Image Map











terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 4)

Fonte da ilustração: jw.org

Não há nenhuma referência explícita inequívoca à fidelidade de Cristo

Por outro lado, a fé dos crentes é mencionada muitas vezes em Romanos e Gálatas.

Seguem abaixo as referências à fé dos crentes em Romanos e Gálatas:

Rom. 1:5: “Para que haja obediência pela fé.”
Rom. 1:8: “Se fala da sua fé no mundo inteiro.”
Rom. 1:12: “Por meio da nossa fé.”
Rom. 3:27-28: “O homem é declarado justo pela fé, sem depender de obras exigidas por lei.”
Rom. 3:30-31: “Ele declarará justos os circuncisos em resultado da fé, e os incircuncisos por meio da sua fé.”
Rom. 4:5: “Ao homem que não realiza obras, mas deposita fé.”
Rom. 4:9: “A fé que Abraão tinha.”
Rom.  4:11-14: “O pai de todos os que têm fé.”
Rom.  4:16: “Aos que têm a fé demonstrada por Abraão.”
Rom.  4:19-20: “[Abraão] se tornou poderoso pela sua fé.”
Rom.  5:1-2: “Fomos declarados justos em resultado da fé.”
Rom.  9:30: “A justiça que resulta da fé.”
Rom. 9:32: “Se empenharam por ela não por meio da fé, mas como se pudessem alcançá-la por meio de obras.”
Rom.  10:6: “A justiça resultante da fé.”
Rom.  10:8: “‘A palavra’ da fé, que estamos pregando.”
Rom. 10:9: “No seu coração tiver fé.”
Rom. 10:10: “Com o coração se tem fé visando a justiça.”
Rom. 10:11: “Ninguém que basear nele a sua fé ficará decepcionado.”
Rom. 10:14: “Como o invocarão se não depositaram fé nele?”
Rom.  10:17: “A fé segue ao que se ouve.”
Rom.  11:20: “Foram arrancados porque não tiveram fé, mas você está de pé pela fé.”
Rom. 14:23: “Se alguém tem dúvidas e come, já está condenado, porque não come com base na fé.”
Rom. 16:26: “Promover a obediência pela fé.” 
Gál. 2:20: “Eu vivo pela fé no Filho de Deus.”
Gál. 3:7-9: “Os que têm fé é que são filhos de Abraão.”
Gál. 3:11-12: “Por lei ninguém é declarado justo diante de Deus, pois ‘o justo viverá em razão da fé’.”
Gál. 3:14: “Recebêssemos o espírito prometido por meio da nossa fé.”
Gál. 3:26: “Sua fé em Cristo Jesus.”
Gál. 5:5-6: “Nem a circuncisão nem a incircuncisão são de valor algum, mas sim a fé que age por meio do amor.”
Filipenses 1:29: “Depositar nele [em Cristo] a sua fé.”
Filêmon 5: “Continuo a ouvir falar da sua fé.”
Colossenses 1:4: “Ouvimos falar da sua fé em Cristo Jesus.”
Colossenses 2:5: “A firmeza da sua fé em Cristo.”

Portanto, é ampla a evidência textual bíblica da referência à fé dos discípulos de Cristo. Em contraste, não há evidências inequívocas da fé, ou fidelidade de Cristo, a Deus nas cartas de Paulo. 

Tendo em vista esse abrangente contexto bíblico, a maioria dos tradutores vertem a frase mais difícil – πίστις Χριστο(pístis Khristoû), como como um genitivo objetivo, significando “fé em Cristo”.

Os proponentes da aplicação objetiva do genitivo entendem que, se a interpretação genitiva subjetiva fosse adotada para a frase πίστις Χριστο, isso resultaria numa disparidade altamente incomum, em que o substantivo πίστις (“fé”) seria atribuído a Cristo, enquanto que todas as ocorrências do verbo πιστεύω (“pisteúo”, “crer” ou “exercer fé”) são atribuídas aos crentes humanos.


Referências:

Campbell, Douglas. “False Presuppositions in the ΠΙΣΤΙΣ ΧΡΙΣΤΟΥ Debate: A Response to Brian Dodd.” Journal of Biblical Literature 116 (1997):713-19.

