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domingo, 18 de outubro de 2020

A palavra “primogênito” significa sempre o primeiro nascido?


Fonte: jw.org

Etimologicamente, a palavra “primogênito” tem o sentido de “primeiro nascido”. Está sempre ligada a nascimento, a ter um começo. Um site de etimologia (estudo da origem das palavras) explicou: “Esta palavra latina vem de uma fonte Indo-Europeia [o idioma grego] gen- ou gnê-, ‘gerar, engendrar, fazer nascer’.” O referido site passou a mostrar que os termos cognatos estão ligados a origem e a princípio, ou começo. Observe as palavras relacionadas:

GÊNESE – o começo de tudo. Pelo menos na Bíblia. Em Grego, genesis queria dizer “criação, força produtiva, origem”, de genos, “nascimento, família, raça”, da raiz Indo-Europeia acima citada.

GENITOR – em Latim,  genitor e genitrix queriam dizer “pai” e “mãe”, ou seja, “aqueles que geram”.

 progenitura é a “geração, a descendência”.  É interessante observar que hoje em dia progenitor se usa para os pais, quando na origem designava avós ou antepassados mais distantes. Era formada por pro-, “à frente, antes”, mais genitor.

PRIMOGÊNITO – de primus, “primeiro, o que veio antes de todos”, mais genitus, “nascido, gerado”.  

GENITAL – do Latim genitalis, “relativo à geração”.  Aplicou-se aos órgãos reprodutivos em geral.

GENITIVO – esta palavra quase só é conhecida de quem estuda Latim ou outros idiomas com declinações, como o Alemão. Em Gramática, quer dizer “o que marca a origem”.

GENTE – vem do Latim gens, “raça, clã, família em sentido amplo, família nobre”.  O sentido mudou e agora ela designa “número indeterminado de pessoas, pessoas com interesses semelhantes”.

GERME, GERMINAR – do Latim germen, derivado de gen-men, “broto, crescimento, descendência”.  Em Latim, germinanus, “o que é da mesma descendência, irmão”, passou a germanus. Em Português, “germano” se usa para designar os irmãos que têm o mesmo pai e a mesma mãe. Também porta o significado de “puro, verdadeiro, sem mistura”. Em Espanhol passou a hermano, “irmão”. Note-se bem que esta palavra nada tem a ver com sua homófona e homógrafa  germano, usado como sinônimo de “alemão”. Esta foi usada primeiramente por Júlio César ao descrever suas andanças pela Gália, talvez em referência a uma tribo específica que encontrou pelo caminho.  Provavelmente tem origem céltica, querendo dizer “barulhento”.

GÊNERO – do Latim genus, “raça, extração”.

DEGENERAR –  “corromper-se, perder as qualidades essenciais”,  do genus acima citado.

GENEROSO – originalmente “de bom nascimento, de família nobre”, fixou o sentido no aspecto de “aquele que reparte com largueza”, o que devia acontecer bastante.

REGENERAR – de regenerare, formado por re, “de novo, outra vez”, mais generare, “gerar”, queria dizer “fazer viver novamente”. Uma pessoa que regenera seus hábitos e deixa de lado uma carreira criminosa ou o uso de drogas é como se tivesse nascido de novo.

GÊNIO – de genius. Tratava-se, segundo os romanos, de uma divindade particular de cada pessoa, nascida com ela, que sobre ela velava e que com ela desaparecia. […] Ao gênio individual se atribuíam certas capacidades proféticas. Lá pelo século XVII o adjetivo genial passou a ter o significado de “talento ou inteligência inatos”. [Lembrando que “inato” refere-se a algo que pertence ao ser desde o seu nascimento.]

ENGENHO, ENGENHOSIDADE – de ingenium, “qualidades inatas”, ingeniosus, “o que tem naturalmente todas as qualidades de inteligência”.

