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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Hebreus 11:16 ensina que os patriarcas pré-cristãos irão para o céu?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/verdadeira-fe/historia-de-abraao-na-biblia/

“Mas o fato é que tais pessoas procuram alcançar um lugar melhor, isto é, um lugar que pertence ao céu. Portanto, Deus não se envergonha delas, de ser chamado seu Deus, pois preparou para elas uma cidade.” – Hebreus 11:16.

O contexto de Hebreus, capítulo 11, diz respeito aos servos pré-cristãos de Jeová, tais como Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Isaque e Jacó. – Hebreus 11:4, 5, 7, 8-11.

Será que Hebreus 11:16 indica que eles queriam ir para o céu? Alguns criticam o modo em que a Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada verte essa passagem. A tradução “que pertence ao céu” (usada na NM) está errada, sendo somente possível a tradução que verte por “celestial”? Existe diferença quanto ao significado entre esses dois modos de traduzir? Permitem interpretações diferentes?

“celestial” ou “pertencente ao céu”?

Nosso irmão Queruvim, professor de Hebraico e de Grego, forneceu uma resposta em seu canal Tradução do Novo Mundo Defendida[1], a qual tenho o prazer de transcrever abaixo:

A palavra grega πουρανίου (epouraníou) significa literalmente “uma celestial” ou “do celestial” – uma forma adjetival genitiva. Portanto, a tradução “pertencente ao céu” [ou: “lugar que pertence ao céu”] é bastante literal e contém exatamente a ideia presente no grego. Por exemplo, em Hebreus 3:1, onde encontramos a mesma palavra genitiva πουρανίου, ela se refere aos participantes da chamada “celestial” (grego: πουρανίου), e poderia ser vertida “pertencente ao céu” sem problema algum. Em Hebreus 12:22, quando lemos a expressão “a Jerusalém celestial”, também vemos a mesma forma genitiva que poderia ser vertida “a Jerusalém pertencente ao céu”. É apenas outra forma de verter a palavra grega e que cai dentro da gama de significado da mesma. Portanto, gramaticalmente, não há desvio algum. O que sempre acontece é que, por terem um conhecimento mais avançado e exato da Palavra de Deus, as Testemunhas de Jeová vertem a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas de maneira mais harmoniosa, levando em conta o restante da Bíblia.

Assim, torna-se claro que a forma de a Tradução do Novo Mundo verter o adjetivo grego πουρανίου (epouraníou) está perfeitamente coerente.

O problema é que os membros da cristandade, que em geral creem que todos os bons irão para o céu, preferem a tradução de epouraníou por “celestial”, pois acham que isso favorece sua crença. Mas, na realidade, um estudo do uso dessa palavra no “Novo Testamento” grego, bem como do contexto da Bíblia sobre a esperança dos servos pré-cristãos de Deus, mostrará que ambas as formas de verter epouraníou não dão margem a essa crença da cristandade.

A esperança dos servos de Deus antes de Cristo era terrestre

Lemos em Gênesis 37:35: Todos os seus filhos e todas as suas filhas tentavam consolá-lo, mas ele se recusava a ser consolado e dizia: ‘Descerei para a Sepultura [“Ou: ‘o Seol’, isto é, a sepultura comum da humanidade”, nota] chorando pelo meu filho!’ E ele continuava a chorar por seu filho.”

O fiel Jó declarou: “Quem dera que me escondesses na Sepultura [hebraico: Seol], que me ocultasses até a tua ira passar, que estabelecesses um tempo e então te lembrasses de mim! Quando um homem morre, pode ele viver novamente? Esperarei todos os dias do meu serviço obrigatório, até vir o meu livramento. Tu chamarás, e eu te responderei. Terás saudades do trabalho das tuas mãos.” – Jó 14:13-15.

Como se pode ver claramente, a esperança dos servos de Deus pré-cristãos não era morrer e ir para o céu, e sim aguardar na sepultura a ressurreição terrestre.

