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sábado, 14 de janeiro de 2012

João 8:58 identifica Jesus com Jeová?

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/jesus/ministerio-na-judeia/pai-abraao-ou-diabo/



“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.” – João 8:58, 59, Almeida Revista e Atualizada (ALA). 

O modo em que as traduções da cristandade vertem as palavras de Jesus em João 8:58 faculta aos trinitaristas associarem tal passagem ao texto de Êxodo 3:14. Segundo a mesma versão supracitada, esse texto reza: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (ALA) Dessa forma, alguns religiosos da cristandade afirmam que Jesus, ao usar a expressão “EU SOU”, estava identificando a si mesmo com Jeová. Mas, seria essa a correta interpretação dessas passagens?


“Eu sou” no Novo Testamento não figura como título

Essa expressão – em grego “egó eimí” –, que utiliza o pronome pessoal acompanhado do verbo “ser”, NÃO É UM TÍTULO. Ela ocorre em diversos textos nas declarações de Jesus no Novo Testamento grego, e em nenhum caso é usada qual título. Os próprios tradutores das versões da cristandade reconhecem isso, pois não a traduzem sempre da mesma forma. Veja os exemplos abaixo:

“Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu; não temais.” – Mateus 14:27, Al; veja também Marcos 6:20, Al, ARCF, ALA, IBB.

  “Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou eu. Ora, Judas, o traidor, estava também com eles. Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra. Jesus, de novo, lhes perguntou: A quem buscais? Responderam: A Jesus, o Nazareno. Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim, pois, que buscais, deixai ir estes.” – João 18:5-8, ALA.

“Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.” – João 9:8, 9, ACRF.

“Respondeu então ele: Acautelai-vos; não sejais enganados; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu; e: O tempo é chegado; não vades após eles.”  Lucas 21:8, IBB.

“Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.” – João 4:26, Al; também ALA, ARCF, IBB.

Por que as versões da cristandade não traduzem “egó eimí” por “eu sou” nas passagens acima? Evidentemente, porque compreendem que tal expressão não é um título no Novo Testamento grego. Assim, tais tradutores adequam a tradução dessa expressão conforme o contexto. O mesmo o fez a comissão da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs nessas passagens e também em João 8:58. Neste último texto, a Tradução do Novo Mundo verte “egó eimí” por “eu tenho sido”. Qual é a base para tal tradução?


“Eu tenho sido” – uma tradução coerente

Primeiro, a gramática grega apoia tal versão. Como mostra o Apêndice da Tradução do Novo Mundo com Referências, página 1522, o verbo eimí (“sou”) expressa uma ação que começou “‘antes de Abraão vir à existência’ e ainda está em progresso”. Portanto, trata-se, neste caso, do presente incluindo também o pretérito, ou passado, sendo corretamente traduzido por “eu tenho sido”. 

Segundo, o contexto aponta para essa versão. A pergunta dos judeus e a resposta de Jesus tinham que ver com a IDADE de Jesus, e não com sua identidade. Em outras palavras, Jesus estava dizendo a seus contemporâneos: ‘Antes de Abraão vir à existência, EU EXISTO’, ou ‘eu tenho existido’.

O fato de os judeus quererem apedrejar Jesus não indica que ele tenha se identificado com Jeová. Os judeus tinham um conceito distorcido das declarações de Jesus e, portanto, não são um bom parâmetro para se estabelecer conceitos bíblicos. Lemos em João 5:17, 18: “Mas ele [Jesus] lhes respondeu: ‘Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando.’ Deveras, por esta razão, os judeus começaram ainda mais a procurar matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também chamava a Deus de seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” Obviamente, Jesus não violava o sábado, nem se fazia igual a Deus apenas por chamar Deus de seu Pai. (Mateus 5:17; João 14:28) Os judeus estavam errados em ambas as conclusões. Assim, as conclusões que os judeus tiravam das afirmações de Cristo não servem para estabelecer o que ele realmente queria dizer.

Em outras passagens, quando Cristo usou a expressão “eu sou” sem um complemento, sua declaração dizia respeito à sua identidade qual Messias. Quando Caifás lhe perguntou: “És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?”, Jesus respondeu: “Eu Sou” [“Eu o sou”, Al] (“egó eimí”). (Marcos 14:61, 62, ALA) Ademais, o cumprimento de profecias apontava para o seu messiado. (João 13:18, 19) De modo similar, a declaração de Jesus, em João 8:58, a respeito de sua existência pré-humana, era evidência de que ele era o Enviado de Deus, o prometido Messias.

A expressão que mais se aproxima de Êxodo 3:14, (conforme essa passagem é vertida nas traduções da cristandade,) é a declaração de Paulo em 1 Coríntios 15:10, onde ele afirmou: “Pela graça de Deus, sou o que sou.” Obviamente, Paulo não estava se identificando com o Deus Todo-Poderoso. Essa expressão não figura como sendo um título.


“Eu sou” em Êxodo 3:14 não é um título

Nas traduções da cristandade, esse texto costuma ser vertido assim: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (ALA) No entanto, no texto grego da Septuaginta, versão grega que era usada nos dias de Jesus, o texto reza literalmente assim:

και ειπεν ο θεος προς μωυσην
εγω ειμι ο ων

E disse o Deus a Moisés:
Eu  sou o Ser

και ειπεν ουτως ερεις τοις υιοις ισραηλ
E   disse:  assim  dirás aos filhos de Israel:

ο ων απεσταλκεν με προς υμας
O Ser   enviou-me     a     vós


Como se pode ver claramente pelo texto acima, a expressão “eu sou” (“egó eimí”) em Êxodo 3:14 não constitui um título. O título usado por Deus nesse texto é “Ho On” (“O Ser”, ou “Aquele que é”). Lamentavelmente, as versões da cristandade não traduzem corretamente a passagem, obscurecendo o sentido do texto e dando margem para uma interpretação equivocada, fornecendo um falso respaldo para uma doutrina antibíblica.