[…]

INDÍGENA – de in-, “em”, mais genitus: “gerado no lugar, nascido dentro do país”.[1]

Observe que os termos relacionados estão ligados a “começo”, “nascimento”, “nascer”, ao ato de “gerar”, “geração”, “descendência”, “fazer viver”, “inato”. Porém, os teólogos trinitaristas defendem um sentido não relacionado com a etimologia, o de “preeminente”, que tem o sentido de alguém “que ocupa lugar mais elevado; eminente, superior” (Dicionário Michaelis)[2]. O artigo “O que significa o termo ‘primogênito’ em Colossenses 1:15?” fez o seguinte comentário a respeito da obra The Expositor's Greek Testament (“Testamento Grego do Expositor”):

OBS: O autor cita também em seus comentários que a palavra [“primogênito” (Protótokos) pode ter o significado apenas de “domínio” ou “soberania”, ou seja, Cristo teria primazia ou seria preeminente porque é o governante sobre toda a criação e não que ele seria a primeira criatura. Essa parece ser a conclusão do autor e em apoio cita outros comentaristas bíblicos que dão suporte a essa conclusão.  Mesmo assim, o autor não é dogmático sobre o assunto e deixa a discussão em aberto ao dizer: “Se a palavra retém algo de seu significado original [prioridade temporal ou primeiro filho] aqui é duvidoso.” 

A respeito dessa posição da supracitada obra, um leitor fez o seguinte comentário:

Ele faz esta ressalva porque é trinitário; aí se contenta em citar outros trinitários com a mesma opinião.

“Além da primeira definição de ‘primogênito’ como sendo o mais velho, o link mostra que a palavra pode ter o significado de apenas “preeminência” (Greek Lexicon de Thayer).”

E o autor trinitário faz isso pensando justamente nas implicações de Colossenses 1:16.

Agora, irmãos que me leem, eu sou da opinião de que, aparentemente, “primogênito” sempre tem o sentido de prioridade temporal, mesmo nas supostas exceções que eles arrumam.

[…] mencionam Israel, povo que Jeová chama de seu filho primogênito. [Êxodo 4:22] Ora, embora Israel não seja o primeiro povo a surgir na Terra, é sim o primeiro povo ou nação escolhida por Deus e separada para o serviço sagrado de Jeová.

O caso mais difícil talvez seja o de Efraim. Segundo a profecia de Jeremias (31:9), primeiro cabe notar que a passagem parece ser um caso de paralelismo, onde a frase posterior repete a ideia da anterior. Neste caso, Efraim seria uma metonímia ou sinédoque para representar todo o Israel através dele, Efraim. (Convém notar que hoje se usa JUDEUS, quer dizer, da tribo de JUDÁ, para representar todos os israelitas; é a mesma situação.) Mas, prestemos atenção do que fala a profecia dentro de seu contexto: o profeta está falando sobre a libertação de seu povo (Jeremias 31:7,8, 10-12). A referência é a de que o Pai restauraria Israel; a tribo de Efraim ocuparia o papel de primogênito porque a restauração começaria primeiro por Efraim.

Pensando em Jacó e Esaú, Jacó comprou os direitos ou privilégios de primogenitura de seu irmão mais velho, mas isto não muda o fato de que o primogênito de Isaque era Esaú. Ele apenas não recebeu seus privilégios disso. Jacó não é abertamente chamado de “o primogênito de Isaque”; se é, me mostrem a referência bíblica disso. Os primogênitos indignos podiam perder sua herança, que era passada a outro filho, mas nada muda o fato de que foram o primeiro filho varão de seu pai.

O que é primogênito da morte (Jó 18:13)? Poeticamente, é a doença que mata primeiro. A morte tem vários filhos, entre elas, a doença. A doença primordial é a mais mortal, causando a morte precoce. Eis a filha mais velha e mais querida de sua mãe.

Voltando a Cristo, trocar o sentido de primogênito para preeminente apenas indicaria que o Filho de Deus é a criação mais preeminente. Existe um problema difícil para o trinitário desatar aqui, que é de que “o primogênito dos animais” tem de ser ele mesmo um animal. É complicado que o primogênito de uma classe esteja fora dela, que é o caso que querem inventar aqui, que o primogênito da criação de Deus seja o Criador!

O livro “Raciocínios à Base das Escrituras” sabiamente faz questão de chamar a atenção de que o termo “primogênito” nunca é usado para Deus, nem para o espírito santo. E, como os trinitários também atribuem a função de Criador para o Pai e o Espírito, não haveria problema algum em chamar a estes de “primogênito” também. Mas, o que se observa é que o termo não pode ser desvinculado do fator filiação. Como Jeová não é filho de nada ou de ninguém, não tem como ser primogênito de nada; ele não tem pai ou genitor, é ingênito e eterno, por mais que seja o mais preeminente deste e de todos os universos, tal termo nunca poderia se aplicar aquele que não foi gerado.

