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quarta-feira, 30 de maio de 2018

TRADUÇÃO NO NOVO MUNDO DA BÍBLIA SAGRADA – ERUDITA E CONFIÁVEL (Parte 7)




Contribuído.

Os artigos anteriores desta série trouxeram à atenção do leitor uma comparação honesta entre a versão de João Ferreira de Almeida, edição Revista e Corrigida, e a Tradução do Novo Mundo. Os critérios analisados foram: 1) o Texto-base para as referidas traduções; 2) o português atualizado; 3) erros de tradução e de coesão; 4) Textos e histórias acrescentados; 5) Coerência na tradução.
Neste último artigo desta série, será analisado o mais importante dos critérios – a presença do Nome divino, Jeová, na tradução.
 4.4  A REMOÇÃO DO NOME DIVINO
Ao ler o prefácio da versão Almeida Revista e Atualizada (ARA), algo me chamou a atenção: a substituição do Nome de Deus (Jeová) por títulos, tais como: “Senhor”, “Deus”, “Senhor Deus”, removendo da Bíblia o Nome do verdadeiro Autor dela, ocultando sua Autoria e empenho pela nossa salvação, sendo Ele mesmo a Fonte da nossa salvação por meio do seu Filho amado, Jesus Cristo. (João 3:16; Judas 25; Apocalipse 7:10) Vale a pena salientar que o nome Jeová aparece quase 7.000 vezes só no Antigo Testamento. Agora, pare e pense: Se fosse da vontade de Deus que o Seu Nome fosse retirado da Bíblia, teria Ele revelado esse Nome tantas vezes? E se um nome não é tão importante assim, por que nomeamos até mesmo os nossos animais domésticos? Vou lhe mostrar mais uma incoerência.
Uma regra básica registrada em Apocalipse 22:18-19 deixa claro que não se pode remover e nem acrescentar nada na Palavra de Deus. Você acha que Jesus não sabia disso? Seguem abaixo alguns exemplos que mostram no Novo Testamento citações de textos do Antigo Testamento onde ocorre originalmente o nome de Deus, Jeová. Continue observando na ARC.
Veja que, em Lucas 4:18, Jesus está recitando as palavras registradas em Isaias 61:1. Perceba a incoerência: Nesta passagem de Isaias está registrado o nome de Deus “Jeová”. Será que Jesus se negaria a pronunciar o nome do Pai? Veja o que Jesus declarou em João 17:6, 26:
Tornei o teu nome conhecido aos homens que me deste do mundo.” – João 17:6.
“Eu tornei o teu nome conhecido a eles, e o tornarei conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu em união com eles.” – João 17:26.
Outro texto do Novo Testamento que cita uma passagem do Antigo Testamento contendo o nome “Jeová” é o de Mateus 21:42, onde Jesus está fazendo uma citação de Isaias 28:16, que menciona o nome de Deus. Agora, pergunte-se: Como Jesus pode citar um texto excluindo o nome do seu Pai, se ele mesmo nos ensinou a orar pela santificação do nome do Pai? (Mateus 6:9) Você não acha isso estranho?
Na TNM, o Novo Testamento se harmoniza com o Antigo Testamento em todos os detalhes.
HÁ ALGUÉM que quer impedir você de conhecer o nome de Jeová e de ter uma relação achegada com Ele. Quem é esse inimigo perverso? A Bíblia explica: “O deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos.” O deus do atual mundo sem fé é Satanás, o Diabo. Ele quer manter você em escuridão para que seu coração não seja iluminado com “o glorioso conhecimento de Deus”. (2 Coríntios 4:4-6) Satanás não deseja que você conheça o nome de Jeová. Então, como ele cega a mente das pessoas? Satanás usa a religião falsa para impedir que as pessoas conheçam o nome de Deus. (Mateus 15:6) Satanás sabe que é preciso conhecer o nome de Deus por parte daqueles registrados em Atos 15:14, que declara:
“Deus, pela primeira vez, voltou sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o Seu nome.” – Atos 15:14.
Não há dúvidas de que o Nome de Deus, “Jeová”, foi removido das Escrituras Sagradas e que existe um empenho muito grande para que permaneça assim. Porém, os “verdadeiros adoradores” (João 4:23) não permitiram que essa conspiração tivesse êxito. Eles orgulhosamente restauraram o Nome Divino em todas as passagens onde o mesmo ocorre. Não só isso, mas também o divulgam destemidamente em toda a terra habitada.   Afinal, Ele é o único e verdadeiro Autor e detentor dos Direitos Autorais da Bíblia. – 2 Timóteo 3:16-17.
Apesar de sintetizado, este trabalho apresentou a você duas grandes, valiosas e seríssimas realidades:

