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domingo, 30 de dezembro de 2018

‘Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra’ – isso está na Bíblia?


Fonte: jw.org

Contribuído.

Este artigo é uma análise de uma passagem que se encontra em várias traduções da Bíblia, e que é muito citada no dia-a-dia. Essa passagem deu origem, inclusive, a músicas. Uma música antiga tem palavras que fazem referência a essa passagem que vamos analisar. Trata-se da música “Atire a Primeira Pedra”, samba de Ataulfo Alves e de Mário Lago, de 1943, e gravada por Orlando Silva no mesmo ano, que possui o refrão com as palavras:

“Covarde sei que me podem chamar
“Porque não calo no peito dessa dor
“Atire a primeira pedra, ai, ai, ai
“Aquele que não sofreu por amor.”

Os mais antigos irão se lembrar dessa música, que fez muito sucesso, e que faz referência à passagem de João Capítulo 8, versículos 1 a 11, da “mulher adúltera”.

Essa passagem supostamente bíblica deu origem também a uma tendência muito forte – uma cultura, por assim dizer, daquela máxima: “Se todo mundo faz, por que eu também não posso fazer?” Em outras palavras, ‘se todo mundo mente, por que eu não posso mentir?’ ‘Se todo mundo comete adultério, por que eu não posso cometer adultério?’ ‘Se todo mundo rouba, por que eu não posso roubar?’ E aí vem aquela frase: “Atire a primeira pedra quem nunca fez isso!”

Essa passagem não tem na Tradução do Novo Mundo, que começa o capítulo 8 no versículo 12. Em razão disso, muitos dizem que a Tradução do Novo Mundo tirou essa passagem “tão importante” da Bíblia. Mas, será que essa passagem realmente é inspirada por Deus? Vamos analisar alguns detalhes dentro do próprio texto.

Na Tradução do Novo Mundo, o capítulo 8 de João começa no versículo 12.
Fonte: jw.org

 Vamos analisar na tradução João Ferreira de Almeida, edição Revista e Corrigida, que é a tradução da Bíblia mais respeitada no Brasil – principalmente pelos evangélicos, mas também por muitos católicos. Por isso, vamos analisar o assunto dentro do próprio contexto bíblico.

Vejamos como essa passagem se encontra na Versão Almeida Revista e Corrigida:

“Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras. E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais.”

Análise textual

1. Jesus escrevendo no chão do templo?

Lemos aqui, no versículo 2, que Jesus estava no templo. O templo em que Jesus estava era o Templo de Jerusalém, um templo extremamente luxuoso, revestido de ouro. Até alguns historiadores dizem que, quando o sol estava quente, era impossível olhar diretamente para aquele templo, porque o brilho do ouro em contato com a luz do sol ofuscava a vista das pessoas que tentassem olhar para o templo. As pessoas ficavam sem poder enxergar nada, porque o brilho do ouro reluzente era muito forte. 

Como um templo extremamente luxuoso poderia ter um chão de terra? Porque essa passagem afirma que Jesus escrevia com o dedo na terra. Uma contradição muito grande! Já foge da realidade – um templo revestido de ouro com o chão de terra. Algo sem o menor nexo, sem lógica.

2. O suposto comportamento de Jesus perante os idosos

 Ademais, a passagem diz que os homens que trouxeram aquela mulher até Jesus eram os escribas e os fariseus. Eram, portanto, pessoas idosas. O que a Lei mosaica dizia sobre quando uma pessoa mais idosa chegava perto de uma pessoa mais jovem?

Levítico 19:32 declara: “Diante das cãs [cabelos brancos] te levantarás.” (ARC) A NTLH diz: “Fiquem de pé na presença das pessoas idosas.”



Assim, sob a Lei mosaica, a pessoa mais jovem não poderia ficar abaixada diante uma pessoa mais idosa. A Lei ordenava que ela ficasse em pé. Era um sinal de respeito. Sabemos que Jesus estava sujeito à Lei mosaica, conforme Gálatas 4:4. Portanto, Jesus não poderia ter ficado abaixado. Este é outro detalhe que contraria o contexto bíblico.