Mounce, Bill. Como o genitivo pode significar “em” (Gal. 2:16)?

R. Barry Matlock, “Detheologizing the ΠΙΣΤΙΣ ΧΡΙΣΤΟΥ Debate: Cautionary Remarks from a Lexical Semantic Perspective.” Novum Testamentum 42.1 (2000): 1-23.

Strathearn, Gaye. “The Faith of Christ,” in A Witness for the Restoration: Essays in Honor of Robert J. Matthews, ed. Kent P. Jackson and Andrew C. Skinner (Provo, UT: Religious Studies Center, Brigham Young University, 2007), 93–127. Disponível em: < https://rsc.byu.edu/archived/selected-articles/faith-christ#_edn25>.

Thomas R. Schreiner, Paulo, Apóstolo da Glória de Deus em Cristo: uma teologia paulina (Downers Grove: InterVarsity Press, 2001).

WAX, Trevin. TGC. The Gospel Coalition. Disponível em: <https://blogs.thegospelcoalition.org/trevinwax/2011/05/23/faith-in-christ-or-faithfulness-of-christ/>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




domingo, 25 de fevereiro de 2018

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 100)


Fonte da ilustração: jw.org
5.º aparecimento (Luc. 24:36-49a; João 20:19-23)
Já era tarde naquele dia, o primeiro da semana. Enquanto ainda falavam destas coisas, e, embora estivessem fechadas à chave as portas onde os discípulos estavam, de temor dos judeus, veio Jesus e ficou em pé no meio deles, e disse-lhes: “Haja paz convosco.” Mas, visto que estavam apavorados e tinham ficado amedrontados, imaginavam ver um espírito. De modo que lhes disse: “Por que estais aflitos e por que é que se levantam dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, porque um espírito não tem carne e ossos assim como observais que eu tenho.” E, depois de dizer isso, mostrou-lhes tanto as suas mãos como o seu lado.
Mas, não acreditando eles ainda de pura alegria e admirando-se, disse-lhes: “Tendes aqui algo para comer?” E entregaram-lhe um pedaço de peixe assado; e ele o tomou e comeu diante dos seus olhos. Os discípulos alegraram-se então por verem o Senhor. Jesus, portanto, disse-lhes novamente: “Haja paz convosco. Estas são as minhas palavras que vos falei enquanto ainda estava convosco, que todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, a respeito de mim, têm de se cumprir.” Abriu-lhes então plenamente as mentes para que compreendessem o significado das Escrituras e disse-lhes: “Assim está escrito que o Cristo havia de sofrer e de ser levantado dentre os mortos no terceiro dia,[1] e que, à base do seu nome, se havia de pregar arrependimento para o perdão de pecados, em todas as nações[2] — principiando por Jerusalém, haveis de ser testemunhas destas coisas. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”
E, depois de dizer isso, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei espírito santo. Se perdoardes os pecados de quaisquer pessoas, ficam-lhes perdoados; se retiverdes os de quaisquer pessoas, ficam-lhes retidos. E eis que vos estou enviando o que foi prometido por meu Pai.”[3]
(João 20:24-30)
24 Tomé, porém, um dos doze, que era chamado O Gêmeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Consequentemente, os outros discípulos diziam-lhe: “Temos visto o Senhor!” Mas, ele lhes disse: “A menos que eu veja nas suas mãos o sinal dos pregos e ponha o meu dedo no sinal dos pregos, e ponha a minha mão no seu lado, certamente não acreditarei.”
6.º aparecimento (João 20:26-31)
26 Bem, oito dias depois, seus discípulos estavam novamente portas adentro, e Tomé com eles. Jesus veio, embora as portas estivessem fechadas à chave, e ficou em pé no meio deles e disse: “Haja paz convosco.” 27 A seguir, disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui, e vê as minhas mãos, e toma a tua mão e põe-na no meu lado, e para de ser incrédulo, mas torna-te crente.” 28 Em resposta, Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” 29 Jesus disse-lhe: “Creste porque me viste? Felizes são os que não veem, contudo, creem.” 30 De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo. 31 Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome.
(Mat. 28:16a)
“Os onze discípulos foram para a Galileia.”

