra theós (“deus”) aplicada ao Filho (o Lógos, [“Palavra”, ou “Verbo”]) também não é definida, trazendo à tona a sua qualidade divina e não a sua identidade. Em outras palavras, o texto não está afirmando que ‘o Verbo é O Deus’. Nem poderia afirmar isso, visto que, antes disso, afirma-se que ‘o Verbo estava com O Deus’. (Em grego a palavra theós (“deus”), quando aplicada ao Pai (Aquele com quem o Verbo estava) é um substantivo articulado (tem artigo definido), identificando a IDENTIDADE desse theós – como sendo o Deus Todo-Poderoso, o Deus Supremo.

O Verbo não poderia estar com O Deus e, ao mesmo tempo, ser O Deus! Não, no caso do “Verbo”, o que o texto quer dizer é que ele era “um deus” – tinha natureza – qualidade – divina.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





domingo, 23 de abril de 2017

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 56)

Fonte das ilustrações: jw.org

Ilustrações da ovelha perdida e da dracma perdida
(Luc. 15:1-10)
Todos os cobradores de impostos e pecadores chegavam-se então perto dele para o ouvirem. 2 Consequentemente, tanto os fariseus como os escribas murmuravam, dizendo: “Este homem acolhe pecadores e come com eles.” 3 Então lhes contou a seguinte ilustração, dizendo: 4 “Que homem dentre vós, com cem ovelhas, perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove atrás no ermo e vai em busca da perdida, até a achar? 5 E quando a tiver achado, ele a põe sobre os seus ombros e se alegra. 6 E, ao chegar à casa, convoca seus amigos e seus vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que estava perdida.’ 7 Eu vos digo que assim haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende, do que por causa de noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.
8 “Ou que mulher, com dez moedas de dracma[1], se perder uma moeda de dracma, não acende uma lâmpada e varre a sua casa, e procura cuidadosamente até achá-la? 9 E quando a tiver achado, convoca as mulheres que são suas amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a moeda de dracma que perdi.’ 10 Assim, eu vos digo, surge alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende.”
Fonte da ilustração: jw.org
Ilustração do filho pródigo
(Luc. 15:11-32)
11 Ele disse então: “Certo homem tinha dois filhos. 12 E o mais jovem deles disse a seu pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe.’ Dividiu então os seus meios de vida entre eles. 13 Mais tarde, não muitos dias depois, o filho mais jovem ajuntou todas as coisas e viajou para fora, a um país distante, e ali esbanjou os seus bens por levar uma vida devassa. 14 Quando já tinha gasto tudo, ocorreu uma fome severa em todo aquele país, e ele principiou a passar necessidade. 15 Ele até mesmo foi e se agregou a um dos cidadãos daquele país, e este o enviou aos seus campos para pastar porcos. 16 E costumava desejar saciar-se das alfarrobas[2] que os porcos comiam, e ninguém lhe dava [nada].
17 “Quando caiu em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, enquanto eu pereço aqui de fome! 18 Levantar-me-ei e viajarei para meu pai e lhe direi: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. 19 Não sou mais digno de ser chamado teu filho. Faze de mim um dos teus empregados.”’ 20 Levantou-se assim e foi ter com seu pai. Enquanto ainda estava longe, seu pai o avistou e teve pena, e correu e lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou ternamente. 21 O filho disse-lhe então: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho. Faze de mim um dos teus empregados.’ 22 Mas o pai disse aos seus escravos: ‘Ligeiro! Trazei uma veste comprida, a melhor, vesti-o com ela, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés. 23 E trazei o novilho cevado e abatei-o, e comamos e alegremo-nos, 24 porque este meu filho estava morto, e voltou a viver; estava perdido, mas foi achado.’ E principiaram a regalar-se.
25 “Ora, o filho mais velho dele estava no campo; e quando chegou e se aproximou da casa, ouviu um concerto de música e dança. 26 De modo que chamou a si um dos servos e indagou o significado destas coisas. 27 Este lhe disse: ‘Chegou teu irmão, e teu pai abateu o novilho cevado, porque o recebeu de volta em boa saúde.’ 28 Mas ele ficou furioso e não quis entrar. Saiu então seu pai e começou a suplicar-lhe. 29 Em resposta, ele disse ao seu pai: ‘Eis que trabalhei tantos anos como escravo para ti, e nunca, nem uma única vez, transgredi o teu mandamento, contudo, nunca, nem uma única vez, me deste um cabritinho para alegrar-me com os meus amigos. 30 Mas, assim que chegou este teu filho, que consumiu com as meretrizes o teu meio de vida, abates para ele o novilho cevado.’ 31 Disse-lhe então: ‘Filho, tu sempre estiveste comigo e todas as minhas coisas são tuas; 32 mas nós simplesmente tivemos de nos regalar e alegrar, porque este teu irmão estava morto, e voltou a viver, e estava perdido, mas foi achado.’”

