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domingo, 4 de setembro de 2022

As Cidades de Refúgio – Um Tipo Profético?



                                         Contribuído por Cristão Antitípico.

Você acredita que a Bíblia é inteiramente inspirada por Deus? Durante meu ministério de casa em casa e nas ruas já encontrei várias vezes pessoas que disseram: “Eu acredito na Bíblia, acredito que seja inspirada por Deus, a palavra de Deus”. Então eu por vezes perguntava:

·       “Você acredita que Adão e Eva foram personagens históricos que existiram há uns 6 mil anos?”;

·   “Você acredita no relato bíblico do Dilúvio e da arca de Noé?”;

·       “Você acredita que as profecias da Bíblia estão se cumprindo atualmente?”

Em geral, as pessoas dizem acreditar que as profecias da Bíblia se cumprem atualmente, pelo menos algumas. Mas dizem não acreditar no relato do Dilúvio nem no relato de Adão e Eva e da criação; defendem que a arca de Noé, Adão e Eva são lendas.

Vemos um exemplo disso no instituto BioLogos. Esse instituto foi fundado por um dos principais biólogos do mundo, Francis Collins, um evolucionista que se autointitula cristão. No que se refere ao Dilúvio e à arca de Noé, o instituto declara oficialmente:

A evidência científica e histórica é agora clara: nunca houve uma inundação global que cobria toda a terra, nem todos os animais modernos e os humanos descendem dos passageiros de uma única embarcação.[1]

O instituto não acredita na historicidade do Dilúvio, de Noé, nem de Adão e Eva, nem no relato da criação. Segundo BioLogos, o Dilúvio é apenas uma história fictícia para ensinar lições morais: alguma coisa aconteceu, mas não um Dilúvio global. O curioso nisto é que, se qualquer membro do instituto for questionado: “Você acredita na Bíblia como palavra de Deus?”, jurará de pés juntos que sim, e ficará furioso se alguém o acusar de não crer na Bíblia. A verdade nua e crua, contudo, é esta: se você não acredita na historicidade do Dilúvio e de Adão e Eva, você não acredita em Jesus Cristo e nem na Bíblia. Esta é uma das implicações de “defender lealmente a Bíblia como palavra de Deus” – um dos pilares do verdadeiro cristianismo.

Outra implicação de “defender lealmente a Bíblia como palavra de Deus” é crer que cada relato nas Escrituras Hebraicas é inspirado e que cada relato especial aponta para o Cristo, além de crer que cada nuance e sutileza no texto original seja relevante. Isto significa que os relatos veterotestamentários não foram incluídos no cânon apenas para nos dar um quadro geral dos atributos de Deus, mas que são ricos em detalhes e possuem caráter profético tipificado. Um exemplo disso são as cidades de refúgio.

O que eram as cidades de refúgio?

Na lei de Deus a Israel, se alguém acidentalmente matasse outra pessoa, não receberia pena de morte. Havia o arranjo das 6 cidades de refúgio. (Leia Números 35:14-28.)

Moisés designou 3 dessas cidades:

1.           Bezer (primariamente para a tribo de Rubem);

2.           Ramote (ou Ramote-Gileade, no território de Gade);

3.           Golã (território de Manassés);[2]

Depois de entrar na terra da promessa, Josué designou mais 3 cidades:

1.           Hebrom (território de Judá);

2.           Siquém (região de Efraim);

3.   Quedes (território de Naftali, mais tarde conhecido como “Galileia”.);[3]

O homicida acidental teria de ir até uma dessas cidades buscar refúgio. Para impedir que assassinos se aproveitassem dessa provisão, o fugitivo tinha de ser julgado na cidade onde ocorreu o homicídio culposo a fim de provar a ausência de dolo ou mesmo dolo eventual. Se o homicídio fosse culposo, o réu retornava à cidade de refúgio, onde tinha de permanecer pelo resto da vida, ou até a morte do sumo sacerdote. — Números 35:6, 11-15, 22-29; Josué 20:2-8.

Ir para uma cidade de refúgio envolvia alguns sacrifícios. A pessoa tinha que deixar para trás seu emprego e os confortos da sua casa. Ela não podia sair da cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote. Enquanto estivesse na cidade, o fugitivo tinha a proteção de Jeová. A cidade de refúgio, entretanto, não era uma prisão, pois a vida era significativa para as pessoas lá vivendo. O cidadão podia trabalhar e levar uma vida praticamente normal, apenas não poderia sair da cidade.

Nesse ínterim, havia o arranjo do vingador de sangue, o qual podia executar o homicida acidental que fosse achado fora dos limites da cidade. Este foi o arranjo de Jeová.