Então, visto que os servos pré-cristãos de Deus tinham esperança terrestre – a esperança original oferecida ao primeiro casal humano, o que significa a afirmação de que procuravam alcançar um lugar que pertence ao céu, ou uma pátria celestial” (NVI)?

Em que sentido ‘procuravam alcançar um lugar que pertence ao céu’?

Como disse outro erudito, o Professor e Ph.D.  Jason David BeDuhn:

Você não pode produzir uma doutrina saudável com base em uma tradução ruim. A falta de exatidão de uma tradução iria invalidar qualquer doutrina erguida a partir dela. É por isso que eu digo que tradução precede interpretação.

A interpretação das Testemunhas de Jeová é diferente da maioria, visto que possuem um entendimento melhor devido a uma tradução melhor. E, por terem uma tradução melhor, isso afeta todo o contexto e crítica textual, bem como a versão das palavras das línguas originais em que a Bíblia foi escrita visando se harmonizarem com o conhecimento exato que tanto se esforçam em obter.

Estão sempre fazendo reuniões com leituras de trechos inteiros da Palavra de Deus e estão dispostas a mudar a qualquer momento em que entenderem que o conhecimento anterior era falho sob algum aspecto. Isso é impensável em outros sistemas religiosos que ficam séculos sem mudar suas doutrinas quase sempre alicerçadas, não na Palavra de Deus, mas em ideias humanas.

O ponto é que um lugar que pertence ao céu” não significa um lugar NO céu.

Isso é reconhecido pelos lexicógrafos. Por exemplo, Strong define epouránios como “celestial, na esfera celestial, esfera das atividades espirituais; Met: divino, espiritual[2]. (Grifo acrescentado.)

Obviamente, um lugar na “esfera das atividades espirituais” não é um lugar literalmente no céu. Strong explica:

epouránios (um adjetivo, derivado de … epi ”, em , … o que intensifica … Urano , o “céu”) – corretamente, celestial, referindo-se ao impacto da influência de Deus sobre a situação particular ou pessoa.”[3] (Grifo acrescentado.)

O que é o “lugar que pertence ao céu” que os servos de Deus pré-cristãos procuravam alcançar?

Lemos em Hebreus 11:16: “Mas o fato é que tais pessoas procuram alcançar um lugar melhor, isto é, um lugar que pertence ao céu. Portanto, Deus não se envergonha delas, de ser chamado seu Deus, pois preparou para elas uma cidade.”

O que seria essa “cidade”? Como explica o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra:

Essa “cidade” é o reino de Deus. Mas, por que é chamada aqui de “cidade”? É porque nos tempos antigos era comum um rei dominar sobre uma cidade. De modo que as pessoas muitas vezes associavam uma cidade a um reino. – 1989, p. 134.

Veja os textos que fazem referência a Hebreus 11:16:

“Pois [Abraão] aguardava a cidade que tem verdadeiros alicerces, que foi projetada e construída por Deus.” – Hebreus 11:10.

“Mas vocês se aproximaram de um monte Sião e de uma cidade do Deus vivente, a Jerusalém celestial, e de miríades de anjos.” – Hebreus 12:22.

A “Jerusalém celestial” é o Reino de Deus, conforme o paralelo feito em Hebreus 12:28:

“Portanto, já que receberemos um Reino que não pode ser abalado, continuemos a receber bondade imerecida, por meio da qual podemos prestar a Deus serviço sagrado de modo aceitável, com temor e reverência.”

Embora a sede do Reino de Deus seja no céu, razão pela qual é chamado de “o Reino dos céus” (Mateus 5:3, 10), o seu domínio se estende por toda a Terra. Lemos no Salmo 72:8:

“Ele [o Messias Jesus Cristo] terá súditos [ou: “governará”, nota] de mar a mar, e desde o rio até os confins da terra.”

Portanto, o domínio terrestre do Reino de Deus é, de fato, um “lugar que pertence ao céu”.

Sigla usada:
NVI: Nova Versão Internacional.

Notas:
[1] Queruvim, 4 de outubro de 2012, nos comentários.
[2] Disponível em: <http://biblehub.com/greek/2032.htm>.
[3] Ib. 


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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