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quarta-feira, 6 de junho de 2012

A “grande multidão” – qual é a sua identidade? (Parte 3)


Fonte da figura: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/biblia/nwt/apendice-b/monte-templo-primeiro-seculo/



“E gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’”     – Apocalipse 7:10.

Um texto que tem sido apresentado como alegada prova de que a grande multidão não pode ser uma classe terrestre é a passagem de Apocalipse 11:2, que declara: “Mas, quanto ao pátio que está de fora do santuário do templo [naós], lança-o completamente fora e não o meças, porque foi dado às nações, e elas pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses.” Quais são os argumentos colocados com base nesse versículo?

Os conceituadores da destinação celestial da visionada grande multidão afirmam que tal grupo não poderia estar na Terra – num pátio terrestre – porque arguem, à base do referido texto, que o pátio terrestre simboliza um período de opressão e que os que o ocupam são inimigos (não cristãos); que tal pátio é uma referência ao pátio dos gentios e que o ato de ‘lançar o pátio fora’ significa rejeitá-lo. Vamos, portanto, examinar tais afirmações e ver se são verossímeis.


Apocalipse 11:2 é uma alusão ao Pátio dos Gentios?

O Pátio dos Gentios foi construído pelo rei edomita Herodes e se destinava aos gentios incircuncisos que queriam fazer ofertas a Deus. Jesus às vezes falou às multidões naquele pátio. Assim, o uso que se fazia desse pátio não se harmoniza com a descrição de Apocalipse 11:2, que descreve as “nações” (os gentios) como sendo hostilizadores (inimigos) da “cidade santa”. Não era o caso dos gentios que se reuniam em Jerusalém no Pátio dos Gentios. Eles iam até esse pátio para prestar adoração a Deus. Consequentemente, os “gentios” mencionados em Apocalipse 11:2 não conferem com os gentios que se reuniam no Pátio dos Gentios. Desse modo, Apocalipse 11:2 não é uma referência ao Pátio dos Gentios.  


O “pátio” de Apocalipse 11:2 é ocupado por inimigos?

O referido texto afirma que o pátio “foi dado às nações, e elas pisarão a cidade santa”. Se somente as “nações” pagãs (os gentios) ocupassem tal “pátio”, elas não teriam servos de Deus a quem ‘pisar’, ou oprimir. O livro de Apocalipse menciona a “cidade santa” como sendo a celestial “Nova Jerusalém”. (Apocalipse 21:2, 10) Uma vez que seria impossível que inimigos terrestres de Deus pudessem hostilizar tal figurativa “cidade” celestial, é lógico depreender que Apocalipse 11:2 descreve um ataque contra os representantes terrestres da “cidade santa”. Estes estariam ocupando o figurativo “pátio”, sendo oprimidos pelas “nações”.

A natureza e a extensão desse pisoteio, ou ataque, é descrito nos versículos à frente, que falam da “guerra” travada pela “fera” (“besta, Al) contra as “duas testemunhas” de Jeová e do desprezo e desdém feito a elas pelos “dos povos, e tribos, e línguas, e nações”. (Apocalipse 11:2-10) Os “quarenta e dois meses” em que a “cidade santa” é pisada equivalem em tempo aos “mil duzentos e sessenta dias” em que as “duas testemunhas” realizam a sua atividade, sugerindo que se referem ao mesmo período, indicando que a razão da hostilização por parte das nações se deve ao ministério realizado pelas “duas testemunhas” quais representantes da celestial “cidade santa”.  


‘Lançar o pátio fora’ significa rejeitá-lo?

A expressão ‘lançar fora’, em Apocalipse 11:2, é tradução do verbo grego έκβάλλω (ekbállo), que pode ter um sentido pejorativo e ser traduzido por “expulsar” (como no caso de expulsão de demônios, Lucas 11:20), e “desdenhar” (Lucas 6:22); mas também pode ter conotação positiva, no sentido de “enviar” (Lucas 10:2), e de “impelir” (como em Marcos 1:12, que diz que ‘o espírito impeliu Jesus a ir para o ermo’); e ainda ser traduzido por ‘colocar [ou trazer] para fora’ pessoas que estão num determinado ambiente (Atos 9:40), e coisas boas e más (Mateus 12:25; 13:52), mas não num sentido pejorativo. Então, perguntamos: em que sentido o pátio é lançado fora?

Evidentemente, não é no sentido de ser rejeitado. Caso o fosse, tal “pátio” não faria parte da “cidade santa”, ou de sua representação terrestre. Mas, por que se ordenou a João que ele não medisse o pátio?

A medição de algo, nas profecias, indica o estabelecimento de um propósito definido em relação ao objeto bem com a afirmação inequívoca do cumprimento desse propósito. (2 Reis 21:13; Jeremias 31:39; Lamentações 2:8; Zacarias 2:2-8) Visto que o naós (templo) mencionado em Apocalipse 11:2 está ligado a realidades celestiais, isso é uma expressão certa do cumprimento do propósito divino para com tal templo e os associados com ele no céu. Contudo, o pátio diz respeito a coisas terrenas; os que se encontram na condição retratada pelo pátio ainda precisam ser provados e achados fiéis – irreversivelmente qualificados para estar inalteravelmente dentro do propósito divino para eles. Por essa razão, foi ordenado a João não medir o pátio.

Assim, nosso escrutínio imparcial das questões suscitadas concernentes a Apocalipse 11:2 torna inequívoco que o “pátio” terrestre mencionado nesse texto diz respeito a uma condição que retrata representantes terrestres da “cidade santa”, os quais sofrem ataque por parte dos inimigos de Deus. Nada no texto pode ser usado verazmente como prova de que a grande multidão não é uma classe terrestre. Mas, afinal, qual é a real identidade da grande multidão? O próximo e último artigo desta série analisará esta pergunta crucial.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org





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