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domingo, 25 de setembro de 2022

Respondendo a um leitor sobre se Jó 1:4 se refere a aniversários de nascimento

 

A respeito do artigo, Os filhos de Jó comemoravam aniversários de nascimento?(queira ler), um leitor teceu o seguinte comentário: 

Me parece ser um ótimo argumento o usado pelo “Estudo Perspicaz”. As questões são:

1) Jó 3 não fala de comemorações de aniversário, sim de um dia específico de nascimento apenas. Há uma diferença grande entre falar da data do seu nascimento e de outra data em que se comemora um nascimento.

Em outras palavras, Jó estava dizendo que era melhor não ter nascido naquele dia em que nasceu.

2) Ainda que fossem comemorações de aniversários, Jó não estava presente nelas. Pelo contrário, Jó 1:5 diz:

“Depois que terminava o ciclo dos dias de banquete, Jó os chamava para santificá-los. Então ele se levantava de manhã cedo e oferecia sacrifícios queimados em favor de cada um deles, pois Jó dizia: “Talvez meus filhos tenham pecado e amaldiçoado a Deus no coração.” Jó sempre fazia assim.”

Portanto, servos de Deus não são vistos na Bíblia comemorando aniversários. Antes, sendo aniversário ou não, Jó se importava com os tipos de festas que ele e até seus filhos participavam.

3) As publicações citadas usam de raciocínio circular. Todas se baseiam umas nas outras para auto se apoiarem, citando muitas vezes a mesma fonte. Aliás, citam pessoas comuns, não servos pré-cristãos ou judeus que adoravam o verdadeiro Deus, comemorando aniversários.

4) Outras fontes seculares também afirmam que servos de Deus não comemoravam aniversários.

“Os hebreus posteriores consideravam a celebração de aniversários natalícios como parte da adoração idólatra, conceito que era abundantemente confirmado pelo que viam nas observações comuns associadas com tais dias.” — The Imperial Bible-Dictionary (Londres, 1874), editado por Patrick Fairbairn, Vol. I, p. 225.

5) Nas demais citações bíblicas sobre aniversários, é dito de forma inequívoca que se tratava de um aniversário, como nos casos de Faraó e Herodes.

No caso dos filhos de Jó, a expressão bíblica é outra, como por exemplo, em Jó 1:13,18:

“Seus filhos e suas filhas estavam COMENDO E BEBENDO vinho na casa do irmão mais velho”.

Em outros textos bíblicos, essa expressão “comendo e bebendo” não se referem à aniversários, como:

1) Vitória em guerra. 1 Samuel 30:16: “Assim, ele levou Davi até eles. Os amalequitas estavam espalhados por toda a região, comendo, bebendo e festejando por causa da grande quantidade de despojo que haviam tomado da terra dos filisteus e da terra de Judá.”

2) Fazer alguém rei. 1 Crônicas 12:39: “E eles ficaram três dias com Davi, comendo e bebendo, pois os seus irmãos tinham feito preparativos para eles.”

3) “O Filho do Homem veio comendo e bebendo, mas elas dizem: ‘Vejam! Um homem glutão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’ No entanto, a sabedoria se prova justa pelas suas obras.” 

Resposta: 

O referido leitor referiu-se ao argumento a respeito de Jó 1:4, utilizado pela obra “Estudo Perspicaz das Escrituras”, como sendo “um ótimo argumento”. A citada obra afirmou que “é certo que Jó 1:4 não se refere a um aniversário natalício”. (Negrito acrescentado.)

Em seu ponto 1, o leitor parece não ter entendido o ponto em questão: Jó capítulo 3 não foi utilizado para comprovar “comemorações de aniversário”, e sim para mostrar que a palavra “dia” (yohm) sozinha, isolada da palavra hul·lé·dheth (“do nascimento”), refere-se, incontestavelmente, nesta passagem, ao dia específico do nascimento. Esta prova bíblica incontestável anula o argumento da obra “Estudo Perspicaz das Escrituras”, que deu a entender que a palavra “dia” (yohm) sozinha, na ausência da palavra hul·lé·dheth (do nascimento), definitivamente “não se refere a um aniversário natalício”.

“Dia”, em Jó capítulo 3, se refere ao dia do nascimento, e a mesma palavra “dia” é usada em Jó 1:4 para as comemorações feitas pelos filhos de Jó. Devido ao uso da mesma palavra “no contexto bíblico imediato”, o artigo mostrou que a possibilidade de os dias comemorados pelos filhos de Jó serem os seus aniversários de nascimento. De qualquer forma, não é, portanto, “certo que Jó 1:4 não se refere a um aniversário natalício”, como afirmou a referida obra acima, citada no artigo.

Em seu ponto 2, o referido leitor reconhece a possibilidade de Jó 1:4 se referir a “comemorações de aniversários”. Dessa forma, ele se contradiz com relação à sua afirmação anterior, de que o argumento apresentado pela obra Estudo Perspicaz das Escrituras” seja um ótimo argumento”. Afinal, se for um ótimo argumento”, o texto de Jó 1:4 definitivamente não se refere a aniversários de nascimento. Por outro lado, se o leitor reconhece uma possibilidade de que Jó 1:4 se refira a aniversários natalícios, ele também reconhece – contraditoriamente – que o argumento apresentado pela dita obra não é tão “ótimo” assim.

Ademais, o fato de Jó não estar presente a tais comemorações não tem qualquer relação com o que tais comemorações significavam – se eram de aniversários de nascimento ou de outros eventos. Também, Jó oferecia sacrifícios, não pelo que tais celebrações representavam, e sim pela possiblidade de seus filhos ‘terem pecado e amaldiçoado a Deus no coração’.

