Image Map











terça-feira, 22 de agosto de 2017

Harmonizando Gênesis 1:11, 13 e Gênesis 2:5, 6

Fonte da foto: jw.org

Segue abaixo o comentário de um leitor a respeito dos textos acima:

Peço, favor, se possível, me explicar Gênesis 2:5, 6, visto que parece contradizer Gênesis 1:11, 13. Um estudante perguntou-me se JEOVÁ já havia criado as plantas, porque, após ter descansado, ainda não havia plantas, em virtude de nem chover. Não sei se fui claro.

Resposta:

Lemos na obra Estudo Perspicaz das Escrituras:

No terceiro “dia” criativo, Deus fez com que a terra produzisse “vegetação que dava semente segundo a sua espécie”; ela podia assim reproduzir-se. (Gên 1:11-13) Gênesis 2:5, 6, pelo visto, descreve as condições existentes naquele “dia”, pouco depois de Deus fazer surgir a terra seca, mas antes da produção da relva, da vegetação que dava semente e das árvores frutíferas. A fim de fornecer a necessária umidade à vida vegetal que surgiria, Jeová fez com que da terra subisse regularmente uma neblina para regar o solo. Isto mantinha vicejante a vegetação em toda a terra, mesmo não havendo então chuva. Embora os luzeiros nos céus só se tornassem claramente discerníveis na expansão no quarto “dia” criativo (Gên 1:14-16), evidentemente já no terceiro “dia” havia bastante luz difusa disponível para estimular o crescimento da vegetação. — Veja Gên 1:14, Ro n. (it-3, pp. 768-769, verbete “Vegetação”.)

O capítulo 2 de Gênesis não está em sequência cronológica em relação ao capítulo 1, mas supre informações sobre os dias criativos descritos no primeiro capítulo. Exemplo disso é que Gênesis 1:26-28 descreve resumidamente a criação do primeiro casal humano, ao passo que o capítulo 2 descreve em pormenores tal criação.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



domingo, 20 de agosto de 2017

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 73)

