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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Jesus é a Palavra consubstancial de Deus?

 Fonte da ilustração: jw.org

Artigo contribuído por “A Verdade é Lógica”.

Certo leitor trinitário fez o seguinte questionamento (o questionamento foi readaptado por conter muitos erros de ortografia):

Se Jesus foi instrumento da criação, Senhor Apologista, Ele não ficou olhando. A Palavra (Jesus), que é o Logus profarikós (Jesus na criação) e Logus endiáthetos (Jesus na Eternidade), é a comunicação de Deus Pai. Pois Palavra (Jesus) não se cria. Pois Deus não estava mudo quando falou e criou. Pois o verbo (Jesus) é inato, é inerente de Deus, já estava com Deus. Pois para dizer “Fiat Lux”: “Faça-se a luz”, necessita-se do verbo. O Pai é o arquiteto e Jesus é o engenheiro. Jesus criou também! Ele não ficou olhando!

O Pai pronuncia o verbo porque é Dele próprio, enquanto Pai. O Eterno não existiria se não tivesse um filho que é o verbo. O princípio em Joao 1:1, e Apocalipse 3:14, significa origem, fonte. Alfa é Jesus e Jeová. É o princípio absoluto. Ou seja, está na Eternidade, e não no tempo. Portanto, criatura não cria! Em Isaías 43:10, Deus afirma: Não há outro Deus. Jesus Não é “deus” e nem criatura. Dois deuses é abominação até para os judeus. Criatura não cria, não salva e não perdoa. Quero que o senhor examine mesmo a profundidade deste mistério desvendado.
[Fim do comentário do leitor.]

Resposta:

A Bíblia diz claramente que Jesus foi o meio pelo qual Deus (não apenas a pessoa do Pai, mas Deus) criou todas as coisas. (Provérbios 8:22-30) Na Bíblia, nós vemos muitas vezes Deus se comunicando e agindo por meio de intermediários. Jeová Deus sente prazer em incluir seus filhos e criaturas fiéis em seus propósitos. Veja alguns exemplos:

“[...] Deus... achou bom revelar o seu Filho por meu intermédio [...].” – Gálatas 1:15, 16.

“Mas o Senhor ficou ao meu lado... para que, por meu intermédio, se realizasse plenamente a pregação [...].” – 2 Timóteo 4:17.

Paulo foi o intermediário de Deus para determinados propósitos de Jeová. Pode Paulo ser o intermediário de Deus e ao mesmo tempo Deus? Aqui vemos claramente que Deus se alegra de usar intermediários para muitas coisas. Veja outros exemplos:

“[...] a Lei foi dada por intermédio de Moisés [...].” – João 1:17.

Ora, a Escritura... declarou de antemão as boas novas a Abraão, a saber: ‘Por meio de ti serão abençoadas todas as nações.’” – Gálatas 3:8.

“[...] a promessa... foi transmitida por intermédio de anjos.” – Gálatas 3:19.

O leitor continua:

Pois Palavra (Jesus) não se cria. Pois Deus não estava mudo quando falou e criou. Pois o verbo (Jesus) é inato, é inerente de Deus, já estava com Deus. Pois para dizer ‘Fiat Lux’: ‘Faça-se a luz’, necessita-se do verbo. O Pai é o arquiteto e Jesus é o engenheiro. Jesus criou também! Ele não ficou olhando!”

Falácia da ambiguidade. Isso ocorre quando o argumentador confunde os sentidos de um vocábulo e passa a fazer argumentos baseado na confusão de tais sentidos. Jesus não é a palavra consubstancial de Deus. Como sabemos disso?

