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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 5)

Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior analisou as passagens bíblicas em que Filo de Alexandria se baseou para fundamentar suas ideias sobre o Logos. Neste artigo veremos aquele que talvez seja o ponto mais interessante na visão de Filo de Alexandria sobre o Logos.

Lemos na obra The Works of Philo Judaeus (“As Obras do Judeu Filo”):

(203) E eu fico ainda mais maravilhado. Quando ouço as profecias sagradas eu aprendo delas sobre qual maneira “a nuvem veio até o Meio-Termo” {68} {Êxodo 14:19.} entre o exército dos egípcios e o grupo dos filhos de Israel; pois a nuvem não mais permitia que o povo, que era meigo e amado por Deus, fosse perseguido por aquilo que foi devotado às paixões e [era] um inimigo de Deus; sendo uma cobertura e uma proteção para seus amigos, mas uma arma de vingança e castigo contra seus inimigos; (204) Pois gentilmente derrama sabedoria sobre as mentes que estudam a virtude - sabedoria que não pode ser castigada por nenhum mal.  Mas em tais mentes malignas e improdutivas de conhecimento, derrama um corpo inteiro de punições, trazendo sobre eles a mais lamentável destruição da inundação. (205) E o Pai que criou o universo tem dado à sua mais antiga e arqueangélica Palavra [claramente “o Logos”] um presente superior: estar no limite de ambos, e separou aquilo que fora criado do Criador. E esta mesma Palavra [o Logos] é continuamente um suplicante ao Deus imortal em prol da raça mortal, a qual está exposta à aflição e à miséria; e é também o embaixador, enviado pelo Governante de tudo, até à raça subordinada. (206) E a Palavra [o Logos] se alegra neste presente, e, exultando nisso, ela o anuncia e se gaba, dizendo: “E eu estive no meio, entre o Senhor e vós;” {69} {Números 16:48.} não é incriada igual a Deus, tampouco criada igual a vós, mas é um meio-termo entre estas duas extremidades, como um refém, por assim dizer, de ambos os lados: um refém para o Criador, igual a um juramento e [uma] segurança [de] que a inteira raça jamais abandonaria ou se revoltaria inteiramente, escolhendo a desordem ao invés da ordem. E à criação, para levá-la a receber a esperança segura de que o Deus misericordioso não negligenciaria sua própria obra. Pois eu proclamarei inteligência cheia de paz à criação da parte dele, que tem decidido destruir as guerras, isto é, Deus, que é eternamente o guardião da paz. (PHILO, subtítulo Who is the Heir of Divine things?, 203-206.) [Os grifos são nossos.]



É impossível ler esse relato e não relacioná-lo com a descrição bíblica de Jesus Cristo. João declara que o Logos é o “deus unigênito”. (João 1:18) Em contraste com o ‘Deus que ninguém jamais viu’, João menciona o “deus unigênito”. Este “deus unigênito” não é o ‘Deus invisível’, nem o ‘Deus invisível’ é o “deus unigênito”. São dois seres divinos ontologicamente distintos apresentados no prólogo, não duas hipóstases de uma mesma “ousia” ou Ser. Definitivamente, a descrição do “apóstolo amado” no v. 18 é incompatível com a ideia de duas pessoas num único Deus. A característica que o Logos possui de ser o deus “unigênito” é, pelo que tudo aponta, quer por coincidência, quer por providência, idêntica à descrição mencionada anteriormente por Filo. O Logos é unigênito tanto para João quanto para Filo. O Logos não é uma criação igual às demais, tampouco é incriado igual ao Deus Supremo: ele é unigênito, o único produzido ou gerado diretamente pelo Deus supremo sem a ação de intermediários, pois todas as coisas foram criadas por intermédio do Logos.  