1- De um lado, a versão Almeida Revista e Corrigida com:
·    Português desatualizado
·    Incoerências
·    Acréscimos nos versículos e de versículos
·    Erros de tradução
·    Remoção do Nome de Deus, Jeová

2- Do outro lado, a Tradução do Novo Mundo. E como você pôde observar neste trabalho, a Tradução do Novo Mundo contém:
·    Português atualizado
·    Coerência harmoniosa
·    Fidelidade ao texto bíblico
·    Restauração do Nome de Deus, Jeová

5   CONCLUSÃO

Embora este trabalho seja uma síntese das inúmeras passagens que poderiam ser facilmente citadas aqui, acredito que tudo o que foi apresentado neste trabalho foi mais que o suficiente para fornecer a você, caro leitor, as ferramentas necessárias para fazer um julgamento justo sobre a Tradução do Novo Mundo.
Se você acredita que o resultado de uma compilação de manuscritos do século XII, conhecido como “Texto Recebido”, é mais confiável, então dê preferência à ARC, já que a mesma usa essa base para sua edição.
Mas, se você acredita que os manuscritos achados pela Arqueologia que datam dos séculos II, IV, V, que serviram de base para o “Texto Crítico”, devem sim ser a base textual da Bíblia que você deseja ter em suas mãos, então opte pela TNM. Lembre-se de que a TNM usa em sua tradução os manuscritos considerados majoritariamente pelos eruditos como os manuscritos mais antigos e mais confiáveis que existem.
Para ser um verdadeiro seguidor de Cristo, faz-se necessário se esvaziar e negar a si mesmo. (Lucas 9:23) Principalmente, repudiar toda forma de tradição que venha a invalidar a palavra de Deus



“Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da sua tradição?” – Mateus 15:3.

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


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domingo, 27 de maio de 2018

TRADUÇÃO NO NOVO MUNDO DA BÍBLIA SAGRADA – ERUDITA E CONFIÁVEL (Parte 6)

Fonte da foto: jw.org


Contribuído.