Explicação das siglas usadas:
 it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.

Notas:
[1] Moeda grega de prata de cerca de 3,4 gramas, hoje avaliada em US$0,65. Os judeus pagavam ao templo um imposto anual de duas dracmas (uma didracma). (Mat. 17:24) – It-1, p. 743.
[2] Frutos ou vagens da alfarrobeira. Medem de 15 a 25 cm de comprimento, e cerca de 2,5 cm de largura, tendo a forma curva dum chifre, em harmonia com o seu nome em grego (ke··ti·on: “pequeno chifre”). Dentro deles há várias sementes parecidas à ervilha, separadas umas das outras por uma polpa comestível, doce e pegajosa. As alfarrobas são amplamente usadas até o dia de hoje como alimento para cavalos, gado e porcos. – It-1, p. 82. 


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Jesus foi ressuscitado com que corpo? Carnal glorificado ou espiritual? (Parte 4)

Fonte da ilustração: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20151115/deus-e-amor/


Contribuído.

5 – Respondendo supostas contradições

O que dizer dos relatos onde Jesus aparece comendo, é tocado e diz que possui corpo de carne e osso?

Lucas 24:30, 41-43 – Jesus comeu com os discípulos.
Lucas 24:39 – Jesus diz que um espírito não  tem carne e ossos como os discípulos estavam vendo que ele tinha na ocasião, e pediu para que toquem nele.
João 20:17 – Maria o segurou.
João 20:20 – Ele mostrou seus ferimentos aos discípulos.
João 20:27 – Tomé encostou nas marcas dos pregos nas mãos de Jesus.

É importante salientar que essas coisas que Jesus fez foram na verdade “sinais miraculosos”. Ou seja, milagrosamente Jesus se deu a conhecer de diversas maneiras, provando que havia sido ressuscitado:

Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. – João 20:30, NVI.

1- Jesus, embora se mostrasse com corpo materializado, realizava coisas impossíveis a um corpo de carne.

·    Lucas 24:31 – Jesus desaparece na frente de todos.
· Lucas 24:36 – Jesus aparece de repente no meio dos discípulos.
·    João 20:19 – Jesus entrou numa sala onde as portas estavam trancadas, aparecendo repentinamente no meio dos discípulos.
·    João 20:26 – Novamente, Jesus entra na sala que estava com as portas trancadas, aparecendo repentinamente no meio deles.

2- Jesus se apresentou com diferentes corpos em diferentes ocasiões.

·    Mateus 28:17 – Sua aparência não indicava que era o próprio Jesus; alguns discípulos duvidaram.
·    Lucas 24:15, 16 – Os discípulos o confundiram com um simples visitante de Jerusalém.
·    João 20:14, 15 – Maria o confundiu com um jardineiro.

