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domingo, 15 de julho de 2018

Objetos de um espírita podem causar problemas ao cristão?


Fonte: jw.org

Um leitor fez o seguinte comentário a respeito do artigo “Foi correto José e Maria terem aceitado os presentes dados pelos astrólogos?:

Muito boa a linha de raciocínio, mas ficou uma pergunta no ar: quando se menciona em sua resposta “e não objetos ligados ao espiritismo”, podemos entender que se um espírita, por exemplo, me der um presente, seja uma camisa, carteira ou qualquer outro presente do gênero, não teremos nenhuma influência negativa? Poderia considerar essa situação?

Resposta:

Lemos em Atos 19:19: “Na verdade, um bom número dos que haviam praticado artes mágicas juntaram seus livros e os queimaram diante de todos. Ao calcularem o valor deles, viram que valiam 50.000 moedas de prata.”

O texto de Atos 19:19 faz referência apenas a livros ligados ao espiritismo, os quais, por seu conteúdo, ensinavam práticas espíritas, contribuindo com os “ensinamentos de demônios”. (1 Timóteo 4:1) Em princípio, por uma aplicação extensiva, pode-se arguir que objetos relacionados com o espiritismo, tais como amuletos, talismãs, e outros do gênero, também podem ser incluídos, por promoverem o ensino e a prática espírita.

Porém, aparentemente tal texto não comportaria a abrangência de qualquer objeto, tal como os citados pelo leitor, que não esteja relacionados com o espiritismo. Então, qual seria o motivo da pergunta formulada pelo leitor?

O que deve ter suscitado tal pergunta é que, na prática, cristãos têm tido problemas quando recebem objetos vindo de um espírita, independentemente de tais objetos estarem ligados ao espiritismo. Observe o comentário feito pela revista Despertai!  neste sentido:

Aqueles que brincam com o espiritismo ou que voluntariamente aceitam objetos de espíritas, segundo se tem sabido, sofreram influências adversas em seus sonhos. Certa senhora aceitou objetos dum espírita e começou a ter sonhos em que se via num caixão, e isso chegava cada vez mais perto, de modo que ela queria pular fora dele. Em resultado de tais sonhos, ela quase chegou a cometer suicídio. Obteve alívio quando livrou-se de todos os objetos recebidos da pessoa espírita. – 8/1/1970, p. 8, sob o tema: “Têm seus sonhos um significado oculto?”

O artigo supracitado mencionou especificamente “objetos de espíritas”, e a influência negativa desses na vida de cristãos. No entanto, não embasou tal influência com textos bíblicos, e sim, pela experiência por parte dos que receberam tais objetos. Percebemos isso pela frase “segundo se tem sabido”. De fato, a experiência de muitos cristãos ao redor do mundo tem mostrado que objetos vindos de um espírita, mesmo que não tenham ligação com o espiritismo, podem expor os cristãos à maléfica influência dos demônios.

Isto nos leva à questão: Por que se dá isso? Um texto bíblico pode clarear o entendimento do assunto: Tiago 3:14, 15. Lemos nesse texto: “Mas, se vocês têm no coração ciúme amargo e rivalidade, não se gabem, não mintam contra a verdade. Essa não é a sabedoria que desce de cima; é terrena, animal, demoníaca.” (Veja também a versão Ave Maria.)

Nota-se do texto transcrito que o ciúme incorreto – o sentimento indevidamente possessivo – é uma característica dos demônios. Pode-se depreender disso que eles se apegam aos objetos do espírita. E quando o espírita dá um objeto a alguém, pelo que parece o ser demoníaco reivindica para si a propriedade, ou o domínio, de tal objeto, causando problemas à pessoa portadora de tal objeto.

Por que não ocorre a proteção divina em tais casos?

Os cristãos vivem no mundo de Satanás. 1 João 5:19 declara que “o mundo inteiro está no poder do Maligno”. Assim, embora usufruam certa medida de proteção, precisam se precaver contra se colocarem numa situação perigosa. Como exemplo, poderia ser citado o fato de que um cristão não se envolveria com pessoas criminosas sob a alegação de que tem proteção divina. Afinal, todos os servos de Deus precisam acatar a sábia exortação de Provérbios 27:12: “A pessoa prudente vê o perigo e se esconde, mas os inexperientes vão em frente e sofrem as consequências.”