A parte anterior considerou a questão dos textos e histórias acrescentados ao texto bíblico da versão Almeida Revista e Corrigida [ARC], bem como a questão da coerência na tradução. Este artigo continuará a analisar a questão da coerência.
Leia Mateus 11:12 na ARC“... se faz violência ao reino dos céus, e os violentos pela força se apoderam dele. Ou, como dizem outras versões, os violentos o tomam por assalto”.
A incoerência desta tradução na ARC deixa o leitor no mínimo confuso, podendo levá-lo a acreditar que o reino de Deus deve ser defendido por ações violentas, que os violentos se apoderam do reino de Deus pela violência, como que, tomando-o por assalto. Como fica então o ensino de sermos pacificadores (Mateus 5:9)? E o ensino de que devemos AMAR até mesmo nossos inimigos? (Nossa luta não é contra carne e sangue; Efésios 6:12.)
Biázomai e biastaí são os termos gregos usados nesta passagem. Sobre o verbo grego bi·á·zo·mai empregado neste texto, o Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine (1981, Vol. 3, p. 208)  diz: “O verbo sugere um esforço vigoroso.” A respeito de Mateus 11:12, o perito alemão Heinrich Meyer declara: “Deste modo, descreve-se aquele esforço e aquela luta entusiásticos, irresistíveis, para alcançar o reino messiânico que se acercava . . . Tão entusiástico e enérgico (não mais calmo e expectante) é o interesse no que tange ao reino. Os [bi·a·staí] são, por conseguinte, crentes [e não atacantes inimigos] que se empenham arduamente para possuí-lo.” — Critical and Exegetical Hand-Book to the Gospel of Matthew (Manual Crítico e Exegético do Evangelho de Mateus), de Meyer, 1884, p. 225.
Veja a coerência da TNM ao traduzir esse versículo:
Mateus 11:12: “...O reino dos céus é o alvo para o qual os homens avançam vigorosamente, e os que avançam vigorosamente se apoderam dele.
Empenhar-se, esforçar-se e avançar vigorosamente são alternativas para uma tradução mais coerente em conformidade aos ensinos do nosso Senhor Jesus Cristo. Desta forma, a TNM ressalta que Jesus está nos ensinando uma grande e importante lição: Que, para herdar o reino de Deus, se requer um grande esforço para que continuemos a avançar vigorosamente na busca da vida eterna.
Na ARC, em 2 Crônicas 22:1-2, lemos que Acazias era o filho mais moço de Jeorão, e que Acazias começou a reinar com a idade de 42 anos. Observe agora que, em 2 Crônicas 21:20 (apenas um versículo anterior ao capitulo 22), fala que Jeorão, pai de Acazias, tinha 40 anos quando morreu.
Percebeu a contradição? Como é que pode Acazias ser o filho mais moço de Jeorão e ao mesmo tempo ser dois anos mais velho que o seu próprio pai?
Faça a leitura dos mesmos textos na TNM, compare e veja a exatidão, a coerência e a seriedade que os seus editores tiveram ao traduzir a Palavra de Deus, tornando-a harmoniosa.
Gênesis 6:6 na ARC: “Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem ...”
As Escrituras atestam firmemente que Deus não erra, pois Ele é perfeito. (Deuteronômio 32:4) Não é correto dizer que Deus se arrepende porque Ele não é humano e sim Divino. (Números 23:19) Então, por que muitos tradutores bíblicos insistem em dizer em suas edições que Deus “se arrepende”?
No hebraico quando a palavra arrependimento está relacionada ao homem é “Shübh” e a Deus é “Nãham” Os tradutores bíblicos não os diferenciam, e por este motivo a palavra “arrependimento” tem sido traduzido tanto para designar ações humanas como atitudes divinas.
Nãham significa basicamente “sentir pesar, entristecer-se, lastimar, deplorar”. Podendo significar “sentir pena, ter compaixão, mudança de ideia, mudança de atitude”.
Shübh significa basicamente “retornar, converter-se” e é aplicada ao homem arrependido que reconhece seus erros e pecados e retorna a Deus. Está relacionado ao arrependimento moral.
Podemos entender melhor essa diferença ao ler Jonas 3:9-10, no relato sobre os ninivitas que se arrependeram dos seus pecados e voltaram-se para Deus, fazendo com que Deus reconsiderasse a calamidade que tinha dito que traria sobre eles. Jonas 4:2 em diante revela a essência de Deus.
A forma “Nãhan” sempre será usada para Deus. Enquanto “Shubh” nunca será usada para Deus.
Para o homem pode ser usada as duas formas, afinal de contas, o homem não se arrepende só moralmente [Shübh], mas também “sente pesar, tristeza, lastima” [Nãhan], não pelos seus erros, mas pelos erros de outra pessoa. Como, por exemplo, o fim do laço matrimonial (divórcio), situação na qual o cônjuge sente tristeza, lástima, de ter se casado com uma pessoa indigna de confiança. Veja que foi o erro da outra pessoa que provocou o arrependimento do casamento.
Leia Gênesis 6:6 e todos os versículos citados acima na TNM e veja a coerência e a exatidão da mesma.
Gênesis 37:20 na ARC“... e lancemo-lo numa dessas covas...”
Mais uma vez a falta de perícia fez o tradutor da ARC verter a palavra hebraica “BOR” por cova. Obviamente uma escolha atrapalhada, uma vez que o dicionário de Strong verte “Bor” por cisterna. Mas, se o tradutor tivesse lido com atenção o versículo 24 do mesmo capítulo, teria observado que a “cova” estava vazia porque não havia água nela. Então, não se tratava simplesmente de uma “cova”, mas de uma cisterna.
Leia Gênesis 37:20 na TNM, e veja mais uma vez a competência e o zelo com que a TNM traduziu este versículo.
No artigo seguinte e último desta série será analisado o mais importante quesito na avaliação da qualidade de uma tradução – o uso do Nome divino, Jeová.

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagradapublicada pelas Testemunhas de Jeová.

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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Jesus como primogênito faz parte da criação?

Fonte da ilustração: jw.org
         Um leitor deste site escreveu:

Apologista, tudo bem? Teria como você tentar desmontar o argumento abaixo? Vou colocar aqui na íntegra:
Argumento trinitário sobre Colossenses 1:15
O campo léxico de “primogênito” também inclui “preeminência sobre” (e não simplesmente uma ordem cronológica literal do nascimento).