Alguns trinitários, seja por brincadeira, por falta de argumentos ou por doutrinação, argumentam que “o Logos foi gerado, não criado”. Confesso que nas primeiras vezes eu pensava que era uma brincadeira, mas à medida que essa objeção se repetia, passei a perceber que eles falavam sério

A expressão hebraica usada em Provérbios 8:24 para a Sabedoria personificada é esta:

“chûl chíyl”/khool, kheel/

Ela não é usada para um suposto ser “gerado mas não criado”. Essa expressão traz o sentido de “gerar como que com dores de parto”. Veja a análise a seguir:

“Não é ele seu Pai, que o trouxe à existência.” – Deuteronômio 32:6.

“Você se esqueceu da Rocha que o gerou [yâlad, /yaw-lad’/ - gerar, parir, nascer], e não se lembrou do Deus que o deu à luz. [chûl chíyl, /khool, kheel/ - gerar com dores].” – Deuteronômio 32:18.

Veja analisemos mais passagens similares:

“Será que você foi o primeiro homem a nascer, [yâlad, /yaw-lad’/ - gerar, parir, nascer] Ou foi dado à luz [chûl chíyl, /khool, kheel/ - gerar com dores] antes das colinas?” – Jó 15:7, compare com Provérbios 8:22-30.

“Antes de nascerem [yâlad, /yaw-lad’/ - gerar, parir, nascer] os montes, ou de teres formado [chûl chíyl, /khool, kheel/ - gerar com dores] a terra e o solo produtivo.” – Salmo 90:2.

Com essa análise breve, vemos que simplesmente não há diferença na essência da mensagem entre ser gerado e ser criado, pois ambas as formas trazem a ideia de algo/alguém que passa a ser ou existir.

Alguns talvez aleguem que, visto que o Logos foi gerado como “o primeiro”, então nunca houve um tempo em que o Logos não existia (pois o tempo começa com o Logos), e que, por tal razão, ele é eterno e igual a Deus. Esse pensamento, porém, contém três erros, os quais serão expostos no próximo artigo.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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terça-feira, 29 de agosto de 2017

O anjo de Jeová jurou por si mesmo?

Fonte da ilustração: jw.org

Uma leitora enviou o seguinte e-mail:

Conheço alguns adventistas que sempre, com tom arrogante, tentam nos criticar. Um me apareceu com o seguinte comentário: 

“ALGUM ANTITRINITARIANO PODERIA ME RESPONDER A ESSA PERGUNTINHA?
“Quem é o Anjo do Senhor mencionado em Genesis 22:15, 16.
“Resposta: COM CERTEZA É JESUS.
            O texto de Genesis 22:15 ao 18 diz o seguinte: Então do céu bradou pela segunda vez o Anjo do Senhor a Abraão, e disse: JUREI POR MIM MESMO, DIZ O SENHOR, por quanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho.
“Então podemos deduzir que esse Anjo do Senhor que bradou e JUROU por si mesmo foi o próprio Jesus. Agora há um texto paralelo no livro de Hebreus 6:13,14 que é espetacular.
“O texto diz o seguinte: Pois quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém SUPERIOR por quem JURAR, JUROU por si mesmo dizendo: Certamente te abençoarei e te multiplicarei.
“AGORA EU LEVANTO UMA PERGUNTA PARA OS ANTITRINITARINOS: Quem fez o juramento a Abraão foi o Anjo do Senhor (ou seja, Jesus). O autor de Hebreus diz que o Anjo do Senhor jurou por si mesmo, por que não tinha NINGUEM SUPERIOR POR QUEM JURAR. Espera aí: se Jesus é um Deus menor ou uma criatura, como afirmam os antitrinitarianos, por que o Anjo do Senhor, ou seja, Jesus, não jurou por Deus Pai, já que Deus Pai é maior que Jesus (como afirmam os antitrinitarianos)? Se o Anjo do Senhor JUROU por si mesmo, porque não havia ninguém SUPERIOR a ele por quem pudesse jurar, isso é uma prova incontestável de que Jesus é Deus no mais pleno sentido da palavra, igual ao Pai. E tem mais: o autor de Hebreus diz que quem fez o JURAMENTO foi o próprio Deus, ou seja, o Anjo do Senhor (JESUS) é esse Deus.
“PERGUNTA: Se Jesus é menor que Deus Pai, por que ele jurou por si mesmo e não por Deus Pai, já que o texto diz que o Anjo do Senhor (Jesus) jurou por si mesmo, pois não havia ninguém SUPERIOR por quem pudesse jurar? Hebreus 6:13,14.
“VOU AGUARDAR A RESPOSTA DE ALGUM ANTITRINITARIANO.”

