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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O Logos – quem é ele? (Parte 4)

Contribuído por A Verdade É Lógica.

O artigo anterior trouxe à luz a base filosófica do conceito de Filo sobre o Logos. Este artigo analisará as passagens bíblicas em que ele se baseou para fundamentar suas ideias.

A obra Philo traz a lume as palavras de Filo:

Eu ouvi também um oráculo dos lábios de um dos discípulos de Moisés, o qual decorre desse modo: “Eis o homem cujo nome é renovo” (Zacarias 6:12), certamente o mais estranho dos títulos, se você supor que um ser composto de alma e corpo é descrito aqui. Mas se você supor que é um ser Incorpóreo, que não difere uma mínima parte da imagem divina, você concordará que o nome “renovo” que é atribuído a ele certamente o descreve. Pois tal homem é o filho mais velho, a quem o Pai de todos levantou, e em outro lugar o chama de Seu primogênito, e de fato o Filho, portanto, produzido [ou gerado, criado], seguiu os caminhos de seu Pai, e moldou os diferentes tipos, olhando para o modelo ideal o qual o Pai fornecia.” (PHILO, Volume IV, On the Confusion of Tongues, XVI, §§ 61-63) [Os grifos são nossos.]







A passagem bíblica sob ponto de análise de Filo na citação anterior é Zacarias 6:12.

“E diga-lhe: “‘Assim diz Jeová dos exércitos: “Eis o homem cujo nome é Renovo. Ele brotará do seu próprio lugar e construirá o templo de Jeová.” – Zacarias 6:12.

Filo faz aqui uma referência ao Logos, um ser que ele chama de “Incorpóreo”, chamado de Filho de Deus, e que, nas palavras de Filo, é, de alguma forma que difere das demais criações, criado ou produzido. Na obra Estudo Perspicaz das Escrituras (Volume 3, página 377), comenta-se sobre essa passagem de Zacarias.

Em Zacarias 6:12, 13, “o homem cujo nome é Renovo” é descrito como edificando o templo de Jeová e sentando-se como sacerdote sobre seu trono. Isto não se pode aplicar a outrem senão a Jesus Cristo, visto que somente ele pode ocupar os cargos de Rei e Sacerdote sob o arranjo de Deus. Promete-se Jesus Cristo como o justo “renovo” suscitado a Davi. Este executará a justiça e o juízo.”


Ligando ao comentário citado, veja o que diz Jeremias 23:5:

“‘Vejam! Estão chegando os dias’, diz Jeová, ‘em que farei surgir para Davi um renovo justo. E um rei reinará; ele mostrará entendimento e defenderá a justiça e a retidão no país.’” [Os grifo são nossos.]

Sobre a referência angélica e a deidade secundária do Logos, veja o comentário da obra O Novo dicionário da Bíblia:
     
Notamos que, para Filo (Filon), o Logos era o “Anjo do Senhor”, o “Sumo Sacerdote”, o “Filho de Deus”, assim, portanto, uma espécie de subdivindade, ou um segundo Deus/deus. Dos filósofos que usaram o termo filosófico em respeito ao Logos, nenhum deles transmitiu tantas similaridades com o Logos neotestamentário quando Filo.

Prossigamos com a análise dos escritos de Filo no livro “A History of the Christian church” [Uma história da igreja Cristã], de Williston Walker (1921), página 17:

Em Alexandria, também, as ideias religiosas do Antigo Testamento foram combinadas com os conceitos filosóficos gregos, notavelmente platônicos e estoicos, com um sincretismo [i.e. uma fusão multicultural] memorável. O mais influente destes intérpretes foi Filo de Alexandria (20? a.C. – 42? d.C.). Para Filo, o Velho Testamento é o mais sábio dos livros, uma verdadeira revelação divina, e Moisés, o maior dos professores; mas por interpretação alegórica Filo acha o Velho Testamento em harmonia com o melhor do platonismo e estoicismo. A crença de que o Antigo Testamento e a filosofia grega estavam de acordo na essência foi um dos significados mais abrangentes para o desenvolvimento da teologia Cristã. Este método alegórico de explicação bíblica influenciaria grandemente os posteriores estudos Cristãos das Escrituras. Para Filo, o Deus único fez o mundo como uma expressão de Sua bondade para Sua criação; mas, entre Deus e o mundo, os elos são um grupo de poderes divinos, vistos até certo ponto como seres pessoais. Destes o maior é o Logos (λόγος), o qual emana do próprio Deus, e é seu agente, não meramente através de quem Deus criou o mundo, mas a partir de quem todos os poderes emanam. Através do Logos Deus criou o homem ideal, de quem o homem real é uma cópia inferior, o trabalho de poderes espirituais menores, bem como o do Logos. Mesmo de seu estado caído, o homem pode erguer-se para se conectar com Deus através do Logos, o agente da revelação divina. Todavia, o conceito de Filo sobre o Logos é muito mais filosófico do que o da “sabedoria” de Provérbios [...].” (Página 17) [Os grifos são nossos.]
    



O autor da obra referida acima explica que Filo cria que, entre o Deus Supremo e o nosso mundo físico, havia vários seres intermediários, e dentre – não à parte de – tais seres, o maior era o Logos. De tal modo, para Filo, o Logos não era uma “segunda pessoa” eterna e coigual a Deus, numa suposta doutrina trina. (É importante destacar que Filo, como judeu, não era trinitário.) Para Filo, o Logos era um ser intermediário, não o Ser supremo. O Logos era participante do grupo dos intermediários, não uma segunda consciência acima ou fora do grupo dos intermediários angélicos. Dentre os anjos, o Logos era, para Filo, o mesmo que é para as Testemunhas de Jeová e demais unitaristas: O mais destacado dos seres intermediários celestiais. É interessante salientar que, no pensamento judaico, tais seres, por vezes, eram referidos como “deuses”. – Cf. Salmo 86:8, 97:7.

No próximo artigo veremos aquele que talvez seja o ponto mais interessante na visão de Filo de Alexandria sobre o Logos.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



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