[Fim do comentário do referido leitor.]

O artigo “Jesus é oCriador ou um Ser criado? – Exame de Colossenses 1:15-20” fez uma ponderada colocação sobre a menção de Jesus Cristo como “primogênito”:

Quando a palavra “primogênito” não se aplica ao primeiro, isto se deve ao fato de que o primeiro perdeu seu direito à primogenitura, e outro da mesma família assumiu o seu lugar. (1 Crônicas 5:1; Jeremias 31:9) Portanto, seguindo esta regra bíblica, se Jesus não fosse o primogênito no sentido de ser o primeiro filho ou o primeiro nascido de Deus, isto significaria que Deus criou outro antes de Jesus, e que este outro perdeu seu direito à primogenitura, sendo necessário Jesus ter assumido o seu lugar. Assim, imagine as implicações de se negar que Jesus é a primeira criação de Deus!

Portanto, é inegável o fato de que o termo “primogênito de toda a criação”, aplicado a Jesus, indica que ele é a primeira criação de Jeová Deus.




Notas:
[1]  Primogênito. Origem da Palavra. Disponível em: < https://origemdapalavra.com.br/palavras/primogenito/>.

[2] Preeminente. Dicionário Michaelis. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?id=D9Y9X>.



A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová.


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domingo, 11 de outubro de 2020

A lei das testemunhas atesta contra a alegada pessoalidade do “Espírito Santo”?


As decisões judiciais em Israel dependiam do depoimento de duas ou três testemunhas
Fonte: jw.org


Um leitor trouxe a este site a interessante consideração:

Vamos considerar do ponto de vista de um cristão verdadeiro daquele período:

Como exemplo, pense no apóstolo Paulo. Ele fora “batizado no Espírito Santo”; também “desceu às águas”, como dizem alguns atualmente. Paulo conhecia (para exemplificar o que se cria como cristão de verdade no primeiro século) toda a Lei de Moisés; conhecia a Deus e conhecia o ressuscitado Jesus (teve experiência pessoal com ele em mais de uma vez). Paulo também tinha o “Espírito Santo” de Deus.

Pois bem, Paulo, como judeu, citou certa vez a Lei em um sentido: o de utilizar testemunhas para resolver certos assuntos. Deuteronômio 19:15 diz que qualquer assunto que seriamente necessite de provas conte com o testemunho de dois, até mesmo três testemunhas, para ser firmemente confiável. Paulo confirmou isso em 2 Coríntios 13:1. Lá ele disse que “pela boca de duas ou três testemunhas, toda questão será decidida”.

Isso é uma grande regra. Vale para resolver todo tipo de assunto polêmico. Em uma ocasião, ao dar instruções ao jovem ancião (presbítero) Timóteo, ele utilizou esse princípio bíblico sobre alguém que levianamente pudesse acusar um cristão que detivesse esse privilégio. Ele escreveu: “Não aceites denúncia contra presbíteros, senão exclusivamente sob o depoimento de DUAS ou TRÊS testemunhas.” – 1 Timóteo 5:19.

Agora, pensemos no seguinte caso: Paulo, o apóstolo escolhido pelo próprio Jesus, estava pedindo que Timóteo, o jovem presbítero fizesse uma conjuração (jurasse diante de TRÊS testemunhas confiáveis). Quais seriam as pessoas mais confiáveis do universo para testemunhar a conjuração de Timóteo? Se Paulo, com o histórico acima, tivesse o conceito daqueles judeus, ou se quisesse expor o conceito mais apropriado, não teria a melhor oportunidade para isso nessa ocasião? E você, quais testemunhas convocaria para ouvir a conjuração do jovem presbítero?

É bem simples. Basta ler alguns versículos seguintes e ver o que fez o privilegiado apóstolo. Ainda no capítulo 5 da segunda carta a Timóteo, ele faz uma conjuração no versículo 21, que diz: “Conjuro-te perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade”. Notaram? Ele usou a pessoa de maior confiança no universo para testemunhas isso, Deus. Ele usou em seguida a segunda pessoa mais digna de consideração, Jesus Cristo. Que categoria de pessoas ele convocou para ocupar o terceiro lugar para testemunhar a decisão de Timóteo? Os anjos! Por qual motivo Paulo não usou o “Espirito Santo” para declarar isso aos cristãos de sua época?