Será que o senhor poderia me ajudar a responder? Fico grata.

Resposta:

Prezada leitora:

Com relação a Gênesis 22:15-18, é claro que o anjo não fez nenhum juramento. O texto diz:

“Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus, e disse: Por mim mesmo jurei, DIZ O SENHOR ...”. – Gênesis 22:15,16, Almeida Corrigida e Revisada Fiel; maiúsculas acrescentadas.

Observe que o anjo não jura, mas cita O SENHOR [Jeová] como dizendo: “Por mim mesmo jurei.”

Portanto, é o Senhor Jeová, citado pelo anjo, que faz o juramento. As declarações dos versículos 16 a 18 foram feitas por Jeová. O anjo apenas as transmitiu a Abraão.

“E o anjo de Jeová chamou Abraão pela segunda vez, desde os céus, e disse: ‘Juro por mim mesmo’, diz Jeová, ‘que, visto que você fez isso e não me negou seu filho, seu único filho, certamente abençoarei você e certamente multiplicarei o seu descendente como as estrelas dos céus e como os grãos de areia à beira do mar, e o seu descendente tomará posse do portão dos inimigos dele. E todas as nações da terra obterão para si uma bênção por meio do seu descendente, porque você escutou a minha voz.’” – Gênesis 22:15-18, NM.

A Tradução do Novo Mundo facilita o entendimento por utilizar aspas – as normais e as simples. Porém, mesmo utilizando uma versão da Bíblia que não usa aspas, não há desculpa para o entendimento errado dessa passagem, visto que o anjo diz claramente que é Jeová quem faz o juramento.

É impressionante como os trinitaristas, em sua ânsia irrefletida para tentar provar uma doutrina antibíblica, não reconhecem claros detalhes textuais.

Espero ter sido de ajuda.


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domingo, 27 de agosto de 2017

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 74)

 Fonte da ilustração: pinterest.com
(terça-feira, 11 de nisã de 33 EC)
Figueira seca; debate entre Jesus e os líderes judaicos; grande profecia
Figueira seca: uma lição de fé
(Unificação de Mat. 21:19b-22; Mar. 11:20-25)
E a figueira secou-se instantaneamente. Mas, passando de manhã cedo, viram a figueira já seca, das raízes para cima.  Mas, quando os discípulos viram isso, admiraram-se, dizendo: “Como é que a figueira se secou instantaneamente?” Pedro, portanto, lembrando-se, disse-lhe: “Rabi, eis que se secou a figueira que amaldiçoaste.” Em resposta, Jesus disse-lhes: “Tende fé em Deus. Deveras, eu vos digo: Se somente tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que eu fiz à figueira, mas também, se disserdes a este monte: ‘Sê levantado e lançado no mar’, e não duvidardes no vosso coração, mas tiverdes fé, que aquilo que disserdes vai acontecer, deveras, eu vos digo: acontecerá isso. É por isso que vos digo: Todas as coisas pelas quais orais e que pedis, tende fé que praticamente já as recebestes, e as tereis. E quando estiverdes orando em pé, perdoai o que tiverdes contra outro; a fim de que o vosso Pai, que está nos céus, também vos perdoe as vossas falhas.”
Jesus é desafiado quanto a sua autoridade
(Unificação de Mat. 21:23-32; Mar. 11:27-33; Luc. 20:1-8)
E chegaram novamente a Jerusalém. Ora, tendo ele entrado no templo, e andando ele [por ali], ensinando o povo e declarando as boas novas, chegaram-se a ele os principais sacerdotes e os escribas, e os anciãos dentre o povo, ao estar ele ensinando, e falaram sem rebuços, dizendo-lhe: “Dize-nos: Com que autoridade fazes estas coisas? E quem é que te deu esta autoridade?”
Jesus disse-lhes, em resposta: “Eu também vos pergunto uma coisa. Se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas: O batismo de João, donde se originou? Do céu ou dos homens? Respondei-me.” Mas eles começaram a raciocinar entre si mesmos, [e] tiraram então conclusões entre si, dizendo: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele nos dirá: ‘Então, por que não acreditastes nele? Se, porém, dissermos: ‘Dos homens’, temos a multidão para temer; o povo todo nos apedrejará, porque todos eles consideram João como profeta. Atrevemo-nos a dizer: ‘Dos homens’?” Estavam com temor da multidão, pois todos consideravam que João tinha sido realmente um profeta. De modo que disseram a Jesus, em resposta: “Não sabemos.” Jesus, por sua vez, disse-lhes: “Tampouco eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.”

