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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Comentários e perguntas dos leitores


Fonte: jw.org

Prezados leitores e seguidores deste site:

Em primeiro lugar, vocês merecem elogios por seu profundo interesse em assuntos espirituais. (Mateus 5:3) Ademais, seu desejo de aprofundar o conhecimento bíblico está em harmonia com a oração do apóstolo cristão Paulo, que declarou: “E isto é o que continuo a pedir em oração: que o seu amor se torne cada vez mais abundante, com conhecimento exato e pleno discernimento; que vocês se certifiquem de quais são as coisas mais importantes, para que sejam sem defeito e não façam outros tropeçar, até o dia de Cristo; e que fiquem cheios de fruto justo, que vem por meio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.” – Filipenses 1:9-11.

A iniciativa de produzir e manter este site, semelhante à de outros colaboradores, tem por objetivo promover a verdade bíblica a todos os que o acessarem, bem como partilhar com os evangelizadores argumentos úteis para o seu ministério de evangelização. (2 Timóteo 4:5; 1 Pedro 3:15) Isto, naturalmente, gera comentários e perguntas sinceras por parte dos leitores, muitos dos quais são ávidos pesquisadores das Escrituras com o objetivo de melhor entendê-la.

Assim sendo, este site publica respostas e comentários a muitas e diversas perguntas, feitas pelos leitores, após estas perguntas serem avaliadas com ponderação e oração, o mais breve possível. Portanto, que os leitores se sintam à vontade para fazer suas indagações bem como comentários a respeito de temas bíblicos não considerados ainda neste site e também sobre as matérias já postadas.

Que a bondade imerecida do Senhor Jesus Cristo esteja com o espírito que vocês mostram.” – Filipenses 4:23.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagradapublicada pelas Testemunhas de Jeová.


Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




domingo, 18 de novembro de 2018

Os cristãos precisam pagar o dízimo?


Fonte: jw.org


Diversas organizações religiosas cobram o dízimo, ou seja, dez por cento do salário de seus adeptos. Os líderes de tais religiões citam como base para essa exigência o texto de Malaquias 3:10, que declara: “‘Trazei todas as décimas partes à casa do depósito para que venha a haver alimento na minha casa; e experimentai-me, por favor, neste respeito’, disse Jeová dos exércitos, ‘se eu não vos abrir as comportas dos céus e realmente despejar sobre vós uma bênção até que não haja mais necessidade’”. Mas, o que a Bíblia como um todo tem a dizer sobre o assunto?
  
Requisito da Lei mosaica

Encontramos duas referências ao dízimo no período pré-mosaico. A primeira delas diz respeito a Abraão ter pago dízimo a Melquisedeque. (Gênesis 14:18-20) Contudo, Abraão deu tal décimo, ou dízimo, voluntariamente a Melquisedeque, e apenas uma vez. Não há menção de que ele tivesse feito isso outra vez. A outra referência encontra-se em Gênesis 28:20-22, que menciona o voto que Jacó fez, de dar a Deus um décimo de tudo o que recebesse da parte de Jeová. O fato de Jacó ter feito um voto prova que naquela época o dízimo não era obrigatório. Ademais, Jacó não repassou tal obrigação que impôs a si mesmo aos seus descendentes. Portanto, antes do advento da Lei mosaica, não havia dízimo obrigatório.

O dízimo tornou-se uma exigência legal no arranjo do pacto da Lei mosaica. Lemos em Hebreus 7:5: “Os homens dos filhos de Levi que recebem o seu cargo sacerdotal têm o mandamento de cobrar dízimos do povo, SEGUNDO A LEI.” Jesus apoiou o dízimo enquanto a Lei mosaica vigorava, assim como também apoiou as demais exigências da Lei. (Lucas 11:42; Mateus 5:23, 24; 8:4) Mas, quando a Lei findou, tendo cumprido seu objetivo, o requisito do dízimo, que fazia parte dessa Lei, também foi abolido. Sobre isso, o apóstolo Paulo afirmou: “Pois, mudando-se o sacerdócio, NECESSARIAMENTE HÁ TAMBÉM MUDANÇA DA LEI.” (Hebreus 7:12) Que dizer então do tão citado texto de Malaquias 3:10?
  