3. A ausência do homem adúltero

Mas, encontramos uma contradição maior ainda lendo Levítico, capítulo 20, versículo 10 – ou Deuteronômio, capítulo 22, versículos 22 ao 24, textos que prescrevem que tanto a mulher como também o homem adúltero deveriam ser trazidos às autoridades para serem apedrejados. Dizia a Lei mosaica: “Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.” – Levítico 20:10, ARA.

Onde está o homem na passagem da mulher adúltera? A mulher estava cometendo adultério sozinha? Levaram até Jesus uma mulher que, segundo o texto, foi apanhada cometendo adultério – foi pega no ato. Assim, tanto a mulher quanto o homem foram pegos no ato do adultério.

Porém, alguns dizem sobre isso que aqueles fariseus estavam simulando uma situação falsa para pôr Jesus à prova. Contudo, Jesus era um homem extremamente inteligente; e um homem perfeito. É óbvio que os fariseus não tentariam usar uma simulação tão pobre como essa. Jesus simplesmente iria expor essa situação. Portanto, a ausência do homem adúltero é outra contradição. Aquela mulher foi pega no flagrante ato de adultério. Não teria como alguém argumentar que o homem já se havia retirado.

Então, todos os detalhes mostram claramente que essa passagem de João 8:1-11 sobre a mulher adúltera não poderia fazer parte das Escrituras inspiradas. É um texto extremamente fora do contexto bíblico. A Bíblia na Linguagem de Hoje explica no pé da página: “Os versículos 1 a 11 não fazem parte do texto original grego.” A Bíblia Sagrada Edição Trilíngue (grego, inglês e português) afirma na nota de rodapé que que essa passagem não consta no Evangelho de João. A tradução de Almeida baseada nos melhores textos hebraicos e gregos (IBB) declara na nota de rodapé: “Na maior parte dos manuscritos antigos não consta este trecho de João 7.53 até 8.11.” Portanto, o apóstolo João não escreveu essa passagem. Trata-se evidentemente de um acréscimo à Palavra de Deus, que não faz parte dela.

Ademais, o Jesus da Bíblia não veio para “passar a mão na cabeça” de pecadores impenitentes. Porque o que esse texto dá a entender é que, ‘como todo mundo comete pecado, que atire a primeira pedra aquele que não tem pecado’. Com isso, as pessoas vivem fazendo uma série de coisas erradas, sempre jogando na conta do Jesus que supostamente desconsidera pecados graves. Mas o Jesus da Bíblia não gosta de coisas erradas. Se a pessoa for impenitente, se está sempre cometendo o mesmo pecado e debitando na conta do “atire a primeira pedra quem não tiver pecado”, é óbvio que o Jesus da Bíblia não tolera isso. Nem ele e nem o Deus que ele adora, que é Jeová, o Deus que o criou, que é o seu Pai.

Assim, que bom que esse texto realmente não faz parte da Bíblia! Porque, senão, os críticos da Bíblia poderiam achar erros grotescos e falhas na Palavra de Deus. Mas, conforme sabemos, a Palavra de Deus é perfeita. Ela é a verdade. (João 17:17) E, sendo a verdade, não poderia conter textos sem lógica e grotescos, como a passagem da mulher adúltera.

Veja também o artigo:




Explicação das siglas:

ARA: Almeida Revista e Atualizada.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.


Referências:


 ALVES, Ataulfo. “Atire a Primeira Pedra.” Letras. Disponível em: <https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/221907/>.
“Atire a Primeira Pedra.” Wikipedia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Atire_a_Primeira_Pedra>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Respondendo perguntas sobre a relação de Jesus e seu Pai (Parte 3)


Fonte: jw.org

Os dois artigos anteriores deram consideração às afirmações de um leitor sobre a relação entre Jesus e seu Pai.
Tal leitor levantou a questão sobre se chamar Jesus de “um deus” não seria politeísmo; sobre se Jesus seria da mesma substância que o seu Pai; sobre a questão de tanto Jeová quanto Jesus serem chamados de “Senhor” e de haver apenas “um só Senhor” (1 Coríntios 8:6); e também referente a quem é “o Alfa e o Ômega”. Estes assuntos foram considerados nos dois artigos precedentes. Se você não os leu, clique nos temas abaixo:
Este terceiro artigo desta série irá considerar as últimas afirmações do aludido leitor.

