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sexta-feira, 29 de maio de 2020

A frase “somente o Pai” não exclui o “Espírito Santo”? (Mateus 24:36)


Fonte: jw.org

Jesus declarou: “A respeito daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas somente o Pai.” (Mateus 24:36) Um trinitário afirmou que a frase “somente o Pai” não exclui o “Espírito Santo”. E, para dar sustentação à sua afirmação, ele cita alguns textos bíblicos, os quais serão examinados neste artigo.

Dois textos citados em apoio de sua declaração são Mateus 11:27 e 1 Coríntios 2:10, 11. Em Mateus 11:27 lemos a declaração de Jesus: “Ninguém conhece plenamente o Pai, exceto o Filho.” E em 1 Coríntios 2:10, 11 temos a declaração do apóstolo Paulo, nestas palavras: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” – ARC.

À base dessas duas passagens, o referido trinitário afirmou que haveria contradição na Bíblia se entendêssemos literalmente o que Jesus disse em Mateus 11:27 – que somente ele conhece plenamente o Pai, e se entendêssemos literalmente 1 Coríntios 2:10, 11, que afirma que somente o “Espírito Santo” conhece plenamente as coisas de Deus. Segundo o trinitário, Mateus 11:27 inclui o “Espírito Santo” e 1 Coríntios 2:10, 11 inclui o Filho, Jesus Cristo. Com base nisso, ele afirma que a declaração de Jesus em Mateus 24:36 – “somente o Pai – inclui também o “Espírito Santo”.

Contudo, um exame mais detido de 1 Coríntios 2:10, 11 revela que tal argumento não procede. Neste texto, o apóstolo Paulo explica a relação do “Espírito Santo” com Deus usando a relação do espírito do homem com o homem. Paulo argumenta que, assim como somente o espírito do homem sabe as coisas do homem, do mesmo modo somente o “Espírito de Deus” sabe as coisas de Deus. O que é o “espírito do homem”? Algum ser pessoal separado do homem? Não. Trata-se evidentemente de algo impessoal dentro do próprio homem, que envolve sua mente, seus sentimentos e suas emoções. Semelhantemente, o chamado “Espírito de Deus” não é uma Pessoa espiritual, e sim algo do próprio Deus, envolvendo sua mente, bem como seus sentimentos e suas emoções. Prova disso é o fato de o verso 10 falar de “seu Espírito”, e o verso 11 menciona tal “Espírito” como “o Espírito de Deus”. Assim, trata-se de algo pertencente a Deus, de algo que é parte do próprio Deus. 

E quem é o “Deus” a quem Paulo se refere em sua carta? Lemos no primeiro versículo de sua Primeira Carta aos Coríntios: “Paulo, chamado para ser apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus.” (1 Coríntios 1:1, ARIB) Evidentemente, Paulo usa o termo “Deus” para se referir ao Pai. Logo, o “Espírito de Deus” é o “Espírito” do Pai. Tal “Espírito” não é uma Pessoa à parte do Pai, do mesmo modo que o “espírito do homem” não é uma pessoa à parte do homem, mas representa o homem no íntimo. Logo, o “Espírito” do Pai representa o Pai no íntimo. Evidentemente que somente o íntimo do Pai – que envolve seus pensamentos, sentimentos e emoções – o conhece, pois se trata Dele mesmo. Não está fazendo alusão a uma Pessoa separada dele. Trata-se de uma figura de linguagem que mostra que o íntimo de cada ser é o que mais conhece tal ser – seja o íntimo do homem em relação ao próprio homem, seja o íntimo de Deus, o Pai, em relação a Ele mesmo.[1]

Por outro lado, tanto o texto de Mateus 11:27 quanto o texto de Mateus 24:36 dizem respeito a pessoas distintas do Pai. Mateus 24:36 cita os anjos do céu e o Filho. Jesus afirmou que nenhum destes sabia algo que somente o Pai sabia. Isto gera uma dificuldade para os trinitários. Pois, se o “Espírito Santo” é uma pessoa distinta do Pai, ele também não sabia. E se ele é algo impessoal dentro do próprio Deus, o Pai, isso explica porque tal “Espírito”, figuradamente, sabe as coisas de Deus.