Exame honesto de Malaquias 3:10

 Quando foi escrito o livro de Malaquias, a Lei dada a Israel vigorava. Era, pois, natural que Jeová esperasse que os que compunham o seu povo naquele tempo mostrassem o seu apreço pelas provisões divinas por pagarem prazerosamente o dízimo. Mas observe o objetivo desse requisito: “Para que venha a haver alimento na minha casa.” Visto que os levitas atuavam em seu cargo sacerdotal por tempo integral, Jeová fez esse amoroso arranjo para o sustento deles. (Veja Neemias 10:37) Quando os israelitas deixavam de cumprir com o requisito do dízimo, os que trabalhavam no templo tinham de deixar seu serviço sagrado para se empenhar em trabalho secular para o sustento próprio, resultando no prejuízo da adoração verdadeira. (Neemias 13:10-12) Mas, como disse Paulo, no cristianismo o arranjo do sacerdócio levítico deixou de existir, havendo necessariamente também “mudança da lei” – da Lei mosaica para a “lei do Cristo”. (Hebreus 7:12; Gálatas 6:2) E o que a “lei do Cristo” especifica sobre esse tema?

 No cristianismo não há provisão para o dízimo, ou pagamento obrigatório de qualquer quantia. O princípio a ser seguido no padrão cristão é o de 2 Coríntios 9:7: “Faça cada um conforme tem resolvido no seu coração, não de modo ressentido, nem sob compulsão, pois Deus ama o dador animado.” Portanto, não há base bíblica para a cobrança de dízimos ou de quaisquer pagamentos dentro do cristianismo.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradaspublicada pelas Testemunhas de Jeová.


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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Os antepassados justos de Cristo irão para o céu?



Fonte da ilustração: jw.org


“Eu vos digo que muitos virão das regiões orientais e das regiões ocidentais e se recostarão à mesa junto com Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus.” – Mateus 8:11.

  
Alguns religiosos da cristandade se baseiam no texto citado acima para afirmar que todos os bons irão para o céu, inclusive os antepassados de Jesus Cristo.

 Mas, tal afirmação demonstra desconhecimento ou desconsideração dos muitos textos bíblicos que descrevem a esperança de vida eterna na Terra. (Salmo 37:9-11, 22, 29, 34; 46:9, 10; Provérbios 2:21, 22; Isaías 11:6-9; 33:24; 35:4-6; 65:17-25; 66:22, 23; Apocalipse 21:3, 4) Em segundo plano, tal asserção também exibe falta de conhecimento ou de reconhecimento dos procedimentos estabelecidos por Deus para a vida celestial. Ei-los abaixo:

1)  Precisa haver uma CHAMADA e uma ESCOLHA da pessoa por Deus, mediante Seu Filho, Jesus Cristo:

2 Timóteo 1:9, 10: “Ele nos salvou e nos chamou com uma chamada santa, não em razão de nossas obras, mas em razão de seu próprio propósito e benignidade imerecida. Isto nos foi dado em conexão com Cristo Jesus antes dos tempos de longa duração, mas agora se tornou claramente evidente pela manifestação de nosso Salvador, Cristo Jesus, que aboliu a morte, mas lançou luz sobre a vida e a incorrupção por intermédio das boas novas.”

2)  Envolve Deus JUSTIFICAR, ou DECLARAR JUSTO, o cristão chamado:

Romanos 3:23, 24: “Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus, e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus.”

3)  PRODUZI-LO (GERÁ-LO) como filho espiritual de Deus:

João 1:12, 13: “A tantos quantos o receberam [a Jesus], a estes deu autoridade para se tornarem filhos de Deus, porque exerciam fé no seu nome; e nasceram, não do sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

João 3:3, 5: “Em resposta, Jesus disse-lhe: ‘Digo-te em toda a verdade: A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus.’ Jesus respondeu: ‘Eu te digo em toda a verdade: A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus.’”

Tiago 1:18: “Porque ele [Deus] o quis, ele nos produziu [gerouAlmeida Corrigida Fiel] pela palavra da verdade, para que fôssemos certas primícias das suas criaturas.”

