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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Jesus Cristo é o “grande Deus” mencionado em Tito 2:13?

Fonte da ilustração: 
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1102002045


προσδεχόμενοι τὴν μακαρίαν ἐλπίδα καὶ ἐπιφάνειαν τῆς δόξης τοῦ μεγάλου θεοῦ καὶ σωτῆρος ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ

Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.” – Tito 2:13, Imprensa Bíblica Brasileira.

“do grande Deus e do Salvador Nosso, Jesus Cristo”. – Tito 2:13, Novo Testamento, de Mateus Hoepers, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, RJ.



Por que existem versões diferentes para essa passagem bíblica? Como o leitor pode muito bem observar, a primeira tradução transcrita acima coloca Jesus como sendo o “nosso grande Deus e Salvador”, ao passo que a segunda versão distingue o “grande Deus” de Jesus Cristo, sendo o Senhor Jesus mencionado como “Salvador”. Qual das duas traduções está correta? O primeiro modo de traduzir essa passagem interfere no conceito geral que a Bíblia apresenta sobre a pessoa de Jesus Cristo, como subordinado ao seu Pai? Faz com que ele seja igual em poder, autoridade e eternidade a seu Pai celestial?


Estabelecendo o assunto na perspectiva correta

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar o seguinte: as traduções que vertem Tito 2:13 de modo a identificar Jesus com o “grande Deus” não mudam o quadro apresentado na Bíblia, que descreve o Filho como sendo subordinado ao Pai.[1] Ademais, a Bíblia usa o substantivo comum “Deus” para a pessoa do Filho. Ele é chamado de “Deus poderoso” em Isaías 9:6 e de “Deus unigênito” em João 1:18. No entanto, isso não o coloca em condição de igualdade com o Pai, o único referido como “o Deus Todo-poderoso”. (Gênesis 17:1) De fato, o termo “Deus” é aplicado até mesmo a humanos, no sentido de terem recebido poder e autoridade da parte de Jeová, o Deus Todo-poderoso. (Êxodo 4:16; 7:1; Salmo 82:1-6) Assim sendo, o modo como Tito 2:13 é traduzido não compromete a clara doutrina bíblica de subordinacionismo do Filho em relação ao Pai.

Portanto, o que este artigo se propõe a examinar não são primariamente questões teológicas, e sim o aspecto gramatical, que ressalta a tradução que transmite a ideia correta proposta pelo escritor e, acima de tudo, pelo Autor da Bíblia, Jeová Deus. Assim, ao invés de a tradução de Tito 2:13 determinar uma doutrina, ela determinará que tradutor, ou comissão de tradução, conseguiu transmitir o sentido puro demandado pelo texto grego, granjeando o devido crédito para a versão da Bíblia que assim o fez.

As versões da Bíblia que traduzem Tito 2:13 de modo a identificar o “grande Deus” com a pessoa de Cristo seguem o que ficou conhecido como a Regra de Sharp – um conjunto de seis princípios por ele enunciados. Assim, este artigo também apresenta um estudo sério e imparcial quanto a se existe respaldo bíblico, ou legitimidade, para duas das seis proposições (regras) que fazem parte da Regra de Sharp.

A primeira regra de Granville Sharp, formulada há mais de um século, enuncia que:

Quando a conjunção copulativa kaí (“e”) liga dois nomes (substantivos, adjetivos ou particípios) do mesmo caso, se o artigo HO, ou qualquer dos seus casos, precede o primeiro dos referidos substantivos ou particípios, e não é repetido antes do segundo substantivo ou particípio, o último sempre se relaciona à mesma pessoa que é expressa ou descrita pelo primeiro nome ou particípio; isto é, ele denota outra descrição da primeira pessoa nomeada.[2]

Esse enunciado de Granville Sharp afirma que, visto não se repetir o artigo (“o”) antes do segundo substantivo (Salvador) em Tito 2:13, os dois substantivos referem-se à mesma pessoa. Isto significaria que “grande Deus” e “Salvador” descrevem ambos a Jesus, como se o significado fosse: ‘de Jesus Cristo, o grande Deus e nosso Salvador.’

Em adição, a sexta regra de Sharp declara:

E, como a inserção da copulativa KAI entre substantivos do mesmo caso, sem artigos, indica que o segundo substantivo exprime outra pessoa, coisa, ou qualidade, a partir do substantivo anterior, assim, de igual modo, ocorre o mesmo efeito copulativo quando cada um dos substantivos é precedido de artigos.

Esta última regra afirma que dois nomes não precedidos por artigo (anartros) e ligados por kaí indicam pessoas, coisas ou qualidades diferentes, do mesmo modo como dois nomes ligados por kaí precedidos por artigo (articulados) igualmente indicam pessoas, coisas ou qualidades diferentes.


Examinando a primeira regra de Sharp

Um estudo consciencioso do grego bíblico revela que, quando duas pessoas (ou coisas) diferentes são ligadas por “e” (καί), se a primeira pessoa (ou coisa) for precedida pelo artigo definido, não é necessário repetir o artigo definido antes da segunda. Evidência disso é encontrada na comparação entre em 2 Pedro 1:1 (que emprega a construção gramatical salientada na primeira regra de Sharp), e 2 Pedro 1:2, que emprega uma construção que faz nítida distinção entre Deus e Jesus.