Fonte da ilustração: jw.org
Jesus amaldiçoa figueira, expulsa mercadores; ouve-se a voz de Deus
(segunda-feira, 10 de nisã de 33 EC)
(Unificação dos textos de Mat. 21:18, 19a, 12, 13; Mar. 11:12-19; Luc. 19:45-48; João 12:20-50)
No dia seguinte, tendo eles saído de Betânia, ao voltar à cidade de manhã cedo, ficou com fome. E avistando de certa distância uma figueira à beira da estrada, que tinha folhas, dirigiu-se para ela, para ver se acharia nela algo. Mas, chegando-se a ela, não encontrou nada a não ser folhas, pois não era a estação dos figos.  Assim, como resposta, ele lhe disse: “Nunca mais venha de ti fruto algum.” E os seus discípulos estavam escutando.
Chegaram então a Jerusalém. Ali Jesus entrou no templo e principiou a lançar fora todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as bancas dos que vendiam pombas; e não deixou ninguém carregar qualquer utensílio através do templo, mas ensinava e dizia: “Está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações.’[1] Mas vós fizestes dela um covil de salteadores.”[2] (Outrossim, ia diariamente ensinar no templo.)
Mas os principais sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo ouviram isso, e começaram a procurar um meio de destruí-lo; pois estavam com temor dele, porque toda a multidão ficava continuamente assombrada com o seu ensino. Contudo, não achavam um meio eficiente de o fazer, pois o povo todo se apegava a ele para o ouvir.
Fonte da ilustração: jw.org
(João 12:20-50)
20 Ora, havia alguns gregos entre os que subiram para adorar na festividade.[3] 21 Estes, portanto, chegaram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e começaram a solicitar-lhe, dizendo: “Senhor, queremos ver Jesus.” 22 Filipe veio e o disse a André. André e Filipe vieram e o disseram a Jesus.
23 Mas Jesus respondeu-lhes, dizendo: “Chegou a hora para o Filho do homem ser glorificado. 24 Eu vos digo em toda a verdade: A menos que o grão de trigo caia ao solo e morra, permanece apenas um só [grão]; mas, se morre, então dá muito fruto. 25 Quem estiver afeiçoado à sua alma, destruí-la-á, mas quem odiar a sua alma neste mundo, protegê-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém quiser ministrar-me, siga-me, e onde eu estiver, estará também o meu ministro. Quem quiser ministrar-me, a este o Pai honrará. 27 Minha alma está aflita agora, e que hei de dizer? Pai, salva-me desta hora. Não obstante, foi por isso que vim a esta hora. 28 Pai, glorifica o teu nome.” Saiu, portanto, uma voz do céu: “Eu tanto [o] glorifiquei como [o] glorificarei de novo.”
29 Por isso, a multidão parada ali e ouvindo-o começou a dizer que tinha trovejado. Outros começaram a dizer: “Um anjo lhe falou.” 30 Em resposta, Jesus disse: “Esta voz ocorreu, não por minha causa, mas por vossa causa. 31 Agora há um julgamento deste mundo; agora será lançado fora o governante deste mundo. 32 Contudo, eu, quando for erguido da terra, atrairei a mim toda sorte de homens.” 33 Dizia isso realmente para indicar de que sorte de morte estava para morrer. 34 Portanto, a multidão respondeu-lhe: “Ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre;[4] e como é que tu dizes que o Filho do homem tem de ser erguido? Quem é este Filho do homem?” 35 Jesus disse-lhes, portanto: “A luz estará entre vós por mais um pouco de tempo. Andai enquanto tendes a luz, para que não vos vença a escuridão; e, quem anda na escuridão, não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a luz, exercei fé na luz, a fim de que vos torneis filhos da luz.”
Jesus falou estas coisas e foi embora, e escondeu-se deles. 37 Mas, embora tivesse realizado tantos sinais na frente deles, não depositavam fé nele, 38 de modo que se cumpriu a palavra de Isaías, o profeta, que disse: “Jeová, quem depositou fé na coisa ouvida por nós? E quanto ao braço de Jeová, a quem tem sido revelado?”[5] 39 A razão por que não podiam crer é que Isaías disse novamente: 40 “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes os corações, para que não vissem com os seus olhos, nem compreendessem o pensamento com os seus corações, nem se voltassem e eu os sarasse.”[6] 41 Isaías disse estas coisas, porque viu a sua glória e falou dele. 42 De qualquer modo, muitos dos próprios governantes depositavam realmente fé nele, mas, por causa dos fariseus, não [o] confessavam, a fim de que não fossem expulsos da sinagoga; 43 pois amavam mais a glória dos homens do que mesmo a glória de Deus.
44 No entanto, Jesus clamou e disse: “Quem depositar fé em mim, deposita fé, não [somente] em mim, mas [também] naquele que me enviou; 45 e quem me observar, observa [também] aquele que me enviou. 46 Eu vim como luz ao mundo, a fim de que todo aquele que depositar fé em mim não permaneça na escuridão. 47 Mas, se alguém ouvir as minhas declarações e não as guardar, eu não o julgo; pois não vim julgar o mundo, mas salvar o mundo. 48 Quem me desconsiderar e não receber as minhas declarações, tem quem o julgue. A palavra que eu tenho falado é que o julgará no último dia; 49 porque não falei de meu próprio impulso, mas o próprio Pai que me enviou tem-me dado um mandamento quanto a que dizer e que falar. 50 Sei também que o seu mandamento significa vida eterna. Portanto, as coisas que eu falo, assim como o Pai mas disse, assim [as] falo.”
E sempre que ficava tarde no dia, saíam da cidade.

Explicação das siglas usadas:
EC: Era Comum.
it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.

