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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Os “Dez Mandamentos” com seu sábado semanal devem ser guardados pelos cristãos? – Parte 4

Fonte da ilustração:
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1102012143

O Decálogo não foi dado antes de Moisés

Os sabatistas[1] afirmam que, segundo o livro de Gênesis, o sábado foi estabelecido como lei para o ser humano na Criação, quando só havia Adão e Eva. Contudo, o texto de Gênesis 2:2 e 3 apenas declara o que DEUS fez após a criação. É a declaração de um fato e não uma ordem ao ser humano. Além disso, os “dias” da Criação não são de 24 horas, por motivos bíblicos e científicos. Se fossem dias de 24 horas, tendo literais “noitinha” e “manhã”, como explicar que a divisão de “noite” e “dia” só ocorreu no quarto “dia” criativo? Que dizer dos três dias anteriores? (Gênesis 1:5, 8, 13, 14-19) É claro que o “sétimo dia” de Deus, assim como os seis anteriores, são longos períodos de tempo.[2]

Ademais, Adão não poderia ter recebido o Decálogo quando estava sozinho no Paraíso, pois ele não tinha pai e mãe para honrar (5.º mandamento), não tinha como assassinar alguém (6.º mandamento), nem como cometer adultério (7.º), ou dar falso testemunho (8.º). A Bíblia não faz nenhuma menção de Adão e Eva no jardim do Éden guardarem um sábado semanal. Evidência de que nenhuma guarda de sábado semanal foi dada antes da Lei mosaica[3] está no completo silêncio sobre isso nos 2.500 anos que ocorreram entre Adão e Moisés.

É óbvio que, durante esse período, havia leis, entre as quais estavam a lei da união conjugal permanente (Gênesis 2:24), dos direitos de posse (Gênesis 2:17; 21:25, 30), da santidade da vida e do sangue (Gênesis 9:3-6), da circuncisão (Gênesis 17:11, 12), lei da chefia (Gênesis 18:12), da primazia do primogênito (Gênesis 48:22; 25:5, 6), da responsabilidade familiar (Gênesis 31:30-32), da propriedade comunal (Gênesis 31:14-16), da custódia (Gênesis 37:21, 22, 29, 30), e contra a imoralidade sexual (Gênesis 38:24-26; 34:7), para se mencionar algumas. São conhecidas como leis patriarcais, devido ao período em que coexistiram. Isso explica por que a Bíblia menciona que Abraão observou certas “ordens”, “estatutos” e “leis” de Deus. (Gênesis 26:5) No entanto, em parte alguma a Bíblia menciona que ele guardava um sábado semanal. Se Abraão tivesse tanto a Lei (que incluía a guarda do sábado semanal) como a promessa, como explicar que Gálatas 3:17 afirma que a Lei só veio a existir 430 anos DEPOIS da promessa feita a Abraão, e que o versículo 19 afirma que tal Lei foi “acrescentada” à promessa?

Nenhum relato antes de Êxodo, capítulo 16, fala sobre a guarda do sábado, mas fala sobre aspectos da chamada “lei cerimonial”. É interessante que encontramos observância da oferta de sacrifícios (a chamada “lei cerimonial”) nos tempos patriarcais antes de Moisés, conforme os textos abaixo:

Gênesis 4:3, 4a: “E sucedeu, ao fim de algum tempo, que Caim passou a trazer alguns frutos do solo como oferenda a Jeová. Mas, quanto a Abel, ele também trouxe dos primogênitos do seu rebanho, sim, dos seus pedaços gordos.”

Gênesis 8:20: “E Noé começou a construir um altar a Jeová e a tomar alguns de todos os animais limpos, e de todas as criaturas voadoras limpas, e a fazer ofertas queimadas sobre o altar."

Gênesis 15:9, 10: “Ele [Jeová] lhe disse [a Abrão], por sua vez: ‘Toma para mim uma novilha de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, e uma rola e um pombinho.’ De modo que tomou todos estes e os cortou pelo meio, e pôs cada parte deles para corresponder à outra, mas as aves não cortou em pedaços.” (Essa instrução posteriormente veio a fazer parte do pacto da Lei, conforme Levítico 1:14-17.)

Gênesis 35:14: “Jacó, por conseguinte, colocou uma coluna no lugar onde falara com ele, uma coluna de pedra, e derramou sobre ela uma oferta de bebida e despejou óleo sobre ela.”