Outro texto citado pelo referido trinitário é Apocalipse 19:12, que declara o seguinte a respeito do glorificado Senhor Jesus Cristo: “E tinha um nome escrito que ninguém sabia, senão ele mesmo.” (ARC) O supracitado trinitário argumenta então: ‘Será que o Pai não conhece também esse nome?’

Neste caso, o trinitário confunde o uso absoluto com o uso relativo das palavras. Podemos afirmar que ninguém conhece algo nos referindo a um contexto específico de pessoas, e não a todos os seres pessoais que existem. Um exemplo deste uso relativo das palavras se encontra em Deuteronômio 34:6, que afirma sobre Moisés: “Ninguém sabe onde está sua sepultura.” Neste caso, o pronome indefinido “ninguém” está num sentido relativo. Pois Deus sabia, visto que o mesmo texto afirma que foi Jeová quem enterrou Moisés. Miguel, o arcanjo, evidentemente também sabia, pois Judas 9 afirma que ele “disputava [com o Diabo] a respeito do corpo de Moisés”.

O mesmo sentido relativo é encontrado em Apocalipse. Os fieis vencedores recebem de Jesus uma simbólica “pedra branca”, na qual “está escrito um novo nome, que ninguém conhece, exceto aquele que a recebe”. (Apocalipse 2:17) Evidentemente, o próprio Jesus conhece tal “novo nome”, pois é ele quem concede tal “pedra” onde está tal novo nome. E o próprio Deus, que “sabe todas as coisas”, também conhece tal nome. (1 João 3:20) “Ninguém”, neste caso, refere-se a outros além de Deus, de Jesus e dos fieis vencedores que recebem tal “pedra”.

Do mesmo modo, Apocalipse 19:12 faz uso relativo das palavras. No verso 13 Jesus é referido como “a Palavra de Deus”. Portanto, ele é propriedade de Deus. Tudo ele recebeu de Deus, inclusive o mencionado “nome” do verso 12.

Porém, em Mateus 24:36 encontramos um sentido absoluto dos termos. Em vez de usar apenas o termo genérico e indefinido “ninguém”, essa passagem menciona personagens específicos que não sabiam o dia e a hora: os anjos e Jesus Cristo. “Somente o Pai” sabe de algo num contexto em que Jesus citou a si mesmo e os anjos. Além disso, encontramos uma progressão, ou gradação, na menção desses personagens: “ninguém”, “nem os anjos dos céus, nem o Filho”. O “Espírito Santo” não é mencionado entre esses seres pessoais porque não é uma pessoa, e sim a energia que emana do próprio Deus. Portanto, nenhum outro ser além do Pai sabia “daquele dia e daquela hora”.


Nota:



Explicação das siglas usadas:

ARC: Almeida Revista e Corrigida.
ARIB: Almeida Revisada Imprensa Bíblica.


Referências

Apocalipse 19:12. Almeida Revista e Corrigida. Disponível em: <https://www.bible.com/pt/bible/212/REV.19.ARC>.

1 Coríntios 2:10, 11. Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/2/10,11>.

1 Coríntios 1:1. Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/aa/1co/1>.


A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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terça-feira, 26 de maio de 2020

Qual é o significado da expressão “espírito eterno” em Hebreus 9:14?

 Fonte: jw.org

Um leitor escreveu:

Mano, preciso de uma ajuda. Já procurei na obra Estudo Perspicaz, nos Índices e não encontro a explicação.  O que é esse “espirito eterno” mencionado em Hebreus 9:14? É o espirito santo ou Jesus ressuscitado como espírito?

Resposta:

Lemos o seguinte em Hebreus 9:14: “Quanto mais o sangue do Cristo, que por meio de um espírito eterno se ofereceu a Deus sem defeito, purificará de obras mortas a nossa consciência, para que prestemos serviço sagrado ao Deus vivente!”