Notas:
[1] Isa. 56:7.
[2] Jer. 7:11.
[3] Evidentemente eram prosélitos gregos da religião judaica. – It-2, p. 261.
[4] Sal. 89:36; 110:4; Isa. 9:7.
[5] Isa. 53:1.
[6] Isa. 6:10.


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 3)


Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior mostrou os conceitos de Filo e de Justino sobre o Logos. Este artigo mostrará qual foi a base para o conceito de Filo sobre o Logos.

É importante lembrar que Filo tentava conciliar as Escrituras Hebraicas com a filosofia grega. Assim, o Logos de Filo foi um personagem baseado no que Platão, em quem Filo mais se baseou, chamou de demiurgo. (Estou apresentando neste artigo apenas os fatos; em nenhum momento professo apoio ao que Filo fez). Quanto a este personagem, veja brevemente o que diz a obra The Cambridge Dictionary of Philosophy:



Demiurgo (do grego demiourgos, ‘artesão’, ‘artífice’), uma deidade que molda o mundo material a partir de um caos preexistente. Platão introduz o demiurgo em seu Timeu. Por ser perfeitamente bom, o demiurgo deseja comunicar sua própria bondade. Usando as Formas como um modelo, ele molda o caos inicial nas melhores imagens possíveis de seus arquétipos [protótipos]; O mundo visível é o resultado. Embora o demiurgo seja o maior deus e a melhor das causas, ele não deve ser identificado com o Deus do teísmo. Seu status ontológico e axiológico é menor do que o das formas, especialmente a Forma do Bom. Ele também é limitado. A matéria que ele usa não é criada por ele. Além do mais, é confuso e indeciso, e por isso resiste parcialmente às suas ordens racionais.” (Robert Audi, The Cambridge Dictionary of Philosophy, Second Edition, p. 217) [Os grifos são nossos.].




O referido dicionário ainda acrescenta em relação ao demiurgo:
 
Numênio de Apameia [...] Filósofo grego platônico [...] Seu sistema de três níveis de realidade espiritual – um deus principal (o Bom, o Pai), que é quase que supraintelectual; um secundário, o deus criador (o demiurgo do Timeu Platão); (p. 622) [Os grifos são nossos.]
 


                Filo seguiu a distinção platônica entre matéria imperfeita e forma perfeita. Assim, seres intermediários eram necessários para preencher a enorme lacuna entre Deus e o mundo material. A obra A History of Philosophy afirma:



[...] a concepção de seres intermediários, a fim de criar uma ponte no abismo entre o Próprio Deus e o cosmos material. O maior de tais seres intermediários é o Logos ou Nous. O Logos é dito como o primogênito de Deus , sendo o mais antigo e o mais aparentado [a Deus] dos que foram produzidos. O Logos é para Filo definitivamente inferior a Deus e deve ser considerado como estando entre os que foram produzidos, que inclui muitos outros seres além do Logos, mesmo que este [o Logos] tenha primazia. A concepção de Filo do Logos, portanto, não é idêntica ao dogma do Logos, conforme preservado na teologia Cristã, mesmo que esta tenha influenciado os primitivos pensadores cristãos.  Às vezes, de fato, o Logos aparenta ser concebido como um aspecto de Deus, mas mesmo neste caso haveria uma clara distinção entre a ideia de Filo e dos Cristãos sobre o Logos. (Frederick Copleston, A History of Philosophy, Volume 1, p. 459, em Inglês). [Os grifos são nossos.]






A mesma obra de referência adiciona:

[...] O Logos é o instrumento de Deus na formação do mundo, e Filo achou referência a isso nas palavras do Pentateuco, e fez Deus o homem segundo a imagem de Deus. (p. 460) [O grifo é nosso.]