Outra lei que tem sido classificada pelos sabatistas como “lei cerimonial” ou como tendo aspecto apenas social é a do casamento levirato (casamento de cunhado), a qual também é encontrada nos tempos patriarcais. Gênesis 38:8 nos informa: “Em vista disso, Judá disse a Onã: ‘Tem relações com a esposa de teu irmão e realiza um casamento de cunhado com ela, e suscita descendência para teu irmão.’” (O casamento de cunhado foi incluído no código da Lei dada a Israel, em Deuteronômio 25:5, 6.)

Alguns aspectos do Decálogo evidentemente existiam nas leis patriarcais pré-mosaicas. Por exemplo, leis contra a idolatria, que asseguravam a devoção exclusiva a Jeová (Gênesis 35:1, 2). A respeito do quarto e terceiro milênios AEC, a Bíblia relata: “Naquele tempo se principiou a invocar o nome de Jeová.” (Gênesis 4:26) Visto que o nome de Jeová já era invocado desde os primórdios da História humana (Gênesis 4:1), essa referida ‘invocação’ só pode ter um sentido desrespeitoso. O Targum de Jerusalém diz: “Essa foi a geração em cujos dias começaram a errar, e a fazer para si mesmos ídolos, e deram sobrenomes a seus ídolos conforme o nome da Palavra do Senhor.” (Apud Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, p. 813, publicado pelas Testemunhas de Jeová.) Tratava-se evidentemente de usar o nome de Deus, Jeová, em vão. E o registro desse acontecimento, que chegou até Moisés, o escritor de Gênesis, indica que a humanidade de então conhecia o princípio de que nome divino é sagrado e que deve ser tratado com total respeito. Embora não tivessem recebido nenhuma lei para guardar um dia especifico da semana, esses fiéis patriarcas também tiravam tempo para coisas espirituais, como se pode inferir de Gênesis 12:7, 8; 18:19.

O respeito aos pais era um requisito nas famílias patriarcais, como se pode ver pelo fato de Isaque, um homem com cerca de 25 anos, submeter-se voluntariamente a ser amarrado por seu pai Abraão a fim de ser imolado por este.[4] (Gênesis 22:9) Havia também leis contra o assassinato (Gênesis 9:5, 6), contra o adultério (Gênesis 20:1-7; 38:24) e contra o furto. (Gênesis 31:19, 32a). A cobiça, que produz a inveja e outros pecados, também foi mencionada de forma subliminar como algo impróprio. (Gênesis 3:6; 37:11) Mas nenhuma dessas regras de conduta haviam sido reunidas em 10 leis principais, nem a necessidade de tirar tempo para coisas espirituais havia sido transformada numa lei de reservar um dia específico da semana, como ocorreu quando foi feito o pacto da Lei.

Somente após a libertação dos israelitas do Egito, uns 2.500 anos depois da criação de Adão e Eva, é que Deus primeiramente ordenou a observância dum sábado semanal. Ademais, por que Moisés pediu a Faraó para oferecer sacrifícios e não para guardar o sábado? (Êxodo 5:1, 3) Não argumentam os sabatistas que a guarda do sábado era mais importante do que oferecer sacrifícios? A resposta é óbvia: é porque não havia ainda nenhuma lei da guarda de sábado semanal.

Indicando que a lei do sábado era algo novo, Moisés observou: “Não foi com os nossos antepassados que Jeová concluiu este pacto, mas conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos.” — Deuteronômio 5:3.

Ao introduzir os “Dez Mandamentos”, Deus disse: “Eu sou Jeová, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa dos escravos.” (Êxodo 20:2) A quem Jeová livrou do Egito? Aos israelitas. De fato, essa lei sabática seria um sinal entre Jeová e quem? Apenas Israel. Em Êxodo 31:13 está escrito: “Fala aos filhos de Israel, dizendo: ‘Deveis guardar especialmente os meus sábados, pois é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações, para que saibais que eu, Jeová, vos santifico.”‘ Note que a guarda do sábado era um sinal entre Jeová e Israel; não seria assim se todos os demais estivessem sob a obrigação de guardar o sábado. Além disso, o sinal não era apenas o sábado semanal, e sim os “sábados”, ou seja, todo o conjunto de sábados que havia sob o arranjo do pacto da Lei.