Notas:
[1] Isa. 53:5; Jon. 1:17.
[2] Gên. 22:18.
[3] Joel 2:28.


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 3)

Fonte da ilustração: jw.org

As implicações teológicas

Trevin Wax, editor de assuntos bíblicos no LifeWay Christian Resources (“Recursos do Modo de Vida Cristão”), que optava pela tradução “fé (ou fidelidade) de Jesus Cristo, alista abaixo as razões que tinha para isso:

1. Traduzir pístis christou como “fidelidade de Cristo” evita a repetição em passagens-chave.

Romanos 3:21-22 parece estranho se traduzido como “a justiça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, para todos os que têm fé.” Pareceria mais coerente que a intenção de Paulo era “a justiça de Deus por meio da fidelidade de Jesus Cristo, a todos os que têm fé”.

O mesmo poderia ser dito de Gálatas 2:16: “Depositamos a nossa fé em Cristo Jesus, para sermos declarados justos pela fé em Cristo, e não por obras exigidas por lei.” A repetição é evitada se entendida como “depositamos a nossa fé em Cristo Jesus, para sermos declarados justos pela fidelidade de Cristo, e não por obras exigidas por lei”.

2. Traduzir pístis christou como “fidelidade de Cristo” parece dar mais glória a Cristo.

O tema da “união com Cristo” é poderoso na teologia paulina, e faz sentido uma série de passagens. Por exemplo, a KJ traduz Gálatas 2:20 com o genitivo subjetivo: “A vida que vivo hoje na carne eu vivo pela fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”.

Quando incorporada às categorias de teologia da Reforma, a “fidelidade de Cristo” reforça o apoio à doutrina da imputação. ”Somos justificados pela fidelidade de Cristo (sua perfeita obediência à vontade do Pai, a sua fidelidade até a morte em favor do povo da aliança”).

Filipenses 3:9 parece colocar mais ênfase na fidelidade de Cristo, ao invés de à nossa fé, como meio de fornecer a justiça necessária: “Não tendo a minha própria justiça, que é da lei, mas aquela que é através da fé de Cristo, a justiça que é de Deus pela fé.” (KJ).

3. A justaposição da infidelidade de Israel (obras da lei) e a fidelidade de Cristo (através da sua morte) fornece uma interpretação convincente das passagens-chave em Gálatas.

Ardel Caneday escreve: “Em Gálatas, o argumento de Paulo apresenta Cristo Jesus em contraposição à Torá, com a Torá no papel servo de Cristo, como preparação para Cristo, que agora chegou. A colocação antitética de Paulo de pístis christou com “obras da lei” coloca a fidelidade de Cristo Jesus como realizando o que a Lei não poderia fazer.

Mas, após fazer um estudo mais profundo do tema, Trevin Wax mudou seu conceito, preferindo agora a tradução “fé em Jesus Cristo”. Ele afirmou:

“Hoje, estou convencido de que os autores do Novo Testamento pretendiam que o pístis [fé] se referisse à ‘fé em Cristo’ em vez da fidelidade de Cristo.”

Observe, abaixo, seus argumentos em prol dessa tradução:

1. Nenhum dos pais da igreja adiantada ou leitores gregos adiantados dão uma leitura genitiva subjetiva de pístis christou. Na verdade, a discussão nem apareceu.

Barry Matlock escreve: “Não é que a leitura genética subjetiva seja explicitamente rejeitada entre os primeiros leitores gregos ... mas sim que não é mostrada essa opção, nem mesmo qualquer problema e, portanto, o objetivo é lido sem polêmica ou desculpas. O silêncio pode ser muito eloquente, e aqui conta bastante.”

2. O problema de “repetição” não é um problema tão grande como aparece pela primeira vez.

Em Rom. 3:21-22, Paulo provavelmente pretende colocar a ênfase no “todos”: isto é, a justiça de Deus através da fé em Jesus Cristo, para todos os que têm fé.

Também é provável que Paulo use a repetição intencionalmente. Em uma cultura oral, esta é uma técnica comum para obter o objetivo.

