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domingo, 1 de julho de 2018

Explicando Gênesis 2:5 e 6


Fonte: jw.org

Certo leitor do artigo Harmonizando Gênesis 1:11, 13 e Gênesis 2:5, 6 deixou um comentário sobre essa matéria. Devido a ser muito longo, o comentário do referido leitor foi condensado abaixo:
Gênesis 1:11-13 mostra que o surgimento de todas as espécies de plantas se deu por ato exclusivo de Deus no 2.º dia criativo, ou seja, não houve participação ou intervenção de nenhum humano, até porque os humanos só viriam a surgir no 6.º dia.
No Entanto, Gênesis 2:5, 6 aponta para esse mesmo dia, isto é, o 2.º dia criativo, porém aqui ele desmente o capítulo 1:11-13 de Gênesis, pois nos informa que o ato de se criar a vegetação não dependeria somente de um ato exclusivo de Deus, mas também do homem.
É explicado que o motivo de não haver arbusto no campo e nem vegetação se dava porque Deus ainda não havia feito chover e também não havia homem para que pudesse lavrar o solo, possibilitando assim, o surgimento de toda a vegetação.
O artigo dos apologistas da verdade diz que essa passagem deve se referir ao momento em que Deus fez surgir a terra seca, onde não havia nada ainda de vegetação. Só que eles se esqueceram de notar que se estivermos no 2.º dia, - e concordo com eles-, então devemos concluir que se passaram milhares de anos com a terra seca e sem nenhuma vegetação até chegar o terceiro dia.
E como os apologistas ensinam que cada dia criativo são períodos longos de milhares de anos, então dentro desses milhares de anos do segundo dia já tinham ocorrido as estações do ano (primavera, verão, outono e inverno), pois o Sol já estava presente no primeiro dia. E se já tínhamos essas estações, então já tinha chovido na terra. É impossível que havendo estações e por períodos de milhares de anos não tenha caído um pingo de chuva na terra.
A prova de que já devia ter chovido é a seguinte declaração: “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Venha a haver luzeiros na expansão dos céus para fazerem separação entre o dia e a noite; e eles terão de servir de sinais, e para épocas, e para dias, e para anos.’” – Gênesis 1:14.
Essa passagem é do quarto dia e aqui é explicado que os luzeiros como Sol, Lua e estrelas que os apologistas ensinam que já existiam desde o primeiro dia e nesse sentido também concordo com eles, serviriam como sinais de época e para anos. Que época? Lógico que essas épocas devem se referir as estações do ano.
E o versículo 20 do capitulo 8 de Gênesis confirma que já havia sim chovido na terra. “Pois, por todos os dias que a terra continuar nunca cessarão sementeira e colheita, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite.” Essa passagem retrata a promessa que fora feita por Deus após o dilúvio e aqui é dito que nunca cessarão frio, calor e verão, inverno e dia e noite enquanto a terra continuar. O que isso significa?
Significa que essas coisas foram cessadas enquanto perdurou o dilúvio. Portanto, fica provado que a passagem do capitulo 2 de Gênesis contradiz, sim, os versículos do capitulo 1, pelos argumentos acima mencionados. O capítulo 2 diz que não havia nada de vegetação porque não havia chuva e não havia homem para cultivar a terra. Mas já havia sim chovido, além de dizer que a vegetação para surgir dependia tanto da ação do homem como de chuva que ainda não havia. 
Resposta:
Em primeiro lugar, a vegetação surgiu, não no 2.º dia criativo como o leitor afirma, e sim no 3.º dia criativo, conforme Gênesis 1:11-13.
Fonte: Livro A Vida - Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?”, p. 30.

Segundo, Gênesis 2:5, 6, embora aponte para o 3.º dia criativo, NÃO desmente Gênesis 1:11-13, pois NÃO nos informa que o ato de se criar a vegetação não dependeria somente de um ato exclusivo de Deus, mas também do homem.
Lemos em Gênesis 2:5, 6: “Ainda não havia nenhum arbusto do campo na terra nem havia começado a brotar nenhuma vegetação do campo, porque Jeová Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo. Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.”
A obra Estudo Perspicaz (volume 3, p. 768, verbete “Vegetação”) explica:
Gênesis 2:5, 6, pelo visto, descreve as condições existentes naquele “dia”, pouco depois de Deus fazer surgir a terra seca, mas antes da produção da relva, da vegetação que dava semente e das árvores frutíferas. A fim de fornecer a necessária umidade à vida vegetal que surgiria, Jeová fez com que da terra subisse regularmente uma neblina para regar o solo. Isto mantinha vicejante a vegetação em toda a terra, mesmo não havendo então chuva. (Negrito acrescentado.)