Explicação da sigla usada:

EC: Era Comum.

O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 4)

Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior trouxe à luz a base filosófica do conceito de Filo sobre o Logos. Este artigo analisará as passagens bíblicas em que ele se baseou para fundamentar suas ideias.

A obra Philo traz a lume as palavras de Filo:

Eu ouvi também um oráculo dos lábios de um dos discípulos de Moisés, o qual decorre desse modo: “Eis o homem cujo nome é renovo” (Zacarias 6:12), certamente o mais estranho dos títulos, se você supor que um ser composto de alma e corpo é descrito aqui. Mas se você supor que é um ser Incorpóreo, que não difere uma mínima parte da imagem divina, você concordará que o nome “renovo” que é atribuído a ele certamente o descreve. Pois tal homem é o filho mais velho, a quem o Pai de todos levantou, e em outro lugar o chama de Seu primogênito, e de fato o Filho, portanto, produzido [ou gerado, criado], seguiu os caminhos de seu Pai, e moldou os diferentes tipos, olhando para o modelo ideal o qual o Pai fornecia.” (PHILO, Volume IV, On the Confusion of Tongues, XVI, §§ 61-63) [Os grifos são nossos.]







A passagem bíblica sob ponto de análise de Filo na citação anterior é Zacarias 6:12.

“E diga-lhe: “‘Assim diz Jeová dos exércitos: “Eis o homem cujo nome é Renovo. Ele brotará do seu próprio lugar e construirá o templo de Jeová.” – Zacarias 6:12.

Filo faz aqui uma referência ao Logos, um ser que ele chama de “Incorpóreo”, chamado de Filho de Deus, e que, nas palavras de Filo, é, de alguma forma que difere das demais criações, criado ou produzido. Na obra Estudo Perspicaz das Escrituras (Volume 3, página 377), comenta-se sobre essa passagem de Zacarias.

Em Zacarias 6:12, 13, “o homem cujo nome é Renovo” é descrito como edificando o templo de Jeová e sentando-se como sacerdote sobre seu trono. Isto não se pode aplicar a outrem senão a Jesus Cristo, visto que somente ele pode ocupar os cargos de Rei e Sacerdote sob o arranjo de Deus. Promete-se Jesus Cristo como o justo “renovo” suscitado a Davi. Este executará a justiça e o juízo.”


Ligando ao comentário citado, veja o que diz Jeremias 23:5:

“‘Vejam! Estão chegando os dias’, diz Jeová, ‘em que farei surgir para Davi um renovo justo. E um rei reinará; ele mostrará entendimento e defenderá a justiça e a retidão no país.’” [Os grifo são nossos.]

Sobre a referência angélica e a deidade secundária do Logos, veja o comentário da obra O Novo dicionário da Bíblia:
     
Notamos que, para Filo (Filon), o Logos era o “Anjo do Senhor”, o “Sumo Sacerdote”, o “Filho de Deus”, assim, portanto, uma espécie de subdivindade, ou um segundo Deus/deus. Dos filósofos que usaram o termo filosófico em respeito ao Logos, nenhum deles transmitiu tantas similaridades com o Logos neotestamentário quando Filo.