Semelhantemente, por igual motivo, os cristãos evitam se colocar numa situação que lhes causaria indevida e desnecessariamente problemas com os demônios.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Um leitor mostra as incoerências da doutrina da Trindade


Recebi de um leitor os comentários colocados abaixo:
Lucas 1:35

Olá, sr. apologista!
Uma vez vi certa pessoa defensora da Trindade usar o texto de Lucas 1:35 como argumento de que Jesus só se tornou Filho de Deus enquanto esteve na Terra, visto que o texto diz: “Ele SERÁ chamado santo, Filho de Deus” – portanto, no futuro – e que, sendo assim, no céu ele era  Deus. 
Se usássemos esse raciocínio dele, e é claro, desconsiderássemos os outros muitos textos que tornam claro que Jesus SEMPRE é Filho de Deus, mesmo assim se tornaria algo confuso se compararmos o versículo 35 com o versículo 32, onde diz: “Ele SERÁ grande.” Se fôssemos seguir o raciocínio desse defensor da Trindade, entenderíamos que Jesus também só se tornou grande depois de ter vindo à Terra, e que, portanto, no céu ele não era grande. Assim, lá no céu ele não seria Deus. Se fôssemos seguir o raciocínio dessa pessoa, daria a impressão de que esses dois versículos estariam se contradizendo. Do ponto de vista trinitário, no versículo 35 estaria falando que no céu Jesus era Deus; mas, no versículo 32, que lá ele não era Deus!


Fonte: jw.org

1 Crônicas 17:13 
Além de Lucas 1:35, ele usou também 1 Crônicas 17:13, cujo texto declara: “Eu me TORNAREI seu pai e ele se TORNARÁ meu filho.” 
Mas, se seguíssemos esse raciocínio, poderíamos concluir, com base em Apocalipse 21:7, que Deus só se tornará nosso Deus no futuro, depois que herdássemos a recompensa que ele nos oferece. Pois o texto diz: “Todo aquele QUE VENCER, herdará estas coisas, e eu SEREI o seu Deus.”
Provérbios 8:22-24

 Eu percebi que várias traduções da Bíblia se contradizem nelas mesmas no capítulo 8 de Provérbios. Por exemplo, lemos na Bíblia Pastoral:
 “Foi Javé quem me CRIOU.” – Versículo 22.
 “Desde a ETERNIDADE eu fui FORMADA.” – Versículo 23.
 Ora, como é possível uma pessoa ser criada (ou formada) desde a eternidade?
 Se ela foi criada, ela não existe desde a eternidade; e se ela existe desde a eternidade, ela nunca foi criada! Ou é uma coisa ou outra. É impossível Jesus ter sido criado e ao mesmo tempo ter sempre existido.



Nós sabemos que a tradução correta em Provérbios 8:22 é “me produziu” e não “me possuiu”, visto que “me produziu” está em harmonia com textos tais como João 5:26, Apocalipse 3:14 e Colossenses 1:15. 
“Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim concedeu também ao Filho ter vida em si mesmo.” – João 5:26.
“Ao anjo da congregação em Laodiceia escreva: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.” – Apocalipse 3:14. 
“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.” – Colossenses 1:15.
Se usarmos “me possuiu”, esse texto de Provérbios 8:22 vai ficar estranhíssimo: “O senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, e antes de suas obras mais antigas.” 
Significado de “possuiu”: ter poder sobre algo, ter como propriedade. 
O texto daria a impressão de que Jeová passou a ter poder sobre Jesus a partir de quando Ele começou a criar as coisas (no princípio de seus caminhos); ou seja, iria de encontro com a própria crença dos trinitários, pois eles dizem que,  enquanto Jesus estava no céu, ele era igual ao Pai; e apenas quando Jesus veio para a Terra que ele passou a estar sujeito, ou menor, que o Pai.  
Provérbios 8:24

A mesma pessoa defensora da Trindade, que usou o texto de Lucas 1:35 para tentar provar que Jesus só se se tornou Filho de Deus quando esteve na terra, também disse que Jesus foi GERADO apenas quando nasceu como humano.  
Mas essa pessoa não mencionou que Provérbios 8:24 diz que Jesus já havia sido GERADO muito tempo antes (“NO COMEÇO DE SEUS FEITOS MAIS ANTIGOS”, versículo 22, Bíblia Pastoral).
É uma pena que a maioria das Bíblias traduzam de modo incoerente esses versículos, usando expressões contraditórias, como “GERADO desde a ETERNIDADE”.