Visto que não há nenhuma relação lógica entre um homicídio culposo, a morte do sumo sacerdote, um vingador de sangue e uma cidade de refúgio, muitos talvez se questionem por que um arranjo tão arquitetado foi colocado nas Escrituras Sagradas. Afinal, seria muito mais simples e prático se aquele que cometeu um homicídio culposo fosse julgado pelos anciãos, libertado e talvez obrigado a pagar uma indenização. O arranjo divino do vingador de sangue mostra que esse relato nada nos ensina sobre a misericórdia de Jeová. Portanto, não é um relato do qual possamos catar lições morais.

Realmente, esse arranjo foi arquitetado demais para ser meramente legalista e para nos ensinar apenas “lições morais” que “nos lembram” da misericórdia de Deus. Portanto, ele deve ser um tipo profético da proteção que a antitípica cidade de refúgio – o resgate de Cristo – proporciona ao pecador. Cristo é o verdadeiro sumo sacerdote que, ao morrer, libertou o pecador da morte.

Alguns falsos instrutores talvez ensinem que a Bíblia não fala que as cidades de refúgio eram tipos, ou símbolos, de alguma coisa’, e que elas apenas nos ensinam que Deus é misericordioso e que a vida é valiosa, e que podemos nos concentrar apenas em “lições” que aprendemos de tal arranjo.

No entanto, isso é fundamentalmente falso; e olhar para as cidades de refúgio de uma perspectiva puramente ética ou moralista é uma heresia, é uma rejeição da inspiração da Bíblia tão grande quanto negar que Adão e Eva existiram. Os instrutores que introduziram esta heresia devem ser removidos da congregação. (Tito 3:10) Provarei por quê.

O que representam?

Visivelmente há elementos tipológicos na cidade de refúgio e há suficiente base bíblica para concluirmos isso. Veremos 3 motivos disso:

1. As Escrituras ensinam que “. . . a Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras, mas não a própria substância das coisas. . .” (Hebreus 10:1) A palavra “Lei” refere-se aos escritos de Moisés, que incluem os 5 primeiros livros da Bíblia, que é onde Deus designou as cidades de refúgio. Portanto, as cidades de refúgio possuem “uma sombra das boas coisas vindouras” em Cristo porque estão incluídas “na Lei”.

2. O escritor de Hebreus fez uma referência indireta às cidades de refúgio quando escreveu sobre o sacrifício de Jesus Cristo: . . . a fim de que, por meio dessas duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, nós, que fugimos para o refúgio, recebamos forte encorajamento para nos apegar firmemente à esperança que nos é apresentada.” (Hebreus 6:18) Portanto, é falsa a alegação de que “a Bíblia não fala que elas eram tipos, ou símbolos, de alguma coisa.”

3. O sumo sacerdote era o personagem principal no arranjo das cidades de refúgio, pois sua morte era a catarse do inteiro arranjo. A Bíblia diz que o sumo sacerdote é um tipo de Jesus Cristo. (Hebreus 9:7-11) Portanto, é inconsistente dizer que o sumo sacerdote da cidade representa o Cristo, mas que a cidade só nos ensina “lições”;

Assim como as cidades de refúgio serviam de proteção para o homicida não intencional, o resgate de Jesus Cristo nos protege do pecado e da morte. Se nos afastarmos do resgate de Jesus, estaremos a mercê da morte, conforme acontecia no caso do vingador de sangue. Do mesmo modo que a morte do sumo sacerdote libertava o cidadão da cidade de refúgio, a morte do antitípico sumo sacerdote, Jesus Cristo, nos liberta de nossos pecados. Todos esses detalhes são tipológicos e é estarrecedor que um ensino tão claro nas Escrituras Sagradas seja substituído por lições morais triviais.

O entendimento tipológico é muito relevante porque nos dá confiança de que as Escrituras são realmente inspiradas por Jeová e nos dá esperança para permanecermos no resgate de Jesus Cristo, pois significa vida para nós assim como significava vida para aqueles que nas cidades residiam.


Notas:

[1] Disponível em: <https://biologos.org/common-questions/how-should-we-interpret-the-genesis-flood-account/>.

[2] Deuteronômio 4:43 e Josué 21:27, 36, 38.

[3] Josué 21:13, 21, 32.

 

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 

 


2 comentários:

  1. Impressionante como ainda há falsos instrutores que NEGAM a palavra de Deus como sendo viva! Impressionante como usam o poder de persuasão para desencaminhar os sinceros de coração... Lobos em pele de ovelha! Irão pagar amargamente!

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  2. Muito instrutivo esse estudo. Realmente, fortaleceu minha confiança na inspiração da bíblia.

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