3- O fato de Jesus ter comido ou ter se materializado para que seus discípulos pudessem tocá-lo também não indica que ele tinha um corpo de carne:
·    Gênesis 6:2, 4 – Nos dias de Noé, anjos se materializaram e foram capazes, inclusive, de ter relações sexuais com mulheres e lhes geraram filhos. – Judas 6.
·    Gênesis 18:2, 7, 8; 19:1, 12 – Anjos, nos dias de Abraão, se materializaram e tomaram uma refeição com ele. Inclusive, foram chamados de “homens”.
·    Juízes 13:3, 6 – Um anjo também é chamado de “homem de Deus”, certamente por sua materialização.

E o que dizer do sinal de Jonas (Mateus 16:4; Jonas 1:17) e do fato de Jesus dizer que reconstruiria o templo em 3 dias (João 2:18-22)? Não deveria ser o mesmo corpo?

O Sinal de Jonas – Embora possua algumas representações similares, o fato de o corpo de Jonas ter sido o mesmo após sair do grande peixe não possui relação com o sinal descrito por Jesus. Isso é querer encontrar literalidade onde não há. O ponto desse sinal é a restrição por três dias que Jonas teve dentro do peixe com a que Jesus teve na morte. – Jonas 1:17; Mateus 12:40.

O Templo, seu corpo. – Esse texto não obriga ao entendimento de que a ressurreição de Jesus seja corporal. Jesus usou de uma metáfora com aplicação à sua ressurreição – esse é o tema. O corpo representava o templo. Da mesma forma como a reconstrução do templo usou materiais novos e não suas antigas ruínas, Jesus também teria de assumir um novo corpo ao ser ressuscitado. No entanto, o foco de suas palavras aqui é sua ressurreição; não visa esclarecer com que espécie de corpo seria ressuscitado. – João 2:18, 22.

6 – Implicações em outras doutrinas básicas da cristandade

Implicação na TRINDADE

Para aqueles que defendem a ideia de que Jesus é o Deus supremo, o Todo-Poderoso, crer que Jesus possui hoje um corpo de carne glorificado cria um grande obstáculo para harmonizar tais doutrinas. – João 10:35.

João 4:24 e 2 Coríntios 3:17 afirmam que DEUS é ESPÍRITO.

LOGO, se Jesus NÃO é ESPÍRITO, NÃO pode ser Deus, por que Deus É espírito.

Obs.: Mesmo sendo espírito, isso não o torna forçosamente Deus, mas poderia ser um anjo também. (Hebreus 1:13, 14) No entanto, o fato de ele NÃO ser um ESPÍRITO já impede sequer a POSSIBILIDADE , ou seja, torna “IMPOSSÍVEL” que Jesus seja Deus.

Implicação no atributo ONIPRESENÇA

Se o corpo de Jesus está preso às regras físicas de um corpo de carne, tampouco ele pode ser onipresente, como afirma a cristandade.

Obs.: Mesmo sendo espírito, isso não implicaria forçosamente em ele possuir esse atributo. Deus é espírito, porém habita nos céus; não é onipresente. – Mateus 6:9[1].

Implicação em questões lógicas

Se Jesus tivesse um corpo físico, mesmo que glorificado, teria necessidades fisiológicas – teria que dormir, comer etc. (Pois esse argumento é usado para provar que sua ressurreição foi física – o fato de ele ter comido com os apóstolos – Lucas 24:41-43.)

Diante do exposto podemos concluir que, sem sombra de dúvidas, Jesus foi ressuscitado com corpo espiritual, tendo como base:

1- Comparação do corpo de Jesus com o Cordeiro Pascoal;
2- Comparação do corpo de Jesus com o véu (cortina) do tabernáculo;
3-O fato de o corpo de Jesus não ter sido encontrado;
4- O fato de as pessoas não reconhecerem Jesus por sua aparência física após sua ressurreição;
5- O fato de Jesus ter realizado coisas que somente um corpo espiritual poderia realizar, como aparecer e desaparecer subitamente e atravessar portas;
6- Evidências diretas de textos que afirmam que Jesus foi ressuscitado com corpo espiritual;
7- Evidências indiretas, onde o texto bíblico deixa implícito esse fato apesar de não estar abordando diretamente sobre o tema;
8-  O fato de Jesus estar no céu e que, para isso, existe uma regra que obriga a pessoa a ser um “ser espiritual”;
9-  O fato de que todas as realizações feitas por Jesus, que poderiam dar a entender que ele tinha um corpo físico, possuírem paralelos nas Escrituras com ações de outros seres espirituais que haviam se materializado.