Jesus é servo de Deus 
Um outro ponto que eu também achei interessante contra a Trindade é que a Bíblia fala de Jesus como sendo ‘servo’ de Deus quando estava no céu, quando esteve na Terra, e depois, quando retornou ao céu. 
“Vejam, meu servo agirá com perspicácia. Ele será enaltecido, será elevado e grandemente exaltado.” – Isaías 52:13. 
“O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos antepassados, glorificou o seu Servo, Jesus, aquele que vocês entregaram e negaram diante de Pilatos, embora ele tivesse decidido soltá-lo.” – Atos 3:13.
“Ele é servo no lugar santo e na verdadeira tenda, que Jeová erigiu, e não o homem.” – Hebreus 8:2. 


Fonte: jw.org

Deus é espírito, mas Jesus era humano 
Jesus disse: “Deus é ESPÍRITO.” – João 4:24. 
Nessa época Jesus estava vivendo como humano aqui na Terra. Se ele fosse, de acordo com a doutrina da Trindade, uma das supostas “três Pessoas” que compõem o um só Deus, não seria razoável concluir que ele teria dito apenas “Deus é ESPÍRITO”, mas sim “Deus é ESPÍRITO e Deus É CARNE”. Afinal, ele não disse O PAI é ESPÍRITO, e sim DEUS é espírito. 
Assim, Jesus excluiu a si mesmo de ser Deus enquanto estava na Terra.
Deus tem irmãos?

Um outro detalhe que achei interessante é o texto de Hebreus 2:17: “Por isso ele teve de se tornar igual aos SEUS IRMÃOS em todos os sentidos.” O texto deixa claro que no céu Jesus já era considerado como irmão daqueles que irão viver com ele. Agora, pode o Deus Todo-Poderoso ter irmãos?

[Fim dos comentários do leitor.] 
Os comentários acima mostram que a doutrina da Trindade é facilmente vista como não tendo lógica nem base bíblica.

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domingo, 8 de julho de 2018

“O conhecimento enche a pessoa de orgulho” – qual conhecimento?



Fonte: jw.org


Alguns acham que pesquisar muito a Palavra de Deus pode levar o pesquisador a ficar orgulhoso, e que até pode levar à apostasia (desvio da fé cristã), e baseiam seu raciocínio no texto de 1 Coríntios 8:1, que declara: “O conhecimento enche a pessoa de orgulho, mas o amor edifica.”

Mas, de qual conhecimento” o apóstolo cristão Paulo estava falando? Vamos ler o versículo inteiro: “Agora, sobre os alimentos oferecidos a ídolos: sabemos que todos nós temos conhecimento. O conhecimento enche a pessoa de orgulho, mas o amor edifica.”

Portanto, Paulo se referia ao conhecimento acerca dos “alimentos oferecidos a ídolos”. Qual era o conhecimento relacionado a esse tema que estava enchendo alguns cristãos de orgulho indevido? O apóstolo explicou:

“Quanto a comer alimentos oferecidos a ídolos, sabemos [isto é, ‘temos conhecimento de’] que o ídolo não é nada no mundo, e que não há outro Deus, senão um só. No entanto, nem todos têm esse conhecimento. Mas alguns, devido à familiaridade que tinham com os ídolos, comem o alimento como algo sacrificado a um ídolo, e a consciência deles, que é fraca, fica contaminada.” – 1 Coríntios 8:6, 7.