Textos que se referem a Jeová e que foram aplicados a Jesus Cristo
O citado leitor mencionou o texto do Salmo 102:24-27, que faz referência ao Pai, Jeová, mas que o escritor de Hebreus aplica ao Filho, Jesus Cristo. Vejamos o texto de Hebreus:
“Mas a respeito do Filho ele [Deus] diz [no Salmo 45:6, 7]: ‘Deus é o seu trono para todo o sempre, e o cetro do seu Reino é o cetro da retidão. O senhor amou a justiça e odiou o que é contra a lei. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.’ E [no Salmo 102:25-27]: ‘Ó Senhor, no princípio lançaste os alicerces da terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles deixarão de existir, mas tu permanecerás; eles se gastarão como uma roupa, e tu os enrolarás assim como a um manto, como a uma roupa, e eles serão trocados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca chegarão ao fim.’” – Hebreus 1:8-12.
Porém, textos aplicados ao Pai no Velho Testamento podem ser aplicados ao Filho no Novo Testamento, sem confundir a identidade de ambos. Veja o artigo Duas regras – uma falsa e uma verdadeira”  e “Uma regra bíblica desconsiderada pelos trinitaristas”
Além disso, observe que o escritor de Hebreus cita também o Salmo 45:6 e 7, onde o salmista fala de modo inspirado do Filho: “Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.” Conforme o texto torna claro, o Filho tem um Deus superior a ele. Portanto, textos aplicados previamente ao Pai e posteriormente aplicados ao Filho não provam que ambos tenham a mesma identidade nem que sejam coiguais.
Os anjos têm natureza divina?
O leitor mencionado nos dois artigos anteriores afirmou:
“O referido site [jw.org] alega que os anjos são divinos, o que não encontra respaldo bíblico. O fato de serem chamados de Elohim, já que essa palavra também se aplica a seres poderosos, não significa que sejam de natureza divina.”
A Bíblia chama os anjos de “os filhos de Deus”, expressão que em hebraico é beneí há-Elohim. Veja alguns dos textos em que essa expressão é aplicada aos anjos:
“Chegou o dia em que os filhos do verdadeiro Deus [“anjos”, NVI, O Livro; “servidores celestiais”, NTLH] foram apresentar-se perante Jeová, e Satanás também foi no meio deles.” – Jó 1:6.
“Depois disso, chegou o dia em que os filhos do verdadeiro Deus [“anjos”, NVI, O Livro; “servidores celestiais”, NTLH] foram apresentar-se perante Jeová, e Satanás também foi no meio deles para apresentar-se perante Jeová.” – Jó 2:1.
“Quando as estrelas da manhã juntas gritavam de alegria e todos os filhos de Deus [“anjos”, NVI, O Livro; “servidores celestiais”, NTLH] davam gritos de louvor?” – Jó 38:7.
“Os céus louvam as tuas maravilhas, ó Jeová, sim, a tua fidelidade na congregação dos santos. Pois quem nos céus pode ser comparado a Jeová? Quem entre os filhos de Deus [“anjos”, O Livro; “seres celestiais”, ARA, NAA, NTLH, NVI] é semelhante a Jeová?” – Salmo 89:5, 6.
A tradução grega Septuaginta (produzida antes de Cristo) usa ἄγγελοι (ággeloi, “anjos”) nas três passagens de Jó, citadas acima.