3. Gramaticalmente, existem outros lugares onde o genitivo se refere a Cristo como o objeto da ação.

Em Filipenses 3:8, Jesus Cristo é descrito como o objeto do conhecimento. A passagem fala do “valor superior do conhecimento de Cristo Jesus”. Em 1 Tessalonicenses, ele é descrito como o objeto da esperança. O texto grego reza  τῆς ἐλπίδος τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ (tês elpídos toû kyríou hemôn Iesoû Khristoû; a esperança do Senhor nosso Jesus Cristo). Em ambos os casos, é claro a partir do contexto que Paulo não está falando sobre o conhecimento de Cristo ou a esperança de Cristo, e sim da esperança do cristão em Cristo. Não existe uma razão gramatical porque o mesmo não pode ser verdade para pístis christou (“fé em Cristo” e não “fé de Cristo”).

4. Traduzir pístis christou como “fé em Cristo” não detrai do papel de Cristo na salvação do homem.

A ênfase de Paulo na “fé em Cristo” não prejudica a verdade de que Deus, por meio de Cristo, é o único a produzir a salvação.

O teólogo Michael Bird escreveu: “A fé em Cristo significa confiar-nos ao evento do Evangelho, que inclui o ato teocêntrico de libertação produzido por Deus em Jesus, que inclui a sua vinda, fidelidade, morte e ressurreição. Assim, eu diria que a fidelidade de Jesus está implícita não no nome  pístis [fé], mas em  chrístos [Cristo].”

Concluindo suas observações, Trevin Wax afirma:

“Quanto mais eu estudo, mais estou convencido de que pístis christou deveria ser traduzido como ‘fé em Cristo’.”

De fato, a fidelidade de Cristo abriu o caminho para a salvação, mas a justificação individual também depende da ação do indivíduo em exercer fé em Jesus.

            O último artigo desta série irá avaliar o peso da evidência textual bíblica e o que tal evidência aponta como a tradução correta do assunto em pauta.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 2)

Fonte da ilustração: jw.org

O artigo anterior trouxe à tona a questão envolvendo este tema. (Queira ver.) A partir deste artigo, serão suscitados os argumentos de ambos os lados – dos que defendem que a expressão correta é “fé em Jesus” e dos que defendem que é “fé de Jesus”.

Argumentos em prol da tradução “fé de Jesus Cristo”

Traduzir por “fé em Jesus” incidiria em tautologia

A obra Paul and Union with Christ: An Exegetical and Theological Study (“Paulo e a União com Cristo: Um Estudo Exegético e Teológico”), de Constantine R. Campbell, explica as razões para a versão “fé de Cristo”, ou “fidelidade de Cristo”:

Ao passo que a frase διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ pode ser vertida como um genitivo objetivo – significando por meio da fé em Jesus Cristo (cf. HCSB, acima) – poderia bem ser um genitivo subjetivo – por meio da fidelidade de Jesus Cristo. A principal razão para isso é a frase que segue: E nós temos crido em Jesus Cristo. Tomar διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ como indicando fé em Cristo torna a cláusula seguinte tautológica [redundante, repetitiva], efetivamente dizendo a mesma coisa duas vezes. A leitura genitiva subjetiva de πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ permite que duas ideias complementares sejam expressas: primeiro, as pessoas são justificadas pela fidelidade de Jesus Cristo; e segundo, nós somos justificados crendo em Cristo. Neste respeito, Paulo indica que a fidelidade e consequentemente a justiça de Cristo são compartilhadas com os crentes.

Na passagem de Romanos 4:16, Paulo usa uma construção genitiva sem um artigo definido, a qual é usada como argumento de que só pode ser lido como um genitivo subjetivo, referindo-se à fé de Abraão, não à fé dos cristãos em Abraão. Assim, entendem os proponentes do genitivo subjetivo que esta passagem prova que Paulo usou construções genitivas quando queria falar da “fé de” um indivíduo.