2 Pedro 1:1:
ἐν   δικαιοσύνῃ   τοῦ  θεοῦ  ἡμῶν    καὶ  σωτῆρος Ἰησοῦ  Χριστοῦ
en dikaiosýnei toû Theoû hemôn kaì sotêros Iesoû Khristoû
pela justiça      do   Deus  nosso   e  Salvador Jesus Cristo

A tradução acima segue os parâmetros da regra de Sharp, pontuando Jesus Cristo como sendo o “Deus nosso” e “Salvador”. Contudo, verter o texto desse modo conflita com o versículo seguinte. Observe:

2 Pedro 1:2:
ἐν     ἐπιγνώσει                τοῦ θεοῦ   καὶ Ἰησοῦ   τοῦ    κυρίου ἡμῶν
en   epignósei         toû Theoû kaì  Iesoû  toû   kyríou hemôn
pelo conhecimento exato do Deus e de Jesus do Senhor nosso

Como vimos, a construção em 2 Pedro 1:2 repete o artigo definido antes da segunda pessoa, fazendo clara diferenciação entre Deus e Cristo. Alguém poderia asseverar que esse último texto se enquadra na sexta regra de Sharp, a qual enuncia que substantivos do mesmo caso, precedidos de artigos e ligados por kaí, indicam pessoas, coisas ou qualidades diferentes. Nesse caso, o nome próprio “Jesus”, no genitivo, tornar-se-ia uma inserção parentética, dentro da estrutura gramatical proposta pela sexta regra.

Teologicamente, isso seria um golpe em ambas as regras. Pois a primeira regra de Sharp em 1 Pedro 1:1 identificaria Deus com Jesus Cristo, ao passo que a sexta regra no versículo seguinte os diferenciaria, como sendo pessoas ou seres diferentes!

Mas, o ponto é que 2 Pedro 1:2 faz clara diferenciação entre Deus e Cristo, estabelecendo a ilegitimidade da primeira regra de Sharp na estrutura gramatical do versículo 1. Por outro lado, a bem da harmonia doutrinal entre os dois versículos – e para com a inteira Palavra de Deus – o que ocorre em 2 Pedro 1:1 é a identificação de outra regra, a qual estabelece verdadeiramente  que, quando duas pessoas diferentes são ligadas por “e” (καί), se a primeira pessoa for precedida pelo artigo definido, não é necessário repetir o artigo definido antes da segunda pessoa.

O artigo, nesse caso, estará subentendido. Isso está em harmonia com a característica frequentemente elíptica da língua grega.

A fim de harmonizar os dois versículos, a BLH coloca a seguinte nota de rodapé a respeito da primeira construção no versículo 1: “do nosso Deus … Cristo; ou do nosso Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.”

Exemplos adicionais dessa construção no texto grego são encontrados nas passagens abaixo:

Atos 13:50: “contra Paulo e Barnabé” (ἐπὶ τὸν Παῦλον καὶ Βαρναβᾶνepì tòn Paûlon kaì Barnabãn); literalmente “contra Paulo e Barnabé”.

Atos 15:22: “junto com Paulo e Barnabé” ( σὺν τῷ Παύλῳ καὶ Βαρναβᾷsyn tôi Paúloi  kaì Barnabãi); literalmente “junto com Paulo e Barnabé”.

Efésios 2:20: “sobre o alicerce dos apóstolos e profetas” (ἐπὶ τῷ θεμελίῳ τῶν ἀποστόλων καὶ προφητῶν; epì tõi themelíoi tõn apostólon kaì profetõn).

Efésios 4:11: “alguns como pastores e instrutores” (τοὺς δὲ ποιμένας καὶ διδασκάλους; toùs dè poiménas kaì didaskálous).

Atos 17:18: “Dos epicureus e estoicos” (τῶν Ἐπικουρείων καὶ Στοϊκῶν; tõn Epikoureíon kaì Stoïkõn).

2 Coríntios 10:1: “pela brandura e benignidade do Cristo” ( διὰ τῆς πραΰτητος καὶ ἐπιεικείας τοῦ Χριστοῦ; dià tês praütetos kaì epieikeías toû Khristoû).

Efésios 3:18: “qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” (τί τὸ πλάτος καὶ μῆκος καὶ ὕψος καὶ βάθος; tí  plátos, kaì mêkos kaì hýpsos kaì báthos).

Mateus 21:12: “os que vendiam e compravam no templo” (τοὺς πωλοῦντας καὶ ἀγοράζοντας ἐν τῷ ἱερῷ; toús poloúntas kaì agorázontas em tõi hierõi).

Todos os exemplos acima se referem a pessoas, coisas ou grupos distintos, que são apresentados numa construção gramatical em que o primeiro (ser, coisa ou grupo) é precedido de artigo e ligado pela copulativa kaí ao segundo (ser, coisa ou grupo), que se encontra no mesmo caso. Mesmo assim, isso não faz com que o segundo (ser, coisa ou grupo) seja o mesmo que o primeiro, como pretende a regra elaborada por Sharp.  Ou seja, os epicureus não eram os mesmos que os estoicos; brandura e benignidade são qualidades distintas; largura, comprimento, altura e profundidade são características diferentes. 

É evidente que as pessoas que vendiam não eram as mesmas que compravam. Isto pode ser comprovado porque Marcos diferencia as duas classes pela inserção de τούς (“os”) antes de αγοράζοντας [“os que compravam”], fazendo o texto rezar: τοὺς πωλοῦντας καὶ τοὺς ἀγοράζοντας  (toùs po·loún·tas kai toùs a·go··zon·tas); literalmente: “os que vendiam e os que compravam”. (Marcos 11:15)  Em Mateus a elipse do artigo é suprida pela inteligência do leitor para diferenciar ambos os grupos.

Como vimos dos exemplos acima, essa é a habitual linguagem usada pelos escritores das Escrituras Cristãs no caso de pessoas ou coisas distintas, não havendo nenhuma necessidade da repetição do artigo para impedir a ambiguidade.


Restrições impostas à regra pelos defensores da Trindade

Em função da extrema debilidade da primeira regra de Sharp, os trinitaristas trataram de restringi-la ao máximo, procurando eliminar todas as possíveis exceções a ela, de modo a torná-la uma regra “sem exceção”. Postularam assim que a regra não se aplica a nomes próprios, nem a coisas ou objetos, ou a substantivos abstratos, nem quando houver plurais e numerais. O enunciado de Sharp, conforme citado frequentemente pelos trinitários, não contém em sua definição todas essas restrições. No entanto, os defensores da Trindade fizeram um esforço árduo para “melhorar” a regra, ação que pressupõe a admissão da inexatidão e da ineficácia da mesma. Eliminando-se todas essas exceções, pareceria certo que tal regra ficaria realmente uma “regra sem exceções”. Ou como diz um ditado coloquial: “Tirando os defeitos, tudo fica perfeito.”