Vejamos como o texto se encontra em grego:

πόσῳ μᾶλλον τὸ αἷμα τοῦ Χριστοῦ, 
pósoi mãllon tò haíma toû Khristoû,
Quanto mais o sangue do Cristo,

ὃς διὰ πνεύματος αἰωνίου 
hòs dià pneúmatos aioníou
o qual/quem por meio de espírito eterno

ἑαυτὸν προσήνεγκεν ἄμωμον τῷ θεῷ, 
heautòn prosénegken ámomon tôi theôi
a si mesmo entregou sem defeito a Deus

καθαριεῖ τὴν συνείδησιν ἡμῶν ἀπὸ  νεκρῶν ἔργων 
katharieî tèn syneídesin hemôn apò nekrôn érgon
purificará as consciências nossas de mortas obras

εἰς τὸ λατρεύειν θεῷ ζῶντι.
Eis tò latreúein theôi zõnti.
para o prestar serviço sagrado ao Deus vivente.

O que dizem os comentaristas bíblicos

Como admitiu Albert Barnes, “esta expressão é muito difícil e deu origem a uma grande variedade de interpretações”. Muitos são da opinião de que tal expressão se refere ao espírito santo. A versão copta saídico, de fins do segundo século EC, traduz tal expressão por ⲠⲚⲈⲨⲘⲀ ϤⲞⲨⲀⲀⲂ (“espírito santo”). O mesmo faz a Vulgata latina, do quinto século EC, ao traduz por “Spiritum Sanctum” (“Espírito Santo”).

Contudo, a respeito de versões antigas que assim traduzem a expressão grega original pneúmatos aioníou, Barnes comenta: “Essas várias leituras, no entanto, não são consideradas como tendo autoridade suficiente para levar a uma mudança no texto, e são importantes apenas como mostrando que era uma opinião inicial a que o Espírito Santo é aqui referido.”

Barnes cita as diversas interpretações sobre a expressão “espírito eterno”:

1) O espírito santo.
2) A “natureza divina” de Cristo.
3) A “vida sem fim” ou “imortal”, em contraste com os sacrifícios judaicos que eram de natureza perecível e que precisavam ser repetidos com tanta frequência.
4) A pessoa glorificada do Salvador, Jesus Cristo, o que significa que ele, em sua posição elevada ou espiritual no céu, apresenta a eficácia de seu sangue.
5) A “influência divina”, eterna em sua eficácia, que envolveu Cristo quando ele se ofereceu como sacrifício.

A expressão “espírito eterno” não parece referir-se ao próprio Cristo, uma vez que tal espírito é o meio, ou instrumento, pelo qual Cristo entregou a si mesmo em sacrifício. Também não se refere a uma suposta “natureza divina” dele, visto que Jesus era inteiramente humano quando estava na Terra. Caso contrário, não seria um “resgate correspondente” para recuperar o que Adão perdeu. (1 Timóteo 2:6) Por ter sido inteiramente humano, Jesus foi referido como “o último Adão” (1 Coríntios 15:45), com quem ele tinha “similaridade” (Romanos 5:14). Sobre isso, veja os artigos “Respondendo a um leitor sobre a posição de Jesus no propósito de Deus”  e “A Cristandade e a Doutrina da Redenção”

Também, definir o “espírito eterno” como sendo uma “vida sem fim” ou “imortal” não é esclarecedor. O mesmo se pode dizer da expressão “influência divina”. Obviamente tal “espírito eterno” é da parte de Deus. A questão é sobre o que tal espírito significa. Deus é aludido como sendo “espírito” no sentido de ser uma pessoa espiritual (João 4:23). Contudo, a expressão “espírito eterno” não parece ser uma referência à pessoa de Deus, visto que o substantivo pneúma (“espírito”) está sem o artigo definido. Parece, assim, referir-se a algo, e não a alguém.

Para Barnes, o peso da evidência é de que se trata do espírito santo. Ele menciona as seguintes razões que o levaram a essa opinião:

1) A maioria dos leitores do Novo Testamento assim entenderia. E Barnes conclui:

Existem poucas regras melhores e mais seguras para a interpretação de um volume projetado como a Bíblia para a massa da humanidade do que obedecer ao sentido em que elas o entendem.

2) “Essa interpretação é a mais naturalmente transmitida pela linguagem do original”, comenta Barnes, concluindo: “A frase ‘o espírito’  – pneúma – tem até agora um significado técnico e estabelecido no Novo Testamento que denota o Espírito Santo, a menos que exista algo na conexão que torne impróprio tal aplicação.”

