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quinta-feira, 16 de março de 2017

1 João 5:7 e 8 aponta para dois ‘Espíritos Santos’?



 “E há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água, e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.” – 1 João 5:7, 8, Almeida Revista e Atualizada [ARA].

Desde o tempo de Sir Isaac Newton, vários artigos e ensaios têm sido escritos, demonstrando por evidência documental que as palavras entre colchetes acima foram inseridas posteriormente à escrita da Primeira carta do apóstolo João.

Surpreendentemente, ainda são encontrados artigos na internet que defendem a suposta genuinidade do acréscimo!

O objetivo deste artigo não é seguir a recorrente evidência documental, mas sim demonstrar racionalmente, numa análise textual, porque a parte entre colchetes é de fato espúria.

Os pressupostos para a autenticidade textual

Uma vez que a inteira Bíblia foi inspirada por Deus (2 Timóteo 3:16), ela possui a Ele como seu único Autor, levando-nos a inferir que toda passagem bíblica precisa seguir pelo menos dois critérios:

1- Ser racional, estar em harmonia com a “faculdade de raciocínio”. – Romanos 12:1.

2-  Estar em harmonia com o “restante das Escrituras”. – 2 Pedro 3:16.

Dois grupos de testemunhas

Em primeira instância, vale ressaltar que, sem a parte entre colchetes, encontramos apenas um grupo de testemunhas: “o Espírito, a água, e o sangue”. Mas, com a inserção entre colchetes, há dois grupos de testemunhas: um no céu, e outro na Terra.

Sem os colchetes o texto fica assim:


Texto recebido, 1550.



Observe que o versículo 8 inicia com a conjunção aditiva “E”.

A conjunção aditiva expressa a ideia de adição, de soma, de acrescentamento. Isso indica que há uma distinção entre os que dão testemunho no céu e os que dão testemunho, ou testificam, na Terra. Ou seja, os que testificam no céu não são os mesmos que testificam na Terra.

Contudo, isso gera um problema insolúvel aos defensores da parte entre colchetes – a existência de dois ‘Espíritos Santos’!

Note que o primeiro “Espírito Santo” testifica no céu junto com o Pai e a Palavra (Jesus Cristo), ao passo que o segundo – aludido apenas como “Espírito”, mas colocado com inicial maiúscula pelos tradutores, evidentemente se referindo ao “Espírito Santo” – testifica junto com a água e o sangue.

Lemos em 1 João 5:6b: “E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” (Almeida Corrigida e Revisada Fiel) A nota de rodapé da versão Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira remete o leitor para João 15:26, onde lemos: “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.” (ACF) Até mesmo os trinitaristas reconhecem que a palavra “Espírito” no versículo 8 é o “Espírito Santo”.

Como todo acréscimo a uma substância pura corrompe, ou adultera, tal substância, pode-se ver claramente que o acréscimo à pureza textual de 1 João 5:7, 8 criou uma aberração ilógica e antibíblica.

Alguém poderia argumentar: ‘Mas o Espírito Santo é onipresente. Ele pode testemunhar ao mesmo tempo tanto no céu quanto na Terra.’ Em primeiro lugar, o mesmo poderia ser dito do Pai e da Palavra (Jesus Cristo), ambos onipresentes segundo o conceito trinitário. Por que o Pai e a Palavra também não dão testemunho em ambos os lugares?

Mas a questão não é essa. O ponto é que há dois grupos distintos de testemunhas, o que é comprovado pela conjunção aditiva e que ocorre entre os dois grupos. Assim, os que testificam no céu não são os mesmos que testificam na Terra. O Pai e a Palavra são distintos da água e do sangue. Seguindo a mesma coerência, o “Espírito Santo” que testifica no céu é igualmente distinto do “Espírito Santo” que testifica na Terra.

Esse breve exame textual revela claramente a impossibilidade de a parte entre colchetes pertencer à inspirada Palavra de Deus, por ferir a racionalidade com a qual devemos entendê-la (Romanos 12:1) e, consequentemente, não estar em harmonia com o “restante das Escrituras”. – 2 Pedro 3:16.


A coerência de 1 João 5:7, 8 sem o acréscimo

O objetivo do apóstolo João, em sua dissertação no capítulo 5, é provar que “Jesus é o Cristo” (versículo 1) e que Ele é “o Filho de Deus” (versículo 5). João passa então a reunir “testemunhas” que forneçam tal evidência. Vejamos os versículo 6-8:

“Este [Jesus Cristo] é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, e a água, e o sangue; e estes três concordam.” – Almeida Revisada Imprensa Bíblica.

João alude a três evidências circunstanciais que testificam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus:

1-   O espírito santo visto por João Batista em forma de pomba, descendo sobre Jesus por ocasião do seu batismo e o ungindo para realizar a vontade de Deus. – João 1:29-34; Atos 10:38.

2-  A água do seu batismo, ocasião em que o próprio Deus disse aos ouvidos de João Batista: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.” – Mateus 3:17.

3-  O sangue, ou vida, que Jesus entregou como resgate pela humanidade, e que ele verteu quando estava no madeiro. – 1 Timóteo 2:5, 6; João 19:34.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org






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