4)  UNGI-LO:

2 Coríntios 1:21, 22: “Mas, quem garante que vós e nós pertencemos a Cristo e quem nos ungiu é Deus. Ele pôs também o seu selo sobre nós e nos deu o penhor daquilo que há de vir, isto é, o espírito, em nossos corações.”

Como visto pelos textos acima, todos os procedimentos acima só ocorreram após a vinda de Cristo à Terra. A “chamada” passou a ocorrer “em conexão com Cristo Jesus” e “se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus.” (2 Timóteo 1:10, Imprensa Bíblica Brasileira) A justificação também só se tornou possível após Jesus ter pago o resgate pelos nossos pecados. (Romanos 3:23, 24) Ademais, foi Jesus quem “deu autoridade para [seus discípulos] se tornarem filhos de Deus”. (João 1:12, 13) Por fim, a unção ocorre por intermédio do espírito santo, que foi derramado pela primeira vez no Pentecostes de 33 da Era Cristã, após a morte de Cristo. João 7:39 comenta: “Ele [Jesus] disse isso com respeito ao espírito que os que depositavam sua fé nele estavam para receber; pois, por enquanto ainda não havia espírito [não havia ainda sido derramado], porque Jesus ainda não havia sido glorificado.” A glorificação de Jesus aconteceu após sua ressurreição para a vida celestial, após o que ele “derramou” sobre seus discípulos o prometido espírito santo, gerando-os como filhos espirituais de Deus, com esperança celestial. Foi Jesus quem “inaugurou” o “caminho” para o céu. – Hebreus 10:19, 20; Atos 2:33; João 3:3, 5.

Assim, todos os fiéis que viveram antes de Cristo terão a esperança original dada ao primeiro casal humano: de viver para sempre em felicidade na Terra. (Gênesis 1:27, 28; Salmo 115:16; 37:29) Como disse Paulo em Hebreus 11:39, 40: “Embora todos estes [os antepassados de Cristo] recebessem testemunho por intermédio de sua fé, não obtiveram o cumprimento da promessa, visto que Deus previu algo melhor para nós [os cristãos com esperança celestial], a fim de que eles não fossem aperfeiçoados à parte de nós.”[1] A respeito dos antepassados fiéis do Messias, a Bíblia declara: “Em lugar de teus antepassados virá a haver teus filhos, os quais designarás para príncipes em toda a terra.” (Salmo 45:16) Assim, os “antepassados” de Cristo, por serem ressuscitados por ele, tornar-se-ão seus “filhos”, sendo designados por ele como “príncipes” no domínio terrestre do Reino de Deus. Mas, como entender então o texto de Mateus 8:11?

Na Bíblia, às vezes ocorre um uso pictórico, ou ilustrativo, de Abraão, Isaque e Jacó. Eles representam o arranjo do Reino de Deus. Em sentido alegórico, Abraão representa Jeová Deus (Lucas 16:22), Isaque representa Jesus Cristo (Gálatas 3:16), e Jacó (também chamado Israel, Gênesis 32:28) retrata o “Israel de Deus”. – Gálatas 6:16.


Notas:
[1] Para uma explicação de Hebreus 11:39, 40, veja o artigo “Vida eterna no céu e na Terra – as bases bíblicas (Parte 2), ponto 11, neste site


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domingo, 11 de novembro de 2018

O Novo Testamento ensina a Trindade?

Fonte: jw.org
     
O objetivo deste artigo não é refutar cada versículo apresentado por trinitaristas como alegada prova da doutrina da Trindade. Ao invés disso, esta matéria apresenta de forma direta e positiva o conceito das Escrituras Gregas, o chamado “Novo Testamento”, sobre a identidade de Deus, bem como sobre a identificação de Jesus e do “Espírito Santo”.

O artigo anterior focou as duas características básicas da crença trinitarista – a existência de três pessoas em um só Deus e a coigualdade entre elas de glória, poder, autoridade e eternidade. Portanto, o primeiro aspecto desse dogma depende da personalidade do espírito santo. Diante disso, perguntamos:

O que o “Novo Testamento” revela sobre o espírito santo?
     