3) Esta interpretação está de acordo com João 3:34, que declara: “Pois aquele que Deus enviou fala as declarações de Deus, porque Ele [Deus] não dá o espírito de forma escassa [“Ou: ‘por medida’”; nota.] Sobre isso, Barnes discorre: “Não é impróprio supor que o homem Cristo Jesus tenha sido de maneira notável influenciado pelo Espírito Santo em sua prontidão para obedecer a Deus e sofrer de acordo com sua vontade.”

4) A ocasião envolvida: quando Cristo mais precisava de ajuda divina. Barnes reflete: “Foi o momento mais difícil de sua vida; era o período em que haveria a mais forte tentação de abandonar seu trabalho; e como a redenção do mundo inteiro dependia desse ato, é razoável supor que a mais rica graça celestial estaria presente nele, e que ele estaria eminentemente sob a influência daquele Espírito que não foi concedido ‘por medida para ele’.”

5) Pela influência do espírito santo, que é eterno, “o sacrifício assim oferecido poderia, portanto, realizar efeitos que seriam eternos em seu caráter”, afirma Barnes.[1]

Em harmonia com essa postura, um site de pesquisa bíblica afirmou:

9.14 — O Espírito eterno é o Espírito Santo. […] Purificará a vossa consciência. A contaminação espiritual de alguém é interna, não externa (v. 13). A morte de Cristo tem o poder de purificar a mente e a alma da pessoa. Obras mortas referem-se aos rituais da Lei de Moisés, que não podiam dar vida (Hb 6.1). Depositar fé e confiança naquilo que já serviu ao seu propósito e já se extinguiu é inútil. E desobediência a Deus. O autor de Hebreus conclama seus leitores a libertarem sua consciência das regras da lei e se apegarem a Cristo, para sua purificação. Ao fazê-lo, poderiam, em vez de servir às obras mortas, servir ao Deus vivo, verdadeiramente.[2]

Que Jesus tinha o espírito santo é evidente dos textos bíblicos abaixo:

“Vejam o meu servo, a quem apoio! Meu escolhido, a quem aprovo! Pus nele o meu espírito; ele trará justiça às nações.” – Isaías 42:1.

O espírito do Soberano Senhor Jeová está sobre mim, porque Jeová me ungiu para declarar boas novas aos mansos. Enviou-me para curar os de coração quebrantado, para proclamar liberdade aos cativos e ampla abertura dos olhos aos que estão presos.” – Isaías 61:1.

“Mas, se é por meio do espírito de Deus que eu expulso os demônios, o Reino de Deus realmente alcançou vocês.” – Mateus 12:28.

A Bíblia de Douay-Rheims, La Sainte Bible (tradução católica de Fillion) e catholic Public Domain Version traduzem a expressão espírito eterno por “Espírito Santo”. A Bíblia Viva verte por “eterno Espírito Santo”. E o Novo Testamento de Weymouth parece dar a entender que a expressão se refere ao espírito santo, pois traduz assim: “Quanto mais certamente o sangue de Cristo, que fortalecido pelo Espírito …”. 

Conclusão

Não há como sermos conclusivos quanto ao significado da expressão “espírito eterno”. Uma possibilidade aparentemente predominante é de que seja uma referência ao espírito santo de Deus.

Notas:

[1] Estudo de Hebreus 9:14 – Comentado e Explicado. 14 de março de 2020. Disponível em: <https://versiculoscomentados.com.br/index.php/estudo-de-hebreus-9-14-comentado-e-explicado/


[2] Significado de Hebreus 9. Biblioteca Bíblica. Disponível em <https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2015/07/significado-de-hebreus-9.html>.



Referências:

Hebreus 9:14. A Bíblia Viva. Disponível em: <https://www.bibliatodo.com/pt/a-biblia/biblia-viva/hebreus-9>.

______. Coptic: Sahidic NT. New Christian Bible Study. Disponível em: < https://newchristianbiblestudy.org/bible/coptic-nt-sahidic/hebrews/9/>.

______. Douay-Rheims. Bible Hub. Disponível em: <https://biblehub.com/hebrews/9-14.htm>.

______. Novo Testamento de Weymouth. Bible Hub. Disponível em: <https://biblehub.com/hebrews/9-14.htm>.

______. Vulgata Latina. Bíblia Católica Online. Disponível em: <https://www.bibliacatolica.com.br/vulgata-latina/epistula-ad-hebraeos/9/>.