O interessante é que Paulo volta a conjurar o presbítero Timóteo, dessa vez na sua segunda carta. A diferença é que Paulo volta a utilizar-se do princípio sagrado para fazer a mesma convocação. Só que dessa vez ele achou por bem chamar apenas DUAS testemunhas. Isso está 2 Timóteo 4:1, que diz “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu Reino.” Note que o escritor não achou necessário o uso de TRÊS testemunhas, senão apenas DUAS.

Já tirou suas conclusões? Eu já! Pense nisso.

[Fim da consideração feita pelo referido leitor.]


O espírito santo dá testemunho, mas não junto com o Pai e o Filho (João 8:17, 18), e sim, junto com coisas impessoais, tais como a água e o sangue.  – 1 João 5:5-8.

Jesus disse, em João 8:17, 18: “Também, na própria Lei de vocês está escrito: ‘O testemunho de dois homens é verdadeiro.’ Eu sou um que dá testemunho de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim.” A Lei mosaica, citada por Jesus, estabelecia que as decisões judiciais deveriam fundamentar-se “no depoimento de duas ou três testemunhas” (Deuteronômio 17:16; 19:15). Duas testemunhas eram o mínimo exigido. Mas, evidentemente, seria melhor três testemunhas. Este era o motivo da menção de “duas ou três testemunhas”. Como o espirito santo não é uma pessoa espiritual, foi necessário Jesus citar a si mesmo como testemunha dele próprio, junto com o testemunho de seu Pai.

O espírito santo, por não ser uma pessoa espiritual, dá testemunho junto com coisas impessoais, conforme lemos em 1 João 5:5-8, que declara:  “Quem pode vencer o mundo? Não é aquele que tem fé em que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio por meio de água e de sangue: Jesus Cristo; não apenas com a água, mas com a água e com o sangue. E o espírito dá testemunho, porque o espírito é a verdade. Pois são três os que dão testemunho: o espírito, a água e o sangue; e os três estão de acordo.”

Assim, como vemos, a lei das testemunhas desfere um golpe na alegada personalidade do espírito santo.

Veja também o artigo:




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domingo, 4 de outubro de 2020

Como deve ser traduzido Deuteronômio 32:43? Foi citado em Hebreus 1:6?

Um leitor trouxe a este site uma interessante questão. Observe o que ele escreveu:

Olá, de novo. ... Pergunta: É corrupção da LXX [Septuaginta] ao fazer um acréscimo em Deuteronômio 32:43, ou é o Texto Massorético que está corrompido por não ter citado a parte que consta na LXX, que, de acordo com alguns, foi citado em Hebreus 1:6? Muito obrigado por seus comentários a esse respeito.

Resposta:

A maioria das traduções verte Deuteronômio 32:43 de acordo com o Texto Massorético, a exemplo da Tradução do Novo Mundo, que verte como segue: “Alegrem-se, nações, com o Seu povo, pois ele vingará o sangue dos seus servos, trará vingança sobre os seus adversários E fará expiação pela terra do seu povo.” 

A Versão dos Setenta, também conhecida como Septuaginta, verte da seguinte forma: “Alegrai-vos, ó céus, com ele, e que todos os anjos de Deus o adorem; alegrai-vos, gentios, com seu povo, e que todos os filhos de Deus se fortaleçam nele; porque ele vingará o sangue de seus filhos e ele dará vingança e recompensará a justiça a seus inimigos, e recompensará aqueles que o odeiam; e o Senhor purificará a terra de seu povo.” (Brenton Septuagint Translation) Algumas traduções seguem a Septuaginta, a exemplo de New Living Translation, English Standard Version, Berean Study Bible, Contemporary English Version. 

A parte que se encontra diferente foi destacada na nota de rodapé da Tradução do Novo Mundo Com Referências, como segue: “‘Alegrai-vos, ó céus, com ele, e adorem-no todos os anjos de Deus. Alegrai-vos, ó nações, com o seu povo, e fortaleçam-se nele todos os filhos de Deus’, LXXBagster. Veja He 1:6; Rolo do Mar Morto 4QDeut.q.” O texto “alegrai-vos, ó céus, com ele, e que todos os anjos de Deus o adorem; … e que todos os filhos de Deus se fortaleçam nele” constitui a parte diferente. 