Gesenius’ Hebrew Grammar (“A Gramática Hebraica de Gesenius”, pág. 418, parágrafo 2), explica o significado dessa expressão bíblica. Esta obra afirma:
Há outro uso de ben- [“filho de”] ou beneí [“filhos de”] para denotar a qualidade de membro de uma corporação ou sociedade (ou de uma tribo ou de qualquer classe definida). Assim, beneí Elohím. [“filhos de Deus”] ou beneí há-Elohím [“filhos de O Deus”] Gênesis 6:2, 4, Jó 1:6; 2:1; 38:7 (compare também com beneí há-ElímSalmos 29:1; 89:7) significa corretamente, não filhos de deus(es), mas seres da classe de elohim ou elim. (Negrito acrescentado.)
E para comprovar esse raciocínio, a mesma Gramática explica que a expressão “filhos dos profetas (1 Reis 20:35) significa “pessoas pertencentes à corporação de profetas”; e que a expressão hebraica “o filho do perfumista” em Neemias 3:8 (Douay-Rheims; veja também AKJV, ARC) significa um da corporação dos perfumadores”. Em razão disso, diversas traduções vertem simplesmente por “perfumista” e a Bíblia Ave Maria verte por “da turma dos perfumistas”. A expressão hebraica é הָרַקָּחִים בֶּן- (ben- hā-raq-qā-îm).


O Léxico de Strong, referente à palavra hebraica ben (“filho”) mostra esse uso característico, afirmando:
“Filhos (como caracterização, isto é, filhos da injustiça [para homens injustos] ou filhos de Deus [para os anjos]).”
Um site intitulado Scholars’ gateway beta (“Portal dos estudiosos beta”) também reconhece este sentido de ben ao afirmar: “filho, membro de um grupo.”
Portanto, visto que a expressão “filhos dos profetas” refere-se a membros da corporação de profetas, e “o filho do perfumista” é um da corporação dos perfumadores”, segue logicamente que a expressão “os filhos de Deus” são “seres da classe de elohim ou elim”, seres divinos, por serem filhos de há-Elohim – “O Deus”, Jeová.
Em conformidade com isso, The Lexicon for the Old Testament Books (“Dicionário dos Livros do Velho Testamento”, de Koehler e Baumgartner, pág. 134, coluna 1, linhas 12 e 13, edição de 1961), afirma sobre a expressão beneí há-Elohim: “BENEI ELOHIM (individuaisseres divinos, deuses.”
O Salmo 8:5
Outra evidência de que os anjos são seres divinos – possuem divindade – encontra-se na comparação entre o Salmo 8:5 e a citação desse Salmo em Hebreus 2:7, em várias traduções.
“Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.” – ACF.
“Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste.” – ARIB.
Por que uma tradução verte por “anjos” e outra por “Deus”?
O texto hebraico é me'elohim (מֵאֱלֹהִים), literalmente “do que [os] deuses”. A Septuaginta traduz por γγλους (aggélous; “anjos”; Salmo 8:6). Em função disso, as traduções da Bíblia vertem de modo diverso. Algumas usam o substantivo “anjos”, a exemplo de ARC, O Livro, Ave Maria, Douay-Rheims, KJ e NASB. Outras usam o substantivo “Deus”, a exemplo de ARIB, SBB, NAA, ARA e TB.  Ainda outras vertem por “seres celestiais” (NVI), “divino” (Moffatt) e “seres divinos” (NM).
Na citação deste Salmo, o escritor de Hebreus usa o substantivo “anjos”. Diz o texto: “Tu o fizeste um pouco menor que os anjos; tu o coroaste de glória e honra, e deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos.” – Hebreus 2:7.
Portanto, os anjos têm natureza divina por serem filhos de Deus.

Siglas das traduções usadas:

ACF: Almeida Corrigida Fiel.
AKJV: American King James Version.
ARA: Almeida Revista e Atualizada.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
KJV: King James Version.
NAA: Nova Almeida Atualizada.
NASB: New American Standard Bible.
NM: Tradução do Novo Mundo.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
NVI: Nova Versão Internacional.
SBB: Sociedade Bíblica Britânica.
TB: Tradução Brasileira.


Referências:

A Sentinela. Parte 5 – De volta a João 1:1, 2. 1.º de abril de 1963, p. 218.

Ben. Blue Letter Bible. H1121 de Strong – ben. Disponível em:<https://www.blueletterbible.org/lang/lexicon/lexicon.cfm?t=kjv&strongs=h1121>.

Neemias 3:8. Ben- hā-raq-qā-îm. Scholars’ Gateway beta. Disponível em:<https://scholarsgateway.com/parse/>.

Salmo 8:5. Biblehub.com. Disponível em:<https://biblehub.com/text/nehemiah/3-8.htm>.