The Online Greek Bible. Disponível em: <http://www.greekbible.com/index.php>.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


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domingo, 24 de maio de 2020

Perguntas para os espíritas refletirem




Contribuído.

Allan Kardec, precursor do espiritismo, pregou que os espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias para atingirem a perfeição. Tendo em vista essa premissa, convido o leitor a analisar as perguntas abaixo:

Deus criou os espíritos perfeitos ou imperfeitos?

Dizer que Deus os criou imperfeitos estaria contradizendo totalmente o que a Bíblia diz. 2 Samuel 22:31 declara que “o caminho do verdadeiro Deus é perfeito”. Ou, como lemos na Good News Translation (“Tradução Boas Novas”): “Este Deus – quão perfeitas são suas obras.”  

Uma vez que Deus os criou perfeitos, como todos eles vieram a pecar?

Se todos os espíritos criados por Deus vieram a pecar, isso lançaria descrédito sobre Deus como Criador. Como ilustração, imagine se todos os automóveis de uma indústria automotiva apresentassem defeito. Evidentemente isso comprometeria a credibilidade dessa indústria. Do mesmo modo, se todos os espíritos viessem a se tornar imperfeitos, isso comprometeria a credibilidade de Deus como Criador.

Contrário a essa infame ideia, a Bíblia mostra que, no princípio da humanidade, apenas um espírito se tornou imperfeito – o anjo que se tornou Satanás, o Diabo. Jesus descreveu esse personagem, nestas palavras: “Ele foi um assassino quando começou, e não permaneceu na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele fala a mentira, está fazendo o que lhe é próprio, porque é um mentiroso e o pai da mentira.” (João 8:44) Mais de um milênio depois, outros espíritos foram desviados por Satanás. Lemos o seguinte em Gênesis 6:2: “Quando pessoas haviam se espalhado por todo o mundo, e as filhas estavam nascendo, alguns dos seres celestiais viram que essas moças eram bonitas, e assim pegaram as que mais gostavam.”  (Good News Translation; veja também International Standard Version.) Segundo a Bíblia, o desvio desses espíritos ocorreu num momento único da História humana, algum tempo antes do Dilúvio dos dias de Noé. 1 Pedro 3:19, 20 menciona os “espíritos em prisão, que tinham sido desobedientes quando Deus esperava pacientemente nos dias de Noé, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, isto é, oito, foram levadas a salvo através da água”. Apocalipse 12:4 afirma que Satanás desviou “um terço” dos anjos de Deus. Assim, a expressiva maioria dos espíritos que Deus criou não se tornou imperfeita.

Os espíritos foram criados perfeitos por Deus
Fonte: jw.org

E, com relação aos espíritos que se tornaram imperfeitos, surgem as seguintes questões:

Espíritos são seres superiores aos homens. Por que não se aperfeiçoam no céu? Por que eles têm quer vir para a Terra para serem aperfeiçoados?

Se os espíritos reencarnam para atingir a perfeição, por que a humanidade continua mais imperfeita (desamorosa, violenta e injusta)? Se os espíritos estão ficando perfeitos, a população da Terra não deveria se ter se tornado melhor?

Não seria de esperar que ela tivesse melhorado ao longo de tantos anos? O ensinamento de Allan Kardec é contrário ao o que a Bíblia diz. A Palavra de Deus ensina, em 2 Timóteo 3:1-5, 13, que as pessoas se tornariam ruins e não melhores. Lemos o seguinte nessa passagem bíblica: “Mas saiba que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de suportar. Pois os homens só amarão a si mesmos, amarão o dinheiro, serão presunçosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, desnaturados, não estarão dispostos a acordos, serão caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor ao que é bom, traidores, teimosos, cheios de orgulho, amarão os prazeres em vez de a Deus e manterão uma aparência de devoção a Deus, mas rejeitarão o poder dessa devoção. Desses, afaste-se. Mas as pessoas más e os impostores se tornarão cada vez piores, enganando e sendo enganados.”

Se a teoria espírita fosse verdadeira, os milênios da História humana teriam produzido uma humanidade cada vez melhor, e não pior. Hoje a humanidade seria muito melhor do que no passado. Mas isso não tem acontecido.

