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terça-feira, 25 de julho de 2017

Deus violaria suas próprias leis? O caso da mulher com fluxo de sangue


Fonte da ilustração: jw.org

Ela padecia de um sangramento uterino anormal. Já estava buscando tratamento e cura havia 12 longos e agonizantes anos. Por ser uma doença que envolvia o órgão genital, isso causava consequências psicológicas e sociais especialmente dolorosas.

Durante 12 anos, ela precisou expor-se num assunto bastante íntimo a terapeutas. Durante 12 anos, sua capacidade de gerar filhos ficou comprometida. Levando em conta que ela vivia numa sociedade que prezava altamente a fertilidade e a geração de prole, e que considerava uma mulher em tal condição não apenas fisicamente – mas também religiosamente  impura, os efeitos traumatizantes em sua vida social foram profundos e além do que alguém possa dimensionar. Além de tudo isso, ela havia gastado todos os seus recursos financeiros, tendo ficado totalmente empobrecida.

Mas, um belo dia, ela soube a respeito de Jesus de Nazaré, alguém que realizava curas milagrosas de todos os tipos. Embora esgotada pela vida penosa que estava levando, um raio de esperança a envolveu. Poderia finalmente ser curada!

Porém, sendo israelita, ela sabia da Lei dada àquela nação, de que uma pessoa com tal impureza deveria evitar ter contato físico com outras pessoas. (Levítico 15:25-30) No entanto, o homem de quem ela esperava receber a cura vivia rodeado por pessoas. Era simplesmente impossível chegar até ele sem esbarrar em pessoas. Então, o que ela resolveu fazer?

Lemos no relato de Marcos 5:27, 28:

“Tendo ouvido falar de Jesus, ela se aproximou por trás dele, na multidão, e tocou na sua roupa, pois dizia: ‘Se eu apenas tocar na sua roupa, ficarei boa.’”

Podemos imaginar que ela fez o possível para evitar contato físico com as pessoas por quem passava. Mas, no caso de Jesus, ela estava decidida a tocar na roupa dele.

Observe também que dois relatos dos evangelistas, ao descrever os pensamentos de tal mulher, usam o verbo “dizer” no modo indicativo imperfeito: “Dizia”. (Compare Marcos 5:27, 28 com Mateus 9:21.) No grego também está no imperfeito: ἔλεγεν (élegen). O que isso indica? Que ela não disse a si mesma apenas uma vez, mas que ficava continuamente reafirmando para si a certeza de que receberia a cura assim que tocasse na roupa de Jesus. À medida que dava cada passo em direção de Cristo, ela alimentava sua fé no poder de cura de Jesus.

Qual foi o desfecho dessa ação motivada por intensa fé?

O evangelista Marcos descreve vividamente: “E o seu fluxo de sangue secou imediatamente, e ela sentiu no corpo que tinha sido curada daquela doença aflitiva.” – Marcos 5:29.

Será que conseguimos imaginar a profunda emoção e alívio sentidos por aquela mulher? Ela finalmente estava curada! E isso por meio de um procedimento simples – sem dor, sem sofrimento!

Uma cura feita diretamente por Jeová

Em seguida àquele milagre espantoso, o escritor evangelístico descreve o que aconteceu:

“Imediatamente, Jesus percebeu que havia saído poder dele, e ele se virou na multidão e perguntou: ‘Quem tocou na minha roupa?’ Seus discípulos lhe disseram: ‘O senhor está vendo que a multidão o aperta, e ainda pergunta: ‘Quem me tocou?’” Mas ele estava olhando em volta para ver quem tinha feito isso.” – Marcos 5:30-33.

Jesus sentiu que alguém o tocou de forma especial – de modo a poder milagroso ter saído dele. Mas, a princípio, não sabe quem é tal pessoa. Jesus sabia que tal poder só poderia ter saído por ação de seu Pai, Jeová. De modo que Jesus ficou profundamente interessado em saber quem era a pessoa por quem Deus retirou poder dele. Quem era tal pessoa digna e privilegiada pelo Deus Todo-Poderoso?

O evangelizador Lucas prossegue então com o relato do que ocorreu:

“Vendo que não havia passado despercebida, a mulher se aproximou trêmula, se prostrou diante dele e declarou perante todos por que o havia tocado e como tinha sido curada imediatamente.” – Lucas 8:47.

Note que, primeiro, ela declarou “por que” havia tocado Jesus. Visto que sua doença exigia abstenção de contato físico, seria necessária tal explicação. Não sabemos o que ela disse naquela ocasião. Mas, somando os fatos de que ela havia exercido profunda fé e de que Jeová atendeu o desejo íntimo dela de ser curada, não parece apropriado concluirmos que ela usou sua doença penosa para justificar uma possível violação da Lei dada pelo próprio Deus que a curou. Em vez disso, parece coerente concluirmos que aquela singela mulher entendeu que não se tratava de uma violação da Lei divina, e sim de uma exceção a ela.

Pois a Lei mosaica proibia tal contato pelo resultado óbvio de tornar outros também impuros. (Levítico 15:26, 27) Mas, ela sabia que, no caso de Jesus, ele não ficaria impuro; ao contrário, ele removeria a impureza dela!

