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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Os animais impuros mencionados em Levítico foram ou não purificados?


Fonte: jw.org

O livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 10, contem um relato que tem sido alvo de controvérsias no que diz respeito a se os animais declarados impuros na Lei mosaica foram ou não purificados.

Lemos nesta passagem:

“E [Pedro] tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos, e viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra. No qual havia de todos os animais quadrúpedes e feras e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou. E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se ao céu.” – Atos 10:10-16, Almeida Corrigida Fiel.

Os adventistas contendem que essa passagem não afirma que os animais declarados impuros em Levítico 11:1-8 e em Deuteronômio 14:3-8 foram purificados. Examinemos os argumentos deles para isso.

Explicação do sentido figurado ou representativo

A explicação recorrente dos adventistas é a de que o contexto diz respeito à evangelização e conversão dos gentios ao cristianismo (no caso específico, o oficial do exército romano Cornélio, seus familiares e seus amigos). Deus estaria usando os animais impuros como símbolos dos gentios. Assim, a purificação dos animais impuros representa, na realidade, a purificação dos gentios. Citam como fundamento disso Atos 10:28, que registra as palavras do apóstolo Pedro: “Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo.” – ACF.

De fato, a visão do lençol com toda espécie de animais, dada por Deus a Pedro, visava a preparar Pedro para pregar o Evangelho a Cornélio e aos que estavam com este. Assim, a argumentação acima, com base no contexto imediato, está correta, com exceção de um pormenor que faz toda a diferença: uma ilustração, ou símbolo, tem que se harmonizar com o que está sendo ilustrado, ou simbolizado.

Ou seja, se a visão dada a Pedro não significasse que os animais impuros foram de fato purificados, isso não serviria de ilustração, ou símbolo, de que os gentios foram purificados por Deus. Essa explicação simples, porém, extremamente poderosa e lógica, tem ajudado adventistas sinceros a entender que Atos, capítulo 10, afirma que os animais impuros foram de fato purificados. Afinal, a Lei dada a Israel foi abolida como um todo, e não apenas parte dela. – Veja a série de artigos Os “Dez Mandamentos” com seusábado semanal devem ser guardados pelos cristãos?


Explicação da “contaminação por associação”

Visto que a argumentação lógica de que o símbolo (ou ilustração) tem que se harmonizar com o que foi simbolizado (ou ilustrado) derruba consistentemente a explicação tradicional dos adventistas a respeito de Atos, capítulo 10, recentemente eles têm recorrido a outra explicação: a da contaminação por associação.

Para entendê-la, vejamos primeiro a resposta de Pedro a Deus após Deus lhe ordenar que ‘abatesse e comesse’ os animais do lençol visionado. Pedro declarou: “De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum [de koinós] e imunda [de akáthartos].” (Atos 10:14, Almeida Revista e Atualizada) Observe agora a resposta de Deus a Pedro: “Ao que Deus purificou [de katharízo] não consideres comum [de koinóo].” (Atos 10:15, ARA)

Os adventistas trazem à atenção os vocábulos “comum” (grego koinós) e “imundo”, ou impuro (grego akáthartos). Afirmam que koinós tem a ver com um conceito rabínico conhecido como “contaminação por associação”, segundo o qual algo puro se tornava impuro ao entrar em contato com algo impuro.

Segundo a argumentação acima, Pedro teria receio de ter contato com um gentio devido à tradição rabínica da “contaminação por associação”, e que Deus teria lhe dado a visão do lençol para rechaçar tal conceito.

De acordo com esse conceito rabínico, que supostamente Pedro também acolhia, os animais limpos do lençol visionado estariam contaminados por seu contato com os animais impuros que também se encontravam no mesmo lençol. Conforme essa explicação adventista, o vocábulo koinós (“comum”) se refere aos alimentos puros que Pedro supostamente se recusou a comer por causa dos akáthartos (animais “imundos”) que estavam também no lençol. A resposta de Deus a Pedro – “ao que Deus purificou [de katharízo] não consideres comum [de koinóo]” (Atos 10:15, ARA) – teria o sentido de que o que foi declarado puro por Deus no Velho Testamento não pode ser considerado contaminado pelo contato com o que é impuro [akáthartos]. Assim, Deus não teria purificado os alimentos “imundos”, e sim teria declarado puros os alimentos que Pedro, devido à tradição rabínica, considerava “comuns” (aviltados).