João 1:1 diz: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus”. Note que João não diz que a palavra estava em Deus, mas COM Deus. Assim sendo, é impossível que o Logos, ou Jesus, seja “a Palavra” inerente a Deus. Ademais, a explicação dada pelo leitor, de que “O Pai é o arquiteto e Jesus é o engenheiro. Jesus criou também!” não é de caráter trinitário, mas biteísta, ou seja, a crença em dois Deuses coiguais, não em duas pessoas numa única deidade. É muito comum que isso ocorra da parte de trinitários: eles se confundem em sua crença e passam a defender, por vezes, unicismo e biteísmo. Isso não é Trindade.

Jesus é “a Palavra” no sentido titulado, não no sentido consubstancial. Ele mesmo disse isso:

“Mas eu [Jesus] o conheço e obedeço à sua palavra.” – João 8:55.
  
Note que Jesus, a Palavra, disse que obedecia a palavra de Deus. Nesta passagem, “a palavra” citada por Jesus é a palavra inerente a Deus. Jesus falou que a obedecia. Assim, mais uma vez, fica evidente que Jesus não é a palavra inerente a Deus, mas “a Palavra” no sentido de ser o Porta-Voz de Jeová – o ser que transmite a palavra de Jeová.

Deus falou aos nossos antepassados por meio dos profetas, em muitas ocasiões e de muitos modos. Agora, no fim destes dias, ele nos falou por meio de um Filho.” – Hebreus 1:1, 2.
  
Veja que o escritor de Hebreus coloca a palavra de Deus em Jesus no mesmo sentido de como era no caso dos profetas – porta-vozes de Deus – não no sentido consubstancial.

O leitor afirmou:

“O princípio em Joao 1:1, e Apocalipse 3:14, significa origem, fonte.”

Não, não significa. “Princípio” no sentido de “fonte” (i.e., de onde vem, raiz propulsora, principiador) definitivamente não é o sentido de nenhum dos textos citados.

João 1:1 declara: “No princípio era a Palavra.” É inadmissível que um teólogo pensante consiga acreditar que isso poderia ser vertido: “No principiador era a Palavra”, ou “Na raiz propulsora era a Palavra”. “Princípio” é um estado de tempo. Note que João não diz: “Na eternidade era a Palavra”, mas “no princípio”.

Quanto a “princípio da criação de Deus” em Apocalipse 3:14, nenhuma das outras vezes que a expressão “princípio da criação” aparece na Bíblia significa “o principiador da criação” ou “a raiz propulsora da criação”.

“No princípio [não é “de onde veio”, “raiz propulsora”] da criação ‘Ele os fez homem e mulher”. – Marcos 10:6.

“Desde o princípio [não é “de onde veio”; “raiz propulsora”] da criação, que Deus criou”. – Marcos 13:19)

“Exatamente como eram desde o princípio [não é “de onde veio”; “raiz propulsora”] da criação”. – 2 Pedro 3:4.

Nos três exemplos citados, “princípio da criação” significa “começo”, “início”, não “raiz propulsora” tampouco “principiador”. Ademais, o texto de Apocalipse 3:14 é claramente uma referência a Provérbios 8:22. A Septuaginta de Brenton verte este texto em inglês:

The Lord made me the beginning of his ways for his works.(O Senhor me fez no começo dos seus caminhos para seus trabalhos.)
  
Definitivamente, “princípio” significa “começo”, não “principiador” nem “raiz propulsora”.

O referido leitor ainda afirmou: “Em Isaías 43:10, Deus afirma: Não há outro Deus. Jesus Não é ‘deus’ e nem criatura.”

Erro de descontextualização. Esse texto foi dirigido a deuses falsos. Como sabemos disso? Por três motivos:

1) Por que o v. 12 se refere a “deus estrangeiro”, contextualizando a passagem;
2)  Porque o próprio Jesus citou o Salmo 82:6 quando foi acusado de alegar ser “um deus” pelos judeus. (Leia João 10:31-36);
3) Porque o mesmo texto diz “Além de mim não há Salvador”, mas Otniel é chamado de “salvador” em Juízes 3:9. (Obviamente, num sentido inferior e diferente de como Jeová é salvador);

Assim, “não há outro Deus” além de Jeová no sentido de que Jeová é o Deus Todo-Poderoso, nem outro Salvador no sentido que somente Jeová é Salvador. Isso não significa que outros salvadores e deuses não possam existir em um sentido diferente do modo como Jeová é Deus e Salvador. Esse conceito é comum entre os judeus.