Ainda sobre a mesma obra já citada, analise a passagem que se segue:

Deve ser notado que, quando o Antigo Testamento menciona o anjo de Deus ao descrever teofanias, Filo identifica o anjo com o Logos, assim como quando vários anjos são mencionados, ele os identifica com os Poderes... Este Logos é uma substância incorpórea, a Palavra ou Voz imaterial de Deus; mas, na medida em que é concebido como realmente distinto de Deus, é concebido como subordinado a Deus, como instrumento de Deus. Filo utilizou, não apenas a concepção da Sabedoria Divina, conforme encontrada nos Livros Sapienciais, mas também o exemplarismo platônico (o Logos é a imagem, a sombra de Deus e é o próprio exemplar da criação) e temas estoicos (o Logos é inerente, e ainda, ao mesmo tempo, transcendente, o princípio da lei no mundo e o vínculo que organiza as criaturas); mas a concepção geral parece ser de um ser de escala menor. Em outras palavras, o Logos de Filo, à medida que é realmente distinto da Deidade Definitiva, Yahweh, é um ser subordinado e intermediário, através do qual Deus se expressa e age: Não é a Palavra consubstancial do Pai, a Segunda Pessoa da Bendita Trindade. A filosofia de Filo, com respeito ao Logos, é mais próxima ao Neoplatonismo que ao Cristianismo Trinitarista.  (p. 460) [Os grifos são nossos.]


Pelo comentário da obra citada, percebe-se que a cristandade apóstata, a qual rejeitou o claro ensino bíblico sobre a separação ontológica entre Pai e Filho para se apegar aos ensinos pagãos da filosofia grega, nem ao menos se apegou a estes com exatidão e honestidade.

O próximo artigo mostrará as passagens bíblicas nas quais Filo se baseou para dar consistência às suas ideias sobre o Logos.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Você é misericordioso assim como Jesus? – O relato da mulher encurvada

Fonte da ilustração: jw.org

Como era o seu costume, Jesus estava ensinando em uma sinagoga, ou local de reunião, dos judeus. Mas, nesta ocasião, havia na assistência uma pessoa com uma situação peculiar. O historiador e médico Lucas descreveu com extrema precisão a história e a situação dessa pessoa: “E havia ali uma mulher que tinha um espírito de fraqueza havia 18 anos; ela estava encurvada e não conseguia de modo algum se endireitar.” – Lucas 13:11.

Assim que nota a presença dela, extremamente sensibilizado pela desafortunada situação daquela mulher, o Senhor para o seu discurso e toma a iniciativa em se dirigir a ela com palavras altamente consoladoras: “Mulher, você está livre da sua fraqueza.” (Lucas 13:12) Fazendo mais do que isso, o Filho de Deus põe as mãos sobre ela. E o que acontece em resultado disso? De forma milagrosa, ela se endireita instantaneamente! Como foi maravilhoso ela estar na sinagoga naquela ocasião ouvindo o Filho de Deus! Após penosos 18 anos, ela estava finalmente curada.

Porém, por incrível que possa parecer, nem todos os ali presentes compartilhavam dos sentimentos de Jesus pelos aflitos. Uma pessoa altamente improvável – o presidente da sinagoga – ficou irritado pelo fato de Jesus ter curado aquela sofredora no sábado. A cegueira mental e espiritual do presidente da sinagoga o impediam de ver que tal milagre naquelas condições somente podia ter sido realizado pelo poder de Deus. Como Lucas citaria mais tarde as palavras do apóstolo Pedro, que falou “sobre Jesus, que era de Nazaré, como Deus o ungiu com espírito santo e poder; e ele andou por toda a região fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo, porque Deus estava com ele”. – Atos 10:38.