Ao explicar à virgem judia Maria como se daria o nascimento milagroso de Jesus, o anjo Gabriel disse: “Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá.” (Lucas 1:35) Sendo israelita, Maria possuía o conceito judaico sobre o espírito santo exposto nas Escrituras Hebraicas – como sendo algo, uma força impessoal. Que o mesmo conceito predominou pode ser visto pelo paralelo entre “espírito santo” e “poder do Altíssimo”. [1] Ademais, antes disso, o mesmo anjo havia dito a Zacarias que João Batista seria “cheio de espírito santo desde a madre de sua mãe”. (Lucas 1:15) Tal descrição mantém o mesmo conceito afirmado no “Velho Testamento” sobre a impessoalidade do espírito santo. O próprio Jesus Cristo atestou o caráter impessoal do espírito santo, ao comparar esse espírito com o “dedo de Deus”. – Mateus 12:28; Lucas 11:20.

Tais textos, por si só, mostram a alguém sem preconceitos que o conceito da primeira parte da Bíblia sobre o espírito santo foi mantido. Adicionalmente, isso explica por que, em muitos textos, o espírito santo não é mencionado junto com o Pai e o Filho. (Veja João 8:17, 18; 10:30; 17:3, 20-22; Apocalipse 7:10; 4:9; 5:3, 5, 7; 22:1, 3; Efésios 5:5; 1 João 1:3) Especialmente digno de nota é o texto de João 8:17, 18, onde Jesus evoca a si mesmo e a seu Pai como sendo testemunhas de que ele é o Enviado de Deus. Jesus fez isso com base na Lei mosaica, que declara: “O assunto deve ficar de pé pela boca de duas testemunhas ou pela boca de três testemunhas.” (Deuteronômio 19:15) Por que Jesus não apresentou o Pai e o espírito santo como testemunhas à parte dele, os quais, junto com ele, constituiriam três testemunhas? Isso por certo daria mais peso ainda à sua afirmação. O contexto geral da Bíblia responde: Porque o espírito santo não é uma pessoa.

Prova adicional disso é que tal espírito é mencionado como dando testemunho, mas não junto com pessoas e sim com coisas impessoais, como a “água” e o “sangue”. (1 João 5:5-8) De fato, diversos textos alistam o espírito santo com coisas impessoais. (Mateus 3:11; Atos 6:5; 11:24; 13:52; 2 Coríntios 6:4-6; Efésios 5:18) Outrossim, as mesmas expressões usadas para o espírito santo nas Escrituras Hebraicas, bem como expressões similares, de caráter igualmente impessoal, são também usadas nas Escrituras Gregas Cristãs. Segundo esta última coleção, o espírito também pode ser derramado (Atos 2:17; 10:45), distribuído (Hebreus 2:4) e até soprado.[2]  – João 20:22.
     
Todo esse coerente e uniforme conjunto de evidências atesta cristalinamente a impessoalidade do espírito santo, reiterando o mesmo conceito das Escrituras Hebraicas, e provando além de qualquer contestação que a alegação trinitária de três pessoas em um só Deus não tem respaldo nas Escrituras Sagradas.
     
Mas, que dizer do Filho? Será que ele é apresentado no “Novo Testamento” como constituindo, junto com o Pai, um só Deus, formando assim uma dualidade de iguais?

O que o “Novo Testamento” revela sobre o Filho?

As Escrituras Hebraicas mencionam o Filho de forma discreta. Como sabedoria personificada, ele é descrito como alguém ‘produzido’ por Jeová “como princípio do seu caminho”, como “mestre-de-obras”, que participou junto como o Pai no período da criação, e como “aquele de quem ele [Jeová] gostava especialmente”. (Provérbios 8:22, 30) Tal descrição evidentemente indica ausência de coigualdade em glória, poder, autoridade e eternidade. Será que o “Novo Testamento” mudaria esse quadro?