“Dois deuses é abominação até para os judeus.” Quer abominação maior para os judeus que a ideia de um Deus Trino? A Trindade é uma abominação para os judeus! A ideia de Deus ser homem é abominação para os judeus! (Oséias 11:9) Os judeus entendiam muito bem a ideia dos sentidos diferentes para a palavra “deus” quando aplicada a outros seres que não são Jeová. (Veja o Salmo 82:1, 6) Tanto é verdade que o próprio Jesus usou tal argumento contra os judeus que o acusavam de blasfêmia, e funcionou.

“Criatura não cria, não salva e não perdoa.” Jesus não é dito como sendo o próprio Criador. Mas Deus dá poder a quem Ele quiser. Eu pessoalmente acho muita prepotência de trinitários argumentarem que Deus não pode delegar autoridades nem fornecer poder a quem Ele desejar para que se execute a vontade Dele. Se Deus quer dar poder e autoridade para que alguém, uma criatura sua, execute algo, então Ele dá. Se Deus quer dar autoridade para Jesus perdoar pecados, então ele dá. Se Deus quer dar poder para Jesus executar a criação, então ele dá. Nenhum trinitário tem autoridade para proibir a Deus de dar autoridade e poder a quem Ele quiser.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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domingo, 21 de janeiro de 2018

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 95)

Fonte da ilustração: jw.org
Jesus é levado e pregado na estaca
(Unificação de Mat. 27:31-56; Mar. 15:20-41; Luc. 23:26-49; João 19:16b-30)
Por fim, depois de se terem divertido às custas dele, [os soldados do governador] tiraram-lhe o manto [de] púrpura e puseram nele sua roupagem exterior. E levaram-no fora para o pregarem numa estaca.  E, levando ele mesmo a estaca de tortura, saiu para o chamado Lugar da Caveira,[1] que em hebraico é chamado Gólgota[2]. Então, encontraram um nativo de Cirene[3], de nome Simão, pai de Alexandre[4] e de Rufo,[5] que vinha do campo, e puseram nele a estaca de tortura para a levar atrás de Jesus, [obrigando-o] a prestar serviço por levar a sua estaca de tortura.
Jesus alerta sobre a vindoura calamidade (Luc. 23:27-32)
27 Mas, seguia-lhe uma grande multidão do povo e de mulheres que se batiam de pesar e que o lamentavam. 28 Jesus voltou-se para as mulheres e disse: “Filhas de Jerusalém, parai de chorar por mim. Ao contrário, chorai por vós mesmas e pelos vossos filhos; 29 porque, eis que virão dias em que as pessoas dirão: ‘Felizes as mulheres estéreis e as madres que não deram à luz, e os peitos que não amamentaram!’ 30 Então principiarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’, e às colinas: ‘Cobri-nos!’ 31 Porque, se fazem estas coisas quando a árvore é seivosa, o que ocorrerá quando estiver ressequida?” 32 Mas, dois outros homens, malfeitores, também estavam sendo levados para serem executados com ele.
Recusa-se a tomar entorpecente; é pregado na estaca
(Unificação de Mat. 27:33, 34;Mar. 15:22-25; Lucas 23:33, 34a)
Trouxeram-no assim ao lugar de Gólgota, que significa, traduzido, Lugar da Caveira. E, quando chegaram ali, tentaram dar-lhe a beber vinho[6] misturado com mirra[7]; mas ele, depois de prová-lo, recusou-se a beber. E pregaram-no numa estaca,[8] e assim também os malfeitores, um à sua direita e outro à sua esquerda, mas Jesus no meio. [[Mas Jesus estava dizendo: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.”]][9]