Ademais, propõe-se que o contexto de Gálatas 2:16 sugere que Paulo está fazendo uma distinção entre os papéis da fé de Cristo e a fé do crente em Cristo no processo de justificação. Sugere-se um contraste entre as frases “nós tivemos fé em Jesus Cristo” e “podemos ser justificados por pisteōs Christou”, sendo a segunda frase uma consequência da primeira, não apenas uma atualização. Assim, tal passagem teria o seguinte sentido: “Mas sabendo que um homem não é justificado através das obras da lei, mas pela fé de Jesus Cristo, e nós tivemos fé em Jesus Cristo para que possamos ser justos através da fé de Cristo e não através das obras da lei.”

Outro argumento incide sobre Gálatas 2:21, que declara: “Eu não rejeito a bondade imerecida de Deus; pois, se a justiça vem por meio de lei, Cristo realmente morreu em vão.” O argumento seria o de que o contraste é entre a lei e Cristo, não entre obras e fé. Seriam as ações de Cristo, não as do cristão, que Paulo enfatiza. Visto que a justificação vem pela morte de Cristo, é a morte de Cristo que é o exemplo essencial da fé mencionada nos versículos 16 e 20, pelo qual Paulo vive.

Segundo os proponentes do genitivo subjetivo, aderir ao conceito do genitivo objetivo seria colocar a ênfase sobre o que os humanos fazem para promover a sua salvação, em vez de enfatizar o que Cristo fez. Por outro lado, entende-se que o ato da justificação não é uma resposta de Deus à fé humana em Cristo assim como não é a resposta de Deus à observância humana da Lei. A justificação dada por Deus é o primeiro movimento, é a iniciativa de Deus, realizada por ele por meio da morte fiel de Cristo.

Assim, a expressão “fé em Cristo” daria função exagerada ao homem e muito pouco a Cristo, deixando Cristo no papel passivo de ser o objeto de nossa fé justificadora. 

Então, com muitas questões em Paulo, não é um "ou / ou". A fé de Cristo às vezes é enfatizada, mas a ênfase na fé de Cristo não nega ou destrói a fé dos crentes. Nem a fé de uma pessoa em Cristo torna a fé "antropocêntrica", como Cristo é aquele em quem acreditamos.

Argumentos em prol da tradução “fé em Jesus Cristo”

 A repetição da ideia da “fé em Jesus” ocorre para dar ênfase


           A obra Christ Died for Our Sins: Representation and Substitution in Romans and Their Jewish Martyrological Background (“Cristo morreu por nossos pecados: Representação e Substituições em Romanos e Sua Origem Judaica Martirológica”), de Jarvis Williams, afirma:

Em [Romanos] 3:20, depois da detalhada argumentação contra a justificação por meio de obras da lei, Paulo afirma que Deus não irá justificar ninguém “por obras de lei” (ἐξ ἔργων νόμου). Em 3:21-22, Paulo afirma que a justiça de Deus ocorre para o pecador “por meio da fé em Jesus Cristo” (δι πστεως ησο Χριστο). Embora muitos contestem esta última tradução, a frase preposicional (εἰς πάντας τοὺς πιστεύοντας; “para todos os que creem”) em 3:22b esclarece o sentido de δι πστεως ησο Χριστο em 3:22a. Muitos estudiosos lamentam que a interpretação precedente torna Paulo tão tautológico. Sua redundância ocorre aqui para ênfase. (Negrito acrescentado.)

A obra Commentary on Romans (“Comentário sobre Romanos”), de David G. Peterson, explica a questão da repetição:

[…] em Romanos 3:22, se διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ é vertida “pela fé em Jesus Cristo”, a cláusula seguinte (eis pántas toùs pisteoúontas, ‘para todo aquele que crê [exerce fé]) não é redundante porque destaca as implicações universais da primeira. Paulo continuou a enfatizar a necessidade de todos terem fé em Cristo com a expressão οὐ γάρ ἐστιν διαστολή (pois não há distinção). Isto qualifica a cláusula prévia e fornece uma ligação para o próximo versículo. Isto tem o efeito de aplicar tanto o precedente quanto o imediatamente seguinte “todos” tanto a judeus como a gentios (cf. 10:12). Neste caminho, Paulo prepara-se para o argumento de que a promessa a Abraão de a inteira humanidade ser abençoada por meio do seu descendente é cumprida em Cristo (4:9-25).