Positivamente não! As Escrituras Gregas Cristãs, de forma coerente e harmoniosa com as Escrituras Hebraicas, descrevem igualmente o Filho como alguém ‘produzido’ por Deus, em expressões tais como “o primogênito de toda a criação” e “o princípio da criação de Deus”. (Colossenses 1:15; Apocalipse 3:14) Confirmando o papel do Filho como “mestre-de-obras”, tais Escrituras fazem alusão à participação do Filho no período da criação, não como Autor dela, mas como intermediário. (João 1:3, 10; Hebreus 1:2; Colossenses 1:16, 17; 1 Coríntios 8:6) É, pois, evidente que tais fatos não deixam margem para qualquer suposta coigualdade entre o Filho e o Pai.

Com efeito, o inteiro “Novo Testamento” descreve o Filho como subordinado e inferior ao Pai. Ele é menor que o Pai, sendo aludido como “servo” de Deus (João 14:28; Atos 4:30; 1 Coríntios 11:3); ele não exerce sua própria vontade, mas a do Pai (João 5:30; 6:38); ele não fala de si mesmo, mas somente o que o Pai o mandou falar (João 8:26; 12:49). Tudo, inclusive a própria vida, ele recebeu do Pai. (João 3:35; 5:26, 27; 6:57; Mateus 28:18) O conhecimento do Filho é limitado em relação ao do Pai (Mat. 24:36; Apocalipse 1:1; 1 Coríntios 2:16). O Filho é herdeiro do Pai (Romanos 8:17). O Pai é Deus do Filho.[3] – 1 Coríntios 15:24; Efésios 1:17; Apocalipse 3:2, 12.

Portanto, em harmonia com o quadro de subordinação e inferioridade do Filho em relação ao Pai, apresentado nas Escrituras Cristãs, as alusões ao Filho como “deus” o tornam “um deus” menor e sujeito ao Pai. Assim, a tradução indefinida de João 1:1c não é só gramaticalmente possível, como também é contextualmente correta.[4]

Como é maravilhoso saber a verdade a respeito de Deus! Longe de ser uma misteriosa Trindade ou de ser uma dualidade de iguais, a Bíblia inteira harmoniosamente o revela como sendo uma única Pessoa, com nome próprio, gênero e personalidade. (Salmo 83:18; Êxodo 34:6) Ele possui um Filho muito especial, sua primeira criação e seu principal representante, que foi enviado à Terra para vindicar Sua Soberania e resgatar a humanidade obediente do pecado e da morte adâmicos. (João 3:16, 36; 14:31; 1 João 3:8) E ele usa seu espírito santo, a energia que dele emana, para realizar Sua vontade e beneficiar Seus servos. (Salmo 33:6; 143:10) Por aceitarmos tais cristalinas verdades da Palavra de Deus e vivermos em harmonia com elas, podemos entrar numa relação achegada com Jeová, pois Jesus declarou: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade, pois, deveras, o Pai está procurando a tais para o adorarem.” – João 4:23.

  
Notas:

[1] Estritamente falando, espírito santo não é poder, mas força. Poder é energia concentrada, ao passo que força é energia liberada, em operação. Podemos ilustrar a diferença com a bateria carregada de um carro. Ela tem poder para fazer o veículo funcionar. Mas, quando se dá a partida, ela libera força ou corrente elétrica. O ponto em questão é que força e poder são termos semelhantes e expressam características, e não personalidade.

[2] Os casos de personificação do espírito santo são considerados no artigo Personificação prova personalidade? No entanto, em antecipação à leitura do referido artigo, podemos sublinhar que, uma vez que a Bíblia não se contradiz, a personificação do espírito não poderia provar sua alegada personalidade. Ademais, textos tais como Mateus 28:19, 1 Coríntios 12:4-6 e 2 Coríntios 13:13 também precisam ser entendidos à luz do conceito bíblico, de que tal espírito não é uma pessoa.

[3] Assim, textos bíblicos tais como João 10:30, João 20:28, Filipenses 2:6, Tito 2:13, e outros, devem ser entendidos em harmonia com a clara verdade apresentada no “Novo Testamento”, de subordinação e inferioridade do Filho em relação ao Pai. 