Fonte da ilustração: jw.org
A inscrição de acusação
(Unificação de Mat. 27:37; Mar. 15:26; Luc. 23:38; João 19:19-22)
Pilatos escreveu também um título e o puseram na estaca de tortura por cima de sua cabeça – a acusação contra ele. Estava escrito: “Jesus, o Nazareno, o Rei dos Judeus.” Portanto, muitos dos judeus leram este título, porque o lugar onde Jesus estava pregado numa estaca era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, em latim, em grego. No entanto, os principais sacerdotes dos judeus começaram a dizer a Pilatos: “Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos Judeus.’” Pilatos respondeu: “O que escrevi, escrevi.”

Explicação das siglas usadas:

it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.
NM: Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

Notas:
[1] Gr.: Kra·ní·ou Tó·pos; lat.: Cal·vá·ri·ae ló·cus; J17(hebr.): meqóhm Gul·gó·leth. – NM, nota de Mateus 27:33.
[2] Também é chamado “Calvário” (Lu 23:33, ALA, So), do latim calvaria (caveira). Sua localização é incerta. – It-2, p. 243.
[3] Antiga capital inicial do distrito de Cirenaica, na costa N da África, quase defronte da ilha de Creta. Simão, “um nativo de Cirene”, pode ter sido um dos outros forasteiros que apinharam Jerusalém na época da Páscoa. (Atos 2:10) – It-1, p. 510.
[4]  [Defensor do Homem]. – It-1, p. 80.
[5]  [Vermelho]. – It-3, p. 468.
[6] Os soldados romanos bebiam um vinho ralo, acre ou azedo, conhecido em latim como acetum (vinagre), ou posca, quando era diluído em água. Esta foi provavelmente a bebida oferecida a Jesus Cristo. – it-3, p. 790.
[7] Resina aromática obtida de diversos espinhosos arbustos ou pequenas árvores do gênero Commiphora. Mateus (27:34) usou a palavra grega kho·lé (fel), o mesmo termo encontrado na Septuaginta grega no Salmo 69:21. É possível que a “planta venenosa” ou “fel” fosse a “mirra”, ou que a bebida drogada talvez contivesse tanto fel como mirra. (It-3, pp. 842, 272) “Fel” é definido como “coisa muito amarga”. – Dicionário Aurélio.
[8] Marcos 15:25 declara que “era então a terceira hora”, ao passo que, conforme João 19:14, “era cerca da sexta hora” quando acabou o julgamento final de Jesus perante Pilatos. Isto é confirmado pelos demais evangelistas, que indicam claramente que, na sexta hora, ou ao meio-dia, Jesus já estava pendurado na estaca por tempo suficiente para os soldados lançarem sortes sobre a sua roupagem e os principais sacerdotes, os escribas, os soldados e outros transeuntes falarem dele de modo ultrajante.. (Mat. 27:38-45; Mar. 15:24-33; Luc. 23:32-44) não temos informações suficientes para explicar com alguma certeza a razão desta diferença entre os relatos. Pode ser que a referência de Marcos, ou a de João, à hora era parentética, não em ordem cronológica. (It-2, p. 345) Uma das possibilidades é a de que à “terceira hora” tenha começado o julgamento de Jesus perante Pilatos que resultou em ser ele pregado na estaca. João 19:28 relata que “já era de manhã cedo” quando Jesus foi conduzido a Pilatos.
[9] אCVgSyc,p inserem estas palavras entre colchetes; P75BD°WSys omitem isso. – NM, nota de Lucas 23:34.


O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.


Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O “Big-Bang” e a existência de Deus

Fonte: jw.org

“Big Bang” (termo inglês para “Grande Explosão”) é atualmente a teoria mais aceita, embora não comprovada, para o surgimento do Universo físico.