Prossigamos com a análise dos escritos de Filo no livro “A History of the Christian church” [Uma história da igreja Cristã], de Williston Walker (1921), página 17:

Em Alexandria, também, as ideias religiosas do Antigo Testamento foram combinadas com os conceitos filosóficos gregos, notavelmente platônicos e estoicos, com um sincretismo [i.e. uma fusão multicultural] memorável. O mais influente destes intérpretes foi Filo de Alexandria (20? a.C. – 42? d.C.). Para Filo, o Velho Testamento é o mais sábio dos livros, uma verdadeira revelação divina, e Moisés, o maior dos professores; mas por interpretação alegórica Filo acha o Velho Testamento em harmonia com o melhor do platonismo e estoicismo. A crença de que o Antigo Testamento e a filosofia grega estavam de acordo na essência foi um dos significados mais abrangentes para o desenvolvimento da teologia Cristã. Este método alegórico de explicação bíblica influenciaria grandemente os posteriores estudos Cristãos das Escrituras. Para Filo, o Deus único fez o mundo como uma expressão de Sua bondade para Sua criação; mas, entre Deus e o mundo, os elos são um grupo de poderes divinos, vistos até certo ponto como seres pessoais. Destes o maior é o Logos (λόγος), o qual emana do próprio Deus, e é seu agente, não meramente através de quem Deus criou o mundo, mas a partir de quem todos os poderes emanam. Através do Logos Deus criou o homem ideal, de quem o homem real é uma cópia inferior, o trabalho de poderes espirituais menores, bem como o do Logos. Mesmo de seu estado caído, o homem pode erguer-se para se conectar com Deus através do Logos, o agente da revelação divina. Todavia, o conceito de Filo sobre o Logos é muito mais filosófico do que o da “sabedoria” de Provérbios [...].” (Página 17) [Os grifos são nossos.]
    



O autor da obra referida acima explica que Filo cria que, entre o Deus Supremo e o nosso mundo físico, havia vários seres intermediários, e dentre – não à parte de – tais seres, o maior era o Logos. De tal modo, para Filo, o Logos não era uma “segunda pessoa” eterna e coigual a Deus, numa suposta doutrina trina. (É importante destacar que Filo, como judeu, não era trinitário.) Para Filo, o Logos era um ser intermediário, não o Ser supremo. O Logos era participante do grupo dos intermediários, não uma segunda consciência acima ou fora do grupo dos intermediários angélicos. Dentre os anjos, o Logos era, para Filo, o mesmo que é para as Testemunhas de Jeová e demais unitaristas: O mais destacado dos seres intermediários celestiais. É interessante salientar que, no pensamento judaico, tais seres, por vezes, eram referidos como “deuses”. – Cf. Salmo 86:8, 97:7.

No próximo artigo veremos aquele que talvez seja o ponto mais interessante na visão de Filo de Alexandria sobre o Logos.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Harmonizando Gênesis 1:11, 13 e Gênesis 2:5, 6

Fonte da foto: jw.org

Segue abaixo o comentário de um leitor a respeito dos textos acima:

Peço, favor, se possível, me explicar Gênesis 2:5, 6, visto que parece contradizer Gênesis 1:11, 13. Um estudante perguntou-me se JEOVÁ já havia criado as plantas, porque, após ter descansado, ainda não havia plantas, em virtude de nem chover. Não sei se fui claro.

Resposta:

Lemos na obra Estudo Perspicaz das Escrituras:

No terceiro “dia” criativo, Deus fez com que a terra produzisse “vegetação que dava semente segundo a sua espécie”; ela podia assim reproduzir-se. (Gên 1:11-13) Gênesis 2:5, 6, pelo visto, descreve as condições existentes naquele “dia”, pouco depois de Deus fazer surgir a terra seca, mas antes da produção da relva, da vegetação que dava semente e das árvores frutíferas. A fim de fornecer a necessária umidade à vida vegetal que surgiria, Jeová fez com que da terra subisse regularmente uma neblina para regar o solo. Isto mantinha vicejante a vegetação em toda a terra, mesmo não havendo então chuva. Embora os luzeiros nos céus só se tornassem claramente discerníveis na expansão no quarto “dia” criativo (Gên 1:14-16), evidentemente já no terceiro “dia” havia bastante luz difusa disponível para estimular o crescimento da vegetação. — Veja Gên 1:14, Ro n. (it-3, pp. 768-769, verbete “Vegetação”.)

