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quinta-feira, 30 de junho de 2016

A religião hebraica é uma cópia da religião cananeia? (Parte 2)

Fonte da foto: 
Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, pág. 288.


Os títulos usados para Jeová foram copiados da religião pagã?

O mesmo leitor do primeiro artigo deste tema também comentou:

“Também vi uma explicação que, em ugarítico, a palavra El-Shaddaí (‘Deus Todo-Poderoso’) quer dizer também ‘Deus da Montanha Sagrada’, dizendo que o deus EL habitava em montes e que, pra falar com o povo. El residia em uma tenda ou tabernáculo. E o Salmo 15:1 diz: ‘Ó Jeová, quem será hóspede na tua tenda? Quem residirá no teu santo monte?’”

Resposta:

O fato é que, em hebraico, Shadday (שַׁדָּי)  é um substantivo masculino que significa “Todo-Poderoso”. (Veja a Concordância Exaustiva de Strong; Brown-Driver-Briggs.) O correspondente substantivo grego é παντοκράτωρ (pantokrátor).

O Léxico Hebraico e Inglês, de Brown-Driver-Briggs[1] indica que há estudos linguísticos que alegam que os assírios usavam como correspondente de Shadday o substantivo assírio Sadu, o qual se tem como significando “alto”, ou “montanha”.

Contudo, a proposição de que os assírios davam um significado diferente à palavra correspondente deles para Shadday não suporta a afirmação de que os hebreus copiaram seus conceitos dos assírios.

Sabemos que, por semântica, uma palavra pode adquirir um significado diferente do original por um uso em determinado período histórico. Assim, os assírios podem ter usado a palavra assíria equivalente a Shadday para uma divindade das montanhas e, assim, Sadu teria adquirido o sentido de “montanha”, ou “montanha sagrada”.

Mas, o importante é que, na Bíblia, Shadday e seu correspondente substantivo grego παντοκράτωρ (pantokrátor) significam “Todo-Poderoso”. Outro fato relevante que impede qualquer possibilidade de o Deus Jeová ser identificado com qualquer ‘deus da montanha’ é o que está registrado em 1 Reis 20:23-28:

Os servos do rei da Síria disseram-lhe: O Deus deles [Jeová] é um Deus de montanhas. É por isso que eles nos venceram. Mas, se lutarmos contra eles na planície, nós os venceremos. Além disso, faça o seguinte: remova todos os reis das suas funções e ponha governadores no lugar deles. Depois reúna um exército igual ao que o senhor perdeu, com o mesmo número de cavalos e carros de guerra. Lutemos contra eles na planície e nós certamente os venceremos.’ Ele escutou o conselho deles e fez exatamente isso. No início do ano, Ben-Hadade reuniu os sírios e foi a Afeque para a batalha contra Israel. O povo de Israel também foi reunido e recebeu provisões, e saiu ao encontro deles. Quando o povo de Israel se acampou diante deles, pareciam dois pequenos rebanhos de cabras, ao passo que os sírios enchiam toda a região. Então o homem do verdadeiro Deus se aproximou do rei de Israel e disse: ‘Assim diz Jeová: “Visto que os sírios disseram: ‘Jeová é um Deus de montanhas, não um Deus de baixadas’, entregarei nas suas mãos toda esta multidão, e vocês certamente saberão que eu sou Jeová.”’”

O leitor declarou:

“E Gênesis 33:20 diz: ‘Erigiu ali um altar e o chamou de Deus, o Deus de Israel.’ Nessa passagem dizem que se verte EL, o Deus de Israel, mostrando assim que Jacó adorava EL. Ainda tem o argumento de que todos os títulos para Jeová na verdade são nomes de divindades pagãs ugaríticas, mostrando que Jeová é uma fusão de deuses.”

Resposta:

           É importante entender que El é um substantivo comum, e pode ser aplicado (como a Bíblia deveras aplicou) a qualquer ser que tenha a distinção de ser El (alguém poderoso e/ou uma divindade).

Os israelitas não usavam El como nome próprio e sim como título. Mas os cananeus pagãos poderiam ter usado esse substantivo comum como nome próprio de alguma divindade deles.

Isso pode ser ilustrado por outro substantivo comum: baal (hebraico: בעל.). Essa palavra também é um substantivo comum que significa “proprietário”, “marido”, “senhor”, “mestre”, aplicando-se também a “cidadãos”, “habitantes” e “governantes”, e senhores.

No caso do Deus Todo-Poderoso, Jeová, esse termo (baal) foi usado como um de seus títulos, mas os demonólatras cananeus o usaram como nome de uma de suas divindades. Assim, baal foi usado tanto como substantivo comum (termo descritivo), como também como nome próprio.

Contudo, isso não significa que os israelitas copiaram dos cananeus o termo baal para aplicá-lo como título de Jeová. Isto porque o termo baal é também usado num sentido civil (não religioso), referindo-se a um “marido” (Gênesis 20:3), a um “proprietários de terra” (Josué 24:11), a “governantes das nações” (Isaías 16:8, Bíblia King James Atualizada), a “confederados” (representantes de governos soberanos que, no interesse comum, põem-se sob a dependência de um governo central, conservando, porém, a sua autonomia em outros domínios; Gênesis 14:13); a donos de bens tangíveis (físicos, concretos) (Êxodo 21:28, 34; 22:8; 2 Reis 1:8, nota da NM com Referências) e de bens intangíveis, como um credor (‘dono de uma dívida’, NM com Referências) etc.

Portanto, a afirmação de que a religião hebraica é uma cópia da religião cananeia demonstra desconhecimento ou desconsideração da linguística e da História e, principalmente, da inatacável diferença entre o sistema religioso hebreu e o das nações pagãs contemporâneas.


Referências:
Estudo Perspicaz das Escrituras, publicado pelas Testemunhas de Jeová.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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