         O cientista russo naturalizado estadunidense, George Gamow (1904-1968) e o padre e astrônomo belga Georges Lemaître (1894-1966) anunciaram tal teoria em 1948. A suposta grande explosão cósmica teria ocorrido entre 10 e 20 bilhões de anos.[1]

Qual é o postulado científico dessa teoria?

Segundo o físico Robson L. Rodovalho (2013, pp. 102-103)

[…] essa explosão não se encaixa no conceito de explosão como se entende no senso comum. […] [O Universo] teria começado a se expandir – mas não como uma explosão da forma que entendemos, e sim como uma flutuação, proposta da abordagem quântica, que … provocou sua expansão e diminuição de temperatura, adquirindo energia cinética. 

De fato, uma explosão tal qual entendida no senso comum não poderia explicar um Universo tão organizado, do mesmo modo como a explosão em uma gráfica não poderia resultar em um exaustivo dicionário.

Então, para o cientista, o que houve foi uma expansão a partir de um ponto de concentração de densidade infinita.

As desconfortáveis implicações da teoria para os cientistas ateus

O conceito geral é de que o próprio espaço e o tempo começaram com o Big Bang. Isso implica numa consequência nada agradável para os ateus. Conforme explicou Rodovalho (2013, p. 168): “Se não existia o tempo ou o espaço, para que fosse possível a ação de um agente causador antes do Big Bang, não podemos atribuí-lo a nenhuma causa física.” Assim, conclui Rodovalho:

Até agora, a visão do Big Bang permanece como a mais aceitável, embora traga implicações desconfortáveis para a maioria dos cosmólogos – a não causalidade física do Big Bang, clamando portanto para um fator além da materialidade das leis cientificas. – P. 169.

[…]

É necessário um milagre muito grande para que esse nada se torne o agente causador de um Universo ordenado, complexo e com uma sintonia tão fina propensa à vida como o nosso.
Tanto os princípios antrópicos como o princípio da causalidade apontam nessa direção. – P. 177. 

Em harmonia com essa postura lógica e científica, o Professor Antonio Delson C. de Jesus, pós-doutor em Detritos Espaciais e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, declarou[2]:

[…] então, para todos os efeitos, o Universo não surgiu do nada do ponto de vista científico, mas de uma transformação que só foi possível por causa de coisas bastante reais – as tais partículas. E assim permanece a pergunta: ‘quem deu origem a essas partículas primordiais?’

O físico e geneticista Francis Collins, líder do Projeto Genoma, responsável pela façanha do mapeamento do DNA humano, afirmou, em seu livro A Linguagem de Deus (2007, p. 75):

Tenho de concordar. O Big Bang grita por uma explicação divina. Obriga à conclusão de que a natureza teve um princípio definido. Não consigo ver como a natureza pode ter se criado. Apenas uma força sobrenatural, fora do tempo e do espaço, poderia tê-la originado.

Portanto, a teoria do Big Bang, longe de sequer aventar a possibilidade de Deus estar fora do cenário, traz à tona a necessidade de Sua existência como Causa Primária, Inteligente, na produção do nosso altamente organizado Universo.

Nota:
[1] FRANCISCO, Wagner de Cerqueria e. "Big Bang - A Teoria do Big Bang"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/geografia/big-bang.htm>. Acesso em 14 de marco de 2017.
[2] Apud Rodovalho (2013, p. 177). 

Bibliografia:

COLINS, Francis. A linguagem de Deus. Editora Gente, 2007.
RODOVALHO, Robson Lemos. Ciência e Fé: o reencontro pela física quântica. Rio de Janeiro: Leya, 2013.



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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Como deve ser traduzido Apocalipse 6:2?