Quem disse que Jesus fez parte do grupo do qual foi criado? Quando a palavra “primogênito” está ligada a Cristo tendo em mente uma participação no referido GRUPO, ela sempre vem acompanhada de uma PREPOSIÇÃO que indica essa PARTICIPAÇÃO.

Vejamos:
οτι ους προεγνω και προωρισε συμμορφους της εικονος του υιου αυτου εις το ειναι αυτον πρωτοτοκον εν πολλοις αδελφοις. – Romanos 8:29.
Observe que a preposição “εν” (“dentro de”) foi adicionada para garantir que Jesus (Lógos encarnado) é um dentre muitos, ou seja, faz parte do grupo referido.

“πρωτοτοκον εν πολλοις αδελφοις” – “primogênito DENTRO DE muitos irmãos”; isto é uma verdade bíblica, pois Jesus (Lógos encarnado) assumiu a filiação e nos tornou filhos de Deus. (Romanos 8:14, 16; Gálatas 3:26, Filipenses 2:15; 1 João 3:1).
Veja mais uma: 
και αυτος εστιν η κεφαλη του σωματος της εκκλησιας ος εστιν αρχη πρωτοτοκος εκ των νεκρων ινα γενηται εν πασιν αυτος πρωτευων. – Colossenses 1:18, TR [Texto Recebido].
Observe mais uma vez o emprego de uma preposição para indicar a participação no grupo referido: “εκ” (“de dentro de”).
“πρωτοτοκος εκ των νεκρων” – “primogênito DE DENTRO DE os mortos”. Aqui nós concordamos, pois Jesus é o primogênito dentre os mortos porque ele foi o primeiro a ressuscitar para não mais morrer, ou seja, com um corpo glorificado, e isto a própria expressão afirma quando diz: “DE DENTRO DE”.

Mais uma: 
και απο ιησου χριστου ο μαρτυς ο πιστος ο πρωτοτοκος εκ των νεκρων και ο αρχων των βασιλεων της γης τω αγαπησαντι ημας και λουσαντι ημας απο των αμαρτιων ημων εν τω αιματι αυτο. (Apocalipse 1:5, TR.)
Observamos mais uma vez aqui o uso de uma preposição para indicar a participação no grupo: εκ – “de dentro de”.

“πρωτοτοκος εκ των νεκρων” – primogênito DE DENTRO DE os mortos.
Agora vamos a Colossenses:

ος εστιν εικων του θεου του αορατου πρωτοτοκος πασης κτισεως. (Cl 1:15, TR.)
Observe que o texto acima carece de uma preposição de indicação “partitiva”, ou seja, que há uma participação lógica do primogênito no contexto da criação.

“πρωτοτοκος πασης κτισεως” – “primogênito de toda a criação”.
Onde está a preposição? 

Vamos para uma avaliação gramatical?

No texto de Colossenses observamos que Jesus (Lógos) é dito como o “primogênito de toda a criação”, o que isto quer dizer?

Segundo o movimento Testemunhas de Jeová, Deus é o agente e Jesus (Lógos) fez parte da criação, de modo que o Logos nada mais é que uma parte de tudo que foi criado. Porém, uma boa avaliação gramatical irá nos mostrar que isto é um erro metodológico. Por quê?

Se Deus é o agente da criação e Jesus faz parte da criação, o texto de Colossenses não estaria correto, pois é como se eu afirmasse o seguinte:

“João é primogênito de meus filhos.”

Porém, por mais natural que pareça ser, é incorreto por dois motivos:

Primeiro: O próprio João é meu filho.

Segundo: João não é o primogênito de nenhum de meus filhos.

Qual seria a forma correta?

“João é o primogênito DENTRE os meus filhos.” 

Desta forma, para que Jesus fosse o primogênito do que foi criado, e isto fosse verdadeiro, o texto teria que ser assim:

“O primogênito dentre (εκ) toda a criação.”

Isto estaria expressando que o próprio Lógos fez parte da criação.        

Mas não é o caso.

Concluindo o raciocínio LÓGICO, por este texto é impossível dizer que o Lógos faz parte do que foi criado; e isto corrobora com João, que afirma que Ele (Lógos) já existia antes de tudo o que foi criado.