Ou seja, como não havia ainda a ação da chuva nem a mão de obra humana, Deus fez com que ‘uma neblina subisse da terra e regasse toda a superfície do solo’, produzindo assim a vegetação.
Harmonizando as duas passagens (Gênesis 1:9-13 e Gênesis 2:5, 6), percebemos que a primeira mostra que o surgimento da vegetação no 3.º dia foi um ato direto de Deus, ao passo que a segunda passagem explica o meio que Jeová utilizou para realizar tal proeza, visto que não havia ainda os meios que Ele atualmente usa, quais sejam, a chuva e a atuação humana.
Quanto a Gênesis 1:14, a passagem não afirma que já havia chovido ou que havia estações tais como conhecemos hoje. Devemos nos lembrar de que a escrita de Gênesis ocorreu muito tempo depois da criação, numa época em que já havia tais estações.
Outra possibilidade foi expressa pelo livro “A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?” (p. 32, § 23):
Nesse estágio, caso existisse um observador humano, ele poderia discernir o sol, a lua e as estrelas, que ‘serviriam de sinais, e para épocas, e para dias, e para anos’. (Gênesis 1:14) A lua indicaria a passagem dos meses lunares, e o sol a passagem dos anos solares. As estações (épocas) que então ‘vieram a existir’ neste quarto “dia”, sem dúvida seriam muito mais brandas do que se tornaram posteriormente. — Gênesis 1:15; 8:20-22. (Negrito acrescentado.)



Ainda outra possibilidade foi aludida por Everton Fernando Alves, mestre em Ciências (Imunogenética) e escritor de Ciências na defesa do modelo criacionista bíblico:

[…] alguns teólogos entendem que o termo “estações” (v.14) é uma tradução inadequada, referindo-se originalmente a um “período sagrado” ou “festa estabelecida”. É sabido que algumas festas iniciavam com a lua nova que indicava o início do mês (calendário lunisolar bíblico). Ademais, a construção do texto (dias, meses, festas) deixa clara a relação entre as datas, festas e a Lua e o Sol.[1] 
Ademais, Gênesis 8:20-22 NÃO afirma que as estações “foram cessadas enquanto perdurou o dilúvio”. Mostra simplesmente que, após o Dilúvio, e em razão dele, as condições climáticas haviam mudado.
O autor supracitado mostra uma possibilidade para o entendimento dessa passagem:
Já em relação a Gn [Gênesis] 8:21 e 22, as traduções “verão” e “inverno” derivam dos termos originais Qayis e Horef que significam “período de frutas” e “período de seca”. Na tradução para o português, o período de frutas estaria associado ao “verão” e o período de seca associado ao “inverno”, mas não necessariamente indicariam a necessidade de “chuva”.
Também, há evidência de que, antes do Dilúvio, havia um clima quente e úmido em toda a Terra. Foram encontradas figueiras na Groenlândia e palmeiras  na Sibéria, indicando que tais regiões atualmente geladas tinham clima quente, pois tais árvores são de clima quente. Mamutes e outros animais tropicais habitaram a Sibéria devido ao clima mais ameno da Terra.
Fonte: http://siberiantimes.com/

Portanto, antes do Dilúvio global dos dias de Noé um clima uniforme, quente e úmido, realmente existiu por muito tempo depois da criação da vida vegetal no 3.º dia criativo.
O ponto é: a Bíblia não se contradiz. Contraditórias são as interpretações errôneas sobre ela.

Nota:
[1] Disponível em: <https://origememrevista.com.br/2017/08/15/chuva-antes-do-diluvio/>.

Referências:
ALVES, Everton Fernando. Chuva antes do dilúvio? In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NUMARSCB, 2018, p.130-137. Disponível em: < https://origememrevista.com.br/2017/08/15/chuva-antes-do-diluvio/>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

A menos que seja indicada outra fonte, todas as publicações citadas são produzidas pelas Testemunhas de Jeová.



Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org



Um comentário:

  1. A página a seguir também abordou essa "aparente" contradição em Gênesis:
    http://www.criacionismo.com.br/2018/06/a-criacao-das-plantas-parte-1.html?m=1

    Resumindo: nesta abordagem é explicado que as plantas que dependiam de chuva e do homem para se desenvolverem se refere à AGRICULTURA e não às plantas em geral.

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