Veja também:


Nota: 


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Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

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terça-feira, 18 de abril de 2017

João 1:1 e a regra de Colwell (Parte 3)


Emphatic Diaglott, 1864.

Que dizer de João 1:1?

Os dois artigos anteriores mostraram as limitações e exceções da chamada “regra de Colwell” e, inclusive, o questionamento legítimo sobre se é uma regra ou exceção.

Com relação a João 1:1, que dizer do predicativo nominativo substantivo anartro theós que precede o verbo e se refere ao Logos (“a Palavra”)? É definido ou não? O que o contexto aponta?

Como já retroexposto, se fosse definido, a ideia seria de que ‘a Palavra era [o] Deus’. Mas isso não poderia ser, visto que se diz anteriormente, na mesma passagem:

Ho lógos ên        prós ton theón
O Logos estava com   o    Deus

No texto grego, o primeiro substantivo “Deus” é articulado (tem artigo). Assim, visto que o Logos (“Palavra”, ou “Verbo”) estava com “O Deus”, o Logos não poderia ser “O Deus”. Visto que os próprios trinitaristas reconhecem que o Deus com quem o Verbo estava é o Pai, afirmar que o Verbo era o Deus seria dizer que o Filho é o próprio Pai, algo que nega a própria Trindade!

A Trindade afirma a distinção de Pessoas. Portanto, se o théos anartro aplicado ao Verbo fosse definido, isso seria um golpe na doutrina da Trindade, contradizendo a fórmula trinitarista. O Pai e o Filho seriam uma só Pessoa que, somada à suposta Pessoa do “Espírito Santo”, resultaria em duas Pessoas, fazendo de Deus uma dualidade, e não uma Trindade.

Mesmo sendo admitida a tradução “o Verbo era Deus” (com inicial maiúscula), ainda assim tal “Deus” não tem a distinção de ser “O Deus” – expressão usada apenas em relação ao Pai nessa passagem. Isso é um golpe incurável na Trindade, pois ela exige a coigualdade entre as “Pessoas” que a compõem. Mas, como comprovado pelo texto grego de João 1:1, o Pai como Deus é superior ao Filho.

Théos só recebe o artigo em relação ao Logos (o “Verbo”) quando a passagem acrescenta um adjetivo para explicar que espécie de théos o Logos é. Assim, João 1:18 reza, nos manuscritos mais antigos:

Nenhum homem jamais viu a Deus; o deus unigênito, que está ao lado do Pai, é quem O revelou.”

Assim, o Verbo é descrito como “deus unigênito” (monogenés theós) – alguém que teve princípio. (Veja a série de artigos “Deus unigênito – um dilema para os trinitaristas”.)

Similarmente, nas Escrituras Hebraicas (“Velho Testamento”), o Logos é referido como “Deus Poderoso” (hebraico: El Gibor) em Isaías 9:6. Por outro lado, Aquele com quem o Verbo estava no princípio (descrito em João 1:1 como sendo “Deus”) é descrito na Bíblia como “o Deus Todo-Poderoso” (hebraico: El Shaddai). – Veja Gênesis 17:1.

De modo que, na inteira Bíblia Sagrada, o Logos (“Palavra” ou “Verbo”) não é coigual ao Pai. E essa ausência de coigualdade aplica um golpe mortal à doutrina da Trindade, tornando-a uma doutrina defunta desde que nasceu, um ‘natimorto’ ou ‘aborto doutrinal’.

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


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