Mas, em vez de criticar diretamente a Jesus, tal presidente da sinagoga fez uma crítica indireta a Cristo por censurar os demais presentes na sinagoga, dizendo: “Há seis dias em que se deve trabalhar; portanto, venham nesses dias e sejam curados, e não no dia de sábado.” (Lucas 13:14) Podemos imaginar o rosto de Jesus enrubescer, numa mescla de ira e de profunda decepção, transtornado pela extrema insensibilidade de pessoas tais como aquele homem. Não podendo conter-se, o Senhor respondeu-lhe: “Hipócritas, não é que cada um de vós, no sábado, desata da baia o seu touro ou o seu jumento e o leva para dar-lhe de beber? Não era então apropriado que esta mulher, que é filha de Abraão, e a quem Satanás manteve amarrada, ora! por dezoito anos, fosse solta deste laço no dia de sábado?” – Lucas 13:15, 16; NM Com Referências, edição de 1986.

A lógica usada por Cristo é incontestável: os que criticavam tal cura no sábado não viam nada de errado em soltar seu touro ou jumento para que estes pudessem saciar sua sede. Mas criticavam a Jesus por ele ter soltado tal mulher esgotada e sedenta de saúde no dia de sábado. Eles mostravam misericórdia por um animal, mas desprezavam um ser humano. Tal animal estaria pouco tempo – talvez poucas horas – sem beber água. Esta mulher estava 18 anos sofrendo!

O erudito cristão Lucas registra que Jesus usou a mesma palavra tanto para o caso dos animais como para o caso da mulher – a palavra λύω (lýo), que significa “soltar”, “libertar”, “livrar”. No caso daquela mulher, ele descreveu a situação dela antes da cura pelo verbo grego δέω (déo), que significa “amarrar”, “apertar” com correntes. Os animais daqueles críticos provavelmente não se encontravam amarrados de forma grandemente apertada, a ponto de estarem sufocados, como havia sido o caso daquela mulher, e por tão longo tempo.

Jesus ainda cita outra informação sobre essa mulher: ela era “filha de Abraão”. (Lucas 13:16) Portanto, ela era da mesma ascendência deles. Mas, com os corações insensíveis, desconsideravam todos esses fatos.

Podemos sentir a profunda indignação do Filho de Deus pela expressão “ora”, que atua como interjeição que envolve uma mistura de surpresa, decepção e de raiva. É a tradução de ἰδού (idoú), “uma partícula demonstrativa … corretamente o imperativo, o aoristo médio de eidon/horáo, ver”[1]. Em outras palavras, o Senhor Jesus estaria dizendo: ‘Esta mulher a quem Satanás manteve amarrada, vejam! por dezoito anos!’

Tão profundo foi o enfoque abordado pelo Senhor que, após tal magistral exposição, seus oponentes ficaram envergonhados. – Lucas 13:17.

A lição a ser aprendida

Havia entre o povo de Deus daquele tempo pessoas altamente legalistas, presas a um entendimento restrito, insensível e injusto da Lei mosaica dada por Deus. Colocavam seu entendimento fundamentalista acima dos princípios defendidos pela própria Lei, tais como a misericórdia e a justiça. (Veja Oseias 6:6.) Lemos em Miqueias 6:8: “E o que Jeová pede de você? Apenas que pratique a justiça, ame a lealdade e ande modestamente com o seu Deus!” Como Jesus disse sobre tais legalistas em outra ocasião: “Guias cegos, que coam o mosquito, mas engolem o camelo!” – Mateus 23:24.

Por certo, tal relato bíblico nos dá o que pensar. Será que prezamos as qualidades tais como o amor, a misericórdia e a justiça? Ou nos permitimos desconsiderar tais qualidades divinas por nos apegarmos insensivelmente a regras de homens que deixam de lado tais qualidades?