______. NIV. Disponível em:<https://www.biblegateway.com/>.

______. Qual a leitura correta do Salmo 8:5? Dúvida de leitores. Disponível em: <https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2015/08/21/qual-a-leitura-correta-do-salmo-85-duvida-de-leitores/>.

______. Septuaginta. (LXX). Academic-bible.com. The Scholarly Biblie Portal of the German Bible Society. Disponível em: <https://www.academic-bible.com/>.

Septuaginta (LXX). Academic-bible.com. The Scholarly Biblie Portal of the German Bible Society. Disponível em: <https://www.academic-bible.com/>.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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domingo, 23 de dezembro de 2018

Respondendo perguntas sobre a relação de Jesus e seu Pai (Parte 2)



Fonte:  jw.org


No artigo anterior, foram apresentados os argumentos de um leitor a respeito do conceito dele referente à relação entre Jesus e o Pai Dele. (Queira ler o artigo neste link.) Parte dos argumentos do referido leitor foram considerados no artigo anterior. Neste artigo, será dada continuidade à consideração dos argumentos dele.

O mencionado leitor afirmou:

“Poderíamos citar ainda a grande celeuma que é dizer que Jesus Cristo é o Senhor quando Deuteronômio 6:4 diz que apenas Jeová é o Senhor. Ou ainda os textos do Apocalipse, que chamam Jesus e Jeová de Alfa e Ômega.”


Quem é o Senhor?

Na realidade, o texto de Deuteronômio 6:4, citado pelo referenciado leitor, não afirma que “apenas Jeová é o Senhor”. De fato, como um leitor do artigo anterior trouxe à tona em seu comentário, o texto afirma, literalmente: “Escute, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová.” 

Texto literal hebraico, lido da direita para a esquerda. 

No entanto, há textos que usam o título “Senhor” para Jeová, ao passo que 1 Coríntios 8:6 afirma que “há um só Senhor, Jesus Cristo”. Contudo, quanto ao senhorio de Jesus, isto não conflita com o senhorio de Jeová, pois a Bíblia explica em que sentido Jesus é Senhor: “Há um só Senhor, Jesus Cristo, POR MEIO DE QUEM são todas as coisas.” (1 Coríntios 8:6) Como intermediário, ou mediador, ou meio, somente Jesus é Senhor. (João 14:6; 1 Timóteo 2:5) O Pai é Senhor como Fonte, Origem, de todas as coisas.

Quem é “o Alfa e o Ômega”?

Com relação aos textos do Apocalipse referentes ao “Alfa e o Ômega”, um estudo dessas passagens mostra que tal título é aplicado somente a Jeová. Veja os artigos abaixo:





O artigo seguinte dará consideração às demais alegações do aludido leitor.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Respondendo perguntas sobre a relação entre Jesus e seu Pai (Parte 1)