Pela visão do espiritismo, quanto mais tempo tem a humanidade, mais perfeita ela deveria estar ficando. Mas, por que a humanidade nunca atingiu sua perfeição?

Se os espíritos estão sendo aperfeiçoados, por que a maldade somente aumenta?
Fonte: jw.org

E se os espíritos estão ficando perfeitos, a população da Terra não deveria ter se tornado menor com o tempo?

O livro “É Esta Vida Tudo O Que Há?” (1975, pp. 55) comenta:

Muitos dos que aceitam a doutrina do renascimento creem que os que levam uma vida má renascerão numa casta inferior, ou como insetos, aves ou animais. Mas, por que se dá, então, que há uma grande explosão da população humana numa época em que os crimes e a violência aumentam numa escala sem precedentes? – Negrito acrescentado.

Em 1960 havia na terra cerca de 3 bilhões de pessoas. Hoje existem mais de 7 bilhões. De onde apareceram tantos espíritos pecadores com necessidade de reencarnar? Como vimos pela Bíblia, os espíritos se rebelaram contra Deus no período próximo do Dilúvio, e não mais depois disso. C0mo então explicar o grande aumento da população humana, o que, na visão do espiritismo, demandaria uma grande quantidade de espíritos para reencarnar?



Se o espírito reencarna numa casta inferior para pagar pecados anteriores, por que podem mesmo os da casta mais inferior sobressair-se quando recebem oportunidades de educação?

Sobre isso, comenta o livro “É Esta Vida Tudo O Que Há?” (pp. 55-56):

Por exemplo, o Times de Nova Iorque, de 26 de outubro de 1973, noticiou que uma moça de dezesseis anos, de casta inferior, era a moça mais inteligente na escola de Kallipashim, na Índia. Ela era mais inteligente do que uma moça da casta mais elevada, uma brâmane. Como se pode explicar isso? Não é verdade que a doutrina do renascimento ou da reencarnação não pode fornecer explicações satisfatórias para tais coisas?

Pense também nos frutos que tal ensino produziu. Não privou muitos homens duma condição digna, obrigando-os a tomar empregos serviçais em péssimas condições de trabalho, com pouca possibilidade de melhorar a sua sorte na vida por meio da educação? – Negrito acrescentado.

Kardec afirma que, quando alguém nasce com defeito físico, é para se aperfeiçoar em relação aos pecados que havia cometido na sua vida anterior. Mas, que relação têm os pais dessa criança com os pecados dela em vidas anteriores, para sofrerem também? Por que os pais têm que sofrer por pecados não cometidos por eles e sim pelo espírito da criança? Isso é justo?

Quando nasce uma criança, o objetivo é que ela possa se aperfeiçoar em relação aos pecados cometidos na vida anterior. Então, se ela morre ao nascer, ou morre antes mesmo de nascer, que proveito tirou da curta vida?

Segundo Kardec, a pessoa que reencarna não sabe da vida anterior. Então, perguntamos:

Que evolução traz o sofrimento quando a pessoa não sabe por que está sofrendo? Como ela poderia melhorar ou evoluir se não souber como melhorar ou em que pontos melhorar?

Mas, alguém poderia perguntar: Que dizer da sensação de já ter conhecido alguém ou de já ter estado em determinado lugar? Observe o comentário feito pelo livro “É Esta Vida Tudo O Que Há?” (pp. 53-54):

O que explica tal sensação?

Há muitas similaridades nas pessoas. Talvez, depois de alguma reflexão, aperceba-se de que a pessoa tem caraterísticas de personalidade ou particularidades físicas parecidas às dum parente ou amigo.

Do mesmo modo, talvez tenha morado numa determinada cidade ou visto fotografias dela. Daí, ao visitar outra cidade, talvez note certas similaridades, de modo que acha que realmente não está num ambiente estranho ou desconhecido.

Assim, pois, não é razoável concluir que a sensação de familiaridade com pessoas ou lugares antes desconhecidos não é produto duma vida anterior, mas o resultado de acontecimentos na vida atual? Na realidade, se todos tivessem mesmo tido uma existência anterior, não deviam todos aperceber-se disso? Então, por que se dá que milhões deles não têm nem a mínima sensação ou ideia de terem levado uma vida anterior? – Negrito acrescentado.