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org











[1] Fonte: http://biblehub.com/greek/2400.htm

domingo, 13 de agosto de 2017

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 72)

Fonte da ilustração: jw.org

Entrada triunfal em Jerusalém (domingo, 9 de nisã de 33 EC)
(Unificação de Mat. 21:1-11, 14-17; Mar. 11:1-11; Luc. 19:29-44; João 12:12-19)
Ora, no dia seguinte, quando se aproximavam de Jerusalém, e chegaram perto de Betfagé[1] e Betânia, no monte chamado Monte das Oliveiras[2], Jesus enviou então dois de seus discípulos, dizendo-lhes: “Ide à aldeia que está ao alcance de vossa vista, e assim que entrardes nela,[3] logo achareis amarrada uma jumenta, e um jumentinho com ela, em que ninguém da humanidade ainda montou[4]; desatai-os e trazei-mos. Mas, se alguém vos perguntar: ‘Por que fazeis isso?’ tereis de falar deste modo: ‘O Senhor precisa deles, e os mandará logo de volta para cá.’ Com isso, ele os enviará imediatamente.” Isto aconteceu realmente para que se cumprisse o que fora falado por intermédio do profeta, que disse: “Dizei à filha de Sião: ‘Não temas, filha de Sião. Eis que o teu Rei está vindo a ti, de temperamento brando e montado num jumento, sim, num jumentinho, descendência dum animal de carga.’”[5] No princípio, os discípulos não fizeram caso destas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que estas coisas estavam escritas a respeito dele e que lhe fizeram estas coisas.
Os discípulos enviados partiram então e acharam o jumentinho amarrado à porta, do lado de fora, numa rua lateral, exatamente como lhes dissera, e soltaram-nos. Mas, ao soltarem o jumentinho, os donos dele parados ali começaram a dizer-lhes: “Que estais fazendo? Por que soltais o jumentinho?” Disseram a estes exatamente o que Jesus dissera: “O Senhor precisa dele.” E deixaram-nos ir. Fizeram conforme Jesus lhes ordenara. E trouxeram a jumenta e seu jumentinho, E conduziram-nos a Jesus, e lançaram sobre estes as suas roupas exteriores, e Jesus se sentou nele.
Enquanto ele avançava, a maior parte da multidão estendeu suas roupas exteriores pela estrada, ao passo que outros cortaram ramos das árvores e os espalhavam pela estrada. Assim que chegou perto da estrada que desce do Monte das Oliveiras, a grande multidão que tinha vindo à festividade, ao ouvirem que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras e saíram ao encontro dele. A multidão, que estivera com ele quando chamou Lázaro para fora do túmulo memorial e o levantou dentre os mortos, concordemente, dava testemunho. Por esta razão, a multidão também foi ao encontro dele, porque ouviram que ele realizara este sinal.
Quanto às multidões, os que iam na frente e os que vinham atrás, [e] toda a multidão dos discípulos, principiaram a alegrar-se e a louvar a Deus com voz alta a respeito de todas as obras poderosas que tinham visto, [e] clamavam: “Salva[6], rogamos, o Filho de Davi! Bendito Aquele que vem como Rei em nome de Jeová! Sim, o rei de Israel! Bendito é o reino vindouro de nosso pai Davi! Paz no céu e glória nos lugares mais altos! Salva-o, rogamos, nas maiores alturas!” No entanto, alguns dos fariseus dentre a multidão disseram-lhe: “Instrutor, censura os teus discípulos.” Mas ele disse, em resposta: “Eu vos digo: Se estes permanecessem calados, as pedras clamariam.” Os fariseus disseram, por isso[7], entre si mesmos: “Observais que não conseguis absolutamente nada. Eis que o mundo foi atrás dele.”
E quando chegou perto, contemplou a cidade e chorou sobre ela, dizendo: “Se tu, sim tu, tivesses discernido neste dia as coisas que têm que ver com a paz — mas agora foram escondidas de teus olhos. Porque virão sobre ti os dias em que os teus inimigos construirão em volta de ti uma fortificação de estacas pontiagudas e te cercarão, e te afligirão de todos os lados, e despedaçarão contra o chão a ti e a teus filhos dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não discerniste o tempo de seres inspecionada.”
Entrando ele então em Jerusalém, a cidade inteira ficou em comoção, dizendo: “Quem é este?” As multidões diziam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia!” E ele entrou no templo; e olhou em volta, para todas as coisas. E aproximaram-se dele no templo também cegos e coxos, e ele os curou. Quando os principais sacerdotes e os escribas viram as coisas maravilhosas que ele fazia e os meninos que clamavam no templo e diziam: “Salva, rogamos, o Filho de Davi!” ficaram indignados e disseram-lhe: “Ouves o que estes estão dizendo?” Jesus disse-lhes: “Sim. Nunca lestes o seguinte: ‘Da boca de pequeninos e de crianças de peito forneceste louvor’?”[8] E, deixando-os, visto que a hora já estava avançada, saiu com os doze para Betânia e passou ali a noite.