Para embasar sua argumentação sobre a “contaminação por associação”, os adventistas citam Atos 10:28, onde lemos as palavras de Pedro: “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo.” (ARA) Pedro ainda declarou: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” – Atos 10:34, 35, ARA.

As implicações da teoria da “contaminação por associação”

Seguindo esse raciocínio, na visão dada a Pedro os animais “comuns” (koinós) representariam Pedro e os demais judeus que deveriam ir até Cornélio, ao passo que o gentio Cornélio e seus familiares e amigos seriam os “impuros” (akáthartos). As palavras de Deus “ao que Deus purificou [katharízo] não consideres comum [koinoô]” (Atos 10:15, ARA) seriam uma confirmação a Pedro de que ele e os demais cristãos judeus não seriam contaminados por entrar em contato com os gentios.

Contudo, o problema dessa teoria reside no que Pedro disse a Cornélio e aos seus amigos e familiares em Atos 10:28: “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou [por meio da visão do lençol] que a nenhum homem considerasse comum [de koinós] ou imundo [de akáthartos].” (ARA) Segundo o raciocínio adventista, Pedro e os demais judeus cristãos não poderiam ser considerados “comuns” [de koinós] por se associarem com gentios. Mas o texto afirma também que “nenhum homem” deveria ser considerado “imundo” [de akáthartos], neste caso referindo-se ao gentio Cornélio e os demais gentios que estavam com ele. Estes gentios não eram ‘imundos’ (akáthartos). Ou seja, Deus havia purificado (katharízo) tais gentios tementes a Deus.

E pelo princípio lógico de que uma ilustração, ou símbolo, tem que se harmonizar com o que está sendo ilustrado (ou simbolizado), os animais impuros do lençol teriam de ter sido purificados! Pois, se os animais impuros não foram de fato purificados, os gentios representados por eles também não o foram.

Assim, ambas as teorias adventistas não subsistem a um escrutínio bíblico e lógico.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org
















5 comentários:

  1. Ótima explicação, parabéns e obrigado

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  2. Mais uma vez, foste extremamente racional e lógico.

    Parabéns pela matéria meu irmão.

    Ademais, queria saber sobre um detalhe a respeito desse conceito rabínico sobre contaminação por associação que os ASD apregoam.

    Tenho pelo menos duas perguntas:

    1º Isso vale para tudo e para todos, pois Jeová usou um corvo (animal impuro) para alimentar Elias;

    2º Seria lógico crer que Pedro se apegava a um conceito rabínico (tradição de antepassados) quando Cristo insistiu tanto com os discípulos para não se contaminarem com estes fermentos?

    Um forte abraço Apologista.

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    1. Prezado Raniere:

      Muito obrigado pela demonstração de apreço. Com relação às suas perguntas, um artigo futuro poderá analisar tais questões. A única referência não adventista sobre o tal conceito da contaminação por associação obtida na composição do artigo acima foi num site da Enciclopédia Judaica, neste link: https://www.jewishvirtuallibrary.org/red-heifer

      Grande abraço e que Jeová o abençoe ricamente! - Provérbios 10:22.

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  3. Sobre a questão que uma ilustração ou símbolo precisa se harmonizar com o que está sendo ilustrado lembrei-me de que Paulo disse que "aquele que morreu foi absolvido do seu pecado" e o contexto mostra que ele falava não da morte em sentido físico, literal , mas ele usou a morte física para ilustrar a morte em para um proceder pecaminoso.

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  4. 1 Timóteo 4:1-5 prova que todos os alimentos são permitidos. Quando damos graças a Deus e pedimos para que ele abençoe nosso alimento, tornamos este aceitável. Parabéns pelos argumentos e pelo raciocínio lógico empregado.

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