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terça-feira, 24 de maio de 2016

“Deus unigênito” em João 1:18 – um dilema para os trinitaristas! (Parte 3)

Fonte da ilustração:
https://www.jw.org/en/bible-teachings/questions/pray-in-jesus-name/ 


Monogenés – único de uma espécie?

Harris demonstra que a definição de monogenés como “único de uma espécie” atenta contra a própria doutrina da Trindade:

Mas, porque há apenas uma substância na Santíssima Trindade, monogenés não poderia ser usado para uma pessoa se isso significasse um de um tipo [espécie]. Ele nunca poderia ser usado para uma pessoa, o que seria destruir a unidade da substância – homoousios, e faria as outras [duas] pessoas ser de um tipo ou substância – homoiousios – diferente. – p. 27.

Monogenés apóia a teoria da geração eterna?

Após demonstrar pela lógica inquestionável a incoerência da tradução “Deus único”, e da interpretação de monogenés como “único de uma espécie” no caso de João 1:18, e que, portanto, a tradução adequada seria “Deus unigênito” (Deus gerado, ou nascido), Harris sustenta sua crença trinitária por afirmar que tal geração é eterna:

No entanto, monogenés, significando unigênito, pode e é usado para uma das Três Pessoas – o Filho, por enquanto; o Pai é um não gerado e é Deus, e o Espírito Santo … é Deus; o Filho é, na verdade, unigênito e é Deus. Todos os três são Deus, não três Deuses, ou seja, três Seres Divinos, há apenas um ser divino, mas três que são chamados de Deus, porque eles todos possuem a uma única e mesma substância – um Ser Divino em quem subsiste Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. O Pai sendo de nenhum, portanto, não-gerado; o Filho sendo gerado eternamente do Pai, assim, unigênito; e o Espírito Santo procede do Pai através do Filho. – p. 27. (Grifo acrescentado.)

Seu conceito está de acordo com a bem conhecida Confissão de Fé Batista, citada por Harris em seu livro:

Neste Ser Divino e infinito há três pessoas (I João v.7; Mateus xxviii, 19; II Cor. X111. 14) o Pai, a Palavra (ou Filho), e o Espírito Espírito, de uma só substância, poder e eternidade, cada um constituindo todo o Divino. (Êx iii 14; João xiv 11; I Cor viii 6) Essencialmente, no entanto, a  essência indivisa: o Pai não é de ninguém, nem gerado, nem procedente; o Filho é (João I. 14,18) eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo (João xv 26;.. Gal Iv. 6) que procede do Pai e do Filho; tudo infinito, sem começo, portanto, um só Deus. 241 (The Philadelphia Confession of Faith (Associated Publishers and Authors, Inc. Grand Rapids, MI)

Ou seja, admite-se que o Filho é Deus unigênito (Deus gerado), mas, contraditoriamente, não se admite que ele teve princípio. Para sustentar essa disparidade, fala-se dele como sendo “eternamente gerado do Pai”.

Mas, onde reside a base BÍBLICA para sustentar essa teoria da geração eterna?

Harris faz alusão a uma passagem bíblica:

Os demônios, em Marcos 5:7, especificamente o chamaram de o Filho do Deus Altíssimo. Lembre-se, uma das primeiras regras de hermenêutica é seguir a planície e o sentido literal do texto, a menos que o contexto indique o contrário. Eles sabiam quem era Jesus. O sentido claro significa que ele era o Filho, em seu estado normal, ou seja, do Deus Altíssimo. Ele era o Filho eterno de Deus pela eterna geração. Todos compreendiam a linguagem normal que significa que ele veio de Deus. Ele foi gerado por Deus. Até os demônios sabiam disso. Eles sabiam que ele era Deus, pois ele era eternamente de Deus. – p. 191.

Com toda a sinceridade, caro leitor, acha mesmo que essa passagem prova a suposta geração eterna do Filho? É certo que os demônios sabiam que Jesus era Filho de Deus; eles até fizeram alusão a isso. Mas, afirmar a partir daí que os demônios achavam que era gerado eternamente por Deus e que era o próprio Deus é fugir drasticamente da mesma hermenêutica em que Harris julga se basear.

Seria esse o texto mais forte que os trinitaristas teriam para tentar sustentar a geração eterna?

Curiosamente, na página 149 de sua obra, Harris cita Provérbios capítulo 8 na versão Septuaginta conforme a versão inglesa de Brenton, onde lemos:

πρ το ρη δρασθναι πρ δ πάντων βουνν γενν με.

“Antes que os montes fossem firmados, e antes de todas as colinas, ele me gera.” – Provérbios 8:25.

O que Harris desconsidera é que o contexto de Provérbios capítulo 8 diz respeito exatamente à geração do Filho dentro do fator tempo!

22 Κριος κτισ με ρχν δν ατο ες ργα ατο, 23 πρ το αἰῶνος θεμελωσ με ν ρχ, πρ το τν γν ποισαι

“Jeová me produziu [“criou”, IBB] como o princípio do seu caminho, a primeira das suas realizações mais antigas. Fui estabelecida nos tempos antigos, no começo, antes de existir a terra.” – Provérbios 8:22, 23.

Neotrinitários não aderem à geração eterna

Outro fator curioso é que não há consenso entre os trinitaristas sobre a teoria da geração eterna do Filho. Harris comenta sobre isso:

A razão é porque a etimologia de monogenés não é o problema real. A verdadeira razão é que eles [os neotrinitários] rejeitam a doutrina da geração eterna, e eles estão tentando desacreditar a doutrina, alterando o significado de monogenés. Como foi mencionado no início deste artigo, há ampla evidência de que monogenés deve ser traduzido como unigênito”. Mas, mesmo, se for concedido o seu ponto de vista [dos neotrinitários], de que ele não deve ser traduzido dessa forma, eles ainda não estão traduzindo a palavra no seu significado majoritário.

A situação trinitária é extremamente embaraçosa: Se ela adere à teoria da geração eterna, colide frontalmente com claros textos bíblicos como Provérbios capítulo 8. Se a rejeita, rejeita também a suposta coigualdade do Filho em relação ao Pai na questão da eternidade. Em linguagem coloquial, isso poderia ser descrito assim: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!

O artigo seguinte abordará o tema:

Genes – derivado de genos ou de gennáo?


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada.



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