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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 3)

Fonte da ilustração: jw.org

As implicações teológicas

Trevin Wax, editor de assuntos bíblicos no LifeWay Christian Resources (“Recursos do Modo de Vida Cristão”), que optava pela tradução “fé (ou fidelidade) de Jesus Cristo, alista abaixo as razões que tinha para isso:

1. Traduzir pístis christou como “fidelidade de Cristo” evita a repetição em passagens-chave.

Romanos 3:21-22 parece estranho se traduzido como “a justiça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, para todos os que têm fé.” Pareceria mais coerente que a intenção de Paulo era “a justiça de Deus por meio da fidelidade de Jesus Cristo, a todos os que têm fé”.

O mesmo poderia ser dito de Gálatas 2:16: “Depositamos a nossa fé em Cristo Jesus, para sermos declarados justos pela fé em Cristo, e não por obras exigidas por lei.” A repetição é evitada se entendida como “depositamos a nossa fé em Cristo Jesus, para sermos declarados justos pela fidelidade de Cristo, e não por obras exigidas por lei”.

2. Traduzir pístis christou como “fidelidade de Cristo” parece dar mais glória a Cristo.

O tema da “união com Cristo” é poderoso na teologia paulina, e faz sentido uma série de passagens. Por exemplo, a KJ traduz Gálatas 2:20 com o genitivo subjetivo: “A vida que vivo hoje na carne eu vivo pela fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”.

Quando incorporada às categorias de teologia da Reforma, a “fidelidade de Cristo” reforça o apoio à doutrina da imputação. ”Somos justificados pela fidelidade de Cristo (sua perfeita obediência à vontade do Pai, a sua fidelidade até a morte em favor do povo da aliança”).

Filipenses 3:9 parece colocar mais ênfase na fidelidade de Cristo, ao invés de à nossa fé, como meio de fornecer a justiça necessária: “Não tendo a minha própria justiça, que é da lei, mas aquela que é através da fé de Cristo, a justiça que é de Deus pela fé.” (KJ).

3. A justaposição da infidelidade de Israel (obras da lei) e a fidelidade de Cristo (através da sua morte) fornece uma interpretação convincente das passagens-chave em Gálatas.

Ardel Caneday escreve: “Em Gálatas, o argumento de Paulo apresenta Cristo Jesus em contraposição à Torá, com a Torá no papel servo de Cristo, como preparação para Cristo, que agora chegou. A colocação antitética de Paulo de pístis christou com “obras da lei” coloca a fidelidade de Cristo Jesus como realizando o que a Lei não poderia fazer.

Mas, após fazer um estudo mais profundo do tema, Trevin Wax mudou seu conceito, preferindo agora a tradução “fé em Jesus Cristo”. Ele afirmou:

“Hoje, estou convencido de que os autores do Novo Testamento pretendiam que o pístis [fé] se referisse à ‘fé em Cristo’ em vez da fidelidade de Cristo.”

Observe, abaixo, seus argumentos em prol dessa tradução:

1. Nenhum dos pais da igreja adiantada ou leitores gregos adiantados dão uma leitura genitiva subjetiva de pístis christou. Na verdade, a discussão nem apareceu.

Barry Matlock escreve: “Não é que a leitura genética subjetiva seja explicitamente rejeitada entre os primeiros leitores gregos ... mas sim que não é mostrada essa opção, nem mesmo qualquer problema e, portanto, o objetivo é lido sem polêmica ou desculpas. O silêncio pode ser muito eloquente, e aqui conta bastante.”

2. O problema de “repetição” não é um problema tão grande como aparece pela primeira vez.

Em Rom. 3:21-22, Paulo provavelmente pretende colocar a ênfase no “todos”: isto é, a justiça de Deus através da fé em Jesus Cristo, para todos os que têm fé.

Também é provável que Paulo use a repetição intencionalmente. Em uma cultura oral, esta é uma técnica comum para obter o objetivo.