O capítulo 2 de Gênesis não está em sequência cronológica em relação ao capítulo 1, mas supre informações sobre os dias criativos descritos no primeiro capítulo. Exemplo disso é que Gênesis 1:26-28 descreve resumidamente a criação do primeiro casal humano, ao passo que o capítulo 2 descreve em pormenores tal criação.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



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domingo, 20 de agosto de 2017

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 73)

Fonte da ilustração: jw.org
Jesus amaldiçoa figueira, expulsa mercadores; ouve-se a voz de Deus
(segunda-feira, 10 de nisã de 33 EC)
(Unificação dos textos de Mat. 21:18, 19a, 12, 13; Mar. 11:12-19; Luc. 19:45-48; João 12:20-50)
No dia seguinte, tendo eles saído de Betânia, ao voltar à cidade de manhã cedo, ficou com fome. E avistando de certa distância uma figueira à beira da estrada, que tinha folhas, dirigiu-se para ela, para ver se acharia nela algo. Mas, chegando-se a ela, não encontrou nada a não ser folhas, pois não era a estação dos figos.  Assim, como resposta, ele lhe disse: “Nunca mais venha de ti fruto algum.” E os seus discípulos estavam escutando.
Chegaram então a Jerusalém. Ali Jesus entrou no templo e principiou a lançar fora todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as bancas dos que vendiam pombas; e não deixou ninguém carregar qualquer utensílio através do templo, mas ensinava e dizia: “Está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações.’[1] Mas vós fizestes dela um covil de salteadores.”[2] (Outrossim, ia diariamente ensinar no templo.)
Mas os principais sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo ouviram isso, e começaram a procurar um meio de destruí-lo; pois estavam com temor dele, porque toda a multidão ficava continuamente assombrada com o seu ensino. Contudo, não achavam um meio eficiente de o fazer, pois o povo todo se apegava a ele para o ouvir.
Fonte da ilustração: jw.org
(João 12:20-50)
20 Ora, havia alguns gregos entre os que subiram para adorar na festividade.[3] 21 Estes, portanto, chegaram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e começaram a solicitar-lhe, dizendo: “Senhor, queremos ver Jesus.” 22 Filipe veio e o disse a André. André e Filipe vieram e o disseram a Jesus.
23 Mas Jesus respondeu-lhes, dizendo: “Chegou a hora para o Filho do homem ser glorificado. 24 Eu vos digo em toda a verdade: A menos que o grão de trigo caia ao solo e morra, permanece apenas um só [grão]; mas, se morre, então dá muito fruto. 25 Quem estiver afeiçoado à sua alma, destruí-la-á, mas quem odiar a sua alma neste mundo, protegê-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém quiser ministrar-me, siga-me, e onde eu estiver, estará também o meu ministro. Quem quiser ministrar-me, a este o Pai honrará. 27 Minha alma está aflita agora, e que hei de dizer? Pai, salva-me desta hora. Não obstante, foi por isso que vim a esta hora. 28 Pai, glorifica o teu nome.” Saiu, portanto, uma voz do céu: “Eu tanto [o] glorifiquei como [o] glorificarei de novo.”
29 Por isso, a multidão parada ali e ouvindo-o começou a dizer que tinha trovejado. Outros começaram a dizer: “Um anjo lhe falou.” 30 Em resposta, Jesus disse: “Esta voz ocorreu, não por minha causa, mas por vossa causa. 31 Agora há um julgamento deste mundo; agora será lançado fora o governante deste mundo. 32 Contudo, eu, quando for erguido da terra, atrairei a mim toda sorte de homens.” 33 Dizia isso realmente para indicar de que sorte de morte estava para morrer. 34 Portanto, a multidão respondeu-lhe: “Ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre;[4] e como é que tu dizes que o Filho do homem tem de ser erguido? Quem é este Filho do homem?” 35 Jesus disse-lhes, portanto: “A luz estará entre vós por mais um pouco de tempo. Andai enquanto tendes a luz, para que não vos vença a escuridão; e, quem anda na escuridão, não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a luz, exercei fé na luz, a fim de que vos torneis filhos da luz.”
Jesus falou estas coisas e foi embora, e escondeu-se deles. 37 Mas, embora tivesse realizado tantos sinais na frente deles, não depositavam fé nele, 38 de modo que se cumpriu a palavra de Isaías, o profeta, que disse: “Jeová, quem depositou fé na coisa ouvida por nós? E quanto ao braço de Jeová, a quem tem sido revelado?”[5] 39 A razão por que não podiam crer é que Isaías disse novamente: 40 “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes os corações, para que não vissem com os seus olhos, nem compreendessem o pensamento com os seus corações, nem se voltassem e eu os sarasse.”[6] 41 Isaías disse estas coisas, porque viu a sua glória e falou dele. 42 De qualquer modo, muitos dos próprios governantes depositavam realmente fé nele, mas, por causa dos fariseus, não [o] confessavam, a fim de que não fossem expulsos da sinagoga; 43 pois amavam mais a glória dos homens do que mesmo a glória de Deus.
44 No entanto, Jesus clamou e disse: “Quem depositar fé em mim, deposita fé, não [somente] em mim, mas [também] naquele que me enviou; 45 e quem me observar, observa [também] aquele que me enviou. 46 Eu vim como luz ao mundo, a fim de que todo aquele que depositar fé em mim não permaneça na escuridão. 47 Mas, se alguém ouvir as minhas declarações e não as guardar, eu não o julgo; pois não vim julgar o mundo, mas salvar o mundo. 48 Quem me desconsiderar e não receber as minhas declarações, tem quem o julgue. A palavra que eu tenho falado é que o julgará no último dia; 49 porque não falei de meu próprio impulso, mas o próprio Pai que me enviou tem-me dado um mandamento quanto a que dizer e que falar. 50 Sei também que o seu mandamento significa vida eterna. Portanto, as coisas que eu falo, assim como o Pai mas disse, assim [as] falo.”
E sempre que ficava tarde no dia, saíam da cidade.