Resposta:
Em sua tentativa de negar que o Lógos (Jesus Cristo) foi criado por Deus, os trinitários buscam estabelecer supostas “regras” gramaticais no idioma grego usado no “Novo Testamento”, fazendo vista grossa de que tal idioma, assim como muitos outros, possuem mais de uma possibilidade para afirmar a mesma coisa, ou seja, são flexíveis.
Embora o argumentador citado acima tenha sido categórico, como se sua argumentação fosse incontestável, o mesmo não ocorre com os pesquisadores e eruditos do texto grego do “Novo Testamento”.


Por exemplo, o Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento, de Thayer (p. 555), sobre a expressão πρωτότοκος πάσης κτίσεως (protótokos páses ktíseos; “primogênito de toda a criação”), afirma de modo reticente e tíbio: “Esta passagem não prova com certeza que Paulo contou com o λόγος no número de seres criados.” Ou seja, em vez de dizer que ‘não prova de forma alguma’, apenas afirma que “não prova com certeza”.
Na realidade, embora o uso da preposição torne mais clara a participação de alguém no grupo, ela NÃO É NECESSÁRIA para indicar tal participação.
Por exemplo, o genitivo partitivo (que indica o substantivo como sendo parte de um grupo ou lugar) dispensa o uso da preposição. Os exemplos abaixo demonstram isso:

Gênesis 4:4:

τά πρωτότοκα τῶν προβάτων

tá protótoka tôn probáton

os primogênitos do rebanho

Óbvio, nesta passagem, que os primogênitos fazem parte do rebanho. Contudo, não foi usada nenhuma preposição. 
Veja outros exemplos:
Êxodo 22:29:

τά πρωτότοκα τῶν υἱῶν σου 

tà protótoka tôn huiôn sou

o primogênito dos seus filhos


Deuteronômio 12:17:

 τά πρωτότοκα τν βον σου

tà protótoka tôn boôn sou

os primogênitos dos seus bois


Êxodo 12:29 menciona “o primogênito do Faraó”, bem como “o primogênito do cativo” e “todo primogênito dos animais”. Na LXX [Septuaginta grega] essas expressões ocorrem sem preposição, conforme mostrado abaixo:

πρωτοτόκου Φαραω (prototókou pharao)

πρωτοτόκου τς αχμαλωτδος (prototókou tês aikhmalotídos)

πρωτοτόκου παντς κτνους (prototókou pantòs kténous)



A ausência da preposição também incide em Êxodo 13:13,         que menciona “todo primogênito de homem dos filhos       seus” (πν πρωττοκον νθρπου τν υἱῶν σουLXX).

Êxodo 13:15 faz menção dos “primogênitos de homens” (πρωτοτκων νθρπων) e  dos “primogênitos de animais” (πρωτοτόκων κτηνν), ambas as expressões sem preposição e sem artigo.

Embora o argumentador citado no início deste artigo tenha afirmado que não seria correta a expressão “primogênito de meus filhos”, Êxodo 13:15 usa justamente essa expressão! (πρωτότοκον τν υἱῶν μου [literalmente “primogênito dos filhos meus”].) Não se usa nenhuma expressão nesse texto tal como “primogênito DENTRE os meus filhos”. Mesmo assim, o sentido é óbvio: “primogênito dos meus filhos” significa ‘meu filho primogênito’.

Hebreus 11:28:

τὰ πρωτότοκα θγ ατῶν

“Tocasse nos primogênitos deles.”

Todas as passagens acima não possuem preposição. Contudo, em todas elas o primogênito faz parte do grupo mencionado.
Uma comparação de Apocalipse 1:5 no grego do Texto Recebido com o grego do Texto Crítico mostra a flexibilidade da construção textual:
πρωτοτοκος εκ των νεκρων (Com preposição.)

  πρωττοκος τν νεκρν (Sem preposição.)

Vale lembrar que o Texto Recebido é do século 16, baseado em manuscritos não anteriores ao décimo século, ao passo que o Texto Crítico é fundamentado em manuscritos bem antigos. O Novo Testamento Grego de Nestle e o de Westcott e Hort não usam a preposição. Isso mostra que os copistas do texto grego do Novo Testamento que estavam mais próximos dos escritos originais não usaram a preposição, o que torna claro que a ausência da preposição não modifica em nada o significado do texto em questão.
Portanto, uma “boa avaliação gramatical” – melhor do que a feita pelo referido argumentador – mostra que não existe nenhuma regra rígida e inflexível que exija o uso da preposição para indicar que Jesus faça parte da criação.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagradapublicada pelas Testemunhas de Jeová.


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