3. Gramaticalmente, existem outros lugares onde o genitivo se refere a Cristo como o objeto da ação.

Em Filipenses 3:8, Jesus Cristo é descrito como o objeto do conhecimento. A passagem fala do “valor superior do conhecimento de Cristo Jesus”. Em 1 Tessalonicenses, ele é descrito como o objeto da esperança. O texto grego reza  τῆς ἐλπίδος τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ (tês elpídos toû kyríou hemôn Iesoû Khristoû; a esperança do Senhor nosso Jesus Cristo). Em ambos os casos, é claro a partir do contexto que Paulo não está falando sobre o conhecimento de Cristo ou a esperança de Cristo, e sim da esperança do cristão em Cristo. Não existe uma razão gramatical porque o mesmo não pode ser verdade para pístis christou (“fé em Cristo” e não “fé de Cristo”).

4. Traduzir pístis christou como “fé em Cristo” não detrai do papel de Cristo na salvação do homem.

A ênfase de Paulo na “fé em Cristo” não prejudica a verdade de que Deus, por meio de Cristo, é o único a produzir a salvação.

O teólogo Michael Bird escreveu: “A fé em Cristo significa confiar-nos ao evento do Evangelho, que inclui o ato teocêntrico de libertação produzido por Deus em Jesus, que inclui a sua vinda, fidelidade, morte e ressurreição. Assim, eu diria que a fidelidade de Jesus está implícita não no nome  pístis [fé], mas em  chrístos [Cristo].”

Concluindo suas observações, Trevin Wax afirma:

“Quanto mais eu estudo, mais estou convencido de que pístis christou deveria ser traduzido como ‘fé em Cristo’.”

De fato, a fidelidade de Cristo abriu o caminho para a salvação, mas a justificação individual também depende da ação do indivíduo em exercer fé em Jesus.

            O último artigo desta série irá avaliar o peso da evidência textual bíblica e o que tal evidência aponta como a tradução correta do assunto em pauta.



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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 2)

Fonte da ilustração: jw.org

O artigo anterior trouxe à tona a questão envolvendo este tema. (Queira ver.) A partir deste artigo, serão suscitados os argumentos de ambos os lados – dos que defendem que a expressão correta é “fé em Jesus” e dos que defendem que é “fé de Jesus”.

Argumentos em prol da tradução “fé de Jesus Cristo”

Traduzir por “fé em Jesus” incidiria em tautologia

A obra Paul and Union with Christ: An Exegetical and Theological Study (“Paulo e a União com Cristo: Um Estudo Exegético e Teológico”), de Constantine R. Campbell, explica as razões para a versão “fé de Cristo”, ou “fidelidade de Cristo”:

Ao passo que a frase διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ pode ser vertida como um genitivo objetivo – significando por meio da fé em Jesus Cristo (cf. HCSB, acima) – poderia bem ser um genitivo subjetivo – por meio da fidelidade de Jesus Cristo. A principal razão para isso é a frase que segue: E nós temos crido em Jesus Cristo. Tomar διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ como indicando fé em Cristo torna a cláusula seguinte tautológica [redundante, repetitiva], efetivamente dizendo a mesma coisa duas vezes. A leitura genitiva subjetiva de πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ permite que duas ideias complementares sejam expressas: primeiro, as pessoas são justificadas pela fidelidade de Jesus Cristo; e segundo, nós somos justificados crendo em Cristo. Neste respeito, Paulo indica que a fidelidade e consequentemente a justiça de Cristo são compartilhadas com os crentes.

Na passagem de Romanos 4:16, Paulo usa uma construção genitiva sem um artigo definido, a qual é usada como argumento de que só pode ser lido como um genitivo subjetivo, referindo-se à fé de Abraão, não à fé dos cristãos em Abraão. Assim, entendem os proponentes do genitivo subjetivo que esta passagem prova que Paulo usou construções genitivas quando queria falar da “fé de” um indivíduo.