Explicação das siglas usadas:

EC: Era Comum.
gt: O Maior Homem Que Já Viveu.
it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.
w: revista A Sentinela. Os números em sequência indicam, respectivamente, o ano, o dia e o mês da publicação.

Notas:
[1] Do hebr., provavelmente significando “Casa dos Figos Temporãos”. Estava situada no monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, e também perto de Betânia. A localização tradicional é entre Betânia e Jerusalém, na encosta SE do monte das Oliveiras. Deste ponto, a distância é curta até um dos cumes do monte das Oliveiras. Descendo dali, a cidade de Jerusalém estava à plena vista. (Luc. 19:37, 41) – It-1, p. 355.
[2] Cadeia de morros arredondados de calcário, situada do lado leste de Jerusalém, à distância da “jornada de um sábado” (890 m), e separada da cidade pelo vale do Cédron. Inclui três cumes principais. O cume central, defronte do monte do Templo, tem por volta de 812 m no ponto mais elevado e é aquele geralmente mencionado na Bíblia como o monte das Oliveiras. – It-3, p. 132..
[3] Os discípulos entraram em Betfagé. – gt cap. 102.
[4] Pelo visto, um animal que ainda não tinha sido usado era especialmente adequado para fins sagrados. (Núm. 19:2; Deut. 21:3; 1 Sam. 6:7) – w97 1/3 p. 30.
[5] Zac. 9:9.
[6] Ou, na linguagem atual, “salve”: interjeição que exprime saudação. Eles diziam, com efeito: ‘Saúda (cumprimenta, louva, felicita) o Filho de Davi.’
[7] Quer dizer, por ver a multidão ir ao encontro dele. – João 12:17-19.
[8] Sal. 8:2. 


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 2)


Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior analisou o termo “Logos” à luz da Septuaginta, do conceito grego e metafísico, e do conceito neotestamentário. Este artigo apresentará um conceito contemporâneo ao ministério apostólico a respeito do Logos de Filo.

O Logos de Deus

O Logos de Filo, diferente do de Heráclito, não é o próprio Deus. E por mais que Filo fosse instável em seus conceitos e tentasse adaptar os preceitos filosóficos gregos à sua crença judaica, Filo abertamente cria que o Logos era um ser distinto de Deus, não uma parte sem a qual o Ser Supremo não pode existir. Nesse respeito, veja o comentário de J. N. D. Kelly, na obra Early Christian Doctrines, página 20:

Segundo, existe o conceito dele [i.e., de Filo] sobre o Logos, ou Palavra. Guiado pelos Platonistas Médios a quem tanto admirava, Filo ensinou que Deus é completamente transcendente; Ele transcende mesmo a virtude, o conhecimento e a beleza e bondade absolutas – as Formas eternas que seu venerado mestre, Platão, tinha postulado. Deus é ser puro [...] absolutamente simples e autossuficiente, e pode ser descrito como “sem qualidade” [...] – o que provavelmente significa que, por Sua transcendência, Ele não pode ser incluído em nenhuma categoria lógica na qual nós classificamos de seres finitos [...] (KELLY, J. N. D., Early Christian Doctrines, p. 20) [Os grifos são nossos.]