Fonte da ilustração: jw.org

          Certo leitor se pronunciou assim:

Saudações, caro irmão apologista da verdade!
Parabéns por seu excelente trabalho de pesquisa e defesa da verdade e do povo de Jeová!
Eu gostaria de tirar uma dúvida gramatical […]. É o seguinte:
“E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.” – Almeida Revista e Corrigida.
No texto acima a Almeida traduz que Cristo “saiu vitorioso, e para vencer”.
Mas a Tradução do Novo Mundo traduz:
“E ele saiu vencendo e para completar a sua vitória.”
Fica nítido que a NM [Novo Mundo] transmite a informação de que Jesus [irá] COMPLETAR UMA VITÓRIA que começou a ser ganha antes.
Mas outras traduções vertem de uma forma que obscurece essa informação.
Qual é a tradução correta?
Muito obrigado.

Resposta:

O leitor está correto ao atentar para o fato de que as traduções da cristandade não realçam o verdadeiro sentido do texto em apreço.

Na parte final de Apocalipse 6:2, as traduções em geral vertem assim: “Ele saiu vencendo [ou: vitorioso] e para vencer.”

Saiu vitorioso ou vencendo?

Algumas traduções vertem que tal “cavaleiro” “saiu vitorioso” (ARC, ACF, Pastoral), como se tivesse completado uma vitória. Mas, o texto grego usa o verbo “vencer” (nikáo) no particípio presente – correspondendo ao nosso gerúndio, sendo, portanto, corretamente traduzido “vencendo” (verbo) e não “vitorioso” (adjetivo).

κα ξλθεν νικν 
kaì ecsêlthen nikôn
E saiu vencendo

“Vencendo e para vencer”?

 Quanto à parte final, algumas traduções vertem de modo a indicar que o cavaleiro irá se empenhar em outra vitória, por usar frases como “para tornar a vencer” (Ave Maria); “para vencer novamente” (La Sacra Bibbia, em italiano); “para promover suas vitórias”. – NAB.

A frase “saiu vencendo e para vencer” acaba por quedar obsoleta, pois quem sai vencendo tem naturalmente o objetivo de vencer. A Bíblia Pastoral procura sair dessa obsoletividade por traduzir “para vencer ainda mais”. Mesmo assim, isso dá a ideia de mais vitórias, algo não intrínseco ao texto grego. A Bíblia de Jerusalém em espanhol verte assim: “Para seguir vencendo”.

Visto que ele saiu vencendo, a ideia natural do restante da frase é a de que ele irá completar a sua vitória.

Por isso, a NM traduz assim: “E ele saiu vencendo e para completar a sua vitória.” Tal sentença gera coerência, congruência, e passa a ter um sentido harmônico.

O significado do cavalo e de seu cavaleiro

Nas Escrituras, o cavalo em geral simboliza guerra, conforme as passagens abaixo:

“O cavalo é preparado para o dia da batalha, Mas a salvação pertence a Jeová.” – Provérbios 21:31.

“Ai dos que descem ao Egito em busca de ajuda, que confiam em cavalos, que põem a sua confiança no grande número de carros de guerra E na força de cavalos de guerra. Mas eles não recorrem ao Santo de Israel e não buscam a Jeová.” – Isaías 31:1.

Portanto, sendo branco o cavalo, ele simboliza guerra justa. E a identidade do cavaleiro fica clara por meio de Apocalipse 19:11-16:

“Vi o céu aberto e apareceu um cavalo branco. Aquele que estava montado nele se chama Fiel e Verdadeiro, e ele julga e guerreia com justiça. Seus olhos são chama ardente, e na sua cabeça há muitos diademas. Ele tem um nome escrito que ninguém conhece, exceto ele mesmo, e está vestido com uma roupa manchada de sangue; ele é chamado de A Palavra de Deus. Também, os exércitos no céu o seguiam em cavalos brancos, e eles estavam vestidos de linho fino, branco e puro. Da boca dele se estende uma longa espada afiada, para que ele golpeie com ela as nações. Ele as pastoreará com vara de ferro. Além disso, ele pisa o lagar da fúria da ira de Deus, o Todo-Poderoso. Na sua roupa, sim, sobre a coxa, ele tem um nome escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores.”

