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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 3)


Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior mostrou os conceitos de Filo e de Justino sobre o Logos. Este artigo mostrará qual foi a base para o conceito de Filo sobre o Logos.

É importante lembrar que Filo tentava conciliar as Escrituras Hebraicas com a filosofia grega. Assim, o Logos de Filo foi um personagem baseado no que Platão, em quem Filo mais se baseou, chamou de demiurgo. (Estou apresentando neste artigo apenas os fatos; em nenhum momento professo apoio ao que Filo fez). Quanto a este personagem, veja brevemente o que diz a obra The Cambridge Dictionary of Philosophy:



Demiurgo (do grego demiourgos, ‘artesão’, ‘artífice’), uma deidade que molda o mundo material a partir de um caos preexistente. Platão introduz o demiurgo em seu Timeu. Por ser perfeitamente bom, o demiurgo deseja comunicar sua própria bondade. Usando as Formas como um modelo, ele molda o caos inicial nas melhores imagens possíveis de seus arquétipos [protótipos]; O mundo visível é o resultado. Embora o demiurgo seja o maior deus e a melhor das causas, ele não deve ser identificado com o Deus do teísmo. Seu status ontológico e axiológico é menor do que o das formas, especialmente a Forma do Bom. Ele também é limitado. A matéria que ele usa não é criada por ele. Além do mais, é confuso e indeciso, e por isso resiste parcialmente às suas ordens racionais.” (Robert Audi, The Cambridge Dictionary of Philosophy, Second Edition, p. 217) [Os grifos são nossos.].




O referido dicionário ainda acrescenta em relação ao demiurgo:
 
Numênio de Apameia [...] Filósofo grego platônico [...] Seu sistema de três níveis de realidade espiritual – um deus principal (o Bom, o Pai), que é quase que supraintelectual; um secundário, o deus criador (o demiurgo do Timeu Platão); (p. 622) [Os grifos são nossos.]
 


                Filo seguiu a distinção platônica entre matéria imperfeita e forma perfeita. Assim, seres intermediários eram necessários para preencher a enorme lacuna entre Deus e o mundo material. A obra A History of Philosophy afirma:



[...] a concepção de seres intermediários, a fim de criar uma ponte no abismo entre o Próprio Deus e o cosmos material. O maior de tais seres intermediários é o Logos ou Nous. O Logos é dito como o primogênito de Deus , sendo o mais antigo e o mais aparentado [a Deus] dos que foram produzidos. O Logos é para Filo definitivamente inferior a Deus e deve ser considerado como estando entre os que foram produzidos, que inclui muitos outros seres além do Logos, mesmo que este [o Logos] tenha primazia. A concepção de Filo do Logos, portanto, não é idêntica ao dogma do Logos, conforme preservado na teologia Cristã, mesmo que esta tenha influenciado os primitivos pensadores cristãos.  Às vezes, de fato, o Logos aparenta ser concebido como um aspecto de Deus, mas mesmo neste caso haveria uma clara distinção entre a ideia de Filo e dos Cristãos sobre o Logos. (Frederick Copleston, A History of Philosophy, Volume 1, p. 459, em Inglês). [Os grifos são nossos.]






A mesma obra de referência adiciona:

[...] O Logos é o instrumento de Deus na formação do mundo, e Filo achou referência a isso nas palavras do Pentateuco, e fez Deus o homem segundo a imagem de Deus. (p. 460) [O grifo é nosso.]



Ainda sobre a mesma obra já citada, analise a passagem que se segue:

Deve ser notado que, quando o Antigo Testamento menciona o anjo de Deus ao descrever teofanias, Filo identifica o anjo com o Logos, assim como quando vários anjos são mencionados, ele os identifica com os Poderes... Este Logos é uma substância incorpórea, a Palavra ou Voz imaterial de Deus; mas, na medida em que é concebido como realmente distinto de Deus, é concebido como subordinado a Deus, como instrumento de Deus. Filo utilizou, não apenas a concepção da Sabedoria Divina, conforme encontrada nos Livros Sapienciais, mas também o exemplarismo platônico (o Logos é a imagem, a sombra de Deus e é o próprio exemplar da criação) e temas estoicos (o Logos é inerente, e ainda, ao mesmo tempo, transcendente, o princípio da lei no mundo e o vínculo que organiza as criaturas); mas a concepção geral parece ser de um ser de escala menor. Em outras palavras, o Logos de Filo, à medida que é realmente distinto da Deidade Definitiva, Yahweh, é um ser subordinado e intermediário, através do qual Deus se expressa e age: Não é a Palavra consubstancial do Pai, a Segunda Pessoa da Bendita Trindade. A filosofia de Filo, com respeito ao Logos, é mais próxima ao Neoplatonismo que ao Cristianismo Trinitarista.  (p. 460) [Os grifos são nossos.]


Pelo comentário da obra citada, percebe-se que a cristandade apóstata, a qual rejeitou o claro ensino bíblico sobre a separação ontológica entre Pai e Filho para se apegar aos ensinos pagãos da filosofia grega, nem ao menos se apegou a estes com exatidão e honestidade.

O próximo artigo mostrará as passagens bíblicas nas quais Filo se baseou para dar consistência às suas ideias sobre o Logos.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

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