Em seu ponto 3, o leitor afirmou: “As publicações citadas usam de raciocínio circular.” Curiosamente, o próprio leitor citou a obra The Imperial Bible-Dictionary, que também tem sido citada por diversos comentaristas bíblicos atuais, e nem por isso tal leitor usa “de raciocínio circular”. O fato de uma mesma obra, ou fonte, ser citada por diversos comentaristas mostra a relevância de tal fonte.

O dito leitor também afirmou sobre as publicações citadas: “Citam pessoas comuns, não servos pré-cristãos ou judeus que adoravam o verdadeiro Deus.”

Novamente, parece que o leitor não entendeu o ponto em questão: que a maioria dos comentaristas bíblicos de renome vê a possibilidade, e até probabilidade, de Jó 1:4 se referir a comemorações de aniversários natalícios. Ser este o conceito de notáveis comentaristas bíblicos não é um fator conclusivo, mas é relevante. E é isso o que o artigo apresentou de forma cândida.

Em seu ponto 4, o leitor citou a obra The Imperial Bible-Dictionary, afirmando sobre isso o seguinte: “Outras fontes seculares também afirmam que servos de Deus não comemoravam aniversários.” A referida obra citada afirma que “os hebreus posteriores consideravam a celebração de aniversários natalícios como parte da adoração idólatra”. A palavra “posteriores” se refere a que época?

O Dicionário Bíblico Unger (p. 74, verbete “Aniversário”) faz referência ao ‘dia natalício de Herodes’ (Mt 14:6), a respeito do qual afirma: “pode se referir ao dia do seu nascimento ou ao dia de sua ascensão ao trono (cf. Os 7.5). Mais tarde, os judeus passaram a considerar a comemoração de aniversários uma forma de idolatria.” (Negrito acrescentado.) Portanto, de acordo com o Dicionário Bíblico Unger, há evidência de que, posteriormente à comemoração do ‘dia natalício de Herodes’, os judeus “passaram a considerar” tais comemorações como objetáveis.

Em seu ponto 5, o leitor afirmou: “Nas demais citações bíblicas sobre aniversários, é dito de forma inequívoca que se tratava de um aniversário, como nos casos de Faraó e Herodes.” Isto, naturalmente, não serve de argumento para comprovar, de modo inequívoco, que Jó 1:4 não se refira a comemorações de aniversários de nascimento.

O leitor ainda afirmou: “No caso dos filhos de Jó, a expressão bíblica é outra.”  Novamente, torna-se claro que o referido leitor não entendeu o ponto em questão, o qual já foi explicado no artigo anterior, supracitado, e também neste artigo.

A citação de Jó 1:13, 18 foi feita pelo Dicionário Unger, e transcrita no artigo anterior, a qual reza: “Para a maioria dos comentaristas, as festas mencionadas em Jó 1.13,18 se referem a comemorações de aniversários.” O referido leitor teceu argumentos contrários a esta afirmação do mencionado dicionário bíblico, o que se mostrou desnecessário, pois não eram esses versículos o foco do artigo, e sim o texto de Jó 1:4 – texto para o qual o referido leitor não apresentou argumento de que, definitivamente, não se refere a comemorações de aniversário natalício. Pelo contrário, como já demonstrado, o referido leitor mais de uma vez reconheceu a possibilidade de o texto se referir a tais comemorações.

O referido leitor parece ter dado a entender que os filhos de Jó poderiam comemorar aniversários de nascimento por não serem adoradores de Deus. Porém, a Bíblia não afirma que eles eram e nem que não eram adoradores de Deus.

O fato é que o contexto bíblico imediato, em Jó capítulo 3, é uma forte proposição para que Jó 1:4 se refira a comemorações dos aniversários de nascimento dos filhos de Jó.

 

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

 

Os artigos deste site podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o site www.oapologistadaverdade.org

 

 

 


2 comentários:

  1. Irmão, vou dar minha conclusão após analisar os argumentos de ambos os lados.

    Dizer que "é certo que não se refere a aniversários" é um pouco presunçoso. Parece-me um comentário bastante parcial, fundamentado em ideias pré-concebidas.

    Portanto, o comentário da obra Estudo Perspicaz é impreciso.

    Até aqui, fato.

    Parece que o contexto indica, embora não prove, que a expressão "dia" seja uma referência ao dia de nascimento, a saber, o aniversário de cada um dos filhos de Jó. Contudo, há outas possibilidades.

    É possível que a palavra "dia" se refira ao dia em que cada um dava um banquete, e este me parece ser o sentido mais provável do texto.

    Por exemplo, eu posso dizer: "Vamos fazer uma sequência de banquetes, cada um em no seu dia." Esses banquetes podem ocorrer todos os finais de semana, e a palavra "dia" não se refere ao dia de nascimento de cada pessoa que dá o banquete, e sim ao dia em que é minha vez de dar o banquete. Isso PODE ser o caso também.

    São possibilidades que não devem ser ignoradas.

    Seja como for, apenas o que é objetável ao cristão é realizar cerimônias em que imperam as superstições, crendices e coisas similares.

    Portanto, se no dia do meu aniversário eu decidir apenas dar um jantar aos meus amigos, não há nada de errado nisso.

    O que seria objetável é incluir elementos supersticiosos em tal festa, tal como soprar velinhas e fazer um pedido. Isso é superstição. Do resto, se os elementos religiosos forem removidos, aí cada um decide o que fazer.

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