Por conseguinte, Apocalipse 6:1, 2 retrata simbolicamente a ação de nosso Senhor Jesus Cristo de travar uma guerra justa.

Em Apocalipse 12:7-12 o Senhor Jesus, retratado como Miguel, o arcanjo, inicia sua ação contra Satanás e os anjos deste, expulsando-os do céu. O resultado dessa expulsão é descrita em Apocalipse 12:12: “Por essa razão, alegrem-se, ó céus, e vocês que residem neles! Ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu a vocês com grande ira, pois sabe que lhe resta pouco tempo.”

Traçando um paralelo com Apocalipse, capítulo 6, podemos claramente entender que os demais cavaleiros, que representam, respectivamente, a guerra injusta em proporções mundiais, a FOME e, em especial, a PESTILÊNCIA, fazem sua cavalgada pela ação direta do Diabo, que, em sua “grande ira”, produz consequências desastrosas para os seres humanos. – Apocalipse 6:3-7.

Quando começa a cavalgada dos cavaleiros do Apocalipse?

Historicamente, o período da Primeira Guerra Mundial preenche adequadamente o ponto de partida para o cumprimento profético de Apocalipse 6:1-7.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) envolveu 93 por cento da população mundial e causou enorme destruição de mantimentos, o que resultou em muita escassez de alimentos. Com a desnutrição e abalo causado pela guerra, vieram as doenças, a mais notável da época sendo a gripe espanhola, que ceifou dezenas de milhões de vidas em apenas poucos meses de 1918-19.

Explicação das siglas usadas:
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
ACF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
NAB: New American Bible.
NM: Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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domingo, 14 de janeiro de 2018

A Vida de Jesus – o Evangelho Unificado (Parte 94)

Fonte da ilustração: (jw.org
Pilatos faz nova tentativa de livrar Jesus, mas cede aos judeus
(João 19:4-16a)
4 E Pilatos saiu novamente e disse-lhes: “Eis que vo-lo trago para fora, a fim de que saibais que eu não acho falta nele.” 5 Concordemente, Jesus veio para fora, levando a coroa de espinhos e a roupa exterior de púrpura.[1] E ele lhes disse: “Eis o homem!” 6 No entanto, quando os principais sacerdotes e os oficiais o viram, gritaram, dizendo: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!” Pilatos disse-lhes: “Tomai-o vós mesmos e pregai-o numa estaca,[2] pois eu não acho nenhuma falta nele.” 7 Os judeus responderam-lhe: “Nós temos uma lei, e é segundo a lei que ele deve morrer, porque se fez filho de Deus.”
8 Ouvindo Pilatos, portanto, esta palavra, ficou mais temeroso ainda; 9 e entrou novamente no palácio do governador e disse a Jesus: “Donde és?” Mas Jesus não lhe deu resposta. 10 Pilatos disse-lhe por isso: “Não falas comigo? Não sabes que tenho autoridade para te livrar e que tenho autoridade para te pregar numa estaca?” 11 Jesus respondeu-lhe: “Não terias absolutamente nenhuma autoridade contra mim, se não te tivesse sido concedida de cima. É por isso que o homem que me entregou a ti tem maior pecado.”
12 Por esta razão, Pilatos procurava um modo de livrá-lo. Mas os judeus gritavam, dizendo: “Se livrares este [homem], não és amigo de César.[3] Todo homem que se faz rei fala contra César.”[4] 13 Portanto, Pilatos, depois de ouvir estas palavras, trouxe Jesus para fora e se assentou numa cadeira de juiz, num lugar chamado O Pavimento de Pedra, mas, em hebraico, Gabatá.[5] 14 Ora, era a preparação da páscoa[6]; era cerca da sexta hora.[7] E ele disse aos judeus: “Eis o vosso rei!” 15 No entanto, eles gritavam: “Fora com ele! Fora com ele! Para a estaca com ele!” Pilatos disse-lhes: “Hei de pregar na estaca o vosso rei?” Os principais sacerdotes responderam: “Não temos rei senão César.” 16 Nesta ocasião, portanto, entregou-o a eles, para ser pregado numa estaca.

