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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 2)


Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior analisou o termo “Logos” à luz da Septuaginta, do conceito grego e metafísico, e do conceito neotestamentário. Este artigo apresentará um conceito contemporâneo ao ministério apostólico a respeito do Logos de Filo.

O Logos de Deus

O Logos de Filo, diferente do de Heráclito, não é o próprio Deus. E por mais que Filo fosse instável em seus conceitos e tentasse adaptar os preceitos filosóficos gregos à sua crença judaica, Filo abertamente cria que o Logos era um ser distinto de Deus, não uma parte sem a qual o Ser Supremo não pode existir. Nesse respeito, veja o comentário de J. N. D. Kelly, na obra Early Christian Doctrines, página 20:

Segundo, existe o conceito dele [i.e., de Filo] sobre o Logos, ou Palavra. Guiado pelos Platonistas Médios a quem tanto admirava, Filo ensinou que Deus é completamente transcendente; Ele transcende mesmo a virtude, o conhecimento e a beleza e bondade absolutas – as Formas eternas que seu venerado mestre, Platão, tinha postulado. Deus é ser puro [...] absolutamente simples e autossuficiente, e pode ser descrito como “sem qualidade” [...] – o que provavelmente significa que, por Sua transcendência, Ele não pode ser incluído em nenhuma categoria lógica na qual nós classificamos de seres finitos [...] (KELLY, J. N. D., Early Christian Doctrines, p. 20) [Os grifos são nossos.]






O autor ainda acrescenta:

[...] Deus se relevou nas Escrituras. Em vez disso, ele compreendia [a existência] de poderes imaginários [...] os quais, embora suas posições sejam confusas até certo ponto, não eram seres tão distintos quantos as operações de Deus consideravam em separação de Si mesmo. Entre tais intermediários, o superior e mais importante era o Logos, “o mais velho e mais aparentado a Deus”, conforme ele o chama, “das coisas que vieram à existência”.
        O ensino de Filo sobre o Logos é ambíguo, até mesmo inconsistente. Mas os traços principais são claros o suficiente. Como intermediário entre Deus e o universo, o Logos tem uma função dupla: Ele é o agente de Deus na criação, e é também o meio pelo qual a mente compreende Deus [...].” (KELLY, J.N.D., Early Christian Doctrines, p.21) [Os grifos são nossos.]

 
Conforme declara o autor, o Logos de Filo tem uma origem. É um ser único quanto aos seus atributos. Filo usou o termo Logos para se referir a um ser intermediário.
 O LOGOS – FILO E JUSTINO, O MÁRTIR 
Um dos chamados “apologistas cristãos” que conhecia a filosofia grega (era professor de filosofia), foi Justino, o Mártir. Este filósofo tinha conceitos sobre o Logos bem semelhantes – para não dizer “idênticos” - aos de Filo. Aqui existe, no entanto, um grandioso porém: Justino, diferentemente de Filo, era cristão e aplicava os conceitos do Logos a Jesus Cristo com plena consciência disso. O escritor Harry R. Boer, que trabalhou como missionário na Nigéria pela Igreja Reformada Cristã, e foi também editor e fundador do Reformed Journal, e serviu como diretor da Theological College of Northern Nigeria, escreveu em seu livro A Short History of the Early Church a respeito de como Justino entendia o Logos: 

2. Os Apologistas

Com os Apologistas, a filosofia grega passou a estar associada com o Cristianismo. O mais conhecido deles foi Justino, o Mártir, um homem de Samaria cujos pais eram romanos. Ele foi aluno e professor de filosofia antes de sua conversão. Ele continuou sendo filósofo, e considerava o Cristianismo a filosofia superior. Ele morreu como mártir por causa da fé entre 163 e 167. Justino ensinou que antes da criação do mundo Deus estava sozinho e que não havia nenhum Filho. No interior de Deus, no entanto, havia a Razão, ou Mente (o Logos). Quando Deus desejou criar o mundo, ele precisou de um agente para fazer isso para ele. Essa necessidade surgiu da visão grega de que Deus não pode tocar na matéria. Por isso, ele gerou outro ser divino a fim de criar o mundo para ele. Este ser divino era chamado de Logos ou Filho de Deus. Ele foi chamado de Filho porque ele foi gerado; ele foi chamado de Logos porque ele foi tomado da Razão ou Mente de Deus. No entanto, o Pai não perde nada quando ele dá existência independente ao Logos. O Logos, que é tomado a partir dele para se tornar o Filho, é como uma chama tirada de uma fogueira para que se faça uma nova fogueira. A nova fogueira não diminui a fogueira anterior.
Justino e outros Apologistas, portanto, ensinavam que o Filho é uma criatura. Ele é uma criatura superior, uma criatura suficientemente poderosa para criar o mundo, mas ainda assim, uma criatura. A teologia [que trata] dessa relação do Filho com o Pai é chamada de subordinacionismo. O Filho é subordinado, quer dizer, secundário a, dependente de, e causado pelo Pai. Os Apologistas eram subordinacionistas. – Página 110; os grifos em negrito são nossos.
 




Aqui vemos claramente a ligação entre Justino e Filo. Para ambos, o Logos é uma criatura capaz de trazer o mundo à existência, não o Criador Eterno e Supremo. 

No artigo seguinte veremos qual foi a base do conceito de Filo.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 

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