[4] A tradução qualitativa de João 1:1c, fazendo o texto rezar “a Palavra era divina”, tem de ser entendida dentro do quadro de subordinação e inferioridade do Filho exposto no “Novo Testamento”. Portanto, ser a Palavra “divina” não implicaria coigualdade, mas apenas ressaltaria sua natureza, do mesmo modo que ser alguém “humano” não o torna coigual a outro humano; apenas destaca a sua natureza. No entanto, a tradução indefinida (“um deus”) preserva a palavra usada no texto – theós (“deus”; a palavra “divino” é theíos)Ademais, a tradução “um deus” destaca tanto a natureza como a individualidade da Palavra, sendo, portanto, semanticamente mais abrangente. Assim, a tradução “um deus” é gramaticalmente correta, é textualmente preservadora, é contextualmente certa e biblicamente exata.


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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Trindade é ensinada no “Velho Testamento”?



Fonte: jw.org


 Definição do dogma [1]

“Uma só é a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; igual a glória, coeterna a majestade. . . . Igualmente onipotente é o Pai, onipotente o Filho, onipotente o Espírito Santo . . . Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E, no entanto, não são três deuses, mas Deus é um só. . . . E nesta Trindade nada é primeiro ou posterior; nada maior ou menor; mas todas as três Pessoas são a si coeternas e coiguais.”[2]


A fórmula proposta para a Trindade inclui basicamente dois fundamentos, que caracterizam tal doutrina:

1 – A existência de três pessoas distintas que constituem Deus.
2 – Coigualdade em glória, eternidade, poder e conhecimento.[3]

Este artigo analisará a pergunta proposta pelo tema acima à luz do que dizem as Escrituras Hebraicas – o chamado “Velho Testamento”.

Os “desprivilegiados” judeus

“Adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação se origina dos judeus.” – João 4:22.

As palavras acima foram proferidas por Jesus Cristo a uma mulher samaritana. Elas tornam claro que os judeus conheciam a quem adoravam. Isto levanta a importante pergunta: as Escrituras Hebraicas tornaram claro para os judeus que Deus era uma Trindade?

Lemos em Gênesis 1:26: “E Deus prosseguiu, dizendo: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança.” O texto menciona Deus falando a outra pessoa, que participa na ação de fazer o homem. No entanto, não é possível entender do texto a existência de três pessoas; no máximo, duas. Segundo, não há nenhuma menção de que aquele a quem Deus fala seja também parte de Deus. Ao contrário, Deus é mencionado à parte, convidando outro a fazer junto com ele o homem.[4] O contexto do Velho Testamento apresenta apenas mais um ser como participando com Deus no período da criação. – Provérbios 8:22-30.[5]

A visita de três anjos a Abraão também não evidencia nenhuma Trindade, nem de forma implícita. (Gênesis 18:1) Pois, se supormos que a visita de três anjos revela que no céu há três pessoas em um só Deus, teríamos de concluir que a visita de um único anjo indicaria que no céu há uma só pessoa como Deus, e que o aparecimento de uma “multidão do exército celestial” indicaria que Deus é uma multiplicidade de pessoas. (Lucas 2:13; 1 Reis 19:5) Isso mostra que não há nenhuma relação entre a quantidade de anjos enviados por Deus com quem é Deus nessa questão de quantidade de pessoas.

Na realidade, o envio de três criaturas espirituais para representar a Deus está em harmonia com um princípio da justiça divina exposto posteriormente na Lei mosaica e também no cristianismo, de que “todo assunto tem de ser estabelecido pela boca de duas ou três testemunhas.” (2 Coríntios 13:1; Deuteronômio 19:15) Os anjos vieram para contar a Abraão que ele e Sara teriam um filho. Ambos já eram idosos. (Gênesis 18:10) Abraão dirigiu-se a eles como a “Jeová” por reconhecer que os anjos representam a Jeová. Contudo, os próprios anjos tornaram claro que não eram Jeová, mas sim enviados dele, quando disseram a Ló: “Jeová nos enviou para arruinar a cidade.” – Gênesis 19:13.

Em Êxodo 3:6 Deus se revela desse modo a Moisés: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.” Quando Moisés inquiriu sobre que nome ele deveria anunciar aos israelitas escravizados no Egito, Deus respondeu: “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Jeová, o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou-me a vós.’ Este é o meu nome por tempo indefinido e esta é a recordação de mim por geração após geração.” (Êxodo 3:15) Será que Moisés – bem como os demais israelitas – poderiam entender dessas palavras que Deus era uma Trindade? Deus não disse a Moisés: ‘Eu sou Deus – Pai, Filho e Espírito Santo.’ Não há nada nas palavras de Deus que levasse os israelitas a concluir que Deus é tal qual exposto na fórmula trinitária.