No entanto, apesar de todas essas restrições, a regra ainda não ficou perfeita. Podemos ver isso no texto de Provérbios 24:21 na Versão Septuaginta:

fo·boú ton the·ón, hui·é, kai ba·si·lé·a
Teme  o[3]    Deus,   filho,  e   rei.

“Deus” e “rei” são ligados pela copulativa kaí, estão ambos no acusativo, sendo que o primeiro substantivo é precedido de artigo ao passo que o último não. Pela regra de Sharp, ambos os nomes deveriam referir-se à mesma pessoa. Contudo, o texto se refere a pessoas DIFERENTES!

Em primeiro lugar, a continuação do versículo mostra isso: “Não te metas com os que estão a favor duma mudança.” Assim, o respeito ao governante humano impediria o servo de Deus de promover revoluções ou atentados contra o poder vigente. Em segundo lugar, temos a citação indireta que Pedro faz desse provérbio em 1 Pedro 2:17c, que declara: “Tende temor de Deus, dai honra ao rei.”

As traduções da cristandade reconhecem a distinção entre “Deus” e “rei”, e vertem Provérbios 24:21 de modo a indicar isso:

Teme ao SENHOR, filho meu, e ao rei, e não te ponhas com os que buscam mudanças.” – ACRF; veja também Al; ALA; IBB; NVI; NTLH; Ave Maria; CNBB.[4]


O contexto bíblico invalida a regra de Sharp

Ademais, na relação Deus e Cristo, encontramos alegados exemplos da primeira regra de Sharp, citados pelos defensores da mesma, mas cujo contexto demonstra que a referida regra é inválida. Os trinitaristas citam Efésios 5:5; 2 Tessalonicenses 1:12, 1 Timóteo 5:21 e 2 Timóteo 4:1. Vamos examinar o primeiro desses textos: Efésios 5:5.

Efésios 5:5:         ἐν τῇ βασιλείᾳ τοῦ Χριστοῦ καὶ θεοῦ
Literalmente:  no    reino        do   Cristo[5]     e    Deus

A aplicação de Sharp a essa passagem faria com que os substantivos “Cristo” e “Deus” se referissem ao mesmo Ser. No entanto, traduzir assim conflitaria com a esmagadora evidência de que o “reino” procede de Deus, o Pai, e a ele pertence. O próprio Jesus disse: “Venha o teu reino.” (Mateus 6:10) Encontramos 66 ocorrências da expressão “reino de Deus” no “Novo Testamento”, e Jesus identificou claramente o “Deus” a quem tal “reino” pertence e de quem ele procede, quando usou a expressão “reino de meu Pai”. (Mateus 26:29) O texto paralelo usa a expressão “reino de Deus”, indicando que Deus é o Pai. (Lucas 22:18) Cristo recebe o “reino” de seu Deus e Pai (Daniel 7:13, 14; Lucas 22:29), e o devolverá a Ele. (1 Coríntios 15:24) Por todas essas razões, o Reino é primariamente de Deus, o Pai, que o compartilha com seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.

Assim, Efésios 5:5 menciona o “reino de Cristo” por este ser o principal Recebedor do Reino e aquele por meio de quem as pessoas se chegam a Deus, sendo que a expressão subsequente – “e de Deus” – estabelece o Autor e Dador desse reino. Reconhecendo esse fato, as traduções da cristandade costumam verter o texto por “reino de Cristo e de Deus”, mostrando que os substantivos “Cristo” e “Deus” se referem a seres distintos. Veja ACRF, IBB, NVI, KJ, Ave Maria, CNBB, BJ, NAB, Douay-Rheims, RSV.

Assim, as regras inventadas arbitrariamente pelos trinitaristas para tentar dar suporte a uma doutrina antibíblica os coloca na constrangedora condição descrita em Isaías 28:20, que diz: “Vocês serão como o homem de que fala aquele provérbio: ‘A cama é tão curta, que ele não pode se deitar, o cobertor é tão estreito, que não dá para ele se cobrir.’” (NTLH) De fato, por mais que se ‘encolham’ em relação à regra de Sharp, por estabelecer o máximo de restrições a tal regra, ela ainda é “curta” e ‘estreita’ demais para abranger todos os casos de construção gramatical aos quais ela deveria se aplicar, colocando seus defensores em “maus lençóis”, por assim dizer.


Incoerência de alguns proponentes da regra de Sharp

Tradutores trinitaristas não reconhecem a clara regra bíblica de elipse da repetição do artigo e vertem Tito 2:13 segundo a regra de Sharp, como se aplicando apenas à pessoa de Cristo. (Veja IBBABV, Al, ALA, PIB, BJ.) Contudo, eles não seguem a mesma regra de Sharp na tradução de outros textos que têm a mesma construção, tais como Efésios 5:5; 2 Tessalonicenses 1:12; 1 Timóteo 5:21; 6:13; e  2 Timóteo 4:1. Examine abaixo o texto grego e como quatro versões bíblicas os traduzem. As traduções escolhidas foram ACRF, IBB, NVI, BJ. (Embora haja pequenas diferenças nas palavras e/ou na estrutura das frases nessas traduções, todas apresentam o conceito básico de distinção entre Deus e Cristo.)

Efésios 5:5:         
ἐν τῇ βασιλείᾳ τοῦ Χριστοῦ καὶ θεοῦ
Literalmente:  no    reino        do   Cristo     e    Deus
Traduções:    ‘no reino de Cristo e de Deus.’

2 Tes. 1:12: 
τὴν χάριν  τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ 
Literalmente: a benignidade imerecida do Deus nosso e Senhor Jesus Cristo
Traduções: ‘a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.’

1 Timóteo 5:21: 
ἐνώπιον τοῦ θεοῦ καὶ Χριστοῦ Ἰησοῦ 
Literalmente: diante    do  Deus  e   Cristo Jesus
Traduções: ‘diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo.’

1 Timóteo 6:13: 
ἐνώπιον τοῦ θεοῦ τοῦ ζῳογονοῦντος τὰ πάντα καὶ 
Χριστοῦ Ἰησοῦ 
Literalmente: À vista do Deus, que preserva vivas todas as coisas, e Cristo Jesus
Traduções: ‘diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus.’

Por que nesses textos os tradutores da cristandade não seguem a injunção proposta por Sharp? Se realmente acreditassem na legitimidade da alegada regra, a bem da coerência, deveriam traduzir uniformemente os textos que se enquadram nas proposições da referida regra. Nesse respeito, os trinitaristas parecem reconhecer a distinção que a Bíblia faz, não apenas entre o Pai e o Filho, mas também entre Deus e Cristo. Ou seja, a expressiva maioria de vezes em que a Bíblia usa o termo “Deus” ela o faz para se referir ao Pai. Ele é Deus num sentido seleto, distinto, como o Todo-poderoso, o único Ser que não teve princípio. (Gênesis 17:1; Apocalipse 21:22; Salmo 90:2) Nas poucas passagens em que Jesus é chamado de “Deus” isso é feito num sentido restrito. – Isaías 9:6; João 1:1, 18.[6]


Exame da sexta regra

Como foi adrede mencionado neste artigo, a última regra de Sharp afirma que dois nomes não precedidos por artigo (anartros) e ligados por kaí indicam pessoas, coisas ou qualidades diferentes, do mesmo modo como dois nomes ligados por kaí precedidos por artigo (articulados) igualmente indicam pessoas, coisas ou qualidades diferentes.

Essa regra aplica um golpe mortal à interpretação trinitarista de João 20:28 da expressão de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” No texto grego essa expressão se encontra literalmente assim:

 κύριός μου     καὶ  θεός μου
O Senhor de mim e     o Deus de mim!”

Observe que os dois nomes – kýrios (“Senhor”) e theós (“Deus”) possuem artigo e são ligados por kaí (“e”). Segundo tal regra, tais nomes referem-se a pessoas diferentes. Assim, o “meu Senhor” não seria o mesmo Ser que o “meu Deus”. Uma vez que Jesus foi referido por seus discípulos como “Senhor”, ao passo que ele mesmo indicou que seu Pai era tanto seu Deus como Deus de seus discípulos, ficaria absolutamente clara a conclusão de que Tomé, pela expressão “meu Senhor”, estava se reportando ao Senhor Jesus, ao passo que, pela expressão “meu Deus”, ele fazia alusão ao Deus e Pai de Jesus, o Soberano Senhor Jeová. – Mateus 8:21, 25; 14:28, 30; 16:22; Marcos 11:3; Lucas 5:8; João 6:68; 11:2; 13:13; 20:17.

Nota-se assim que, embora os defensores da Trindade façam menção de Sharp com alarde quando a proposição dele parece servir aos seus fins, os mesmos o desconsideram quando o mesmo conjunto de regras não se enquadra – e até se opõe – à doutrina que defendem.

No entanto, que a validade da sexta regra de Sharp é insustentável pode ser visto pelo texto de Apocalipse 2:26, que declara literalmente:

καὶ  νικῶν   καὶ  τηρῶν     ἄχρι τέλους τὰ ἔργα μου, 
kaì ho nikõn kaì ho terõn    ákhri télous tà érga  mou,
e àquele que vencer e  àquele que observar até    o fim    as obras minhas

δώσω αὐτῷ ἐξουσίαν ἐπὶ  τῶν ἐθνῶν.
dóso   autõi  exousían   epì   tõn ethnõn.
darei a ele autoridade sobre as  nações.

Observe que os particípios substantivados nikõn terõn são ligados por kaí (“e”); que, por serem particípios substantivados, possuem artigo; e que estão no mesmo caso. A sexta regra determina que quem vencer e quem observar as obras de Cristo são pessoas distintas, o que seria um absurdo!

Primeiro, por uma questão de lógica. Quem vence o faz porque observa as obras de Cristo até o fim, e quem as observa até o fim torna-se vencedor. Segundo, pelas próprias palavras subsequentes de Cristo no texto em questão, que mostram que tanto o vencedor como o observador é um só, quando disse: “Darei a ele (não diz ‘a eles’) autoridade sobre as nações.”

Observe, também, a contradição entre a primeira e a sexta regra, tomando por base o texto de Apocalipse 20:6. Este mostra a clara distinção entre Deus e Jesus Cristo:

ἔσονται ἱερεῖς τοῦ θεοῦ καὶ τοῦ Χριστοῦ
serão sacerdotes do  Deus  e   do Cristo

Portanto, de acordo com a sexta regra de Sharp, “Deus” e “Cristo” nesse texto são seres distintos. No entanto, conforme a primeira regra de Sharp, os mesmos “Deus” e “Cristo” são o mesmo Ser em Efésios 5:5, 2 Tessalonicenses 1:12, 1 Timóteo 5:21 e 6:13!

Tudo isso mostra claramente a falta de legitimidade de ambas as regras de Sharp. Também mostra a fragilidade da sustentação da doutrina trinitária, que se encontra ancorada em regras gramaticais inválidas e contraditórias, além do que expõe a falta de honestidade de alguns trinitaristas, que oscilam de uma regra para outra de Sharp conforme cada uma delas parece convenientemente endossar sua teoria antibíblica.

As alegadas “regras” de Sharp, embora pareçam coincidir em alguns textos, são invalidadas por outros, mostrando ser, na realidade, um artificio inverossímil. Por outro lado, a elipse da repetição do artigo entre dois seres (pessoais ou impessoais), sendo distintos pelo contexto bíblico, tem respaldo gramatical e semântico.


Apelo à fraseologia contextual

Malogrados todos os esforços de estabelecer a doutrina trinitária em base gramatical inverossímil, os trinitaristas recorrem ao contexto de Tito 2:13, tentando com isso provar que as expressões “o Grande Deus” e  “Salvador” se referem ambas à pessoa de Cristo. Apontam para isso o versículo 14, que reza: “Que se entregou por nós, a fim de nos livrar de toda sorte de coisa que é contra a lei e purificar para si mesmo um povo peculiarmente seu, zeloso de obras excelentes.” Como é evidente que esse versículo se aplica a Cristo, os trinitaristas pretendem, com isso, inferir que ambas as expressões do versículo anterior também se referem à pessoa de Cristo.

Contudo, esse não é um raciocínio válido. Não é incomum um escritor bíblico falar de duas pessoas distintas, e depois prosseguir falando de uma delas. Podemos comprovar isso lendo Gálatas 1:3, 4: “Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, (4) O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai.” (ACRF) Como vimos, o versículo 3 faz menção de duas pessoas distintas – o Pai e o Filho –, ao passo que o versículo 4 prossegue falando de uma delas: o Filho, mencionando que as ações deste último estão subordinadas à “vontade de Deus nosso Pai”.

Outra proposição apresentada é a de que o termo “epifania” (grego ἐπιφάνεια) nunca é usado para o Pai em lugar algum do “Novo Testamento”. No entanto, um exame acurado do texto de Tito 2:13 expõe que essa passagem fala literalmente da “manifestação [epifania] da glória” (ἐπιφάνειαν τῆς δόξης; epifáneian tês dóxes). Outro fator a ser considerado é o de que a epifania está relacionada à parousia (presença) de Cristo e à sua ‘vinda’, sendo mencionada dentro desse contexto escatológico.

Lemos, assim, sobre a “manifestação de sua presença” (τῇ ἐπιφανείᾳ τῆς παρουσίας αὐτοῦ; têi epifaneíai tês parousías autoû). (2 Tessalonincenses 2:8) A “presença” de Cristo é um período cujo clímax é sua ‘vinda’ como Executor dos maus e Salvador dos fiéis.[7] (Mateus 24:3, 30, 31) Englobando tudo isso, podemos inferir que a parousia de Cristo será manifestada por sua ‘vinda’ gloriosa – daí a expressão “manifestação [epifania] da glória”.

E a Bíblia indica que ocorrerá uma vinda conjunta de Cristo com o seu Pai, Jeová. Lucas 9:26 fala de Jesus “chegar na sua glória e na de seu Pai e dos santos anjos”. A menção dos “santos anjos” indica que estes acompanharão Cristo em sua ‘chegada’, ou vinda, como outros textos mostram. (Mateus 24:30, 31; 25:31; 2 Tessalonicenses 1:7, 8; Apocalipse 19:11-16) Correspondentemente, a menção do “Pai” mostra que haverá uma vinda conjunta de Deus e Cristo. Comprovando adicionalmente isso, lemos em Apocalipse 6:16, 17: “E estão dizendo aos montes e às rochas: ‘Caí sobre nós e escondei-nos do rosto Daquele que está sentado no trono e do furor do Cordeiro, porque veio o grande dia do seu furor, e quem é que pode ficar de pé?’” Desse modo, ocorrerá a “manifestação da glória” do “grande Deus”, Jeová, e do “Salvador de nós”, o Senhor Jesus Cristo.[8]


Conclusões legítimas à base do contexto

A expressão “do grande Deus” (τοῦ μεγάλου θεοῦtoû me··lou The·), usada nas Escrituras Gregas Cristãs somente em Tito 2:13, só pode aplicar-se ao Pai, Jeová Deus. Somente ele é chamado em outras partes da Bíblia de “grande Deus”. – Esdras 5:8; Salmo 77:13; 95:3; hebr.: ’El ga·dhóhlNM n.; veja também Deuteronômio 10:17; Salmo 96:4.

O parágrafo dois deste artigo mostrou que, mesmo que a expressão ‘o grande Deus’ fosse aplicada a Jesus, isso não o colocaria em igualdade com Jeová, e nem faria com que ele e Jeová fossem o mesmo Ser. De fato, a expressão “Deus poderoso” (“Deus forte”, Al) é aplicada tanto a Jesus com a Jeová. (Isaías 9:6; 10:21) Mas isso não faz com que ambos compartilhem a mesma identidade. Pois, somente Jeová possui a distinção de ser chamado “o Deus Todo-poderoso”, expressão que realmente determina superioridade absoluta. (Gênesis 17:1) Além disso, somente Jeová é “o Altíssimo” em sentido absoluto, como Deus, ao passo que Jesus é referido como “Filho do Altíssimo”. – Salmo 83:18; Gênesis 14:22; Hebreus 7:1; Lucas 6:35; Mateus 5:45; Lucas 1:32.

Assim, o peso da evidência contextual indica claramente que o “grande Deus” mencionado em Tito 2:13 é o Soberano Senhor Jeová, “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Romanos 15:6; 2 Coríntios 1:3; 11:31; Efésios 1:3; 1 Pedro 1:3) Neste ponto, as traduções que fazem essa distinção transmitem o que o texto grego realmente quer dizer. Entre tais traduções figura a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


Lista das traduções citadas:

ABV: A Bíblia Viva.
ACRF: Almeida Corrigida e Revista Fiel.
Al: Almeida Corrigida.
ALA: Almeida Revista e Atualizada.
BJ: Bíblia de Jerusalém.
CNBB: Bíblia do Conselho Nacional de Bispos do Brasil.
IBB: Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira.
KJ: Versão Rei Jaime (em inglês).
NAB: The New American Bible (1970), Catholic Biblical Association of America.
NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.
NVI: Nova Versão Internacional.
PIB: Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Edições Paulinas.
RSV: Versão Padrão Revisada (em inglês).


Notas:

[1] Para uma consideração mais pormenorizada sobre esse tema, veja o artigo É a Trindade uma doutrina bíblica? e A Trindade é ensinada no "Novo Testamento"?, ambos neste site

[2] Essa definição é uma síntese das definições feitas por defensores da referida regra.

[3] Em português, em alguns casos o objeto direto pode vir preposicionado. Nesse caso, a tradução seria: ‘Teme ao Deus.’ Normalmente em português se omite o artigo neste caso, fazendo o texto rezar: “Teme a Deus.”

[4] Embora o Tetragrama (nome divino) apareça no texto hebraico (o que indica que a Septuaginta original deve ter mantido o Nome na tradução para o grego), as cópias de que dispomos da LXX colocam theós (Deus), mas numa estrutura fraseológica que não se harmoniza com a regra de Sharp, indicando assim que essa regra não tem suporte no grego coiné.

[5] O substantivo “Cristo”, embora seja usado em conexão com o nome pessoal “Jesus”, é primariamente um título oficial. Essa é a aparente razão de os defensores das restrições à regra de Sharp acharem que podem usar passagens em que aparece esse nome-título dentro da estrutura gramatical que se alega ser uma regra sem exceção.

[6] Veja o artigo “Meu Senhor e meu Deus!” – em que sentido?, neste site.

[7] Veja o artigo “Estudo sobre a Presença e a Vinda de Cristo, neste site.

[8] Jeová não virá literalmente à atmosfera do planeta Terra. Sobre ele, a Bíblia diz: “Os próprios céus, sim, o céu dos céus, não te podem conter”. (1 Reis 8:27) Se nem o Universo físico pode comportar a presença de Jeová em pessoa, muito menos nosso minúsculo planeta! Na Bíblia, os verbos “vir”, “retornar” (ou “voltar”), “descer” e “visitar” nem sempre se referem a um movimento topográfico de um lugar para outro, mas também significam “voltar a atenção” para alguma coisa e agir em relação a tal coisa. – Gênesis 18:14: 21:1; Êxodo 3:8, 16; 4:31; Lamentações 1:22; 4:22; Malaquias 3:7; Atos 7:39; 15:14.




A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



17 comentários:

  1. Prezado Senhor Apologista:

    Sou professor de Teologia. Li com interesse seu artigo acima e, embora eu discorde doutrinalmente dele, tenho de admitir que está muito bem redigido, no elevado nível de um trabalho acadêmico primoroso, com português correto e atual. Posso dizer o mesmo de outros artigos que li em seu blog. Acredito que seus artigos fornecem uma excelente contribuição para o estudante de grego bíblico, independente dos conceitos teológicos que tal estudante endosse, bem como propõem elementos ideológicos para a discussão e a avaliação de aspectos aparentemente frágeis de dogmas perpetuados ao longo da história cristã. Parabéns pelo seu bom trabalho.

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  2. Prezado J.M.A:

    Agradeço pelo elogio e por ter expressado de modo transparente sua opinião sobre meus artigos. Com efeito, é necessário trazer à tona o que você chamou de "aspectos aparentemente frágeis de dogmas" religiosos. Isso contribui para que pessoas sinceras e que buscam a verdade possam analisar todos os lados de uma questão, podendo assim chegar a uma conclusão consciente e baseada nos fatos sobre o que a Bíblia ensina.

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    1. “Qualquer inexperiente põe fé em cada palavra, mas o argucioso considera os seus passos Provérbios 14:15
      Atos dos Apóstolos 17:1-3 “... Assim, segundo o costume de Paulo, raciocinava à base das Escrituras, explicando e provando com referências
      w74 1/12 736 O códice prático
      “Segundo o costume de Paulo, ele entrou, indo ter com eles, e por três sábados raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências que era necessário que o Cristo sofresse e fosse levantado dentre os mortos.” Os ensinados foram também elogiados por verificarem os assuntos nas Escrituras Sagradas. “Ora, estes últimos [os bereanos] eram de mentalidade mais nobre do que os de Tessalônica , pois recebiam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim.” (Atos 17:11)


      Daniel 7:13 “Continuei observando nas visões da noite e eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos céus alguém semelhante a um filho de homem;

      “Enquanto continuamos a esperar pelo bendito cumprimento de nossa esperança infalível ; o aparecimento da gloria do nosso Grande Deus e a aparição de nosso libertador, [Yeshua]Jesus, O Messias. Tito:2:13 “E então verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória”.Marcos 13:26“ Eis que ele vem com as nuvens e todo olho o verá”, Apocalipse 1:7

      Marcos 8:38 “Porque todo aquele que ficar envergonhado de mim e das minhas palavras, nesta geração adúltera e pecaminosa, deste o Filho do homem também se envergonhará, quando chegar na glória de seu Pai, com os santos anjos.”


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    1. Obrigado, estimado amigo. Isso me incentiva a continuar na defesa da verdade. Um forte abraço!

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  4. Prezado irmão:
    Achei este um de seus melhores estudos.Devido a falta de tempo não tenho raciocinado muito sobre alguns temas mais aprofundados.No entanto,neste caso percebi clareza e lógica,um assunto profundo colocado de um modo simples e inteligível, desse modo,exatamente assim,usando tal linguagem você contribui para "demolir as coisas fortemente entrincheiradas..contra o conhecimento de Deus"-2 coríntios 10:4-5. Continue assim,lembrando o valor da humildade e do apego à organização de Jeová, sempre apegado aquela videira,para que nosso Deus continue te usando como uma benção para a congregação e sua obra de pregar as boas novas frutifique.
    um forte abraço.

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    1. Prezado Reginaldo:

      Agradeço muito seu apreço e incentivo. Que Jeová também continue o abençoando em seus esforços para servi-Lo. Abraços.

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    2. Reginaldo, você poderia me fornecer seu e-mail?

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  5. Artigo muito bom, inclusive um dos melhores e mais completos.

    Mas acho que dessa vez ficou meio incoerente a opinião do autor quanto a se "..a manifestação do grande Deus e salvador" poderia ou não ser Jesus Cristo neste texto, se isso iria mudar algum coisa. Pois o Apologista diz que "grande Deus" só poderia ser o Pai e ao mesmo tempo diz que se aplicada a regra de Sharp não faria diferença. (Eu creio que o "grande Deus" neste texto seja o Pai, por motivos obvios e concordo que mesmo que se referisse a Jesus isso não o tornaria coigual ao Deus Pai conforme ensina a Teoria da Trindade)

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    1. Prezado Saga:

      A sua posição sobre o assunto foi exatamente o que eu quis expressar. Eu não afirmei que o “grande Deus” mencionado em Tito 2:13 poderia se aplicar a Jesus. O contexto, como pontuei, mostra que se aplica a Jeová. O que afirmei é que, mesmo que se referisse ao Filho, isso não o tornaria coigual ao Pai, como você mesmo disse. Tal argumento desarma a pretensão trinitarista, pois mostra que não basta Jesus ser chamado de Deus (como de fato ocorre em OUTROS textos) para se afirmar a coigualdade dele com o Pai. (Isa. 9:6; João 1:18) Isso leva ao âmago da questão: coloca Tito 2:13 na sua devida situação – apenas uma questão de tradução. E a tradução correta, conforme mostra o contexto, é a que aplica o “grande Deus” ao Pai, diferenciando-o do Filho, Jesus Cristo.
      Aproveito a oportunidade para lhe parabenizar pela sua atuação no debate on line sobre o tema “o espírito santo é uma pessoa?” no blog traducaodonovomundodefendida.blogspot.com. Seus argumentos e sua forma peculiar de se expressar são deveras muito cativantes. Abraços.

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    2. Bem, o Matias é bem inferior ao Jurandir (Que era de level duvidoso), ao menos o Jurandir não plagiava o google todo....

      Eu me decepcionei muito, mas está sendo engraçado o desespero dos trinitaristas quando não sabem para onde correr...ou para o que apelar

      Em outra situação, com outro debatente mais educado e sendo algo menos formal como o debate sugerido pelo Queruvim seria bem mais engraçado o clima, como nas parodias da Trindade que fiz no meu primeiro coment lá nesse artigo.

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  6. Tirado do Youtube:

    "Olá, émúsica cristâ? Não entendi a relação com rapaz andando no sertão e sem chegar a lugar nenhum. O arranjo e as vozes são muito bons, mas não são louvor nem adoração a Jesus ou a Deus. Penso em um novo lar com Jeus e que é Sua graça que me leva prá lá. mosfrei 2 meses atrás "

    0-O ponto é que mesmo entre os membros das entidades religiosas trinitarias eles não se dão conta na forma como se expressam...em como sutilmente renegam a Trindade.

    1-Dizer "adoração a Jesus ou a Deus" é um pleonasmo ou tautologia, uma vez que são o mesmo. (Bastaria dizer Adoração à Deus ou não?)
    2-Pensando que querem dizer o Pai, ora, então tão destacando o Pai como sendo propriamente Deus. Ao chama-lo assim, apenas Ele, está se omitindo o resto da Trindade da Divindade!
    3-Mesmo que partamos do ponto de vista que se quis dizer "Deus Filho" e "Deus Pai", o Espírito Santo foi excluído da Adoração e da Divindade. Ou não se deve também adorar o Espírito Santo?

    4- Se ele disesse simplesmente "adoração a Jesus" ainda assim ficaria estranho aos ouvidos trinitários, fiaria meio Unicista, como se Jesus fosse a única pessoa divina. Ora por que só citou Jesus e esqueceu a adoração ao Espírito e ao Pai?

    5- Agora imaginem que um Trinitário Devoto e Fanático tivessem que recitar algo parecido com que Paulo disse aos corintios "Nós só temos um Deus, o Pai" ou "Existe apenas um Deus verdadeiro, o Pai" ou "Devemos adorar Deus....ao nosso Pai...apenas a ele...", tais coisas saem com naturalidade da boca não trinitariana, mas para um trinitário rígido lhe daria um bug dizer tais coisas, soaria como heresias não é? Embora a própria Bíblia use expressões semelhantes.

    6- Embora creiam que "Jeová" seja um nome aplicavel à Cristo, a forma como usam tal denominação sugere que incoscientemente DISTINGAM um do outro. Meio que notamos que querem dizer "Deus Pai". Tentam dizer que Jesus é igual ou tem mesmos direitos que "Jeová", quando tentam dizer que são o mesmo eles se confundem e a argumentaão fica mais SABELIANA do que Trinitariana.

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    1. De fato, Saga. Pelo fato de a doutrina da Trindade ser ilógica, ininteligível, irracional e, acima de tudo, antibíblica, surge tamanha confusão entre os que nela acreditam e que a defendem.

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  7. Não querendo ser repetitivo mas como Judas 4 se relacionaria a "lei de Sharp"? Lembrando novamente que tal passagem tem variante textual no TR em relação ao TC.

    Em comentários anteriores eu fiz a OBS de que existem duas vertentes no entendimento desse verso, [1] uma que diz que fala do Soberano (Desposta - Deus) e [Kai] do Senhor (Kyrios - Jesus) e [2] outra que entendeu que fala do "Soberano e Senhor, Jesus Cristo". As traduções que se pautam pelo TC utilizam a segunda opção enquanto que as que baseadas no TR escolhem a primeira. (O entendimento trinitário dessa passagem não é usado mais na maioria das versões e mesmo as do naipe da KJ o desmente)

    EU sinto que tem algo a ver com as regrinhas que os tradutores se pautam para decidir se palavras separadas por KAI se referem a mesma coisa ou a coisas distintas. Temos dois adjetivos [Adjetivos? Os títulos Despostes e Kyrios] que muitos inclusive tomam como sinônimos (Ambos significam Senhor, Amo, um dono de Escravos) separados por KAI (com artigo definido ou sem?) e um substantivo em seguida (Jesus).

    Duas qualidades ligadas por Kai seriam consideradas ambas da mesma pessoa referida no contexto da passagem. (Pois tem DOIS adjetivos e UM substantivo)

    No caso de como o texto está no TR, ali se acresce um novo personagem, com o substantivo extra (DEUS); um adjetivo se liga a uma pessoa (Deposta se liga a Deus, como diz a KJ, the LORD GOD) e o outro adjetivo se liga a outra pessoa (Kyrios se liga a Jesus, como diz a KJ, the LORD JESUS).

    Sorry se a linguagem foi confusa, rs.

    PS: Acho que faltou o artigo falar de certos textos onde Deus e Cristo estão ligados por KAI que ao se seguir a lógica dos haters da TNM levaria ao SABELIANISMO (Unicismo) e NÂO ao Trinitarismo. Ou não? (Estes argumentos de KAI, "Deus e Jesus" para mim parece ser bem usado pelos unicistas modernos isso sim, por sinal os ajudando mais do que os trinitaristas que nem se decidem em como deve funcionar esse negocio, parece usarem da sagrada CONVENIENCIA. Para um unicista é bem mais fácil tomar todos textos ligados por KAI que falem do Pai e do Filho todos se referindo ao mesmo personagem e pronto acabou! )

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    1. Prezado Saga:

      O objetivo do artigo acima foi analisar qual é a tradução correta de Tito 2:13. Visto que uma opção de tradução se baseia na proposição de Sharp, essa proposição, por consequência, também foi analisada quanto à sua validade. Como o artigo demonstrou com base textual bíblica, as alegadas regras de Sharp, embora possam coincidir em alguns textos, não subsistem a um exame mais profundo, pois outros textos não se conformam a elas. Pois, quando o CONTEXTO fala de dois seres DIFERENTES, mesmo que dois nomes (substantivos, adjetivos ou particípios) no mesmo caso sejam ligados por KAÍ e o primeiro seja precedido de artigo, isso não torna o segundo (substantivo, adjetivo ou particípio) o mesmo ser que o primeiro.
      Apesar de toda a confusão que permeia a regra de Sharp, alguns a definindo de um modo e outros, de outro, em geral há concordância de que ela afirma que DOIS nomes (substantivos, adjetivos ou particípios) do mesmo caso ligados por kaí, se o primeiro nome é precedido por artigo, o segundo nome não precisa vir precedido por artigo para se referir ao mesmo ser.
      No entanto, Judas 4, de acordo com o Texto Crítico, apresenta uma construção diferente. Veja a tradução literal do texto grego da parte que estamos focando:
      O único Dono e Senhor de nós Jesus Cristo
      Observe que, começando com o artigo, não há, estritamente falando, DOIS nomes ligados por kaí. O artigo precede um adjetivo (“único”, MÓNOS) e um substantivo (“Dono”, DESPÓTES), que são ligados por kaí (“e”) a outro substantivo (“Senhor”, KÝRIOS).
      A parte que podemos isolar seria “Dono e Senhor”. Neste caso seriam DOIS nomes ligados por kaí. Aí entraria a sexta regra de Sharp, a qual afirma que DOIS nomes não precedidos por artigo e ligados por kaí indicam pessoas, coisas ou qualidades DIFERENTES. Contudo, o CONTEXTO indica que ambos os nomes anartros ligados pela copulativa kaí se referem À MESMA PESSOA – Jesus Cristo!
      No Texto Recebido, ocorre a inserção da palavra “Deus”, fazendo o texto rezar:
      E o único Dono, Deus (5) e Senhor de nós Jesus Cristo
      Pela sexta regra de Sharp, “Deus e Senhor” teriam de se aplicar a seres DISTINTOS. Talvez essa seja a razão de algumas traduções fazerem distinção entre essa ocorrência adicional de “Deus” e “Jesus Cristo” nessa passagem da carta de Judas. Assim, neste caso, a regra que foi criada visando apoiar a Trindade acabou se posicionando contra tal doutrina nessa passagem no Texto Recebido! De qualquer forma, a referida sexta regra também não tem suporte no grego empregado no texto bíblico, pois em certas passagens ela conflita com o CONTEXTO.
      Portanto, a regra que se extrai do grego bíblico é a de que, quando o CONTEXTO determina a existência de duas pessoas ou coisas DIFERENTES, e ambas forem ligadas por “e” (καί), se a primeira pessoa (ou coisa) for precedida pelo artigo definido, não é necessário repetir o artigo definido antes da segunda pessoa (ou coisa). Neste caso, o artigo estará subentendido. Como este estudo demonstrou, a regra da elipse da repetição do artigo tem suporte na gramática do grego bíblico.

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    2. "No Texto Recebido, ocorre a inserção da palavra “Deus” [...] Pela sexta regra de Sharp, “Deus e Senhor” teriam de se aplicar a seres DISTINTOS [...] Assim, neste caso, a regra que foi criada visando apoiar a Trindade acabou se posicionando contra tal doutrina nessa passagem no Texto Recebido!"

      Sim, era onde eu queria chegar, engraçado, haha

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  8. Daniel B. Wallace é o principal defensor da Sharp Rule esses dias não?

    http://bible.org/article/sharp-redivivus-reexamination-granville-sharp-rule

    http://www.pfrs.org/sharp.html

    Eu tava vendo a wikipédia em inglês e é o seguinte, quando o trinitariano Sharp decidiu se aprofundar em grego ele o fez para vencer debates com amigos unitarianos (Socinianos) e o hebraico ele se interessava para debater a questão da Trindade com judeus. Ou seja, ele foi mal intencionado. Um de seus opositores na época chamou atenção que os Pais da Igreja que escreveram em grego não se pautavam pela regra e nenhum usou tal como argumento contra os arianos. A impressão que se tem é que todos eruditos gregos do mundo tiveram de esperar Sharp vir e descobrir essa regrinha do nada. E ela também não serve com escritos extrabíblicos.

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