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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

“Fé em Jesus” ou “fé de Jesus”? (Parte 1)

Fonte da ilustração: jw.org

Um leitor escreveu:

Gostaria de propor um estudo: Sobre a FÉ DE JESUS, nos originais gregos. É traduzido erroneamente como FÉ EM JESUS, em Gálatas 2:16; 3:22 e em Romanos 3:22. Agradeço a resposta. 

Resposta:

           As ocorrências abaixo citadas nas cartas de Paulo têm sido objeto de discussão com relação a esse assunto:

διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (“através da fé em/de Jesus Cristo.” – Romanos 3:22);

ἐκ πίστεως Ἰησοῦ (“pela fé em/de Jesus.” – Romanos 3:26);

διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (“através da fé em/de Jesus Cristo.” – Gálatas 2:16a);

ἐκ πίστεως Χριστοῦ (“pela fé em/de Jesus.” –  Gálatas 2:16b);

ἐν πίστει ... τοῦ υἱοῦ τοῦ θεοῦ (“pela fé em/de o Filho de Deus.” –  Gálatas 2:20);

ἐκ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (“pela fé em/de Jesus Cristo.” –  Gálatas 3:22);

διὰ τῆς πίστεως Χριστοῦ Ἰησοῦ (“através da fé em/de Cristo Jesus.” – Gálatas 3:26, apenas no manuscrito P46);

διὰ πίστεως Χριστοῦ (“através da fé em/de Cristo.” – Filipenses 3:9).
Também Efésios 3:12; 4.13.


A questão gramatical

              A expressão πíστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ (písteos Iesoû Khristoû) está no caso genitivo, o qual, em regra, indica a origem, fonte ou posse. Assim, a regra para a tradução do caso genitivo grego para o português vem acompanhado da preposição “de”. Por isso, pela dita regra, a expressão písteos Iesoû Khristoû seria traduzida “fé de Jesus”.

Porém, fazer uma tradução não é tão simples assim. Os gramáticos costumam classificar o genitivo grego em subjetivo e objetivo. O genitivo subjetivo privilegia o sujeito, aquele que produz a ação, ao passo que no genitivo objetivo a ênfase é no objeto, e o elemento no genitivo recebe a ação.

Assim, se ησο Χριστο for tido como um genitivo subjetivo, então a passagem refere-se a um atributo ou ação pessoal de Cristo: à fé produzida por Jesus, sua própria fé (ou a fidelidade de Cristo). Por outro lado, se a expressão for entendida como um genitivo objetivo, ela se refere à fé recebida por Jesus. 

Em síntese, o genitivo subjetivo referir-se-ia à fé de Cristo, ao passo que o genitivo objetivo seria uma referência à fé daquele que é “salvo” (a sua fé em Cristo).

Bill Mounce, que serve na Comissão para Tradução da Bíblia, a qual é responsável pela tradução da Bíblia NIV (New International Version) afirma:

“O genitivo nem sempre significa ‘de’, e o dativo nem sempre significa ‘em’.” Ele ainda declara que “a maioria das traduções” verte por “fé em Jesus Cristo” (incluindo a Nova Versão Rei Jaime [NKJV]). Nessas traduções, o genitivo é entendido como sendo objetivo. Assim, visto que somos justificados pela fé quando Jesus é o objeto de nossa fé, em português usa-se a expressão “fé em Jesus”.

As traduções

             A maioria das traduções verte dessa forma. Veja ACF, ARIB, SBB, Ave Maria, ASV, Basic English, Lexham English Bible, NAS, NIV, BJ em espanhol, El Livro del Pueblo de Dios, Bíblia Latinoamericana, La Sacra Bibbia, La Bibbia, La Sainte Bible, de Augustin Crampon, RSV, Christian Community Bible, New Jerusalem Bible.

Já a Versão Rei Jaime (KJ) verte por “a fé de Jesus Cristo”. O mesmo fazem Darby, Webster, Reina Valera, Sagradas Escrituras (espanhol), Douay-Rheims, e Catholic Public Domain Version.

Diante disso, surge a pergunta: O cristão é justificado pela fé demonstrada por Cristo (“fé de Jesus Cristo”) ou pela fé que o cristão exerce em Jesus Cristo (“em Jesus Cristo”)?

               O próximo artigo desta série passará a considerar essa questão.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org




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