Fonte: jw.org
Um leitor teceu o seguinte comentário:
Graça e paz, apologista da verdade.
Mais uma vez gostaria de parabenizá-lo pelo excelente site e conteúdo bíblico disponível. Lhe escrevi anteriormente sobre alguns artigos expostos em seu site sobre a divindade de Jesus. Observei que, no seu artigo sobre Romanos 9:5, você afirmou que as Testemunhas de Jeová acreditam na divindade de Jesus:
“Em razão disso, as Testemunhas de Jeová reconhecem e aceitam abertamente a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.[2] No entanto, a divindade de Cristo não pressupõe a igualdade dele com seu Pai, Jeová.”
Nos artigos sobre João 1:18, você defende a ideia de que Jesus deve ser chamado “deus unigênito” baseado em textos mais antigos. Diante disso, fica a pergunta clássica: as Testemunhas de Jeová creem em mais de um deus? 
    Nos e-mails anteriores citei que, nos episódios de Moisés, o termo “deus” foi usado no sentido de que, para Faraó, ele teria os poderes de Jeová outorgados por Este. Ou seja, para o soberano do Egito Moisés seria considerado um deus. Os juízes iníquos são chamados de deuses porque agiam como tais para com o povo, assim como o diabo é chamado de deus deste século (2 Coríntios 4:4) por sua dominação sobre os iníquos.
Porém, no caso de Jesus, considerá-lo como um deus poderoso não seria uma enorme heresia? Esqueçamos por um momento a doutrina da Trindade. Sabemos que o Pai é superior ao Filho e, mesmo considerando o Filho, Jesus Cristo, como o primeiro ser criado, não seria mais lógico acreditar que Jesus é divino da mesma substância do Pai? Poderíamos citar ainda a grande celeuma que é dizer que Jesus Cristo é o Senhor quando Deuteronômio 6:4 diz que apenas Jeová é o Senhor. Ou ainda os textos do Apocalipse, que chamam Jesus e Jeová de Alfa e Ômega. 
Citando um último trecho de Hebreus 1, extraído do site jw.org: 
 “Mas a respeito do Filho ele diz: ‘Deus é o seu trono para todo o sempre, e o cetro do seu Reino é o cetro da retidão. O senhor amou a justiça e odiou o que é contra a lei. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.’ E: ‘Ó Senhor, no princípio lançaste os alicerces da terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles deixarão de existir, mas tu permanecerás; eles se gastarão como uma roupa, e tu os enrolarás assim como a um manto, como a uma roupa, e eles serão trocados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca chegarão ao fim.’”
Eis a confusão: esse texto é extraído do Salmo Salmos 102:24-27. Vemos claramente que esse trecho se refere claramente a Deus, e o autor de Hebreus o aplica a Jesus. Mais uma vez não seria mais óbvio se crer que Jesus e o Pai são da mesma essência, ou seja, consubstanciais, mesmo não se admitindo sua igualdade, ao invés de se afirmar que Jesus é divino, um deus à parte? 
OBS: o referido site alega que os anjos são divinos o que não encontra respaldo bíblico. O fato de serem chamados de Elohim, já que essa palavra também se aplica a seres poderosos, não significa que sejam de natureza divina.
Resposta:
As Testemunhas de Jeová, assim como outros grupos religiosos unitários, são monoteístas, como o eram os judeus pré-cristãos e os cristãos do primeiro século. Assim, reconhecem que “há um só Deus, o Pai” que é Todo-Poderoso, Supremo e merece a adoração exclusiva. – 1 Coríntios 8:6.
Por outro lado, reconhecer a divindade de Jesus não é politeísmo. O artigo Ser Jesus chamado de Deus prova que ele é coigual ao Pai?”, no subtítulo “Em que sentido Jesus é ‘Deus’?”, explicou:
Os que foram aludidos como “Deus” sem conotação adorativa e de modo aprovativo (Moisés e os anjos) o foram por serem representantes de Deus, tendo recebido poder e autoridade da parte dele. No caso dos anjos, foram chamados de elohim também por terem natureza divina. Assim sendo, tendo em vista que o Filho é o maior representante de Deus (sendo o Lógos – o “Verbo”) e tem natureza divina, ele pode corretamente e com muito mais propriedade ser chamado de “Deus” sem ser, contudo, o Deus Todo-Poderoso.

Portanto, tendo em vista o uso que a Bíblia faz do termo “Deus”, não é politeísmo aceitar a divindade de Cristo e sua limitação de poder, autoridade e tempo de existência em relação a seu Deus e Pai, Jeová.
O Filho é da mesma substância que o Pai?
A questão sobre Jesus ser “da mesma substância” (do grego homoousia) que seu Pai gerou uma discussão acirrada no quarto século, que encontrou o seu clímax no Concílio de Niceia, em 325 EC. Dois teólogos, Atanásio e Alexandre, afirmavam que o Filho era da mesma substância, ou essência (homoousios) que o Pai, sendo coiguais, sendo um só Deus. Por outro lado, o teólogo Ário negava a teoria da consubstancialidade entre o Pai e o Filho, sustentando que o Filho foi criado, teve princípio, e que somente o Pai era incriado.
De onde surgiu a teoria da “mesma substância”? A Encyclopœdia Britannica declara: 
A teologia cristã tomou a metafísica [filosofia] neoplatônica da substância, bem como a sua doutrina da hipóstases [essência ou natureza] como ponto de partida para interpretar o relacionamento do “Pai” com o “Filho”.
[…]
Desde o início, a controvérsia entre ambas as partes [em Niceia] se deu sobre a base comum do conceito neoplatônico de substância, estranho ao próprio Novo Testamento. Não é de admirar que o prosseguimento da disputa sobre a base da metafísica da substância conduzisse igualmente a conceitos que não encontram respaldo no Novo Testamento. (Negrito acrescentado.)