Jeová, o Supremo Deus, colocou essa coerência na racionalidade do ser humano, de entender quando uma lei se aplica e quando não se aplica. Óbvio que, naquela ocasião, só haveria aquela exceção para tal lei. Pois, com exceção de Jesus Cristo, todos os outros humanos seriam contaminados pela impureza dela.

Mas, que dizer das pessoas em quem ela obviamente tocou ao se dirigir a Jesus? Tal contato era inevitável, pois os Evangelhos descrevem que “uma grande multidão o seguia [a Jesus] e [o] apertava”, e que “as multidões se apertavam em volta dele”. (Marcos 5:24; Lucas 8:42)

Um Deus que olha para o todo

Tecnicamente falando, ao tocar nas pessoas da multidão, tal mulher violou a Lei divina que então vigorava. Mas, ao fazermos uma avaliação da natureza de tal violação, tenhamos presente os seguintes fatos:

1-  O objetivo e a motivação da mulher não eram transgredir a lei divina. Portanto, ela não era mal motivada – pelo contrário, era bem motivada;
2- O efeito negativo do contato físico era temporário: os contatados ficariam impuros “até o anoitecer” (Levítico 15:27);
3-  O profundo sofrimento dela por mais de uma década por certo merecia a misericórdia e a compaixão divinas;
4- A que ela exerceu em alguém enviado por Deus por certo é muito meritória.

Assim, com base nos fatores acima, qualquer violação da lei divina seria evidentemente perdoada pelo compassivo e misericordioso Deus, o qual é maravilhosamente descrito na Bíblia como “Deus misericordioso e compassivo, paciente e cheio de amor leal e de verdade, que demonstra amor leal a milhares, perdoando o erro, a transgressão e o pecado”, que ‘não desvia a sua face aos que se voltam a Ele’. – Êxodo 34:6, 7; 2 Crônicas 30:9.

O glorioso desfecho de uma história emocionante

Após ouvir o tocante depoimento da mulher, o maior Imitador de Deus na Terra, o Senhor Jesus Cristo, disse a consoladora declaração: “Coragem, filha! A sua fé fez você ficar boa.” – Mateus 9:22.

Primeiro, Jesus instilou nela coragem, ânimo, alegria. Em momento algum a condenou por qualquer ação da parte dela. Segundo, chamou-a acalentadoramente de “filha”. Não poderíamos esperar menos daquele que se tornaria o “Pai eterno” da inteira raça humana! – Isaías 9:6.

Em seguida, Jesus ressaltou que a atitude que ela havia tomado, de se dirigir a ele com a convicção de que seria curada, era um ato de fé. E essa fé forneceu a base para Jeová retirar poder de Jesus e curar aquela mulher antes mesmo que Jesus percebesse isso.

Concluindo seu encorajamento, o Filho de Deus disse a ela: “Vá em paz e fique curada da sua doença aflitiva.” Por meio dessa declaração, Jesus garantiu que aquela cura havia sido plena e irreversível. Ela nunca mais padeceria daquela enfermidade horrível!

Um momento para ponderada reflexão

Você já refletiu assim tão profundamente sobre quão maravilhoso Jeová e Jesus Cristo são? Gostaria de aprofundar sua amizade com eles? Por certo, são os melhores amigos que alguém poderia ter!

Poderá fazer isso pelo estudo da Palavra de Deus feito com prolongada meditação em o que ela nos ensina sobre Jeová e sobre Jesus Cristo. Poderá fazer isso por orar com profundos sentimentos a Jeová, conversando com ele como se conversa com um pai amoroso e apreciativo, ou com um amigo de verdade. Todo assunto que seja de sua preocupação é relevante para Jeová.

Certamente, não há palavras que possam descrever a magnitude da personalidade do Deus Altíssimo, Jeová, e de Seu Filho unigênito, Jesus Cristo!


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org







3 comentários:

  1. Maravilhoso artigo, que mostra os profundos sentimentos baseados no AMOR que nosso Deus Jeová e seu filho tem!
    Ao ler o texto duas coisas me vieram à cabeça:
    1. A oração de Jonas:
    “Eu sabia que tu és Deus que tem compaixão e misericórdia. Sabia que tu és sempre paciente e bondoso e que estás sempre pronto a mudar de ideia e não castigar."

    2. O seguinte vídeo de um julgamento que mostra em uma situação moderna a mesma reação que Jesus teve! Assistam! Só não vale chorar! rsrsrs… : https://youtu.be/SjRVZ9PyOmA

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  2. Lindo artigo irmão Apologista, um dos melhores do site ao lado do artigo especial. Eu amo quando o irmão escreve artigos voltados para a visão do todo que Deus tem, quando voce foca em questões psicológicas e culturais. Até me emocionei, toda vez que leio artigos com essa natureza, eu imagino Jeová falando comigo. Sou o Bruno, que te fez uma pergunta sobre pregação de casa em casa. Obrigado.

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  3. Sem dúvida esse artigo nos faz refletir como são maravilhosos Nosso Deus JEOVÁ e seu filho Jesus Cristo, quando analisados dessa mameira os relatos da Bíblia ficam mais fascinantes do que ja são; parabéns irmão.

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