Se as pessoas já tiveram vidas passadas, por que é que não se lembram delas?

O livro “É Esta Vida Tudo O Que Há?” (pp. 54-55) comenta sobre isso:


Além disso, como pode alguém evitar os erros de suas vidas anteriores, se nem se pode lembrar deles? De que proveito seriam tais vidas anteriores?

Alguns talvez deem a explicação de que ‘a vida seria um fardo se as pessoas soubessem dos pormenores de suas existências anteriores’.

[…]

Embora nossa capacidade de nos lembrarmos de muitas coisas talvez seja limitada, nossa mente certamente não está inteiramente vazia a seu respeito. O advogado talvez se esqueça dos pormenores exatos de certos casos, mas a experiência obtida no trato deles torna-se parte de seu acervo de conhecimento. Ele estaria realmente numa grande desvantagem se se esquecesse mesmo de tudo. Também, o que causa maior perturbação às pessoas — a memória fraca ou uma boa memória? Não está em muito melhor situação o homem idoso que tem boa lembrança de seu fundo de conhecimento e de sua experiência do que o idoso que praticamente se esqueceu de tudo?

Deveras, que “bondade” seria ter de aprender de novo tudo o que já se aprendeu durante a existência anterior? Acharia ser isso “bondade da natureza” se cada dez anos se esquecesse praticamente de tudo o que sabia e tivesse de aprender novamente a falar, começando então a acumular um acervo de conhecimento e experiência, só para perdê-lo completamente? Não causaria isso frustração? Não resultaria em terríveis atrasos? Então, por que se deve imaginar que isso aconteça cada setenta ou oitenta anos? Pode imaginar um Deus amoroso fazer tais renascimentos parte de seu propósito para com a humanidade? – Negrito acrescentado.
                                                                       
Quando a pessoa, após muitos períodos de reencarnação, finalmente atinge a perfeição, onde iria morar? No céu? Na terra? Em que lugar?

Kardec afirma que, quando a pessoa morre, seu espírito fica vagando no espaço      até uma nova reencarnação. No entanto, Eclesiastes 9:5 deixa claro que os mortos não estão conscientes de nada. Este texto afirma: “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem absolutamente nada, nem têm mais recompensa, porque toda lembrança deles caiu no esquecimento.”

Se os espíritos reencarnam até atingir a perfeição e conseguem ficar perfeitos, não haveria a necessidade de os mortos serem ressuscitados. Então, para que serviria a promessa da ressurreição feita por Jesus? O apóstolo Paulo afirmou: “Haverá uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” (Atos 24:15) E Jesus prometeu: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a voz dele [de Jesus] e sairão … para uma ressurreição.” (João 5:28, 29) Observe que Jesus afirmou que haverá um tempo específico – uma “hora” – em que os mortos voltarão a viver. Isso mostra que, ao morrerem, as pessoas estão inconscientes, aguardando uma ressurreição e, portanto, não passam por sucessivas reencarnações.

Allan Kardec passou para as pessoas a ideia de que acreditava em Jesus e na Bíblia. Até escreveu um livro intitulado “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Contudo, nesse livro ele só escreveu partes dos Evangelhos que não condenam o espiritismo, omitindo todas as partes que expõem o espiritismo como sendo desaprovado por Deus.

Contrário à ideia da reencarnação, Jesus ensinou a ressurreição. Reencarnação e ressurreição são coisas totalmente diferentes. Então, em qual dos dois ensinos devemos acreditar? Allan Kardec era um homem comum, hoje conhecido por apenas poucas pessoas. Jesus, por outro lado, era e é o Filho de Deus, conhecido hoje pelo mundo inteiro como o maior homem que já existiu. Quem está certo? Um homem imperfeito ou Jesus Cristo? A escolha é sua.


Referências:

Gênesis 6:1, 2. Good News Translation. Bible Hub. Disponível em: < https://biblehub.com/genesis/6-1.htm>.

______. International Standard Version. Bible Hub. Disponível em: < https://biblehub.com/genesis/6-1.htm>.

Segundo Samuel 22:31. Good News Translation. Bible Hub. Disponível em: <https://biblehub.com/2_samuel/22-31.htm>.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.



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