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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Números 14:34 dá apoio à doutrina do tormento eterno?




Fonte da ilustração: 
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2014404

Certo leitor enviou um e-mail trazendo à atenção um argumento usado por um defensor da doutrina do tormento eterno. Esse leitor escreveu:

“Ao considerar Números 14:34, ele [o defensor do tormento eterno] afirmou que, se Jeová pôde sem nenhuma injustiça multiplicar o sofrimento do povo de Israel no deserto por fazer 40 dias se tornarem 40 anos, o que impediria ele de fazer um ser humano que viveu no máximo seus 100 anos ficar sofrendo no inferno por 10.000 anos ou mais?? Segundo ele, esse precedente dá legitimidade! O ponto então não seria o lugar chamado inferno, mas o exagero de uma punição sem injustiça! Ele falou isso porque eu havia dito que seria injusto Deus causar sofrimento num inferno por milhares de anos, sendo que um homem só pode pecar por no máximo uns 100 anos!

“Como resolver???”

Resposta:

Esse defensor da doutrina do tormento eterno mostra que desconhece as Escrituras e também a justiça de Deus.

A passagem a que ele se referiu declara: “Vocês responderão pelos seus erros por 40 anos, de acordo com o número dos dias que espionaram a terra, 40 dias — para cada dia um ano, para cada dia um ano —, pois vocês saberão o que significa se opor a mim.” – Números 14:34.

Para início de conversa, mesmo antes de considerarmos o que significa a expressão ‘responder pelos erros’, vale ressaltar que o texto diz respeito a uma punição FINITA, ao passo que a infame doutrina do inferno de fogo conceitua uma punição ETERNA, INFINITA. Apenas esse aspecto já demonstra a injustiça da punição no inferno de fogo. Afinal, jamais um comportamento pecaminoso finito poderia demandar uma punição infinita.

Diante disso, o mau uso do relato de Números 14:34 perde totalmente a força.

Além disso, a doutrina do inferno de fogo constitui um odioso ataque à personalidade de Deus.

Sobre uma característica essencial da punição divina, lemos:

“Jeová é misericordioso e compassivo, paciente e cheio de amor leal. Não nos repreende sem cessar, nem fica ressentido para sempre. Ele não nos trata conforme os nossos pecados, nem nos retribui o que merecemos pelos nossos erros.” – Salmo 103:8-10.

Diametralmente oposto à personalidade de Deus, o inferno é uma punição incessante, eterna. Além disso, é extraordinariamente além do que alguém possa merecer. Diz a passagem acima que Jeová não retribui nem o que o pecador merece. Por outro lado, haveria possibilidade de alguém merecer mais do que uma punição eterna?! O castigo eterno é algo muito além do que qualquer pecador possa merecer.

Ademais, lemos nas Escrituras qual será a punição máxima dos incorrigíveis:

“‘Por acaso eu tenho algum prazer na morte de uma pessoa má?’ diz o Soberano Senhor Jeová. ‘Não prefiro que ele abandone os seus caminhos e continue vivo?’” – Ezequiel 18:23.

Jeová não deseja nem a morte de uma pessoa incorrigível. Logo, como poderia ele desejar o sofrimento eterno dessa pessoa?

Os incorrigíveis serão destruídos para sempre:

“Quando os maus brotam como erva, e todos os malfeitores florescem, é para serem aniquilados para sempre [“destruídos perpetuamente”, Almeida Corrigida e Revisada Fiel; “destruídos para sempre”, Almeida Revisada Imprensa Bíblica, Sociedade Bíblica Britânica].” – Salmo 92:7.

Mas, resta a pergunta:

O que significa a expressão ‘responder pelos erros’ em Números 14:34?

Vejamos como a Palavra de Deus descreve tal punição e aponta seu objetivo:

“Jeová, seu Deus, esteve com você estes 40 anos, e não lhe faltou nada.” – Deuteronômio 2:7b.

Será que, no caso dos que vão para o suposto inferno de fogo, pode-se dizer que Deus está com eles e que não lhes falta nada?

“Lembre-se do longo caminho pelo qual Jeová, seu Deus, o fez andar estes 40 anos no deserto, para torná-lo humilde e pô-lo à prova, a fim de saber o que havia no seu coração, se você guardaria ou não os seus mandamentos. A roupa que você usava não se gastou, e os seus pés não ficaram inchados nestes 40 anos. Você bem sabe no seu coração que Jeová, seu Deus, o corrigia assim como um homem corrige seu filho.” – Deuteronômio 8:2, 4, 5.

A punição dos 40 anos tinha um propósito nobre: produzir humildade visando o arrependimento. Será que, no inferno de fogo, os que para lá vão se tornam humildes e se arrependem? Se assim for, eles teriam de ser tirados de lá, por terem se convertido. Mas isso iria contra a eternidade de tal punição!

Além do mais, a correção dos 40 anos foi descrita como semelhante a de um pai amoroso corrigindo seu filho. Visto que jamais passaria pela nossa mente um pai amoroso tentar corrigir seu filho por colocar a mão desse filho no fogo, quanto mais fazê-lo sofrer eternamente!

“Enquanto eu os guiava por 40 anos no deserto, as roupas que vocês usavam não se gastaram, e as suas sandálias não se gastaram nos seus pés.” – Deuteronômio 29:5.

É, pois, evidente que a punição dos 40 anos no deserto era restaurativa. Jeová não deixou de guiá-los, orientá-los, protegê-los e alimentá-los. É, portanto, infinita a diferença entre essa punição e a punição doentia de um tormento eterno.

Espero que os comentários acima possam ter sido de ajuda ao leitor que me enviou o e-mail, bem como a todos os leitores sinceros dos artigos deste site.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



Um comentário:

  1. Ótima explanação. Refutou o argumento baseado em Números, argumento esse sem sentido.

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