Ademais, propõe-se que o contexto de Gálatas 2:16 sugere que Paulo está fazendo uma distinção entre os papéis da fé de Cristo e a fé do crente em Cristo no processo de justificação. Sugere-se um contraste entre as frases “nós tivemos fé em Jesus Cristo” e “podemos ser justificados por pisteōs Christou”, sendo a segunda frase uma consequência da primeira, não apenas uma atualização. Assim, tal passagem teria o seguinte sentido: “Mas sabendo que um homem não é justificado através das obras da lei, mas pela fé de Jesus Cristo, e nós tivemos fé em Jesus Cristo para que possamos ser justos através da fé de Cristo e não através das obras da lei.”

Outro argumento incide sobre Gálatas 2:21, que declara: “Eu não rejeito a bondade imerecida de Deus; pois, se a justiça vem por meio de lei, Cristo realmente morreu em vão.” O argumento seria o de que o contraste é entre a lei e Cristo, não entre obras e fé. Seriam as ações de Cristo, não as do cristão, que Paulo enfatiza. Visto que a justificação vem pela morte de Cristo, é a morte de Cristo que é o exemplo essencial da fé mencionada nos versículos 16 e 20, pelo qual Paulo vive.

Segundo os proponentes do genitivo subjetivo, aderir ao conceito do genitivo objetivo seria colocar a ênfase sobre o que os humanos fazem para promover a sua salvação, em vez de enfatizar o que Cristo fez. Por outro lado, entende-se que o ato da justificação não é uma resposta de Deus à fé humana em Cristo assim como não é a resposta de Deus à observância humana da Lei. A justificação dada por Deus é o primeiro movimento, é a iniciativa de Deus, realizada por ele por meio da morte fiel de Cristo.

Assim, a expressão “fé em Cristo” daria função exagerada ao homem e muito pouco a Cristo, deixando Cristo no papel passivo de ser o objeto de nossa fé justificadora. 

Então, com muitas questões em Paulo, não é um "ou / ou". A fé de Cristo às vezes é enfatizada, mas a ênfase na fé de Cristo não nega ou destrói a fé dos crentes. Nem a fé de uma pessoa em Cristo torna a fé "antropocêntrica", como Cristo é aquele em quem acreditamos.

Argumentos em prol da tradução “fé em Jesus Cristo”

 A repetição da ideia da “fé em Jesus” ocorre para dar ênfase


           A obra Christ Died for Our Sins: Representation and Substitution in Romans and Their Jewish Martyrological Background (“Cristo morreu por nossos pecados: Representação e Substituições em Romanos e Sua Origem Judaica Martirológica”), de Jarvis Williams, afirma:

Em [Romanos] 3:20, depois da detalhada argumentação contra a justificação por meio de obras da lei, Paulo afirma que Deus não irá justificar ninguém “por obras de lei” (ἐξ ἔργων νόμου). Em 3:21-22, Paulo afirma que a justiça de Deus ocorre para o pecador “por meio da fé em Jesus Cristo” (δι πστεως ησο Χριστο). Embora muitos contestem esta última tradução, a frase preposicional (εἰς πάντας τοὺς πιστεύοντας; “para todos os que creem”) em 3:22b esclarece o sentido de δι πστεως ησο Χριστο em 3:22a. Muitos estudiosos lamentam que a interpretação precedente torna Paulo tão tautológico. Sua redundância ocorre aqui para ênfase. (Negrito acrescentado.)

A obra Commentary on Romans (“Comentário sobre Romanos”), de David G. Peterson, explica a questão da repetição:

[…] em Romanos 3:22, se διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ é vertida “pela fé em Jesus Cristo”, a cláusula seguinte (eis pántas toùs pisteoúontas, ‘para todo aquele que crê [exerce fé]) não é redundante porque destaca as implicações universais da primeira. Paulo continuou a enfatizar a necessidade de todos terem fé em Cristo com a expressão οὐ γάρ ἐστιν διαστολή (pois não há distinção). Isto qualifica a cláusula prévia e fornece uma ligação para o próximo versículo. Isto tem o efeito de aplicar tanto o precedente quanto o imediatamente seguinte “todos” tanto a judeus como a gentios (cf. 10:12). Neste caminho, Paulo prepara-se para o argumento de que a promessa a Abraão de a inteira humanidade ser abençoada por meio do seu descendente é cumprida em Cristo (4:9-25).

