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domingo, 6 de março de 2022

Palavra de Deus versus tradição

 

Jesus condena os judeus por seguirem tradições em vez de a Palavra de Deus. 

Fonte: jw.org 

A Bíblia de Jerusalém contém a seguinte nota de rodapé a respeito de Mateus 28:19:

É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula [“em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”] reflita influência do uso litúrgico posteriormente fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro de Atos fala em batizar “no nome de Jesus” (cf. At 1,5+; 2,38+). Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade. Quaisquer que tenham sido as variações nesse ponto, a realidade profunda permanece a mesma. O batismo une à pessoa de Jesus Salvador; ora, toda a sua obra salvífica  procede do amor do Pai e se completa pela efusão do Espírito. (Negrito acrescentado.)

O comentário desta nota de rodapé sugere que a chamada fórmula batismal encontrada em Mateus 28:19 é uma interpolação, uma adição de escribas posteriores à escrita da Bíblia. O motivo exposto no comentário acima é da suposta contradição entre essa fórmula batismal e o batismo “em nome de Jesus” apresentado no livro de Atos dos Apóstolos.

Porém, o artigo “Batismo em nome de quem?” mostrou bíblica e logicamente que não há contradição entre as duas formas de mencionar o batismo cristão. (Queira ler.)

Sobre a referida nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, um leitor teceu um interessante comentário, que segue abaixo: 

As fontes usadas pelos críticos de Mateus 28:19, como as notas da Bíblia de Jerusalém, ignoram que a BJ acredita numa evolução doutrinal e litúrgica dos primeiros cristãos, bem como na Teoria Documental a respeito da autoria e escrita bíblica.

Os autores das notas da BJ supõe que o autor (ou autores) do evangelho de Mateus (que nem seria o apóstolo com esse nome) transcreveram o texto em sua época (80 d.C), conforme era a liturgia batismal comum naquele ponto da história cristã, batizar em nome “do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (conforme também o Didaquê instrui).

Aí a nota supõe que Atos está citando um costume mais antigo, que era apenas batizar “em nome de Jesus” (entre 30-50 d.C). Afinal, Atos teria sido escrito antes de Mateus (por volta de 60 d.C), então houve uma evolução das crenças, fraseados, liturgias e formulas cristãs.

Os acadêmicos católicos não costumam ter muito problema com isso, pois defendem que seus Papados, Concílios, Credos e Magistério tenham tal autoridade, inclusive se gabam de terem sido eles a editarem o conteúdo e o cânon bíblico, sendo a Bíblia um produto católico, escrito por católicos, para leitores católicos. e tendo direitos de autoria pertencentes à Igreja Católica.

Sendo assim, não importa se Judite não é histórico, se Tobias não é cronologicamente exato, se não foi Salomão quem escreveu o livro de “Sabedoria de Salomão” – pois a autoridade eclesiástica da Igreja Romana os declarou canônicos, então são. Não se importam com os adendos a Daniel, com a suposta escrita tardia de Jó ou se por acaso a história de Jonas é fictícia, independente disso a Igreja os determinou como livros canônicos, que podem ser lidos nas missas e usados pelos católicos. Também não os interessa se a Perícope da Adultera [João 7:53 a 8:11] não fazia parte do Evangelho de João, mas sim uma lenda da Tradição Católica, e nem que a conclusão longa de Marcos (16:9-20) tenha sido posteriormente acrescida por piedosos copistas que acharam o final do evangelho original muito abrupto, pois a Igreja Católica homologou tais versículos também como sendo canônicos e dignos de fé. Afinal, São Jerônimo os pôs na Vulgata; sendo assim, a Bíblia Oficial da Igreja Romana por decreto dos “infalíveis” Papas inclui tais passagens.

Que a Comma Joanina [1 João 5:7, 8] não é algo que foi originalmente escrito por João em sua primeira epístola, os eruditos, biblistas e teólogos católicos não têm dúvida; mesmo assim não veem nada na Comma que seja problemático, afinal esta está em plena consonância com a trinitária Tradição Patrística da Igreja e surgiu dela. 

Então a elite acadêmica do catolicismo não vê muita diferença entre o que é biblicamente original e o que é tradição católica. Para ela Escritura e Tradição têm o mesmo valor e ambas estão sujeitas ao crivo da Santa Sé, que é guiada pelo “Sucessor de Pedro” e pelo Santo Magistério. Se Roma diz que algo é canônico, então pronto, é e ponto final; as questões de crítica textual, acuidade cientifica e de historicidade ficam em segundo ou terceiro plano, pois o conteúdo católico verdadeiramente bíblico (Existência de Deus, Jesus Cristo, Anjos, Diabo, Vida Eterna, Nascimento Virginal) e o conteúdo provindo da Tradição (Trindade, Purgatório, Imaculada Conceição, Cruz, Missa, Domingo, Natal, Apócrifos, Patrística) teriam o mesmo valor.

[Fim do comentário do referido leitor.]

Os judeus dos dias de Jesus Cristo também colocavam a tradição em pé de igualdade com a Palavra de Deus e até acima dela. Jesus condenou esta atitude ao dizer a eles: “Vocês abandonam o mandamento de Deus e se apegam à tradição de homens. […] Vocês sabem muito bem como pôr de lado o mandamento de Deus, a fim de manter a sua tradição.” (Marcos 7:8, 9) E o apóstolo Pedro fala de os cristãos terem sido “livrados da vossa forma infrutífera de conduta, recebida por tradição de vossos antepassados”. (1 Pedro 1:18) Assim, os verdadeiros cristãos levam a sério a sábia admoestação inspirada: “Tenham cuidado para que ninguém os escravize por meio de filosofia e vão engano, que são baseados em tradições humanas, nas coisas elementares do mundo, e não em Cristo.” – Colossenses 2:8.

 

A menos que haja uma indicação, todas as citações bíblicas são da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada pelas Testemunhas de Jeová. 

 

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 

 

 

 

 

 


Um comentário:

  1. Pois é, até mesmo aqueles que hoje conseguiram juntar as verdades fundamentais da bíblia como o conceito unitarista de Deus, a condição dos mortos, a importância do nome divino, o proposito de Deus para com a terra precisam ter cuidado e examinar se tradições humanas não estão tomando equivalência com as verdades biblicas defendidas por eles.

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