Sobre o costume que havia naquela época, lemos na obra Estudo Perspicaz das Escrituras  (volume 2, p. 369, verbete Ídolos, Carnes oferecidas aos”):


No mundo pagão do primeiro século EC [Era Comum], era costumeiro oferecer carnes aos ídolos, de forma cerimonial. Em tais ocasiões, pedaços da vítima sacrificial animal eram colocados sobre o altar do ídolo; parte era para os sacerdotes, e parte era para os adoradores, que a utilizavam para uma refeição ou uma festa, seja no templo, seja num lar. Contudo, parte da carne que havia sido oferecida a ídolos muitas vezes era entregue ao ·kel·lon, ou açougue, para ser vendida.

Paulo mostrou que os cristãos que antes de se converterem ao cristianismo não haviam tido a experiência da adoração de ídolos entendiam (sabiam) com facilidade que “o ídolo não é nada no mundo”. Assim, sentiam-se à vontade em comer o alimento que compravam no açougue e que, antes disso, havia sido oferecido a ídolos.

Por outro lado, como explicou Paulo, os convertidos ao cristianismo que antes disso haviam participado de cerimônias idólatras ainda associavam tal carne com o ídolo. Portanto, ao verem seus irmãos cristãos comendo tal alimento, sentiam-se constrangidos. Aplicava-se a tais a regra: “Quando alguém considera algo como impuro, então para ele é impuro.” (Romanos 14:14) Por causa disso, a consciência deles, por ser sensível, ficava “contaminada”.

Fonte: jw.org

Foi nesse contexto que Paulo fez a afirmação: “O conhecimento enche a pessoa de orgulho, mas o amor edifica.” Ou seja, os cristãos que tinham o conhecimento específico de que “o ídolo não é nada” deveriam ser conscienciosos e amorosos em relação aos que não tinham “esse conhecimento”, aceitando a recomendação dada por Paulo: “Tomem cuidado, porém, para que o seu direito de escolha [de comer o alimento outrora oferecido a ídolos] não se torne de algum modo uma pedra de tropeço para os que são fracos [os de consciência sensível].” – 1 Coríntios 8:9.

Os que desconsideravam a consciência sensível de seus irmãos estariam usando mal o conhecimento de que “o ídolo não é nada”. Tal conhecimento, sem o amor, ou consideração, pelos sentimentos dos outros, estaria enfunando, ou enchendo de orgulho indevido, os que desprezavam os outros.

Aplicando o princípio genericamente

O princípio de 1 Coríntios 8:1 não condena o conhecimento, ou a assimilação dele. Por outro lado, mostra que o amor deve dirigir tal conhecimento.

Fonte: jw.org

Longe de o conhecimento aprofundado levar à apostasia, lemos na Palavra de Deus que “com a boca o apóstata arruína seu próximo, mas pelo conhecimento os justos são salvos.” (Provérbios 11:9) Por isso, a Bíblia exorta aos servos de Deus que se aprofundem o máximo que puderem no conhecimento dela. Provérbios 2:10-12 declara: “Quando a sabedoria entrar no seu coração e o conhecimento se tornar agradável para a sua alma, o raciocínio o guardará e o discernimento o protegerá, para salvá-lo do mau caminho, dos homens que falam perversidades.”

Contudo, observe no texto acima o papel do amor, na expressão “quando a sabedoria entrar no seu coração” (não apenas na sua mente), gerando uma boa motivação no uso deste conhecimento.

O conhecimento profundo também permite aos que o possuem a atividade de avaliar as informações que recebem quanto à veracidade delas. Sobre os habitantes da cidade grega de Bereia, o historiador Lucas escreveu: “Estes tinham mentalidade mais nobre do que os de Tessalônica, pois aceitaram a palavra com vivo interesse, e examinavam cuidadosamente as Escrituras, todo dia, para ver se tudo [o que Paulo e Silas pregavam] era assim mesmo.” (Atos 17:11) Em consonância com isso, o apóstolo João escreveu: “Amados, não acreditem em toda declaração inspirada, mas ponham à prova as declarações inspiradas para ver se elas se originam de Deus, pois muitos falsos profetas saíram pelo mundo afora.” - 1 João 4:1.