Em outras palavras, a suposta redundância em Gálatas 2:16, na expressão “depositamos a nossa fé em Cristo Jesus, para sermos declarados justos pela fé em Cristo” ocorreria para ênfase. E a expressão “a justiça de Deus por meio da em Jesus Cristo para todos os que têm ” não seria redundante em vista da palavra “todos”, que destaca as implicações da primeira frase.

O próximo artigo desta série mostrará o que fez um editor de assuntos bíblicos mudar seu conceito a respeito de qual seria a tradução correta.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





domingo, 18 de fevereiro de 2018

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 99)


Fonte da ilustração: Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, p. 144, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

Aparecimentos de Jesus após sua ressurreição
2.º aparecimento (João 20:11-17)
11 Maria, porém, ficou parada do lado de fora, perto do túmulo memorial, chorando. Então, enquanto chorava, inclinou-se para a frente a fim de olhar para dentro do túmulo memorial 12 e observou dois anjos, de branco, sentados um à cabeceira e outro aos pés do lugar onde o corpo de Jesus estivera deitado. 13 E disseram-lhe: “Mulher, por que estás chorando?” Ela lhes disse: “Retiraram o meu Senhor, e não sei onde o deitaram.” 14 Depois de dizer estas coisas, ela se voltou e observou Jesus em pé, mas não discernia que era Jesus. 15 Jesus disse-lhe: “Mulher, por que estás chorando? A quem estás procurando?” Ela, imaginando que fosse o jardineiro, disse-lhe: “Senhor, se tu o levaste embora, dize-me onde o deitaste, e eu o retirarei.” 16 Jesus disse-lhe: “Maria!” Dando meia-volta, ela disse-lhe, em hebraico: “Rabôni!”[1] (que significa “Instrutor!”). 17 Jesus disse-lhe: “Para de agarrar-te a mim. Porque ainda não ascendi para junto do Pai. Mas, vai aos meus irmãos e dize-lhes: ‘Eu ascendo para junto de meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.’”
[As mulheres] lembraram-se assim das suas declarações, e relataram todas estas coisas aos onze e a todo o resto. Maria Madalena veio e trouxe a notícia aos discípulos: “Tenho visto o Senhor!” e que ele lhe dissera essas coisas. [As mulheres] eram Maria Madalena e Joana, e Maria, mãe de Tiago. Também as demais mulheres com elas estavam contando estas coisas aos apóstolos. No entanto, estas declarações pareciam-lhes tolice e não acreditavam nas mulheres.
3.º e 4.º aparecimentos (Luc. 24:12-35)
 [[12 Mas Pedro levantou-se e correu para o túmulo memorial, e, inclinando-se para a frente, viu somente as faixas. Ele foi assim embora, perguntando-se o que tinha ocorrido.]][2]
13 Mas, eis que naquele mesmo dia dois deles estavam caminhando para uma aldeia, cerca de onze quilômetros distante de Jerusalém, de nome Emaús,[3] 14 e estavam conversando entre si sobre todas essas coisas que tinham acontecido.
15 Ora, enquanto conversavam e palestravam, aproximou-se o próprio Jesus e começou a andar com eles; 16 mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo. 17 Ele lhes disse: “Que assuntos são estes que debateis entre vós enquanto estais caminhando?” E eles ficaram parados de rostos tristes. 18 Em resposta disse-lhe aquele que tinha o nome de Cléopas:[4] “Moras sozinho, como forasteiro, em Jerusalém, e não sabes as coisas que ocorreram nela nestes dias?” 19 E ele lhes disse: “Que coisas?” Disseram-lhe: “As coisas a respeito de Jesus, o nazareno, que se tornou profeta poderoso em obras e palavra perante Deus e todo o povo; 20 e como os nossos principais sacerdotes e governantes o entregaram à sentença de morte e o pregaram numa estaca. 21 Mas nós esperávamos que este [homem] fosse o destinado a livrar Israel; sim, e além de todas estas coisas, este já é o terceiro dia desde que essas coisas ocorreram. 22 Além disso, certas mulheres dentre nós também nos assombraram, porque tinham ido cedo ao túmulo memorial, 23 mas, não achando seu corpo, voltaram dizendo que tiveram também uma visão sobrenatural de anjos, que disseram que ele estava vivo. 24 Ademais, alguns dos que estavam conosco foram ao túmulo memorial; e acharam que era assim, exatamente como as mulheres disseram, mas não o viram.”
25 Disse-lhes assim: “Ó insensatos e vagarosos de coração no que se refere a crer em todas as coisas faladas pelos profetas! 26 Não era necessário que o Cristo sofresse estas coisas e que entrasse na sua glória?” 27 E, principiando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo.
28 Por fim chegaram perto da aldeia para a qual caminhavam, e ele fez como se fosse caminhar mais para diante. 29 Mas eles exerceram pressão sobre ele, dizendo: “Fica conosco, porque já está anoitecendo e o dia já está declinando.” Em vista disso, entrou para ficar com eles. 30 E, ao se recostar com eles à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e começou a dar-lho. 31 Com isso abriram-se-lhes plenamente os olhos e o reconheceram; e ele desapareceu de diante deles. 32 E disseram um ao outro: “Não se nos abrasavam os corações quando nos falava na estrada, ao nos abrir plenamente as Escrituras?” 33 E eles se levantaram naquela mesma hora e voltaram a Jerusalém, e acharam reunidos os onze e os com eles, 34 que diziam: “O Senhor foi de fato levantado e apareceu a Simão!” 35 Eles mesmos relataram então os [eventos ocorridos] na estrada e como foi reconhecido por eles pelo partir do pão.