O texto de Êxodo 3:14 em hebraico distancia ainda mais de João 8:58. A expressão hebraica ’Eh·yéh ’Ashér ’Eh·yéh significa literalmente “MOSTRAREI SER O QUE EU MOSTRAR SER”, como traduz fielmente a NM. ’Eh·yéh deriva do verbo hebraico ha·yáh, que tem o sentido de “vir a ser; tornar-se; mostrar ser”, estando no imperfeito, na primeira pessoa do singular, significando “virei a ser; tornar-me-ei”; ou “mostrarei ser”. A referência não é à autoexistência de Deus, como ele sendo o Eterno, mas ao que pretende tornar-se para com outros. – Veja nota na NM sobre Êxodo 3:14.
  
Fica, portanto, claro que nem linguística nem doutrinalmente há qualquer relação de identidade pessoal entre João 8:58 e Êxodo 3:14. O primeiro texto diz respeito à existência pré-humana de Jesus Cristo, quando ele atuou ao lado de seu Pai como o Logos, ou o Porta-voz, de Deus, ao passo que a última passagem traz à tona o significado do nome divino, Jeová    nome que identifica “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. – 2 Coríntios 1:3.



Siglas das traduções usadas:

Al: Almeida Revista e Corrigida.
ARCF: Almeida Revista e Corrigida Fiel.
ALA: Almeida Atualizada.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
NM: Tradução do Novo Mundo.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





2 comentários:

  1. Os defensores da doutrina da trindade ao lerem o texto de João 18. 5, 8 entendem que os soldados 'recuaram e caíram ao chão' por supostamente, Jesus ter usado o nome divino "Eu Sou" [ego eimi]. Mas essa não foi a primeira vez que Jesus disse 'eu sou', a bíblia nos mostra que Jesus falou da mesma forma em outras ocasiões e que por sinal, os ouvintes não recuaram e caíram ao chão. Mas porque os soldados sucumbiram diante das palavras de Cristo? Ora, lemos em Mateus 16. 13, 14 onde Jesus pergunta a seus discípulos que o povo diz ser o Filho do Homem, consequentemente, eles responderam que alguns pensam ser um dos profetas: "João Batista, Elias, Jeremias" ou algum dos profetas. Com essa ideia do povo em mente os soldados se assustaram ao ver Jesus falando, provavelmente, temendo que acontecesse o que aconteceu com os soldados que foram prender o profetas Elias, que invocou fogo dos céus para mata-los (2Re 1. 9, 12). Não é de admirar os soldados terem se protegido ao recuarem e se lançarem ao chão com medo de um evento similar aos dias de Elias, visto que alguns diziam ser Jesus o profeta Elias. Nada no texto de João 18. 5, 8 apóia a ideia de que os soldados caíram por terem ouvido de Jesus o "nome divino", até porque, Moisés não recuou e nem caiu ao chão quando Jeová disse "Eu Sou" em Êx 3. 14 / AL.

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  2. , há “incerteza” de que Jesus é aquele chamado “Deus” em alguns destes textos; e outros textos são ‘altamente duvidosos’. Exemplificando, 1 Timóteo 3:16 afirma: “Deus se manifestou em carne.” (Tr) A maioria das traduções modernas, porém, reza antes “Aquele que se manifestou . . .” Isto se dá porque, conforme explica a nota marginal da Versão Normal Americana (em inglês): “A palavra Deus, em lugar de Aquele que, não repousa sobre nenhuma evidência antiga suficiente.”

    Também, não se pode provar que Jesus é aquele que é chamado “Deus” em 2 Tessalonicenses 1:12. A respeito deste texto que reza: “Segundo a graça do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo” ‘(Herder), o teólogo Vincent Taylor afirma: “É manifesto que Paulo fala primeiro de Deus e, em segundo lugar, de Cristo.”4 O perito católico-romano Karl Rahner colocou 2 Pedro 1:1 na mesma categoria que 2 Tessalonicenses I:12, explicando que, no grego, theos “aqui e claramente separado de ‘Cristo’”.5

    Alguns contendem que a atribuição de 1 João 5:20, “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (Al), refere-se a Jesus e, por isso, prova que ele é Deus. No entanto, Karl Rahner afirma que “deve-se notar que precisamente na Primeira Epístola de S. João ο ?εός [ho theos, “o verdadeiro Deus”] tão amiúde significa certamente o Pai que se deve entender o Pai por toda a Epístola, a menos que suponhamos que alguma mudança incompreensível tenha ocorrido no sujeito a que se refere ο ?εός.”5

    Outro texto que se diz mostrar que Jesus é Deus é Romanos 9:5, que afirma: “Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente: Amém.” (Al) Vincent Taylor observa que há diferenças de opinião, mas acrescenta: “Acho que a balança da opinião pende para este lado, e que não se dirige a Cristo como Deus.”4 Assim, as traduções modernas comumente vertem o texto de forma a fazer uma distinção mais clara entre Deus e Cristo.

    Em relação com Tito 2:13, a questão é se o grego deve ser vertido ‘a glória de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo’, ou, ‘a glória do grande Deus, e de nosso Salvador, Jesus Cristo’. Como observa Vincent Taylor: “Os gramáticos se situam em ambos os lados.”4 Assim, como se dá com João 1:1, apenas a gramática não é conclusiva em mostrar como o texto deva ser traduzido.

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