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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 9)

Contribuído por A Verdade É Logica.

O artigo anterior mostrou que a autoridade que o Logos de Filo possui é secundária. O Logos é inferior a Deus. Este artigo analisará o Logos à luz dos escritos inspirados do apóstolo João.

AFINAL, QUEM ERA O LOGOS PARA JOÃO?

Stephen L. Harris, em Understanding the Bible, já citado, alega que João tinha o conceito de Filo sobre o Logos:

[...] A tentativa de Filo de reconciliar a filosofia grega com a revelação hebraica incluiu sua doutrina do Logos, ou a Palavra, pela qual Deus criou o universo. (Logos, um termo masculino em grego, tornou-se mais aceitável ao pensamento patriarca hebreu do que Sophia, ‘Sabedoria’, que é feminina) O hino ao Logos com o qual João começa seu Evangelho é derivado de suposição de Filo (e por fim, de Provérbios) de que um mediador divino existe entre Deus e o mundo [...].


    
PARALELO ENTRE OS CONCEITOS DE FILO E DOS APÓSTOLOS SOBRE O LOGOS
O LOGOS PARA FILO
O LOGOS PARA OS APÓSTOLOS
A primeira criação de Deus
“O princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3:14)
Uma subdivindade, uma espécie de segundo deus ou deus secundário
“O deus unigênito que está no seio do pai” (João 1:18); também a divindade que estava com Deus (João 1:1)
O Arcanjo de Deus
O Arcanjo de Deus [Miguel] (1 Tessalonicenses 4:16)
Não incriado igual a Deus, nem criado igual aos humanos, mas um meio-termo entre os dois.
O Filho Unigênito de Deus, o único gerado somente por Deus (João 3:16)
O agente intermediário de Deus usado na criação
O agente intermediário de Deus usado na criação (João 1:3; Colossenses 1:16)
 O Primogênito de Deus
O primogênito de toda criação (Colossenses 1:15)
O maior dos poderes angélicos intermediários
Feito maior que os anjos (Hebreus 1:4)
Recebe autoridade real de Deus, mas somente possui a autoridade que lhe é dada
Recebe autoridade real de Deus, mas somente possui a autoridade que lhe é dada (1 Coríntios 15:25-28)
É o arquétipo do homem (Adão)
É o “último Adão” (1 Coríntios 15:45)
Trabalhou ao lado do Pai na criação, mas foi instrumento, não fonte
É participante na criação, mas não o Criador direto (Hebreus 1:2)
É um vice-rei
É rei sob a autoridade de Deus (Marcos, 12:36; Hebreus 1:9)
É inferior a Deus
É inferior a Deus (João 14:28)

Há mais paralelos do que os que foram relacionados logo acima, mas as semelhanças entre o conceito dos apóstolos sobre o Logos, isto é, Jesus, com os conceitos de Filo, deveriam, pelo menos, levar qualquer teólogo honesto a dar margem à dúvida.

Tudo o que foi apresentado aqui a respeito dos conceitos de Filo são nada aquém de fatos. Surge na nossa mente a grandiosa questão: João conhecia Filo e seus pensamentos a respeito do Logos, conforme muitos pensam? Não se pode afirmar. Particularmente, sinto-me tentado a pensar que sim, mediante os fatos. Mas, quando analiso a Bíblia e percebo a simplicidade dos apóstolos, minha racionalidade me diz que isso é altamente improvável. Veja o exemplo:

“Depois de dizer isso, ele acrescentou: ‘Lázaro, nosso amigo, adormeceu, mas eu vou lá para acordá-lo.’ Então os discípulos lhe disseram: ‘Senhor, se ele está dormindo, ficará bom.’ Jesus, no entanto, havia falado da morte dele; mas eles imaginavam que estivesse falando do sono natural.”

Veja quão grande era a limitação dos discípulos, incluindo João. Não é para menos que é declarado abertamente na Bíblia:

“Quando viram a coragem de Pedro e de João, e notaram que eles eram homens comuns e sem instrução [...].” – Atos 4:13.

Em vista disso, é bastante improvável que João tivesse qualquer contato com conceitos filosóficos gregos sobre o Logos, mesmo com os de Filo. Sobre isso, analise o comentário da obra Dicionário Bíblico Wycliffe, na página 1176:







Conforme a referida obra, ao que tudo indica, pela simplicidade e candura do apóstolo João, o termo Logos foi usado simplesmente no sentido mais básico de “Palavra”, isto é, aquele que transmite a Palavra de Deus, sem quaisquer referências provindas da filosofia grega, tampouco das declarações do judeu Filo.

É impressionante como alguns autores de obras influentes, tais como a última mencionada até aqui, dão suas opiniões sobre assuntos envolvendo a divindade de Cristo com declarações plenamente antitrinitárias, mas, ao final, tentam consertar o que haviam dito refazendo a declaração. Os autores da obra Dicionário Bíblico Wycliffe são claramente trinitários, mas eles mesmos dizem que Jesus é “o revelador e expositor de Deus Pai”. (P. 1176) Se o Logos é a Palavra de Deus no sentido de ele ser uma expressão de Deus, então o Logos tem que ser, inevitavelmente, uma manifestação exterior de Jeová – uma criação. Como assim? Uma expressão somente vem à existência quando é falada. Se o Logos é a expressão de Deus, então ele tem que ter tido um princípio. Do contrário, como poderia Deus se expressar sem que criasse algo? Ou como poderia o Logos ser a “expressão eterna” de Deus?

Se o Logos fosse a expressão eterna de Deus, então a própria criação de Deus seria eterna, pois Deus estaria criando coisas durante toda a eternidade. Ou seja, Deus nunca teria tido uma primeira manifestação criativa se ele, durante toda a eternidade, estivesse criando; nunca haveria uma primeira criação. Dizer que o Logos é a expressão eterna de Deus é semelhante ao conceito de “silêncio de palavras eloquentes”. Ora, se é silêncio, não há palavras. Se há palavras, não há silêncio. Então, se Deus falou em seu primeiro ato, a sua palavra passa a existir em realidade. Dessa forma, o Logos vem à existência.

É claro que esse raciocínio é mais poético que apostólico. É altamente improvável que João tivesse quaisquer desses raciocínios ao falar do Logos. Assim, João quis dizer que o Logos é aquele personagem divino que foi “o princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3:14); “o Filho Unigênito” de Deus (João 3:16). Sendo o Porta-Voz oficial de Jeová, o mais amado Filho, o Logos não é o próprio Deus de quem ele é Filho. Tampouco é “a mente de Deus” ou “a razão”. Simplesmente, João descreve o Logos como sendo o Filho Unigênito de Jeová, a primeira e maior de suas criações. (João 20:31) É este o conceito que devemos ter para que possamos adquirir vida eterna: Apenas o Pai é o único Deus verdadeiro, e Jesus Cristo, é o Enviado pelo Pai. – João 17:3.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





Um comentário:

  1. João tinha Filo em mente, não precisava ele próprio ser filosofo para isso, somente que SEUS LEITORES CONHECESSEM este conceito. É um jogo de palavras mencionando algo conhecido dos leitores da época.

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