O autor ainda acrescenta:

[...] Deus se relevou nas Escrituras. Em vez disso, ele compreendia [a existência] de poderes imaginários [...] os quais, embora suas posições sejam confusas até certo ponto, não eram seres tão distintos quantos as operações de Deus consideravam em separação de Si mesmo. Entre tais intermediários, o superior e mais importante era o Logos, “o mais velho e mais aparentado a Deus”, conforme ele o chama, “das coisas que vieram à existência”.
        O ensino de Filo sobre o Logos é ambíguo, até mesmo inconsistente. Mas os traços principais são claros o suficiente. Como intermediário entre Deus e o universo, o Logos tem uma função dupla: Ele é o agente de Deus na criação, e é também o meio pelo qual a mente compreende Deus [...].” (KELLY, J.N.D., Early Christian Doctrines, p.21) [Os grifos são nossos.]

 
Conforme declara o autor, o Logos de Filo tem uma origem. É um ser único quanto aos seus atributos. Filo usou o termo Logos para se referir a um ser intermediário.
 O LOGOS – FILO E JUSTINO, O MÁRTIR 
Um dos chamados “apologistas cristãos” que conhecia a filosofia grega (era professor de filosofia), foi Justino, o Mártir. Este filósofo tinha conceitos sobre o Logos bem semelhantes – para não dizer “idênticos” - aos de Filo. Aqui existe, no entanto, um grandioso porém: Justino, diferentemente de Filo, era cristão e aplicava os conceitos do Logos a Jesus Cristo com plena consciência disso. O escritor Harry R. Boer, que trabalhou como missionário na Nigéria pela Igreja Reformada Cristã, e foi também editor e fundador do Reformed Journal, e serviu como diretor da Theological College of Northern Nigeria, escreveu em seu livro A Short History of the Early Church a respeito de como Justino entendia o Logos: 

2. Os Apologistas

Com os Apologistas, a filosofia grega passou a estar associada com o Cristianismo. O mais conhecido deles foi Justino, o Mártir, um homem de Samaria cujos pais eram romanos. Ele foi aluno e professor de filosofia antes de sua conversão. Ele continuou sendo filósofo, e considerava o Cristianismo a filosofia superior. Ele morreu como mártir por causa da fé entre 163 e 167. Justino ensinou que antes da criação do mundo Deus estava sozinho e que não havia nenhum Filho. No interior de Deus, no entanto, havia a Razão, ou Mente (o Logos). Quando Deus desejou criar o mundo, ele precisou de um agente para fazer isso para ele. Essa necessidade surgiu da visão grega de que Deus não pode tocar na matéria. Por isso, ele gerou outro ser divino a fim de criar o mundo para ele. Este ser divino era chamado de Logos ou Filho de Deus. Ele foi chamado de Filho porque ele foi gerado; ele foi chamado de Logos porque ele foi tomado da Razão ou Mente de Deus. No entanto, o Pai não perde nada quando ele dá existência independente ao Logos. O Logos, que é tomado a partir dele para se tornar o Filho, é como uma chama tirada de uma fogueira para que se faça uma nova fogueira. A nova fogueira não diminui a fogueira anterior.
Justino e outros Apologistas, portanto, ensinavam que o Filho é uma criatura. Ele é uma criatura superior, uma criatura suficientemente poderosa para criar o mundo, mas ainda assim, uma criatura. A teologia [que trata] dessa relação do Filho com o Pai é chamada de subordinacionismo. O Filho é subordinado, quer dizer, secundário a, dependente de, e causado pelo Pai. Os Apologistas eram subordinacionistas. – Página 110; os grifos em negrito são nossos.
 




Aqui vemos claramente a ligação entre Justino e Filo. Para ambos, o Logos é uma criatura capaz de trazer o mundo à existência, não o Criador Eterno e Supremo. 

No artigo seguinte veremos qual foi a base do conceito de Filo.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 


Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *