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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fatores a serem levados em conta no estudo da Bíblia



Fonte da foto:
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/wp20131001/sobre-a-biblia/



Para se entender a Bíblia, é necessário reconhecer o uso de alguns fatores, ou recursos, que foram utilizados pelos escritores inspirados. Os mesmos recursos são usados inclusive em nossos dias, sem que as pessoas percebam seu uso. Essa pode ser uma das razões pelas quais não consigam discernir o uso do mesmo instrumento pelo escrito bíblico, e tendam a criticar a Bíblia como não sendo inspirada ou tirar conclusões erradas do que o escritor queria realmente dizer. Assim, são alistados abaixo alguns fatores fundamentais para o entendimento das Escrituras:

Olhar as coisas segundo o seu valor aparente

Esse recurso também poderia ser chamado de ‘ver as coisas de acordo com o ponto de vista humano’. Exemplo disso é encontrado nas palavras do apóstolo Pedro: “Com eles aconteceu o que diz o provérbio verdadeiro: “O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada a revolver-se no lamaçal.” (2 Pedro 2:22) Pedro estava falando a respeito dos que aceitam o cristianismo, fazem mudanças na vida, mas depois lamentavelmente retornam ao proceder anterior de vida, que muitas vezes inclui a devassidão e a libertinagem. Acontece que a porca (ou o porco) se chafurda na lama para “resfriar-se do calor do verão e remover parasitos externos de seu couro”.[1] Assim, do ponto de vista da zoologia, essa criatura estaria, na verdade, se limpando.

Mas o ponto é que o apóstolo cristão não estava dando uma aula de ciência. Ele apenas usou algo segundo o seu valor aparente, aos olhos humanos, como ilustração. Mesmo no dia a dia, em pleno século 21, usamos uma linguagem assim. Por exemplo, falamos de “pôr-do-sol” e “nascer-do-sol”. Falamos em uma espaçonave “subir” ao espaço, quando, na verdade, ela tecnicamente ‘se afastou’.[2]

Usar um termo corrente na língua para descrever algo

 Por exemplo, ao descrever os sintomas da doença que hoje chamamos de “epilepsia”, o evangelista Mateus usou formas do verbo grego σεληνιάζομαι (seleniázomai, “ser lunático”) em Mateus 4:24; 17:15. Segundo o The International Standard Bible Encyclopaedia (A Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional), “o significado do termo original seleniazomai, ‘lunático’, acha-se ligado à crença popular, ampla e estranhamente persistente, de que a lua, em certas fases, é prejudicial aos seres humanos, esp[ecialmente] no caso de doenças de caráter periódico ou remitente. Não existem dados pelos quais se possa determinar se, na época do N[ovo] T[estamento], esta palavra específica representava uma crença viva e ativa, ou tinha passado para o uso em que a metáfora original desaparece, e a palavra simplesmente indica o fato aludido, sem referência à ideia incorporada na etimologia. Ainda usamos a palavra ‘lunático’ para significar um doente mental, embora há muito tenhamos deixado de crer na influência da lua em tais casos.”[3] (Grifo acrescentado.)

Assim, os que fazem uso do argumento de que Mateus usou um termo que em algum tempo foi ligado a uma crendice (algo sem embasamento científico) para negar a inspiração das Escrituras, não possuem respaldo verdadeiramente concreto. Isto porque, como mostrou a obra citada, não é possível provar que o evangelista compartilhava desse conceito. O máximo que se pode inferir é que Mateus usou um termo comum em seus dias, ou seja, fez uso corrente de uma palavra que descrevia uma determinada doença.

Como ilustração disso, temos o termo “hidrofobia”, que ainda é usado atualmente (embora com menos frequência), para descrever a doença chamada de “raiva”. Hidrofobia significa literalmente “medo da água”. No entanto, o animal acometido pelo vírus da raiva passa a ter, entre outros sintomas, o comprometimento da região muscular da orofaringe, resultando em a deglutição (ação de engolir) tornar-se uma tarefa difícil e dolorosa.[4] Hoje, o termo “hidrofobia” é mais usado para descrever um sintoma psicológico de humanos que possuem um medo mórbido de água. Mesmo no caso da raiva, entende-se que somente humanos infectados é que possuem o quadro clínico da hidrofobia.[5] Portanto, mesmo que a hidrofobia possa ser caracterizada como um sintoma da doença, ainda assim incidiria com restrição a humanos, não podendo, portanto, ser um sinônimo de “raiva”. Contudo, o uso do termo “hidrofobia” para raiva em pleno século 21 não significa que o redator ou usuário do termo acredite que o animal raivoso tenha realmente “medo da água”. Ele está usando apenas um termo que ainda está em uso. 

Outro exemplo é o da palavra “átomo”, que significa “sem divisão”. O nome  se deve a que, para os antigos, o átomo era o menor componente de toda a matéria existente, sendo, por isso, impossível de ser dividido em partes menores. Hoje, sabe-se de que o átomo é composto de elétrons, prótons e nêutrons. Mesmo assim, o termo continua a ser usado, mas é evidente que seu uso não implica na crença de que o átomo seja, efetivamente, “sem divisão”.

Reconhecer as figuras de linguagem usadas no texto bíblico

Assim como muitas outras literaturas, a Bíblia é extremamente rica nesse recurso. Curiosamente, as pessoas usam diversas dessas figuras em seu cotidiano, em expressões tais como: “Já falei mil vezes…”, mas têm dificuldade de reconhecer as figuras na linguagem bíblica, amiúde tomando o texto bíblico ao pé da letra. Exemplo disso são as palavras de Jesus: “Céu e terra passarão, mas as minhas palavras de modo algum passarão.” (Mateus 24:35) Muitos religiosos tendem a concluir dessas palavras que o universo físico futuramente deixará de existir. Mas, queira o leitor notar que essa expressão é seguida pela declaração: “Mas as minhas palavras de modo algum passarão.” Por conseguinte, o contraste (indicado pela conjunção adversativa “mas”) é com a permanência e sustentabilidade das palavras de Cristo. Em outras palavras, trata-se de uma hipérbole (exagero de linguagem para ressaltar um ponto) que visava mostrar a certeza do cumprimento das palavras de Jesus, as quais são mais duráveis e permanentes do que os eternos “céu e terra”. É como Cristo explicou em outra passagem: “Deveras, MAIS FÁCIL É passarem céu e terra do que passar sem cumprimento uma só partícula duma letra da Lei.” (Lucas 16:17) Encontramos ainda outras de suas palavras sobre o tema: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:18, ACRF) No entanto, a Lei mosaica se cumpriu, mas “o céu e a terra” não passaram. (Lucas 24:44-48) De modo que Mateus 5:18 é melhor traduzido assim: “Pois, deveras, eu vos digo que antes passariam o céu e a terra, do que passaria uma só letra menor ou uma só partícula duma letra da Lei sem que tudo se cumprisse.” (NM) Todas essas passagens ressaltam a hipérbole, na qual se usa algo eterno (o céu e a Terra físicos) para ressaltar a certeza do cumprimento dos propósitos divinos.[6]

Reconhecendo o uso que a Bíblia faz desses poucos recursos alistados neste artigo, o leitor da Palavra de Deus estará mais bem equipado para compreendê-la. Assim, tenha uma boa leitura e boa compreensão da sagrada e inspirada Palavra de Deus!


Explicação de abreviações usadas:

ACRF: Almeida Corrigida e Revisada Fiel
NM: Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.
                             
Notas:

[1] Obra Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 3, p. 286, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
[2] Veja o artigo “Quando Gagarin subiu ao espaço”. Link: http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/quando-gagarin-subiu-ao-espaco. Também o artigo: Aeronáutica lança foguete com sucesso em base no Maranhão no link
[3] Apud  Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, p. 286, op. cit.
[6] Para mais informações, veja o artigo “2 Pedro 3:7-12 se refereà destruição dos céus e da Terra literais?”, neste site.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.




Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org


  



Um comentário:

  1. Como sempre boas abordagens ,mas uma para os meus arquivos pessoais...parabéns!

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