Explicação das siglas usadas:
EC: Era Comum.
it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.

Notas:
[1] Isa. 56:7.
[2] Jer. 7:11.
[3] Evidentemente eram prosélitos gregos da religião judaica. – It-2, p. 261.
[4] Sal. 89:36; 110:4; Isa. 9:7.
[5] Isa. 53:1.
[6] Isa. 6:10.


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 3)


Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior mostrou os conceitos de Filo e de Justino sobre o Logos. Este artigo mostrará qual foi a base para o conceito de Filo sobre o Logos.

É importante lembrar que Filo tentava conciliar as Escrituras Hebraicas com a filosofia grega. Assim, o Logos de Filo foi um personagem baseado no que Platão, em quem Filo mais se baseou, chamou de demiurgo. (Estou apresentando neste artigo apenas os fatos; em nenhum momento professo apoio ao que Filo fez). Quanto a este personagem, veja brevemente o que diz a obra The Cambridge Dictionary of Philosophy:



Demiurgo (do grego demiourgos, ‘artesão’, ‘artífice’), uma deidade que molda o mundo material a partir de um caos preexistente. Platão introduz o demiurgo em seu Timeu. Por ser perfeitamente bom, o demiurgo deseja comunicar sua própria bondade. Usando as Formas como um modelo, ele molda o caos inicial nas melhores imagens possíveis de seus arquétipos [protótipos]; O mundo visível é o resultado. Embora o demiurgo seja o maior deus e a melhor das causas, ele não deve ser identificado com o Deus do teísmo. Seu status ontológico e axiológico é menor do que o das formas, especialmente a Forma do Bom. Ele também é limitado. A matéria que ele usa não é criada por ele. Além do mais, é confuso e indeciso, e por isso resiste parcialmente às suas ordens racionais.” (Robert Audi, The Cambridge Dictionary of Philosophy, Second Edition, p. 217) [Os grifos são nossos.].