Em outras palavras, a suposta redundância em Gálatas 2:16, na expressão “depositamos a nossa fé em Cristo Jesus, para sermos declarados justos pela fé em Cristo” ocorreria para ênfase. E a expressão “a justiça de Deus por meio da em Jesus Cristo para todos os que têm ” não seria redundante em vista da palavra “todos”, que destaca as implicações da primeira frase.

O próximo artigo desta série mostrará o que fez um editor de assuntos bíblicos mudar seu conceito a respeito de qual seria a tradução correta.



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domingo, 18 de fevereiro de 2018

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 99)


Fonte da ilustração: Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, p. 144, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Aparecimentos de Jesus após sua ressurreição
2.º aparecimento (João 20:11-17)
11 Maria, porém, ficou parada do lado de fora, perto do túmulo memorial, chorando. Então, enquanto chorava, inclinou-se para a frente a fim de olhar para dentro do túmulo memorial 12 e observou dois anjos, de branco, sentados um à cabeceira e outro aos pés do lugar onde o corpo de Jesus estivera deitado. 13 E disseram-lhe: “Mulher, por que estás chorando?” Ela lhes disse: “Retiraram o meu Senhor, e não sei onde o deitaram.” 14 Depois de dizer estas coisas, ela se voltou e observou Jesus em pé, mas não discernia que era Jesus. 15 Jesus disse-lhe: “Mulher, por que estás chorando? A quem estás procurando?” Ela, imaginando que fosse o jardineiro, disse-lhe: “Senhor, se tu o levaste embora, dize-me onde o deitaste, e eu o retirarei.” 16 Jesus disse-lhe: “Maria!” Dando meia-volta, ela disse-lhe, em hebraico: “Rabôni!”[1] (que significa “Instrutor!”). 17 Jesus disse-lhe: “Para de agarrar-te a mim. Porque ainda não ascendi para junto do Pai. Mas, vai aos meus irmãos e dize-lhes: ‘Eu ascendo para junto de meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.’”
[As mulheres] lembraram-se assim das suas declarações, e relataram todas estas coisas aos onze e a todo o resto. Maria Madalena veio e trouxe a notícia aos discípulos: “Tenho visto o Senhor!” e que ele lhe dissera essas coisas. [As mulheres] eram Maria Madalena e Joana, e Maria, mãe de Tiago. Também as demais mulheres com elas estavam contando estas coisas aos apóstolos. No entanto, estas declarações pareciam-lhes tolice e não acreditavam nas mulheres.
3.º e 4.º aparecimentos (Luc. 24:12-35)
 [[12 Mas Pedro levantou-se e correu para o túmulo memorial, e, inclinando-se para a frente, viu somente as faixas. Ele foi assim embora, perguntando-se o que tinha ocorrido.]][2]
13 Mas, eis que naquele mesmo dia dois deles estavam caminhando para uma aldeia, cerca de onze quilômetros distante de Jerusalém, de nome Emaús,[3] 14 e estavam conversando entre si sobre todas essas coisas que tinham acontecido.
15 Ora, enquanto conversavam e palestravam, aproximou-se o próprio Jesus e começou a andar com eles; 16 mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo. 17 Ele lhes disse: “Que assuntos são estes que debateis entre vós enquanto estais caminhando?” E eles ficaram parados de rostos tristes. 18 Em resposta disse-lhe aquele que tinha o nome de Cléopas:[4] “Moras sozinho, como forasteiro, em Jerusalém, e não sabes as coisas que ocorreram nela nestes dias?” 19 E ele lhes disse: “Que coisas?” Disseram-lhe: “As coisas a respeito de Jesus, o nazareno, que se tornou profeta poderoso em obras e palavra perante Deus e todo o povo; 20 e como os nossos principais sacerdotes e governantes o entregaram à sentença de morte e o pregaram numa estaca. 21 Mas nós esperávamos que este [homem] fosse o destinado a livrar Israel; sim, e além de todas estas coisas, este já é o terceiro dia desde que essas coisas ocorreram. 22 Além disso, certas mulheres dentre nós também nos assombraram, porque tinham ido cedo ao túmulo memorial, 23 mas, não achando seu corpo, voltaram dizendo que tiveram também uma visão sobrenatural de anjos, que disseram que ele estava vivo. 24 Ademais, alguns dos que estavam conosco foram ao túmulo memorial; e acharam que era assim, exatamente como as mulheres disseram, mas não o viram.”
25 Disse-lhes assim: “Ó insensatos e vagarosos de coração no que se refere a crer em todas as coisas faladas pelos profetas! 26 Não era necessário que o Cristo sofresse estas coisas e que entrasse na sua glória?” 27 E, principiando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo.
28 Por fim chegaram perto da aldeia para a qual caminhavam, e ele fez como se fosse caminhar mais para diante. 29 Mas eles exerceram pressão sobre ele, dizendo: “Fica conosco, porque já está anoitecendo e o dia já está declinando.” Em vista disso, entrou para ficar com eles. 30 E, ao se recostar com eles à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e começou a dar-lho. 31 Com isso abriram-se-lhes plenamente os olhos e o reconheceram; e ele desapareceu de diante deles. 32 E disseram um ao outro: “Não se nos abrasavam os corações quando nos falava na estrada, ao nos abrir plenamente as Escrituras?” 33 E eles se levantaram naquela mesma hora e voltaram a Jerusalém, e acharam reunidos os onze e os com eles, 34 que diziam: “O Senhor foi de fato levantado e apareceu a Simão!” 35 Eles mesmos relataram então os [eventos ocorridos] na estrada e como foi reconhecido por eles pelo partir do pão.