Alguns entendem que o escritor de Hebreus citou Deuteronômio 32:43 em Hebreus 1:6, onde lemos: “Mas, ao trazer novamente o seu Primogênito à terra habitada, ele diz: ‘Que todos os anjos de Deus lhe prestem homenagem.’” Nesta linha estão E.W. Bullinger e Adam Clarke. Por outro lado, o perito Albert Barnes teceu motivos pelos quais ele acreditava que Hebreus não fez referência a Deuteronômio 32:43, e sim ao Salmo 97:7. Observe abaixo as razões delineadas por ele: 

(1) uma é que a passagem não está no hebraico; e parece dificilmente crível que, ao escrever para Hebreus, e para aqueles que residiam no próprio país onde as Escrituras Hebraicas eram constantemente usadas, ele aduziria como texto de prova uma doutrina importante que não estava em suas Escrituras. 

(2) segundo, é que ele é omitido em todas as versões antigas, exceto na Septuaginta. 

(3) em terceiro lugar, é impossível acreditar que a passagem em questão em Deuteronômio tenha alguma referência ao Messias. Não está relacionado à sua “introdução” ao mundo. 

[…] 

Além disso, não há a menor evidência de que algum dia os judeus devessem ter tal referência; […] [A citação] É um “texto de prova”, e Paulo evidentemente pretendia ser entendido como dizendo que aquela passagem tinha uma referência “justa” ao Messias. Além disso, é evidente que se admitiria ter essa referência por aqueles a quem ele escreveu. É moralmente certo, portanto, que essa não foi a passagem que o escritor pretendia citar. A probabilidade é que o escritor aqui se referisse ao Salmo 97:7 (no Salmo da Septuaginta 96:7). Nesse lugar, o hebraico é: “adorai todos os deuses” (kaal ‘elohiym – “todos vós elohiym”). 

Na Septuaginta é: “Que todos os seus anjos o adorem”; onde a tradução é literal, exceto que a palavra “Deus” – “anjos de Deus” – é usada pelo apóstolo em vez de “dele” – “todos os seus anjos” – como na Septuaginta. A palavra “deuses” – ‘elohiym – é traduzida pela palavra “anjos” – mas a palavra pode ter esse sentido. Assim, é processado pela Septuaginta; em Jó 20:15; e no Salmo 8:6Salmo 137:1. […] A interpretação justa da passagem seria, então, se referir a “seres angelicais” – e o mandamento no Salmo 97: 1-12 é que eles prestem homenagem ao Ser ali referido. A única questão então é se o Salmo pode ser considerado adequadamente como tendo alguma referência ao Messias. O apóstolo usou de maneira justa e apropriada essa linguagem como referência a ele? Sobre isso, podemos observar: 

(1) Que o fato de ele usá-lo assim pode ser considerado uma prova de que seria admitido pelos judeus em seu tempo, e torna provável que fosse de fato usado.[1]

 

Conclusão

O Texto Massorético possui evidência histórica de ter sido compilado de modo extremamente meticuloso pelos escribas judeus. Por outro lado, a versão Septuaginta é uma tradução em grego do texto hebraico original, e não é uma tradução literal. Em algumas passagens, assemelha-se mais a uma tradução livre, ou paráfrase. Por estas razões, a maioria das traduções da Bíblia verte de acordo com o Texto Massorético, hebraico. O próprio contexto do capítulo 1 de Hebreus parece demonstrar que o escritor de Hebreus não citaria do texto de Deuteronômio 32:43 na Septuaginta, e sim do Salmo 97:7 conforme se encontra na Septuaginta.

 

Nota:

[1] Estudo de Hebreus 1:6 – Comentado e Explicado. bibliaco. Postado em 14 de março de 2020. Disponível em: <https://versiculoscomentados.com.br/index.php/estudo-de-hebreus-1-6-comentado-e-explicado/>.

Referências:

Deuteronômio 32:43. Bible Hub. Disponível em: <https://biblehub.com/deuteronomy/32-43.htm>.

Deuteronômio 32:43. Septuaginta. Bible Hub. Disponível em: <https://biblehub.com/sep/deuteronomy/32.htm>.

Deuteronômio 32:43. Septuaginta. Deutsche Bibel Gesellschaft. Disponível em: <https://www.academic-bible.com/en/online-bibles/septuagint-lxx/read-the-bible-text/bibel/text/lesen/stelle/5/320001/329999/ch/0b89294002b40812b31018ccd0148821/>. 

 

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová. 

 

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