O referido dicionário ainda acrescenta em relação ao demiurgo:
 
Numênio de Apameia [...] Filósofo grego platônico [...] Seu sistema de três níveis de realidade espiritual – um deus principal (o Bom, o Pai), que é quase que supraintelectual; um secundário, o deus criador (o demiurgo do Timeu Platão); (p. 622) [Os grifos são nossos.]
 


                Filo seguiu a distinção platônica entre matéria imperfeita e forma perfeita. Assim, seres intermediários eram necessários para preencher a enorme lacuna entre Deus e o mundo material. A obra A History of Philosophy afirma:



[...] a concepção de seres intermediários, a fim de criar uma ponte no abismo entre o Próprio Deus e o cosmos material. O maior de tais seres intermediários é o Logos ou Nous. O Logos é dito como o primogênito de Deus , sendo o mais antigo e o mais aparentado [a Deus] dos que foram produzidos. O Logos é para Filo definitivamente inferior a Deus e deve ser considerado como estando entre os que foram produzidos, que inclui muitos outros seres além do Logos, mesmo que este [o Logos] tenha primazia. A concepção de Filo do Logos, portanto, não é idêntica ao dogma do Logos, conforme preservado na teologia Cristã, mesmo que esta tenha influenciado os primitivos pensadores cristãos.  Às vezes, de fato, o Logos aparenta ser concebido como um aspecto de Deus, mas mesmo neste caso haveria uma clara distinção entre a ideia de Filo e dos Cristãos sobre o Logos. (Frederick Copleston, A History of Philosophy, Volume 1, p. 459, em Inglês). [Os grifos são nossos.]






A mesma obra de referência adiciona:

[...] O Logos é o instrumento de Deus na formação do mundo, e Filo achou referência a isso nas palavras do Pentateuco, e fez Deus o homem segundo a imagem de Deus. (p. 460) [O grifo é nosso.]



Ainda sobre a mesma obra já citada, analise a passagem que se segue:

Deve ser notado que, quando o Antigo Testamento menciona o anjo de Deus ao descrever teofanias, Filo identifica o anjo com o Logos, assim como quando vários anjos são mencionados, ele os identifica com os Poderes... Este Logos é uma substância incorpórea, a Palavra ou Voz imaterial de Deus; mas, na medida em que é concebido como realmente distinto de Deus, é concebido como subordinado a Deus, como instrumento de Deus. Filo utilizou, não apenas a concepção da Sabedoria Divina, conforme encontrada nos Livros Sapienciais, mas também o exemplarismo platônico (o Logos é a imagem, a sombra de Deus e é o próprio exemplar da criação) e temas estoicos (o Logos é inerente, e ainda, ao mesmo tempo, transcendente, o princípio da lei no mundo e o vínculo que organiza as criaturas); mas a concepção geral parece ser de um ser de escala menor. Em outras palavras, o Logos de Filo, à medida que é realmente distinto da Deidade Definitiva, Yahweh, é um ser subordinado e intermediário, através do qual Deus se expressa e age: Não é a Palavra consubstancial do Pai, a Segunda Pessoa da Bendita Trindade. A filosofia de Filo, com respeito ao Logos, é mais próxima ao Neoplatonismo que ao Cristianismo Trinitarista.  (p. 460) [Os grifos são nossos.]


Pelo comentário da obra citada, percebe-se que a cristandade apóstata, a qual rejeitou o claro ensino bíblico sobre a separação ontológica entre Pai e Filho para se apegar aos ensinos pagãos da filosofia grega, nem ao menos se apegou a estes com exatidão e honestidade.

O próximo artigo mostrará as passagens bíblicas nas quais Filo se baseou para dar consistência às suas ideias sobre o Logos.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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