Em nenhuma parte das Escrituras Hebraicas encontramos qualquer indicação de que Deus seja uma Trindade. A menção do Filho na sua vida celestial é rara e implícita. (Provérbios 8:22-30; 30:4) E as referências ao espírito santo o colocam como sendo algo, não uma pessoa. (Salmo 51:11) Embora o espírito santo seja personificado em Isaías 63:10, o versículo seguinte fala de o espírito ser ‘posto’ ou colocado em pessoas.[6] (Isaías 63:11) Outras passagens descrevem o espírito santo como ‘enchendo’ pessoas (Êxodo 31:3; 35:31), como sendo parcelado entre várias pessoas (Números 11:17, 25, 29), como ‘vindo sobre’ e ‘caindo sobre’ pessoas (Juízes 11:29; Ezequiel 11:5), como ‘tornando-se ativo em’ alguém (Juízes 14:6, 19), e como sendo ‘derramado’ e ‘despejado do alto’. (Ezequiel 39:29; Joel 2:28, 29; Isaías 32:15) A natureza impessoal do espírito santo pode ser vista na comparação de tal espírito com o “fôlego” de Deus. (Jó 33:4; veja também Salmo 33:6.) Ademais, ele está associado a coisas impessoais. (Isaías 11:1, 2; 44:3) É evidente que as Escrituras Hebraicas não apresentam o espírito santo como sendo uma pessoa espiritual, muito menos como sendo parte de um Deus trino.

Portanto, as Escrituras Hebraicas não descrevem a Deus como sendo uma Trindade, mas como sendo uma única Pessoa, cujo nome é Jeová. (Salmo 83:18; Deuteronômio 6:4) Este é o Deus que os judeus conheceram, o Deus que se apresentou a eles. Se Deus fosse uma Trindade, os judeus teriam sido grandemente desprivilegiados; pois, por um período de mais de quinze séculos, teriam adorado apenas uma terça parte de Deus. A declaração de Jesus, em João 4:22, de que os judeus conheciam a quem adoravam, ficaria inválida. Afinal, conhecer apenas uma pessoa de um Deus trino não é realmente conhecer a Deus, é conhecer apenas parte dele. 

Assim, o chamado “Velho Testamento” não ensina a doutrina da Trindade. Não declara que há outras duas pessoas que formem com Jeová um só Deus. Não coloca o Filho nem o espírito santo como tendo coigualdade com Jeová em glória, eternidade, poder e conhecimento.

No próximo artigo analisaremos a questão: Será que o Novo Testamento ensina a Trindade? 

Entretanto, vale ressaltar que essa pergunta, se respondida afirmativamente, levantaria outras importantes questões: Por que Deus omitiu parte de sua identidade aos judeus para revelá-la plenamente aos cristãos? Por que Abraão, um homem descrito como “amigo de Jeová”, e exemplo de fé para os cristãos, não conheceu realmente a Deus? (Tiago 2:23) Como pôde Deus reconhecer alguém como sendo seu amigo e não ter se revelado claramente a ele?  


Notas:

[1] Dogma é definido como “ponto ou princípio de fé definido pela Igreja”, e “proposição apresentada como incontestável e indiscutível”. – Dicionário Michaelis.
[2] Citação do Credo Atanasiano, extraído de A Sentinela de 1.º de agosto de 1984, p. 4.
[3] Assim sendo, tal doutrina não admite o subordinatismo, a doutrina que defende que o Logos é subordinado ou inferior ao Pai.
[4] O verbo “fazer” (em hebraico: ‘asah) é diferente do verbo “criar” (em hebraico: bará), atribuído apenas a Deus. (Gênesis 1:1, 27) O próprio Jesus Cristo reconheceu que o Criador é apenas uma única Pessoa, quando disse, no singular: “Aquele que os criou.” – Mateus 19:4.



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