Fonte: jw.org

Assim, não há nenhum problema em se empenhar por conhecimento profundo da Palavra de Deus. Ao contrário, é algo necessário e incentivado pela própria Bíblia. Mas devemos sempre fazer do amor o fator motivador e conducente do conhecimento.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Qual é a tradução correta de Apocalipse 12:17? (Parte 5)

Fonte: Livro “Revelação - Seu Grandioso Clímax Está Próximo”, p. 182.

Este artigo – o último desta série – dará continuidade ao quinto aspecto da análise do tema acima, a saber, o contexto no qual ocorre a expressão τὴν μαρτυρίαν Ἰησοῦ (tèn martyrían Iesoû [“o testemunho de Jesus”]).

5. O contexto (continuação)

Apocalipse 12:17:

“Então o dragão ficou furioso com a mulher e foi travar guerra com o restante da descendência dela, os que obedecem aos mandamentos de Deus e têm a obra de dar testemunho de Jesus.” – NM (Tradução do Novo Mundo.)



Outros exemplos de versão deste texto por parte das traduções foram apresentados no primeiro artigo desta série. (Queira ver.)

Este versículo parece apresentar mais dificuldade em se determinar semanticamente a espécie de genitivo – se é subjetivo ou objetivo.

Visto que a expressão “mandamentos de Deus” parece obviamente ser subjetiva (‘mandamentos dados por Deus’), poderia ser inferido que, do mesmo modo, o testemunho de Jesus seria o testemunho dado por Jesus Cristo. Isso não seria inviável, visto que o simbólico “dragão” – Satanás, o Diabo – teria condições de perceber que os cristãos aqui na Terra ‘têm o testemunho dado por Jesus’.

Por outro lado, não haveria discrepância em se entender “os mandamentos de Deus” no genitivo subjetivo (mandamentos dados por Deus) e “o testemunho de Jesus” no genitivo objetivo (testemunho sobre Jesus), visto que os verbos acompanhantes são diferentes: “guardar” (os mandamentos de Deus) e “ter” (o testemunho de Jesus). Dá-se que o tipo de genitivo não precisaria ser o mesmo em ambos os casos.

Ademais, pode-se arguir que a fúria do dragão ocorre pelo fato de os cristãos guardarem os mandamentos de Deus e darem testemunho sobre Jesus.

          Isso está em harmonia com a menção de João sobre a “tribulação” e sua prisão na ilha de Patmos “por ter falado a respeito de Deus e ter dado testemunho de Jesus”. (Apocalipse 1:9) Nesse mesmo sentido, Apocalipse 6:9 faz referência aos “que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que haviam dado”. Apocalipse 17:6 menciona “o sangue das testemunhas de Jesus”, fazendo alusão à perseguição e morte em razão do testemunho sobre Jesus Cristo. Do mesmo modo, Apocalipse 20:4 fala “dos que foram executados por causa do testemunho que deram de Jesus e por terem falado a respeito de Deus”.


Fonte: Contracapa do livro Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus.

Assim, o peso da evidência parece apontar para um sentido objetivo do genitivo Iesoû (“de Jesus”).

Apocalipse 19:10:

“Têm a obra de dar testemunho de Jesus. … Pois dar testemunho de Jesus é o que inspira as profecias.” – NM.

A maioria das traduções pesquisadas verte conforme abaixo:

“Têm o testemunho de Jesus. … porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia.” – ACF, ARIB, SBB; veja também NVI.

Há outras traduções que vertem o genitivo Ἰησοῦ (Iesoû [“de Jesus”]) num sentido objetivo (Jesus recebe a ação de ser testemunhado):

“Que são testemunhas de Jesus. … O motivo da profecia é para dar um testemunho claro de Jesus.” – O Livro.

“Who tell about Jesus. … Those who tell about Jesus have the spirit of a prophet.” (“Que falam sobre Jesus. … Aqueles que falam sobre Jesus têm o espírito de um profeta.”) – Bible in Worldwide English NT.

“You have the witness from Jesus. … For the witness from Jesus is the spirit mind-set of prophecy.” (“Vocês têm o testemunho da parte de Jesus. … Pois o testemunho da parte de Jesus é a disposição mental do espírito de profecia.”) – New Simplified Bible.