Explicação das siglas usadas:

A     Códice Alexandrino, grego, quinto século EC [Era Comum], Museu Britânico, E.H., E.G. [Escrituras Hebraicas, Escrituras Gregas.]

א     (Álefe) Códice Sinaítico, grego, quarto século EC, Museu Britânico, E.H., E.G.

B       Ms. Vaticano 1209, gr., quarto séc. EC, Cidade do Vaticano, Roma, E.H., E.G.

D       Códices Bezae, gr. e lat., quinto e sexto séc. EC, Cambridge, Inglaterra, E.G.

It      Antigas Versões Latinas, Itala, do segundo ao quarto séc. EC; E.H., E.G.

it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.

P75    Papiro Bodmer 14, 15, grego, c. 200 EC, Genebra, E.G.

Sy, Syp  Peshitta (Pesito) siríaca, aram. cristã, originalmente produzida no quinto séc. EC (editada por S. Lee, Londres, 1826, e reimpressa pelas United Bible Societies [Sociedades Bíblicas Unidas], 1979).

Vg      Vulgata latina, de Jerônimo, originalmente produzida em c. 400 EC (Iuxta Vulgatam Versionem, Württembergische Bibelanstalt, Stuttgart, 1975).

W       Freer Gospels, quinto séc. EC, Washington, DC, EUA.