Em adição, note como a Nova Enciclopédia Católica (em inglês) explica a teoria da mesma substância, sob o verbete “Consubstancialidade”: 
A consubstancialidade definida pelo [Concílio] de Nicéia I [325 E. C.], portanto, …  afirma essencialmente que o Filho é igual ao Pai, é tão divino como o Pai, sendo de Sua substância e da mesma substância que Ele; segue-se daí, necessariamente; que o Filho não pode pertencer ao que foi criado . . . Por causa da absoluta unicidade, união e simplicidade de Deus, a identidade da substância não é apenas específica [como no caso dos humanos, que têm em comum a natureza humana], mas absoluta ou numérica. (Negrito acrescentado.)

Curiosamente, a trindade do budismo chinês é descrita de um modo quase idêntico ao conceito trinitário. A obra Origin and Evolution of Religion (“Origem e Evolução da Religião”, p. 348) declara:

Os Três estão todos incluídos numa única essência substancial. Os três são iguais a um; não um, e ainda assim não diferentes; sem partes nem composição. Quando consideradas como uma só, fala-se das três pessoas como sendo o Perfeito (Tatagata). Não há nenhuma diferença real [entre as três pessoas da trindade]; são manifestações, aspectos diferentes da mesma substância imutável.

Assim, o conceito de o Pai e o Filho terem a mesma substância se ancora na filosofia grega de Platão, e não nas Escrituras.
O Padre Marcelo Chelles, em sua oitava aula de Cristologia, comenta o seguinte sobre Ário:

[…] a partir de 318, começou a ensinar a subordinação do Verbo ao Pai, retomando assim a posição de autores anteriores; dizia: “Deus nem sempre foi Pai; houve um tempo em que era somente Deus.., O Verbo de Deus foi feito a partir do nada; houve um tempo em que ele não existia” (Fragmenta ex Thalia em Enchiridion Patristicum n°s 648s). O Verbo é a primeira e mais digna criatura do Pai. (Negrito acrescentado.)[1]

Embora as Testemunhas de Jeová não sejam arianas, reconhecem que Ário estava biblicamente correto em defender a subordinação do Verbo (Jesus Cristo) ao Pai. – João 14:28; 1 Coríntios 15:27, 28.
Sobre a teoria da consubstancialidade, note o que Isaac Newton declarou:

Homoousion [a doutrina pela qual o Filho é da mesma substância que o Pai] é ininteligível. Não foi entendido no Concílio de Nicéia, nem desde então. O que não pode ser entendido, não é objeto de crença.[2]

Portanto, o conceito da “mesma substância” entre o Pai e o Filho não tem respaldo bíblico.

As demais questões levantadas pelo citado leitor serão consideradas em um futuro artigo.


Notas:

[1] O SÉCULO QUARTO NICÉIA I (325) e CONSTANTINOPLA I (381). Disponível em:< http://www.pnsassuncao.org.br/images/curso-de-teologia/iii-semestre/viii-cristologia-pe-marcelo.pdf>.

[2] Sir Isaac Newton Theological Manuscripts, p. 17. Apud revista “A Sentinela” de 15 de outubro de 1977, p. 628: Isaac Newton em busca de Deus.


Referências:

CHELLES, Marcelo. O SÉCULO QUARTO NICÉIA I (325) e CONSTANTINOPLA I (381). Disponível em:< http://www.pnsassuncao.org.br/images/curso-de-teologia/iii-semestre/viii-cristologia-pe-marcelo.pdf>.

Sir Isaac Newton Theological Manuscripts, p. 17. Apud revista “A Sentinela” de 15 de outubro de 1977, p. 628: Isaac Newton em busca de Deus.



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