Sábados que constituíam um “sinal” entre Jeová e Israel no pacto da Lei

O 7.° dia. – Levítico 23:3.
O 7.° ano – Levítico 25:2-7
O 50.° ano (ano do jubileu) – Levítico 25:8-12
14 de nisã (Páscoa)
15 de nisã – Levítico 23:6, 7
21 de nisã – Levítico 23:8.
6 de sivã (Pentecostes) – Levítico 23:15, 16, 21
1.° de etanim – Levítico 23:23-25
10 de etanim (Dia da Expiação) – Levítico 23:27, 28, 31, 32
15 de etanim – Levítico 23:33-35
22 de etanim – Levítico 23:36


As festividades promulgadas por Jeová para a nação de Israel incluíam ofertas e dádivas, “além dos sábados de Jeová”. (Levítico 23:37, 38) Ou seja, alguns dos dias dessas festividades eram “sábados”. Por exemplo, a Festividade dos Pães Não Fermentados possuía como sábados os dias 15 e 21 de nisã. No caso da Festividade das Barracas, os dias 15 e 22 constituíam sábados. Portanto, os que usam Ezequiel 20:12 – que, em parte, diz: “Lhes dei os meus sábados, para se tornarem um sinal entre mim e eles” – para tentar provar que o sinal entre Deus e a verdadeira igreja é o sábado semanal, despercebem que o texto usa a palavra “sábado” no plural, referindo-se claramente a todo o conjunto de sábados dados por Deus. Usando o argumento proposto pelos sabatistas, a verdadeira igreja teria de guardar então todos os sábados dados por Deus, e não apenas o sábado semanal.

Outra coisa a observar é que o sábado semanal não foi o primeiro sábado a ser dado como observância ou lei. O primeiro sábado a ser dado como lei foi a Páscoa. (Êxodo 12:5, 6, 14) Quais foram os próximos sábados a serem dados como lei? Os do dia 15 e 21 de nisã, da Festividade dos Pães Não Fermentados. (Êxodo 12:15, 16) O sábado semanal foi o quarto sábado dado como lei. Se fosse tão importante a ponto de continuar como lei para os cristãos, não deveria ter sido o primeiro a ser dado como lei? Também, vale ressaltar que antes de o sábado semanal ter sido dado como lei, outras leis já haviam sido dadas por ocasião da saída dos israelitas do Egito. – Êxodo 13:1, 2, 6-9; 15:23-25.

O artigo seguinte abordará evidências adicionais de que a guarda do sábado semanal começou somente após a saída de Israel do Egito.


Notas:
[1] O termo “sabatista”, usado neste artigo, não tem tom depreciativo. Apenas descreve os defensores da continuidade do Decálogo, em especial do quarto “mandamento” desse. Assim como o termo “milenarista”, usado para descrever os defensores do milênio descrito no livro de Revelação (Apocalipse) como sendo literal, não é um termo depreciativo, mas apenas descritivo, o mesmo se dá com o termo “sabatista”.
[2] A Bíblia fala de Jeová ‘passar a descansar no sétimo dia’ após a criação de Eva, e menciona que Deus continuava a descansar milênios depois, nos dias do êxodo israelita. – Salmo 95:8-11.
[3] O termo “Lei mosaica” não significa que o código de leis dado a Israel seja oriundo de Moisés (pois se tratava da lei de Deus), e sim que tal lei foi transmitida por meio de Moisés.
[4] Veja Estudo Perspicaz das Escrituras (vol. 2, p. 429, sob o verbete “Isaque”), obra publicada pelas Testemunhas de Jeová.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org










3 comentários:

  1. É verdade apologista,não encontramos na bíblia,os descendentes fieis de Adão,como Abel,Enoque,Noé,Jó recebendo ordens para se guardar o sábado semanal.
    É verdade que Abrão é descrito como tendo guardado o" mandado,os preceitos,os estatutos e as LEIS de Deus"( Gen. 26:5)Em geral esse texto é usado para provar que ele guardou o sábado.
    No entanto tendo em vista que a palavra lei está relacionada com ideia de "dirigir,instruir,ensinar é evidente que Abrão conhecia a vontade de Deus para ele e conhecia os modos de agir de Deus e vivia em harmonia com isso,mas não temos nenhum indicativo de gurda do sábado.Por exemplo: Ele recebeu a ordem de circundar a todos os varões de sua casa..isso era uma "lei"uma ordem,um estatuto.

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  2. Abrão é descrito como tendo guardado o" mandado,os preceitos,os estatutos e as LEIS de Deus"( Gen. 26:5)

    Essa de interpretar todas referencias a Leis e Mandamentos de Jeová como referencias aos 10 Mandamentos e especialmente ao Sábado não tem nenhuma base bíblica. Se bobear é coisa dos escritos da profetisa Ellen White, aí se toma como se fosse palavra do próprio Deus

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