Explicação das siglas usadas:

g: Revista Despertai! Os números em sequência indicam, respectivamente, o ano, o dia e o mês da publicação.
it: obra Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada pelas Testemunhas de JeováO número em sequência indica o volume.
w: revista A Sentinela. Os números em sequência indicam, respectivamente, o ano, o dia e o mês da publicação.

Notas:
[1] A cor vermelho-escura. (Aurélio) Mateus disse que os soldados “puseram sobre ele um manto escarlate” (Mat. 27:28), ao passo que Marcos e João dizem que era púrpuro. (Mar. 15:17; João 19:2) Mateus enfatizou a tonalidade vermelha da veste. “Púrpuro” pode ser aplicado a qualquer cor de componentes tanto azul como vermelho. De modo que Marcos e João concordam com Mateus no sentido de que a veste até certo ponto era vermelha. Naturalmente, o fundo ambiental e o reflexo da luz podem ter-lhe dado matizes diferentes. Uma massa de água muda de cor em ocasiões diferentes, dependendo da cor específica do céu e do reflexo da luz em determinado momento. – It-1, p. 562.
[2] Mesmo que os romanos não permitissem aos judeus aplicar a pena capital por delitos civis, parece que lhes concederam autorização para executar pessoas por certas graves ofensas religiosas, conforme Josefo relatou. Os judeus que entregaram Jesus a Pilatos talvez pensassem que era desejável deixar os romanos fazer a execução, possivelmente para tornar a morte dele mais repugnante, e para que qualquer clamor público fosse assim dirigido contra os estrangeiros. (Gál. 3:13; Deut. 21:23) Pilatos, porém, possivelmente querendo evitar tal problema, disse-lhes: “Tomai-o vós mesmos e pregai-o numa estaca.” É também possível que quisesse indicar que, visto tratar-se duma questão religiosa de suficiente gravidade, ele achava que os líderes religiosos tinham de arcar com a responsabilidade pela execução de Jesus. – w88 1/7 p. 31; veja João 18:31.
[3] Os líderes religiosos deram a entender que Pilatos se expunha à acusação de tolerar alta traição. Temer um imperador ciumento foi um dos fatores que influenciaram Pilatos para proferir a sentença de morte contra um homem inocente. – It-1 p. 483.
[4] Os opositores religiosos judeus citaram a lei romana de lesa-majestade, que visava acabar com a oposição política ao imperador. Exerceu-se pressão religiosa para forçar o tribunal a aplicar tal lei a Jesus. - g73 22/11 p. 25
[5] Lugar calçado em Jerusalém. A palavra tem derivação incerta e possivelmente significa “morro”, “altura” ou “espaço aberto”. Seu nome grego, Li·thó·stro·ton (Pavimento de Pedra), talvez indique um pavimento marchetado, de mosaico ornamental. Talvez fosse uma área aberta diante do palácio de Herodes, o Grande. Alguns sugerem o pátio central da Torre de Antônia, no canto NO do pátio do templo. Um pavimento de pedra foi encontrado nesta área. Mas o lugar exato continua desconhecido. – It-1, p. 149; It-3, p. 191.
[6] Era a preparação da Festividade dos Pães Não Fermentados, de sete dias, que começava no dia seguinte à Páscoa. Por causa de sua proximidade no calendário, a própria festividade inteira não raro era abrangida no termo “Páscoa”. (Luc. 22:1) Além disso, o dia depois de 14 de nisã era sempre um sábado. Adicionalmente, em 33 EC, o dia 15 de nisã caiu no sábado regular, fazendo com que aquele dia fosse um sábado “grande”, ou duplo. – It-3, p. 312.
[7] Das 11 às 12 horas.
  

O texto acima unificado da Bíblia Sagrada é baseado na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

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