Notas: 
[1] Palavra semítica que significa “Meu Instrutor”. (Mar. 10:51) Pode ser que fosse uma forma mais respeitosa do que “Rabi”, título este que significa “Instrutor”, ou que transmitisse mais calor humano. (João 1:38) No entanto, quando João escreveu, talvez o sufixo (i) da primeira pessoa, acrescentado a esta palavra, tivesse perdido seu significado especial no título, uma vez que João o traduz como significando simplesmente “Instrutor”. (João 20:16) – It-3, p. 372.
[2] As palavras entre colchetes duplos aparecem em P75אABWVgSy. Mas são omitidas em DItmss. É possível que seja um erro de cópia, transcrito de João 20:6. Ou pode ser que, após o relato das mulheres, Pedro tenha voltado ao túmulo. Se assim for, pode ser que, após isso, Jesus lhe tenha aparecido, conforme os versículos 33 e 34.
[3]  “Sessenta estádios” (7,5 milhas romanas [11 km]) Como localização, sugere-se El-Qubeiba. Todavia, qualquer identificação final é atualmente impossível. – It-1, p. 803.
[4] Possivelmente uma contração de Cleópatro, significando “Famoso Pai”. Este nome grego, Cléopas, não deve ser confundido com Clopas, nome aramaico. (Jo 19:25) – It-1, p. 520.


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 1)

Fonte da ilustração: jw.org

Um leitor escreveu:

Gostaria de propor um estudo: Sobre a FÉ DE JESUS, nos originais gregos. É traduzido erroneamente como FÉ EM JESUS, em Gálatas 2:16; 3:22 e em Romanos 3:22. Agradeço a resposta. 

Resposta:

           As ocorrências abaixo citadas nas cartas de Paulo têm sido objeto de discussão com relação a esse assunto:

διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (“através da fé em/de Jesus Cristo.” – Romanos 3:22);

ἐκ πίστεως Ἰησοῦ (“pela fé em/de Jesus.” – Romanos 3:26);

διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (“através da fé em/de Jesus Cristo.” – Gálatas 2:16a);

ἐκ πίστεως Χριστοῦ (“pela fé em/de Jesus.” –  Gálatas 2:16b);

ἐν πίστει ... τοῦ υἱοῦ τοῦ θεοῦ (“pela fé em/de o Filho de Deus.” –  Gálatas 2:20);

ἐκ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (“pela fé em/de Jesus Cristo.” –  Gálatas 3:22);

διὰ τῆς πίστεως Χριστοῦ Ἰησοῦ (“através da fé em/de Cristo Jesus.” – Gálatas 3:26, apenas no manuscrito P46);

διὰ πίστεως Χριστοῦ (“através da fé em/de Cristo.” – Filipenses 3:9).
Também Efésios 3:12; 4.13.


A questão gramatical

              A expressão πíστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (písteos Iesoû Khristoû) está no caso genitivo, o qual, em regra, indica a origem, fonte ou posse. Assim, a regra para a tradução do caso genitivo grego para o português vem acompanhado da preposição “de”. Por isso, pela dita regra, a expressão písteos Iesoû Khristoû seria traduzida “fé de Jesus”.

Porém, fazer uma tradução não é tão simples assim. Os gramáticos costumam classificar o genitivo grego em subjetivo e objetivo. O genitivo subjetivo privilegia o sujeito, aquele que produz a ação, ao passo que no genitivo objetivo a ênfase é no objeto, e o elemento no genitivo recebe a ação.

Assim, se ησο Χριστο for tido como um genitivo subjetivo, então a passagem refere-se a um atributo ou ação pessoal de Cristo: à fé produzida por Jesus, sua própria fé (ou a fidelidade de Cristo). Por outro lado, se a expressão for entendida como um genitivo objetivo, ela se refere à fé recebida por Jesus. 

Em síntese, o genitivo subjetivo referir-se-ia à fé de Cristo, ao passo que o genitivo objetivo seria uma referência à fé daquele que é “salvo” (a sua fé em Cristo).

Bill Mounce, que serve na Comissão para Tradução da Bíblia, a qual é responsável pela tradução da Bíblia NIV (New International Version) afirma:

“O genitivo nem sempre significa ‘de’, e o dativo nem sempre significa ‘em’.” Ele ainda declara que “a maioria das traduções” verte por “fé em Jesus Cristo” (incluindo a Nova Versão Rei Jaime [NKJV]). Nessas traduções, o genitivo é entendido como sendo objetivo. Assim, visto que somos justificados pela fé quando Jesus é o objeto de nossa fé, em português usa-se a expressão “fé em Jesus”.