Explicação das siglas usadas:

A     Códice Alexandrino, grego, quinto século EC [Era Comum], Museu Britânico, E.H., E.G. [Escrituras Hebraicas, Escrituras Gregas.]

א     (Álefe) Códice Sinaítico, grego, quarto século EC, Museu Britânico, E.H., E.G.

B       Ms. Vaticano 1209, gr., quarto séc. EC, Cidade do Vaticano, Roma, E.H., E.G.

D       Códices Bezae, gr. e lat., quinto e sexto séc. EC, Cambridge, Inglaterra, E.G.

It      Antigas Versões Latinas, Itala, do segundo ao quarto séc. EC; E.H., E.G.

it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.

P75    Papiro Bodmer 14, 15, grego, c. 200 EC, Genebra, E.G.

Sy, Syp  Peshitta (Pesito) siríaca, aram. cristã, originalmente produzida no quinto séc. EC (editada por S. Lee, Londres, 1826, e reimpressa pelas United Bible Societies [Sociedades Bíblicas Unidas], 1979).

Vg      Vulgata latina, de Jerônimo, originalmente produzida em c. 400 EC (Iuxta Vulgatam Versionem, Württembergische Bibelanstalt, Stuttgart, 1975).

W       Freer Gospels, quinto séc. EC, Washington, DC, EUA.

Notas: 
[1] Palavra semítica que significa “Meu Instrutor”. (Mar. 10:51) Pode ser que fosse uma forma mais respeitosa do que “Rabi”, título este que significa “Instrutor”, ou que transmitisse mais calor humano. (João 1:38) No entanto, quando João escreveu, talvez o sufixo (i) da primeira pessoa, acrescentado a esta palavra, tivesse perdido seu significado especial no título, uma vez que João o traduz como significando simplesmente “Instrutor”. (João 20:16) – It-3, p. 372.
[2] As palavras entre colchetes duplos aparecem em P75אABWVgSy. Mas são omitidas em DItmss. É possível que seja um erro de cópia, transcrito de João 20:6. Ou pode ser que, após o relato das mulheres, Pedro tenha voltado ao túmulo. Se assim for, pode ser que, após isso, Jesus lhe tenha aparecido, conforme os versículos 33 e 34.
[3]  “Sessenta estádios” (7,5 milhas romanas [11 km]) Como localização, sugere-se El-Qubeiba. Todavia, qualquer identificação final é atualmente impossível. – It-1, p. 803.
[4] Possivelmente uma contração de Cleópatro, significando “Famoso Pai”. Este nome grego, Cléopas, não deve ser confundido com Clopas, nome aramaico. (Jo 19:25) – It-1, p. 520.


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org







Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *