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domingo, 12 de dezembro de 2021

Mateus 28:19 ocorre no texto original?

Fonte: jw.org 

Um leitor comentou:

Mateus 28:19 é muito citado pelos trinitários. Os unitaristas alegam que a frase “em nome do Pai e do Filho e do espírito santo” é espúria ... Haverá um post sobre isso? Saudações! Bençãos!

Resposta:

O que leva alguns a questionar a autenticidade de Mateus 28:19 são os motivos alistados abaixo:

1) Alguns unitários creem que esse texto apoia a doutrina da Trindade e, por isso, questionam a sua canonicidade;

2) Outros estudiosos das Escrituras acham que o batismo em nome do Pai, do Filho e do espírito santo contradiz passagens bíblicas posteriores, que falam de batizar em nome  de Jesus.

Em primeiro lugar, vejamos se o referido  texto está bem documentado historicamente. 

Existe base documental para Mateus 28:19?

Matheus Cardoso, formado em Teologia, declarou:

As palavras “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” aparecem também em todas as traduções antigas do evangelho de Mateus ou do Novo Testamento completo, tais como a Peshitta Siríaca, a Vulgata latina, a Copta e as versões eslovacas. É interessante observar que os cristãos sírios e coptas (que possuíam sua própria tradução do Novo Testamento) não estavam ligados à Igreja Católica Romana, mas aceitavam essa passagem bíblica como autêntica. Após analisar esses fatos, um estudioso afirmou: “É incrível que uma interpolação desse caráter tenha sido feita no texto de Mateus sem deixar qualquer traço de sua inautenticidade em um simples manuscrito ou versão [tradução]. A evidência de sua genuinidade é esmagadora.”

[…]

Os documentos históricos, no entanto, mostram que todas as vezes em que os antigos escritores cristãos se referiam a Mateus 28:19, eles citavam as palavras “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Os exemplos incluem a Didaquê, um manual doutrinário para candidatos ao batismo, produzido entre 70 e 100 d.C.; Inácio de Antioquia (50-110 d.C.); Justino Mártir (100-165 d.C.); Taciano, o Sírio (120-180 d.C.); Irineu de Lyon (130-200 d.C.); Tertuliano de Cartago (150-220 d.C.); Hipólito de Roma (170-235 d.C.); Orígenes (185-253 d.C.); Cipriano (morreu em 258 d.C.); Dionísio de Alexandria (morreu em 265 d.C.); Vitorino de Pettau (morreu em 303 d.C.) e os autores do Tratado Contra o Herege Novaciano e do Tratado Sobre o Rebatismo.[1]

O autor supracitado cita a obra conhecida como Didaquê. Sobre este interessante documento antigo, o especialista em hebraico e grego, Rubens D. Oliveira, comenta o seguinte:

Uma das mais antigas declarações não-bíblicas da fé cristã encontra-se num livro de 16 capítulos curtos, conhecido como O Didaquê, ou O Ensino dos Doze Apóstolos. Alguns historiadores datam-no de antes do ano 100 EC ou por volta disto. O autor é desconhecido. (The Apostolic Fathers, Volume 3, de Robert A. Kraft, 1965, página 163.)

[…]

O Didaquê trata de coisas que as pessoas precisavam saber para se tornar cristãos. No capítulo 7, ele prescreve o batismo “no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, as mesmas palavras usadas por Jesus em Mateus 28:19. Mas nada diz sobre os três serem iguais em eternidade, poder, posição e sabedoria. No capítulo 10, O Didaquê inclui a seguinte confissão de fé em forma de oração:

“Agradecemos-te, Santo Pai, por teu Nome santo que fizeste residir em nossos corações; e pelo conhecimento, e fé, e imortalidade, que nos revelaste por meio de Jesus, teu Servo. Glória a ti para sempre! Tu, Todo-Poderoso Amo, criaste tudo pela causa do teu Nome. . . . E a nós tens dado graciosamente alimento e bebida espirituais, e vida eterna por intermédio de Jesus, teu Servo.”[2] 

Observe o leitor como inicia o capítulo VII, verso 1, do Didaquê:

1. Περὶ δὲ τοῦ βαπτίσματος, οὕτω βαπτίσατε· ταῦτα πάντα προειπόντες, βαπτίσατε εἰς τὸ ὄνομα τοῦ πατρὸς καὶ τοῦ υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου πνεύματος ἐν ὕδατι ζῶντι.

1. Acerca do batismo, assim batizai: todas estas coisas tendo sido preditas, batizai em o nome do Pai e do Filho e do espírito santo em água viva [água corrente]. 

O Didaquê, do 1.º século da Era Cristã, comprova que Mateus 28:19 é uma passagem autêntica.

Mateus 28:19 e suas implicações teológicas

Portanto, existe suficiente documentação história para corroborar a canonicidade de Mateus 28:19. Vejamos agora as objeções a esta passagem citadas no início deste artigo: 

Mateus 28:19 apoia a doutrina da Trindade?

O artigo “Mateus 28:19 apoia a Trindade?” teceu as seguintes observações:

O texto não diz que os três são Pessoas, não diz que fazem parte de uma só Divindade, nem que são iguais entre si em poder, autoridade e eternidade. A fraseologia do texto não permite pressupor ou inferir tais informações que não estão contidas nele – de fato, não o estão em parte alguma da Bíblia. Por exemplo, a Bíblia menciona Abraão, Isaque e Jacó juntos várias vezes, assim como também Pedro, Tiago e João, mas isso não significa que os mencionados nesses grupos de três fossem iguais entre si, tendo o mesmo poder, autoridade e tempo de existência. (Êxodo 2:24; 3:16; 2 Reis 13:23; Mateus 17:1; Marcos 5:37; 14:33) Do mesmo modo, a menção de ‘Pai, Filho e espírito santo’ não estabelece a relação deles entre si.

Ou seja, a doutrina da Trindade não significa a mera menção de “Pai, Filho e Espírito Santo”. Tal doutrina afirma a pessoalidade destes três, bem como a sua coigualdade. Porém, Mateus 28:19 não afirma que os três citados sejam Pessoas, e nem diz que são coiguais.

O referido artigo ainda acrescentou:

Com relação à palavra “nome” (grego ónoma), deve-se salientar que nesse texto ela não tem o sentido de nome próprio, pessoal. De fato, se esse fosse o caso, o texto seria contraditório e um golpe contra a Trindade. Pois, na questão de nome pessoal, o Pai tem essa identificação: seu nome é Jeová. (Salmo 83:18) O Filho também tem tal identificação: seu nome é Jesus Cristo. (Mateus 1:1) No entanto, o espírito santo não tem nome pessoal na Bíblia. “Espírito santo” não é nome pessoal; é um termo descritivo. Deus, o Pai, é Espírito, e é santo. (João 4:24; 17:11)  Portanto, ele é um espírito santo pessoal. Jesus, o Filho, também é espírito, e é santo. (1 Pedro 3:18; João 6:69) Os anjos de Deus são todos espíritos, e são santos. (Hebreus 1:7; Marcos 8:38) Assim, todos esses são espíritos santos pessoais. Para que o “espírito santo” seja uma pessoa, ele teria de ter um nome pessoal para distingui-lo dos demais espíritos santos pessoais que existem. Mas, falta-lhe tal identificação como pessoa. Uma vez que, na Bíblia, a palavra “espírito” é polissêmica, isto é, tem vários significados (dos seis significados, cinco se referem a coisas impessoais[3]), tal ausência de identidade pessoal coloca o espírito santo coerentemente como algo impessoal, que outras passagens tornam claro ser a força procedente de Deus, que Ele usa para realizar Sua vontade. 

O batismo em nome do Pai, do Filho e do espírito santo contradiz o batismo em nome de Jesus?

Sobre esta questão, observe o que declarou o artigo “Batismo em nome de quem?”:

Os textos bíblicos envolvidos tornam claro que essa menção diferente ocorre devido ao realce que os discípulos deram ao papel de Jesus em perdoar os pecados da humanidade obediente. 

Vemos isso em Atos 2:38: “Cada um de vós seja batizado no nome de Jesus Cristo, para o perdão de vossos pecados.” Consoante a isso, lemos em Atos 10:43: “Dele é que todos os profetas dão testemunho, de que todo aquele que deposita fé nele recebe perdão de pecados por intermédio de seu nome.” Ademais, Atos 22:16 declara: “Levanta-te, sê batizado e lava os teus pecados por invocares o seu nome [o nome de Jesus Cristo].” Por fim, 1 João 2:12 afirma: “Os vossos pecados vos têm sido perdoados por causa do seu nome [o nome de Jesus Cristo].” 

Outro aspecto a considerar é que a maioria das pessoas da época – em especial os judeus, os primeiros a receber o testemunho cristão - estava familiarizada com a Pessoa e o nome de Deus, e também com a existência do espírito santo, mas Jesus Cristo era um elemento novo no propósito de Deus. (Êxodo 3:15; Salmo 51:11) O relato de Atos 19:4, 5 confirma isso – mostra que o apóstolo Paulo teve que fazer uma explicação acerca do batismo: “Paulo disse: ‘João batizava com o batismo em símbolo de arrependimento, dizendo ao povo que cressem naquele que vinha após ele, isto é, em Jesus.’ Ouvindo isso, foram batizados no nome do Senhor Jesus.”

Portanto, o texto de Mateus 28:19 está abalizado pela prova documental e contextual, o que comprova que faz parte da inteira Palavra de Deus.


Notas:

[1] Perguntas. Mateus 28:19 – falso ou autêntico? Cristianismo.com.br. Terça-feira, 14 set, 2010. Disponível em: <http://www.perguntas.criacionismo.com.br/2010/09/mateus-2819-falso-ou-autentico.html>. 

[2] OLIVEIRA, Rubens D. “Mateus 28:19 ‘batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo’ inspirado por Deus ou adulteração posterior?”. Tradução do Novo Mundo Defendida. 3 ago 2014. Disponível em: <https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2014/08/03/mateus-2819-batizando-as-em-o-nome-do-pai-e-do-filho-e-do-espirito-santo-inspirado-por-deus-ou-adulteracao-posterior/>.

Crédito da foto do Didaquê: Tradução do Novo Mundo Defendida. Disponível em: <https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2018/09/23/o-didaque-1o-sec-grego-portugues/>. 


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

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