As traduções

             A maioria das traduções verte dessa forma. Veja ACF, ARIB, SBB, Ave Maria, ASV, Basic English, Lexham English Bible, NAS, NIV, BJ em espanhol, El Livro del Pueblo de Dios, Bíblia Latinoamericana, La Sacra Bibbia, La Bibbia, La Sainte Bible, de Augustin Crampon, RSV, Christian Community Bible, New Jerusalem Bible.

Já a Versão Rei Jaime (KJ) verte por “a fé de Jesus Cristo”. O mesmo fazem Darby, Webster, Reina Valera, Sagradas Escrituras (espanhol), Douay-Rheims, e Catholic Public Domain Version.

Diante disso, surge a pergunta: O cristão é justificado pela fé demonstrada por Cristo (“fé de Jesus Cristo”) ou pela fé que o cristão exerce em Jesus Cristo (“em Jesus Cristo”)?

               O próximo artigo desta série passará a considerar essa questão.



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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Corrigir entendimentos errados faz parte do processo de adquirir conhecimento correto



Fonte da foto: jw.org

Um leitor expressou sua preocupação pelo fato de a organização das Testemunhas de Jeová ter feito eventualmente mudanças, ou ajustes, sobretudo cronológicos. Em razão disso, segue abaixo, para o benefício de todos os leitores, a resposta dada a ele por e-mail:

Prezado [nome ocultado]:

A organização celestial de Jeová é perfeita, mas o mesmo não ocorre com a organização terrestre dele. Quando estudamos a história do povo de Deus enquanto nação de Israel sob o pacto da Lei, vemos diversas falhas por parte deles. E o mesmo se deu quando entrou o arranjo do cristianismo. Como você mesmo citou, os cristãos de Tessalônica tiveram de ser corrigidos por Paulo por criarem expectativas erradas com relação ao fator tempo.

Lemos em 2 Tessalonicenses 2:2:

“Que não percam facilmente o bom senso, nem fiquem assustados, quer por uma declaração inspirada, quer por uma mensagem falada, quer por uma carta aparentemente vinda de nós, que afirmem que o dia de Jeová já chegou.”

E a história moderna do povo de Deus mostra que também houve falhas neste respeito, as quais o povo de Deus não esconde.

O processo de entendimento das Escrituras é progressivo e sujeito a erros e correções. Daniel 12:4 afirma: “Quanto a você, Daniel, mantenha em segredo as palavras e sele o livro até o tempo do fim. Muitos FARÃO UMA BUSCA, e o conhecimento verdadeiro SE TORNARÁ abundante.” O entendimento é o resultado de uma “busca” persistente por meio de estudo diligente das Escrituras.

Mesmo assim, eventualmente ocorrem interpretações erradas. Lemos em Daniel 12:9, 10: “Então ele disse: ‘Vá, Daniel, porque as palavras devem ser mantidas em segredo e seladas até o tempo do fim. Muitos se purificarão, se embranquecerão e serão refinados. E os maus farão o que é mau, e nenhum dos maus entenderá; mas os que têm discernimento entenderão.” As palavras em maiúsculas indicam um processo de aperfeiçoamento.

Veja os artigos:


Assim como no primeiro século, a nossa situação se encontra como descrito por Paulo: “Pois atualmente vemos contornos indefinidos por meio de um espelho de metal, mas então [“quando vier o que é completo”, v. 10 – o pleno entendimento das verdades bíblicas] será face a face. Atualmente eu conheço em parte, mas então conhecerei de modo exato, assim como eu sou conhecido de modo exato.” – 1 Coríntios 13:12.

Por isso a importância de o nosso foco estar na fé, na esperança e sobretudo no amor. – 1 Coríntios 13:13.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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