Visto que Apocalipse 19:10 afirma que o “espírito” – inspiração, inclinação ou motivo – de haver profecia é “o testemunho de Jesus”, esta passagem parece indicar que se trata do testemunho sobre Jesus. Afinal, dar testemunho a respeito de Jesus é o motivo de haver profecia.

Todas as profecias inspiradas foram produzidas por causa de Jesus Cristo e do papel que ele desempenha nos propósitos de Jeová, a contar da primeira profecia registrada na Bíblia, a qual prometeu a vinda dum descendente. (Gênesis 3:15) Jesus tornou-se tal Descendente prometido.

Assim sendo, os dois usos da expressão “testemunho de Jesus” em Apocalipse 19:10 parecem apresentar genitivos objetivos – dizem respeito ao testemunho sobre Jesus Cristo.


Fonte: jw.org

Apocalipse 20:4:

“Por causa do testemunho que deram de Jesus e por terem falado a respeito de Deus.” – NM.

A maioria das traduções pesquisadas verte conforme abaixo:

“Pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus.” – ACF; veja também ARIB, SBB, NVI, Ave Maria.

Porém, há traduções que vertem o genitivo Ἰησοῦ (Iesoû [“de Jesus”]) num sentido objetivo (Jesus recebe a ação de ser testemunhado):

“Por causa do testemunho que deram de Jesus, e da palavra de Deus.” – O Livro.

“Because they told about Jesus and Gods word.” (“Porque eles falaram sobre Jesus e sobre a palavra de Deus.”) – Bible in Worldwide English NT.

“Because of their testimony about Jesus and because of the word of God.” (“Por causa de seu testemunho sobre Jesus e por causa da palavra de Deus.”) – ISV NT.

“For their testimony to Jesus and for the word of God (“Por seu testemunho de Jesus e pela palavra de Deus”). – Revised Standard Version; também The Common Edition: New Testament; The Riverside New Testament; VW-Edition 2006.



“On account of the testimony that they had borne to Jesus and on account of God's Message. (“Por causa do testemunho que eles deram de Jesus e por causa da Mensagem de Deus.”) – Weymouth NT.
Dessa forma, deixam ao leitor decidir se o texto diz respeito ao testemunho dado por Jesus, ou se diz respeito ao testemunho sobre Jesus.
Porém, o versículo parece indicar coerentemente o genitivo objetivo (testemunho sobre Jesus) pois lemos nesse texto:
“Vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos.”
O que fez com que tais cristãos fossem mortos é por evidentemente terem dado testemunho sobre Jesus. Tal testemunho não foi apenas verbal, mas também pela ação de não terem adorado a “besta, nem a sua imagem”, e não terem aceitado receber o sinal da besta. Tudo isso constitui um testemunho a favor de Cristo.


Fonte: jw.org

Conclusão

O leitor que acompanhou os cinco artigos desta série pôde perceber que é uma tarefa monumental traduzir a Palavra de Deus. É um desafio e tanto procurar determinar qual foi o sentido pretendido pelo escritor dos livros bíblicos. A gramática provê um auxílio, mas ela tem suas limitações.

Na expressão considerada nesta série de artigos – τὴν μαρτυρίαν Ἰησοῦ (tèn martyrían Iesoû [“o testemunho de Jesus”]) – a maioria das traduções pesquisadas prefere traduzir como está literalmente em grego, deixando ao leitor inferir se se trata do testemunho dado por Jesus (genitivo subjetivo) ou se se trata do testemunho sobre Jesus (genitivo objetivo). Por outro lado, alguns tradutores procuram ir mais longe, buscando determinar qual o sentido pretendido pelo escritor bíblico.

Todo esforço feito para se apurar a precisão na tradução da Palavra de Deus, com a sincera motivação de ajudar os leitores da Bíblia a entenderem-na mais profundamente, certamente é nobre e merece respeito e elogio.


Explicação das siglas usadas:
ACF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica.
 ISV NT: International Standard Version (Versão Padrão Internacional) do Novo Testamento.
NVI: Nova Versão Internacional.
SBB: Tradução da Sociedade Bíblica Britânica.

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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